Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

O Hipódromo da Gávea em foto artística

Recebi por e-mail um arquivo de PowerPoint com uma seqüência de belíssimas fotos do Rio de Janeiro. Pesquisando a autoria na internet, cheguei ao site de Ricardo Zerrenner, que tem esta e muitas outras imagens da mesma qualidade. Para acesso ao site, CliqueAqui.

Reproduzo abaixo uma imagem bem artística do Hipódromo da Gávea, bem ao lado da Lagoa Rodrigo de Freitas:



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 23h59
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Em política, contatos interpessoais são mais importantes do que currículo

Há uma dúzia de anos passei a acompanhar algumas solenidades por dever de ofício, solenidades frequentemente encerradas em recepções festivas regadas a salgadinhos e uísque.

Havia um frequentador tão contumaz nestas ocasiões que memorizei bem o rosto dele.

Alguém me explicou uma vez – com uma boa dose de preconceito – que era através dos contatos nas festas que ele conseguia bons cargos públicos.

Morreu, apenas cinquentão, vítima de um câncer estomacal.

O caso me levou a duas reflexões.

A primeira é a forma de se obter cargos públicos no Brasil.

O preenchimento de uma substancial parte deles depende das eleições, pois as indicações e nomeações são comandadas pelos políticos vencedores.

O governo estadual, por exemplo, é eleito para um período de quatro anos, mas poucos secretários estaduais – os componentes do segundo escalão – ocupam o cargo por todo o período.

A consequência deste rodízio é que as principais autoridades não têm tempo de conhecer e acompanhar a carreira dos profissionais capacitados a ocupar as diretorias e gerências dos inúmeros órgãos públicos: escolas, hospitais, delegacias, escritórios, representações, fundações, etc.

O mérito e a capacidade técnica deixam de ser pré-requisitos essenciais no processo de escolha do administrador público.

Em consequência, o contato pessoal ganha valor, torna-se uma moeda: a presença constante em locais que permitam o acesso e o contato aos donos das canetas – aqueles que têm o poder de nomear ou, no mínimo, indicar ocupantes de cargos públicos – aumenta a chance de nomeação.

Mas o rodízio dos donos das canetas, proporcionado pelas quadrienais decisões dos eleitores, reabre as vagas e seus até então ocupantes precisam se aproximar dos novos “pistolões” para manter o cargo, ou então para conseguir outro.

O comparecimento às solenidades e festas torna-se, então, uma rotina, e uma necessidade.

Um atípico turno extra de trabalho, um bater-ponto constante, frequente, num relógio sem ponteiros mas com corda (ou pilha) duradoura.

E quando a boca se abre quase toda noite para permitir a entrada dos salgadinhos e do uísque, aparece a segunda reflexão: o desgaste que esta alimentação inadequada traz para o corpo.

A relação entre a ingestão de algumas substâncias e doenças está comprovada pela ciência, mas outras ligações transitam pelo terreno das hipóteses.

Estão comprovadas as interações negativas entre tabagismo e câncer pulmonar, alcoolismo e cirrose hepática, alimentação gordurosa e doenças vasculares.

Mas a incerteza quanto ao exato mecanismo de formação das células neoplásicas – do câncer – dificulta a exata identificação de seus fatores influenciadores.

O que permite aos cientistas formular novas hipóteses a partir de estudos e pesquisas, e aos leigos formular hipóteses a partir de experiências de vida associadas a informações externas.

Uma hipótese leiga – pretensamente baseada em ideias lógicas – é o que eu chamaria de Fator Irritativo.

Maus hábitos pessoais levam algumas – muitas, para ser mais exato – pessoas a sobrecarregar ou lesar seu organismo.

O cigarro sobrecarrega especialmente os pulmões; a bebida alcoólica primeiramente irrita a mucosa estomacal e depois obriga o fígado a elevar sua produção para neutralizar aquelas substâncias que são ingeridas em quantidade bem maior do que a previsão da programação genética.

O excesso de gordura – como acontece com o álcool – é um fator irritativo para o fígado, mas também produz outras consequências na árvore circulatória, pois o organismo não consegue eliminar as substâncias não metabolizadas, que se acumulam nas veias e artérias e dificultam a passagem do sangue.

Outros exemplos não faltam: o excesso de açúcar eleva o risco do diabetes, o de proteína causa a gota e o stress pode produzir consequências por todo o organismo.

Estes fatores irritativos, além de causarem estas alterações, talvez sejam pontos de partida de um processo canceroso por intermédio de um mecanismo ainda não elucidado.

Não é coincidência o alto índice de câncer pulmonar em fumantes, pois a pesquisa médica há muito comprovou a relação de causa e efeito, e não deve ser coincidência a relação entre alcoolismo e câncer gástrico ou hepático.

Provavelmente por ação da agressão direta, um fator irritativo que vai ganhar um nome mais adequado quando novas conclusões e descobertas aparecerem.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h49
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Demétrio Magnoli pisa no goela do Supremo Tribunal Federal (caso Palocci)

Após a absolvição pelo Supremo Tribunal Federal, em 27/08/09, do ex-ministro Antônio Palocci no processo movido por quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o caso desapareceu da mídia.

