Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

Em Honduras, a revanche de Lula contra a ditadura militar

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, conseguiu voltar ao seu país em 21/09/09 e asilar-se na embaixada brasileira.

Ainda não apareceu nenhum relato sobre a forma com que ele conseguiu passar despercebido do novo governo (existe uma ordem de prisão emitida).

Antes da entrada secreta em seu país, Zelaya fez um périplo pelo continente, inclusive em Brasília (18/08/09) para reuniões particulares com Luiz Inácio, o presidente brasileiro.

O chanceler (ministro das relações exteriores) Celso Amorim apressou-se a dizer que ele alcançou a embaixada por “meios próprios”.

Cômica foi a declaração do embaixador Gonçalo Mourão: disse que foi surpreendido pela chegada de Zelaya e que "ele quase que se materializou na embaixada".

Juntando as pecinhas do imbróglio, não é difícil concluir que o retorno foi arquitetado com o beneplácito e a colaboração do governo brasileiro.

Qual é o interesse de Lula?

Divido a resposta por dois.

O primeiro aspecto é eleitoral: seria uma forma de ganhar visibilidade, ares de estadista, articulador da geopolítica internacional.

A fragilidade das instituições hondurenhas favorece, pois lá todos estão certos e todos estão errados: Zelaya é o presidente eleito, mas tentava obter novo mandato usando recursos irregulares; seu sucessor chegou ao poder por golpe de Estado, justificado por questiúnculas constitucionais.

O segundo aspecto do interesse de Lula tem um caráter pessoal: é a revanche do representante popular contra a ditadura militar.

Ele ajuda lá onde fracassou cá, pois defendendo Zelaya está dificultando um golpe militar contra um líder popular, democrático, populista até.

Incentiva uma postura ideológica contra as ditaduras, principalmente as militares.

Mas não tem coragem de comprovar a sua participação, no máximo faz constantes declarações a favor do presidente constitucional e da instituição da democracia.

Ainda há muita água para rolar debaixo desta ponte.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h17
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O viaduto que é vítima da segmentação dos serviços públicos

Perto de minha casa, no bairro de Santa Tereza (Belo Horizonte-MG) existe um viaduto mal cuidado.

Liga a rua Paraisópolis à Avenida dos Andradas e tem bastante movimento, o que não sensibiliza a prefeitura, que age apenas para “tapar” o problema mais recente e mais grave.

A segmentação dos serviços públicos é uma característica brasileira: a equipe que corta a árvore é uma, a que conserta o passeio é outra, a que mexe na parede é outra, a que lava a mureta também, a que troca a lâmpada é outra, a que pinta as faixas é outra; e ainda há outra e outras.

Em parte a culpa é da terceirização, que surgiu e expandiu exatamente por causa da incompetência do setor público em usar os próprios meios para resolver o problema.

E o jovem viaduto se envelhece precocemente, para risco e desconforto dos usuários.

As duas fotos abaixo ilustram bem.

A da esquerda é de um ferro que faz parte de uma proteção sobre a linha metrô-férrea, e que fica projetado na passagem de pedestres.

Às vezes ele aparece com a ponta exposta, provavelmente pela ação de algum moleque sádico que se torce de êxtase pela perspectiva de atingir e ferir algum passante.

Aí algum passante de bom coração entorta a ponta em direção à parede até que outro moleque recomece o ciclo, que já fez um ou dois aniversários.

A foto da direita também ilustra a improvisação da população quando Poder Público se omite.

A árvore cresceu e espalhou a galhada sobre a passarela de pedestres, e a poda só aconteceu pelas mãos dos diretamente interessados, por quem pagou (impostos) para outrem fazer o serviço, mas nada aconteceu.



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 11h55
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‘Capitalismo’ é um conceito impreciso em economia

O  economista Eduardo Giannetti da Fonseca é um dos mais conhecidos “intelectuais da mídia”.

Está sempre aberto a entrevistas, o que deixa de narizes torcidos os acadêmicos que só valorizam o intelectual hermético, distante dos holofotes.

Em uma de suas aparições midiáticas (O Estado de São Paulo, edição de 02/11/2008) ele se refere ao uso excessivamente generalizado da palavra capitalismo:

Eu evito a palavra "capitalismo", porque não sei mais o que isso significa. Usar o mesmo termo para descrever o sistema econômico do século 16 até hoje é duvidoso.

E termina com uma pessimista expectativa de uma crise econômica que será provocada pela questão ambiental (poluição, desmatamento, etc):

Acho que a crise virá, mas ela será imposta por crises ambientais. Essa é a minha intuição. A humanidade vai caminhar para situações agudas de desequilíbrio climático e ambiental, e aí o imperativo de encontrar outras formas de organizar nossa existência na sociedade vai se impor de maneira muito mais sofrida e violenta. Vai ser pelo caminho da dor, da calamidade, da maneira mais custosa, mais burra. Infelizmente.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h13
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Tiroteio entre polícia e bandidos até num haras de cavalos de corrida

A tecnologia salvou o Haras Ponta das Canas, uma criação de cavalos de corrida (raça Puro-Sangue Inglês) de um assalto em Limeira-SP.

Na noite de 24/09/09, cinco bandidos invadiram a fazenda e até conseguiram desligar algumas câmaras de vídeo-vigilância interna, mas uma empresa de segurança acionou a polícia.

O saldo foi negativo para os criminosos, pois dois morreram no tiroteio.

No dia seguinte, no Rio de Janeiro, um bandido foi morto por um atirador de elite da Polícia Militar enquanto segurava uma refém.

Estava com uma granada na mão que, se explodisse, lançaria estilhaços letais na refém e chamuscaria a popularidade da polícia e do governador.

Tenho uma posição definida quanto aos confrontos entre policiais e criminosos: os agentes da lei podem atirar para matar sempre que estiverem sob risco de morte.

É uma questão de objetividade; as visões diferentes não se justificam.

As visões mais radicais são de origem religiosa (jamais tirar a vida de outro ser humano) ou revanchista (a execução pelas próprias mãos).

