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Histórico de crônicas e análises
Superpopulação é causa do fracasso do comunismo em Cuba Estive em Cuba em 2005 e concluí que uma das causas do fracasso do comunismo na ilha caribenha é a superpopulação. São 11 milhões e meio de habitantes, quantidade que só um sistema eficiente de produção agroindustrial é capaz de alimentar, vestir e ocupar com emprego e lazer. E produção eficiente não é característica de quaisquer das várias experiências comunistas do mundo, desde a implantação da primeira, em 1917, na Rússia. A capital Havana tem dois milhões e meio de almas, o que a deixaria disputando o terceiro lugar num país 80 vezes maior, que é o Brasil. Minha guia Nelia me explicou que o governo não estava mais concedendo autorizações de residência na capital para pessoas vindas de outras cidades, com a finalidade de controlar o inchaço. Em matéria publicada na Folha de São Paulo de 01/03/2009, a enviada especial Flávia Marreiro aborda o problema social, destacando que esta decisão foi tomada a partir de “um decreto baixado em 1997 pelo governo cubano para conter o fluxo migratório do interior para Havana, quando a crise apertou”. Conta que “migrantes sofrem com medo da polícia e com o preconceito dos havaneros, que lhes batizaram de ‘palestinos’”. A reação do governo: “Segundo dados oficiais, em 2008, até agosto, 2.397 pessoas foram ‘deportadas’. Desde 2006, foram 20 mil, muitos reincidentes”. Ela também pesquisou as consequências: Los Mangos, com casas de madeira e metal, energia por "gato" e sem recolhimento de lixo, é um dos 46 assentamentos ilegais contabilizados oficialmente nos 15 distritos de Havana. Fica em San Miguel del Padrón, que abriga mais da metade dos "llega y pon", as neofavelas cubanas. O local é quase como qualquer periferia da América Latina. Uma diferença é que, como em toda Cuba, as crianças, mesmo as ilegais, podem estudar, e as mães fazem pré-natal regularmente - uma dissonância em relação ao modelo migratório chinês, que proíbe o acesso a serviços como este fora do lugar de origem. Mas os direitos param por aí. Daí o ressentimento e irritação que paira nas neofavelas. Infelizmente, creio que o conjunto de problemas cubanos vai terminar mal. Para o povo, certamente. Para acesso à matéria “Migrantes cubanos são "ilegais" em Havana”, CliqueAqui. Estampo, abaixo, duas fotos do impressionante Malecón, a avenida beira-mar com alguns prédios modernos entremeados de construções em ruínas, e quase todas com moradores: 

Escrito por Márcio às 10h09
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Parece mentira, mas em Nova York há golpistas impunes e descarados como os nossos Em julho último tive a agradável oportunidade de fazer minha segunda viagem a Nova York, apelidada de “capital do mundo”. Peguei logo um mapa gratuito no aeroporto e comecei a destrinchar a geografia da Big Apple. Mas tive logo a atenção voltada para um anúncio da loja Lafnac Digital Computer Ltd, localizada na esquina da famosa Quinta Avenida (entrada pela rua 42), oferecendo câmeras profissionais Canon e Nikon por 300 dólares. Eram modelos fora de linha, mas ainda avançados para o mercado brasileiro. Passei lá dias depois e o vendedor me mostrou um exemplar da Nikon, usado, só para demonstração. Estava um pouco desconfiado pois já sabia da existência de lojistas golpistas – geralmente latinos ou chineses – em NY e Miami, mas a minha preocupação maior recaiu em um detalhe: os modelos oferecidos só trabalhavam com 220 volts. Parecia uma questão de pouca importância, pois a energia elétrica só interessa para o carregador de bateria, e um adaptador seria uma opção fácil. Tentando deslindar o porquê do destaque da voltagem no anúncio, e também carregando uma pequena desconfiança (por que um varejista ainda teria um estoque de câmeras fora de linha?), resolvi fazer uma pesquisa na internet. Descobri que estava perdendo o meu tempo com trambiqueiros disfarçados de primeiríssimo mundo. Basta lançar o nome da loja no Google que aparece uma enorme sequência de acusações de fraude, roubo, golpes. Um destes posts era de um turista e blogueiro de minha cidade (Belo Horizonte), que publicou sua queixa em inglês, no ano de 2005, com a intenção de ajudar outros incautos. Outra vítima, esta de 2008, contou a história de um casal de amigos que foi enganado na compra de um notebook, mas pelo menos conseguiu o dinheiro de volta (CliqueAqui para acesso ao link desta história). O site Rippoff Report, especializado em denúncias, tem uma sequência de sete mensagens de vítimas da Lafnac (acesse ClicandoAqui). Treze anos antes eu havia feito minha primeira viagem aos Estados Unidos e em Miami descobri que as lojas de latinos e chineses são mais perigosas que as do Paraguai. Os turistas acreditam que qualquer comerciante no mercado norte-americano é confiável, mas os vigaristas trabalham com outro raciocínio: este tipo de comprador não reclama pois não quer fazer nada que prejudique o seu passeio. Além disso, muitos compradores só descobrem os defeitos quando já retornaram para a terra natal. A lição que eu deveria ter assimilado acontecera em 1997, também em Nova York: meu companheiro de viagem, Carlos Antônio, entrou numa loja semelhante à Lafnac e perguntou pelo preço de uma bateria para telefone sem fio. A resposta foi “14 dólares” mas, como ele não se decidisse, o preço foi baixando de dois em dois dólares até chegar a ... dois dólares.
