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Histórico dia a dia
Em memória ao falecido cronista mineiro Ângelo Prazeres Como homenagem ao trabalho e à vida do jornalista e cronista Ângelo Prazeres, falecido em 06/10/2009, transcrevo abaixo uma crônica que ele publicou no jornal de Belo Horizonte Super Notícia de 30/05/2009 intitulada “Tentação em Brasília”. O tema é a corrupção política, como ela chega mansa e se instala dentro de um corrupto. Tentação em Brasília Nomeado para um importante cargo num ministério, num justo prêmio para seus longos anos de esforços e absoluta dedicação ao serviço público, finalmente o corretíssimo funcionário alcança um posto à altura de sua competência e seriedade. Dias depois, já em Brasília, devidamente empossado e confortavelmente instalado num belo e amplo apartamento, aprecia a vista deslumbrante da capital e comemora com a mulher e os filhos sua nova e invejável condição de vida. Homem de hábitos moderados e discretos, sempre voltado para a vida familiar, indiferente às tradicionais badalações brasilienses, pontual, criativo e eficientíssimo, não demora a firmar seu nome, marcar sua liderança e ser reconhecido como um exemplo a ser seguido dentro e fora do ambiente de trabalho. No ministério, embora aumentem suas responsabilidades e atribulações, não poderia ser melhor e mais estreita a convivência e o ótimo ambiente com os companheiros e subordinados. Simpático, agradável e amigo de todos, ao entrar numa sala e encontrar um grupo de colegas cochichando num canto, certo de que estão preparando um bolão de palpites da Mega-Sena acumulada, avisa, sorridente: "E aí, pessoal! Eu também tô nessa boca!". Mais tarde, em seu gabinete, um dos componentes do grupo deixa sobre sua mesa um volumoso envelope e anuncia, antes de se retirar: "Olha, por enquanto essa é a sua parte. Mas quando sair a verba você vai levar o dobro". Intrigado, abre cuidadosamente o envelope, e quase perde a respiração. É uma dinheirama braba, uma grana preta, coisa cascuda, baita corrupção. Pelo menos dois anos de salários em notas novas, calcula, suando frio. De repente, uma tremura esquisita começa a percorrer todo o corpo, e ele perde a fala enquanto percebe que aquele bolo de notas vai ficando cada vez mais tentador, convidativo e irresistível.
Escrito por Márcio às 09h17
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Minas perde dois grandes jornalistas: Ângelo Prazeres e Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa Em respeito às minhas origens, uso este espaço para registrar o falecimento de dois conhecidos jornalistas mineiros: Ângelo Prazeres e Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa. Não cheguei a conhecer pessoalmente Ângelo Prazeres, então transcrevo o texto do obituário do jornal Estado de Minas, edição de 07/10/2009: Morreu ontem, aos 68 anos, em Alfenas, no Sul de Minas, onde morava, o jornalista Ângelo Prazeres, o Gilu. Foi cronista, escritor, assessor de políticos e destaque em artes, teatro e cinema em Belo Horizonte e Minas Gerais. O corpo foi velado no Cemitério do Bonfim, na capital, onde ocorreu o enterro, às 17h. Prazeres começou a carreira de jornalista e cronista no Diário de Minas, na década de 1960, no qual assinava uma coluna diária, abordando temas do cotidiano da cidade. Vítima de uma parada cardíaca no dia 1º, Ângelo faleceu às 5h, depois de alguns dias internado no hospital local. Além de suas crônicas, o jornalista redigia biografias sob encomenda e vinha sempre sendo sondado por amigos para que escrevesse um livro com uma seleção de seus melhores textos. Ângelo Prazeres deixa a mulher, Lisaura Simões, e quatro filhos. Já Luiz Carlos D’Ávilla Corrêa foi meu colega de vários anos na sucursal do jornal O Globo e há pouco mais de dois anos passara pela dor da morte do filho Pedro (a mãe era a Mana Coelho, nossa colega fotógrafa também de O Globo) no Peru, quando um ônibus com estudantes da UFMG que