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Belo Horizonte
O viaduto que é vítima da segmentação dos serviços públicos Perto de minha casa, no bairro de Santa Tereza (Belo Horizonte-MG) existe um viaduto mal cuidado. Liga a rua Paraisópolis à Avenida dos Andradas e tem bastante movimento, o que não sensibiliza a prefeitura, que age apenas para “tapar” o problema mais recente e mais grave. A segmentação dos serviços públicos é uma característica brasileira: a equipe que corta a árvore é uma, a que conserta o passeio é outra, a que mexe na parede é outra, a que lava a mureta também, a que troca a lâmpada é outra, a que pinta as faixas é outra; e ainda há outra e outras. Em parte a culpa é da terceirização, que surgiu e expandiu exatamente por causa da incompetência do setor público em usar os próprios meios para resolver o problema. E o jovem viaduto se envelhece precocemente, para risco e desconforto dos usuários. As duas fotos abaixo ilustram bem. A da esquerda é de um ferro que faz parte de uma proteção sobre a linha metrô-férrea, e que fica projetado na passagem de pedestres. Às vezes ele aparece com a ponta exposta, provavelmente pela ação de algum moleque sádico que se torce de êxtase pela perspectiva de atingir e ferir algum passante. Aí algum passante de bom coração entorta a ponta em direção à parede até que outro moleque recomece o ciclo, que já fez um ou dois aniversários. A foto da direita também ilustra a improvisação da população quando Poder Público se omite. A árvore cresceu e espalhou a galhada sobre a passarela de pedestres, e a poda só aconteceu pelas mãos dos diretamente interessados, por quem pagou (impostos) para outrem fazer o serviço, mas nada aconteceu.  
Escrito por Márcio às 11h55
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Um flagrante bem brasileiro 
Esta cena ocorre em plena avenida José Cândido da Silveira, bairro Cidade Nova, Belo Horizonte, capital mineira. Uma construção baixa, de um andar mas de quase 30 metros de largura está abandonada há anos. Foi invadida por um grupo de carroceiros e virou uma garagem de burros. 
Escrito por Márcio às 20h18
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Construir estação rodoviária nova não é a única solução para o excesso de passageiros A ressaca do pós-carnaval trouxe de volta (deixo ou retiro este pleonasmo?) um fenômeno anual: manifestações irritadas dos turistas-foliões contra a superlotação da estação rodoviária de Belo Horizonte. (Provavelmente acontece o mesmo em muitas cidades grandes e médias de todo o país.) Os mais irritados lotam as sessões de cartas de leitores dos jornais e também os aparelhos de fax (além dos e-mails) de rádios e tvs. A proposta de solução é única (parece uma clonagem coletiva): construir uma nova estação-terminal. Tanto falta o exercício de raciocínio de futurologia (uma rodoviária afastada do centro também vai gerar irritação, pela maior distância de acesso) quanto falta o uso da imaginação, na procura de uma alternativa. Embora o carnaval atinja o pico do problema, a superlotação se repete no natal, no ano novo, no início e fim das férias escolares e na semana santa. Dei asas à imaginação e apresento a minha sugestão: nos já conhecidos dias de super-utilização, os órgãos competentes concederiam uma autorização excepcional para que uma parcela dos ônibus rodoviários fizesse o desembarque final em terminais de ônibus urbanos. Vai ferir alguns interesses individuais de passageiros, carregadores, taxistas; mas a função do poder público é encontrar soluções que atendam ao interesse da maioria, não da totalidade. A solução proposta pela limitada imaginação dos irritados está longe de ser ideal, pois construir uma nova rodoviária (já existem o projeto e a área) é caro, e a maior distância para o centro da cidade vai aumentar o tempo perdido e encarecer o táxi. Só o pequeno percentual de moradores da região é que vai elogiar, egoisticamente priorizando os próprios interesses. É necessário para o cidadão compreender que viver em sociedade implica em momentos e circunstâncias que são desconfortáveis, desagradáveis. A paciência é indispensável. Compreendi isso em 1996, quando conheci os Estados Unidos da América. Aluguei um carro que deveria ser devolvido no aeroporto de Miami no final da tarde de um domingo; coincidentemente um dia de excepcional movimento (era início ou fim das férias escolares de meio de ano). Na entrada do aeroporto havia um engarrafamento fenomenal: perdi meia hora, ou uma hora, num mundaréu de carros que giravam os pneus a centímetros por minuto. O detalhe mais importante: o aeroporto é longe e gigantesco, em tudo maior do que qualquer similar brasileiro. Por tudo isso, engana-se quem supõe que o terminal rodoviário, cujo projeto foi assumido pelo neoprefeito Márcio Lacerda, vai resolver todos os problemas. Vai apenas substituir o super-engarramento de hoje por uma adição: o médio engarrafamento mais a longa distância do centro.