Escrito por Márcio às 18h03
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Em política, contatos interpessoais são mais importantes do que currículo Há uma dúzia de anos passei a acompanhar algumas solenidades por dever de ofício, solenidades frequentemente encerradas em recepções festivas regadas a salgadinhos e uísque. Havia um frequentador tão contumaz nestas ocasiões que memorizei bem o rosto dele. Alguém me explicou uma vez – com uma boa dose de preconceito – que era através dos contatos nas festas que ele conseguia bons cargos públicos. Morreu, apenas cinquentão, vítima de um câncer estomacal. O caso me levou a duas reflexões. A primeira é a forma de se obter cargos públicos no Brasil. O preenchimento de uma substancial parte deles depende das eleições, pois as indicações e nomeações são comandadas pelos políticos vencedores. O governo estadual, por exemplo, é eleito para um período de quatro anos, mas poucos secretários estaduais – os componentes do segundo escalão – ocupam o cargo por todo o período. A consequência deste rodízio é que as principais autoridades não têm tempo de conhecer e acompanhar a carreira dos profissionais capacitados a ocupar as diretorias e gerências dos inúmeros órgãos públicos: escolas, hospitais, delegacias, escritórios, representações, fundações, etc. O mérito e a capacidade técnica deixam de ser pré-requisitos essenciais no processo de escolha do administrador público. Em consequência, o contato pessoal ganha valor, torna-se uma moeda: a presença constante em locais que permitam o acesso e o contato aos donos das canetas – aqueles que têm o poder de nomear ou, no mínimo, indicar ocupantes de cargos públicos – aumenta a chance de nomeação. Mas o rodízio dos donos das canetas, proporcionado pelas quadrienais decisões dos eleitores, reabre as vagas e seus até então ocupantes precisam se aproximar dos novos “pistolões” para manter o cargo, ou então para conseguir outro. O comparecimento às solenidades e festas torna-se, então, uma rotina, e uma necessidade. Um atípico turno extra de trabalho, um bater-ponto constante, frequente, num relógio sem ponteiros mas com corda (ou pilha) duradoura. E quando a boca se abre quase toda noite para permitir a entrada dos salgadinhos e do uísque, aparece a segunda reflexão: o desgaste que esta alimentação inadequada traz para o corpo. A relação entre a ingestão de algumas substâncias e doenças está comprovada pela ciência, mas outras ligações transitam pelo terreno das hipóteses. Estão comprovadas as interações negativas entre tabagismo e câncer pulmonar, alcoolismo e cirrose hepática, alimentação gordurosa e doenças vasculares. Mas a incerteza quanto ao exato mecanismo de formação das células neoplásicas – do câncer – dificulta a exata identificação de seus fatores influenciadores. O que permite aos cientistas formular novas hipóteses a partir de estudos e pesquisas, e aos leigos formular hipóteses a partir de experiências de vida associadas a informações externas. Uma hipótese leiga – pretensamente baseada em ideias lógicas – é o que eu chamaria de Fator Irritativo. Maus hábitos pessoais levam algumas – muitas, para ser mais exato – pessoas a sobrecarregar ou lesar seu organismo. O cigarro sobrecarrega especialmente os pulmões; a bebida alcoólica primeiramente irrita a mucosa estomacal e depois obriga o fígado a elevar sua produção para neutralizar aquelas substâncias que são ingeridas em quantidade bem maior do que a previsão da programação genética. O excesso de gordura – como acontece com o álcool – é um fator irritativo para o fígado, mas também produz outras consequências na árvore circulatória, pois o organismo não consegue eliminar as substâncias não metabolizadas, que se acumulam nas veias e artérias e dificultam a passagem do sangue. Outros exemplos não faltam: o excesso de açúcar eleva o risco do diabetes, o de proteína causa a gota e o stress pode produzir consequências por todo o organismo. Estes fatores irritativos, além de causarem estas alterações, talvez sejam pontos de partida de um processo canceroso por intermédio de um mecanismo ainda não elucidado. Não é coincidência o alto índice de câncer pulmonar em fumantes, pois a pesquisa médica há muito comprovou a relação de causa e efeito, e não deve ser coincidência a relação entre alcoolismo e câncer gástrico ou hepático. Provavelmente por ação da agressão direta, um fator irritativo que vai ganhar um nome mais adequado quando novas conclusões e descobertas aparecerem.
