Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

A tolerância brasileira com os automóveis mal-conservados

Em dezembro andou chovendo forte em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

Num dia daquele mês, no meu trajeto para o trabalho, perdi um bom tempo porque o trânsito estava parado numa rua do Bairro Santa Efigênia, atrás de um automóvel Gol, modelo antigo, que parou de funcionar debaixo do aguaceiro.

No dia seguinte o trânsito voltou a parar na Avenida do Contorno, atrás de um velho automóvel Escort.

Uns 500 metros à frente o trânsito estava parado novamente, atrás de outro Gol modelo antigo.

As pessoas estão sempre reclamando, em grupos sociais ou diretamente à mídia, dos prejuízos causados pelo trânsito nas metrópoles brasileiras.

Mas percebo no ar uma certa vergonha sempre que alguém reclama dos carros velhos.

No fundo, pensam que não é politicamente correto tocar no assunto, pois atrás de um carro velho está um proprietário pobre, carente, sem recursos para a manutenção do automóvel.

Alguém que é classificado pelos simplistas como vítima da sociedade, vítima da classe dos exploradores.

Mas a tolerância é um erro, o ideal da caridade não pode contaminar o ideal da organização social, pois só esta promove a justica social.

A sociedade permissiva só gera novos problemas, além de perpetuar os pré-existentes.

Obviamente não estou falando do carro que é velho apenas pela idade, mas pelas más condições de uso.

Este espírito tolerante inibe até a legislação: o Código Nacional de Trânsito prevê a multa aos donos dos carros que enguiçam em vias públicas por causa de falhas na manutenção.

Gostaria de ter acesso a alguma estatística do Detran para saber quantas vezes este artigo foi aplicado.

Deve ter sido em número tão insignificante que merece a classificação de “letra morta”.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h24
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Vacas com Nome dão mais leite (e o caso do cavalo que virou churrasco de boi)

O jornal Estado de Minas de 29/01/2009 dedicou toda a página 26 a um assunto aparentemente insignificante.

O título fala por si: “Vacas com nome dão mais leite”.

É isso mesmo: quando você chama a Mimosa de Mimosa, ela esguicha mais.

Parece mais um daqueles casos de pesquisas científicas estéreis, inúteis, irrelevantes, esquisitas.

Na verdade, o jornal se apegou ao detalhe mais curioso e engraçado – além de ridículo – pois os pesquisadores concluíram, mais exatamente, que a vaca tratada com mais carinho produz mais leite.

Mais carinho significa menos stress.

Existe uma lógica por trás disso: o stress eleva a adrenalina e afeta todo o funcionamento orgânico dos mamíferos.

Stress emagrece, reduz a produção, enerva o indivíduo.

Conheci o efeito do stress sobre organismo animal durante a minha vivência com os cavalos de corrida.

Um dos casos mais marcantes aconteceu há 30 anos, com o cavalo puro-sangue inglês Juca Mulato.

Ele foi um dos três temas de uma crônica que escrevi e está disponível no site do Jockey Club de Minas Gerais (http://jockeyclubmg.vilabol.uol.com.br/).

Transcrevo abaixo a parte da crônica que conta esta história:

Juca Mulato – O cavalo que virou churrasco de boi

O terceiro da série foi o Juca Mulato, nascido em 1972, com filiação inexpressiva e ganhador de uma única corrida na Gávea. Apareceu no Serra Verde em 1979 e agia como um cachorro bravo, avançando em todos que passavam em seu raio de ação, tentando morder. Mordia pra valer, provavelmente até machucou alguém, mas eu não soube de caso concreto. Seu treinador era o João Fernandes, que morreu precocemente na década seguinte.

Um dia, fui procurado por um treinador, para uma conversa pessoal. Não me lembro mais quem foi, um quarto de século deixa uma sombra nas lembranças. Ele tinha um assunto secreto, a condição para a conversa era a manutenção do segredo. Concordei. Me contou que a ferocidade incurável do Juca Mulato provocou um resultado impressionante. Mataram o cavalo e venderam a carne para açougues de São Benedito, um distrito de Santa Luzia ao lado do hipódromo, local de moradia de grande parte dos profissionais de turfe. Só que a carne foi vendida e consumida como se fosse de boi. Perguntei pelo motivo de tanto segredo. “O povo daquela cocheira é bravo, dão tiro fácil. Eles são tão complicados, que estão plantando até pé de maconha dentro da cocheira”, garantiu.

Coincidentemente, eu conhecia os antigos proprietários do cavalo-vaca no Rio de Janeiro e descobri uma impressionante relação entre maus-tratos e o violento gênio do Juca Mulato. Por causa de um desentendimento entre sócios, ele ficou meses do lado de fora do box, no Hipódromo da Gávea, preso em uma árvore, comendo sobras de outros cavalos, já que o velho treinador Álvaro Rosa não estava nem recebendo o trato mensal. Não sei se já tinha gênio ruim antes deste episódio, mas está longe de ser o primeiro caso de cavalo maltratado que ficou violento e passou a carregar emoções humanas, como a revolta e o espírito de vingança.