Escrito por Márcio às 11h00
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A evolução da Praça Sete a partir do nascimento de Belo Horizonte O mundo está mudando rápido e as imagens do passado sempre nos impressionam. Como estas da Praça Sete, a principal de Belo Horizonte, um deserto em 1905, ainda discreta em 1940, e hoje a principal de uma metrópole de 2,2 milhões de habitantes e outro milhão nas cidades que lhe são quase uma continuação: 
A foto acima é de 1905 e a de baixo, de 1940. 
Escrito por Márcio às 21h40
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A casa maluca e a Cabocla Tereza Poucas casas são realmente originais, principalmente na parte externa. É que a casa totalmente fora de padrão se torna um problema na hora da venda. Uma das poucas exceções está no bairro União, na pequena Rua Honorino de Ulhoa Costa: uma construção meio dark, meio gótica, cheia de pedras, inscrições religiosas, esculturas. O dono tem pago caro pela ousadia: a placa de "Vende-se" ficou tanto tempo exposta que apodreceu. Entre as inscrições, esta bem original, na foto abaixo: "Aqui mora eu e a Cabocla Tereza". 
Escrito por Márcio às 23h32
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Um borracheiro atrapalhando o trânsito na avenida movimentada
Um borracheiro atrapalhando o trânsito na avenida movimentada
Em qualquer metrópole brasileira perde-se muito tempo no trânsito, juntamente com stress, dinheiro e combustível; só se ganha stress.
Mas não é apenas o excesso de carros que congestiona as ruas: outros culpados são as obras, as carroças, os carros velhos que enguiçam, os carros abandonados, as caçambas.
A cultura brasileira dificulta a resolução do problema: o sentimento de piedade aparece com relação às carroças e os carros velhos; a burocracia dos órgãos fiscalizadores atrapalha a atuação contra as obras e os carros abandonados.
Na avenida dos Andradas, em Belo Horizonte tem um borracheiro que, sozinho, atrapalha o fluxo dos carros junto ao Viaduto José Maria Torres Leal, de acesso ao bairro de Santa Tereza.
Como a avenida é muito larga, o problema só aparece na pior hora: a do rush, quando o tráfego é intenso.
O curioso é que o borracheiro não pode ser punido: a responsabilidade é de seus clientes motoristas.
Na foto abaixo, o carro vermelho está estacionado, esperando o pneu colar, ao lado de um cone que só poderia ser usado por órgão oficial, autorizado pelo Detran.
A pista fica fechada e 30 metros adiante, também à direita, está o início da importante avenida Mem de Sá.

Escrito por Márcio às 19h02
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Belo Horizonte: pacata no passado, violenta no presente
Belo Horizonte já foi uma cidade pacata, sem crimes
Folhear os jornais populares brasileiros é um ato depressivo.
As páginas policiais estampam crimes ao gosto do freguês: são de tipos imagináveis e inimagináveis, de paixão, de tara, de sadismo, de loucura, vingança, disputas; além de inacreditáveis acidentes banais.