Escrito por Márcio às 19h49
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Reflexão sobre a ilusão do poder e da riqueza Se eu fosse escolher a fotografia que ficou gravada com mais firmeza em minha mente, minha opção recairia naquela que estava estampada na primeira página dos jornais de todo o mundo em algum dia de fevereiro de 1979: alguns corpos de generais iranianos executados pelos militantes muçulmanos que assumiram o controle do país após derrubar o líder político, Xá Reza Pahlavi. O motivo não foi a morte em si, pois neste caso não seria uma imagem inédita ou rara. O fato importante é que eram generais do Exército, e os corpos estavam dispostos no chão de forma desordenada, descuidada, atirados mesmo. Amontoados desordenadamente, como se nada significassem. A cena ganhou um valor simbólico: a efemeridade humana e a ilusão do poder. Um valor simbólico de profunda ligação com a realidade brasileira: do final da infância até o início da idade adulta convivi com um regime de força no Brasil, uma ditadura militar, onde ser general significava ter poder, ser melhor que os demais cidadãos. No Irã, ser general durante o governo do Xá significava um poder amedrontador para os adversários e para os cidadãos. Mas, depois, ser general do Xá no início da Revolução Islâmica significava ser fraco, visado, acuado, perseguido; muitos – os da foto, por exemplo – foram mortos como animais de abate. Como a vida humana, os símbolos de poder são efêmeros e passageiros: riqueza e status social só satisfazem a vaidade e se baseiam na ilusão. Para os religiosos, a alternativa é Deus, mas nem no plano místico existe o consenso: a divindade maior muda de nome, de face e carrega diferentes dogmas em cada crença, e em cada seita. Para os não religiosos, a alternativa pode residir na moral, na consciência, ou em lugar algum. O certo é que a opção obsessiva pela procura do Poder algum dia resultará no encontro do Nada.
Escrito por Márcio às 11h08
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O bacalhau a preço de sardinha Na década de 1980, freqüentava as agências de apostas de corridas de cavalos em Belo Horizonte um senhor simpático, de quem eu nunca soube o nome, só o apelido: Jean Se Borrou. Estava sessentão, era claro, meio vermelhão, gordo, tinha uma barriga proeminente e usava calças largas, meio frouxas atrás, daí o “Se Borrou”. (Foi-se para o outro mundo há bastante tempo.) Um dia ele contou uma história interessante. Um amigo o chamou para comprar bacalhau barato num supermercado (creio que no Rio de Janeiro) e ele foi. Inocentemente. O tal amigo fechou o negócio com um funcionário num ponto mais afastado do supermercado, sem testemunhas, e recebeu o pacote fechado, com o preço escrito a caneta. E preço de peixe barato. O vendedor foi honesto... com eles; quando abriram o pacote, em casa, o bacalhau estava lá. O supermercado é que pagou o custo do bacalhau e recebeu o lucro da sardinha, ou de outro peixe da mesma faixa. Um golpe comum, numa terra de golpes cotidianos, que há anos se proclama “o país do futuro” e seu povo reclama que o futuro nunca chega. Uma das explicações dos que são flagrados cometendo irregularidades, uma de suas justificativas não justas, é o baixo salário. Para tentar defender a ineficiência do trabalhador, usa-se há muito a ridícula frase “eu finjo que trabalho e o patrão finge que me paga”. Típico do capitalismo pé-de-chinelo: desaparece o limiar nítido entre o certo e o errado; o honesto e o desonesto; a esperteza e a malandragem; o trabalho e o desemprego. Mas há remédios: para o vendedor da sardinha, o olho-da-rua; para o patrão que paga mal, a pressão da concorrência; para aquele trabalhador que finge que trabalha a terapêutica que deve ser oferecida é uma opção entre o trabalho efetivo ou a companhia do ex-peixeiro. Para curar o paciente, estes remédios precisam ser aplicados a todo momento, em todos os lugares. Num esforço de constante vigilância, punição e correção.
Escrito por Márcio às 19h53
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A cueca vermelha do Suplicy e o caso do deputado que foi cassado por causa dela No dia 14/10/2009 o senador paulista Eduardo Suplicy aceitou o pedido da apresentadora Sabrina Sato, do Pânico na TV, de vestir uma cueca vermelha sobre o terno, dentro do Senado. A palhaçada causou algum celeuma, mas obviamente não vai dar em nada porque, no fundo, não tem lá muita importância. Tinha tanta roupa por baixo da cueca que ela não passava de uma decoração. Repercussão bem maior teve outra cueca legislativa: em 1949 o deputado Barreto Pinto foi cassado por ter posado só com ela (da cintura para baixo) para o mais famoso fotojornalista brasileiro (parisiense de nascimento), Jean Manzon. Pesou bastante o fato de a cueca não estar sobre o terno, mas sobre a pele do Barreto Pinto. Uma cueca sobre a pele do Barreto Pinto: isso deve ter rendido mil piadas na época, apesar da pudicícia de antanho. Todos os relatos que já li dizem que o Pinto (o Barreto) era uma figura “circense” e, por isso, não era levado a sério. Também contam que ele foi enganado pelo fotógrafo, que teria garantido que a cueca — do tipo samba-canção, quase um samba-enredo de tão grande — não ia aparecer na imagem. O jornalista Murilo Melo Filho, que no ano passado acendeu 80 velinhas, contou no seu livro autobiográfico Testemunho Político (2ª edição, 1999, Editora Elevação) que o Barreto Pinto foi eleito deputado federal com apenas 400 votos (página 92), aproveitando as sobras de Getúlio Vargas, candidato de uma só vez a dois cargos (deputado e senador) por vários estados brasileiros. Sempre haverá quem interprete que os políticos brasileiros eram mais moralistas naquela época, mas o mesmo Murilo Melo Filho informa que o provocador Barreto Pinto ainda exigiu que o jornalista