Espero que o caso não desanime o Haras Ponta das Canas, que está se iniciando nesta atividade nhuma época em que a tônica é a redução constante deste mercado.

Alguns links para aprofundar as informações acima:

Para o assalto ao haras, CliqueAqui.

Para ver o video da execução do assaltante no Rio por um atirador de elite, CliqueAqui.

E para entrar no site do Haras Ponta das Canas, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h38
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Político brasileiro prefere adiar decisões do que enfrentar uma reação

O político brasileiro tem uma mania estranha, curiosa e errada...

Esta não parece ser uma boa forma de começar um artigo sobre o político brasileiro, pois esta categoria tem centenas de formas de comportamento errático.

Estou pensando, especificamente, na atitude de omissão quando um determinado assunto se torna controverso, gera polêmica.

Quando aparece a necessidade de uma decisão que vai gerar ônus eleitoral, a opção mais desejada pelo seu responsável brasileiro é a de se omitir, de adiar até a perda de fôlego dos polemistas.

Às vezes, até manda para a mídia informações vagas sobre “embaraços jurídicos” para disfarçar a omissão e, de quebra, ganhar a fama de cauteloso e responsável.

E consegue até dificultar, para o analista, o ato de separar o joio do trigo, entender até onde termina a dificuldade administrativa e começa a omissão.

A destinação do antigo mercado distrital de Santa Tereza, em Belo Horizonte, está exatamente neste caso.

A cidade tinha quatro mercados distritais, administrados pela Prefeitura, abrigando lojistas e suas mercadorias.

Mas a administração incompetente, confrontada com o crescimento das redes de supermercados, deixou os distritais às moscas.

Quando a Prefeitura anunciou que o quase desértico distrital de Santa Tereza seria transferido para a Guarda Municipal, um sentimento saudosista, bairrista em seu sentido literal, apareceu, gerando passeatas e manifestações lideradas por uma associação comunitária.

O então prefeito Fernando Pimentel recuou e saiu pela tangente: criou um concurso para a apresentação de projetos sobre uma nova destinação.

O concurso também acabou em controvérsias, discussões e críticas, e o novo prefeito Márcio Lacerda guardou o problema no fundo da gaveta, onde certamente vai continuar até que os polemistas o esqueçam.

O prédio – como aconteceu com os outros distritais – fica sob cadeado ou subutilizado como se dinheiro público fosse algo de pouco valor, e sem dono.

Pelo mesmo rumo segue a questão da nova estação rodoviária de Belo Horizonte o projeto está pronto, mas as reações foram tantas a Prefeitura usou tática semelhante: inicialmente falou em novo projeto (construção de três ou quatro pequenas estações) e agora entrou na fase de engavetamente e arrefecimento dos ânimos dos interessados.

Eu mesmo, neste espaço mais pessoal do que público, várias vezes defendi a idéia de que construir uma rodoviária cara e distante seria um problema maior do que enfrentar o aborrecimento dos dias de pico de feriados e férias.

São exemplos de um comportamento padrão do político brasileiro, uma tática de defesa, criando uma situação de omissão em que a sociedade não sai ganhando.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h46
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O “manchetismo”, ou a tática de prender o leitor através do título escandaloso

Segunda-feira, 20/09/2009, caiu uma chuva forte à tarde em Belo Horizonte; a rede de transmissão elétrica foi atingida e vários bairros ficaram horas sem luz.

Manchete de capa do jornal Estado de Minas (o de maior circulação no Estado) no dia seguinte, em letras enormes, garrafais: “Temporal alaga, destrói e deixa a cidade em trevas”.

O texto da matéria a respeito, na página 23, é mais brando: Um temporal, com rajadas de vento de mais de 60 km/h, marcou a despedida do inverno ontem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A chuva causou deslizamentos, inundações, queda de árvores e deixou centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica. A causa foi a chegada de uma frente fria ao estado e a convergência de umidade, altas temperaturas e muita energia na atmosfera.

A matéria não fala em mortos, feridos ou desabrigados.

No título, destaque para os verbos dramáticos alagar e destruir; na primeira frase do texto, a poética alusão à “despedida do inverno”.

Título sensacionalista é uma tradição secular do jornalismo; o uso da hipérbole – a multiplicação da realidade – faz parte do processo.

Dez ou 20 anos atrás meu pai estava turistando em Caldas Novas (Goiás) quando ouviu a notícia de que Belo Horizonte estava “debaixo d’água”.

Telefonou bastante preocupado e respondemos que realmente chovera horas antes, mas nem sabíamos que estávamos submersos.

De outra feita a TV também anunciou que a cidade de Orlando, nos EUA, estava debaixo d’água, mas não havia vítimas, nem mesmo feridos.

Como poderia uma cidade de mais de 200 mil habitantes, larga e espalhada, estar submersa e não haver vítimas?

Mas a resposta era simples: submersa era uma força de expressão, bem mais força do que expressão.

O fato é que existe uma relação safada entre mídia e público, algo meio sádico-masoquista.

A mídia sabe que o título absurdamente exagerado não vai levar a uma perda de leitores, mas também sabe que nas rodinhas humanas será ouvida à exaustão uma frase do tipo “é por causa destes exageros que vou parar de ler este jornal, só tem mentiras”.

Sábia, repete a dose no dia seguinte, no dia seguinte ao seguinte.

Ad infinitum, ou até a mentalidade de seu público mudar.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 10h25
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Curvas perigosas (cuidado com a capotagem...)

Sempre que eu passo de ônibus pelo Aterro do Flamengo (Rio de Janeiro), no curvão que liga – ou separa? – as praias de Botafogo e Flamengo, tenho a sensação que ele vai virar ou capotar. Em agosto do ano passado (vou ao Rio todos os anos neste mês para ver o Grande Prêmio Brasil de turfe) fiquei assustado com o ônibus que ia à minha frente, parecia que ia virar.

