Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

O entrevistado faz uma crítica dura, mas contra um órgão público que não conhece...

O jornal Estado de Minas, o de maior tiragem do Estado, produziu uma reportagem algo escandalosa no último domingo (22/11/09) sobre os editais de concursos públicos suspensos pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais.

Curiosa a decisão editorial quanto ao destaque: só o título “Tribunal suspende 77 concursos em Minas” ocupou quatro linhas em letras garrafais da parte superior da primeira página, praticamente 40% do espaço vertical.

Analisando a matéria sob a ótica da técnica jornalística, o trecho mais curioso saiu na página 4, sob o título “Vaivém de processos”.

Naquele trecho, o entrevistado é o chefe do Departamento de Recursos Humanos da prefeitura de Maravilhas, Miguel Tavares, que disse para a reportagem a seguinte pérola: “não conheço o tribunal, mas já me disseram que lá, para um office-boy levar um documento de um setor para o outro, demora um mês”.

Pergunto: qual é a relevância jornalística de se publicar uma declaração crítica e dura mas ilógica, resultante de uma brincadeira ou ironia, de alguém que afirma não conhecer o órgão criticado?

E esta foi a matéria de destaque da edição dominical, o dia de maior vendagem da semana.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 11h48
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O Milagre do Papel Higiênico (humorismo)

RELATO DE UMA ESPOSA:

Terminado meu banho, lá estou eu na frente do espelho, comentando com meu marido que acho meus seios pequenos demais.

Ao invés do esperado 'imagina, não são não', ou de uma promessa de cirurgia para aplicação de silicone, ele me vem com uma sugestão insólita:

— Pode parecer estranho, mas eu já vi funcionar.... Se quiser aumentar seus seios, pegue todos os dias um pedaço de papel higiênico e esfregue-o entre eles durante alguns segundos.

Aquilo parecia uma brincadeira sem graça, ou uma simpatia sem qualquer fundamento científico - ainda mais para mim... Mas, disposta a tentar qualquer coisa, pego um pedaço de papel higiênico, fico na frente do espelho e começo a esfregá-lo entre meus seios para ver o resultado da estranha dica!

— Quanto tempo demora para funcionar? - eu pergunto.

— Claro que não é um negócio automático, bem! Eles vão aumentar de tamanho ao longo de alguns anos. — responde meu marido.

Parei e, meio que me sentindo idiota, perguntei:

— Você realmente acha que esfregar um pedaço de papel higiênico entre meus seios todos os dias vai fazer aumentá-los em alguns anos?'

Sem hesitar um segundo, e às gargalhadas, ele respondeu:

— Funcionou com a sua bunda, não funcionou?

NOTÍCIAS SOBRE O MARIDO:

Está respirando ainda com a ajuda de aparelhos e, talvez com muita fisioterapia, até volte a andar novamente...



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h55
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Regime de emagrecimento (humorismo)

— Doutor, como eu faço para emagrecer ?

— Basta a senhora mover a cabeça da esquerda para direita e da direita para esquerda.

— Quantas vezes, doutor ?

— Todas as vezes que lhe oferecerem comida.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h35
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Alguns casos de fraudes na fotografia jornalística brasileira

O jornalista Sérgio Buarque de Gusmão publicou, entre 1995 e 2000, uma revista eletrônica sobre a mídia com o nome de Boletim do Instituto Gutenberg.

Editou 34 números, sendo que os 20 primeiros também foram impressos.

Em 1999 ele escreveu um artigo intitulado “O polvo dialético” (como ele gosta de títulos pomposos...) para a efêmera revista Jornal dos Jornais falando sobre as fraudes na fotografia jornalística.

Transcrevo abaixo alguns casos interessantes:

à (...) a propósito de uma foto distribuída pela agência de notícias Reuters em 14/1/99, dia em que disparou a desvalorização do real. A foto documentava uma cena trivial no Brasil: estóicos contribuintes aglomeravam-se numa agência do Banerj, no Rio, para pagar o IPVA de seus carros. A legenda mudou a interpretação da cena: "Brasileiros formam uma longa fila no lado de fora da porta de um banco no Rio", dizia, na primeira linha, relacionando a aglomeração com a "profunda crise financeira" do país. A conclusão óbvia era a de que as pessoas acorriam ao banco para sacar reais ou trocá-los por dólares. A foto era verdadeira, mas a legenda, mentirosa.

à A repercussão ainda estava quente quando, em 25/1, o Jornal do Brasil estampou em quatro colunas uma foto da agência France Press mostrando uma criança numa escada de Pequim, ao lado de um caneco. A foto ilustrava um artigo sobre pedintes, desemprego ou queda de renda na China? Nenhuma dessas coisinhas miúdas. A reportagem, creditada à agência EFE, informava que as autoridades chinesas temiam repercussão da crise brasileira em sua economia. Como um polvo dialético, a legenda serpenteava: "Menina pede esmolas nas ruas de Pequim, onde o governo garante que não haverá mudança na economia, muito menos na política cambial".