Carlos Lacerda (que depois seria governador do Rio de Janeiro) fosse proibido de frequentar o plenário. Mas a gota d’água que transbordou seu copo foi outra, como conta Murilo na página 96: “O processo de cassação arrastava-se penosamente na Câmara, sem decisão. Mas acontece que ele tinha uma coluna no Diário da Noite e, certo dia, cometeu o desatino de noticiar que uma bela funcionária da Câmara mantinha ardente romance com um deputado, provocando naquela época um escândalo de ruidosas repercussões. Movimento coletivo de revolta na Casa terminou cassando-lhe o mandato.” Ele foi o primeiro deputado cassado pelos próprios companheiros na república brasileira (três anos depois da publicação da foto), e o legislativo federal só voltou a repetir o gesto nos anos 1980. No site da Rádio Câmara encontrei esta descrição do caso: Edmundo Barreto Pinto foi eleito deputado pelo PTB no Rio de Janeiro. Ele teve pouquíssimos votos, cerca de 200, mas foi eleito por ser um dos suplentes de Getúlio Vargas. Nas eleições de 1946, Vargas foi eleito deputado em 10 estados e senador em dois. O veterano jornalista Carlos Chagas escreveu o livro O Brasil sem Retoques, que retrata a história brasileira através da imprensa. É ele quem traça o perfil do deputado Edmundo Barreto Pinto. "Ele era um bonachão, um bon vivant, casado com uma mulher muito rica, morava num verdadeiro palácio no Rio de Janeiro, em Botafogo. E ele não era um deputado atuante, de jeito nenhum." Fui pesquisar na internet o número real de votos obtido por Barreto Pinto na eleição para a Assembléia Nacional Constituinte e encontrei no site www.eleicoespos1945.com o número de 537, que lhe deu a condição de primeiro suplente de Getúlio Vargas, que recebeu 116.712 e preferiu o cargo de senador. No mesmo site descobri um dado ainda mais interessante, e que não aparecia em nenhuma análise: cassado em 1949, ele voltou a se candidatar em 1950, quando recebeu 6.784 votos, treze vezes mais que os obtidos na eleição anterior. Ficou como terceiro suplente e não conseguiu voltar à Câmara embora também tenha havido sobras de um grande puxador de votos, o filho mais velho de Getúlio, Lutero, que recebeu 85.645. A multiplicação dos votos depois da palhaçada foi mais uma prova de que o eleitor brasileiro tinha, e certamente ainda tem, atração pelas figuras circenses. O famoso jornalista David Nasser ganhou duplamente com a história: além de ter sido o autor da reportagem (geralmente trabalhava em parceria com Manzon) ainda compôs a música "Chutaram o Pinto", uma marchinha gravada por Aracy de Almeida ainda em 1949. No YouTube tem um interessante video sobre a vida de Edmundo Barreto Pinto (1900-1972) e um trecho da música com a interpretação de Aracy, a musa de Noel Rosa (para acessar, CliqueAqui). Abaixo estampo a cueca vermelha do Suplicy e a cueca branca (de ingenuidade?) do Barretão:  
Escrito por Márcio às 11h47
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O Brasil vai mal, “e ninguém faz nada?” Um episódio pequeno e anônimo que me impressionou, até mais do que deveria: ao ser entrevistada sobre algum problema social cotidiano (provavelmente mendicância ou mau atendimento em hospital público) uma mulher quase jovem exclamou, num tom altamente dramático: — E ninguém faz nada! Me impressionou (impressionou-me é a forma correta, mas que é pedante, é...) o exagero dela, já que o “ninguém” é um desrespeito aos muitos alguéns que fazem a sua parte em atividades sociais, na administração pública ou no exercício do comportamento social adequado. Creio que, embora a palavra “ninguém” envolva o conjunto social, ela estava se referindo ao Governo, pois a cultura brasileira entende que a obrigação de organizar a sociedade é dos administradores públicos: não existe a correta percepção da participação individual dos cidadãos. Por algum estranho mecanismo de formação cultural, o imaginário popular transforma o Governo numa entidade extrapoderosa, que tem a função de tudo resolver. Um Paizão! Parece uma teimosa persistência, permanência e repetição dos comportamentos autoritários e paternalistas do passado, representados por monarquia, coronelismo, militarismo, machismo, autoritarismo caseiro. O velho padrão colonial do senhor de escravos, também senhor da família, senhor dos empregados, senhor dos colonos, senhor dos eleitores. Falta ao povo brasileiro a percepção — e também o uso prático — da correta interpretação do conceito de Poder Público. Falta entender, de fato, que os políticos e administradores públicos são apenas seus representantes, que devem ser escolhidos com rigor e cuidado, além de fiscalizados e cobrados. Eu apostaria — como a Madame Ninguém-Faz-Nada é anônima, não estou ofendendo — que na hora da eleição a personagem que abriu esta análise/crônica escolhe o seu candidato pela aparência física, ou por indicação de um vizinho, ou porque recebeu um cumprimento caloroso e simpático, ou qualquer outro irrelevante motivo. E existe um número significativo de irresponsáveis que escolhe um candidato por ser maluco, ou folclórico, ou engraçado e original. Existem até os hiperirresponsáveis, que preferem votar nos ladrões, corruptos e suspeitos de outros crimes, e depois ainda dizem que estão ajudando a “botar fogo no circo para virar a mesa”. A sociedade brasileira é uma colcha de retalhos e remendos, e quem não consegue entender o mecanismo fica sempre estupefato, perplexo, confuso, aparvalhado. Não consegue entender que a solução é ao mesmo tempo simples e complexa. Simples porque bastaria que a maioria da população seguisse regras básicas de comportamento individual e coletivo para se criar uma sociedade justa e homogênea. Complexa porque transplantar estas poucas palavras para a cabeça de milhões de adultos, culturalmente formados (e deformados) parece utopia.
