O brasileiro e sua tendência ao desânimo fácil, à lamentação, à exibição do sofrimento O ex-jogador de futebol Tostão, hoje um inteligente articulista da Folha de São Paulo, escreveu recentemente que a péssima fase vivida pelo jogador Ronaldinho Gaúcho se deve ao fracasso dele na Copa do Mundo de 2006. Uma questão psicológica. Ainda no campo das emoções dos atletas internacionais, outro caso que chamou a minha atenção foi o da jovem ginasta Jade Barbosa: altamente emotiva, era vítima de uma maldade por parte de jornalistas inescrupulosos, que a criticavam pessoalmente (olho-no-olho) apenas para levá-la às lágrimas e obter uma imagem de impacto (vídeo ou foto). No final da última Olimpíada, o jornalista Sergio Augusto escreveu um interessante artigo sobre a emotividade dos atletas brasileiros e sua (má) influência nos grandes eventos internacionais. Selecionei os seguintes trechos: Alguns "explicadores" do Brasil e do temperamento de sua gente, como Manoel Bomfim e Vianna Moog, já haviam percebido nossa tendência ao desânimo fácil, à lamentação, à exibição do sofrimento, mas desta vez nos superamos. Choramos em todas as circunstâncias previstas numa competição: nas classificações e desclassificações, nas vitórias e derrotas. Fizemos de Pequim 2008 um interminável lacrimatório. Ana Paula, do vôlei de praia, abriu tanto o berreiro, lembrando do filho e lastimando ser aquela sua última Olimpíada, que a parceira Larissa não se conteve: "Pára de chorar, mulher! Vai acabar derretendo!" Ana Paula afinal não derreteu, mas Jade Barbosa só não virou uma pocinha porque o piso do ginásio onde tombou de joelhos não era impermeável. Campeã absoluta do chororô, Jade já entra em cena com o semblante de quem está indo para o cadafalso: assustada, o olhar jururu, emocionalmente derrotada. "Ainda bem que acabou", desabafou a ginasta carioca quando seu calvário chegou ao fim. O entusiasmo e a autoconfiança podem e costumam ser úteis numa competição, a emotividade incontrolada, não. O fator emocional também prejudicou os nossos judocas, conforme admitiu, tardiamente, o coordenador técnico da equipe, Ney Wilson. Um deles, Eduardo dos Santos, chegou a pedir desculpas ao pai e à mãe, como um garoto que levou bomba depois de varar noites com a cara enfiada nos livros. Abusando do que poderíamos chamar de humildade onipotente, Diego Hypólito pediu "desculpas ao povo brasileiro" por seu fiasco no tablado do National Indoor Stadium de Pequim. Talvez tenha sido o momento mais patético do Brasil nos Jogos, pau a pau com o jogo da seleção do Dunga contra a Argentina. Ora, ora, se Hypólito pede desculpas a 183 milhões de brasileiros por não ter levado uma medalha, Michael Phelps, mutatis mutandis, poderia cogitar de assumir a presidência dos EUA, qualquer que seja o resultado das eleições de novembro. Para acesso ao artigo completo, CliqueAqui.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h04
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Escolas universitárias privadas têm mais vagas do que alunos A mídia já sinaliza nuvens escuras para um ramo da economia (e da educação) que avançou rápido demais, que deu um passo maior que as próprias pernas: a universidade particular. Aproveitando-se da ineficiência fiscalizatória do Ministério da Educação, pequenas faculdades foram criadas por todos os cantos do Brasil. Que, por sua vez, criaram mais vagas do que o número potencial de alunos. A História ensina que as crises econômicas atingem com mais força os mercados desequilibrados. E estamos em plena crise econômica, que ainda está discreta no Brasil, mas tem fôlego para crescer. Existe uma teoria econômica que é irrefutável, é fundamental, pétrea, unanimemente reconhecida: a lei da oferta e da procura. O número ideal da oferta de vagas universitárias já ultrapassou, e por muito, o de estudantes viáveis, desequilibrando o mercado; prejuízos e falências serão inevitáveis. A retração econômica entra como catalizador, como acelerador do processo. O fato é que os últimos governos brasileiros mudaram o perfil da universidade, que até meados do regime militar era reservada para uma pequena parcela da população. Quem iniciou a transformação foi o ainda vivo e ativo Jarbas Passarinho, militar e político, que no cargo de ministro da educação do governo Médici (69-74) comandou a elaboração de uma série de leis e atos que consolidaram o que ficou conhecido como Reforma do Ensino, abrindo as portas para a universidade privada. A universidade, o terceiro grau de ensino, era tão restrito que a minha geração foi a primeira da família a chegar lá (que os meus parentes mais vaidosos não me leiam). O fato é que nos dois últimos governos o ministério da educação escancarou as porteiras e as particulares proliferaram, principalmente aquelas ligadas ou pertencentes aos políticos, que têm o poder de trocar concessões por votos e favores. Perguntei a um advogado da cidade mineira de Juiz de Fora quantos cursos de Direito existem por lá: a resposta foi “oito”. É uma cidade grande e tradicional, mas segundo o IBGE está apenas em quarto lugar em população, com seus 520 mil habitantes. É muito cacique para pouco índio. E os avanços da tecnologia permitiram a invenção dos cursos universitários à distância, via internet, mas as escolas ainda preferem fazer a divulgação pelas vias tradicionais, entupindo nossas caixas de correio. São tantas as ofertas de vagas universitárias que já virou corriqueira a piadinha do interessado que telefona para pedir informações, e a conversa termina assim: — Agradeço as informações. — Ok. Lembre-se que as aulas começam amanhã. — Mas eu ainda não resolvi nada. — Mas telefonou, e por isso já está matriculado.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h44