estava indo para a Venezuela se acidentou na Cordilheira dos Andes. Sobre Luiz Carlos, falecido em 03/11/2009, transcrevo trechos selecionados do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais: O corpo do jornalista Luiz Carlos D' Ávilla Corrêa foi sepultado por volta das 11 horas desta quarta-feira, dia 4, no Cemitério Bosque da Esperança, em Venda Nova, depois de ser velado na sede do SJPMG (...). Ele morreu (...) vítima de parada cardíaca, aos 57 anos. Jornalista e poeta, Luiz Carlos foi diretor do SJPMG no início da década de 1990, nas gestões de Américo Antunes e de Geraldo Mello, tendo sido tesoureiro da entidade. Foi também diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Filho de um mineiro e uma gaúcha, ele nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1952. Portador do registro profissional n° 1953, Luiz Carlos começou a carreira de jornalista no extinto Diário de Minas, de onde se transferiu para a sucursal de O Globo, em Belo Horizonte. Posteriormente, trabalhou nas sucursais da Folha de S. Paulo e de O Estado de S. Paulo, também em BH. Foi assessor de imprensa da Prefeitura de Belo Horizonte, tendo trabalhado na BHTrans, onde criou o Jornal do Ônibus; e do Hospital Odilon Behrens. Atuou ainda na assessoria de comunicação da PBH, comandou a assessoria de imprensa do Demetrô e, este ano, trabalhou na Prefeitura de Betim. Como poeta, sua preferência era pelo cordel, arte que aprendeu lendo os versos de Ariano Suassuna. Escreveu, por exemplo, A Tragédia de Itabirinha, reportagem em versos sobre uma chuva de granizo que atingiu Itabirinha de Mantena, no interior de Minas Gerais, matando muita gente, inclusive crianças. O cordel serviu para denunciar os bastidores do jogo político que envolveu a tragédia, pois o autor não se contentava com a mordaça dos interesses empresariais. Luiz Carlos também escreveu os cordéis Queremos o nosso nome de volta, denúncia do crime à memória popular na forma de substituição do nome de ruas para agradar a coronéis e outros poderosos; e Tiradentes, a saga de Minas, no qual reflete sobre a Inconfidência Mineira. Pai de Bárbara, Rodrigo, João e Pedro, que morreu num acidente nos Andes, ele deixa também uma neta. O jornalista morreu na segunda-feira, ao se deitar, pouco depois de apreciar a lua cheia em Casa Branca, distrito de Brumadinho, onde administrava a pousada Santa Vista da Serra, de sua propriedade.
Escrito por Márcio às 17h12
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Bob Lester, ou Edgar Almeida, um dançarino competente aos 94 (ou 96) anos Merece comentários a entrevista do músico Bob Lester — nascido Edgar de Almeida Negrão de Lima — no Programa do Jô, de 02/11/2009. Um raro caso de longevidade profissional e pessoal: aos 96 anos ainda está trabalhando (deu o telefone do empresário para contatos com oferta de exibições). Ele explicou que seu registro de nascimento tem uma diferença de dois anos para fugir do serviço militar; Jô Soares entendeu que ele teria 96 anos e registro de 98 mas deduzi (com a ajuda da internet) que ele tem na verdade 94 anos de vida. No final da entrevista deu um show de sapateado com sapatos que ganhou do seu professor Fred Astaire lá pelos anos 1940. Um exemplo de vida que não pode ser seguido por qualquer pessoa: dançar profissionalmente na idade dele não depende apenas da vontade pessoal, só é possível com a anuência do Grande Criador dos Genes. Bob-Edgar foi levado para os Estados Unidos pela luso-brasileira Carmen Miranda, talvez a artista número um da história da música popular brasileira. Praticamente só falou de sua antiga passagem por Hollywood; fiquei até surpreso com a sequência de problemas em sua vida, pesquisando na internet. Para acessar o vídeo da entrevista, CliqueAqui. Pena que alguns chatos na platéia daquele dia gargalhavam a qualquer comentário do Jô ou do entrevistado, criando uma situação constrangedora quando Bob Lester fazia comentários sérios.