Escrito por Márcio às 09h47
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Belo Horizonte estuda usar estação do metrô como rodoviária opcional Reportagem do jornal Estado de Minas de 16/10/2009 anuncia que a BHTrans, órgão regulador do trânsito da capital mineira, pretende usar uma estação de metrô como rodoviária opcional para uma parte dos ônibus interurbanos em dias de alto movimento. Fiquei orgulhoso da reportagem, pois defendi idéia semelhante em post neste blog no dia 06/03/09, mas sou obrigado a confessar que certamente não fui o inspirador da idéia, pois minha influência na mídia da internet é bem modesta. Segundo a citada reportagem, “Enquanto a prefeitura não resolve definitivamente o problema da rodoviária de Belo Horizonte, a Estação São Gabriel, que integra ônibus urbano e metrô, no bairro de mesmo nome, na Região Nordeste, pode virar terminal rodoviário nos feriadões do Natal, ano-novo e carnaval. A BHTrans, empresa que gerencia o trânsito da capital, e o Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro pretendem usar a estação como ponto emergencial de embarque e desembarque de passageiros de ônibus intermunicipais e interestaduais em feriados com grande movimentação. A decisão será tomada nos próximos dias. O objetivo é evitar cenas do carnaval deste ano, quando o trânsito no entorno da rodoviária, no Centro, parou completamente, com picos de 136 saídas no intervalo de 60 minutos. Houve casos de espera de mais de quatro horas para embarque.” Pena que, na sequência, o jornal defenda a onerosa idéia de construir uma nova rodoviária: “Mas a novela para viajar de ônibus rumo a outras cidades e estados só terá um ponto final quando a capital ganhar um novo terminal rodoviário, que não deve ficar pronto antes dos próximos quatro anos.”. Como qualquer estação rodoviária do Brasil e do mundo, o aumento acentuado do movimento só ocorre nos dias de pico: início e final de férias escolares, feriados esticados, natal e ano-novo. Várias estações de metrô de Belo Horizonte já foram construídas com uma área para servir de terminal de ônibus urbano, sempre subutilizada. As dificuldades de aplicação desta idéia são certamente mesquinhas: burocracia do serviço público, interesses dos comerciantes (aí incluídos os taxistas e prestadores de serviço) e outras do mesmo naipe. Já a construção de uma rodoviária distante, além do custo, vai trazer tantos problemas que as queixas não serão caladas, apenas transferidas de época e de argumentos. Os irritadinhos que hoje lotam as sessões de cartas de leitores dos jornais e também os aparelhos de fax (além dos e-mails) de rádios e tevês reclamando dos problemas da atual rodoviária serão apenas substituídos pelos irritadinhos de amanhã que vão reclamar da distância, do custo do táxi, da falta de opções de lanchonetes e hotéis, do ..., do...
Escrito por Márcio às 19h41
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Regina Duarte tinha medo do Lula, eu tenho é da Dilma Rousseff Existe um grande equívoco cultural brasileiro: resolver um problema não pela correção de rumos, mas sempre pela radical anulação do que já estava feito e, depois, reiniciar o processo. Passar a limpo e recomeçar do zero... Esquece que a mesma base cultural que criou o problema será a responsável pela reconstrução do sistema. Os políticos – com seus sentidos afiados para a percepção das tendências do eleitorado – já aprenderam, e os candidatos (a cargos eletivos) estreantes ou pouco conhecidos sempre se apresentam como renovadores. Os eleitores sempre elegem um grande número deles, na ilusão de que estão renovando o quadro dirigente. Esta será uma das bases sociológicas da ministra Dilma Rousseff, provável candidata do presidente Lula e do PT para as eleições presidenciais de 2010. Mas estão aparecendo, seguidamente, senões, fatos e outros indicativos contrários à sua capacidade de governar, entre os quais destaco: a) Excluídos os ditadores militares, madame Rousseff seria um caso raro, talvez até único, de presidente da república que jamais havia sido eleito antes para qualquer cargo público pelo voto popular. Não passou pela importante experiência do Poder Legislativo. Se esta fosse uma falha isolada em seu currículo outras qualidades compensariam; mas se for somada a outras falhas importantes, transforma-se em um problema respeitável. b) Quando assumiu a Casa Civil com a saída do ministro José Dirceu, a mídia publicou algumas análises sobre suas qualidades e defeitos. Na época, uma característica - que reconheço ser subjetiva – se destacou: uma postura autoritária, dura até. Tenho desconfiança deste tipo de personalidade, pois entendo que ela se conecta a um certo grau de insensibilidade, à falta de reais sentimentos humanitários. O