Frutos de um país com uma cultura permissiva, que não incentiva o controle social, e assolado pela explosão demográfica.
A violência se concentra nas grandes metrópoles, e Belo Horizonte não consegue fugir à regra, com seus mais de dois milhões de habitantes, mais de três se incluídas as cidades que lhe são – praticamente – contínuas.
Mas o terrível fenômeno é atual, é moderno.
Foi um choque ler os trechos, transcritos abaixo, do livro O Desatino da Rapaziada, de Humberto Werneck (editora Companhia das Letras, 1992), que tem como tema os escritores e jornalistas que fizeram a história recente de Minas Gerais.
Conta Werneck que o jornalista Moacyr Andrade fala assim da luta dos repórteres do jornal Correio Mineiro, que funcionou na capital entre 1927 e 1930, para conseguir notícias: “Nossos repórteres pelejavam para arranjar sensacionalismo noticiando crimes, mas voltavam suados à redação, com atentados insignificantes ao Código, que mal mereciam uma coluna”.
E continua: “Em desespero de causa, os responsáveis pelo Correio Mineiro lançaram mão de recursos pouco ortodoxos (...). ‘Inventamos pitonisas, assombrações e até um faquir indiano, que dissemos estar aqui incógnito, vindo de um mosteiro do Himalaia, confessará Moacyr Andrade.’”.
E continua, ainda com mais impacto: “Um dos editores, Alberto Deodato, sergipano de Maroim, vivia momentos diários de exasperação. ‘Que cidade horrorosa, que não dá crimes!’, bradava a cada manhã. ‘Não dá nada de sensacional! E temos de encher um jornal!”
“Quando, finalmente, houve um bom crime – um certo sargento Anhambira matara um tenente Humberto no quartel do 1º Batalhão –, o Correio Mineiro explorou a história o quanto pôde, esticando-a ao longo de três meses, relembra Moacyr Andrade, ‘para que o povo não perdesse o seu sabor, assim como se conserva carne no congelador...’”
Se revivessem, Deodato teria saudade da exasperação e Moacyr Andrade, do salutar desespero.
Escrito por Márcio às 14h07
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A nova Praça Raul Soares e a politica de obras públicas
A Praça Raul Soares e a política de reformar as reformas
A Praça Raul Soares, no centro de Belo Horizonte (mais exatamente: no final do centro, colada nos bairros Santo Agostinho e Barro Preto) foi reformada e entregue à população.
Coincidentemente, poucos dias antes do início da campanha eleitoral para a prefeitura.
Acho que o Partido dos Trabalhadores deveria pagar royalties ao atual senador Eduardo Azeredo, o descobridor da importância da reforma das praças perante o eleitorado.
Ele era apenas um profissional da informática quando foi indicado vice-prefeito da capital, companheiro de chapa de Pimenta da Veiga.
Foi eleito por genética: é filho de Renato Azeredo.
Pimenta da Veiga trocou a prefeitura pela naufragada candidatura ao governo do Estado e Eduardo Azeredo herdou a cadeira.
Com um mandato parcial (1990-1993) e um país em crise econômica, ele teve a percepção da importância de reformar as principais praças públicas, que estavam muito degradadas.
O povo gostou, e ele depois virou governador e senador, em votação direta, mas agora está com a carreira prejudicada pelo escândalo denominado “Mensalão Mineiro”.
O PT entendeu o recado e evoluiu para a técnica de “reformar a reforma”.
As mesmas praças, totalmente reformadas por Azeredo, foram (outra vez) totalmente reformadas por Fernando Pimentel.
É a política brasileira, da qual nenhum partido ou administrador consegue fugir: é mais eleitoreiro gastar dinheiro com obras de vulto, localizadas em áreas de grande visibilidade, do que com pequenas obras, espalhadas.
A avenida dos Andradas, nas proximidades da Câmara Municipal, estava com o asfalto ótimo, mas agora está sendo recapeada.
