Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

Governo brasileiro não vai conferir os itens de segurança dos carros importados chineses

 

Em 1973, com apenas 18 anos, virei editor de esportes especializados do Jornal de Minas, um jornal impresso e diário de Belo Horizonte, desaparecido na década seguinte.

Era uma página diária a ser redigida sobre todos os esportes, excluindo o futebol.

Tinha dois repórteres-auxiliares pouca coisa mais velhos do que eu, que depois se transferiram para as mais valorizadas páginas de futebol.

Havia também os colunistas que escreviam gratuitamente e tinham vinculação pessoal com os seus segmentos: um deles era o corredor Boris Feldman, que escrevia sobre automobilismo.

Ele continua firme no mercado, agora como apresentador do programa Vrum, que passa na TV Alterosa todas as manhãs de domingos.

Na manhã de hoje (31/05/2009), Boris abordou um assunto interessante: o governo brasileiro não testa os itens de segurança dos automóveis, aceitando como verdade absoluta as informações dos fabricantes.

E destaca: “acreditar num documento que a empresa faz para o carro dela mesma é pedir raposa para tomar conta do galinheiro”.

Para acessar o video, CliqueAqui.

Acrescentou, também, que este assunto aumentou de importância com a perspectiva da vinda de carros chineses cuja qualidade está sendo internacionalmente contestada.

Encontrei também uma matéria que ele escreveu sobre o assunto para o jornal Estado de Minas e transcrevo a parte inicial:

Ninguém questiona, ao comprar um carro, o critério de homologação para ser comercializado no mercado. O cliente imagina que ele tenha sido submetido a diversos testes e só depois de aprovado, pode circular no país.

Mas não é bem assim. Quando o fabricante lança um novo modelo, ele é submetido a testes de emissões de gases e ruídos. Porém, não é avaliado nos itens de segurança, embora exista uma regulamentação específica a ser respeitada.

Ora, se existe uma lista de exigências, como verificar se o modelo se enquadra e aprová-lo para comercialização?

Simples: o fabricante leva ao governo um documento de autocertificação, declarando que o produto se enquadra em todas as exigências legais. E estamos conversados.

E no caso de carros importados, que não contam com fábrica no Brasil?

O governo achou uma solução: o importador traz o documento de homologação do veículo no país de origem. A regra vale para automóveis importados dos EUA, Europa, Japão, Coreia do Sul, Argentina e México. Algumas da exigências locais não solicitadas em outros países são resolvidas pelas importadoras quando os carros aqui desembarcam. O extintor de incêndio, por exemplo. Países de primeiro mundo perceberam que se tornou inútil nos carros mais modernos e já não o exigem. No Brasil, o lobby dos fabricantes “fala” mais alto e os importadores são obrigados a instalar o equipamento. Às vezes, em condições precárias e que podem até comprometer a segurança, no caso de um acidente.

Mas está na hora de questionar a autocertificação, pois começamos a receber veículos produzidos na China. Além da péssima imagem de qualidade, os carros chineses são muitas vezes reprovados nos testes de segurança realizados por institutos independentes europeus (EuroNCAP, por exemplo).

O governo brasileiro tem consciência do problema. Mas não pode estabelecer outro critério para os produtos chineses, para não caracterizar um desequilíbrio no tratamento comercial entre países. Chana, Effa, Jinbei, Hafei são marcas já comercializadas no nosso mercado. A Chery começa a importar em junho. E ninguém põe a mão no fogo pela segurança de quem se aboleta nessas máquinas de integridade duvidosa.

Para acessar esta matéria, CliqueAqui. Pena que a página da internet não estampe um detalhe importante: a data.

Nas fotos, Boris Feldman e a apresentadora do programa, Mônica Veloso.

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 11h19
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Jornalista brasileiro escreve livro sobre a famosa blogueira cubana

Há dois ou três anos a mídia internacional começou a noticiar o curioso caso de uma blogueira cubana que consegue publicar diariamente, ou pelo menos freqüentemente, textos críticos ao regime comunista local.

O jornalista brasileiro Sandro Vaia se interessou, foi à ilha, entrevista a moça, e escreveu um livro (A Ilha Roubada - Yoani, a Blogueira Que Abalou Cuba, 180 págs.).