governante ideal deveria estar numa situação intermediária, mesclando a objetividade da análise econômica com a piedade ao pobre sofredor. Precisa de um equilíbrio para usar na hora de assinar medidas e atos que terão influência direta na vida das pessoas. E também para avaliar a hora adequada ou inevitável de emitir uma medida dura, ou de agir em prejuízo de muitos para benefício de outros, ou de adiar a aplicação de uma técnica recomendada por assessores com visão exclusivamente tecnocrática. c) Diferentemente do que afirmava em seu currículo, ela não tem o título de Mestre (M.S.) nem estava fazendo doutorado. Esta descoberta derruba um dos pilares da projeção política de Dilma, sempre apresentada como uma tecnocrata com experiência política. Na verdade ela é uma universitária-padrão – o que já é muito mais do que o currículo do atual presidente da República brasileira – com uma vida profissional voltada para a política e administração pública. d) O primeiro escândalo protagonizado por ela foi a descoberta que um dossiê com supostos gastos irregulares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa Ruth havia sido elaborado dentro do Palácio do Planalto sob a orientação de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil da Presidência da República e braço-direito de Dilma, e entregue secretamente ao jornal Folha de São Paulo. E muita ingenuidade é necessária para se acreditar que a alta funcionária agiu sozinha, principalmente se for levado em conta que depois disso Dilma tentou até transformá-la em ministra do Tribunal de Contas da União. e) E o escândalo mais recente: a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, relatou que no final de 2008 foi pressionada a encerrar uma fiscalização sobre o imposto de renda de Fernando, filho de José Sarney. A pressão partiu, pessoalmente, da própria ministra e de seu braço-direito Erenice Guerra. A mídia identificou na demissão de Lina uma tentativa de montar um grupo de dirigentes da Receita Federal politicamente maleáveis, já que estamos a um ano das eleições presidenciais. Diz um velho ditado que onde há fumaça há fogo, e o fato é que à volta da mineira, belo-horizontina, Dilma Rousseff brota muita fumaça e muitas fogueirinhas, e de vários lados. Ela tenta se vender como uma renovação, mas o gosto é de dejá vu.
Escrito por Márcio às 10h00
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A Justiça brasileira aceita acusações baseadas exclusivamente em testemunho verbal Quando dois sobrinhos foram pela primeira vez aos Estados Unidos, pedi que tivessem um comportamento cuidadoso, por causa da diferença de hábitos dos norte-americanos. Veio-me à mente aquele episódio em que dois rapazes brasileiros brincaram com funcionários da imigração local sob a possibilidade de haver uma bomba na bagagem (aconteceu pouco depois do 11 de setembro de 2001) e acabaram cumprindo meses de cadeia. Agora o problema se inverte: o Brasil faz o papel de intolerante. Alguns meses atrás um grupo de alemães foi detido por ter trocado as roupas (as “de cima”) num canto do aeroporto. Argumentaram com a lógica européia: jamais imaginariam que um povo que praticamente se despe nas praias tivesse tal pudor. (Escrevi sobre este caso em 04/02/2009: para ler, clique em ver mensagens anteriores, no final desta página.) No dia 1º de setembro um italiano foi preso em Fortaleza (CE), pois um casal de turistas o denunciou por supostos atos libidinosos em público com uma menina. A polícia abriu um processo de estupro por beijar na boca a criança, que na verdade é sua filha (a mãe é brasileira). Segundo O Globo de 14/09/09, “o gerente do estabelecimento, uma garçonete e dois monitores que faziam a segurança da piscina prestaram depoimento e negaram ter visto alguma atitude comprometedora”. Ele só foi solto 10 dias depois do fato por causa de uma crise de hipertensão, mas o processo continua. Obviamente não ignoro que crimes sexuais existem em qualquer país, mas não acredito na culpa dele por um motivo simples: quem faz isso, não o faz em público. O casal acusador deu uma entrevista à TV, sem mostrar o rosto, e alegou que o italiano chegou a acariciar as partes íntimas da menina. Mas na hora da denúncia eles certamente não sabiam que se tratava de pai e filha, e agora devem se sentir “obrigados” a jurar que falavam a verdade. Outra questão impressionante é a facilidade com que a Justiça brasileira aceita acusações baseadas exclusivamente em testemunho verbal. Quando a acusação envolve criança, uma simples denúncia, mesmo sem prova concreta, já inicia um processo sério para o acusado. Esta distorção já é uma rotina na Justiça do Trabalho: até um testemunho isolado sempre garante uma boa indenização adicional para o empregado/reclamante.
