Contagem regressiva para o início das pequenas mudanças na língua portuguesa
O jornal O Estado de São Paulo publicou, em 30/11/2008, um pequeno guia sobre as mudanças na língua portuguesa que entram em vigor no primeiro dia de 2009, mas de forma opcional.
Só se tornam obrigatórias quatro anos depois.
Achei especialmente interessante a elaboração de uma frase que teria quatro formas possíveis de redação a partir do século 20, alterada pelas mudanças que já foram aprovadas.
Ficariam assim:
Até os anos 1930:
João acorda na manhan de sabbado, começa a tomar seu cafèzinho, mas percebe signais de uma jibóia, prompta para dar o bote. Êle pára, olha e tenta sahir tranqüilamente da sala, seu assustal-a. Vizinhos o vêem correndo pela auto-estrada e oferecem abrigo na egreja.
Até os anos 1970:
João acorda na manhã de sábado, começa a tomar seu cafèzinho, mas percebe sinais de uma jibóia, pronta para dar o bote. Êle pára, olha e tenta sair tranqüilamente da sala, seu assustá-la. Vizinhos o vêem correndo pela auto-estrada e oferecem abrigo na igreja.
Até 2008:
João acorda na manhã de sábado, começa a tomar seu cafezinho, mas percebe sinais de uma jibóia, pronta para dar o bote. Ele pára, olha e tenta sair tranqüilamente da sala, seu assustá-la. Vizinhos o vêem correndo pela auto-estrada e oferecem abrigo na igreja.
A partir de 2009:
João acorda na manhã de sábado, começa a tomar seu cafezinho, mas percebe sinais de uma jibóia, pronta para dar o bote. Ele para, olha e tenta sair tranquilamente da sala, seu assustá-la. Vizinhos o veem correndo pela autoestrada e oferecem abrigo na igreja.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h08
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Blog esteve parado por motivo de luto
Tenho muitos leitores-amigos e alguns leitores-acidentais, que me descobriram via Google. Informo a todos que este blog esteve parado devido ao falecimento de minha mãe, Genny de Ávila Rodrigues, em 19/12/2008. Uma tristeza infinda.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h48
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Humorismo: O Nono Filho
O marido velhinho no leito de morte pergunta à esposa:
- Querida, por favor, seja sincera.
- Sim.
- Eu sempre achei nosso NONO filho um pouco estranho. Ele tem um pai diferente, não tem?
Em lágrimas, a mulher pede perdão e diz que sim.
O marido então pergunta curioso:
- Quem é?
A mulher responde:
- É você, meu bem!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h00
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Em ritmo de eleições: os jogadores de futebol que são “mala” ou “boa-praça”
A equipe jornalística esportiva da TV Globo fez uma pesquisa muito interessante: convidou os jogadores de todos os clubes que participam do campeonato brasileiro de futebol de 2008 a votar no colega "mala" e no "boa-praça".
Somente o Santos vetou a eleição.
O brigão Kleber, do Palmeiras, foi o medalha de ouro na categoria "mala", enquanto o goleiro Marcos, do mesmo time, ganhou as simpatias gerais e o primeiro lugar da categoria "boa-praça".
Deixo para a posteridade os dois resultados eleitorais, com os mais votados:
Categoria "mala":
Kléber (Palmeiras) - 36 votos
Carlos Alberto (Botafogo) - 32
Luis Alberto (Fluminense) - 15
Edmundo (Vasco) - 14
Bruno (Flamengo) - 13
Dagoberto (São Paulo) - 11
Rogério Ceni (São Paulo) - 11
Jorge Henrique (Botafogo) - 11
Fabrício (Cruzeiro) - 10
Denilson (Palmeiras) - 10
Categoria "boa-praça":
Marcos (Palmeiras) - 40 votos
Leandro (Palmeiras) - 9
Edinho (Internacional) - 8
Fábio Luciano (Flamengo) - 8
Lúcio Flávio (Botafogo) - 7
Henrique (Cruzeiro) - 7
Rogério Ceni (São Paulo) - 7
Indio (Internacional) - 7
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h26
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Os malucos adoram trabalhar no serviço público
Acho muito interessante quando alguém assim define uma pessoa de comportamento atípico:
- Fulano é doido!
Antigamente, doido era apenas sinônimo de esquizofrênico.
O fato é que entre o normal-médio e o doido-esquizofrênico existem centenas de tipos de meio-doidos.
Que possuem uma meia-vida social, e gozam de uma meia-independência.