à O inequívoco caráter documental da fotografia tem sido subvertido por práticas antiéticas na produção e registro de cenas jornalísticas. É comum fotógrafos produzirem informação ou ajeitar a cena para obter a imagem desejada. Há os que fazem uma pré-produção, agindo como um diretor de teatro que coordena a postura dos atores. A revista O Cruzeiro, a Veja dos meados do século, imprimiu um disco voador no céu da Barra da Tijuca, no Rio, numa produção de Ed Keffel e João Martins. Outra dupla famosa da revista, Jean Manzon e David Nasser, flagrou o deputado Barreto Pinto de casaca e cueca. O deputado alegou que estava se vestindo, os repórteres disseram que ele posou, mas ao final do bate-boca Barreto Pinto foi cassado por indecoro parlamentar.

à Em março de 1998, o jornal carioca O Dia foi acusado de montar uma foto do mecânico O. e sua mulher S. cheirando cocaína espalhada sobre a Bíblia. Com eles estava o filho J., de oito anos. A reportagem integrava a série "Os filhos do vício". O governador Marcello Alencar mandou investigar o crime do mecânico. A versão de O. para a polícia: o repórter Rodrigo França deu-lhe R$ 50 para se deixar fotografar fungando um pó branco que na verdade era maisena. O repórter, apoiado pelo jornal, admitiu ter dado o dinheiro, mas sustentou que o pó era cocaína.

à Há casos em que a fonte diz que se arrepende de montar a cena para a foto. O comerciante Carlos Farinha, dono de uma loja de CDs importados, deplorou na seção de cartas da Folha de S.Paulo (22/1) que foi induzido pelo fotógrafo Eduardo Knapp a fazer um cartaz sob medida para a reportagem "Preço de livro e CD sobe até 30% em São Paulo". Segundo Farinha, o fotógrafo pediu que ele escrevesse e pregasse na vitrine um aviso de que os preços dos CDs importados estavam em dólar. "Sendo assim e sob orientação do fotógrafo, afixei o cartaz na vitrine da loja apenas para que as fotos fossem feitas, sendo imediatamente retirado após isso." Knapp rebateu: "...foi dele a iniciativa de colocar um aviso na vitrine. Em momento algum isso lhe foi pedido. Esperei que ele fizesse o cartaz, fiz a foto e fui embora." É a palavra de um contra a do outro, mas, em ambas as versões, fica patente que o cartaz não existia antes da chegada do fotógrafo, e se foi retirado ocorreu aí uma fraude.

à O ilusionismo é tradicionalmente enriquecido com o recurso da fotomontagem. Exemplo: em 28 de novembro de 1977 a revista Manchete chegou às bancas soltando rojões: " Exclusivo – A verdadeira origem do homem – O antropólogo Richard Leakey e sua descoberta, o Homo Habilis". A foto exibia Leakey, respeitabilíssimo arqueólogo, ao lado de um africano com uma máscara simiesca. Anos depois, o editor Roberto Mugiati se disse surpreso com o efeito do estelionato: "A capa vendeu 95% da edição e – curioso – em muitas regiões do interior do Brasil os leitores acharam que retratava, fielmente, uma variedade perdida da raça humana".

à A manipulação de imagens tem sido farta na TV, por edição e dramaturgia. Os jornalistas precisam levar em conta que sua presença altera o comportamento das fontes e, por conseqüência, dos fatos que vão narrar. É comum a cena ser inspirada pela filmagem. Quantas vezes já não vimos torcedores ou foliões passarem da abulia à ebulição ao virem a câmera, e só então o repórter afirmar: "Reina grande animação aqui..."

à A TV Globo é mestra em preparar textos que trombam com as imagens. Um dos mais rumorosos foi o das "torneiras de ouro" da casa do embaixador Marcos Coimbra em Miami. Não passavam de lata dourada.

Para acesso ao artigo, CliqueAqui.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 15h53
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O Hipódromo da Gávea e a Lagoa Rodrigo de Freitas

O Hipódromo da Gávea e a Lagoa Rodrigo de Freitas possuem uma coexistência íntima no Rio de Janeiro: além da beleza natural, a lagoa foi modificada e embelezada para a construção do hipódromo, nos anos 1930.

Esta foto que os aproxima está no site de Ricardo Zerrenner, que tem esta e muitas outras imagens da mesma qualidade. Para acesso ao site, CliqueAqui.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 23h50
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Existe uma ditadura da imagem nos meios de comunicação

Até a metade do século 20 a imagem não passava de uma parte acessória, periférica, da comunicação social, da mídia.