Escrito por Márcio às 08h56
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Em Honduras, a revanche de Lula contra a ditadura militar O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, conseguiu voltar ao seu país em 21/09/09 e asilar-se na embaixada brasileira. Ainda não apareceu nenhum relato sobre a forma com que ele conseguiu passar despercebido do novo governo (existe uma ordem de prisão emitida). Antes da entrada secreta em seu país, Zelaya fez um périplo pelo continente, inclusive em Brasília (18/08/09) para reuniões particulares com Luiz Inácio, o presidente brasileiro. O chanceler (ministro das relações exteriores) Celso Amorim apressou-se a dizer que ele alcançou a embaixada por “meios próprios”. Cômica foi a declaração do embaixador Gonçalo Mourão: disse que foi surpreendido pela chegada de Zelaya e que "ele quase que se materializou na embaixada". Juntando as pecinhas do imbróglio, não é difícil concluir que o retorno foi arquitetado com o beneplácito e a colaboração do governo brasileiro. Qual é o interesse de Lula? Divido a resposta por dois. O primeiro aspecto é eleitoral: seria uma forma de ganhar visibilidade, ares de estadista, articulador da geopolítica internacional. A fragilidade das instituições hondurenhas favorece, pois lá todos estão certos e todos estão errados: Zelaya é o presidente eleito, mas tentava obter novo mandato usando recursos irregulares; seu sucessor chegou ao poder por golpe de Estado, justificado por questiúnculas constitucionais. O segundo aspecto do interesse de Lula tem um caráter pessoal: é a revanche do representante popular contra a ditadura militar. Ele ajuda lá onde fracassou cá, pois defendendo Zelaya está dificultando um golpe militar contra um líder popular, democrático, populista até. Incentiva uma postura ideológica contra as ditaduras, principalmente as militares. Mas não tem coragem de comprovar a sua participação, no máximo faz constantes declarações a favor do presidente constitucional e da instituição da democracia. Ainda há muita água para rolar debaixo desta ponte.
Escrito por Márcio às 20h17
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Político brasileiro prefere adiar decisões do que enfrentar uma reação O político brasileiro tem uma mania estranha, curiosa e errada... Esta não parece ser uma boa forma de começar um artigo sobre o político brasileiro, pois esta categoria tem centenas de formas de comportamento errático. Estou pensando, especificamente, na atitude de omissão quando um determinado assunto se torna controverso, gera polêmica. Quando aparece a necessidade de uma decisão que vai gerar ônus eleitoral, a opção mais desejada pelo seu responsável brasileiro é a de se omitir, de adiar até a perda de fôlego dos polemistas. Às vezes, até manda para a mídia informações vagas sobre “embaraços jurídicos” para disfarçar a omissão e, de quebra, ganhar a fama de cauteloso e responsável. E consegue até dificultar, para o analista, o ato de separar o joio do trigo, entender até onde termina a dificuldade administrativa e começa a omissão. A destinação do antigo mercado distrital de Santa Tereza, em Belo Horizonte, está exatamente neste caso. A cidade tinha quatro mercados distritais, administrados pela Prefeitura, abrigando lojistas e suas mercadorias. Mas a administração incompetente, confrontada com o crescimento das redes de supermercados, deixou os distritais às moscas. Quando a Prefeitura anunciou que o quase desértico distrital de Santa Tereza seria transferido para a Guarda Municipal, um sentimento saudosista, bairrista em seu sentido literal, apareceu, gerando passeatas e manifestações lideradas por uma associação comunitária. O então prefeito Fernando Pimentel recuou e saiu pela tangente: criou um concurso para a apresentação de projetos sobre uma nova destinação. O concurso também acabou em controvérsias, discussões e críticas, e o novo prefeito Márcio Lacerda guardou o problema no fundo da gaveta, onde certamente vai continuar até que os polemistas o esqueçam. O prédio – como aconteceu com os outros distritais – fica sob cadeado ou subutilizado como se dinheiro público fosse algo de pouco valor, e sem dono. Pelo mesmo rumo segue a questão da nova estação rodoviária de Belo Horizonte o projeto está pronto, mas as reações foram tantas a Prefeitura usou tática semelhante: inicialmente falou em novo projeto (construção de três ou quatro pequenas estações) e agora entrou na fase de engavetamente e arrefecimento dos ânimos dos interessados. Eu mesmo, neste espaço mais pessoal do que público, várias vezes defendi a idéia de que construir uma rodoviária cara e distante seria um problema maior do que enfrentar o aborrecimento dos dias de pico de feriados e férias. São exemplos de um comportamento padrão do político brasileiro, uma tática de defesa, criando uma situação de omissão em que a sociedade não sai ganhando.
Escrito por Márcio às 22h46
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O serviço público atrai uma legião de parasitas A mídia brasileira noticia, periodicamente, escândalos envolvendo disputas por cargos e empregos públicos. Expressões como “nepotismo” e “trem da alegria” são gritadas na mídia e, antes de serem esquecidas, sempre reaparecem com outros personagens. Os escândalos geralmente têm como protagonistas pessoas que disputam os cargos à margem dos concursos públicos, pois geralmente são avessos ao esforço de vencer na vida por meios lícitos ou naturais. Quando ganham cargos, o único compromisso é com o padrinho político; o dever com o trabalho e com a nação só existe no discurso, nas aparências. Estão sempre à procura de novos padrinhos para garantir a permanência, ou um novo cargo. São parasitas sociais, só buscam o proveito pessoal. O espírito zombeteiro do brasileiro criou algumas expressões para identificar e criticar esses parasitas, como estas que ouvi há poucos dias: — Fulano não tem certidão de nascimento: tem ato de nomeação! — Nunca tirou carteira de motorista, pois nasceu num carro oficial. Conheci muitos personagens que se enquadram nesta categoria; me lembro especialmente de dois. Um deles, já falecido, chegou a exercer interinamente um mandato legislativo estadual, depois passou por vários cargos públicos levado pelas mãos de padrinhos influentes. O outro faz parte do extenso grupo que tem o cargo público na genética: tinha um ascendente influente e dele recebeu o gosto pela vida pública, gosto que se resumia à nomeação e ao salário, e que jamais se misturava com trabalho, com esforço, ou com dedicação.