Escrito por Márcio às 19h16
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Demétrio Magnoli pisa no goela do Supremo Tribunal Federal (caso Palocci) Após a absolvição pelo Supremo Tribunal Federal, em 27/08/09, do ex-ministro Antônio Palocci no processo movido por quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o caso desapareceu da mídia. Em post de 29/08/09 defendi a decisão do STF, não porque acreditasse que o atual deputado federal fosse inocente, mas exclusivamente por entender que condenação sem provas é arbitrariedade. Mas não radicalizo: existem indícios de sua participação, o que torna os votos condenatórios dos membros minoritários do STF merecedores de respeito. Radical mesmo é a posição do socíólogo Demétrio Magnoli, que pisou na goela do órgão judicial no artigo “Esse crime chamado justiça”, publicado no Estadão de 03/09/2009. Fato que me surpreendeu neste artigo foi a participação ativa — e não passiva, como eu pensava — de uma jornalista da revista Época no episódio. Transcrevo os quatro primeiros parágrafos do artigo de Magnoli: A jornalista Helena Chagas, diretora de O Globo em Brasília (hoje na TV Brasil), soube por seu jardineiro de um depósito de vulto na conta do caseiro Francenildo Costa e passou a informação ao senador Tião Viana (PT-AC), que a transmitiu ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Então, Palocci convocou ao Planalto Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). Naquele dia, Mattoso tirou um extrato da conta de Francenildo. À noite, 23 horas, reuniu-se com Palocci na casa do ministro, num encontro a três, no qual estava Marcelo Netto, assessor de imprensa do Ministério. No dia seguinte, o mesmo extrato que circulou na reunião foi publicado no site da revista Época. O enredo acima não é uma tese, mas uma narrativa factual, comprovada materialmente pelas investigações da Polícia Federal, que está nos autos da denúncia apresentada ao STF. A defesa alegou não existirem indícios robustos sobre a autoria da transmissão do extrato à revista e argumentou que o crime de quebra de sigilo bancário só ficou caracterizado no momento da publicação do extrato. O STF derrubou o argumento central da defesa, identificando indício de crime na transferência do extrato de Mattoso para Palocci. Mas só admitiu a denúncia contra Mattoso, que responderá a processo em instância inferior. Uma frágil maioria, de cinco contra quatro juízes, alinhou o Judiciário com o paradigma do Executivo, expresso por Lula: no Brasil, o Estado distingue os "homens incomuns" dos "homens comuns". A maioria que livrou de processo o "homem incomum" se orientou pelo relatório de Gilmar Mendes, o presidente do STF. Mendes é um defensor incansável de que a Justiça não se pode submeter ao "clamor das ruas" e do princípio do Estado de Direito de que ninguém deve ser punido sem a existência de provas capazes de arrostar a presunção de inocência. Não há nos autos prova acima de dúvida razoável de que Palocci tenha ordenado a quebra de sigilo. O STF, contudo, não julgava a culpa ou inocência do ministro. Julgava apenas o acolhimento da denúncia, ou seja, a deflagração de um processo. Para isso bastam indícios convincentes de participação em ato criminoso. Os cinco juízes que negaram tal estatuto ao relato comprovado nos autos condenam a Nação a conviver com a impunidade legal dos poderosos. Eles cometem um crime contra a justiça. Nunca, desde o encerramento da ditadura militar, o Estado brasileiro violou tão profundamente a ordem democrática quanto na hora em que Mattoso selecionou, entre os milhões de correntistas da CEF, o nome de Francenildo, uma testemunha da CPI que investigava o poderoso ministro. No mesmo dia em que o presidente da CEF acessava o extrato "suspeito", mas não o transmitia ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), guardando-o para Palocci, Tião Viana prometia aos jornalistas "uma grande surpresa". O poder que faz isso não conhece limites. Seu horizonte utópico é o Estado policial: a administração pública convertida em aparelho de intimidação permanente dos cidadãos, por meio da invasão da privacidade e da chantagem pessoal. Para leitura na íntegra, CliqueAqui.