E, freqüentemente, possuem uma meia-capacidade-de-trabalhar.
Há muito descobri o emprego favorito dos meio-doidos: o serviço público.
Conheci muitos casos e descobri que é uma história recorrente: já descobri funcionários públicos (do grupo dos normais) de diferentes áreas e setores que relataram ter trabalhado com muitos doidinhos e doidinhas.
Elaborei até uma teoria sobre esta elevada incidência.
Tais pessoas, freqüentemente, passam por empresas privadas no início da vida profissional, mas não conseguem se adaptar ao patrão, aos colegas, aos clientes; e nem ao ritmo de cobranças, exigências e controle sobre horário e produtividade.
Depois de algumas tentativas e fracassos, passam a ter o serviço público como objetivo único de trabalho, pois acreditam que só a tal "estabilidade" é capaz de garantir um trabalho continuado.
Passam a estudar freneticamente e se inscrevem em todos os concursos que aparecem; com as informações gravadas na memória pelo estudo incessante, acabam sendo aprovados e engrossando o percentual dos funcionários públicos meio-doidos.
Conheci um exemplo perfeito, um engenheiro que foi aprovado em vários concursos públicos bem concorridos e, por isso, tinha fama de ser super-inteligente.
Quando convivi com ele, percebi que se concentrava muito quando estudava, mesmo na presença de colegas que falavam alto.
A chefia do setor fazia vistas grossas ao fato de ele não estar trabalhando efetivamente: sua desorganização psíquica afetava a qualidade e objetividade do trabalho, criando problemas adicionais.
Para os colegas, era um "doidinho" e não justificava uma comparação na produção, por isso a tolerância da chefia era bem aceita.
Tinha mania de perseguição - coisa comum na categoria -, motivo de diversão para alguns de seus colegas, mas de preocupação para outros.
Saiu de lá e passou por mais três empregos - dois deles públicos -; a última notícia que tive foi que estava para ser aposentado, pois criava problemas por se imaginar jurado de morte.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h28
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Descoberta a vacina contra a AIDS! (quantas vezes este anúncio já foi feito?)
A versão brasileira da revista Scientific American, edição de dezembro/2008, destaca a vacina contra a AIDS como assunto de capa.
Não li a matéria, mas a persistência deste assunto na mídia sempre me intrigou.
Em 1986 assisti a uma palestra do microbiologista Romeu Macruz, que duvidava da possibilidade de algum dia ser descoberta a tal vacina.
A explicação do Macruz: o vírus HIV é altamente mutagênico, isto é, ele altera freqüentemente algumas características químicas, exatamente as características que são essenciais para a criação da vacina.
Grosso modo, qualquer vacina desenvolvida só vai imunizar uma parcela da população e, depois de algum tempo, restará inútil.
Mais ou menos a mesma coisa que acontece com uma doença de cavalos, a Anemia Infecciosa Eqüina (letal e causadora de imunodeficiência, como a AIDS), que levou ao fracasso décadas de tentativas de criação de vacina.
Vinte e dois anos passados, a vacina contra a AIDS continua inexistente, um conjunto vazio, uma quimera.
Mas antes mesmo desta palestra a vacina começou a ser pesquisada, e desde então a mídia internacional tem anunciado dezenas ou centenas de falsas descobertas.
Não me lembro quantas vezes neste período o Jornal Nacional abriu com a manchete: "Descoberta a vacina contra a AIDS".
Cito o Jornal Nacional pelo seu alcance; esta manchete é corriqueira na mídia.
Há um espúrio jogo de interesses das duas partes nestas dezenas ou centenas de anúncios inverídicos - para não dizer mentirosos.
Por parte da ciência, arrisco a dizer que quase todos os cientistas que fizeram o anúncio só queriam publicidade: eram pesquisadores que, no máximo, desenvolveram um "projeto" de vacina.
Por parte da mídia, é uma forma de ganhar audiência, ou de vender sua celulose; enfim, de ganhar dinheiro.
Pois a AIDS conseguiu ser um assunto de contínua popularidade, implantando temores (às vezes exagerados) e influenciando o comportamento sexual contemporâneo.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h10
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Disputa pela reserva indígena Raposa Serra do Sol reitera a questão da aculturação e integração
No último dia 10/12/2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, de forma contínua.
Decidiu mas não oficializou, pois o polêmico ministro Marco Aurélio (o primo de confiança de Fernando Collor) pediu vistas do processo e só vai devolvê-lo em 2009.