Em post de 29/08/09 defendi a decisão do STF, não porque acreditasse que o atual deputado federal fosse inocente, mas exclusivamente por entender que condenação sem provas é arbitrariedade.

Mas não radicalizo: existem indícios de sua participação, o que torna os votos condenatórios dos membros minoritários do STF merecedores de respeito.

Radical mesmo é a posição do socíólogo Demétrio Magnoli, que pisou na goela do órgão judicial no artigo “Esse crime chamado justiça”, publicado no Estadão de 03/09/2009.

Fato que me surpreendeu neste artigo foi a participação ativa — e não passiva, como eu pensava — de uma jornalista da revista Época no episódio.

Transcrevo os quatro primeiros parágrafos do artigo de Magnoli:

A jornalista Helena Chagas, diretora de O Globo em Brasília (hoje na TV Brasil), soube por seu jardineiro de um depósito de vulto na conta do caseiro Francenildo Costa e passou a informação ao senador Tião Viana (PT-AC), que a transmitiu ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Então, Palocci convocou ao Planalto Jorge Mattoso, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). Naquele dia, Mattoso tirou um extrato da conta de Francenildo. À noite, 23 horas, reuniu-se com Palocci na casa do ministro, num encontro a três, no qual estava Marcelo Netto, assessor de imprensa do Ministério. No dia seguinte, o mesmo extrato que circulou na reunião foi publicado no site da revista Época.

O enredo acima não é uma tese, mas uma narrativa factual, comprovada materialmente pelas investigações da Polícia Federal, que está nos autos da denúncia apresentada ao STF. A defesa alegou não existirem indícios robustos sobre a autoria da transmissão do extrato à revista e argumentou que o crime de quebra de sigilo bancário só ficou caracterizado no momento da publicação do extrato. O STF derrubou o argumento central da defesa, identificando indício de crime na transferência do extrato de Mattoso para Palocci. Mas só admitiu a denúncia contra Mattoso, que responderá a processo em instância inferior. Uma frágil maioria, de cinco contra quatro juízes, alinhou o Judiciário com o paradigma do Executivo, expresso por Lula: no Brasil, o Estado distingue os "homens incomuns" dos "homens comuns".

A maioria que livrou de processo o "homem incomum" se orientou pelo relatório de Gilmar Mendes, o presidente do STF. Mendes é um defensor incansável de que a Justiça não se pode submeter ao "clamor das ruas" e do princípio do Estado de Direito de que ninguém deve ser punido sem a existência de provas capazes de arrostar a presunção de inocência. Não há nos autos prova acima de dúvida razoável de que Palocci tenha ordenado a quebra de sigilo. O STF, contudo, não julgava a culpa ou inocência do ministro. Julgava apenas o acolhimento da denúncia, ou seja, a deflagração de um processo. Para isso bastam indícios convincentes de participação em ato criminoso. Os cinco juízes que negaram tal estatuto ao relato comprovado nos autos condenam a Nação a conviver com a impunidade legal dos poderosos. Eles cometem um crime contra a justiça.

Nunca, desde o encerramento da ditadura militar, o Estado brasileiro violou tão profundamente a ordem democrática quanto na hora em que Mattoso selecionou, entre os milhões de correntistas da CEF, o nome de Francenildo, uma testemunha da CPI que investigava o poderoso ministro. No mesmo dia em que o presidente da CEF acessava o extrato "suspeito", mas não o transmitia ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), guardando-o para Palocci, Tião Viana prometia aos jornalistas "uma grande surpresa". O poder que faz isso não conhece limites. Seu horizonte utópico é o Estado policial: a administração pública convertida em aparelho de intimidação permanente dos cidadãos, por meio da invasão da privacidade e da chantagem pessoal.

Para leitura na íntegra, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h11
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Quari Bravo foi um ótimo cavalo de corrida

Matando saudade dos grandes cavalos de corrida. A foto abaixo é do tordilho (pelos brancos) Quari Bravo, tirada em 1997 quando ele se preparava para correr o mais importante páreo para potros de três anos em São Paulo, o Derby Paulista, que ele venceu. A segunda foto foi tirada três anos depois, na disputa do Grande Prêmio Brasil, no Rio de Janeiro. A pelagem dele clareou, como sempre acontece com os cavalos tordilhos.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 22h46
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Reflexão sobre a ilusão do poder e da riqueza

Se eu fosse escolher a fotografia que ficou gravada com mais firmeza em minha mente, minha opção recairia naquela que estava estampada na primeira página dos jornais de todo o mundo em algum dia de fevereiro de 1979: alguns corpos de generais iranianos executados pelos militantes muçulmanos que assumiram o controle do país após derrubar o líder político, Xá Reza Pahlavi.

O motivo não foi a morte em si, pois neste caso não seria uma imagem inédita ou rara.

O fato importante é que eram generais do Exército, e os corpos estavam dispostos no chão de forma desordenada, descuidada, atirados mesmo.

Amontoados desordenadamente, como se nada significassem.