Os políticos descobriram que grandes obras têm forte impacto no imaginário do eleitor, e que só uma parcela pequena avalia, objetivamente, a relação custo-benefício.
Reclama dos prejuízos causados ao trânsito, mas a memória é curta: quando chegam as eleições, associa o candidato apenas à obra terminada, jamais ao seu transcurso.

A nova fonte luminosa da praça
Escrito por Márcio às 17h53
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O maltratado patrimônio histórico da Rua Niquelina
O Bairro de Santa Efigênia e seu patrimônio histórico
A Avenida do Contorno, de Belo Horizonte, foi projetada para ser o limite da cidade, em todas as direções.
A explosão demográfica, fenômeno global, já tornou a parte externa à avenida muito maior e mais populosa do que a interna.
Santa Efigênia é um bom bairro na parte interna do oval da Contorno, é a principal região hospitalar, tem bons prédios, ruas amplas.
A partir da Rua Niquelina se expandiu para fora da Contorno, mantendo o nome mas perdendo bastante em qualidade.
Meu pai, no alto de seus 85 anos, conta que a Rua Niquelina já foi até parte da estrada para a capital brasileira, Rio de Janeiro, mas ainda não encontrei qualquer descrição desta fase.
Seu primeiro quarteirão ainda conserva algumas casas antigas, acredito que anteriores a 1940.
A primeira, da esquina, foi restaurada, mas as demais estão semi-abandonadas há muito tempo.
A questão da conservação do patrimônio histórico de propriedade de particulares é um problema nacional, que envolve muita burocracia, dificuldades, prejuízos.
Seguem, abaixo, duas fotos do início da Rua Niquelina.


Escrito por Márcio às 22h59
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Prefeitura de Belo Horizonte exige mercado distrital auto-sustentável
O Estado é um administrador incompetente! (sobre a decadência dos mercados municipais)
A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte publicou no dia 30 de maio (2008) o edital do concurso que vai definir a nova utilização do espaço onde funcionava o Mercado Distrital de Santa Tereza.
Até o dia 18 de agosto serão recebidas as propostas para o concurso público.
Há uma série de pré-requisitos, como auto-sustentabilidade e respeito à Lei de Uso e Ocupação do Solo.
O resultado será divulgado apenas no dia 12 de dezembro.
Ressalto duas coisas neste concurso: o prazo longo para o resultado e a questão da auto-sustentabilidade.
As datas foram escolhidas, visivelmente, de acordo com o calendário eleitoral: como as eleições serão em outubro, com possibilidade de segundo turno em 15 de novembro, a Prefeitura, espertamente, marcou a divulgação do resultado para uma data bem posterior à definição do nome do novo prefeito, que certamente dará a decisão final.
Mas o aspecto mais interessante é a questão da administração do espaço.
Uns três anos atrás, diretores e conselheiros do Jockey Club de Minas Gerais procuraram o então secretário de Estado de Planejamento, professor Antônio Augusto Anastasia, atual vice-governador, para pedir uma ajuda na solução da grave crise financeira do clube.
Entre as várias sugestões apresentadas pelo heterogêneo grupo, uma delas versava sobre a participação do Estado na administração do Hipódromo Serra Verde, ao que ele replicou: “O Estado é mau administrador”.
Está aí a explicação da falência do modelo administrativo dos mercados municipais da cidade.
Todos passaram por crise graves e só sobreviveram o Mercado Central e o Mercado Novo.
O Poder Público Municipal teve sorte: conseguiu repassar a administração deles para cooperativas de lojistas que, aparentemente, estão gerenciando razoavelmente (no mínimo!), pois eu não me lembro de ter visto na mídia qualquer matéria sobre crises por lá.
Já os três mercados distritais quebraram: Anchieta, Cruzeiro e Santa Tereza.
O do Anchieta funciona precária e pobremente, os outros fecharam.