Seu voto, na verdade, será inútil, pois o placar está em oito a zero e só faltam três votos.
A disputa jurídica destaca, pela enésima vez, a incapacidade brasileira de executar uma decisão tomada, rediscutindo interminavelmente os casos polêmicos.
Destaca e aflora também a interminável discussão acadêmica sobre aculturação: os índios devem ser integrados à sociedade branca ou mantidos junto à natureza, com seus costumes?
A propósito seleciono, abaixo, trechos do artigo "Aculturação e integração", do filósofo Denis Lerrer Rosenfield, publicado n'O Estado de São Paulo, de 08/12/2008:
Vários pensadores e etnólogos se dedicaram a essa questão, com rigor científico e uma visão de integração dos indígenas à sociedade brasileira: Karl von den Steinen, Herbert Baldus, Eduardo Galvão, Egon Schaden e Darcy Ribeiro, entre outros. Eram etnólogos com profunda visão humanista, e não ideólogos que advogavam por um suposto retorno a uma situação idílica e falsa de um estado de natureza bom e harmônico. Seguiam a ciência, e não a religião, como ocorre hoje com a política do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a orientação correlata da Funai.
Em todo caso, o fascínio [pelo mundo civilizado] é irreversível e se coloca a questão de sua aquisição por meio do trabalho e do comércio, e não de políticas assistencialistas, que só desmerecem e desonram os que são delas beneficiários.
A demanda, no caso [dos indígenas], é por postos de saúde, com enfermeiras, médicos e medicamentos, e não pela volta do pajé. A demanda é por uma educação que, resgatando as tradições indígenas, ofereça a eles a possibilidade de uma boa integração ao mundo civilizado. A demanda não é por ausência de trabalho, mas por condições dignas de trabalho, não tornando o indígena um novo miserável urbano.
Para acesso ao artigo completo, CliqueAqui.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h42
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Pai da Eloá vai manter o assunto na mídia mais algum tempo
O acontecimento que mais movimentou a mídia nos últimos meses, que mais ocupou seus espaços, foi o seqüestro e morte da menina Eloá Cristina Pimentel, assassinada pelo namorado Lindemberg Fernandes Alves, em Santo André (Grande São Paulo), no dia 18/10/2008.
Durante alguns dias o assunto deixou em segundo plano as eleições municipais e também um perigoso confronto físico entre policiais militares e civis de São Paulo.
Muitos criticam o destaque aos dramalhões urbanos em detrimento dos fatos de importância social, mais abrangentes.
Esquecem que a mídia é grande fonte de informação social, popular, para as massas; e as massas preferem os dramalhões.
Mas a própria falta de substância faz com que tais notícias caiam rapidamente no esquecimento.
Esta era a previsão lógica para este caso, mas ele teve um fator adicional que pode, brevemente, recuperar a atenção da mídia: o pai de Eloá, que sempre se apresentou com o nome de Aldo José da Silva, na verdade se chama Everaldo Pereira dos Santos e é foragido da Justiça de Alagoas.
Ele é acusado de dois assassinatos, inclusive do então delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa.
E no dia 23/10/2008 duas ex-cunhadas dele o acusaram de também ter assassinado a irmã delas e primeira esposa dele, Marta Vieira, em 1992.
Nesta história repleta de encadeamentos criminosos, Marta teria sido morta porque descobriu que a amante do marido Everaldo estava grávida: a criança que esta teve era a própria Eloá.
Numa reviravolta curiosa, o alvo da próxima caçada da Polícia é o pai da vítima do momento.
A não ser que o perigoso policial Everaldo consiga se esconder tanto tempo que o caso desapareça inteiramente da memória coletiva.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h15
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Como pode alguém colecionar muitas passagens pela polícia e continuar solto?
Matéria publicada no jornal Estado de Minas de 07/12/2008 dá conta que "um homem de 54 anos, com 13 anotações em sua ficha criminal, foi preso em flagrante na madrugada de ontem, sob a acusação de invadir e tentar furtar o apartamento de um casal de idosos numa vila na Rua dos Inválidos, na Lapa, no Centro do Rio".
Inicialmente, me chamou a atenção o fato de o acusado ter 13 passagens pela polícia (por arrombamento e furto).
Na verdade, o fato de ter ficha extensa e continuar livre está longe de ser exceção na terra cabralina, é até freqüente.
Mas sempre me impressiona, pois é uma prova de subdesenvolvimento.