A cena ganhou um valor simbólico: a efemeridade humana e a ilusão do poder.

Um valor simbólico de profunda ligação com a realidade brasileira: do final da infância até o início da idade adulta convivi com um regime de força no Brasil, uma ditadura militar, onde ser general significava ter poder, ser melhor que os demais cidadãos.

No Irã, ser general durante o governo do Xá significava um poder amedrontador para os adversários e para os cidadãos.

Mas, depois, ser general do Xá no início da Revolução Islâmica significava ser fraco, visado, acuado, perseguido; muitos – os da foto, por exemplo – foram mortos como animais de abate.

Como a vida humana, os símbolos de poder são efêmeros e passageiros: riqueza e status social só satisfazem a vaidade e se baseiam na ilusão.

Para os religiosos, a alternativa é Deus, mas nem no plano místico existe o consenso: a divindade maior muda de nome, de face e carrega diferentes dogmas em cada crença, e em cada seita.

Para os não religiosos, a alternativa pode residir na moral, na consciência, ou em lugar algum.

O certo é que a opção obsessiva pela procura do Poder algum dia resultará no encontro do Nada.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 11h08
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Febeapá é o nome do Festival de Besteiras que Assola o Brasil

O jornalista Sérgio Porto (1923-68) foi um grande agitador cultural brasileiro. Usando o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta ele escrevia crônicas, livros, produzia shows.

Uma de suas criações foi o Febeapá - Festival de Besteiras que Assola o País. A palavra “festival” estava em pleno uso na época, por causa dos festivais de música pela televisão. Sob o pseudônimo, Stanislaw escreveu três livros usando o mote, sempre começando com uma seleção de absurdos do cotidiano brasileiro que ele pescava nos jornais.

Minha tia Conceição assina o jornal Estado de Minas e, folheando a edição desta manhã (23/10/09) encontrei alguns absurdos que merecem ser citados, um parágrafo para cada, à moda do inspirador Febeapá:

à A página 6 estampa a lista dos deputados federais que assinaram o pedido da CPI do MST e depois cancelaram a assinatura. Primeiro agiram contra o governo, depois a favor. Será que se venderam? Quatro são mineiros, inclusive João Magalhães, várias vezes ameaçado de cassação por irregularidades comprovadas e documentadas. Mas continua representando o povo brasileiro.

à Na página 7, o jornal afirma que “por decisão da Justiça, os nove vereadores de Lassance, Norte de Minas, terão os salários reduzidos em cerca de 150%, retornando aos valores que eram praticados na legislatura anterior, passando de R$ 2.291 para R$ 900. Não existe corte igual ou superior a 100% do salário. Fazendo as contas certas, o corte foi de 56%. O parágrafo final diz que “a assessoria jurídica da Câmara Municipal se defendeu dizendo que o Tribunal de Contas aprovou o reajuste salarial”. Se o repórter tivesse consultado o site do citado tribunal descobriria que a assessoria jurídica mentiu, pois ainda não houve julgamento deste ato.

à Na página 10 a reportagem conta que “o comandante geral da Polícia Militar do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, disse ontem que está envergonhado com a atitude tomada pelos PMs que liberaram os bandidos responsáveis pela morte do coordenador do AfroReggae, Evandro João Silva”. Até eu fiquei com vergonha do Brasil, só de ler. E o nome do capitão que liberou? Denis Leonard Nogueira Bizarro. Capitão Bizarro. Bizarro... E o cargo? Uma patente intermediária, quase uma alta patente. Que exemplo...

à A página 18 é sobre um único assunto, sob o título “Alzheimer. Uma nova esperança”. Me fez lembrar um quarto de século de anúncios de várias descobertas de vacinas contra a AIDS que jamais chegaram ao mercado. Como quase todo mundo tem um portador do Mal de Alzheimer na família, o assunto vende jornal. O leitor compra a ilusão da cura de uma doença que sequer tem um método de diagnóstico preciso.

à Na página 20 a notícia do absurdo que se repete regularmente: o caminhão que perde o freio na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em Belo Horizonte, e abalroa um monte de carros de passeio ferindo um monte de gente. Como o repórter provavelmente tinha poucas informações na hora do fechamento da matéria, tive que recorrer à concorrência (jornal Hoje em Dia) para resumir o caso: “o trágico acidente ocorreu por volta das 17 horas, e foi provocado por um caminhão desgovernado, carregado de argamassa, que arrastou 18 veículos, entre eles três ônibus por quase um quilômetro, deixando 12 pessoas feridas”. O fato é que aquela avenida é um ponto de chegada, em longa descida, dos caminhões que trafegam pela estrada Belo Horizonte-Rio de Janeiro. E a fiscalização dos caminhões pelos órgãos públicos? Quando será feita com rigidez?



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h27
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O bacalhau a preço de sardinha

Na década de 1980, freqüentava as agências de apostas de corridas de cavalos em Belo Horizonte um senhor simpático, de quem eu nunca soube o nome, só o apelido: Jean Se Borrou.

Estava sessentão, era claro, meio vermelhão, gordo, tinha uma barriga proeminente e usava calças largas, meio frouxas atrás, daí o “Se Borrou”.