O motivo era exclusivamente técnico: a limitação da tecnologia então existente.

A melhoria da impressão gráfica nos anos 1960 e 70 promoveu a expansão da imagem estática (fotográfica) na mídia impressa.

E a posterior evolução da televisão e da internet valorizou a imagem dinâmica, indispensável para satisfazer o público e aumentar a audiência.

A estética tornou-se um diferencial: o público aumenta junto com a qualidade da imagem.

Para obter uma imagem espetacular, o fotógrafo (ou cinegrafista) conta com o talento e com a sorte.

Mas também é frequente a interferência artificial do autor; no caso da fotografia, a esperteza na “composição” do quadro.

Ele  não explica para o público – às vezes, nem para seus próprios chefes ou editores – que alterou o cenário ou a atitude e posição das pessoas que aparecem nas imagens.

O IMPACTO DO VIDEO

O jovem século 21 atravessa o seu momento de expansão da imagem dinâmica, do vídeo; aos tradicionais canais de tv em vhf juntam-se a tv a cabo, os canais de uhf, as parabólicas, a internet.

A imagem forte e impactante é o grande diferencial pra o sucesso, para os picos de audiência.

É tão essencial que exerce um domínio ditatorial sobre a reportagem, notícia ou matéria.

Teriam os atentados de 11 de setembro de 2001 o mesmo impacto se as câmaras não estivessem transmitindo suas consequências ao vivo, mostrando toda a dramaticidade?

No Brasil, um bom exemplo foi o Pastor Que Chutou A Santa: em 12/10/95 o pastor Sérgio von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, deu pontapés numa imagem de Nossa Senhora em um culto gravado para exibição na televisão, com a finalidade de demonstrar seu desprezo pela sacralização de imagens, mas causou tamanha reação negativa que o próprio líder da seita, Edir Macedo, declarou em biografia que aquele foi o pior momento de sua carreira.

Duas imagens destruíram a carreira do recém-falecido ex-deputado federal Sérgio Naya: a afirmação de que falsificou a assinatura do ex-governador Newton Cardoso (numa reunião com vereadores do interior mineiro) e as ironias sobre as pessoas pobres (gravada por um participante do encontro regado a uísque).

O primeiro flagrante de Naya foi a consequência da mistura da prepotência com o desconhecimento do poder da imagem: contou a história da falsificação da assinatura numa reunião gravada por uma produtora de video.

Já o segundo foi através de uma câmera escondida, consequência da miniaturização tecnológica que permitiu gravar os muitos flagrantes de corrupção política que chocaram os telespectadores e destruíram carreiras.

REPÓRTER INDUZ CRIANÇA AO ERRO

Os jornais televisivos só permitem um bom tempo de transmissão para uma reportagem se as imagens em vídeo estiverem muito boas.

Nem que seja meramente ilustrativa, como aconteceu no Bom Dia Brasil (jornalístico matinal da TV Globo) de 14/08/09: o assunto era o desconhecimento da população sobre a importância do saneamento básico.

Durante a “passagem” do repórter, realizada numa favela não identificada, uma garotinha de no máximo 10 anos pegou uma folha de papel “embolada” e a atirou num esgoto a céu aberto.

O repórter não criticou — e nem poderia — o ato antiecológico da menina, pois certamente havia combinado com ela para fazê-lo no exato momento em que o botãozinho vermelho da filmadora estivesse aceso, recording on.

Dificilmente haverá consequências para o jornalista: a família e os vizinhos da menina não devem ser espectadores fixos do BDB.

Fosse num país de Primeiro Mundo, logo depois da transmissão vários advogados estariam tocando a campainha dos pais da menina, com uma procuração para uma ação de indenização contra a emissora.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 10h52
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Tostão, do status da medicina ao humanismo do futebol

O jogador Tostão – Eduardo Gonçalves de Andrade – foi o principal astro do Cruzeiro Esporte Clube nas últimas décadas.

Tetracampeão mineiro no final dos anos 1960, só foi superado por Pelé na melhor das seleções brasileiras, a do tricampeonato mundial de 1970.

Encerrou a carreira em 1973 e tomou uma decisão radical: cursou medicina e afastou-se da mídia, negando todos os pedidos de entrevista.

Anos atrás, mais maduro, fez um mea culpa: reconheceu que havia endeusado a ciência e que o futebol era uma atividade social respeitável.

Li em algum lugar que hoje ele dedica-se mais ao futebol do que à medicina, e assina colunas e artigos publicados em jornais de vários estados brasileiros.

Na coluna publicada no jornal Estado de Minas de 01/11/2009, Tostão destacou alguns jogadores veteranos que continuam atuando com sucesso no Brasil.