Corredor inexpressivo, com apenas uma vitória na Gávea antes de conhecer a faca do açougueiro, Juca Mulato competiu uma única vez no Serra Verde, no dia 30 de junho de 1979. Como o João Fernandes, seu treinador, não tinha matrícula, correu em nome do Matheus Braga, um gaúcho esperto e cativante, mas que não teve sucesso na preparação dos cavalinhos.



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 18h59
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A evolução do homem e a obesidade

Uma charge meio humor negro para satirizar a epidemia de obesidade que assola os Estados Unidos e começa a chegar ao Brasil.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h51
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Grandes empresas estão quebrando porque fizeram apostas

Aos 15 anos de idade conheci o Hipódromo Serra Verde e desde em tão lido, rotineiramente, com apostas e apostadores.

Cansei de ver pessoas investindo nas apostas mais dinheiro do que poderiam e deveriam, e sofrer as conseqüências.

Lembro-me do Orlando “Charutinho” e do Ângelo “Komeini”, que se suicidaram por causa de dívidas de jogo.

Mas também conheci muitos – certamente a maioria – que se controlavam, que colocavam o hobbie no orçamento e nele incluíam o dinheiro de jogo.

Estas reflexões apareceram durante a leitura da matéria “Tok & Stok é vítima dos derivativos”, publicada n’O Estado de São Paulo, de 25/01/2009.

Segundo a reportagem, o “derivativo cambial” é um tipo de aposta (uma derivação das apostas, se me permitem a gracinha) na área da economia: se a cotação do dólar ficar abaixo de um valor pré-estabelecido no contrato, o tomador deste tipo de empréstimo bancário paga uma taxa menor; se ultrapassar, paga bem mais.

Muitas empresas brasileiras apostaram na persistência da cotação baixa e agora podem até falir, pois a crise mundial aumentou a cotação da moeda americana.

Transcrevo trechos selecionados da citada reportagem (para a leitura completa, CliqueAqui):

A Tok & Stok, uma das maiores redes de lojas de móveis e acessórios para casa do País, foi uma das poucas que recorreram aos tribunais para tentar escapar de um prejuízo milionário com as operações. Ela questiona uma dívida que pode chegar a R$ 55 milhões com o Itaú BBA decorrente dos contratos com derivativos de câmbio.

A origem dos prejuízos são três financiamentos, no valor total de R$ 29,3 milhões. Para reduzir os juros cobrados da Tok & Stok, o Itaú BBA montou operações que associavam os empréstimos a apostas na queda do dólar no mercado futuro, os tais derivativos cambiais.

A lógica era a seguinte: enquanto a cotação da moeda americana continuasse baixa e a aposta estivesse certa, a Tok & Stok pagaria pelos financiamentos juros inferiores aos de mercado. Em contrapartida, a empresa teria de pagar somas muito maiores caso a cotação do dólar ultrapassasse determinado valor, ao redor de R$ 2. Como esse cenário parecia altamente improvável até setembro - no começo de agosto, o dólar estava a R$ 1,56 - os derivativos cambiais tornaram-se um negócio irresistível para muitos empresários.

[...] a economia com a redução de juros nos financiamentos chegaria a pouco mais de R$ 350 mil, contra os R$ 55 milhões que ficou sujeita a pagar com a disparada do dólar.

[...] a Tok & Stok decidiu não pagar nenhuma prestação da dívida com o Itaú BBA. Pessoas ligadas à empresa dizem que o dono, Régis Dubrule, ficou sabendo do prejuízo por telefone, quando inaugurava uma loja no Rio de Janeiro. Na volta para São Paulo, demitiu o diretor responsável pelas operações.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h42
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O espírito destrutivo do brasileiro está acabando com a raça Fila

 

Um interessante exemplo da cultura meramente extrativista, exploradora, destrutiva do povo brasileiro está na criação de cães.

Há pelo menos duas décadas atrás li uma reportagem - que arrependimento de não tê-la guardado! - sobre a raça de cachorros Fila Brasileiro.

Dizia o autor que, anos antes, esta raça estava valorizada na Europa e gerava muitas exportações, mas a situação estava mudando com medidas restritivas da Alemanha, por causa de alguns casos de agressividade.

Dizia, ainda, que o trabalho de seleção genética estava comprometido pela ineficiência na uniformização dos exemplares registrados.

(Para que um grupo de indivíduos de uma mesma espécie animal seja considerado uma raça é indispensável que haja semelhança física e de temperamento, além de algumas características de comportamento determinadas por regulamentos.)