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A humanidade vai caminhar para situações agudas de desequilíbrio climático e ambiental Nos anos 1970, a questão ecológica já estava na ordem do dia, mas a abordagem era muito fatalista. As cidades – inclusive no Primeiro Mundo – estavam mais sujas, a poluição era mais disseminada, estava descontrolada. Nova York era o símbolo da sujeira de lá, e a paulista Cubatão era o símbolo brasileiro da poluição. Atualmente, a militância ecológica aumentou, mas sinto que os fatalistas são poucos. Não me enquadro entre estes, mas temo as consequências da tolerância e do comodismo planetário. O economista Eduardo Giannetti da Fonseca se enquadra, como transparece no final da entrevista que ele concedeu ao jornal O Estado de São Paulo, de 02/11/08: Acho que a crise virá, mas ela será imposta por crises ambientais. Essa é a minha intuição. A humanidade vai caminhar para situações agudas de desequilíbrio climático e ambiental, e aí o imperativo de encontrar outras formas de organizar nossa existência na sociedade vai se impor de maneira muito mais sofrida e violenta. Vai ser pelo caminho da dor, da calamidade, da maneira mais custosa, mais burra. Infelizmente. E temo que este clímax se dará na questão do desmatamento da Amazônia.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h27
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O anúncio mentiroso da Xerox do Brasil Eu garanto que a Xerox não tem coragem de fazer publicidade enganosa lá nos Estados Unidos. Mas Brasil é Brasil, e o Capital Explorador fica assanhado... E aproveita a chance. Como num anúncio veiculado neste ano no Link, o caderno de Informática do jornal O Estado de São Paulo. Nele anuncia a impressora a laser modelo 6110 MFP com o preço “a partir de R$ 779,00”. Logo abaixo, o telefone comercial. Estranhei a expressão “a partir de” pois, se o vendedor é único, o preço deveria ser único, mormente se tratando de uma grande multinacional. Telefonei e a secretária virtual me mandou procurar, no site, algum vendedor local. Telefonei para um deles, em Belo Horizonte, que deu um preço diferente: nada menos do que 2.600 reais. E, atenciosamente, explicou que a sua especialidade era assistência técnica. — Você pode encontrar um preço melhor em outro vendedor. Talvez uns 100 reais a menos. Ainda assim, seria o triplo do anúncio. Pesquisando no site da Xerox, entendi a jogada. O preço anunciado era uma espécie de sugestão para o modelo mais simples da linha 6110, e não para o 6110 MFP. Má-fé. A Xerox, na verdade, sequer é uma vendedora de produtos para o mercado varejista. Recortei o pedaço do anúncio, que estampo abaixo: 
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Escrito por Márcio às 09h43
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Senado cria “diretoria de fura-fila” para facilitar embarque aéreo É interessante como certos assuntos de impacto imediato começam com um detalhe menor, paralelo, periférico. O famoso escândalo dos anões do orçamento começou com a suspeita de assassinato de uma mulher atribuído ao seu marido, importante funcionário da Câmara dos Deputados. Agora aparece um escândalo que começou com a descoberta de uma mansão registrada em nome de um deputado, mas cujo dono real era o irmão dele, Agaciel Maia, diretor-geral do Senado. A mídia acabou descobrindo que este fundamental pilar do Legislativo tem 181 servidores com o cargo de diretor. Mas como o público gosta mesmo é dos casos mais chocantes ou excêntricos, o jornalão O Estado de São Paulo de 22/03/09 fez esta curiosa materinha sobre o diretor que tem a incumbência de ajudar os senadores no embarque do aeroporto: No aeroporto, uma diretoria de fura-fila Com Farias, vaga estava garantida Rosa Costa, Luciana Nunes Leal e Leonencio Nossa, BRASÍLIA Sexta-feira passada, pela manhã, horas antes de o Senado anunciar o fim da Diretoria de Apoio Aeroportuário, o servidor Francisco Carlos Melo Farias, responsável pelo departamento, cumpria mais um dia da rotina de "diretor de check in". Em tese, a função dos sete funcionários chefiados por Farias era facilitar a vida dos senadores, providenciando os embarques, encontrando vagas em voos, conseguindo transferências de última hora. Na prática, ocupavam-se mais dos parentes e amigos dos senadores do que dos próprios parlamentares, que já costumam chegar com tudo pronto para o embarque. Funcionários de companhias aéreas que operam em Brasília apelidaram Farias de "diretor de fura-fila". A equipe do Senado costuma furar qualquer tipo de fila, inclusive a de passageiros, com privilégios concedidos pelos programas de fidelidade. Por sempre pedir às empresas para "ajudar o senador", Farias também era alvo de uma ironia: quando se dirigia aos balcões, os funcionários cochichavam: "Lá vem o senador". Longe do aeroporto, outro servidor viu, também na sexta-feira, chegar ao fim o status de diretor. Encarregado de zelar pelos três blocos ocupados por senadores na quadra 309 sul do Plano Piloto, com 70 apartamentos funcionais, o servidor Elias Lyra Brandão passou de síndico a "diretor de fantasia" por um ato da Comissão Diretora, de 2004, liderada pelo então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Lyra foi um dos 50 diretores rebaixados por decisão do primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI). O servidor foi procurado pelo Estado, mas o porteiro do Bloco G, em cuja garagem está instalada a coordenação, disse que ele havia saído para ir ao médico. E que não sabia se voltaria ou não, "porque ele também despacha no Senado".