Coincidentemente, na semana seguinte (exatamente no dia 12/08/2008) o jornal O Globo fez uma reportagem sobre curvas (de asfalto) perigosas, mal planejadas. A foto da capa, que estampo abaixo, foi tirada nomesmo local e parecia a imagem que vi dias antes:



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 16h24
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Quem disse que mineiro é bobo? (humorismo)

Um mineirim chega bêbado num bar e pergunta:

– Você poderia, me vender uma pinga fiada?

O dono do bar responde:

– Tá vendo aquele cara bem forte e alto, é o seguinte: de tanto ele malhar seu pescoço ficou pequeno, e quem chama ele de pescossim leva uma baita surra. Se você chamar ele de pescossim, eu te vendo fiado por um ano!

O bêbado chega até a mesa da uma batida nas costas do cara e diz:

– Meu amigo, como vai?

– Mas eu nem te conheço.

– A gente pescô junto!

– Não pescô não!

– Pescô sim!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h33
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Um belíssimo cavalo de salto

Os alemães são, indiscutivelmente, um povo que produz resultados concretos e eficientes, que sabe trabalhar.

Na criação de cavalos – Equideocultura – eles também conseguiram sucesso, inclusive na formação de raças de atletas. Exportam para todo o mundo.

A foto abaixo é do saltador que tem o nome de Sidney, e pertence à raça Hanoveriano. O flagrante foi feito em 13/09/2009 no Centro Hípico Chevals, situado em Nova Lima, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Uma massa de músculos, destreza e beleza. E um gênio fantástico.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h37
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Lula indica advogado “comum” para o STF

Quem me perdoem os muitos advogados que conheço, mas Supremo Tribunal Federal é lugar só para os medalhões, os fora-de-série, os gênios da raça.

O último ministro de currículo fraco que chegou lá foi o primo de Collor, Marco Aurélio.

Mesmo assim ele havia chegado, antes, a ministro do Tribunal Superior do Trabalho com provável ajuda do clã familiar, o principal da política alagoana, estado mais “coronelista” do Brasil.

Agora o presidente Lula indicou para o STF um advogado que nunca havia conseguido sequer virar juiz de primeira instância, fracassando nos concursos de que participou.

O colunista da Folha de São Paulo Josias de Souza deu a informação em seu blog:

É no item “notório saber” que a situação do doutor se complica. Não possui doutorado nem mestrado. Não levou à prateleira nenhum livro.

 E, pior: tomou bomba num par de concursos públicos. O indicado de Lula sonhara tornar-se magistrado. Foi às provas em 1994. Reprovado. Nova tentativa em 1995. Bombado de novo.

De resto, Toffolli carrega atrás de si um rastro de serviços prestados ao petismo. Advogou para o PT em três campanhas de Lula (1998, 2002 e 2006).

Assim é a cultura brasileira, em seu velho uso privado do que é público: Lula está terminando o governo, então vai deixar um amigo num cargo importante.

A nação que se dane!

E de lambuja garante um forte apoio na tramitação dos processos de seu interesse. Ou no engavetamento.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h42
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O serviço público atrai uma legião de parasitas

A mídia brasileira noticia, periodicamente, escândalos envolvendo disputas por cargos e empregos públicos.

Expressões como “nepotismo” e “trem da alegria” são gritadas na mídia e, antes de serem esquecidas, sempre reaparecem com outros personagens.

Os escândalos geralmente têm como protagonistas pessoas que disputam os cargos à margem dos concursos públicos, pois geralmente são avessos ao esforço de vencer na vida por meios lícitos ou naturais.

Quando ganham cargos, o único compromisso é com o padrinho político; o dever com o trabalho e com a nação só existe no discurso, nas aparências.

Estão sempre à procura de novos padrinhos para garantir a permanência, ou um novo cargo.

São parasitas sociais, só buscam o proveito pessoal.

O espírito zombeteiro do brasileiro criou algumas expressões para identificar e criticar esses parasitas, como estas que ouvi há poucos dias:

— Fulano não tem certidão de nascimento: tem ato de nomeação!

— Nunca tirou carteira de motorista, pois nasceu num carro oficial.

Conheci muitos personagens que se enquadram nesta categoria; me lembro especialmente de dois.

Um deles, já falecido, chegou a exercer interinamente um mandato legislativo estadual, depois passou por vários cargos públicos levado pelas mãos de padrinhos influentes.

 O outro faz parte do extenso grupo que tem o cargo público na genética: tinha um ascendente influente e dele recebeu o gosto pela vida pública, gosto que se resumia à nomeação e ao salário, e que jamais se misturava com trabalho, com esforço, ou com dedicação.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h24
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Deputado Edmar Moreira move 44 processos contra a mídia nacional

Existe uma velha história — quase um provérbio — na mídia: se o cachorro morde o dono, é problema da medicina; se o homem morder o cão, então é notícia, é manchete.

O fato é que o público prefere as notícias bizarras às convencionais, e a mídia sai à cata delas para sobreviver.

O deputado federal Edmar Moreira era um político discreto até tomar posse no cargo de corregedor da Câmara Federal; os repórteres decidiram pesquisar se ele tinha uma vida pública imaculada, adequada para o cargo, e rapidamente descobriram que era proprietário de um prédio suntuoso numa área rural da pequena cidade mineira de São João Nepomuceno.

 Parecia um castelo, e assim o caso foi tratado.

A vida do deputado foi devassada, e outras supostas irregularidades foram encontradas.

Mas agora ele partiu para o contra-ataque: segundo a Folha de São Paulo, Edmar Moreira abriu 44 processos contra a mídia.

Também existem processos contra ele mas, como tem foro privilegiado, ou terão tramitação lenta ou serão arquivados.

O que lhe dá grande vantagem: posa de vítima mas não tem condenação definitiva, e isto pesa nos processos de calúnia que está movendo.