(Foi-se para o outro mundo há bastante tempo.)

Um dia ele contou uma história interessante.

Um amigo o chamou para comprar bacalhau barato num supermercado (creio que no Rio de Janeiro) e ele foi. Inocentemente.

O tal amigo fechou o negócio com um funcionário num ponto mais afastado do supermercado, sem testemunhas, e recebeu o pacote fechado, com o preço escrito a caneta. E preço de peixe barato.

O vendedor foi honesto... com eles; quando abriram o pacote, em casa, o bacalhau estava lá.

O supermercado é que pagou o custo do bacalhau e recebeu o lucro da sardinha, ou de outro peixe da mesma faixa.

Um golpe comum, numa terra de golpes cotidianos, que há anos se proclama “o país do futuro” e seu povo reclama que o futuro nunca chega.

Uma das explicações dos que são flagrados cometendo irregularidades, uma de suas justificativas não justas, é o baixo salário.

Para tentar defender a ineficiência do trabalhador, usa-se há muito a ridícula frase “eu finjo que trabalho e o patrão finge que me paga”.

Típico do capitalismo pé-de-chinelo: desaparece o limiar nítido entre o certo e o errado; o honesto e o desonesto; a esperteza e a malandragem; o trabalho e o desemprego.

Mas há remédios: para o vendedor da sardinha, o olho-da-rua; para o patrão que paga mal, a pressão da concorrência; para aquele trabalhador que finge que trabalha a terapêutica que deve ser oferecida é uma opção entre o trabalho efetivo ou a companhia do ex-peixeiro.

Para curar o paciente, estes remédios precisam ser aplicados a todo momento, em todos os lugares.

Num esforço de constante vigilância, punição e correção.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h53
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A cueca vermelha do Suplicy e o caso do deputado que foi cassado por causa dela

No dia 14/10/2009 o senador paulista Eduardo Suplicy aceitou o pedido da apresentadora Sabrina Sato, do Pânico na TV, de vestir uma cueca vermelha sobre o terno, dentro do Senado.

A palhaçada causou algum celeuma, mas obviamente não vai dar em nada porque, no fundo, não tem lá muita importância.

Tinha tanta roupa por baixo da cueca que ela não passava de uma decoração.

Repercussão bem maior teve outra cueca legislativa: em 1949 o deputado Barreto Pinto foi cassado por ter posado só com ela (da cintura para baixo) para o mais famoso fotojornalista brasileiro (parisiense de nascimento), Jean Manzon.

Pesou bastante o fato de a cueca não estar sobre o terno, mas sobre a pele do Barreto Pinto.

Uma cueca sobre a pele do Barreto Pinto: isso deve ter rendido mil piadas na época, apesar da pudicícia de antanho.

Todos os relatos que já li dizem que o Pinto (o Barreto) era uma figura “circense” e, por isso, não era levado a sério.

Também contam que ele foi enganado pelo fotógrafo, que teria garantido que a cueca — do tipo samba-canção, quase um samba-enredo de tão grande — não ia aparecer na imagem.

O jornalista Murilo Melo Filho, que no ano passado acendeu 80 velinhas, contou no seu livro autobiográfico Testemunho Político (2ª edição, 1999, Editora Elevação) que o Barreto Pinto foi eleito deputado federal com apenas 400 votos (página 92), aproveitando as sobras de Getúlio Vargas, candidato de uma só vez a dois cargos (deputado e senador) por vários estados brasileiros.

Sempre haverá quem interprete que os políticos brasileiros eram mais moralistas naquela época, mas o mesmo Murilo Melo Filho informa que o provocador Barreto Pinto ainda exigiu que o jornalista Carlos Lacerda (que depois seria governador do Rio de Janeiro) fosse proibido de frequentar o plenário.

Mas a gota d’água que transbordou seu copo foi outra, como conta Murilo na página 96: “O processo de cassação arrastava-se penosamente na Câmara, sem decisão. Mas acontece que ele tinha uma coluna no Diário da Noite e, certo dia, cometeu o desatino de noticiar que uma bela funcionária da Câmara mantinha ardente romance com um deputado, provocando naquela época um escândalo de ruidosas repercussões. Movimento coletivo de revolta na Casa terminou cassando-lhe o mandato.

Ele foi o primeiro deputado cassado pelos próprios companheiros na república brasileira (três anos depois da publicação da foto), e o legislativo federal só voltou a repetir o gesto nos anos 1980.

No site da Rádio Câmara encontrei esta descrição do caso: Edmundo Barreto Pinto foi eleito deputado pelo PTB no Rio de Janeiro. Ele teve pouquíssimos votos, cerca de 200, mas foi eleito por ser um dos suplentes de Getúlio Vargas. Nas eleições de 1946, Vargas foi eleito deputado em 10 estados e senador em dois. O veterano jornalista Carlos Chagas escreveu o livro O Brasil sem Retoques, que retrata a história brasileira através da imprensa. É ele quem traça o perfil do deputado Edmundo Barreto Pinto. "Ele era um bonachão, um bon vivant, casado com uma mulher muito rica, morava num verdadeiro palácio no Rio de Janeiro, em Botafogo. E ele não era um deputado atuante, de jeito nenhum."