A Prefeitura decidiu usar o espaço de Santa Tereza para sediar a Guarda Metropolitana, mas foi surpreendida pela reação da população local, que reivindicou a recuperação do mercado distrital.
De olho nas próximas eleições, suspendeu a transferência da Guarda, mas também não aceita a volta do antigo modelo, como prova a exigência de “auto-sustentabilidade” no edital do concurso.
Assume a incompetência administrativa: gerenciar um mercado distrital implica em fiscalizar lojistas, expulsar, selecionar para contratar, acompanhar processos diários de cobranças atrasadas e ações de despejo, negociar alterações e quebras de contrato.
E resistir às pressões políticas para beneficiar os lojistas que pedem a ajuda dos vereadores, deputados, dirigentes partidários...
Uma coisa é certa: com a provável manutenção do atual grupo político, o velho modelo administrativo do Mercado Distrital de Santa Tereza não retorna.
E que algum Inteligente tenha uma idéia bem luminosa, eficiente o suficiente para convencer a banca julgadora, e também eficiente o suficiente para reavivar o Distrital.
Escrito por Márcio às 20h55
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O povo e a falta de educação
Proibido jogar lixo
Flagrante na rua Mármore, a principal do bairro santa Tereza, Belo Horizonte.
Algum morador deste prédio extravasou sua revolta com os porcos (os da espécie bípede) que sujam as ruas.
Mandou fazer uma faixa com os dizeres: “Proibido jogar lixo”.
O interessante é que a entrada do prédio é na rua Quimberlita; a faixa está sobre um muro lateral.
Sinal que os sujismundos não estão perdoando nada.

Três quarteirões adiante o flagrante (sem foto) tem outro motivo: a invasão cultural da língua inglesa.
Na minha infância, a principal loja de roupas da região era a Casa Paraibana.
Ela continua lá, na esquina da rua Gabro, mas a nova geração de proprietários optou pela sofisticação: a placa agora é CAP Fashion.
A expressão Casa Paraibana vem abaixo, em letras pequenas.
Segundo o livro Notas cronológicas do Bairro Santa Tereza, de Luiz Góes (2001), a Casa Paraibana, atual CAP Fashion, foi inaugurada em 10/1/48 por Virgílio Martins de Abreu Filho e sua esposa Edite.
Escrito por Márcio às 18h25
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Edifício Ibaté, em Belo Horizonte
Edifício Ibaté, o primeiro arranha-céu de Belo Horizonte
Está à venda, sem sucesso, o mais antigo prédio de Belo Horizonte.
É o Edifício Ibaté, na rua São Paulo, ao lado das Lojas Americanas, quase esquina com a avenida Afonso Pena.
Segundo o livro “Juscelino prefeito – 1940-1945”, editado em 2002 pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e pelo Museu Histórico Abílio Barreto, ele foi inaugurado em 1935.
O Museu Histórico Abílio Barreto tinha — e ainda tem — como diretora a professora Thaïs Velloso Cougo Pimentel, esposa do prefeito de BH Fernando Damata Pimentel e minha ex-professora de história na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG.
O Ibaté tem 10 andares e um deles já foi o consultório do médico urologista Juscelino Kubitschek de Oliveira, antes de virar um político em tempo integral.
Antigamente os prédios como ele eram — que pretensão! — chamados de arranha-céus.
O Ibaté está trancado e sem quaisquer usuários há anos mas, aparentemente, ninguém o quer.
Hoje o obstáculo para a utilização de prédios e casas antigas é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por causa do emaranhado de leis, decretos, portarias e pareceres.
É uma situação ambígua: por um lado, a conservação do patrimônio histórico é uma causa nobre e justa; por outro, a burocracia assusta e produz incontáveis casos de abandono.
Abaixo, foto do Edifício Ibaté na época de Juscelino prefeito, escaneada do livro citado anteriormente.

Abaixo, foto do Edifício Ibaté que tirei no ano de 2007 (agora nem a Sapataria Elmo existe mais ali).