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Escrito por Márcio às 09h03
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Os planos de Poder do delegado Protógenes O jornalista da Folha Josias de Souza escreveu no seu blog, em 22/03/09, que a Polícia Federal iniciou procedimento para demitir de seus quadros o delegado Protógenes Queiroz, que ficou famoso pela Operação Satiagraha. A primeira reação do público quando ele chegou aos holofotes foi a de enxergar ali o valente herói que colocou na cadeia o banqueiro Daniel Dantas, identificado por muitos como símbolo do poder oculto, como o representante dos poderosos que manipulam as teias de corrupção. Mas, na sequência, a mídia e os próprios colegas dele anunciaram a descoberta de várias irregularidades e ilegalidades que fizeram a transformação do herói no vilão. E que está prestes a culminar com a sua inclusão na lista dos desempregados. Descobriu-se que Protógenes investigou muitas autoridades que não tinham vinculação com o seu trabalho, incluindo o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Por quê? Com que objetivos? A hipótese mais lógica é a da ambição desmedida: juntar dados e informações sobre autoridades da república com finalidades excusas ou pessoais. Outra questão: ele fez tudo isso para si ou para terceiros? Ou com terceiros? Não acredito que ele fosse um simples testa-de-ferro, mas ele tinha um parceiro óbvio, que a mídia não procurou – ou não conseguiu – investigar: o delegado Paulo Lacerda. A Satiagraha foi uma associação da Polícia Federal com a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e Paulo Lacerda era o chefão da segunda, depois de ter sido o chefão da primeira. O indício de que o governo federal percebeu a ligação foi o afastamento de Lacerda da ABIN e, depois, a sua remoção para Lisboa (Lula criou um cargo de adido policial na embaixada). A remoção para terras distantes de um funcionário incômodo é típico dos políticos: afastam o problema mas garantem o ganha-pão do acusado, que perde a disputa mas não resvala para o perigoso desespero. E fecha a boca. A remoção também promove a impunidade, mas esta não é a prioridade dos políticos; a sobrevivência, sim. Quanto a Protógenes, se a exoneração se concretizar resta tentar uma candidatura a deputado federal, tentando fazer a campanha com o argumento de que foi derrubado pela associação dos políticos com perigosos representantes do capitalismo selvagem e espoliador.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 08h50
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Raúl Castro militariza governo cubano contra crise Raúl Castro completou em 24/02/2009 um ano no poder e na semana seguinte fez a primeira reforma ministrial, destituindo 12 ministros. Durante quase duas semanas atravessei Cuba em 2005 (sugiro humildemente a leitura do meu Diário de um Turista em Cuba, disponível na coluna da direita) e observei que são muitas as carências do povo, ingredientes básicos para uma revolta popular (se o regime der a chance). Este parecer ser, também, o pensamento e o receio de Raúl Castro, a julgar pelo elevado número de militares no alto escalão do governo. Ele foi o principal organizador do exército cubano, que está há meio século sob seu controle, desde que atuou como braço-direito do irmão Fidel na tomada do poder em 1959. Sobre os objetivos da reforma ministerial, destaco os seguintes trechos do artigo “Raúl militariza governo contra crise”, publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 08/03/2009: "Raúl pôs militares e tecnocratas no poder para atender a dois objetivos: dar mais eficiência à máquina pública para impulsionar a economia e criar um governo forte e militarizado, capaz de dar resposta a possíveis protestos ou distúrbios políticos motivados pela crise", diz Susan Purcell, especialista em Cuba de Universidade de Miami, nos EUA. Na reforma - a mais ampla reestruturação de gabinete promovida em Cuba em décadas - foram destituídos 12 ministros. Entre eles, o reformista Carlos Lage, secretário executivo do Conselho de Ministros, e o chanceler Felipe Pérez Roque. Agora há dez militares no alto escalão do governo. O substituto de Lage, por exemplo, é o general José Amado Ricardo. O novo ministro da Economia é Marino Murillo, que também tem um passado militar. A tarefa desses oficiais parece ser replicar no governo o modelo de gestão aplicado nas estatais que passaram para as mãos das Forças Armadas nos anos 90. O preço do níquel, produto que representa mais de 50% das exportações cubanas, está despencando. Na semana passada, fontes da indústria disseram que o governo já pensa em fechar algumas siderúrgicas. O turismo também deve cair, a não ser que os EUA diminuam as restrições para que cubanos-americanos visitem a ilha - projeto que tramita no Senado. Para acesso ao inteiro teor, CliqueAqui.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h31
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Um estranho caso de autoritarismo e humilhação no futebol profissional brasileiro Matéria curta do jornal Estado de Minas de 20/03/09 conta uma história tão esquisita que vou repassar com um único comentário: se estiver correta, se a história foi bem interpretada pela reportagem original (já que é texto adquirido em agência de notícias), é um caso de humilhação e autoritarismo injustificáveis. Texto: CASTIGO — Humilhação em cor-de-rosa — Recém-chegado ao Figueirense, o técnico Roberto Fernandes já adotou atitude polêmica: quem treinar mal em um dia, no outro tem de fazê-lo vestido de baby-doll rosa. O armador Jairo foi a primeira vítima. Pior jogador das atividades de terça-feira, nas da quarta trajou a veste feminina por cima do uniforme (foto). Encabulado, teve de aguentar as piadinhas dos companheiros. 