Escrito por Márcio às 10h11
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Febeapá é o nome do Festival de Besteiras que Assola o Brasil O jornalista Sérgio Porto (1923-68) foi um grande agitador cultural brasileiro. Usando o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta ele escrevia crônicas, livros, produzia shows. Uma de suas criações foi o Febeapá - Festival de Besteiras que Assola o País. A palavra “festival” estava em pleno uso na época, por causa dos festivais de música pela televisão. Sob o pseudônimo, Stanislaw escreveu três livros usando o mote, sempre começando com uma seleção de absurdos do cotidiano brasileiro que ele pescava nos jornais. Minha tia Conceição assina o jornal Estado de Minas e, folheando a edição desta manhã (23/10/09) encontrei alguns absurdos que merecem ser citados, um parágrafo para cada, à moda do inspirador Febeapá: à A página 6 estampa a lista dos deputados federais que assinaram o pedido da CPI do MST e depois cancelaram a assinatura. Primeiro agiram contra o governo, depois a favor. Será que se venderam? Quatro são mineiros, inclusive João Magalhães, várias vezes ameaçado de cassação por irregularidades comprovadas e documentadas. Mas continua representando o povo brasileiro. à Na página 7, o jornal afirma que “por decisão da Justiça, os nove vereadores de Lassance, Norte de Minas, terão os salários reduzidos em cerca de 150%, retornando aos valores que eram praticados na legislatura anterior, passando de R$ 2.291 para R$ 900”. Não existe corte igual ou superior a 100% do salário. Fazendo as contas certas, o corte foi de 56%. O parágrafo final diz que “a assessoria jurídica da Câmara Municipal se defendeu dizendo que o Tribunal de Contas aprovou o reajuste salarial”. Se o repórter tivesse consultado o site do citado tribunal descobriria que a assessoria jurídica mentiu, pois ainda não houve julgamento deste ato. à Na página 10 a reportagem conta que “o comandante geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, disse ontem que está envergonhado com a atitude tomada pelos PMs que liberaram os bandidos responsáveis pela morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João Silva”. Até eu fiquei com vergonha do Brasil, só de ler. E o nome do capitão que liberou? Denis Leonard Nogueira Bizarro. Capitão Bizarro. Bizarro... E o cargo? Uma patente intermediária, quase uma alta patente. Que exemplo... à A página 18 é sobre um único assunto, sob o título “Alzheimer. Uma nova esperança”. Me fez lembrar um quarto de século de anúncios de várias descobertas de vacinas contra a AIDS que jamais chegaram ao mercado. Como quase todo mundo tem um portador do Mal de Alzheimer na família, o assunto vende jornal. O leitor compra a ilusão da cura de uma doença que sequer tem um método de diagnóstico preciso. à Na página 20 a notícia do absurdo que se repete regularmente: o caminhão que perde o freio na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, e abalroa um monte de carros de passeio ferindo um monte de gente. Como o repórter provavelmente tinha poucas informações na hora do fechamento da matéria, tive que recorrer à concorrência (jornal Hoje em Dia) para resumir o caso: “o trágico acidente ocorreu por volta das 17 horas, e foi provocado por um caminhão desgovernado, carregado de argamassa, que arrastou 18 veículos, entre eles três ônibus por quase um quilômetro, deixando 12 pessoas feridas”. O fato é que aquela avenida é um ponto de chegada, em longa descida, dos caminhões que trafegam pela estrada Belo Horizonte-Rio de Janeiro. E a fiscalização dos caminhões pelos órgãos públicos? Quando será feita com rigidez?
Escrito por Márcio às 19h27
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O milagre (humorismo) Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja de uma aldeia próxima. Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre: — Bom dia, padre. — Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la? — Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma AVE-MARIA. — Não, minha filha, foi com um PADRE NOSSO, mas já o transferimos para o Paraguai.