Segue uma reportagem da Folha (online) a respeito:

15/09/2009 - 08h27

Dono de castelo move 44 processos contra órgãos de imprensa

RANIER BRAGON, da Folha de S.Paulo, em Brasília

O deputado Edmar Moreira (PR-MG) move na Justiça de Minas Gerais 44 processos em que cobra de vários órgãos de imprensa, locais e nacionais, indenização por danos morais.

Além de jornais regionais e segmentados, como o "Estado de Minas", "O Tempo" e a "Folha Universal", o deputado aciona jornais e revistas de circulação nacional, como a Folha, "O Estado de S. Paulo", "O Globo", "Veja" e "IstoÉ", TVs --"Band", "SBT" e "Record"--, o site UOL (ligado ao Grupo Folha), jornalistas e apresentadores, entre eles José Luiz Datena, Jô Soares, Marcelo Tas e Hebe Camargo.

Edmar foi corregedor da Câmara por sete dias. Ao tomar posse, em fevereiro, defendeu que a Justiça, e não mais o Conselho de Ética da Casa, passasse a julgar os deputados acusados de quebra de decoro. Ele renunciou ao posto uma semana depois e pediu desfiliação do DEM devido à repercussão da notícia de que havia colocado à venda um castelo no interior de Minas Gerais, com torres de até oito andares e 36 suítes.

Réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de ter se apropriado de contribuição previdenciária de funcionários, além de ser investigado, também no STF, por suspeita de crime contra a ordem tributária (inquérito que corre em segredo de Justiça), teve processo arquivado pelo Conselho de Ética da Câmara em julho. A suspeita era de uso de verba pública para pagamento de sua empresa de segurança por serviços não prestados.

Edmar afirma que já pagou o que devia ao INSS e diz que construiu o castelo com renda de suas empresas de segurança, tendo o repassado a dois filhos.

Dos 44 processos movidos pelo deputado, 2 já tiveram decisão: um, contra o jornal "Folha Universal", foi julgado procedente, e o veículo foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização, mais a publicação da sentença em espaço proporcional à notícia veiculada. Outro, contra "O Tempo", não foi aceito e Edmar foi condenado a pagar R$ 1.000 pelos honorários e custos do processo. Em ambos os casos, cabe recurso.

Os 44 processos correm em diversas varas cíveis. A consulta pela internet não dá acesso à íntegra. Mas a Folha apurou que a reclamação básica de Edmar é que a imprensa informava sobre o castelo e levantava suspeita de que ele o havia omitido das declarações de renda.

A Folha tentou falar com o deputado na sexta-feira e ontem. Seu gabinete informou que nem ele nem os advogados dariam entrevistas.

A maioria dos processos é contra os jornais mineiros "Estado de Minas" e "O Tempo". No caso da Folha, os processos são contra o jornal, o site UOL e os jornalistas Fernando Rodrigues e Josias de Souza.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 11h48
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Homossexualismo vira acusação na encrenca do piloto Nelsinho Piquet

O tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet sempre foi um homem diferenciado.

O adjetivo mais brando que ganhou foi “irreverente”; predominavam os de antiético, malandro e inescrupuloso.

No início dos anos 1990 insinuou que Ayrton Senna era homossexual: a história “pegou” e só foi esquecida com a morte deste.

Eu até acreditei que o namoro com Xuxa era um golpe publicitário para ajudar a abafar a boataria; no velório entendi que havia sido um fato real.

O troco à insinuação chegou com esta crise em que o filho de Piquet acusou o diretor da Renault Flávio Briatore de ter comandado uma irregularidade grave: um acidente proposital para beneficiar o outro piloto da equipe, Fernando Alonso.

O esperto e briguento italiano percebeu que homossexualismo é tabu no Brasil e insinuou que seu acusador Nelsinho Piquet é gay.

É a lei do Bate e Leva. O troco pode demorar, mas chega.

Segundo o Estadão de 12/09/09, O chefe da equipe, transtornado, ainda deu a entender que Nelsinho é homossexual. "Ele vivia com um senhor de uns 50 anos num apartamento em Oxford. Não se sabe que tipo de relação possuíam. Seu pai (Nelson Piquet) estava preocupado e me pediu para intervir." Briatore disse que só citou o fato por estar sendo acusado por Nelsinho de ter interferido até na relação com pessoas próximas.

Para piorar a situação de Nelsinho Piquet, ainda não apareceu a mais tímida prova da participação de Briatore na batida.

Mas o piloto confessou; e réu confesso é culpado comprovado.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h17
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A classe média alta também saqueia caminhões tombados

Indo para o Chevals, um belo clube de hipismo situado em Nova Lima (MG), fiquei preocupado com o retorno, pois havia um grande engarrafamento na outra pista.

(Era um início de tarde de domingo, 13/09/2009.)

Fiquei na torcida de que o problema estivesse resolvido no fim da tarde, quando eu retornaria. Minha torcida deu certo.

No dia seguinte descobri o motivo ouvindo o programa de Eduardo Costa na Rádio Itatiaia: a Polícia Rodoviária Federal estava procurando os saqueadores da carga de um caminhão que havia tombado.

O jornal Hoje em Dia assim contou o episódio:

Dezessete pessoas foram presas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) após saquearem a carga de um caminhão, carregado com eletrodomésticos na BR 040, que tombou no quilômetro 589 da rodovia sentido Belo Horizonte/Rio de Janeiro. O tumulto causou congestionamento de quase 10 quilômetros na rodovia, uma vez que a PRF fechou a pista para fiscalizar os veículos. De acordo com os policiais quase 80% da carga foi saqueada. Com medo da fiscalização muitos motoristas descartaram as caixas no meio da rodovia.

Ainda ouvi o final da entrevista de Eduardo Costa com alguém da PRF, que classificou os 17 presos como pessoas da classe média, ou média alta, que passaram o fim de semana nos condomínios de Nova Lima e estavam retornando para a capital mineira.

Contou que havia carro abarrotado de mercadoria saqueada, principalmente aparelhos de DVD.

O repórter não perdoou, leu os nomes dos 17 presos e fez algumas ironias.