Escrito por Márcio às 18h01
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Santa Tereza
Saritur adquire a tradicional Viação Santa Tereza
A edição zero do Correio de Santa Tereza, referente a outubro e novembro de 2007, anuncia que a Saritur adquiriu a Viação Santa Tereza, que durante seis décadas operou o transporte coletivo do tradicional bairro de Belo Horizonte.
É a nova concessionária das linhas 9210 (Santa Tereza-Prado), 9301 (Santa Tereza-Santo Antônio) e circular 004 A/B.
O novo jornal de bairro da cidade é editado pela Associação Comunitária do Bairro Santa Tereza, presidida por Marcos Milton Fragoso Borges, o “Yé”.
O sobrenome Borges é um dos mais tradicionais do bairro, eternamente vinculado ao cantor Milton Nascimento e ao Clube da Esquina.
Sobre a história da Viação Santa Tereza, transcrevo este trecho do livro “Bairro Santa Tereza, 100 Anos”, página 49, edição de 2003, do jornalista Luís Góes, o historiador do bairro:
JOÃO E ANTÔNIO MASSUD
Adquirida pelos irmãos Antônio e João Massud em 1948, a Viação Popular, que mantinha uma frota de cinco ônibus, passou a chamar-se Viação Minas Gerais.
Em 1950 foi criada a Viação Santa Tereza, mantendo os mesmos ônibus. Continuaram proprietários os irmãos Antônio e João Massud. O ponto final permaneceu na Rua Quimberlita.
Atendendo aos apelos da comunidade, em 1954 é criada a linha Cícero Ferreira, com lotações para servir aos moradores da região do Hospital do Isolamento e imediações das Ruas Silvianópolis, Perite, Pirolozito, Conselheiro Rocha, Oligisto e final das Ruas Bom Despacho, Divinópolis, São Gotardo e Pirolozito. Aquela linha funcionou apenas com um micro-ônibus, cujo motorista era também o cobrador. O veículo possuía só uma porta, na frente.
Escrito por Márcio às 19h23
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Santa Tereza
Com saudade dos ônibus de antigamente
O transporte coletivo de minha infância era bem diferente do que é hoje.
Principalmente pelo lado afetivo, humano.
As empresas tinham vinculação direta com a população e geralmente só atuavam nos bairros próximos à sua garagem e sede administrativa.
Os motoristas eram reconhecidos pelos passageiros e muitas vezes faziam parte da comunidade local e de seus festejos.
Toda a minha vida se centralizou no Bairro de Santa Tereza, na capital mineira.
Até o início dos anos 80 nosso transporte coletivo era feito através de duas linhas operadas pela Viação Santa Tereza, com sede na rua Quimberlita.
Os ônibus eram pintados com as cores da empresa (no caso, verde), com sua tradicional logomarca, e só faziam o trajeto bairro-centro e retorno.
Eram numerados de 01 até o limite de unidades que a empresa possuía.
Na minha infância, eles variavam de 01 a 06.
Quando a empresa comprava outro ônibus, ele herdava o número daquele que seria substituído.
Eu gostava de desenhar cada um deles, que sempre tinham alguma diferença no modelo, na pintura.
Os motoristas geralmente dirigiam o mesmo ônibus todo dia e davam sempre algum toque pessoal na cabine como amuletos, adereços.
Motoristas e trocadores às vezes passavam lá a maior parte de sua vida profissional.
Me lembro que um deles, mais conhecido pelo apelido de “Perigoso”, era considerado o melhor da empresa e tinha direito sempre ao ônibus mais novo e moderno.
Toda a meninada dizia que o apelido tinha um forte motivo: ele teria atropelado e matado um transeunte.
Durante minhas idas e vindas de casa para o Grupo Escolar José Bonifácio, no outro extremo do bairro, ele era o motorista do 05, o melhor da linha, um Mercedes Benz do tipo monobloco.