Estive em Cuba em 2005 (vide o Diário de um Turista em Cuba, na coluna da direita deste blog) e saí com a impressão de que o governo não se preocupa com as críticas que pululam nas conversas pé-de-ouvido, mas é rigoroso com a imagem que transparece nos meios de comunicação.

Provavelmente tolera esta moça exatamente porque ela tornou-se internacionalmente conhecida; persegui-la causaria grande repúdio.

Seguem trechos de uma reportagem sobre o livro publicada n’O Estado de São Paulo de 24/05/09:

Para colher material para o livro, Sandro foi a Cuba, onde conversou não apenas com a blogueira, como conta em entrevista ao Estado: "Eu fiquei quase um mês só em Havana e falei com muitas pessoas comuns, do povo, convivi com várias delas, visitei casas de famílias (...)”

Yoani, motivo desse esforço de reportagem, mora num apartamento modesto em Centro Havana, bairro pobre da capital cubana. É lá que pensa e escreve esse blog (http://desdecuba.com/generaciony) de posts simples, breves, que falam do seu cotidiano na ilha de Fidel e Raúl. Ou seja, relata as dificuldades de sobreviver, de marcar uma consulta médica, deslocar-se pela cidade e pelo país. Tal simplicidade, direta e sem rodeios, atingiu o alvo de maneira extraordinária. Como diz Sandro Vaia, talvez Yoani seja hoje a blogueira mais conhecida do planeta. O blog começou de forma modesta em abril de 2007 e hoje alguns dos seus posts recebem até 6 mil comentários, o que deve ser recorde de popularidade. A média de comentários gira em torno de 2 mil por post. É o sonho de consumo de qualquer blogueiro.

Mas colocar esse blog no ar é, literalmente, uma operação de guerra. Como na ilha a internet é controlada, Yoani não tem acesso ao próprio blog. Para postar, ela escreve o texto em um computador sem conexão com a internet. Salva o texto num disquete, vai até um hotel ou lan house e o envia por e-mail a amigos. Estes o traduzem em vários idiomas e mandam o texto para o servidor, hospedado fora de Cuba. São esses amigos internacionais que administram os comentários e mandam uma versão condensada para que Yoani os leia.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h46
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As mulheres são mais sensíveis ao álcool do que os homens

Recentemente, um amigo me garantiu que – por experiência própria – está aumentando muito o índice de alcoolismo entre as mulheres.

O médico e articulista da Folha de São Paulo Dráuzio Varella publicou em 23/05/2009 um artigo afirmando que as mulheres são mais sensíveis ao álcool, o que vai criar uma soma de consequências negativas.

Selecionei os trechos abaixo do texto:

Apesar do empenho feminino em busca da igualdade, por um capricho da natureza, o metabolismo do álcool nas mulheres não é, nem jamais será igual ao nosso. Se administrarmos para mulheres e homens a mesma dose, ajustada de acordo com os índices de massa corpórea, elas fatalmente apresentarão níveis sanguíneos mais elevados.

O efeito de uma cerveja no corpo feminino equivale ao de duas tomadas por um homem de mesmo peso.

A bebida pode causar problemas ao feto. A ingestão de álcool durante a gestação eventualmente provoca distúrbios fetais que vão do retardo de desenvolvimento, à chamada síndrome alcoólica fetal.

Você, leitora que resistiu até aqui, não adianta ficar com ódio de mim. Caso não esteja grávida, a mulher pode beber, mas pouco, talvez um ou dois drinques por vez. Como a carne é frágil, se você exagerar neste sábado, dê um tempo amanhã, depois e mais alguns dias. Contrariar a natureza é guerra perdida.

O texto só pode ser acessado na Folha por assinante e não está disponível no site oficial do doutor (certamente por questões contratuais), mas, com certeza, nos próximos dias alguém o disponibilizará na internet. Quem não tiver paciência de esperar, pode me mandar um e-mail.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h32
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A beleza de um cavalo galopando

A câmera fotográfica da Canon precisou de alta velocidade (dividiu um segundo em 1.250 vezes) para gravar o galope do cavalo Fafo como se ele estivesse parado e, ao mesmo tempo, correndo. Uma imagem para embelezar o meu blog, obtida no Hipódromo de Cidade Jardim, em São Paulo, dia 17 de maio. Apesar da beleza e da majestade ele foi apenas o sexto colocado, mas enfrentou os melhores corredores do Brasil na faixa de distância de um quilômetro e meio.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 19h26
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Jornal incentiva o contribuinte a desistir de devolução no imposto de renda

A função da mídia é orientar é beneficiar o público, mas o jornal Estado de Minas, pelo menos nesta questão da restituição do imposto de renda retido irregularmente sobre férias de trabalhadores, continua trafegando na contramão.