Disse que um deles, de nome árabe, seria parente de Ali Babá e os 40 ladrões.

Saquear carga de caminhão tombado já virou tradição brasileira, mas como um ato sempre associado às classes pobres.

A cultura brasileira tem uma idéia arraigada, gravada a ferro em brasa:

— Outras pessoas estão pegando a mercadoria, então em não serei o primeiro. Já que tudo será perdido, melhor eu ficar com alguma coisa do que deixar para alguém que vai chegar depois.

Reconheço que os processos dificilmente chegarão às últimas consequências, mas garanto que ser chamado de ladrão e responder a processo policial é bem desagradável.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 15h54
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Uma placa desinformativa

É notório no Brasil o descuido com a informação dirigida ao cidadão, ao público.

A placa abaixo foi fotografada na entrada de uma estação do metrô do Rio de Janeiro.

Informa o horário de funcionamento e indica a alternativa para o passageiro fora deste horário.

Textualmente: Dirija-se ao acesso da Av. Rio Branco nos seguintes dias e horários.

Acontece que esta placa está colocada sobre um acesso da avenida Rio Branco.

Quem escreveu quis dizer que o passageiro deve procurar outra entrada, mas ignorou o fato de que a Avenida Rio Branco é bem grande e não informou as opções.

Um caso de descaso.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h10
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O multimilionário Antônio Luciano se escondia da morte

 

Nos anos 1970 e 80 fiz poucas reportagens sobre assuntos gerais: esportes especializados e turfe eram, então, o meu segmento de mercado de trabalho na imprensa.

Perdi a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a vida do excêntrico milionário Antônio Luciano Pereira Filho, o mais folclórico mineiro da época.

Mas ainda consegui acompanhar de perto um caso que merece ser contado: a destruição do glamouroso Cine Metrópole, na rua Goiás esquina com a rua da Bahia (Belo Horizonte-MG).

Luciano dominava o mercado de cinemas da capital mineira, entre eles o Metrópole, mas em meados do governo Tancredo Neves (1983-85) a imprensa anunciou que ele estava vendendo o prédio para o Banco Bradesco.

É importante explicar que o Metrópole era bem mais que um salão aberto: inaugurado em maio de 1942 era luxuoso e belo, com rica decoração.

Iniciou-se uma campanha para o tombamento do cinema e o governador decretou o início do processo, o que suspendia a negociação.

Dias depois a imprensa recebeu a denúncia de que, a mando de Antônio Luciano, um grupo de operários teria entrado dentro do prédio durante a madrugada e destruído tudo o que tinha valor histórico a marretadas (mármore, azulejo, ferro fundido etc).

Eu trabalhava na sucursal do jornal O Globo, e a chefia da redação encarregou o repórter Guilherme (não me lembro do sobrenome) de apurar a história.

Encontrei na internet um artigo dos historiadores Carlos Henrique Rangel e Cristina Pereira Nunes que me permitiu situar este momento da história em junho de 1983. Para acessar o artigo, CliqueAqui.

Apostamos no fracasso da tentativa de uma entrevista com o velho coronel, pois dizia-se então que ele estava num estágio idêntico ao final da vida do famoso multimilionário americano Howard Hughes: transformou o 10º andar de seu Hotel Financial em residência e lá se escondia da morte e da doença.

Quase não saía de lá, não recebia pessoas, exigia um ambiente esterilizado e até luvas para os poucos que ainda tinham acesso.

Para surpresa dos demais repórteres, o Guilherme conseguiu falar diretamente com Antônio Luciano, que negou tudo.

E olha que não teve tempo suficiente para passar óleo de peroba em sua enorme cara-de-pau.

Mas a negação de Luciano era falsa e o impasse estava criado, pois a decoração interna era o que tinha mais valor histórico no prédio.

A comissão nomeada por Tancredo opinou pela inutilidade do tombamento e o governador, velha raposa política, cancelou o decreto e manipulou a situação para evitar punições e desdobramentos do assunto.

Aproveito para presentear o leitor com fotos do Cine Metrópole, extraídas da internet:

A imagem acima dá uma idéia da importância social do Cine Metrópole. Provavelmente é dos anos 1940.

A imagem acima é do final dos anos 1960. O Metrópole exibia o filme mexicano "O Direito de Nascer", que iniciou seu sucesso latinoamericano em dezembro de 1966.

Em 1983 o passado é demolido junto com as paredes do histórico cinema.

 



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h52
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A saga do Desvirginizador Antônio Luciano continua nos tribunais

Iniciei meus contatos com o meio jornalístico aos 16 anos e ali comecei a trabalhar, efetivamente, aos 17.

Nas conversas com os mais velhos — quase todos estavam nesta categoria, as exceções eram os foquinhas que apareciam — o assunto-campeão era a vida do multimilionário superexcêntrico Antônio Luciano Pereira Filho.

Toda a sua vida era comentada, mas o destaque era para a sua tara por mulheres jovens e virgens, muitas das quais ele engravidou (um vizinho garante que ouviu da boca de um filho dele que ele teve aproximadamente 100 filhos).

Sua morte, em 1990, gerou nova saga: a disputa judicial pelo seu gigantesco patrimônio.

A revista semanal Época, de 06/09/2009, voltou ao assunto com uma reportagem sobre a dona de casa Sueli dos Reis Brandão, de 54 anos, que se apresentou como filha, neta e ex-amante do ricaço.

Simultaneamente, acreditem!

Diz a matéria: Ela diz ser fruto de uma suposta relação incestuosa entre Antônio Luciano e uma de suas filhas, Ana Lúcia Pereira Gouthier. Afirma também ter sido amante do próprio pai, um personagem que nem Nélson Rodrigues teve a ousadia de criar.

Há um detalhe importante que a repórter Ivana Ferrari não descobriu (mas que não invalida o seu trabalho): Ana Lúcia, a suposta mãe, era filha adotiva do “coronel”.