Luís Góes, o historiador de Santa Tereza, falou brevemente sobre o Perigoso em um dos seus livros, mas não encontrei a referência.
Aliás, o link para o seu site é: http://www.luisgoesbh.com.
Recentemente encontrei na lojinha do Museu Histórico Abílio Barreto uma réplica do tradicional ônibus verde (ano de 1966) da Viação Santa Tereza, que estampo abaixo:

Escrito por Márcio às 20h42
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Belo Horizonte
Prédio cobra pedágio na Zona Sul da capital mineira
Uma nota no mínimo curiosa.
Segundo matéria do jornal Hoje em Dia de 30/12/2007, um prédio situado no bairro Santo Antônio, zona sul (a mais nobre) da capital mineira, está cobrando um pedágio mensal de 25 reais para os moradores da região que quiserem utilizar seus elevadores para acessar a rua de cima.
Este bairro é um dos que possuem pior topografia na cidade e muitas ruas são tão íngremes que é difícil a subida de carros pequenos.
Transcrevo abaixo a interessante matéria:
Prédio cobra pedágio na Zona Sul
Jáder Rezende
Repórter
A administração de um prédio comercial localizado no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, com acesso pela Rua Teixeira de Freitas e pela Avenida Prudente de Morais está cobrando «pedágio» de moradores da vizinhança para permitir a utilização de seus elevadores. O nível entre as duas vias é de 20 metros, mas o percurso pode ser evitado com o pagamento de uma «mensalidade» de R$ 25. A iniciativa alterou radicalmente a rotina de quem vive nas imediações do Centro Empresarial Cidade Jardim, principalmente idosos e com dificuldade de locomoção. Para o Ministério Público, a medida é controversa, uma vez que o prédio é de uso coletivo.
«Em tese, qualquer pessoa poderia freqüentar o local. O que choca é o fato de pessoas com dificuldade de locomoção ter que pagar por esse serviço», diz a promotora de Justiça de Direitos das Pessoas com Deficiência, Maria Inês Rodrigues de Souza. Segundo ela, o mais importante é que o imóvel atenda às regras de acessibilidade, incluindo as calçadas. Desde que foi inaugurado, há 17 anos, aquele condomínio, ou melhor, seus três elevadores, passaram a ser freqüentados pela vizinhança, que viu nos equipamentos a forma mais prática de driblar as ladeiras que ligam a Prudente à Teixeira de Freitas. Não faz muito tempo, a prefeitura inaugurou uma obra vizinha ao prédio, na Arduíno Bolivar, que de rua só tem o nome. Era quase um precipício que nunca foi urbanizado. Pouco utilizada pelos moradores da área, a obra custou R$ 240 mil e consiste numa grande escadaria com nada menos que 110 degraus. Maria Inês sugere aos moradores que não podem usar a escadaria e que optaram pelo serviço do prédio vizinho que recorram à Prefeitura de Belo Horizonte, no sentido de cobrar a taxa de R$ 25 imposta pelo condomínio. «em último caso, a prefeitura poderia firmar um convênio com a administração do imóvel», diz.
Segundo o síndico do Centro Empresarial Cidade Jardim, David Castellani, a liberação dos elevadores para a vizinhança foi definida para pôr fim às freqüentes reclamações de donos de salas, que se sentiam incomodados e até mesmo inseguros com o entra-e-sai de estranhos. «Propuseram o impedimento definitivo do trânsito de pessoas de fora», disse. «Contudo, chegamos ao consenso de que poderíamos ajudar a comunidade, mediante uma contribuição modesta, afinal o consumo de energia dos elevadores representa dois terços da conta total de luz», justifica, revelando que pelo menos 30 moradores da região já fizeram seu cadastro e utilizam o atalho quase que diariamente, sempre das 7 às 9h15, de segunda a sábado, exceto domingos e feriados. Ainda segundo ele, os idosos são priorizados no processo.