E escolheu este assunto como manchete principal dos dias 5 e 24 de maio deste 2009, sendo o último um domingo, o dia de maior circulação e alcance do jornal.

Mas a opção foi pelo terrorismo fiscal, como se depreende do primeiro parágrafo da matéria de capa (24/05/2009):

Trabalhadores que tiveram desconto sobre as férias vendidas entre 2003 e 2007 têm direito a restituição dos valores, conforme informou o fisco recentemente. O valor estimado para devolução é de R$ 2 bilhões. Para receber parte desse dinheiro é preciso fazer declarações retificadoras. Mas deve-se pensar duas vezes. Se o empregador não enviar a confirmação dos dados, o que é facultativo, o contribuinte vai cair na malha fina.

Por toda a página 12 estampa uma entrevista com o o supervisor nacional do Imposto de Renda, Joaquim Adir, de título assustdor: “O trabalhador vai cair na malha fina”.

A abertura ficou na medida para desestimular o contribuinte a recuperar o dinheiro que lhe foi equivocadamente tomado pelo governo brasileiro através da Receita Federal, seu braço arrecadador:

Quem tem direito à devolução do Imposto de Renda (IR) pago a mais sobre a venda de férias deve pensar duas vezes antes de entrar com a retificadora. A chance de cair na malha fina é grande, se os dados da declaração não baterem com os informados anteriormente pela empregadora.

Mais adiante, a repórter apresenta uma questão ao representante do Leão: “Há comentários de que a Receita está dificultando a devolução do imposto porque não quer devolver mesmo”.

É para atordoar qualquer contribuinte.

Repito as obervações do post de 05/05/09 sobre a primeira matéria, também manchete de capa do Estado de Minas: a Receita Federal não tem capacidade operacional para fazer uma verificação ampla sobre este assunto.

Auditores são profissionais caros: eles só fazem o exame detalhado das declarações de uma pequena amostragem dos contribuintes e, se este novo grupo for incluído, vão deixar de examinar casos claramente suspeitos, financeiramente muito mais importantes para o governo federal.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h31
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Um maravilhoso cavalo de corridas

Príncipe dos Mares não é um dos melhores cavalos de corrida do país, mas é o mais bonito dentro do primeiro time. Correu em segundo lugar até a metade da reta final no Grande Prêmio São Paulo, mas cansou e foi ultrapassado pela maioria dos concorrentes. Eis a foto dele no galope de apresentação (o cânter):



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 15h56
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Mulheres são filmadas em banheiros no Rio

Esta história merece ser publicada, inclusive para ajudar a manter nos sites de busca o nome do psicopata-paranóico que gravava imagens ocultas em banheiros femininos.

Frederico Freire Lemos de Souza ultrapassou a fase (também ilegal) de simples voyer ao colocar algumas filmagens nos sites de vídeo.

Segue a matéria publicada no site G1, da Rede Globo:

Trinta mil reais. Esse foi o valor da primeira sentença dos seis processos movidos nas áreas cível e criminal da Justiça do Rio contra Frederico Freire Lemos de Souza, ex-diretor executivo da União Brasileira de Compositores (UBC). Segundo as investigações ele filmou mais de duas mil mulheres em banheiros com a câmera de um telefone celular e divulgou algumas na internet.

A decisão foi da 50ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio e ainda cabe recurso. Procurado pelo G1, na manhã desta sexta (22), o advogado de Frederico não retornou às ligações.

Foi sentada em um vaso sanitário do banheiro do trabalho que uma funcionária da UBC percebeu uma luz vermelha, que descobriu ser de um celular, camuflado embaixo de uma bancada. Depois de investigação policial, elas descobriram que algumas ainda haviam ido parar em sites estrangeiros de pornografia.