O advogado dela deu uma declaração no mínimo curiosa: segundo a mesma revista, Mello não acredita que a Justiça determinará a realização do exame de DNA no caso de Sueli. “Ela não apresenta nenhuma prova que possa levar a Justiça a determinar isso”, diz.

Se o exame de DNA é considerado seguro, por que o advogado está tentando impedir a simples realização dele?

A mesma matéria informa que o jornalista Durval Guimarães está preparando um livro sobre Antônio Luciano.

Trabalhei com o Durval no extinto Jornal de Minas em 1973 ou 74 mas mal nos conhecemos, eu era um menino e ele foi um chefe que não durou tempo suficiente para criar diretrizes na minha área (esportes especializados).

É muita coragem dele planejar um livro sobre Luciano, pois o Brasil é um país antidemocrático na divulgação da vida privada de personagens públicas: os juízes, com frequência, proíbem a venda de livros que não tiveram o pleno aval dos herdeiros dos biografados.

E a História se ressente: as personalidades brasileiras mais recentes ou são relegadas ao esquecimento ou somente são retratadas de acordo com o ponto-de-vista de seus herdeiros legais.

Ponto-de-vista quase sempre positivo: algumas vezes o motivo é sentimental, mas quase sempre eles exigem que sejam citados apenas os aspectos da obra que favoreçam os interesses financeiros de quem herdou os direitos autorais.

A verdade que se dane!

Para acessar a reportagem completa, CliqueAqui.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h40
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Práticas ultrapassadas na lida dos cavalos de corrida

Da mesma forma que a saúde humana, a medicina veterinária sempre conviveu com métodos de tratamento inusitados.

Alguns deles eram modismos que duraram pouco, mas outros ultrapassaram gerações e até séculos.

Pelo turfe passaram vários, muitas vezes com o mesmo tempo de duração do marketing de alguns vendedores de serviço, dos donos das técnicas.

O cavalo de corridas é um atleta e sofre muito com lesões esqueléticas: é nesta área que os modismos proliferam.

Nos meus primeiros anos de Jockey ouvi falar – mas nem conheci – as agulhas radioativas, que eram aplicadas sobre as áreas lesadas.

No mesmo início dos anos 1970 apareceu em Belo Horizonte um veterinário gaúcho (eu até me lembro do nome, mas acho mais adequado falar do pecado do que identificar o santo) que se propunha a fazer uma cirurgia para retirar um osso “inútil” dos cavalos para evitar os prejuízos em caso de fratura.

Melhor explicar: a História Natural ensina que o cavalo já teve cinco dedos, depois evoluiu para três e agora só tem um, mas ainda existem vestígios do segundo e do quarto na canela, nas laterais do grande osso metacarpiano.

Ocasionalmente, este osso rudimentar (também conhecido como acessório) quebra e interrompe temporariamente a carreira do cavalo.

O detalhe-chave é que esta fratura ocorre em um percentual insignificante, e a opção pela cirurgia preventiva só seria racional durante um acesso de irracionalidade de um pessimista patológico.

Por modismo, ou por desconhecimento, ou por pessimismo patológico ele operou vários cavalos naqueles tempos há muito idos.

Outra prática que persiste há séculos e séculos é a sangria: na falta de um bom diagnóstico, o recurso é retirar, e depois atirar literalmente pelo ralo, alguns litros de sangue.

Até alguns veterinários defendem a teoria que o ato produz um choque fisiológico positivo, levando o organismo a acelerar o metabolismo para suprir a perda, ocasionando uma melhoria que persiste mesmo depois da recuperação.

O aspecto negativo é que a sangria é usada de forma rotineira e frequente por cuidadores de cavalos: além do óbvio desconhecimento da medicina veterinária, eles trabalham sob pressão por melhores resultados e menores gastos.

Retornando às mais frequentes lesões esqueléticas, a técnica da cauterização química tem um pouco mais de eficiência do que a sangria, mas também padece do mau uso.

Ela consiste em aplicar produtos químicos na pele, sobre o osso ou a parte inflamada deste.

A filosofia do funcionamento é a mesma: o estímulo fisiológico.

Acreditam os especialistas que o cauterizante químico produz forte inflamação na pele e vai levar o organismo a se mobilizar para resolver o problema.

Como a lesão óssea está contígua, ela também se beneficia desta mobilização local e o tempo de recuperação se acelera.

Usei este procedimento algumas vezes e não tenho dúvidas de que funciona: é um adjuvante do tratamento, jamais um “curador milagroso”.

Mas muitos cavalos já sofreram miseravelmente nas mãos de leigos que agiram como os antigos curandeiros populares: por desconhecimento ou ignorância aplicaram os produtos errados, ou do jeito errado.

Meu contato cotidiano com eles, principalmente nos galpões e cocheiras dos hipódromos brasileiros, me ensinou que os cuidadores leigos associam a agressividade do cauterizante à sua eficiência: quanto maior a lesão da pele, melhor para a cura.

Em resumo: acham que se a pele não ficar ferida, é porque não funcionou.

Se a ferida for grande, extensa e feia, seu cauterizante ganha fama.

E o sofrimento do cavalo se transforma em cruel alegria para o seu pretenso protetor e cuidador.

Fecho com um pequeno exemplo:

Antônio de Oliveira Santos, o Dudu, foi jóquei, treinador e funcionário administrativo nos dois hipódromos de Belo Horizonte entre os anos 1940 e 1990, e até hoje é lembrado como “inventor” de um cauterizante que “arrebentava” a pele.

Espertamente ele difundiu o apelido de “formigueiro” e nunca contou a fórmula, que desapareceu com a sua morte.

Seus contemporâneos sem conhecimento técnico ainda se recordam que era o “remédio para queimar” que provocava as maiores e “mais perfeitas” feridas que eles conheceram.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 09h28
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Os cactus do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, localizado no bairro da Gávea, em frente ao belo e querido hipódromo, é do tempo do Império. Fiz lá um passeio recente e estampo abaixo duas belas fotos de cactus (lá tem um cactário bem variado):



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h57
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A rua é local de uso público, não é moradia

São Paulo é a maior cidade do Brasil. Em tudo. Inclusive em miséria humana.