Sua análise tem o mérito de enfrentar a mentalidade desumana da hipervalorização do jovem e da juventude, o que vale para qualquer atividade profissional neste país.

Citou, especificamente, os jogadores Petkovic, Ricardinho, Paulo Baier, Marcelinho Paraíba, Gilberto e Zé Roberto.

Para os futebolistas, ou futebófilos, o artigo pode ser acessado ClicandoAqui, ou através do Google com o título “O tempo, a vida e o futebol”.

A coluna recebeu, naquele jornal, uma ilustração que, além de bem feita, me cativou por causa de minhas ligações com os cavalos de corrida.

A ilustração se referia ao outro assunto da coluna, subintitulado “Cruzeiro no páreo”: um único parágrafo informando que o time de sua vida “entrou, definitivamente, na luta por uma vaga na Libertadores e até pelo título”.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h15
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Depois das fraudes no Enem, é a vez das irregularidades no Enade

O Ministério da Educação brasileiro continua no alto das manchetes da mídia por causa das falhas de seus grandes projetos.

O tesouro nacional perdeu milhões para pagar o custo da redação e da reimpressão das novas provas do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), pois as originais foram roubadas em São Paulo e vendidas para candidatos.

Já o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), sua versão para os universitários, pode ir pelo mesmo caminho, pois os jornais registraram problemas por todo o Brasil, inclusive o envio de documentos de inscrição com erros nos endereços dos locais das provas, realizadas no dia 08/11/2009.

Houve até vazamento de provas via megafone: Em Brasília, um estudante deixou a sala 15 minutos após o início da prova, segundo informou a Agência Brasil. Ele levou o caderno de questões. Do lado de fora, alunos do Diretório Central de Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) contrários à realização do Enade começaram a ler as questões com um megafone, pedindo aos participantes que não fizessem o teste. O MEC classificou o ato como "arruaça" e informou que o índice de participação na referida escola "foi dentro do esperado". (O Globo, 09/11/09)

O atual governo deveria saber uma coisa simples e clara: seus órgãos não têm competência para administrar corretamente um evento de grande porte, com abrangência nacional e caráter sigiloso.

Em Belo Horizonte, candidatos reclamaram que alguns fiscais estavam com relógio adiantado e fecharam as portas dos locais das provas antes da hora marcada (os jornais locais relataram este e outros problemas em vários locais de aplicação de prova).

O mesmo O Globo narra uma questão interessante:

A prova de jornalismo tinha questões sobre ética. A pergunta 19 fez menção ao presidente Lula: "Quando o presidente Luís (sic) Inácio Lula da Silva afirmou que a crise financeira mundial era um tsunami no exterior, mas, no Brasil, seria uma 'marolinha', vários veículos da mídia criticaram a fala presidencial. Agora é a imprensa internacional que lembra e confirma a previsão de Lula."

A questão prosseguia: "Considerando a realidade atual da economia, no exterior e no Brasil, é CORRETO afirmar que houve, por parte dos críticos", e oferecia cinco opções — a) atitude preconceituosa; b) irresponsabilidade; c) livre exercício da crítica; d) manipulação política da mídia; e) prejulgamento. A resposta certa, segundo o gabarito, é a C (livre exercício da crítica).

O detalhe mais grave foi uma frase opinativa e ideológica dos autores das provas, esquecendo que trabalham para o país e não para o presidente Lula, não por coincidência em campanha pela candidatura de Dilma Rousseff à sua sucessão: Agora é a imprensa internacional que lembra e confirma a previsão de Lula.

A pergunta 19 começou com uma afirmação político-partidária, mas pelo menos terminou honestamente, registrando que a resposta certa era o livre exercício da crítica.

Para acesso à matéria de O Globo, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h33
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Bloquear rodovias para exigir obras e passarelas é um desvio de conduta social

O jornal televisivo local da principal rede de televisão da capital de Minas Gerais (Belo Horizonte) mostrou, recentemente, mais um caso de fechamento de rodovia por manifestantes.

Já virou tradição no Brasil: morre um pedestre, vizinhos manifestantes bloqueiam a estrada e queimam pneus.

Tem buraco na pista? Manifestantes bloqueiam a estrada e queimam pneus.

As obras estão paradas? Manifestantes bloqueiam a estrada e queimam pneus.

No caso que abre este texto, a câmera filmou um curioso bate-boca entre representantes dos dois lados: uma manifestante e um motorista.

Ambos se encheram de razão, defenderam suas posições, se acharam 100% certos.

A manifestante alegava – aos gritos – que estava defendendo a classe dos motoristas ao participar do bloqueio, pois lutava pela recuperação da estrada.

Ainda deu uma entrevista explicando que tinha irmãos motoristas de profissão, e que lutaria pela segurança deles de todas as formas possíveis.