“Ele será julgado, diante do mesmo fato, por artigos de leis diferentes, nos códigos penal e civil. Pode ser atentado ao pudor, injúria, difamação...”, enumera o advogado Michel Assef Filho, que cuida de processos de quatro das vítimas. No inquérito, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática afirma que as imagens publicadas foram retiradas do ar.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h44
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Fim de tarde em São Paulo

Domingo, 17 de maio, foi o dia do tradicional Grande Prêmio São Paulo de turfe, o esporte das corridas de cavalos. O Hipódromo de Cidade Jardim fica encravado no meio dos milhares de prédios do centro nervoso do país, dá um ar bucólico e anacrônico, ares de tempos idos. A foto abaixo foi tirada uma hora depois da corrida tradicional, sob as últimas luzes do sol. Os cavalos que aparecem não são de corrida: são Clydesdale, pesados especialistas em puxar trenó nas neves do norte europeu.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 19h58
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Cobrança do imposto de renda na caderneta de poupança tem objetivos políticos

O ministro da fazenda do governo Lula, Guido Mantega, anunciou que a partir de 2010 o imposto de renda vai incidir sobre as cadernetas de poupança com saldo superior a R$ 50 mil.

O pessimista economista do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), Alexandre Chaia declarou, em matéria publicada no site UOL, que “com a mudança na poupança, o governo não está resolvendo o problema de fuga da renda fixa, pois os fundos que estão perdendo recursos são os de varejo, que cobram taxas de administração entre 2% e 4% e estão ficando inviáveis em relação à poupança”.

É pessimista porque, ademais, teme uma futura “bolha imobiliária”, como aconteceu nos Estados Unidos e causou reflexos em toda a economia mundial.

Então, quais são os reais motivos do governo lulista-petista?

Existe um que é óbvio, mas que ainda não vi analisado: aumentar o caixa do governo, criar dinheiro para o clientelismo tão necessário nas campanhas eleitorais.

Dentro de um ano e dois meses as cartas estarão na mesa na disputa dos governos federal e estadual: candidatos a governadores, deputados e senadores estarão em início de campanha.

Este raciocínio seria teoria conspiratória ou apenas rotina na política do Terceiro Mundo?



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h01
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Os humoristas nos divertem com as façanhas sexuais do presidente do Paraguai

Título de materinha na internet falava (em 11/05/2009) que o presidente paraguaio Fernando Lugo não sabe quantos filhos tem.

Já apareceram três casos confirmnados; a mídia fala numa lista de seis.

E ele fez estes filhos quando era bispo da igreja católica.

O assunto é um dos preferidos dos humoristas.

Um deles, José Simão, da Folha de São Paulo, mostrou em vídeo do site UOL a quadrinha (de cinco versos) abaixo:

E aproveitou para criar seus conhecidos jogos de palavras: No começo da carreira ele não era seminarista, era "inseminarista".

No video da vespera, também apresentou a maliciosa charge abaixo (a máscara é uma referência à gripe suína):



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 12h04
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Um flagrante bem brasileiro

 

Esta cena ocorre em plena avenida José Cândido da Silveira, bairro Cidade Nova, Belo Horizonte, capital mineira. Uma construção baixa, de um andar mas de quase 30 metros de largura está abandonada há anos. Foi invadida por um grupo de carroceiros e virou uma garagem de burros.

 



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 20h18
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Explorando os estagiários (humorismo)

Um presidente de empresa, casado há 25 anos, está na maior dúvida se transar com a mulher, depois de tanto tempo de casamento, é trabalho ou prazer. Na dúvida, liga pro diretor-geral e pergunta. O diretor liga pro vice-diretor e faz a mesma pergunta. O vice-diretor liga pro gerente-geral e pergunta. E assim segue a corrente de ligações até que a pergunta chega ao Jurídico e o advogado-chefe pergunta pro estagiário que está todo afobado, fazendo mil coisas ao mesmo tempo.

— Rapaz, você tem um minuto pra responder: quando o presidente transa com a mulher dele é trabalho ou prazer?

— É prazer! — Responde o estagiário prontamente e com segurança.

— Ué? Como é que você pode responder isso com tanta segurança?

— É que.... se fosse trabalho, já tinham mandado eu fazer!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h19
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Um soldado de baixa patente na ditadura militar

Um personagem do cotidiano.

Seu Afonso é um taxista de 66 anos que trabalha nas ruas de Belo Horizonte, capital mineira.

Tem sua história de vida, muita coisa para contar, como todo ser humano.

Ou quase todos: tenho um vizinho que está passando pela vida, é um ser passivo que passa as manhãs e as tardes em curtas caminhadas nas proximidades de sua casa (no bairro de Santa Tereza), ou sentado num banquinho.