No chamado Primeiro Mundo é difícil alguém conseguir ficha extensa: não é que os criminosos de lá sejam mais mansos, é que a Justiça não lhes dá esta possibilidade.
Alguns pequenos crimes são suficientes para engaiolar o bicho por muito tempo; um razoável conjunto de crimes pode transformar a gaiola humana na residência vitalícia do malvadão.
Outro detalhe triste do caso carioca: o invasor era conhecido da vizinhança, era "amigo e cuidador" dos idosos de 89 anos (ele) e 69 (ela).
Qualquer brasileiro conhece inúmeros casos de idosos explorados por aproveitadores.
No Primeiro Mundo, a decisão de não ter filhos é uma opção natural, pois existem mecanismos sociais de proteção aos idosos.
No Terceiro Mundo é um risco, por causa da assistência social deficiente e, como exemplifica este caso, do alto número de aproveitadores e exploradores.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h15
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Um texto jornalístico destinado a um único leitor
Jornalismo é uma técnica de fazer uma comunicação social, de divulgar uma informação que precisa ser bem entendida pelo maior número possível de leitores.
O colunista/cronista Eduardo Almeida Reis subverteu esta lógica no jornal Estado de Minas de 07/12/2008 (página 22): redigiu uma nota que, claramente, é um duro e recado pessoal a alguém, e por isso se transforma numa informação que não tem interesse a nenhum outro leitor do texto.
Transformou o que deveria ser um ato social num ato privado.
Jornalisticamente inútil.
Mas tão absurdo que se torna cômico.
Para completar a insensatez, um trecho da nota virou frase de destaque, com letras grandes, no alto da página do jornal, e também foi destacada na página da internet.
Eis o texto:
Irritam-me os idosos, donos de belos patrimônios, que se queixam de falta de dinheiro para comprar um computador de 2GB, DH 120, monitor LCD, marca famosa, em 10 prestações de R$ 144. Que pretendem essas pessoas? Quatro filhos criados, encarreirados, patrimônios sólidos, que não dependem da herança - mas o idoso se queixa, e chora, e diz que não tem dinheiro. Ora, bolas, que venda um dos seus imóveis, compre o computador à vista e aplique a sobra de R$ 499 mil em fundo respeitável. Pelo visto, há pessoas que nasceram para chorar: fazem do queixume seu leitmotiv. Pra cima de moá? Não vem que não tem.
Que beleza de imóvel, hem! R$ 500 mil.
Já que ele deu o seu recado, deixe eu dar-lhe o meu.
- Diga apenas duas palavras: Não empresto!
Verbalmente. Oralmente. Bucalmente. Frente a frente.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h07
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
50 anos espalhando solidariedade humana
Hoje, 07/12/2008, uma missa na Catedral de São João Batista, em Caratinga-MG, assinala e comemora os 50 anos presbiteriais de Monsenhor Raul Motta de Oliveira.
Anteontem teve uma missa com a mesma finalidade no Seminário Diocesano (onde ele ensina português e latim) e amanhã haverá outra na Matriz de Inhapim, cidade onde nasceu.

Em 18/11/08 estive com ele em Caratinga, quando se tornou a maior fonte das pesquisas da minha árvore genealógica.
Ele é originário da família Madureira, como eu, e fez pesquisas detalhadas na década de 1960.
Seu pai mudou-se de Conceição do Mato Dentro para Inhapim, bem perto de Caratinga, na década de 1920, onde nasceu em 05/06/1929 e ordenou-se padre em 07/12/58.
De 1987 a 2004 foi pároco da catedral e há 25 anos é o vigário-geral da diocese de Caratinga, que engloba 47 paróquias e 54 municípios da região.
Ele também é jornalista profissional e edita mensalmente a revista Diretrizes, de temática católica.
Me explicou que monsenhor e cônego são títulos que alguns padres recebem.
Explicou, ainda, que a região de Caratinga é relativamente nova, e as cidades somente se expandiram em meados do século 19.
"Era uma região de índios bravos, os botocudos, e servia como verdadeira prisão para os inimigos do Império, que não tinham como sair depois de enviados para cá", me explicou.
Creio que a topografia também retardou a colonização, pois a região é caracterizada por montanhas intermináveis, muitas sob a forma de paredões.
O monsenhor mora no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Rosário, onde me hospedou no dia da visita.