O motorista, preso no trânsito, replicava – também aos gritos – que era a favor das obras, mas bloquear a estrada não resolveria a questão e ainda causava um grande prejuízo aos seus usuários.

Mas a complexa conclusão é que ela está certa e está errada; ele está certo e está errado.

Ela está certa em agir, em lutar por interesses dos cidadãos-contribuintes; está errada em prejudicar muitas pessoas como parte do ato de pressionar os órgãos do governo.

Ele está certo ao dizer que a pressão deveria ser feita diretamente nos gabinetes políticos; mas, infelizmente, no Brasil isto não passa de retórica, pois a pressão popular direta é inexpressiva e desarticulada.

Nesta hora, os órgãos do governo se escondem, pois o desvio do confronto acaba lhe sendo favorável: os usuários se dividem em grupos e se digladiam, esquecendo que o embate original era, originalmente, entre eles e os administradores públicos.

Dividir para conquistar; neste caso, dividir e esconder.

Permanece a questão do contraste entre o ideal e o real.

O ideal – uma praxe no Primeiro Mundo – foi corretamente preconizado pelo motorista prejudicado pelo bloqueio: a cobrança direta junto ao representante do povo.

O real, no Brasil: ou o administrador público transfere a responsabilidade para outro administrador público; ou promete resolver o problema; ou alega que existem impedimentos financeiros. Ou apenas se esconde.

Com tantas opções para que o problema permaneça como está, explica-se (mas não se justifica) a opção pela manifestação pública, na expectativa de que os prejuízos ao povo atraiam a mídia e assustem os políticos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h54
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O neomoralismo dos estudantes brasileiros e a colega de vestido curto

Em 1997, quando conheci Nova York, observei que o povo norte-americano é bastante tolerante quanto às vestimentas das pessoas na rua.

Em outras palavras: veste-se como se quer e ninguém tem nada com isso.

A atitude vale até para outros itens da aparência, como tatuagens e piercings.

Mas se a ousadia resvalar para a parte moral, como a pouca roupa que mostra as partes eróticas do corpo, a polícia age...

É uma posição sociológica mais avançada: a sociedade cria regras de conduta e todos obedecem.

Já culturas mais fracas — como a brasileira — seguem os instintos.

Foi o caso da estudante Geisy Arruda, aluna da Uniban (Universidade Bandeirante) de São Paulo, que resolveu comparecer às aulas com um vestido sexy de festa e virou objeto de perseguição dos jovens colegas, de ambos os sexos.

Sem regras sociais a obedecer, os dois lados agiram governados pelos instintos.

Ela, pelo sentimento primário da vaidade: quis chamar a atenção expondo o belo corpo jovem.

Os estudantes, pelo instinto da rejeição, em desrespeito aos direitos individuais.

Eles ainda virão virar assunto de tese sobre uma suposta volta do moralismo social, que provavelmente será chamada de neomoralismo.

E a escola resolveu a questão pelo “instinto” comercial: como as filmagens amadoras da perseguição foram divulgadas pela grande mídia, escolheu o lado aparentemente mais fraco a expulsou a vaidosa Geisy pelo crime de usar “roupas inadequadas”.

A radical reação da Uniban vai jogar o caso na Justiça e manter o assunto na mídia por mais tempo.

Geisy fotografa para a mídia com o mesmo vestido rosa que causou o celeuma; no lado direito, um adolescente novaiorquino viaja (em 1997) em pé na barca que atravessa o Rio Hudson tentando mostrar sua calça-balão para os desinteressados passageiros.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h27
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Astrologia: a mais inofensiva – ou inútil? – entre as ciências ocultas

Talvez a mais inusitada experiência profissional que tive na vida foi a de astrólogo: algumas vezes eu fiz previsões no extinto Jornal de Minas, jornal diário que desapareceu em Belo Horizonte na década de 1990.

Reconto a minha única e inusitada experiência no mundo do ocultismo:

Em 1973 eu era um muito jovem repórter de esportes especializados no extinto Jornal de Minas, de Belo Horizonte, instalado na avenida Francisco Sales, na bairro da Floresta, entre a rua Aquiles Lobo e a linha de trem.

Esportes especializados era a expressão usada para representar o conjunto de todos os esportes, com exceção do futebol. Havia, então, um abismo entre a popularidade do futebol e dos demais esportes; dai a aglomeração destes em uma única página sob o titulo de "especializados".

Com menos de 20 anos de idade eu era repórter, redator, titulador, copidesque e editor da página inteira. Pior era a situação do responsável pelo caderno de cultura, João Antônio Alvim Gomes, hoje um advogado ligado ao Instituto Cultural Newton Paiva. Ele recebia algum material já pronto, mas tinha que finalizar várias páginas por dia. Sozinho.