Escrito por Márcio às 21h31
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Demétrio Magnoli diz que ‘não somos racistas, embora existam racistas no Brasil’ Através da experiência cotidiana, da observação do comportamento do meu povo brasileiro, há umas duas décadas eu formei uma convicção: não existe racismo no Brasil. Os muitos que discordam, populares ou estudiosos, argumentam que a elevada quantidade de negros pobres ou miseráveis é uma prova. Para mim, é mera consequência natural de um processo histórico, a escravidão. Argumentam – outro exemplo – que a referência a uma pessoa como “negra” também é uma prova de racismo. Para mim, ou é um preconceito pessoal ou um simples recurso de identificação. A idéia mais absurda é dizer que o racismo sub-reptício brasileiro é pior que o racismo direto e assumido de outras nações. Dispenso comentários... A verdade é que o brasileiro é classista: para a classe média, o negro pobre é o “crioulo”, o negro que não é pobre é o “colega”. A outra verdade é que a discussão é semântica, pois racismo é um conceito, e conceitos variam. Outra questão conceitual é calcular quantos racistas individuais são necessários para caracterizar a nação como racista. Em ambos os casos, todos estão certos e todos estão errados, depende do conceito escolhido. Este assunto sempre foi periférico no país, até que os senhores políticos decidiram criar formas de favorecimento à raça negra. O sociólogo Demétrio Magnoli, em grande evidência, acaba de publicar o livro “Uma gota de sangue” sobre a questão. Em entrevista a’O Estado de São Paulo de 30/08/2009, expôs a divergência semântica ao dizer que “há racismo no Brasil” e uma dezena de linhas abaixo dizer que “não somos racistas, embora existam racistas no Brasil”. O parágrafo completo ficou assim: "Há racismo no Brasil. O que não há é um conceito popular de que estamos separados por raças, como nos EUA. Assim, não somos racistas no sentido de a maioria dos brasileiros não interpretar o Brasil pelo prisma da raça; e também no sentido de o Estado brasileiro não ter feito leis raciais ao longo da história. Não somos racistas, embora existam racistas no Brasil. O racismo aparece na operação ilegal de certas instituições, claramente a parte da polícia que ainda prefere parar o jovem negro a parar um jovem branco. Mas o fato é que o racismo no Brasil está sempre ligado à questão socioeconômica. A violência policial baseada no preconceito racial é muito clara nas periferias e favelas. Pessoas que não têm pele branca, mas vivem em bairros de classe média, estão menos sujeitas a uma abordagem racista da polícia. Cada vez que o racismo se manifesta aqui é um escândalo, o que mostra o caráter antirracista da nação. Isso é uma vantagem, mas os defensores de leis raciais acham o contrário. Dizem que é melhor um racismo explícito à la americana do que o racismo envergonhado à la brasileira. O racismo explícito ajuda a definir interesses de raças - necessários aos que se dizem líderes raciais. Outro trecho interessante é a referência à situação de “mestiço” do presidente norte-americano Barack Obama: “Nos anos 60, o que Martin Luther King fez o tempo todo foi pedir que os Estados Unidos respeitassem o princípio da igualdade previsto na Constituição americana, ou seja, ele pretendia abolir o conceito de raça da política. Barack Obama foi mais longe ao se definir como mestiço. Foi uma afirmação revolucionária, porque a mestiçagem não existe no censo e nas leis americanas. Lá, ou você é branco ou é negro, pois para se fazer leis raciais elimina-se a mestiçagem, definindo claramente a raça de cada um. E a mestiçagem é a indefinição, a não-raça. Então, quando Obama diz que é mestiço, filho de mãe branca e pai negro, ele dá um passo além de Luther King. Não se trata só de eliminar a raça da política, mas também da consciência das pessoas. Para acesso à entrevista completa, CliqueAqui.