Monsenhor Raul e o blogueiro que aqui assina
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h43
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Trânsito, competição urbana que é vencida por quem tem mais peito
Recentemente eu fui de táxi, à noite, para a Rodoviária de Belo Horizonte.
O motorista era jovem, talvez o taxista mais jovem que já me transportou.
Quase chegando lá, a rua se encontra de forma meio confusa com outra e os motoristas entravam devagar, cautelosos.
Mas o meu piloto forçou a passagem com seu carro (marca Meriva, um modelo bem caro) e comentou:
- O trânsito aqui é lento pois eles não têm peito para avançar!
O jovem motorista confundia o tráfego de automóveis com uma competição: quem tem mais peito, mais coragem, mais decisão, é o ganhador; o motorista cauteloso é um medroso, covarde, perdedor.
É uma idéia irracional, imatura, ilógica; mas é uma idéia compartilhada por milhões de brasileiros, em maior ou menor grau.
Especial e seguramente, por mais de 90% dos motoqueiros.
E por um percentual expressivo dos jovens motoristas, como o taxista do Meriva, que instantes antes suspendeu a nossa conversa para admirar uma moto sofisticada, de algumas centenas de cilindradas e várias dezenas de milhares de reais, que passou ao lado.
Entrementes, a estatística de mortes e acidentes graves atinge números expressivos e assustadores.
Não há brasileiro que não tenha perdido algum parente em acidente automobilístico.
Cássio, meu primo em segundo grau, era alegre, agitado, divertido, super-ativo; necessitava da emoção e da aventura, buscou-as num possante e veloz Chevrolet Opala mas também encontrou a morte (e ainda arrastou um casal) duas décadas atrás.
Raquel, do mesmo grau de parentesco, mas a quem nem conheci, aumentou as estatísticas em 1998.
A racionalidade é conseqüência da maturidade; já o domínio dos instintos pertence ao seu contraponto, a imaturidade.
E a racionalidade não permite dúvidas: o automóvel é apenas um meio de transporte, nada mais do que isso, e não deveria ser usado como objeto ou arma pelas mãos de uma personalidade que não conseguiu amadurecer e se completar.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h04
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Jornalista faz o Elogio do Erro
O colunista social Mário Fontana, do Estado de Minas, o jornal líder de vendagem em Minas Gerais, fez na edição de 05/12/2008 uma dura crítica a um funcionário público, mas o entendimento de quem leu é exatamente o oposto dele.
Ele critica um funcionário do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais por ter dito que "as prefeituras precisam dispor de equipe técnica que conheça de forma ampla as leis", o que - indiscutivelmente - é uma afirmação correta e lógica.
O cronista social pergunta: "nos orçamentos de várias cidades não há dinheiro nem para pagar uma pobre servente de grupo, como elas vão manter equipe técnica para controlar gastos?".
Termina garantindo que "os únicos recursos para ter as contas disciplinadas são a honestidade e o bom senso do prefeito".
O raciocínio é absurdo, ilógico.
Em primeiro lugar, em Minas Gerais há muitos escritórios contábeis que também dão assistência jurídica às prefeituras, o que dispensa a criação de uma grande equipe técnica, como certamente interpretou o colunista.
Em segundo lugar, qualquer prefeitura, mesmo que pequena, tem dinheiro para pagar, não apenas uma, mas muitas serventes; as prefeituras são grandes contratadoras de trabalhadores e a manutenção do ensino municipal é exigência constitucional (e social).
Se as prefeituras não fizerem controle de gastos, como preconiza o cronista, o dinheiro público vai virar pó.
Segue a íntegra da surpreendente notinha:
Márcio Ferreira Kelles, assessor do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, deu uma de Maria Antonieta. Pelo fato de os 853 municípios mineiros estarem obrigados por lei a prestar contas ao tribunal, afirmou: "As prefeituras precisam dispor de equipe técnica que conheça de forma ampla as leis, que defina com segurança como e onde deve ser usado o dinheiro público e que saiba organizar o controle interno de seus gastos". Ora, se nos orçamentos de várias cidades não há dinheiro nem para pagar uma pobre servente de grupo, como elas vão manter equipe técnica para controlar gastos? Os únicos recursos para ter as contas disciplinadas são a honestidade e o bom senso do prefeito. Caso contrário...
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h28
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Urbanização desordenada, a causa das tragédias provocadas pelas chuvas
Bem antes do nascimento de Jesus Cristo, a cidade-estado Roma já tinha uma técnica de construção de novas cidades.