Durante algum tempo a coluna de horóscopos já vinha pronta. Era assinada por Madame Natascha, na verdade um pseudônimo do seu criador e autor, o fotógrafo Carlos Alberto Franco.

Careca, meio baixo, em torno dos 50 anos, meio gordinho, ele também era o chefe do departamento fotográfico, cujos comandados se resumiam ao Alencar, ao Zezinho e ao responsável pelo arquivo. Morava em Santa Tereza, bairro com larga tradição em bares e noitadas, com duas casas – sobrados – de serestas e danças na praça Duque de Caxias. Carlos Alberto era boêmio e certamente devia se divertir bastante enquanto datilografava os horóscopos. Faleceu talvez um pouco antes da chegada dos anos 80.

Por mais de uma vez, leitores telefonaram para o jornal tentando marcar uma consulta com a Madame. A resposta era padrão: a nobre senhora enviava o material por correio e não queria ser incomodada.

Depois de algum tempo, a Madame original se cansou do brinquedo e aumentou a responsabilidade do Alvim, que herdou a incumbência. Sexta-feira era o pior dia, pois ele tinha que fechar as edições de sábado e domingo. Para ajudar o amigo, me travesti de astrólogo e virei horoscopista da edição dominical.

A única exigência era evitar previsões fortes e assustadoras, que pudessem transformar algum crédulo em vítima. Fora isto, o texto era o que a imaginação deste cético alcançasse.

Ao reler o livro "3x30 - Os bastidores da imprensa brasileira'' encontrei um relato semelhante nas memórias de um dos três autores, José Maria Mayrink. Em 1963 ele era redator da revista Aconteceu, ligada a um jornal muito mais importante, O Globo, no Rio de Janeiro. Na página 174 assim escreveu:

"Eu armava também o horóscopo, tirado de minha imaginação, sem nenhuma base científica – ciência, aliás, em que jamais acreditei. Ignorava os astros e fazia previsões a partir de um quadro familiar e concreto – os signos das amigas de Maria José, nessa altura minha noiva, em Belo Horizonte. Podia não ser honesto, mas era muito divertido. Uma mocinha de Vitória, no Espírito Santo, escreveu à revista, para dizer que nenhum horóscopo antes tinha dado tão certo na vida dela."

O fato é que tenho uma formação científica, só acredito no que existiu no passado ou existe no tempo presente.

O futuro é o que não existe, e ninguém sabe como será.

A propósito, um colega de trabalho me alertou sobre uma previsão para o signo de Touro, estampada na coluna de Oscar Quiroga, jornal Hoje em Dia, edição de 18/09/2009.

Achei o texto subjetivo, algo inofensivo, poético até.

Convido meus leitores para uma rápida sessão astrológica:

De todos os desejos, o desejo. Isso significa que no turbilhão de desejos que agita sua alma, produzindo ansiedade e frustração, há um só desejo que libertaria você para sempre e produziria felicidade verdadeira.

Uma aula de como praticar a futurologia sem prever absolutamente nada.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h21
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Em memória ao falecido cronista mineiro Ângelo Prazeres

Como homenagem ao trabalho e à vida do jornalista e cronista Ângelo Prazeres, falecido em 06/10/2009, transcrevo abaixo uma crônica que ele publicou no jornal de Belo Horizonte Super Notícia de 30/05/2009 intitulada “Tentação em Brasília”.

O tema é a corrupção política, como ela chega mansa e se instala dentro de um corrupto.

Tentação em Brasília

 

Nomeado para um importante cargo num ministério, num justo prêmio para seus longos anos de esforços e absoluta dedicação ao serviço público, finalmente o corretíssimo funcionário alcança um posto à altura de sua competência e seriedade. Dias depois, já em Brasília, devidamente empossado e confortavelmente instalado num belo e amplo apartamento, aprecia a vista deslumbrante da capital e comemora com a mulher e os filhos sua nova e invejável condição de vida.

 

Homem de hábitos moderados e discretos, sempre voltado para a vida familiar, indiferente às tradicionais badalações brasilienses, pontual, criativo e eficientíssimo, não demora a firmar seu nome, marcar sua liderança e ser reconhecido como um exemplo a ser seguido dentro e fora do ambiente de trabalho.

 

No ministério, embora aumentem suas responsabilidades e atribulações, não poderia ser melhor e mais estreita a convivência e o ótimo ambiente com os companheiros e subordinados. Simpático, agradável e amigo de todos, ao entrar numa sala e encontrar um grupo de colegas cochichando num canto, certo de que estão preparando um bolão de palpites da Mega-Sena acumulada, avisa, sorridente: "E aí, pessoal! Eu também tô nessa boca!".