Escrito por Márcio às 23h28
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A Cinelândia (RJ) em 4 imagens históricas Apesar dos problemas, o Rio de Janeiro ganhou a indicação para as Olimpíadas de 2016. Parabéns. Como homenagem, estampo abaixo quatro imagens da Cinelândia (minha região preferida para hospedagem) originárias do artista gráfico Carlos Gustavo Nunes Pereira, sendo a primeira um desenho representando o ano de 1818: 
1908 (abaixo): 
1930 (abaixo): 
2008 (abaixo): 
Escrito por Márcio às 22h13
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A vigilância do Poder Público reduz os acidentes de trabalho Passei alguns dias na histórica cidade americana de Boston. Caminhando pelo centro da cidade no dia 26/07/2009, fiquei impressionado com o trabalho de um tratorista, que com calma e habilidade manejava as garras da máquina para levantar material. Mas outro detalhe também me chamou a atenção: dois guardas municipais vigiavam atentamente o trabalho dele. É uma característica cultural do país: os órgãos públicos acompanham com atenção todas as atividades que podem colocar a população em risco. Variam na forma de acompanhamento pois tais detalhes são regulados por leis locais – e não nacionais – mas a presença do Poder Público é uma característica cultural. O que presenciei é impensável no Brasil, mas a consequência pode ser representada pelos nossos elevados índices de acidentes do trabalho, domésticos ou de tráfego. Não fotografei a cena, mas no mesmo dia fotografei a que se segue, com um caminhão fazendo um trabalho de risco sob o olhar atento de outro fiscal municipal (à esquerda, de capa de chuva verde-brilhante, parcialmente oculto pelo poste): 
Escrito por Márcio às 23h49
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‘Capitalismo’ é um conceito impreciso em economia O economista Eduardo Giannetti da Fonseca é um dos mais conhecidos “intelectuais da mídia”. Está sempre aberto a entrevistas, o que deixa de narizes torcidos os acadêmicos que só valorizam o intelectual hermético, distante dos holofotes. Em uma de suas aparições midiáticas (O Estado de São Paulo, edição de 02/11/2008) ele se refere ao uso excessivamente generalizado da palavra capitalismo: Eu evito a palavra "capitalismo", porque não sei mais o que isso significa. Usar o mesmo termo para descrever o sistema econômico do século 16 até hoje é duvidoso. E termina com uma pessimista expectativa de uma crise econômica que será provocada pela questão ambiental (poluição, desmatamento, etc): Acho que a crise virá, mas ela será imposta por crises ambientais. Essa é a minha intuição. A humanidade vai caminhar para situações agudas de desequilíbrio climático e ambiental, e aí o imperativo de encontrar outras formas de organizar nossa existência na sociedade vai se impor de maneira muito mais sofrida e violenta. Vai ser pelo caminho da dor, da calamidade, da maneira mais custosa, mais burra. Infelizmente.
Escrito por Márcio às 21h13
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Tiroteio entre polícia e bandidos até num haras de cavalos de corrida A tecnologia salvou o Haras Ponta das Canas, uma criação de cavalos de corrida (raça Puro-Sangue Inglês) de um assalto em Limeira-SP. Na noite de 24/09/09, cinco bandidos invadiram a fazenda e até conseguiram desligar algumas câmaras de vídeo-vigilância interna, mas uma empresa de segurança acionou a polícia. O saldo foi negativo para os criminosos, pois dois morreram no tiroteio. No dia seguinte, no Rio de Janeiro, um bandido foi morto por um atirador de elite da Polícia Militar enquanto segurava uma refém. Estava com uma granada na mão que, se explodisse, lançaria estilhaços letais na refém e chamuscaria a popularidade da polícia e do governador. Tenho uma posição definida quanto aos confrontos entre policiais e criminosos: os agentes da lei podem atirar para matar sempre que estiverem sob risco de morte. É uma questão de objetividade; as visões diferentes não se justificam. As visões mais radicais são de origem religiosa (jamais tirar a vida de outro ser humano) ou revanchista (a execução pelas próprias mãos). Espero que o caso não desanime o Haras Ponta das Canas, que está se iniciando nesta atividade nhuma época em que a tônica é a redução constante deste mercado. Alguns links para aprofundar as informações acima: Para o assalto ao haras, CliqueAqui. Para ver o video da execução do assaltante no Rio por um atirador de elite, CliqueAqui. E para entrar no site do Haras Ponta das Canas, CliqueAqui.