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h51
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Alexandre Garcia compara as invasões dos sem-terra com os crimes comuns O jornalista Alexandre Garcia fez o seguinte comentário na sua coluna eletrônica de 02/03/09 do telejornal Bom Dia Brasil, da TV Globo: Casos de violência e invasões estão previstos em lei. Mas, pelo que se vê, a lei não está se aplica em todos os casos. Para o MST, a lei não é aplicada, como o próprio presidente do Supremo tem dito. Em resumo: um grupo do MST invadiu a propriedade de uma empresa. Os invasores usaram armas, fizeram reféns e abateram gado da fazenda. E a empresa, dona da fazenda, tem que entrar na Justiça com ação de reintegração de posse. Fico a imaginar uma situação análoga, em que um grupo armado invade uma agência bancária, faz reféns e destrói computadores do banco. A polícia abre inquérito, e a proprietária do banco tem que entrar na Justiça para pedir reintegração de posse. Duvido que um chinês, um americano ou um europeu, entendam isso. No planejamento do MST, seguindo a orientação nacional, há prioridades. Como a fazenda é de uma empresa de que participa um homem que está sendo processado, Daniel Dantas, ela tem prioridade. O MST se antecipa a decisões judiciais, pretensamente para fazer Justiça. Também agem assim grupos de extermínio nas grandes cidades. Fazer Justiça com as próprias mãos e passar por cima da lei: tudo isso é o caminho oposto do estado de direito, de que tem falado o presidente do Supremo. É o caminho da selvageria, contrário ao da civilização.
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Escrito por Márcio às 22h46
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Nas ruas brasileiras há muito mais loucos do que no interior dos hospícios Três notícias com um detalhe comum, publicadas nos jornais de SEXTA-FEIRA 13 (de março de 2009): * Kléber Barbosa da Silva, 32 anos, seqüestrou um pequeno avião no dia 12/03/09 e o atirou contra um shopping center de Goiânia tentando matar outras pessoas, mas só atingiu carros estacionados. Levava a filha de cinco anos e ambos morreram. ** O adolescente Tim Kretschmer, de 17 anos, foi o autor de uma chacina que deixou 15 mortos, 12 dos quais na escola Albertville, em Winnenden, na Alemanha, no dia 11/03/09. *** Michael McLendon, 28 anos, matou a mãe, avó, tio, dois primos e cinco outros, dia 10/03/09 no Alabama, no sul dos Estados Unidos. Apesar do impacto destes casos e de outros semelhantes, a impressão que tenho é que são fatos isolados se levarmos em consideração a quantidade de pessoas que possuem distúrbios psicológicos graves, potencialmente capazes de cometer atos criminosos como os citados. Psicoses maníaco-depressivas, depressões, neuroses, psicopatias e manias de perseguição são diagnósticos corriqueiros na sociedade brasileira. Nos centros das grandes cidades basta traçar um círculo de menos de 100 metros de raio que alguém se enquadrará num destes perfis. Quantas pessoas já morreram no inesperado apertar do gatilho durante alguma discussão banal? Já trabalhei diretamente não com uma, mas com várias pessoas que se encaixavam facilmente num destes diagnósticos. Num flash de memória me lembrei do dia em que a faxineira Tiana me avisou que a gaveta entreaberta do único colega que trabalhava comigo no horário noturno deixava à mostra um revólver. Como o colega, reconhecidamente, se enquadrava em um ou mais destes diagnósticos, e naquele dia estava especialmente estranho, à beira de um surto, juntei as minhas coisas e me mandei, deixando o serviço acumulado para outro dia. Tiana, obrigado! (um quarto de século depois...) Poucos anos depois ele surtou de vez e foi aposentado por invalidez. A verdade é que nas ruas brasileiras há muito mais loucos do que no interior dos hospícios. Só torço para completar o meu ciclo de vida longe destes psico-problemáticos, principalmente nos dias dos inevitáveis surtos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h32
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Primeira-dama do Brasil é pivô do próximo escândalo dos cartões corporativos Há um ano estourava o escândalo dos cartões corporativos. Ministro e assessores usaram esta modalidade de cartão bancário de forma abusiva. Como os usuários foram muitos, a mídia optou por dar destaque aos maiores valores, aos abusos maiores. E o pior caso foi o de uma ministra sem ministério: Matilde Ribeiro, ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Ela gastou cerca de 170 mil reais no cartão para pagar, entre outras coisas, aluguel de carro (como se o governo não tivesse centenas...). Ela foi forçada a se demitir, os outros foram esquecidos. Matilde foi derrubada pelas estatísticas, era sempre destacada nas matérias com expressões do tipo “o caso mais grave foi...”. O jornal O Globo traz o assunto de volta e mostra que os quatro maiores gastadores deste ano são pessoas desconhecidas do eleitorado; na verdade são assessores de autoridades do primeiro escalão. A campeã foi Maria Emília Matheus Évora, que pagou com cartão corporativo (portanto, o dinheiro sai do Tesouro Nacional) R$ 857,3 mil de primeiro de janeiro a 11 de março de 2009. Dois meses e 11 dias. No ano passado ela cuidava das despesas da primeira-dama Marisa Letícia, esposa do presidente Lula. Tudo indica que a fortuna sacada foi, neste comecinho de ano, destinada à mesma fonte.