 

Mais tarde, em seu gabinete, um dos componentes do grupo deixa sobre sua mesa um volumoso envelope e anuncia, antes de se retirar: "Olha, por enquanto essa é a sua parte. Mas quando sair a verba você vai levar o dobro". Intrigado, abre cuidadosamente o envelope, e quase perde a respiração. É uma dinheirama braba, uma grana preta, coisa cascuda, baita corrupção. Pelo menos dois anos de salários em notas novas, calcula, suando frio. De repente, uma tremura esquisita começa a percorrer todo o corpo, e ele perde a fala enquanto percebe que aquele bolo de notas vai ficando cada vez mais tentador, convidativo e irresistível.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h17
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Boa formação intelectual é necessidade mínima para os vereadores

Dia desses eu tive a oportunidade de ver a lista de vereadores da cidade mineira de Camanducaia, situada na divisa com o estado de São Paulo (pouco mais de 20 mil habitantes).

Oito dos nove vereadores informaram o grau de escolaridade, e apenas dois alegaram ter completado a universidade (aliás, não especificada).

A situação não deve ser muito diferente no restante do estado de Minas Gerais.

Não acredito no sucesso da sociedade que não exige uma boa formação técnica e intelectual de seus quadros dirigentes.

A falta de preparo intelectual deles vai trazer, com certeza, conseqüências negativas para a economia da região administrada e para a vida dos habitantes.

Cabe ao eleitor valorizar a formação escolar do candidato na hora do voto, ou aguentar as consequências.

Mas também existem consequências negativas para o eleito despreparado; no caso acima, o vereador.

Ele vota e assina atos, recebe estipêndios (um sinônimo quase esquecido de pagamento); e responderá por tudo isso.

Os sites do Tribunal de Contas da União, dos tribunais de contas estaduais, do Tribunal de Justiça e dos ministérios públicos divulgam, constantemente, notícias de processos contra agentes políticos que resultaram em punições, multas e condenação à restituição aos cofres públicos.

No decorrer dos processos eles gastam dinheiro com advogados, são obrigados a pagar a dívida e, geralmente, ganham restrições de crédito nos seus negócios pessoais, como pessoa física ou jurídica.

Uma irregularidade contumaz é o recebimento de salário acima do limite.

É a prova do despreparo e do desconhecimento: não leram o artigo da lei que define estes limites, ou não souberam fazer a conta.

Nos congressos e reuniões de prefeitos e vereadores sobram críticas aos órgãos fiscalizadores e punidores, e multiplicam-se as frases e expressões padronizadas enquanto os políticos posam de vítimas.

Exemplos de reclamações e comentários: “TCE só existe para ferrar a gente”, “os promotores só querem aparecer depois que a Constituição deu a eles mais poder”, “os juízes são desumanos, se isolam e não conhecem a realidade do povo e dos pequenos municípios”.

Conheço muitos casos de ex-vereadores e ex-prefeitos que saíram traumatizados da vida pública, jurando que jamais vão retornar.

Creio que existem uma ingenuidade e um erro cultural nos brasileiros que se entusiasmam com a possibilidade de ganhar uma eleição, e se lançam plenos de vaidade e ambição.

Ingenuidade porque acreditam no ideário popular que afirma não existir punição para o político.

Erro cultural porque o brasileiro, via de regra, não segue um dogma dos povos de Primeiro Mundo: ao assumir um cargo ou profissão, ainda que de forma temporária, cabe ao indivíduo possuir a qualificação mínima necessária e agir com seriedade e responsabilidade durante todo o tempo de trabalho.

A capacidade técnica é essencial, pois as aquisições sociais promovidas pela tecnologia e pelo conhecimento são como um trem descendo um declive discreto: é constante e não há como parar.

A parcela da sociedade que não se prepara para os novos tempos sofre as conseqüências negativas de seus atos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h52
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Minas perde dois grandes jornalistas: Ângelo Prazeres e Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa

Em respeito às minhas origens, uso este espaço para registrar o falecimento de dois conhecidos jornalistas mineiros: Ângelo Prazeres e Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa.

Não cheguei a conhecer pessoalmente Ângelo Prazeres, então transcrevo o texto do obituário do jornal Estado de Minas, edição de 07/10/2009:

Morreu ontem, aos 68 anos, em Alfenas, no Sul de Minas, onde morava, o jornalista Ângelo Prazeres, o Gilu. Foi cronista, escritor, assessor de políticos e destaque em artes, teatro e cinema em Belo Horizonte e Minas Gerais. O corpo foi velado no Cemitério do Bonfim, na capital, onde ocorreu o enterro, às 17h. Prazeres começou a carreira de jornalista e cronista no Diário de Minas, na década de 1960, no qual assinava uma coluna diária, abordando temas do cotidiano da cidade. Vítima de uma parada cardíaca no dia 1º, Ângelo faleceu às 5h, depois de alguns dias internado no hospital local. Além de suas crônicas, o jornalista redigia biografias sob encomenda e vinha sempre sendo sondado por amigos para que escrevesse um livro com uma seleção de seus melhores textos. Ângelo Prazeres deixa a mulher, Lisaura Simões, e quatro filhos.