Quando seus exércitos conquistavam uma região, fundavam e construíam uma cidade a partir de uma planta básica, composta por ruas preenchidas por quarteirões quadrados e pelos projetos do fórum (a parte administrativa, o poder), do templo (a religião) e do hipódromo (o lazer).
Nos Estados Unidos, as cidades modernas seguem um padrão de ruas retas, blocos quadrados de quarteirões - daí o nome - de 100 metros por outros 100 metros, orientados no sentido norte-sul e leste-oeste.
No Brasil, ocasionalmente aparece uma cidade planejada que segue a milenar organização, como aconteceu com Belo Horizonte e Goiânia, mas com o passar do tempo só a área central se mantém no padrão.
Outro contraste entre estes dois mundos é a questão da propriedade: no Primeiro Mundo (o dos países bem desenvolvidos) toda área, toda terra, tem proprietário, ainda que seja o Governo.
No outro mundo - que é o Terceiro, já que o segundo desapareceu das referências - a maioria das casas humildes é construída em área invadida.
A urbanização deficiente torna as construções mais suscetíveis a acidentes, intempéries e desastres ambientais.
Certamente esta é a gênese do desabamento de centenas de casas e mais de 100 mortos na última semana de novembro de 2008, no estado de Santa Catarina.
Geralmente eram casas ribeirinhas, ou casas à beira de barrancos, ou construídas em terrenos baixos e alagadiços.
Fico a imaginar as previsíveis conseqüências caso o Brasil fosse, como os EUA e o Japão, palco e local de fenômenos bem mais agressivos da natureza, como os furacões e terremotos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h36
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Gravidez de adolescentes, um problema nas classes pobres de Belo Horizonte
Trabalho na Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte, e todos os dias, de segunda a sexta-feira, paro no sinal de transito que existe na altura do número 1.800, uma confusa esquina múltipla de onde partem várias ruas.
A mais importante delas é a Rua Gentios, que vai até o Hospital Luxemburgo, área que a organização urbana da cidade classifica como Bairro Conjunto Santa Maria.
O tal conjunto é de classe social pobre, quase uma favela.
Do lado oposto em relação à avenida, à direita de quem sobe, também existe uma seqüência de casas simples, pequenas, agarradas umas às outras, acessíveis por becos pequenos, curvos, alguns deles insuficientes para a passagem de um automóvel.
Uma área de muito movimento de gente humilde.
Raramente encontro o semáforo aberto; geralmente tenho um minuto para observar as pessoas.
Sempre me impressiono com a quantidade de adolescentes barrigudas; apesar da epidemia de obesidade que chegou aos pobres, estou me referindo à gravidez.
Fico impressionado, também, com a quantidade de adolescentes puxando crianças pelas mãos; atravessando, circulando, caminhando.
Certamente muitas são irmãs mais velhas levando irmãos mais novos; mas minha vivência e as estatísticas do IBGE garantem que é grande o número de mães adolescentes acompanhadas dos frutos de uma precoce chegada ao mundo da reprodução humana.
Muitas daquelas crianças saíram das barrigas que passavam pelo mesmo local e se mostravam aos meus olhos dois, três, quatro anos antes.
Me impressiona também a falta de entrosamento local com as regras básicas de trânsito.
Sinalização não falta: existem semáforos, pintura de faixas de pedestres e até uma grade ao longo do canteiro central.
Mas a todo instante se vê alguém atravessando correndo a avenida, saltando entre os carros, em pleno sinal vermelho.
O coração estremece quando a travessia perigosa é feita por uma mulher esbaforida, tensa, puxando duas ou três crianças pelas mãos.
E é coisa freqüente, rotineira.
Geralmente passam por buracos da grade, que o vandalismo urbano constantemente recria.
Outras vezes fazem a perigosa travessia na própria faixa de pedestres, mas com o sinal fechado; ironicamente o sinal costuma interromper o tráfego dois ou três segundos depois.
O cotidiano da pobreza não é bonito; o da ignorância também não.
São irmãos siameses: a ignorância mantém e até expande a pobreza.
O homem é um bicho social. Sem respeito às leis básicas de vida em comunidade, não há qualidade de vida.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h18
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
|

|
|
|
O autor e seus objetivos
|
Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
|
Outros
sites
Jockey Club MG - nova página
Tiago - Meu webmaster favorito
Uma superpágina de informática
Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
Blog do Paulo Afonso
Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
UOL - O melhor conteúdo

|
Contador
de acessos:
|