Escrito por Márcio às 23h24
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Homossexualismo vira acusação na encrenca do piloto Nelsinho Piquet O tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet sempre foi um homem diferenciado. O adjetivo mais brando que ganhou foi “irreverente”; predominavam os de antiético, malandro e inescrupuloso. No início dos anos 1990 insinuou que Ayrton Senna era homossexual: a história “pegou” e só foi esquecida com a morte deste. Eu até acreditei que o namoro com Xuxa era um golpe publicitário para ajudar a abafar a boataria; no velório entendi que havia sido um fato real. O troco à insinuação chegou com esta crise em que o filho de Piquet acusou o diretor da Renault Flávio Briatore de ter comandado uma irregularidade grave: um acidente proposital para beneficiar o outro piloto da equipe, Fernando Alonso. O esperto e briguento italiano percebeu que homossexualismo é tabu no Brasil e insinuou que seu acusador Nelsinho Piquet é gay. É a lei do Bate e Leva. O troco pode demorar, mas chega. Segundo o Estadão de 12/09/09, O chefe da equipe, transtornado, ainda deu a entender que Nelsinho é homossexual. "Ele vivia com um senhor de uns 50 anos num apartamento em Oxford. Não se sabe que tipo de relação possuíam. Seu pai (Nelson Piquet) estava preocupado e me pediu para intervir." Briatore disse que só citou o fato por estar sendo acusado por Nelsinho de ter interferido até na relação com pessoas próximas. Para piorar a situação de Nelsinho Piquet, ainda não apareceu a mais tímida prova da participação de Briatore na batida. Mas o piloto confessou; e réu confesso é culpado comprovado.
Escrito por Márcio às 20h17
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O multimilionário Antônio Luciano se escondia da morte Nos anos 1970 e 80 fiz poucas reportagens sobre assuntos gerais: esportes especializados e turfe eram, então, o meu segmento de mercado de trabalho na imprensa. Perdi a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida do excêntrico milionário Antônio Luciano Pereira Filho, o mais folclórico mineiro da época. Mas ainda consegui acompanhar de perto um caso que merece ser contado: a destruição do glamouroso Cine Metrópole, na rua Goiás esquina com a rua da Bahia (Belo Horizonte-MG). Luciano dominava o mercado de cinemas da capital mineira, entre eles o Metrópole, mas em meados do governo Tancredo Neves (1983-85) a imprensa anunciou que ele estava vendendo o prédio para o Banco Bradesco. É importante explicar que o Metrópole era bem mais que um salão aberto: inaugurado em maio de 1942 era luxuoso e belo, com rica decoração. Iniciou-se uma campanha para o tombamento do cinema e o governador decretou o início do processo, o que suspendia a negociação. Dias depois a imprensa recebeu a denúncia de que, a mando de Antônio Luciano, um grupo de operários teria entrado dentro do prédio durante a madrugada e destruído tudo o que tinha valor histórico a marretadas (mármore, azulejo, ferro fundido etc). Eu trabalhava na sucursal do jornal O Globo, e a chefia da redação encarregou o repórter Guilherme (não me lembro do sobrenome) de apurar a história. Encontrei na internet um artigo dos historiadores Carlos Henrique Rangel e Cristina Pereira Nunes que me permitiu situar este momento da história em junho de 1983. Para acessar o artigo, CliqueAqui. Apostamos no fracasso da tentativa de uma entrevista com o velho coronel, pois dizia-se então que ele estava num estágio idêntico ao final da vida do famoso multimilionário americano Howard Hughes: transformou o 10º andar de seu Hotel Financial em residência e lá se escondia da morte e da doença. Quase não saía de lá, não recebia pessoas, exigia um ambiente esterilizado e até luvas para os poucos que ainda tinham acesso. Para surpresa dos demais repórteres, o Guilherme conseguiu falar diretamente com Antônio Luciano, que negou tudo. E olha que não teve tempo suficiente para passar óleo de peroba em sua enorme cara-de-pau. Mas a negação de Luciano era falsa e o impasse estava criado, pois a decoração interna era o que tinha mais valor histórico no prédio. A comissão nomeada por Tancredo opinou pela inutilidade do tombamento e o governador, velha raposa política, cancelou o decreto e manipulou a situação para evitar punições e desdobramentos do assunto. Aproveito para presentear o leitor com fotos do Cine Metrópole, extraídas da internet: 
A imagem acima dá uma idéia da importância social do Cine Metrópole. Provavelmente é dos anos 1940. 
A imagem acima é do final dos anos 1960. O Metrópole exibia o filme mexicano "O Direito de Nascer", que iniciou seu sucesso latinoamericano em dezembro de 1966. 
Em 1983 o passado é demolido junto com as paredes do histórico cinema.
Escrito por Márcio às 10h52
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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