Escrito por Márcio às 18h38
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Curvas perigosas (cuidado com a capotagem...) Sempre que eu passo de ônibus pelo Aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), no curvão que liga – ou separa? – as praias de Botafogo e Flamengo, tenho a sensação que ele vai virar ou capotar. Em agosto do ano passado (vou ao Rio todos os anos neste mês para ver o Grande Prêmio Brasil de turfe) fiquei assustado com o ônibus que ia à minha frente, parecia que ia virar. Coincidentemente, na semana seguinte (exatamente no dia 12/08/2008) o jornal O Globo fez uma reportagem sobre curvas (de asfalto) perigosas, mal planejadas. A foto da capa, que estampo abaixo, foi tirada nomesmo local e parecia a imagem que vi dias antes: 
Escrito por Márcio às 16h24
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Quem disse que mineiro é bobo? (humorismo) Um mineirim chega bêbado num bar e pergunta: – Você poderia, me vender uma pinga fiada? O dono do bar responde: – Tá vendo aquele cara bem forte e alto, é o seguinte: de tanto ele malhar seu pescoço ficou pequeno, e quem chama ele de pescossim leva uma baita surra. Se você chamar ele de pescossim, eu te vendo fiado por um ano! O bêbado chega até a mesa da uma batida nas costas do cara e diz: – Meu amigo, como vai? – Mas eu nem te conheço. – A gente pescô junto! – Não pescô não! – Pescô sim!
Escrito por Márcio às 22h33
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Um belíssimo cavalo de salto Os alemães são, indiscutivelmente, um povo que produz resultados concretos e eficientes, que sabe trabalhar. Na criação de cavalos – Equideocultura – eles também conseguiram sucesso, inclusive na formação de raças de atletas. Exportam para todo o mundo. A foto abaixo é do saltador que tem o nome de Sidney, e pertence à raça Hanoveriano. O flagrante foi feito em 13/09/2009 no Centro Hípico Chevals, situado em Nova Lima, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Uma massa de músculos, destreza e beleza. E um gênio fantástico. 
Escrito por Márcio às 23h37
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Lula indica advogado “comum” para o STF Quem me perdoem os muitos advogados que conheço, mas Supremo Tribunal Federal é lugar só para os medalhões, os fora-de-série, os gênios da raça. O último ministro de currículo fraco que chegou lá foi o primo de Collor, Marco Aurélio. Mesmo assim ele havia chegado, antes, a ministro do Tribunal Superior do Trabalho com provável ajuda do clã familiar, o principal da política alagoana, estado mais “coronelista” do Brasil. Agora o presidente Lula indicou para o STF um advogado que nunca havia conseguido sequer virar juiz de primeira instância, fracassando nos concursos de que participou. O colunista da Folha de São Paulo Josias de Souza deu a informação em seu blog: É no item “notório saber” que a situação do doutor se complica. Não possui doutorado nem mestrado. Não levou à prateleira nenhum livro. E, pior: tomou bomba num par de concursos públicos. O indicado de Lula sonhara tornar-se magistrado. Foi às provas em 1994. Reprovado. Nova tentativa em 1995. Bombado de novo. De resto, Toffolli carrega atrás de si um rastro de serviços prestados ao petismo. Advogou para o PT em três campanhas de Lula (1998, 2002 e 2006). Assim é a cultura brasileira, em seu velho uso privado do que é público: Lula está terminando o governo, então vai deixar um amigo num cargo importante. A nação que se dane! E de lambuja garante um forte apoio na tramitação dos processos de seu interesse. Ou no engavetamento.
Escrito por Márcio às 09h42
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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