Não cumprimenta ninguém, mal conversa, apenas contempla indefinidamente o passar das horas.

Seu Afonso veio de uma pequena cidade do interior e foi policial militar num momento especialmente problemático: a ditadura dos generais, que começou em 1964 e terminou duas décadas depois.

Contou-me que já era sargento quando recebeu ordens de dar cobertura a uma equipe da polícia federal.

Mas os federais chegaram arrombando a porta e atiraram na barriga do procurado antes que este pudesse se manifestar.

Na volta, relatou a violência e o crime aos seus superiores, e em troca foi advertido, pois a operação era da polícia federal e ele tinha apenas que cumprir as ordens de dar apoio.

A partir daí percebeu que passou a ser visto com desconfiança na corporação, e logo os fofoqueiros começaram a espalhar que ele seria simpatizante dos esquerdistas.

“Isso não é serviço para mim”, pensou; pediu baixa e virou taxista.

Uma história que certamente está longe de ser única: uma das distorções da ditadura política é separar as pessoas em dois únicos grupos, os amigos e os inimigos.

O veterano taxista faz parte do grupo dos felizardos: muitos militares acabaram presos ou mortos por uma suposta simpatia que, geralmente, não passava de puro sentimento humanitário.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 13h44
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Uma arapuca para o contribuinte ou para o leitor?

Recentemente a Receita Federal anunciou que devolverá cerca de dois bilhões de reais aos contribuintes que venderam 10 dias de férias aos seus empregadores nos últimos anos, indevidamente recolhidos.

O jornal Estado de Minas de hoje, 05/05/2009, mancheteou o assunto e anunciou na capa, em letras garrafais “Receita arma arapuca para contribuinte”.

Lendo a matéria com atenção, percebo que a escolha da palavra arapuca é um exagero, segue o velho refrão jornalístico de carregar nas tintas do título, que é o chamarisco do leitor.

Esta é a suposta arapuca: “A mesma instrução normativa que dá o direito ao contribuinte de receber o dinheiro de volta torna facultativa a decisão ao empregador. Se a empresa se recusar, o empregado corre o risco de cair na armadilha do Leão. Explica-se. Como os dados informados na retificação do trabalhador não vão bater com os já informados pela empresa em anos anteriores, ele vai cair na malha fina.

A abordagem da reportagem vai acabar prejudicando os contribuintes mais assustadiços e beneficiar indevidamente os cofres públicos: por medo do Leão, muita gente que tem este direito vai optar pelo prejuízo.

Um exercício de raciocínio lógico derruba a armadilha: a Receita Federal não tem capacidade de contratar e treinar auditores com a finalidade específica de examinar as declarações destes muitos milhares de contribuintes.

Seus avançados programas de computação vão, certamente, excluir da malha fina os casos abrangidos pelo equívoco dos 10 dias de férias.

Auditores são profissionais caros e raros: eles só fazem o exame detalhado das declarações de uma pequena amostragem dos contribuintes e, se o grupo da arapuca for incluído, eles vão deixar de examinar casos claramente suspeitos.

Por parte do governo, são dois graves erros: o recolhimento indevido de um dinheiro do cidadão e a transferência do ônus para a vítima, que precisa refazer as declarações de renda (2004 a 2007) para recuperar o que lhe foi tirado.

Mas a reportagem poderia ter evitado um caminho que vende mais jornal mas desinforma e assusta o leitor.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 09h59
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Ainda a questão dos feriados e das “emendas”: comentários adicionais

Adentrei na juventude no período de relaxamento do regime militar que governava o Brasil (mais exatamente no fechamento do governo duro do general Emílio Garrastazu Médici).

Ouvi falar – deve ser verdade – que um dos atos de primeiro momento dos revolucionários de 1964 foi reduzir o número de feriados no país.

— Era uma farra que só incentivava a preguiça e prejudicava a economia. — me explicou, então, algum direitista.

(Um esquerdista diria a mesma coisa, mas acrescentaria que os legisladores deveriam ouvir as vozes da nação primeiro.)

Mas a democracia voltou e trouxe mais feriados oficiais.

A cultura do ócio e da preguiça aproveitou e trouxe o enforcamento da segunda-feira de carnaval patrocinado pelos acordos trabalhistas.

E instalou a praxe das “emendas”, da inclusão voluntária de algum dia colado como parte do feriado, promovida pelos preguiçosos e pelos que não sentem o fechamento das portas e das caixas registradoras nos próprios bolsos.