Fui pesquisar na internet o número real de votos obtido por Barreto Pinto na eleição para a Assembléia Nacional Constituinte e encontrei no site www.eleicoespos1945.com o número de 537, que lhe deu a condição de primeiro suplente de Getúlio Vargas, que recebeu 116.712 e preferiu o cargo de senador.

No mesmo site descobri um dado ainda mais interessante, e que não aparecia em nenhuma análise: cassado em 1949, ele voltou a se candidatar em 1950, quando recebeu 6.784 votos, treze vezes mais que os obtidos na eleição anterior.

Ficou como terceiro suplente e não conseguiu voltar à Câmara embora também tenha havido sobras de um grande puxador de votos, o filho mais velho de Getúlio, Lutero, que recebeu 85.645.

A multiplicação dos votos depois da palhaçada foi mais uma prova de que o eleitor brasileiro tinha, e certamente ainda tem, atração pelas figuras circenses.

O famoso jornalista David Nasser ganhou duplamente com a história: além de ter sido o autor da reportagem (geralmente trabalhava em parceria com Manzon) ainda compôs a música "Chutaram o Pinto", uma marchinha gravada por Aracy de Almeida ainda em 1949.

No YouTube tem um interessante video sobre a vida de Edmundo Barreto Pinto (1900-1972) e um trecho da música com a interpretação de Aracy, a musa de Noel Rosa (para acessar, CliqueAqui).

Abaixo estampo a cueca vermelha do Suplicy e a cueca branca (de ingenuidade?) do Barretão:



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 11h47
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O Brasil vai mal, “e ninguém faz nada?”

Um episódio pequeno e anônimo que me impressionou, até mais do que deveria: ao ser entrevistada sobre algum problema social cotidiano (provavelmente mendicância ou mau atendimento em hospital público) uma mulher quase jovem exclamou, num tom altamente dramático:

— E ninguém faz nada!

Me impressionou (impressionou-me é a forma correta, mas que é pedante, é...) o exagero dela, já que o “ninguém” é um desrespeito aos muitos alguéns que fazem a sua parte em atividades sociais, na administração pública ou no exercício do comportamento social adequado.

Creio que, embora a palavra “ninguém” envolva o conjunto social, ela estava se referindo ao Governo, pois a cultura brasileira entende que a obrigação de organizar a sociedade é dos administradores públicos: não existe a correta percepção da participação individual dos cidadãos.

Por algum estranho mecanismo de formação cultural, o imaginário popular transforma o Governo numa entidade extrapoderosa, que tem a função de tudo resolver.

Um Paizão!

Parece uma teimosa persistência, permanência e repetição dos comportamentos autoritários e paternalistas do passado, representados por monarquia, coronelismo, militarismo, machismo, autoritarismo caseiro.

O velho padrão colonial do senhor de escravos, também senhor da família, senhor dos empregados, senhor dos colonos, senhor dos eleitores.

Falta ao povo brasileiro a percepção — e também o uso prático — da correta interpretação do conceito de Poder Público.

Falta entender, de fato, que os políticos e administradores públicos são apenas seus representantes, que devem ser escolhidos com rigor e cuidado, além de fiscalizados e cobrados.

Eu apostaria — como a Madame Ninguém-Faz-Nada é anônima, não estou ofendendo — que na hora da eleição a personagem que abriu esta análise/crônica escolhe o seu candidato pela aparência física, ou por indicação de um vizinho, ou porque recebeu um cumprimento caloroso e simpático, ou qualquer outro irrelevante motivo.

E existe um número significativo de irresponsáveis que escolhe um candidato por ser maluco, ou folclórico, ou engraçado e original.

Existem até os hiperirresponsáveis, que preferem votar nos ladrões, corruptos e suspeitos de outros crimes, e depois ainda dizem que estão ajudando a “botar fogo no circo para virar a mesa”.

A sociedade brasileira é uma colcha de retalhos e remendos, e quem não consegue entender o mecanismo fica sempre estupefato, perplexo, confuso, aparvalhado.

Não consegue entender que a solução é ao mesmo tempo simples e complexa.

Simples porque bastaria que a maioria da população seguisse regras básicas de comportamento individual e coletivo para se criar uma sociedade justa e homogênea.

Complexa porque transplantar estas poucas palavras para a cabeça de milhões de adultos, culturalmente formados (e deformados) parece utopia.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h47
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Belo Horizonte estuda usar estação do metrô como rodoviária opcional

Reportagem do jornal Estado de Minas de 16/10/2009 anuncia que a BHTrans, órgão regulador do trânsito da capital mineira, pretende usar uma estação de metrô como rodoviária opcional para uma parte dos ônibus interurbanos em dias de alto movimento.

Fiquei orgulhoso da reportagem, pois defendi idéia semelhante em post neste blog no dia 06/03/09, mas sou obrigado a confessar que certamente não fui o inspirador da idéia, pois minha influência na mídia da internet é bem modesta.