A tal reportagem abordou um tópico bem mais duro: afirmou que os então dirigentes do Kennel Club - associação privada com a responsabilidade de registrar os cães de raça - estavam cometendo irregularidades, inclusive fraudes, para obter lucro pessoal.

Quis dizer o seguinte: registravam e documentavam um vira-lata como se fosse Fila Brasileiro e o criador o vendia por alto valor, trocava uísque paraguayo por scottish whisky.

O fato é que, com o passar dos tempos, o Fila deixou de ser reconhecido à distância pela falta de um padrão de aparência externa; só é identificado como representante da raça através da palavra, da garantia do dono.

E, na cinofilia, como em qualquer outra atividade que se pratica no Brasil, continuam prevalecendo os nomes estrangeiros: Basset Hound, Boxer, Pointer, Setter, Cocker Spaniel, Golden Retriever, Schnauzer, Fox Terrier...

 A armada da frota estrangeira segue colonizando os povos incompetentes que não têm capacidade de administrar as boas oportunidades que aparecem.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h52
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Quando foi a última vez que o Galo venceu o Cruzeiro?

Meus amigos sempre se surpreendem quando eu conto que, na infância, já fui um torcedor fanatico de futebol.

Era atleticano (Clube Atlético Mineiro, de Belo Horizonte).

Quando eu tinha 15 anos o Hipódromo Serra Verde foi inaugurado e troquei de paixão.

Mantive apenas uma simpatia pelo Galo, que quase desapareceu quando o clube passou por algumas administrações incompetentes (para dizer o mínimo...) lá pelos idos da década de 90.

O Cruzeiro pode ter tido suas encrenquinhas, mas o nível foi outro e está melhor das pernas.

Segue, abaixo, uma interessante charge do mineiro Duke, publicada no jornal SuperNotícias de 19/01/09:



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h48
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Petistas, não leiam: foi FHC quem consertou a economia brasileira

 

O descontrole da economia brasileira começou no último governo militar (1979-1985), mais exatamente quando o presidente João Figueiredo sofreu um infarto e se desinteressou da administração do Brasil.

Os sucessores José Sarney, Fernando Collor e Itamar Franco experimentaram vários planos econômicos e fracassaram.

O Plano Real, articulado pelo então senador Fernando Henrique Cardoso, teve suas preliminares quando ele tornou-se ministro da Fazenda de Itamar e se completou no seu extenso mandato presidencial.

O sucessor Luiz Inácio Lula da Silva teve o mérito de manter a nova organização econômica e a esperteza de repetir, diariamente e aos quatro ventos, que é ele o responsável pela estrutura atual e quem consertou os erros do governo anterior.

O jornal O Estado de São Paulo, de 18/01/2009, publicou um editorial com o título "A saga dos bancos estaduais", relembrando o Plano Real e analisando um dos grandes problemas então enfrentados, que foi o assombroso (em números) desvio de dinheiro público através dos bancos estaduais.

Selecionei os seguintes trechos do editorial, publicado na página 3:

Com as novas compras de bancos estaduais pelo Banco do Brasil (BB), chega ao fim um dos capítulos mais importantes do Plano Real, a vitoriosa operação de resgate e de regeneração da economia brasileira lançada em 1994, quando a inflação atingia níveis astronômicos, as contas públicas estavam em frangalhos e o investidor estrangeiro preferia manter-se bem longe do País. Desde os anos 80 os governos haviam experimentado vários pacotes de ajuste, com intervenção nos preços, tabelamento do câmbio e até congelamento de contas bancárias. A ação iniciada em 1994 e consolidada nos oito anos seguintes foi bem diferente: sem recurso a truques e intervenções nos mercados, consistiu principalmente num esforço de reorganização das finanças públicas e de recuperação da política monetária.

Enquanto o BC continuasse ajudando os bancos no dia a dia, sancionando os desmandos financeiros dos governos estaduais, não poderia haver uma efetiva política monetária. Com o fechamento de caixa garantido pelo BC, as instituições estaduais não tinham limite para suas operações. Tornaram-se, portanto, fontes de farta emissão de moeda, destinada tanto a cobrir os buracos fiscais dos Estados quanto a alimentar a clientela política dos governadores.

Uma das tarefas mais importantes do ministro da Fazenda do governo tucano, Pedro Malan, foi conduzir a renegociação das dívidas de Estados e municípios. Era preciso restabelecer a solvência dos Tesouros estaduais e municipais e dar a governadores e prefeitos novo fôlego para o cumprimento de suas funções essenciais. Com a renegociação, o governo federal assumiu a responsabilidade pelas dívidas estaduais e municipais.