Vale o mesmo fecho: uma consequência típica de uma sociedade que não tem o trabalho como dogma, e acredita que o Primeiro Mundo só é rico porque é mais antigo, ou porque é imperialista.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 14h12
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Primeiro de Maio deveria ser o dia do trabalho, e não da preguiça

Se um E.T. chegar ao planeta Terra e for informado que o primeiro dia de maio é dedicado ao trabalho, o que ele pensaria?

Certamente ia concluir que, neste dia, as pessoas sempre trabalham dobrado, como forma de homenagear a mais fundamental das atividades humanas.

Eia cair de susto ao descobrir que no Brasil e em muitos outros países se comemora o trabalho... não trabalhando.

Nosso país tem muitos feriados, quase todos por motivos frágeis ou controversos.

O catolicismo é a principal causa dos feriados, e aí começa a controvérsia: isto é politicamente correto com as demais religiões? Ou com os ateus?

O feriado de Tiradentes festeja um possível movimento revolucionário de independência que sequer eclodiu.

Os feriados municipais geralmente são usados para festejar o dia que é dedicado ao santo(a) padroeiro(a) da cidade, ou seja, é utilizado para os interesses espirituais de uma só religião.

O carnaval, originalmente, só é feriado na terça-feira; a segunda-feira e a manhã de quarta-feira foram incorporados depois.

Seguindo a tendência cultural, a tarde de quarta-feira não tarda a integrar em definitivo o período de ócio.

Sobram os justos feriados da independência do Brasil, da proclamação da república e de finados.

A questão que se discute não é o valor dos feriados como descanso, como oportunidade para passeios e quebras de rotina.

O descanso é importante, mas para isso já existe a tradição internacional da tarde de sábado e do domingo inteiro.

A grande contradição está na legislação que defende e exige a separação entre Igreja e Estado, mas obriga toda a nação a respeitar os preceitos de uma única religião.

Uma religião que ainda é seguida por uma maioria que mas está longe de ser a totalidade, e o Estado é, constitucionalmente, laico.

A tudo se soma a opção do serviço público, organizações em fins lucrativos, microempresas e preguiçosos de “emendar” o feriado com algum dia útil anterior ou posterior.

Uma consequência típica de uma sociedade que não tem o trabalho como dogma, e acredita que o Primeiro Mundo só é rico porque é mais antigo, ou porque é imperialista.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h55
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O PTB moderno assume como suas as conquistas do PTB de Getúlio Vargas

 

O presidente do Diretório Regional de Minas Gerais do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), deputado Dilzon Melo, aproveitou o espaço para propaganda gratuita na televisão no dia primeiro de maio, o feriado do Dia do Trabalho (que coincidência!) para garantir ao eleitorado que ele faz parte do “PTB que criou a CLT, a carteira profissional, o salário mínimo e tantas conquistas sociais”.

É interessante como, em política, se faz declarações ou promessas absurdas, e como elas produzem poucas reações contrárias.

Provoca, mais, comentários do tipo “deixa pra lá”, “não tem jeito”, “faz parte da propaganda” e outras expressões de resignação.

O PTB, o PSD, a UDN e os outros partidos que existiram no período entre-ditaduras (do Estado Novo de Getúlio à revolução “Redentora”) foram extintos pelo presidente Castello Branco.

Quando acabou o bipartidarismo, o governo Geisel negou-se a transferir a sigla PTB ao grupo de Leonel Brizola: optou pela ex-deputada Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio, que não se alinhava com os brizolistas.

O grupo que realmente tinha vinculações com o trabalhismo getulista ficou no PDT, o Partido Democrático Trabalhista.

A única relação do antigo PTB com o atual é o uso do nome: três palavrinhas, nada mais.

As afirmações do “presidente do trabalhismo mineiro” se assemelham às promessas de campanha dos dois candidatos (no segundo turno) às eleições para prefeito da capital de Minas Gerais, Márcio Lacerda e Leonardo Quintão.

Ambos prometeram obras e realizações impossíveis de serem feitas: pela quantidade, pelo custo, e até pela impossibilidade constitucional, como no caso da segurança pública.

O segundo entrou como franco-atirador e provavelmente assim pensou: “se perder, o projeto desaparece; se ganhar, tenho quatro anos para fazer o eleitorado esquecer”.