E o uso da rua, do espaço público, varia – conceitualmente – do Primeiro para o Terceiro Mundo.

A tolerância do Terceiro Mundo permite que este espaço seja usado como moradia, com reflexos negativos tanto para o próprio morador quanto para a população restante.

O sociólogo José de Souza Martins escreveu a respeito o artigo “Perdidos na noite”, publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 10/05/2009, caderno Aliás, do qual extraí estes o 1º e o 6º parágrafos:

Se os 15 mil moradores de rua da cidade de São Paulo vivessem em dois territórios contínuos, poderiam legalmente pleitear em plebiscito a criação de dois municípios. Com isso, elegeriam suas câmaras municipais e seus prefeitos, criariam uma rede de serviços públicos, escolas e hospitais, e suas administrações municipais receberiam recursos e subsídios do governo federal, como ocorre com cerca de 2 mil municípios brasileiros desse tamanho. Ou, se se proclamassem índios, poderiam ser tutelados pela Funai, seriam filhos putativos do governo brasileiro e poderiam ter suas reservas, como as têm os índios do Pico do Jaraguá e os de Santo Amaro dentro do município de São Paulo. Ou, se se juntassem ao MST teriam condições de acolhimento no programa de reforma agrária do governo federal, obteriam um pedaço de terra e financiamentos. Em vez de comer à custa alheia, alimentariam milhares de pessoas com saudáveis alimentos orgânicos.

[...]

Ao mesmo tempo, a transformação das praças e ruas do centro da cidade em sala de estar e dormitório dessa massa de desvalidos acaba conflitando com as funções sociais da rua e com os direitos legítimos dos transeuntes e dos usuários regulares da cidade. Reivindicar a permanência do morador de rua na rua, como se fosse um direito, que não é, e fosse alternativa legítima à política de assistência, com que supostamente é amparado, é tão absurdo quanto o é a coerção para que se desloque para a periferia. Porque tanto a rua quanto o albergue, ainda que por caminhos diferentes, são agências de dessocialização desse morador sem rumo, que, na anômala sociabilidade de um caso e de outro, perde a referência dos valores de sua integração social, cobre-se de estigmas que o discriminam e marginalizam e desanda para situações de desajustamento sem retorno.

Para acesso à íntegra, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h58
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Cronista mineiro quer saber se perueiro é do bem ou do mal...

Maurício Lara é um jornalista mineiro que se destaca com cronista no jornal Estado de Minas: assina uma coluna chamada Pois É que é publicada às terças, quintas e sábados, no caderno Gerais.

Em 05/09/2009 abordou uma questão que sempre me interessou: a dificuldade do brasileiro para enquadrar moralmente o profissional que trabalha com atividades ilegais.

Projetou seu foco sobre os motoristas de vans clandestinas (perueiros): a atividade é ilegal, mas eles são pessoas que estão lutando pela sobrevivência em uma atividade que é idêntica à de outros profissionais legalizados.

Destaco o seguinte trecho central da crônica, intitulada Do bem ou do mal?:

Entrar em uma perua que passa na hora do pico parece ser uma solução tentadora. Mas, só parece. A ideia de sistema pressupõe que o coletivo passe na hora do ponto cheio, mas que apareça também na hora das vacas magras. O perueiro, pela lógica individual, não vai andar ‘batendo carroceria’, como os ônibus são obrigados a fazer, para não deixar os passageiros de horas mortas a ver fios nos pontos de ônibus. O perueiro só quer o filé, nada de carne de pescoço.

Há também a questão das vistorias mecânicas, da qualificação dos motoristas, da vigilância das empresas, preocupadas com a responsabilidade civil que precisam honrar em casos de acidentes, da gradativa deterioração dos veículos, que precisam ser substituídos de tempos em tempos...

Mas é difícil para o cidadão, que só quer voltar para casa e descansar em paz, entender todo esse raciocínio complexo e cheio de variáveis. Ele se cansa de esperar um ônibus que nunca vem e que, quando chega, está lotado e agarrado no trânsito caótico. É mais fácil ceder à tentação das portas abertas da van, que promete uma viagem rápida, ainda que mais insegura. O passageiro pergunta à autoridade pública porque ela não organiza e fiscaliza os perueiros, para diminuir o risco.

O passageiro só quer transporte e é isso que o perueiro oferece. Além disso, o motorista clandestino esgrime argumentos como trabalho digno, sustento da família etc e tal. E não há dúvida de que aquele motorista e seu auxiliar estão ali ganhando a vida, ainda que por trás surjam esquemas estranhos e ainda mais clandestinos de controle de rotas.

Esta ambiguidade moral praticamente não existe no chamado Primeiro Mundo: o que é legal é permitido, o que é ilegal é proibido.

O sentimento da piedade permanece, mas sufocado pelo da justiça e da legalidade.

Por essa e por outras é Primeiro Mundo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 16h57
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Vanusa dá vexame tentando cantar o Hino Nacional

A cantora Vanusa, sucesso no movimento (meio infantilóide...) da Jovem Guarda dos anos 1960, praticamente acabou com sua carreira em março deste ano, quando não conseguiu cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Com a voz semelhante à de bêbados e drogados, ela errou a letra várias vezes.

Depois atribuiu o problema a uma droga medicamentosa: "Eu ia cantar o Hino Nacional, mas tenho labirintite. Antes de ir para a Assembleia, eu tive uma discussão séria com meu filho. Tomei dois comprimidos de Vertix e fui fazer. Quando comecei a cantar, deu um estouro no meu ouvido e eu não conseguia concatenar a voz com o que eu estava lendo. Eu não enxergo direito. Eu fui caindo e me pegaram", contou a cantora, segundo o site G1, do grupo Rede Globo.

Teve a sorte de o incidente passar quase despercebido até agosto, quando o video caiu na internet, postado no YouTube, o principal site de videos do planeta Terra.