Segundo a citada reportagem, “Enquanto a prefeitura não resolve definitivamente o problema da rodoviária de Belo Horizonte, a Estação São Gabriel, que integra ônibus urbano e metrô, no bairro de mesmo nome, na Região Nordeste, pode virar terminal rodoviário nos feriadões do Natal, ano-novo e carnaval. A BHTrans, empresa que gerencia o trânsito da capital, e o Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro pretendem usar a estação como ponto emergencial de embarque e desembarque de passageiros de ônibus intermunicipais e interestaduais em feriados com grande movimentação.

A decisão será tomada nos próximos dias. O objetivo é evitar cenas do carnaval deste ano, quando o trânsito no entorno da rodoviária, no Centro, parou completamente, com picos de 136 saídas no intervalo de 60 minutos. Houve casos de espera de mais de quatro horas para embarque.

Pena que, na sequência, o jornal defenda a onerosa idéia de construir uma nova rodoviária: “Mas a novela para viajar de ônibus rumo a outras cidades e estados só terá um ponto final quando a capital ganhar um novo terminal rodoviário, que não deve ficar pronto antes dos próximos quatro anos.”.

Como qualquer estação rodoviária do Brasil e do mundo, o aumento acentuado do movimento só ocorre nos dias de pico: início e final de férias escolares, feriados esticados, natal e ano-novo.

Várias estações de metrô de Belo Horizonte já foram construídas com uma área para servir de terminal de ônibus urbano, sempre subutilizada.

As dificuldades de aplicação desta idéia são certamente mesquinhas: burocracia do serviço público, interesses dos comerciantes (aí incluídos os taxistas e prestadores de serviço) e outras do mesmo naipe.

Já a construção de uma rodoviária distante, além do custo, vai trazer tantos problemas que as queixas não serão caladas, apenas transferidas de época e de argumentos.

Os irritadinhos que hoje lotam as sessões de cartas de leitores dos jornais e também os aparelhos de fax (além dos e-mails) de rádios e tevês reclamando dos problemas da atual rodoviária serão apenas substituídos pelos irritadinhos de amanhã que vão reclamar da distância, do custo do táxi, da falta de opções de lanchonetes e hotéis, do ..., do...



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h41
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Sandpit, cavalo bonito e bom

Em maio de 1993 eu ainda estava tateando na fotografia com câmera de qualidade profissional e fiz o terceiro filme entre São Paulo, Curvelo e Belo Horizonte. Em São Paulo fui assistir ao grande prêmio de turfe com o mesmo nome e achei um cavalo tão maravilhoso que reservei uma chapa para ele. Era um dos melhores potros da turma e chegou em quarto lugar na prova principal.

O nome dele era Sandpit e depois se tornou um sucesso no turfe internacional, foi o primeiro cavalo brasileiro a ganhar uma prova de grupo 1 nos Estados Unidos. Correu 40 vezes, ganhou 14 e levantou US$ 3,774,204 em prêmios para seus proprietários (a maior soma ganha por um cavalo brasileiro e somente o argentino Invasor obteve maior soma entre cavalos sul-americanos).

Estampo a foto que eu fiz na época, e infelizmente ela não faz jus a um dos mais belos e perfeitos cavalos de corrida que conheci:

 



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 23h53
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O milagre (humorismo)

Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja de uma aldeia próxima.

Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:

— Bom dia, padre.

— Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?

— Sabe, padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma AVE-MARIA.

— Não, minha filha, foi com um PADRE NOSSO, mas já o transferimos para o Paraguai.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h31
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Demétrio Magnoli diz que ‘não somos racistas, embora existam racistas no Brasil’

Através da experiência cotidiana, da observação do comportamento do meu povo brasileiro, há umas duas décadas eu formei uma convicção: não existe racismo no Brasil.

Os muitos que discordam, populares ou estudiosos, argumentam que a elevada quantidade de negros pobres ou miseráveis é uma prova.

Para mim, é mera consequência natural de um processo histórico, a escravidão.

Argumentam – outro exemplo – que a referência a uma pessoa como “negra” também é uma prova de racismo.

Para mim, ou é um preconceito pessoal ou um simples recurso de identificação.

A idéia mais absurda é dizer que o racismo sub-reptício brasileiro é pior que o racismo direto e assumido de outras nações.

Dispenso comentários...

A verdade é que o brasileiro é classista: para a classe média, o negro pobre é o “crioulo”, o negro que não é pobre é o “colega”.

A outra verdade é que a discussão é semântica, pois racismo é um conceito, e conceitos variam.

Outra questão conceitual é calcular quantos racistas individuais são necessários para caracterizar a nação como racista.

Em ambos os casos, todos estão certos e todos estão errados, depende do conceito escolhido.

Este assunto sempre foi periférico no país, até que os senhores políticos decidiram criar formas de favorecimento à raça negra.

O sociólogo Demétrio Magnoli, em grande evidência, acaba de publicar o livro “Uma gota de sangue” sobre a questão.

Em entrevista a’O Estado de São Paulo de 30/08/2009, expôs a divergência semântica ao dizer que “há racismo no Brasil” e uma dezena de linhas abaixo dizer que “não somos racistas, embora existam racistas no Brasil”.