Já Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa foi meu colega de vários anos na sucursal do jornal O Globo e há pouco mais de dois anos passara pela dor da morte do filho Pedro (a mãe era a Mana Coelho, nossa colega fotógrafa também de O Globo) no Peru, quando um ônibus com estudantes da UFMG que estava indo para a Venezuela se acidentou na Cordilheira dos Andes.

Sobre Luiz Carlos, falecido em 03/11/2009, transcrevo trechos selecionados do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais:

O corpo do jornalista Luiz Carlos D' Ávilla Corrêa foi sepultado por volta das 11 horas desta quarta-feira, dia 4, no Cemitério Bosque da Esperança, em Venda Nova, depois de ser velado na sede do SJPMG (...). Ele morreu (...) vítima de parada cardíaca, aos 57 anos.

Jornalista e poeta, Luiz Carlos foi diretor do SJPMG no início da década de 1990, nas gestões de Américo Antunes e de Geraldo Mello, tendo sido tesoureiro da entidade. Foi também diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Filho de um mineiro e uma gaúcha, ele nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1952.

Portador do registro profissional n° 1953, Luiz Carlos começou a carreira de jornalista no extinto Diário de Minas, de onde se transferiu para a sucursal de O Globo, em Belo Horizonte. Posteriormente, trabalhou nas sucursais da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, também em BH. Foi assessor de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte, tendo trabalhado na BHTrans, onde criou o Jornal do Ônibus; e do Hospital Odilon Behrens. Atuou ainda na assessoria de comunicação da PBH, comandou a assessoria de imprensa do Demetrô e, este ano, trabalhou na Prefeitura de Betim.

Como poeta, sua preferência era pelo cordel, arte que aprendeu lendo os versos de Ariano Suassuna. Escreveu, por exemplo, A Tragédia de Itabirinha, reportagem em versos sobre uma chuva de granizo que atingiu Itabirinha de Mantena, no interior de Minas Gerais, matando muita gente, inclusive crianças. O cordel serviu para denunciar os bastidores do jogo político que envolveu a tragédia, pois o autor não se contentava com a mordaça dos interesses empresariais.

Luiz Carlos também escreveu os cordéis Queremos o nosso nome de volta, denúncia do crime à memória popular na forma de substituição do nome de ruas para agradar a coronéis e outros poderosos; e Tiradentes, a saga de Minas, no qual reflete sobre a Inconfidência Mineira. Pai de Bárbara, Rodrigo, João e Pedro, que morreu num acidente nos Andes, ele deixa também uma neta. O jornalista morreu na segunda-feira, ao se deitar, pouco depois de apreciar a lua cheia em Casa Branca, distrito de Brumadinho, onde administrava a pousada Santa Vista da Serra, de sua propriedade.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h12
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Bob Lester, ou Edgar Almeida, um dançarino competente aos 94 (ou 96) anos

Merece comentários a entrevista do músico Bob Lester — nascido Edgar de Almeida Negrão de Lima — no Programa do Jô, de 02/11/2009.

Um raro caso de longevidade profissional e pessoal: aos 96 anos ainda está trabalhando (deu o telefone do empresário para contatos com oferta de exibições).

Ele explicou que seu registro de nascimento tem uma diferença de dois anos para fugir do serviço militar; Jô Soares entendeu que ele teria 96 anos e registro de 98 mas deduzi (com a ajuda da internet) que ele tem na verdade 94 anos de vida.

No final da entrevista deu um show de sapateado com sapatos que ganhou do seu professor Fred Astaire lá pelos anos 1940.

Um exemplo de vida que não pode ser seguido por qualquer pessoa: dançar profissionalmente na idade dele não depende apenas da vontade pessoal, só é possível com a anuência do Grande Criador dos Genes.

Bob-Edgar foi levado para os Estados Unidos pela luso-brasileira Carmen Miranda, talvez a artista número um da história da música popular brasileira.

Praticamente só falou de sua antiga passagem por Hollywood; fiquei até surpreso com a sequência de problemas em sua vida, pesquisando na internet.

Para acessar o vídeo da entrevista, CliqueAqui.

Pena que alguns chatos na platéia daquele dia gargalhavam a qualquer comentário do Jô ou do entrevistado, criando uma situação constrangedora quando Bob Lester fazia comentários sérios.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h16
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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