Esse trabalho de reorganização das finanças estaduais foi indispensável à revitalização de todo o sistema nacional de contas públicas e ao resgate da política monetária. O surto inflacionário de 2002 só foi vencido facilmente no primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque os instrumentos de política haviam sido restaurados por seu antecessor e aperfeiçoados depois da crise cambial de 1999. O recém-nomeado presidente do BC, Henrique Meirelles, teve o mérito, no começo de 2003, de usar com eficiência aquelas ferramentas de controle monetário. Além disso, as eleições estaduais de 2002 já haviam sido disputadas sob as condições da Lei de Responsabilidade Fiscal aprovada em 2000. Essa lei complementou o esforço de saneamento financeiro dos Estados e municípios. Em seis anos de mandato, o presidente Lula não realizou nenhuma reforma institucional de consequências tão amplas nem conduziu uma negociação tão complexa quanto a do refinanciamento das dívidas estaduais e municipais.

Para acesso ao texto completo, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h25
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Os bancos estaduais já foram fontes de dilapidação do dinheiro público

 

Newton Cardoso, ex-governador de Minas Gerais, caiu na boca do povo e da mídia por causa da separação litigiosa da esposa Maria Lúcia Cardoso.

A revista Veja e o jornal Estado de Minas falam em disputa por um patrimônio de que poderia chegar ao incrível número de dois bilhões e meio de dólares, a maior parte escondido em transações ilegais.

O jornal O Estado de São Paulo, de 18/01/2009, publicou um editorial com o título "A saga dos bancos estaduais", lembrando que o desvio de dinheiro destas entidades foi um sério problema econômico no Brasil, principalmente no final dos anos 80 e parte da década seguinte.

Em Minas Gerais o problema foi gravíssimo, provocando a quebra da Caixa Econômica Estadual e prejuízos bilionários aos cofres públicos, causados pelos desvios de dinheiro nos bancos Bemge, Credireal e Agrimisa.

A parte humana acabou sendo menos grave, pois a mãe-Estado incorporou a maior parte dos bancários da Minascaixa, mas milhares de pessoas tiveram sérios prejuízos profissionais.

E a mídia da época atribuiu tudo à sanha e à desonestidade de Newtão e comparsas.

No caso específico da Minascaixa, o governo federal aplicou uma intervenção durante o governo de Cardoso e fez a liquidação extra-judicial já no governo seguinte, de Hélio Garcia.

Selecionei os seguintes trechos do editorial, publicado na página 3:

Os bancos estaduais foram concebidos como instrumentos de ação econômica e social dos governos. Serviram também a outros objetivos, mas nunca foram tão desvirtuados quanto no fim dos anos 80 e no começo dos 90. Num ambiente de enorme desordem financeira, governadores passaram a recorrer a esses bancos para sustentar desmandos de todo tipo. As instituições estaduais foram usadas ampla e irresponsavelmente como instrumentos eleitorais. Sangradas continuamente, passaram a depender do Banco Central (BC) para continuar operando. O socorro, em alguns casos, tornou-se diário. Alguns desses bancos não podiam fechar o caixa no fim do dia sem o auxílio federal.

Tornaram-se, portanto, fontes de farta emissão de moeda, destinada tanto a cobrir os buracos fiscais dos Estados quanto a alimentar a clientela política dos governadores.

Doze instituições foram privatizadas, nove foram extintas, três foram convertidas em agências de fomento. Quatro permanecem sob controle dos Estados. O BB acaba de comprar a Nossa Caixa e negocia a aquisição do Banco Regional de Brasília. A incorporação dos bancos estaduais do Piauí e de Santa Catarina deve ser sacramentada na próxima semana pela diretoria do BC.

Embora os petistas vão jurar por todos os santos que não é verdade, este problema foi resolvido no governo Fernando Henrique Cardoso, sob a condução do ministro Pedro Malan.

Para acesso ao texto completo, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h28
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Religiosos da Igreja Renascer em Cristo agridem jornalistas após o desabamento fatal

 

Conta a tradição que um importante líder guerreiro de tempos antigos, ao receber uma notícia desagradável, "resolveu" o problema... matando o mensageiro.

No dia 18 de janeiro de 2009 desabou o teto do principal templo da igreja evangélica Renascer em Cristo, em São Paulo, matando nove fiéis.

A TV Band mostrou várias imagens de supostos seguranças e adeptos do grupo religioso atacando repórteres e cinegrafistas para impedir o trabalho de comunicação social.

Nos primeiros instantes, a única participação da mídia era na divulgação das primeiras informações; o que interessava aos telespectadores era a parte humana, mais exatamente, a situação das vítimas.

Aparentemente, não se explica ou justifica a hostilidade dos religiosos.

Os seguranças foram mais realistas do que o rei: dificultaram o trabalho jornalístico porque temiam que, posteriormente, a mídia poderia vir a criticar os chefes da igreja.