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Escrito por Márcio às 13h45
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Profissional passeadora de cães tem site na internet Quem não tem um bom emprego mas tem disposição para trabalhar corre atrás de qualquer oportunidade. Vale até a originalidade. Apareceu na caixa de correio do meu prédio (meu mesmo, só o apê, óbvio!) um anúncio de Luiza, uma passeadora de cães. Vale transcrever a abertura do prospecto: Se o seu cão é obeso, late sem parar, lambe muito as partes do corpo, chora quando você sai de casa, roí coisas, urina no lugar errado, isso pode ser sinal de estresse, ansiedade e depressão. Para evitar esses males, nada melhor do que um passeio com seu cão. Mas caso você não tenha tempo, disponibilidade ou não pode fazê-lo, eu me disponibilizo a ajudá-los. O passeio dura uma hora. Luiza descreve também outros detalhes e explica que “é feita primeira visita sem qualquer compromisso para conhecer o seu cão”. Ela é uma colega blogueira: quem quiser mais informações, tente o www.passeioscomcaes.blogspot.com.
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Escrito por Márcio às 21h21
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Como incrementar o seu currículo Um dia, anos atrás, o telefone tocou no meu local de trabalho, e a pessoa que atendeu anunciou: — Chamada para a técnica sanitária Tiana. Alguém sabe quem é? Ninguém sabia. Mas alguém se lembrou que havia uma faxineira que atendia aquele andar e se chamava Tiana. Seria ela? Era. Com vergonha da palavra faxineira, ela se apresentava como técnica sanitária. Conheci também uma empregada doméstica que começou a enrolar o patrão na hora de entregar a carteira profissional para o registro do contrato e assim ficou meses. O patrão acreditou que fosse um artifício para usar na Justiça do Trabalho, mas depois descobriu que era apenas a vergonha da expressão “empregada doméstica” no registro. Passou a Cristina (espero que ela não seja leitora de blogs) para a loja comercial e ela continua lá, uma década depois, orgulhosa do registro de balconista. A propósito e bem a propósito, recebi pela internet uma brincadeira sobre este assunto, com sugestões para incrementar o currículo com propostas de nomes mais pomposos para a função: * Especialista em Marketing Impresso (boy da xerox) * Supervisor Geral de Bem-Estar, Higiene e Saúde (faxineiro) * Oficial Coordenador de Movimentação Interna (porteiro) * Oficial Coordenador de Movimentação Noturna (vigia) * Distribuidor de Recursos Humanos (motorista de ônibus) * Distribuidor de Recursos Humanos VIP (motorista de táxi) * Distribuidor Interno de Recursos Humanos (Ascensorista) * Diretora de Fluxos e Saneamento de Áreas (a tia que limpa o banheiro) * Especialista em Logística de Energia Combustível (frentista) * Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (peão de obra) * Segundo Auxiliar de Serviços de Engenharia Civil (coitado ....) * Especialista em Logística de Documentos (office-boy) * Especialista Avançado em Logística de Documentos (motoboy) * Consultor de Assuntos Gerais e Não Específicos (vidente) * Técnico de Marketing Direcionado (distribuidor de santinho nas esquinas) * Especialista em Logística de Alimentos (garçom) * Coordenador de Fluxo de Artigos Esportivos (gandula) * Distribuidor de Produtos Alternativos de Alta Rotatividade (camelô) * Técnico Saneador de Vias Publicas (gari) * Especialista em Entretenimento Masculino (puta) * Especialista em Entretenimento Masculino Sênior (puta de luxo) * Dublê de Especialista em Entretenimento Masculino (travesti) * Supervisor dos Serviços de Entretenimento Masculino (cafetão) * Técnico em Redistribuição de Renda (ladrão ou político)
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Escrito por Márcio às 08h41
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O bispo pernambucano poderia esperar alguns dias para excomungar o médico Quem conhece ou acompanha a atuação da Igreja Católica no Brasil e no mundo certamente não se surpreendeu com a atitude do bispo pernambucano que excomungou os médicos que fizeram o aborto (legal e autorizado pela Justiça) de uma menina de nove anos, grávida de gêmeos após um estupro perpetrado pelo padrasto. A posição da Igreja de que a vida começa na fecundação e que o aborto equivale a assassinato é conhecida, definida, clara e, sobretudo, antiga. Também não deveria surpreender a não-extensão da excomunhão ao estuprador. Afinal, quantas vezes supostos criminosos, inclusive alguns judicialmente condenados, foram posteriormente inocentados com a comprovação de que confessaram sob tortura ou por falsa auto-imputação? O bispo agiu de acordo com sua convicção e seus dogmas, mas errou quanto ao senso de oportunidade. Agiu e falou na hora errada, no auge da comoção popular. Faltou a ele uma boa assessoria de imprensa para dar duas sugestões: 1ª) Adiar a decisão por alguns dias, esperar o caso sair do noticiário diário; 2ª) Calar a boca. Fechado em seus dogmas, o bispo coerente e conservador não previu a reação social à sua decisão. Talvez até acreditasse que a rapidez e a larga divulgação da excomunhão beneficiasse a luta clerical contra o aborto. Não compreendeu que, especificamente neste caso, jamais teria a adesão das massas. Fiquei impressionado, especialmente, com a reação negativa da juventude. Foi um fracasso didático, um fato que só vai atrapalhar a difusão do catolicismo.