O parágrafo completo ficou assim:

"Há racismo no Brasil. O que não há é um conceito popular de que estamos separados por raças, como nos EUA. Assim, não somos racistas no sentido de a maioria dos brasileiros não interpretar o Brasil pelo prisma da raça; e também no sentido de o Estado brasileiro não ter feito leis raciais ao longo da história. Não somos racistas, embora existam racistas no Brasil. O racismo aparece na operação ilegal de certas instituições, claramente a parte da polícia que ainda prefere parar o jovem negro a parar um jovem branco. Mas o fato é que o racismo no Brasil está sempre ligado à questão socioeconômica. A violência policial baseada no preconceito racial é muito clara nas periferias e favelas. Pessoas que não têm pele branca, mas vivem em bairros de classe média, estão menos sujeitas a uma abordagem racista da polícia. Cada vez que o racismo se manifesta aqui é um escândalo, o que mostra o caráter antirracista da nação. Isso é uma vantagem, mas os defensores de leis raciais acham o contrário. Dizem que é melhor um racismo explícito à la americana do que o racismo envergonhado à la brasileira. O racismo explícito ajuda a definir interesses de raças - necessários aos que se dizem líderes raciais.

Outro trecho interessante é a referência à situação de “mestiço” do presidente norte-americano Barack Obama:

“Nos anos 60, o que Martin Luther King fez o tempo todo foi pedir que os Estados Unidos respeitassem o princípio da igualdade previsto na Constituição americana, ou seja, ele pretendia abolir o conceito de raça da política. Barack Obama foi mais longe ao se definir como mestiço. Foi uma afirmação revolucionária, porque a mestiçagem não existe no censo e nas leis americanas. Lá, ou você é branco ou é negro, pois para se fazer leis raciais elimina-se a mestiçagem, definindo claramente a raça de cada um. E a mestiçagem é a indefinição, a não-raça. Então, quando Obama diz que é mestiço, filho de mãe branca e pai negro, ele dá um passo além de Luther King. Não se trata só de eliminar a raça da política, mas também da consciência das pessoas.

Para acesso à entrevista completa, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h28
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Regina Duarte tinha medo do Lula, eu tenho é da Dilma Rousseff

Existe um grande equívoco cultural brasileiro: resolver um problema não pela correção de rumos, mas sempre pela radical anulação do que já estava feito e, depois, reiniciar o processo.

Passar a limpo e recomeçar do zero...

Esquece que a mesma base cultural que criou o problema será a responsável pela reconstrução do sistema.

Os políticos – com seus sentidos afiados para a percepção das tendências do eleitorado – já aprenderam, e os candidatos (a cargos eletivos) estreantes ou pouco conhecidos sempre se apresentam como renovadores.

Os eleitores sempre elegem um grande número deles, na ilusão de que estão renovando o quadro dirigente.

Esta será uma das bases sociológicas da ministra Dilma Rousseff, provável candidata do presidente Lula e do PT para as eleições presidenciais de 2010.

Mas estão aparecendo, seguidamente, senões, fatos e outros indicativos contrários à sua capacidade de governar, entre os quais destaco:

a) Excluídos os ditadores militares, madame Rousseff seria um caso raro, talvez até único, de presidente da república que jamais havia sido eleito antes para qualquer cargo público pelo voto popular. Não passou pela importante experiência do Poder Legislativo. Se esta fosse uma falha isolada em seu currículo outras qualidades compensariam; mas se for somada a outras falhas importantes, transforma-se em um problema respeitável.

b) Quando assumiu a Casa Civil com a saída do ministro José Dirceu, a mídia publicou algumas análises sobre suas qualidades e defeitos. Na época, uma característica -  que reconheço ser subjetiva – se destacou: uma postura autoritária, dura até. Tenho desconfiança deste tipo de personalidade, pois entendo que ela se conecta a um certo grau de insensibilidade, à falta de reais sentimentos humanitários. O governante ideal deveria estar numa situação intermediária, mesclando a objetividade da análise econômica com a piedade ao pobre sofredor. Precisa de um equilíbrio para usar na hora de assinar medidas e atos que terão influência direta na vida das pessoas. E também para avaliar a hora adequada ou inevitável de emitir uma medida dura, ou de agir em prejuízo de muitos para benefício de outros, ou de adiar a aplicação de uma técnica recomendada por assessores com visão exclusivamente tecnocrática.

c) Diferentemente do que afirmava em seu currículo, ela não tem o título de Mestre (M.S.) nem estava fazendo doutorado. Esta descoberta derruba um dos pilares da projeção política de Dilma, sempre apresentada como uma tecnocrata com experiência política. Na verdade ela é uma universitária-padrão – o que já é muito mais do que o currículo do atual presidente da República brasileira – com uma vida profissional voltada para a política e administração pública.

d) O primeiro escândalo protagonizado por ela foi a descoberta que um dossiê com supostos gastos irregulares do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa Ruth havia sido elaborado dentro do Palácio do Planalto sob a orientação de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil da Presidência da República e braço-direito de Dilma, e entregue secretamente ao jornal Folha de São Paulo. E muita ingenuidade é necessária para se acreditar que a alta funcionária agiu sozinha, principalmente se for levado em conta que depois disso Dilma tentou até transformá-la em ministra do Tribunal de Contas da União.

e) E o escândalo mais recente: a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, relatou que no final de 2008 foi pressionada a encerrar uma fiscalização sobre o imposto de renda de Fernando, filho de José Sarney. A pressão partiu, pessoalmente, da própria ministra e de seu braço-direito Erenice Guerra. A mídia identificou na demissão de Lina uma tentativa de montar um grupo de dirigentes da Receita Federal politicamente maleáveis, já que estamos a um ano das eleições presidenciais.