Para ser mais exato - agora, tão realista quanto o rei -, eles sabiam que a crítica viria, no mínimo, pela lógica da engenharia: quando ocorre um acidente numa obra, em 90 e muitos por cento dos casos a culpa é do responsável pela manutenção; em casos excepcionais, a natureza fez alguma trapalhada.

Mas, por trás de tudo, existe uma transferência de responsabilidade do general para o soldado-mensageiro: a Renascer não gosta da mídia por causa da ampla divulgação da prisão de seu casal-líder, nos Estados Unidos, por crime de transporte irregular de dinheiro.

(O detalhe mais interessante é que a pena foi bastante agravada pelo fato de o casal ter escondido boa parte do dinheiro - 56 mil dólares - na mochila do filho menor de idade. No Primeiro Mundo, abusar de crianças, idosos ou incapazes multiplica uma pena criminal. Aqui, na teoria também existe o agravo, mas o incalculável número de cumprimento de penas em liberdade distancia a teoria da prática.)

O fanatismo religioso levou considerável parte dos adeptos a inocentar o apóstolo e a bispa, e atribuir a perseguição aos demônios incorporados na polícia norte-americana e na mídia brasileira.

Ressalta-se ainda, neste caso, a irresponsabilidade e o descaso na manutenção do velho prédio, um antigo cinema dos anos 1950 que era usado como templo.

As reformas incompetentes não foram suficientes para evitar a tragédia, na verdade, a provocaram.

Uma parte dos 10% pagos pelo jogador Kaká já seria suficiente para construir um prédio novo, moderno, seguro.

A tragédia aconteceu por omissão tanto do proprietário do imóvel quanto dos órgãos públicos; em relação ao segundo, os atos de fiscalizar e de tomar as providências cabíveis não são favor, mas um dever.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 23h07
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O liberalismo absoluto é o lobo do capitalismo

 

Há um século e meio atrás Marx e Engels demonizaram o capitalismo e heroinizaram o comunismo.

Muita gente acreditou e o século 20 conheceu várias e diferentes experiências de sociedade fechada, controladora, uniformizadora.

Era o oposto do capitalismo liberal.

O comunismo fracassou e as pessoas também optaram pelo oposto, supervalorizando o liberalismo extremo e absoluto no funcionamento do capitalismo.

Em artigo publicado na revista Veja, de 31/12/2008, o especialista Bruce Scott critica esta opção econômica, à qual atribui a atual crise financeira internacional.

Selecionei os seguintes trechos do artigo "Capitalismo não existe sem governo", que merece uma leitura completa (para isto, CliqueAqui):

 No seu cerne, os erros estão ligados a uma ideologia que definia o capitalismo, de forma equivocada, como sendo tão-somente a soma de "mercados livres e livre-iniciativa". Nessa visão ideológica, as soluções do mercado são tidas como corretas por definição, graças ao papel coordenador da mão invisível, e a regulamentação governamental desses mercados é desprezada como uma interferência de resultados incertos, quando não absolutamente destrutivos. Se é verdade que a regulamentação pode criar custos adicionais e distorcer os mercados, o fato cabal é que o capitalismo não tem como existir sem ser de alguma forma regulado por uma entidade com poder coercitivo, capaz de punir quem quebra as regras.

Não existe uma definição-padrão de capitalismo, e um bom número de obras influentes sobre o tema nem sequer tenta defini-lo. Entretanto, a maior parte dos homens de negócio de língua inglesa utiliza alguma definição semelhante à do professor Thomas McCraw em seu livro Creating Modern Capitalism (O Surgimento do Capitalismo Moderno). McCraw afirma que, "em seus elementos mínimos, uma sociedade capitalista é organizada em torno de uma economia de mercado que enfatiza a propriedade privada, a oportunidade empresarial, a inovação tecnológica, a inviolabilidade dos contratos, o pagamento de salários em dinheiro e a disponibilidade de créditos".

Os problemas atuais do capitalismo afloraram por causa de um programa ideológico centrado na desregulamentação. Seu objetivo foi remover o juiz e eliminar muitas regras de um conjunto de atividades econômicas muito competitivas.

Nos Estados Unidos, essa concepção equívoca deita raízes profundas no sistema legal da era pós-Guerra Civil, a partir da segunda metade do século XIX. (...)a corte defendeu sua opinião argumentando que a Constituição proíbe ao governo federal interferir em contratos privados e assim promove o "capitalismo laissez-faire". Isso acabou em 1937, quando o presidente Roosevelt criou uma crise constitucional ao propor a entrada de vários novos magistrados na Suprema Corte, com o intuito de dissolver o poder de cinco juízes conservadores que, ao barrar reformas econômicas propostas por via legislativa, acabavam efetivamente escrevendo a lei eles mesmos.

