Michael Jackson foi uma vítima da mídia e da Justiça
Possivelmente a morte de Michael Jackson começou no dia em que ele recebeu a notificação do primeiro processo judicial por abuso de criança.
Segundo a mídia, ele se safou através de um acordo com os pais da suposta vítima, mas teve que desembolsar 30 milhões de dólares.
Mas na acusação seguinte foi levado a julgamento, algemado como um criminoso, e depois absolvido.
Sobre a sua morte real, provavelmente os especialistas vão concluir que ele tinha um quadro psicológico de grave insegurança, que o levou a um uso indiscriminado de medicamentos.
Um medo mórbido da sociedade, compatível com a pressão sofrida nos dois processos judiciais, fartamente noticiados pela mídia local e internacional.
Mais do que noticiados, tratados com bastante sensacionalismo. Um massacre.
O grande público reage a este tipo de noticiário de três formas: crédito total, imparcialismo e descrédito absoluto.
Quanto mais educada e evoluída a sociedade, maior o número de pessoas imparciais, que devem ter formado uma grande maioria neste caso.
Convenhamos que é muito difícil para um ser humano condenar ou inocentar alguém que não conhece pessoalmente, baseando-se apenas nas informações da mídia ou das autoridades policiais e judiciárias.
Mas a soma dos que acreditam nas denúncias com aqueles que preferem acompanhar o noticiário (mas não têm segurança para se posicionar) confere às duas instituições (mídia e Justiça) liberdade para tratar o assunto com dureza.
E as autoridades policiais e judiciárias, lá como cá, erram muito, como se vê estampado diariamente na mesma mídia que já havia produzido grande publicidade para o caso que carregava os equívocos.
Por que as autoridades erram?
Excluída a pequena cota de erros inevitáveis, naturais, acidentes imprevisíveis, sobra a grande cota da irresponsabilidade humana.
Irresponsabilidade manifestada na sede pelos holofotes, pela fama e pelo sucesso rápidos, com o objetivo de vantagem profissional ou de vazão de uma vaidade obsessiva, mórbida.
No âmbito da Justiça vale lembrar o distanciamento da realidade humana que os bacharéis do Direito adquirem, consequência de uma vida que transcorre quase exclusivamente no interior dos gabinetes e escritórios, através das longas leituras e estudos.
Este ser humano é mais moldado pelos livros do que pelo contato pessoal, pelo acesso, pelo convívio, pela sociabilidade.
Por estas trilhas seguem a abertura indiscriminada de processos, a procura de provas e indícios incriminadores, o desprezo pelas provas e indícios inocentadores, e os julgamentos precipitados.
E por que erra a mídia?
Basicamente por comércio, pelo lucro rápido que é intermediado pelo aumento de leitores, telespectadores e rádio-ouvintes.
E pelo aparente respaldo que lhe dão suas fontes de informação: polícia, Justiça, testemunhas, informantes.
Tem o discurso – ou desculpa – de apenas ter transmitido informações repassadas por terceiros, que frequentemente são órgãos oficiais, públicos.
Parece desnecessário, mas nunca é demais dizer que não falo de toda a mídia, de toda a corporação policial ou de toda a Justiça, mas entendo que o leitor está familiarizado esta sinédoque, tomando a parte pelo todo.
Uma prática que não é minha, é uma técnica de uso generalizado.