Diz um velho ditado que onde há fumaça há fogo, e o fato é que à volta da mineira, belo-horizontina, Dilma Rousseff brota muita fumaça e muitas fogueirinhas, e de vários lados.

Ela tenta se vender como uma renovação, mas o gosto é de dejá vu.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h00
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A Cinelândia (RJ) em 4 imagens históricas

Apesar dos problemas, o Rio de Janeiro ganhou a indicação para as Olimpíadas de 2016.

Parabéns.

Como homenagem, estampo abaixo quatro imagens da Cinelândia (minha região preferida para hospedagem) originárias do artista gráfico Carlos Gustavo Nunes Pereira, sendo a primeira um desenho representando o ano de 1818:

1908 (abaixo):

1930 (abaixo):

2008 (abaixo):



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h13
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A Justiça brasileira aceita acusações baseadas exclusivamente em testemunho verbal

Quando dois sobrinhos foram pela primeira vez aos Estados Unidos, pedi que tivessem um comportamento cuidadoso, por causa da diferença de hábitos dos norte-americanos.

Veio-me à mente aquele episódio em que dois rapazes brasileiros brincaram com funcionários da imigração local sob a possibilidade de haver uma bomba na bagagem (aconteceu pouco depois do 11 de setembro de 2001) e acabaram cumprindo meses de cadeia.

Agora o problema se inverte: o Brasil faz o papel de intolerante.

Alguns meses atrás um grupo de alemães foi detido por ter trocado as roupas (as “de cima”) num canto do aeroporto.

Argumentaram com a lógica européia: jamais imaginariam que um povo que praticamente se despe nas praias tivesse tal pudor.

(Escrevi sobre este caso em 04/02/2009: para ler, clique em ver mensagens anteriores, no final desta página.)

No dia 1º de setembro um italiano foi preso em Fortaleza (CE), pois um casal de turistas o denunciou por supostos atos libidinosos em público com uma menina.

A polícia abriu um processo de estupro por beijar na boca a criança, que na verdade é sua filha (a mãe é brasileira).

Segundo O Globo de 14/09/09, “o gerente do estabelecimento, uma garçonete e dois monitores que faziam a segurança da piscina prestaram depoimento e negaram ter visto alguma atitude comprometedora”.

Ele só foi solto 10 dias depois do fato por causa de uma crise de hipertensão, mas o processo continua.

Obviamente não ignoro que crimes sexuais existem em qualquer país, mas não acredito na culpa dele por um motivo simples: quem faz isso, não o faz em público.

O casal acusador deu uma entrevista à TV, sem mostrar o rosto, e alegou que o italiano chegou a acariciar as partes íntimas da menina.

Mas na hora da denúncia eles certamente não sabiam que se tratava de pai e filha, e agora devem se sentir “obrigados” a jurar que falavam a verdade.

Outra questão impressionante é a facilidade com que a Justiça brasileira aceita acusações baseadas exclusivamente em testemunho verbal.

Quando a acusação envolve criança, uma simples denúncia, mesmo sem prova concreta, já inicia um processo sério para o acusado.

Esta distorção já é uma rotina na Justiça do Trabalho: até um testemunho isolado sempre garante uma boa indenização adicional para o empregado/reclamante.

 



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 08h56
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A vigilância do Poder Público reduz os acidentes de trabalho

Passei alguns dias na histórica cidade americana de Boston.

Caminhando pelo centro da cidade no dia 26/07/2009, fiquei impressionado com o trabalho de um tratorista, que com calma e habilidade manejava as garras da máquina para levantar material.

Mas outro detalhe também me chamou a atenção: dois guardas municipais vigiavam atentamente o trabalho dele.

É uma característica cultural do país: os órgãos públicos acompanham com atenção todas as atividades que podem colocar a população em risco.

Variam na forma de acompanhamento pois tais detalhes são regulados por leis locais – e não nacionais – mas a presença do Poder Público é uma característica cultural.

O que presenciei é impensável no Brasil, mas a consequência pode ser representada pelos nossos elevados índices de acidentes do trabalho, domésticos ou de tráfego.

Não fotografei a cena, mas no mesmo dia fotografei a que se segue, com um caminhão fazendo um trabalho de risco sob o olhar atento de outro fiscal municipal (à esquerda, de capa de chuva verde-brilhante, parcialmente oculto pelo poste):



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h49
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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