Milton Friedman foi o grande mentor intelectual da ressurreição do capitalismo laissez-faire, com seu famoso livro Capitalismo e Liberdade. Na sua exposição, as operações de mercado representam transações bilaterais e voluntárias que são auto-regulatórias e, portanto, representam automaticamente o melhor para a sociedade, como no modelo de Adam Smith. Com a presunção de que os mercados regulam a si mesmos, a desnormatização se converteria em prioridade, como de fato ocorreu nos Estados Unidos de 1980 em diante.

O capitalismo não pode ser culpado pelo que aconteceu. A culpa deve ser atribuída aos ideólogos que o entenderam mal, acreditando que o equilíbrio do mercado equivale ao interesse público, por definição.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h35
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4 cenários possíveis para a crise econômica mundial

 

O economista francês Alexandre Delaigue, no artigo "A Europa não controla seu destino" (revista Veja, edição 2093, 31/12/2008) traçou quatro possíveis cenários para os reflexos da atual crise econômica na Europa.

Sem mais delongas, transcrevo a descrição dos tais cenários:

A crise se assemelha a outras recentes, como aquelas do começo dos anos 90 ou do começo dos anos 2000. Nessa versão, os países europeus atravessam uma recessão, com crescimento econômico negativo por um ano ou dois. O desemprego aumenta em toda parte. Governos tentam sustentar o nível de atividade econômica por meio de gastos: o déficit e a dívida pública crescem. Os setores automobilístico, financeiro e de construção civil são os que mais sofrem. Mas então a crise acaba e a economia volta a crescer.

• A segunda alternativa é a do "decênio perdido", experimentada pelo Japão na década de 90. Em vez de uma recessão seguida de retomada, o crescimento da economia européia fica em nível zero por diversos anos. Instituições financeiras continuam a falir e obrigam os governos a se endividar para ampará-las. Esses mesmos governos tentam aquecer a economia por meio de gastos públicos - e constróem pontes ou estradas de utilidade duvidosa. O endividamento estatal explode.

• O terceiro cenário é o da Europa dos anos 70. Faz lembrar, em certos aspectos, o anterior. A crise econômica se estende, a dívida e as despesas dos governos vão às alturas. A diferença é que o Banco Central Europeu afrouxa o controle da inflação, que chega a 5% ou 6% ao ano na zona do euro. A inflação tem o condão de reduzir o peso das dívidas e de induzir ao consumo (eu compro hoje porque sei que, amanhã, os preços estarão mais altos): em certas circunstâncias, pode ser um mal menor. Nesse cenário de inflação mais forte, o crescimento, no entanto, continua baixo.

• O quarto e último cenário não tem precedentes. Nessa versão apocalíptica, certos governos europeus não conseguem obter os capitais necessários para reanimar suas economias e seus bancos. Eles se avizinham da situação de inadimplência. Sua única saída é abandonar o euro e retornar às antigas moedas, fortemente desvalorizadas. Alguns desses países têm de recorrer ao FMI. A União Européia balança. Ressurgem barreiras protecionistas. A situação econômica faz lembrar perigosamente a dos anos 30.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 12h57
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Maílson da Nóbrega acredita que Lula não cometerá aventureirismos

 

O ex-ministro da Fazenda e consultor financeiro Maílson da Nóbrega está otimista quanto aos efeitos da atual crise sobre a economia brasileira.

Mas faz uma ressalva: a não ser que "a provável queda de popularidade, derivada da desaceleração da economia, leve o governo a recorrer a mágicas e ações 'desenvolvimentistas' inconseqüentes".

Assim ele escreveu num artigo para a revista Veja, em sua última edição de 2008.

Fechou o texto de forma otimista: está convicto que Lula não vai fazer aventuras, não cometerá desatinos.

Transcrevo o segundo e o terceiro parágrafos do artigo intitulado "Uma base sólida para enfrentar a crise":

O país tem tudo para sair bem da tormenta. É o prêmio pelos avanços institucionais de muitos anos (embora o governo teime em reivindicar tudo para si). Nas outras crises, quebramos; agora, o custo é crescer menos. A inflação explodiu; agora vai diminuir. A taxa de juros subiu; agora vai cair. E por aí afora.

Um dos alicerces para agüentar o vendaval é um sistema financeiro sólido (viva o Proer!). Lá fora, a dificuldade está na fragilidade dos bancos. A gestão macroeconômica é competente (vivam as metas de inflação, o câmbio flutuante e os superávits primários!). Com reservas internacionais de mais de 200 bilhões de dólares, o setor público tem mais caixa do que dívida externa (cadê os petistas que queriam a moratória?).



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h38
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A gênese da bagunça urbana

 

(Ou: Uma lição de sociologia brasileira a partir do comportamento individual)

Assim nasce a bagunça urbana:

1) O dono do imóvel quer construir uma saída de automóveis, mas prefere a solução mais prática, simples e barata, mesmo que seja irregular ou ilegal, ou prejudicial para terceiros.