A tendência é que agora terá divulgação intensa e pode zerar sua agenda profissional, que já era pequena por ser uma veterana meio esquecida.

E também uma antiga barraqueira: em entrevista na revista Isto É de 27/10/1999 ela contou que já havia passado por sete casamentos, quase sempre entremeados por brigas violentas, físicas inclusive.

Histórico tão manjado que deixa clara a incompetência de quem organizou o Primeiro Encontro Estadual de Agentes Públicos e a contratou para cantar o hino nacional.

Além de culpar o filho, ela aproveitou a citada entrevista ao G1 para culpar a empregada por uma queda em casa e reclamar de estar estressada.

O fato é que Vanusa quebrou uma regra básica da vida profissional de qualquer trabalhador: jamais transportar os problemas pessoais ou domésticos para o ambiente de trabalho.

Para ver a ridícula performance dela, CliqueAqui.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h27
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O espírito de tolerância brasileira segue matando inocentes todos os dias

No dia 07/08/2009, um caminhão perdeu a direção na estrada que liga Brasília ao Rio de Janeiro, passando pela capital mineira, e atingiu uma van que transportava cinco militares da Aeronáutica.

Três morreram na hora e o quarto no dia seguinte.

O lugar se chama “curva do sabão”, tal o número de carros que derrapam e causam acidentes.

O governo federal até tenta fazer a sua parte: a pista (naquele trecho) está frisada para aumentar a aderência, é larga e está bem sinalizada.

Segundo os jornais do dia seguinte, estourou um pneu do caminhão:

O desastre aconteceu às 8h45 de ontem, quando uma carreta carregada com 27 toneladas de minério ficou desgovernada por causa do estouro de um pneu dianteiro e, avançando pela contramão de direção, bateu com uma van da Aeronáutica, que foi esmagada e jogada a mais de 40 metros de distância, em uma ribanceira. (jornal Hoje em Dia, 08/08/2009)

“Acidentes acontecem”, diriam os simplistas, com alguma razão.

Com muito mais razão, diriam os especialistas: “mais de 90% dos acidentes semelhantes poderiam ser evitados se fossem seguidas as regras básicas da legislação do trânsito e conservação de veículos”.

Um caminhão carregado é como os aviões que atingiram o World Trade Center: ao impacto soma-se o grande peso e, em alguns casos, uma carga inflamável.

Quando os pesos-pesados das estradas se chocam com automóveis, vans e ônibus escolares, a morte e as graves lesões se multiplicam, afetando muitas famílias no equilíbrio emocional e no sustento econômico.

A carreta carregada de minério que matou aqueles quatro militares só parou quando encostou na mureta, e estragou apenas a lataria.

No Primeiro Mundo, os órgãos públicos seguem uma regra para evitar acidentes com caminhões de carga: rigorosa fiscalização preventiva.

No Brasil, esta forma de prevenção só acontece na aviação, mesmo assim porque o risco é maior e existem regras internacionais.

(O que não foi seguido nos dois últimos grandes acidentes aéreos – Gol em 29/09/2006 e TAM em 17/07/2007 –, ambos provocados por uma triste somatória de erros.)

Mas os caminhões não são devidamente fiscalizados e matam todo dia.

Inclusive militares, colegas de serviço público dos fiscais que não fizeram o seu trabalho adequadamente.

Existem leis destinadas à prevenção de acidentes nas estradas mas, infelizmente, elas não são devidamente cumpridas.

Campanhas educativas fazem parte dos métodos preventivos, mas não são a única forma de resolver o problema, como apregoam os ingênuos ou burros.

Fiscalização intensa e punição rigorosa, sem piedade nem tolerância, são os pilares na prevenção de acidentes com estes mísseis do asfalto.

Só a objetividade e o entendimento adequado da realidade é que garantem resultados positivos na luta contra os problemas sociais.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h10
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Em memória ao grande jornalista Geraldo Mayrink

Morreu em São Paulo, em 28/08/09, o respeitado jornalista Geraldo Mayrink. Em homenagem, e numa tentativa (mais simbólica do que objetiva) de manter na memória coletiva o seu trabalho, transcrevo a matéria que o jornal Folha de São Paulo publicou no dia seguinte:

GERALDO MAYRINK (1942-2009)

Escrevia sem sofrimento, com humor, graça e leveza

TALITA BEDINELLI

DA REPORTAGEM LOCAL

"Os jornalistas, em geral, escrevem penosamente. Alguns escrevem sem sofrimento nenhum, mas transferem esse sofrimento para o leitor. Geraldo Mayrink produzia coisas notáveis, sem sofrimento para ele ou para quem lia seus textos", afirma o amigo e colega de profissão Humberto Werneck.

Mayrink foi um jornalista completo: capaz de pensar em boas reportagens, realizá-las e editá-las. O resultado final era um texto de absoluta graça e leveza, lembra o amigo. Em 1972, descreveu assim Mané Garrincha para uma reportagem da revista "Veja": "Suas pernas formavam um arco. A esquerda, onde a deformação era mais notável, tinha seis centímetros mais que a outra. Já era um milagre que andasse. Inadmissível que jogasse futebol".

Mayrink começou a carreira em Juiz de Fora (MG), sua cidade natal, no semanário "Binômio", uma espécie de precursor do "Pasquim". Passou pelas redações da revista "Manchete" e pelos jornais "O Globo" e "Jornal do Brasil", no RJ. Mudou-se para a "Veja", em São Paulo, em 1968, após ser convidado pelo jornalista Mino Carta para participar da equipe de fundação da revista.

Exerceu a profissão por 46 anos. Havia três, lutava contra um câncer de pulmão e de boca. Morreu anteontem à tarde, em São Paulo. Deixou a mulher e um casal de filhos. A missa de sétimo dia será quarta-feira, às 9h, na igreja Nossa Senhora de Fátima, em Pinheiros, na zona oeste da cidade.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h36
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O autor e seus objetivos


Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

Crônicas e análises - Assunto: qualquer um.

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Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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