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Escrito por Márcio às 23h27
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Clubes de futebol trocam as camisas oficiais para aumentar o lucro É muito curiosa esta recente supervalorização das “camisas oficiais dos clubes” entre os amantes do futebol. Até tempos recentes, os aficionados só valorizavam aquelas que algum ídolo havia usado durante um jogo. De preferência, autografada e com manchas de suor. Manchas que os mais espertos até passavam rapidamente a ferro quente, sem lavar, só para comprovar a origem. — Olhe o suvaco da camisa. É a prova, tem até mancha de suor. O craque suou muito, pois fez dois gols naquele dia. Você diz que tá caro, mas acho que estou até vendendo barato. Se não quiser, tem 10 na fila. Ainda mais espertos, os clubes aprenderam a criar este tipo de receita em suas lojas oficiais. E as camisas oficiais são bem mais caras do que camisas de material equivalente (mas com outros temas decorativos) em lojas de roupas comuns. O curioso é que este sobrepreço fica na contramão do relacionamento natural entre o empresário (que patrocina a publicidade) e o público-alvo. Para aproveitar a onda e aumentar o lucro, os clubes passaram a trocar com frequência o modelo, o design, das camisas oficiais. Houve até o curioso caso do Clube Atlético Mineiro, que substituiu as faixas brancas pela cor dourada nos jogos comemorativos de seu centésimo aniversário de fundação e depois vendeu esta camisa, e caro, na lojinha de sua sede, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. Mas a forma mais comum de lançamento de novas camisas oficiais acontece na hora da troca de um patrocinador, pois o logotipo é sempre estampado, modificando o modelo. Em outras atividades, o comum é que a presença de um anúncio publicitário reduza o preço de venda ou até torne o produto gratuito (no caso dos brindes). O novo logotipo de um patrocinador acompanha a nova camisa oficial, e a anterior se torna apenas a “camisa oficial do período tal a tal” (e ainda tem razoável valor para os colecionadores). Enquanto eu discuto isso, um incalculável número de fanáticos enche os guarda-roupas e esvazia as contas bancárias com camisas criadas pelos especialistas em marketing. Colecionar figurinhas era mais barato e só ocupava um cantinho da gaveta.
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Escrito por Márcio às 09h34
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Família Flores Carone tem uma trajetória política bastante complexa O jornal Estado de Minas de 05/03/09 noticiou o falecimento, na véspera, da ex-deputada federal Nysia Coimbra Flores Carone, esposa do ex-prefeito de Belo Horizonte Jorge Carone Filho. Ela teve uma curta carreira política pois foi cassada em 1969, no terceiro ano de seu mandato, pelo Ato Institucional número 5, através do regime militar. O marido Jorge foi cassado do cargo de prefeito de Belo Horizonte pelos vereadores em 1965, e em 1966 também foi atingido pelo AI-5, ficando com os direitos políticos suspensos por 10 anos durante a campanha eleitoral para deputado. O primeiro dos filhos do casal, Jorge Orlando Flores Carone (que morreu em 30/07/2008, aos 58 anos, vítima de diabetes) se elegeu deputado estadual em 1974, quando recebeu o primeiro voto de minha vida de cidadão-eleitor. Fui influenciado pelo clima anti-ditadura militar mas me decepcionei com a escolha, pois ele teve uma carreira conturbada por acusações e também por um processo (parece que não encerrado) de cassação pelos colegas da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. O irmão dele Antônio Carlos Flores Carone fez carreira razoavelmente longa como vereador e protagonizou um fato único: na condição de presidente da Câmara ocupou a cadeira de prefeito de Belo Horizonte por uma semana e ganhou direito aos benefícios vitalícios do cargo, beneficiado por uma situação jurídica especial. O terceiro filho de Nysia e Jorge, Marco Aurélio Flores Carone, tentou a política mas não se reelegeu e levou seu espírito controverso para o ramo de empresário da mídia. Chegou a dirigir os jornais Diário de Minas e Jornal de Minas, tradicionais e extintos periódicos da capital mineira, sob fogo cruzado de sindicalistas e ex-funcionários que denunciavam que ele agia como testa-de-ferro do ex-governador Newton Cardoso, o real proprietário. No ano passado, Marco Aurélio foi alvo do primeiro procedimento externo da então recém-criada Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos, órgão do Ministério Público Estadual. Ele era proprietário de um site chamado Novojornal, que estava publicando notícias e denúncias contra o governador Aécio Neves, o procurador-geral Jarbas Soares Junior e outras autoridades. O escritório de Marco Aurélio foi invadido, equipamentos e documentos foram recolhidos e o site foi tirado da rede. Agora está de volta, através da URL www.novojornal.net. Independentemente das peculiaridades de cada um dos citados, a família Flores Carone é, no mínimo, bastante controversa.