2) Em vez de centralizar a saída, prefere deixá-la na lateral para ganhar mais espaço interno.

3) Como o terreno tem aclive, a saída cria um degrau que não é permitido pela prefeitura e dificulta as caminhadas de idosos e deficientes físicos, causando freqüentes e graves acidentes.

4) O dono do terreno faz a obra e, muitas vezes, passa despercebido, criando mais um dos milhares de prejuízos às vias públicas das milhares de cidades brasileiras que não são planas.

5) Outras vezes a sorte não o favorece pois um vizinho reclama ou um fiscal passa, atento, na porta. Aí a obra pode ser paralisada.

6) A minoria se rende à pressão do Poder Público. A maioria ou ignora a multa, ou pede a um funcionário público (ou a um político) para pressionar o chefe do fiscal a fazer o cancelamento. E se cria mais um dos milhares de prejuízos às vias públicas das milhares de cidades brasileiras que não são planas.

7) E todo dia aquele descumpridor da lei passa em frente a outro caso de bagunça urbana e reclama da incompetência das autoridades, que só se preocupam em encher o saco do cidadão-de-bem.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h46
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Historiadora garante que Aleijadinho é um mito

 

Matéria publicada n'O Estado de São Paulo, de 04/01/2009, tenta desmistificar o escultor Aleijadinho, suposto autor de inúmeras obras do Barroco mineiro.

A fonte é a escritora e historiadora ouropretana Guiomar de Grammont, diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da Universidade Federal de Ouro Preto, que lançou recentemente o livro "Aleijadinho e o Aeroplano - O Paraíso Barroco e a Construção do Herói Nacional", pela Editora Civilização Brasileira.

Ela não chega a afirmar a inexistência dele, mas dessacraliza o mito, garante que as obras atribuídas ao Aleijadinho foram feitas por muitos artistas.

Diz que o mito foi criado em 1858 por Rodrigo José Ferreira Bretas, que escreveu a biografia que até hoje seria a única fonte de todas as informações disponíveis sobre a vida de Antônio Francisco Lisboa.

Seguem trechos da reportagem:

Guiomar de Grammont, a autora do livro O Aleijadinho e o Aeroplano (Editora Civilização Brasileira, 322 págs., R$ 45), defende que não só os métodos de análise atributiva são equivocados como as provas documentais a respeito do escultor são insuficientes para atestar a autenticidade de qualquer uma de suas obras. Todo esse esforço para sobrevalorizar Aleijadinho é inútil, diz ela. Aleijadinho não foi um. Foram vários.

A tese da escritora caiu como uma bomba em território mineiro. Ela passou o último mês enfrentando olhares oblíquos de críticos e colecionadores que, de uma hora para outra, viram cair por terra seu herói colonial disforme. A imprensa mineira viu com antipatia o estudo da acadêmica, professora de Filosofia da Universidade Federal de Ouro Preto, sobre esse ícone da brasilidade, a ponto de um jornal de Belo Horizonte estampar na manchete "Ela quer matar Aleijadinho".

Acabou comprando uma briga dos diabos ao dizer que Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), o herói cultural barroco, pode não ter sido o artífice que o Brasil conhece, mas um mito inventado pela astúcia do Império, instrumentalizado pela ditadura do Estado Novo (...)

Aleijadinho, que teve sua primeira biografia oficial assinada em 1858, 44 anos após sua morte, por Rodrigo José Ferreira Bretas. É a mesma biografia que a professora mineira dissecou para provar que seu autor "incorporou" dados da vida de Michelangelo contada por Vasari em sua fantasiosa obra. A professora questiona desde a paternidade do artista - atribuída ao arquiteto português Manuel Francisco Lisboa para que ele fosse aceito pelo Segundo Reinado -, até a doença contagiosa (sífilis, lepra?) do "Quasímodo brasileiro", por falta de provas documentais.

"O que se pode concluir é que a biografia de Bretas foi feita para receber o prêmio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, outorgado pelo próprio imperador Pedro 2º, e que os documentos posteriormente reunidos pelo Sphan são apêndices da biografia", diz a autora. "Não dá para afirmar que Aleijadinho era filho de Lisboa ou que ele tenha sido arquiteto." O escultor é uma invenção romântica e nacionalista de Bretas, defende a autora. Como um Victor Hugo dos trópicos, o biógrafo forjou a imagem desse Quasímodo tropical, que supera sua deformação física para atingir a dimensão espiritual do gênio, uma imagem construída para servir aos interesses políticos de distintas épocas, de Pedro 2º a Vargas.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h54
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Jornalista escancara o próprio erro

Deve ter sido de chorar! O colunista social Mário Fontana, do jornal "Estado de Minas" de 28/12/2008, decidiu ilustrar a sua página quase inteira com uma comparação entre a ex-miss Minas Gerais Natália Guimarães e a badalada primeira-dama da França Carla Bruni. Destacou a semelhança física e o fato de serem duas morenas bonitas. Só que Carla Bruni é loura. Comparem a foto e a legenda.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 17h18
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A contratação e demissão de servidores como parte do jogo político

 

Uma das situações mais constrangedoras para o administrador público recém-empossado é a necessidade de demitir servidores contratados - desnecessariamente - pelo seu antecessor.