E o primeiro, que entrou como franco favorito e quase perdeu, provavelmente assim pensou: “se não fizer promessas no mesmo nível do concorrente vou acabar perdendo; prefiro ganhar e confiar na memória curta do eleitor”.

Uma triste sina para a política brasileira: quem fala só a verdade não consegue se eleger.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h09
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Sociólogo Demétrio Magnoli fala sobre a vida cotidiana dos cubanos

O sociólogo Demétrio Magnoli apareceu meio repentinamente na mídia, onde escreve uma vez por semana, pelo menos.

Já deve estar sendo motivo de críticas nos meios acadêmicos, que têm notória repulsa dos seus cientistas que mantém laços estreitos com a mídia leiga.

É ele quem está certo, é na mídia que está o contato com o grande público, com as massas.

Academicismo, linguagem do tipo jargão e texto hermético são características que deixam a universidade afastada do mundo real, do mundo que mais precisa dela.

Acabei de ler um texto não tão recente de Magnoli sobre um assunto de meu particular interesse, o cotidiano do povo cubano (aproveito para indicar a leitura do Diário de um Turista em Cuba, disponível na coluna da direita, relatando uma viagem de quase duas semanas que fiz à ilha em 2005), intitulado “Fragmentos de socialismo” e publicado no jornal O Estado de São Paulo, de 31/08/2008, do qual extraí os trechos abaixo (os dois primeiros parágrafos abrem o texto dele, os demais não são sequenciais):

Do topo dos 33 andares do edifício Focsa, o mais alto da cidade, que serviu nos anos gloriosos de residência de trânsito para os soviéticos, sob o jato de um sol aplastante, a paisagem desvenda os quatro tempos de Havana. A leste, além das antigas fachadas imponentes do Malecón, estende-se Havana Velha, o núcleo colonial, circundado pela baía em meia lua e vigiado pelas fortalezas espanholas. Ao redor, bem abaixo, divisa-se o plano ortogonal do Vedado, o bairro de mansões ocupado desde meados do século 19 por uma elite que se separava fisicamente dos pobres. A oeste, espraia-se Miramar, o "novo Vedado" da década de 20 do século passado, cujas mansões abrigam agora as embaixadas e os hotéis de praia. Entre o núcleo colonial e o Vedado, a partir do grande bulevar do Prado, está incrustada Havana Central, a larga seqüência de quarteirões erguidos no início do século 19. De longe, é como se essa faixa intermediária da cidade tivesse sido extensamente bombardeada. Nas suas habitações arruinadas, vivem quase todos os "cubanos comuns" de Havana que escaparam de uma transferência compulsória para os conjuntos habitacionais dos arcos periféricos.

"Cubanos comuns", ou "cubanos a pé", são expressões que se ouvem vezes sem conta nas ruas de Havana. É assim que as pessoas destituídas de privilégios descrevem a si próprias. Os demais são os "hijos de papá", uma categoria que abrange todos os que, em virtude de relações especiais próximas ou distantes com o partido único, têm acesso regular e legal ao CUC. Peso cubano convertible, CUC, é o pote de ouro no fim do arco-íris. A caça ao CUC converteu-se no esporte nacional cubano. Tê-los significa um pouco de cidadania, expressa sob as formas de sabonete, desodorante, perfume, tênis, carne de vaca, gasolina, um celular "pai-de-santo", a oportunidade fugaz de navegar na internet. Não tê-los significa vegetar no limbo do peso cubano, a moeda oficial regular, que é a moeda de mentira.

[...]

O bloqueio econômico americano funciona como álibi ideal para a ditadura dos Castros, explicam-me em encontros separados Camilo, Juan e Clara.

Todos sabem da história de Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, narrada de acordo com a versão do regime, pelo Granma, junto com uma profusão de elogios ao governo brasileiro, que os capturou e deportou. "Lula é amigo de Fidel", explicam os "cubanos comuns", que continuam a enxergar os boxeadores como heróis nacionais e não escondem o desprezo pelo ato de covardia de Tarso Genro e Lula. O que eles não sabem, pois o Granma não informou, é que Lara fugiu de Cuba há semanas, numa lancha rápida contratada por promotores esportivos alemães.

Para acesso ao texto integral, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h49
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O autor e seus objetivos


Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

Crônicas e análises - Assunto: qualquer um.

Dia-a-dia - Comentários, notas, fotos interessantes.

Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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