Castellani lembra que há quatro anos encaminhou, em vão, à PBH, sugestão de instalação na Arduíno Bolivar de uma escada rolante - equipamento comum em vias públicas de grandes centros com topografia parecida com a de BH, como Barcelona. «Outra medida viável para bairros tomados por ladeiras impraticáveis seriam os funiculares, coisa comum em Viña del Mar, no Chile. Para os moradores do Santo Antônio, cuja maior parte da população é de idosos, seria uma maravilha», sugere.
Para o aposentado Geraldo Diniz, 67 anos, a liberação do elevador do prédio privado para os moradores da região já foi um grande feito. «Quando subia a ladeira ou a escadaria ao lado chegava quase morto», diz. A aposentada Marlete Mendes, 69 anos, foi quem sugeriu a Castellani a instituição de uma taxa para facilitar a vida da vizinhança. Ela mora há 23 anos na Teixeira de Freitas e, nos últimos anos, passou a sofrer com lombalgia e artrose nos joelhos.
Na paisagem urbana, passeios com obstáculos
Calçadas malconservadas e repletas de obstáculos fazem parte, há décadas, da paisagem urbana de Belo Horizonte. São passeios impraticáveis para idosos e portadores de deficiência física, que se sentem cerceados em seu direito de ir e vir. Nos bairros com topografia íngreme a situação é bem mais crítica. Nem mesmo as calçadas da rua onde mora o prefeito Fernando Pimentel, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul, escapam dessa triste realidade.
As ladeiras do Santo Antônio, que chegaram a ser citadas recentemente no «The New York Times» como obstáculos que «requerem capacidade sobre-humana de manobra na hora de estacionar», são vistas pelos moradores locais como verdadeiras armadilhas. «Aqui até mesmo os cadeirantes preferem andar na rua, competindo e se arriscando com os carros», diz a dona de casa Alzira Horta, 74 anos, 50 deles vivendo na Rua Marquês de Maricá. Também vizinho do prefeito, o aposentado Milton Ribeiro, 82 anos, lamenta o fato de a prefeitura «ter esquecido as calçadas do bairro». «O que mais nos revolta é a constatação de que se trata de uma área com imóveis de alto nível, mas com passeios cada vez mais degradados. Falta fiscalização», reclama.
A empresária Tereza Godoy, 75 anos, e seu filho, o dançarino João Luiz Penido, 43 anos, que é cadeirante, também padecem com as ladeiras íngremes do Santo Antônio. «Ficamos impedidos de dar uma simples volta no quarteirão. Faltam rampas, equipamentos próprios para cadeirantes», diz Penido. Tereza, que foi obrigada a operar o joelho esquerdo depois de cair na ladeira da Rua Nunes Vieira, revela que prefere fazer compras por telefone ou pela Internet. «Com sol a situação já é crítica, quando chove vira um verdadeiro inferno», diz. No bairro é comum observarem-se nas ladeiras corrimãos instalados nas calçadas pelos próprios moradores.
A psicóloga Luciana Resende, 46 anos, engrossa a lista de vítimas das ladeiras íngremes do bairro. Ela mora na Rua Abre Campos, onde, nos últimos oito anos, quebrou o pé cinco vezes. «Não há como andar nas calçadas dessa região. Caminhar nas ruas, por incrível que pareça, é bem mais seguro», constata. A produtora cultural Myriam Campas, 35 anos, que mora na Rua Matipó, a mais íngreme do Santo Antônio, segue a pé para o trabalho diariamente. Enfrenta um percurso de quase dois quilômetros, sempre atalhando por ladeiras menos íngremes. «Como se não bastassem os problemas históricos, como árvores, buracos e postes no meio das calçadas, o bairro passa por uma crise gerada por empreiteiras, que derrubam casas antigas para construir edifícios altos. Com isso, as calçadas ficam repletas de entulhos», diz.
Escrito por Márcio às 23h08
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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