Só o ato de punir, prejudicar, demitir alguém já é um problema para o político: ele vive de eleições e uma decisão deste tipo acarretará em permanente perda do voto do demitido e de seus familiares.

Em resumo: o antecessor ganha a benesse da contratação, o sucessor o ônus da demissão.

Eu conheço até casos de aberração, em que o administrador contratou muitos funcionários no final da gestão, já no assim chamado "apagar das luzes" do governo, não sobrando outra alternativa para o sucessor que não a parte suja, a demissão.

É uma variação do caso anterior, mas realizada de forma mais clara, descarada, abusiva, irresponsável.

Esses problemas sucessórios me fizeram lembrar de um fato ao mesmo tempo semelhante e diferente, que aconteceu numa associação esportiva.

Em torno de 1975 a diretoria do Jockey Club de Minas Gerais, encabeçada pelo empresário Perseu Oridal Vigne, foi obrigada a renunciar por pressões de um grupo de sócios.

Um dos últimos atos, antes da entrega do cargo, foi a demissão de um funcionário antigo, José Hamilton Pereira, com a finalidade de criar uma grande dívida trabalhista para o sucessor Moacyr Andrade Ribeiro de Oliveira.

Irresponsabilidade, crueldade, vingança, seguem eternamente afetando as relações sociais e temperando o caldeirão de problemas que cozinha o Brasil.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h45
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Prefeito de Montes Claros suspende 4 mil contratos de trabalho

 

Anuncia o jornal Estado de Minas de hoje (03/01/2009) que o prefeito recém-empossado de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, suspendeu todos os contratos administrativos de funcionários não-concursados da prefeitura.

São quatro mil contratos de trabalho suspensos, metade do número total de servidores do executivo da mais importante cidade do norte mineiro (358 mil habitantes, segundo o IBGE).

A demissão de funcionários irregularmente contratados é um ato quase rotineiro na troca de mandatários não-aliados (obviamente estou falando de política brasileira).

Como também é rotineiro o evento precedente: a contratação de servidores exclusivamente por motivos políticos, alguns sob a sombra de leis permissivas, outros passando por cima da legislação vigente.

Neste último caso, amparado pela impunidade, pela ineficiência do Poder Judiciário, dos órgãos policiais e também do Ministério Público.

No específico caso de Montes Claros, o jornal relata a participação do Ministério Público, mas não fala em instauração de processo contra o agente político que fez as contratações irregulares.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h14
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Alternativa Bolivariana para a América (Alba) recomenda calote ao Brasil

 

O jornal espanhol El Pais publicou em 09/12/08 um artigo do seu correspondente no Rio de Janeiro, Francho Barón, que analisou para os ibéricos as pressões sofridas pelo Brasil por parte dos vizinhos que querem dar calote em suas dívidas.

Os candidatos a canistas são a Bolívia, o Paraguai e o Equador, obviamente insuflados pela Venezuela de Hugo Chávez, o redescobridor do tal do "bolivarianismo".

Destaco o trecho abaixo do artigo:

Em 26 de novembro passado, os países que compõem a Alternativa Bolivariana para a América (Alba) saudaram a decisão equatoriana de cancelar o pagamento da dívida contraída com o Brasil. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, apoiado por seus homólogos da Bolívia, Nicarágua e Honduras, anunciou "respostas concertadas" diante de ações "que atentam contra a vontade do Equador de impugnar os créditos que lesaram a economia do país e seu Estado de direito". Além do apoio à decisão equatoriana, a Alba "recomenda aos países endividados a realização de auditorias integrais com o efeito de pôr em evidência os atos que lesaram suas economias e a ruptura da ordem jurídica que deve reger um Estado de direito". Dessa maneira, o eixo socialista latino-americano anima os governos da região a seguir os passos do Equador.

E também o parágrafo abaixo:

O BNDES é a maior entidade de crédito da América do Sul, muito à frente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e já emprestou milhões de dólares em forma de créditos brandos a Equador, Venezuela, Bolívia e Paraguai, os países que mais insistem na necessidade de analisar a legalidade das dívidas contraídas e, se for o caso, não as assumir.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 15h57
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O autor e seus objetivos


Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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