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Escrito por Márcio às 11h51
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Construir estação rodoviária nova não é a única solução para o excesso de passageiros A ressaca do pós-carnaval trouxe de volta (deixo ou retiro este pleonasmo?) um fenômeno anual: manifestações irritadas dos turistas-foliões contra a superlotação da estação rodoviária de Belo Horizonte. (Provavelmente acontece o mesmo em muitas cidades grandes e médias de todo o país.) Os mais irritados lotam as sessões de cartas de leitores dos jornais e também os aparelhos de fax (além dos e-mails) de rádios e tvs. A proposta de solução é única (parece uma clonagem coletiva): construir uma nova estação-terminal. Tanto falta o exercício de raciocínio de futurologia (uma rodoviária afastada do centro também vai gerar irritação, pela maior distância de acesso) quanto falta o uso da imaginação, na procura de uma alternativa. Embora o carnaval atinja o pico do problema, a superlotação se repete no natal, no ano novo, no início e fim das férias escolares e na semana santa. Dei asas à imaginação e apresento a minha sugestão: nos já conhecidos dias de super-utilização, os órgãos competentes concederiam uma autorização excepcional para que uma parcela dos ônibus rodoviários fizesse o desembarque final em terminais de ônibus urbanos. Vai ferir alguns interesses individuais de passageiros, carregadores, taxistas; mas a função do poder público é encontrar soluções que atendam ao interesse da maioria, não da totalidade. A solução proposta pela limitada imaginação dos irritados está longe de ser ideal, pois construir uma nova rodoviária (já existem o projeto e a área) é caro, e a maior distância para o centro da cidade vai aumentar o tempo perdido e encarecer o táxi. Só o pequeno percentual de moradores da região é que vai elogiar, egoisticamente priorizando os próprios interesses. É necessário para o cidadão compreender que viver em sociedade implica em momentos e circunstâncias que são desconfortáveis, desagradáveis. A paciência é indispensável. Compreendi isso em 1996, quando conheci os Estados Unidos da América. Aluguei um carro que deveria ser devolvido no aeroporto de Miami no final da tarde de um domingo; coincidentemente um dia de excepcional movimento (era início ou fim das férias escolares de meio de ano). Na entrada do aeroporto havia um engarrafamento fenomenal: perdi meia hora, ou uma hora, num mundaréu de carros que giravam os pneus a centímetros por minuto. O detalhe mais importante: o aeroporto é longe e gigantesco, em tudo maior do que qualquer similar brasileiro. Por tudo isso, engana-se quem supõe que o terminal rodoviário, cujo projeto foi assumido pelo neoprefeito Márcio Lacerda, vai resolver todos os problemas. Vai apenas substituir o super-engarramento de hoje por uma adição: o médio engarrafamento mais a longa distância do centro.
Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 11h00
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“Onde foi que eu errei?”, pergunta o pai que leva vida exemplar Conheço algumas famílias que tiveram grandes decepções com os filhos. Entre elas, depressão, droga, homossexualismo, comportamento agressivo ou preguiçoso. Muias vezes, no seio de famílias-padrão: pai e mãe trabalhadores, honestos e carinhosos. “Onde foi que eu errei?”, se perguntam. Respondo: erraram na psicologia, na incapacidade de orientar a criança, o adolescente e o jovem. Erraram, também, porque acreditavam que o bom exemplo bastaria. A propósito, transcrevo a parte inicial da boa matéria “Sociedade não sabe educar jovens, diz pesquisadora”, publicada n’O Estado de São Paulo, de 22/02/09 que sintetizou competentemente a questão (para acesso à íntegra, CliqueAqui): A falta de influências positivas que auxiliem o desenvolvimento saudável não é um problema restrito apenas à juventude paulistana, afirma a pesquisadora Ida Kublikowski, da PUC-SP, que trabalhou em uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Família e Comunidade da instituição sobre comportamento dos jovens. “Em diferentes comunidades temos percebido uma similaridade muito grande nos resultados. Mesmo os dados americanos são muito parecidos com os nossos, pois a conjuntura é a mesma.” A falta de envolvimento dos adultos com os jovens, a dificuldade de diálogo e a insegurança em relação à transmissão de valores são algumas das causas apontadas pelos especialistas. Antes de aplicar a pesquisa para os adolescentes, foi feito um levantamento com os pais para saber se os 40 “valores positivos” do questionário eram de fato os que eles julgam importante transmitir aos filhos. “Essa pesquisa revelou que os pais acreditam que dialogam muito com os filhos, mas os jovens dizem que não há diálogo em casa. É uma conversa de surdos”, diz a pesquisadora.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h19
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Técnica brasileira ajuda governo equatoriano a preparar calote contra o Brasil Em política, quando um assunto está esquecido, não é porque foi descartado. Geralmente está hibernando, preparando a volta triunfal. Breve teremos novas manchetes sobre ameaças de calote ao Brasil pelo Equador, Venezuela, Bolívia e Paraguai. Foi uma temeridade a concessão de empréstimos financeiros oriundos do Tesouro Nacional (via BNDES e Banco do Brasil). Sei que uma pequena parte disso começou no governo FHC, mas o grosso foi assinado por ordem direta e indireta do governo Lula. O grupo do atual presidente brasileiro tentou internacionalizar sua força e influência usando dinheiro público. O risco ficou para o contribuinte (e para o povo brasileiro em geral) pois, em caso de inadimplência, vai se fazer o que? Dos quatro países, o que está atacando mais duramente o Brasil é o Equador. Começou com a midiática paralisação nas obras da Construtora Norberto Odebrecht, à qual atribuiu falhas e puniu com a intervenção (invasão) militar. As obras haviam sido financiadas por um empréstimo tomado ao BNDES: em novembro o presidente equatoriano Rafael Correa anunciou a suspensão dos pagamentos. Em outras palavras: um calote ao Brasil estimado (matéria do jornal O Globo de 30/11/08) em 462 milhões de dólares (segundo o Direito internacional, um ato ilegal). A mesma matéria de O Globo, assinada pelo repórter José Casado, informa que uma das motivações do calote foi o relatório final de uma comissão de auditoria (Comisión de Auditoría Integral sobre el Crédito Público) criada pelo presidente Rafael Correa em 09/07/07. A comissão assim recomendou, por escrito e assinado: El gobierno de Brasil, a través del Banco do Brasil, fue la entidad que financió los tres contratos principales de obras ejecutadas por la Constructora Norberto Odebrecht S.A. Estos tres créditos luego requirieron de nuevos créditos adicionales por parte de la CAF y BNDES de Brasil para poder concluir las obras. Existe corresponsabilidad de las entidades financeiras brasileras BNDES y Banco Do Brasil, al ser parte de esta cadena de operaciones, en situación en que el país atravesaba condiciones de crisis financiera y de debilidad politica em esos años. A reportagem informou (o verbo mais adequado seria denunciou) que uma dos seis “representantes internacionais” entre os 15 membros deste grupo de auditores era uma técnica brasileira, Maria Lúcia Fatorelli, surpreendentemente instalada lá por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid, com intermediação e pedido do ministro da fazenda Guido Mantega. A reportagem traz fac-símiles dos atos de nomeação; não é especulação. Resumindo: um documento acusativo ao Brasil, com recomendação de aplicação de pena financeira vultosa ao Tesouro Nacional, assinado por uma técnica instalada em tal cargo pelo próprio governo de seu (nosso) país. Ela ainda foi auxiliada por outros técnicos brasileiros – que não foram oficialmente emprestados ao Equador –, geralmente militantes de ONGs e de partidos políticos como o PT, PSTU e PSOL. Alguns se encarregaram da análise dos contratos, inclusive dois de Belo Horizonte, os economistas Dirlene Marques e Gabriel Strautman. José Casado fechou, assim, a matéria principal: O governo brasileiro emprestou mão-de-obra, pagou o custo e, assim, ajudou o Equador a preparar o calote em uma dívida com o BNDES, avalizada pelo Tesouro Nacional.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 11h10
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Seguir a moda é uma característica do ser humano. É mais seguro. Eduardo Gonçalves de Andrade ficou mais conhecido na história recente com um dos melhores jogadores de futebol, através do apelido de Tostão. Depois de fazer carreira na medicina, retornou para o futebol e hoje é um conceituado comentarista, colunista e articulista. Na sua coluna da Folha de São Paulo de 01/02/09 ele sintetizou sua vida profissional ao dizer que “acho que fui bem nas minhas atividades de atleta profissional, médico, professor de medicina, comentarista de TV e de rádio e colunista de jornais”. Futebol foi o restante do assunto da coluna, mas ele teve a felicidade de sintetizar a tendência imitativa das pessoas em duas frases curtas: “Seguir a moda é uma característica do ser humano. É mais seguro.” Merece ficar gravada na hiperrede.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h32
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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Outros
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Jockey Club MG - nova página
Tiago - Meu webmaster favorito
Uma superpágina de informática
Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
Blog do Paulo Afonso
Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
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