Márcio de Ávila Rodrigues


Monsenhor Raul Motta de Oliveira, de Caratinga - pesquisas de árvore genealógica

História é ciência?

Décadas atrás, um professor me ensinou que a História é uma ciência porque o conhecimento do passado dá informações que possibilitam influenciar o presente e alterar o futuro.

Mas a experiência posterior me ensinou que ele foi exageradamente taxativo na afirmação, já que a própria definição de “o que é ciência” é variável.

O episódio serviu, no entanto, para me fazer pensar sobre a importância da análise e do conhecimento do passado.

Quanto ao passado pessoal, a História de minha família só me despertou quando li o livro Baú de Ossos, de Pedro Nava.

Ele pesquisou intensamente a história de sua família e a sua própria, contextualizou-as dentro da história da civilização humana e as escreveu em seis livros tão marcantes que os teóricos da literatura brasileira o consideram como criador de um novo gênero, a Memorialística.

A partir daí comecei a pesquisar minha  árvore genealógica, mas as informações foram pontuais até a visita (18/11/2008) ao padre Raul Motta de Oliveira, em Caratinga.

Caratinga, cidade montanhosa, tem na Pedra Itaúna o seu cartão postal

O padre, mais conhecido pelo título de Monsenhor, é meu parente distante; há dois meses fui informado que ele tinha feito uma profunda pesquisa sobre a família Madureira.

Ambos somos originários desta família através da antiga cidade mineira de Conceição do Mato Dentro.

Na década de 1960 ele coletou depoimentos e informações sobre os seus antepassados, material que não foi publicado, e por isso pouco conhecido.

Tornou-se a maior fonte de minhas pesquisas, que no próximo ano pretendo disponibilizar na internet.

Espero que algum dia ele possa também transplantar as informações das demais famílias que compõem a sua árvore genealógica para acesso de outros historiadores da vida pessoal-familiar.

No próximo dia 7 de dezembro haverá uma missa na Catedral de São João Batista, em Caratinga, para comemorar os exatos 50 anos presbiteriais do Monsenhor, ordenado padre em 07/12/1958.

79 anos de vida espalhando ideais de solidariedade humana através da arma que escolheu cedo: a religião.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h55
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Entrevista do cientista político Jairo Marconi Nicolau

Observações eleitorais de um cientista político

Os dois turnos das eleições municipais de 2008 já transcorreram, mas o assunto “eleições” não pode ser esquecido: é a principal alternativa democrática de melhoria da sociedade.

Assim sendo, destaco abaixo alguns trechos de uma interessante entrevista do cientista político Jairo Marconi Nicolau, publicada n’O Estado de São Paulo de 05/10/08, aliás o dia do primeiro turno.

Mas o que mais me chama a atenção é o fato de as eleições virarem uma coisa mais regular na vida dos cidadãos. Quando você vota pela sexta vez, isso quer dizer que as eleições passaram a ser uma rotina e não têm aquele caráter excepcional. Se você reparar, também, o horário eleitoral ficou mais curtinho, agora não tem no domingo, são 45 dias só. Então campanha passou a ter o tempo de duração, praticamente, do horário eleitoral. Outro fenômeno é que há uma protelação da decisão. Como as eleições estão se tornando mais rotineiras, as pessoas vão deixando para a última hora.

(...) essa foi a primeira eleição municipal em que as regras draconianas, aprovadas para a última eleição nacional, entraram em vigor. Não tem outdoor, os galhardetes desapareceram, não pode dar camiseta, brinde, prêmios.

(...) pessoas que no passado provavelmente estariam trabalhando para os políticos tradicionais, hoje estão tentando a sorte nas eleições. Isso mostra, por um lado, um aspecto positivo, que é a democratização, a abertura do sistema político. Mas, por outro lado, também acho que revela a vitória do particularismo. Na verdade, os candidatos, quase todos, estão se propondo a representar pequenos interesses. Quer dizer, é o pastor da igreja tal, o representante das domésticas, dos porteiros, dos motoristas de van, das merendeiras, dos professores de primeiro grau, dos securitários.

Mas acho que, com o fortalecimento do Executivo municipal após a Constituição de 88, sobrou para o Legislativo local muito pouco da sua tarefa clássica de produzir leis.

Teoricamente, a democracia é o regime dos partidos. Agora, a democracia pode ser um regime com esta configuração brasileira: partidos pragmáticos, partidos que representam pequenos interesses. A gente tem um sonho, partidos um pouco mais estruturados, mais doutrinários, mas eles não estão prosperando no Brasil. É quase um paradoxo ou uma refutação de uma teoria clássica, que diz que democracias fortes devem ter partidos fortes.

Para acesso ao teor completo, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h50
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Sociologia brasileira: o desconhecimento de que a liberdade de um começa onde termina a liberdade do outro

O brasileiro gosta de dar conselhos sobre a saúde alheia

Tenho especial interesse e curiosidade pelo comportamento do brasileiro: seu cotidiano, suas formas de relacionamento, hábitos populares, atitudes individuais.

Me impressiona como isto é típico do nosso povo, atípico para os outros, principalmente os mais organizados, de maior padrão sócio-econômico.

Um dessas características que tenho observado é a questão da falta de limite claro no relacionamento interpessoal.

Cada brasileiro tem sua própria noção deste limite, do que pode ser dito a cada pessoa, de como deve se portar em sociedade.

Como não posso seguir nesta linha sociológica de raciocínio, pois seria assunto para um livro e não para um post de blog, aproveito para sair da análise global e passar para um caso que vivenciei e que acho característico desta falta de conceitos definidos.

É do ramo de conselhos e palpites.

Acho curioso este comportamento de alguém dar conselhos e orientações sobre coisas que não entende, ou não é da sua função.

Minha curiosidade se transforma em assombro quando eles são relacionados à saúde.

Uma vez eu fui a uma ótica para adquirir um óculos de descanso e, ao final, o atendente (e dono) começou a me perguntar sobre lentes de contato.

Fez uma cara assustada quando eu lhe informei que as usava constantemente, só retirava para dormir.

Explanou professoralmente sobre o risco de úlceras de córnea.

Expliquei educadamente, para não ofender, que eu seguia rigorosamente os conselhos do meu oftalmologista e ele não me fez restrições quanto ao tempo de uso diário das lentes.

Logo depois o candidato a Doutor observou uma pequena inflamação atrás da minha orelha, sob o encaixe da armação.

Expliquei que era discreta e crônica, provavelmente uma micose, mas ele não refugou e me indicou uns três remédios diferentes.

Outro caso, na mesma linha, teve como consultor um colega de trabalho que tinha o hábito de dar conselhos a quem lhe desse a oportunidade.

Sua formação escolar era o Direito, a advocacia, e não me consta que tivesse conhecimentos reais sobre os assuntos em que palpitava.

Um dia cheguei a perder a paciência e chamei-lhe a atenção:

— Olha, você está correndo o risco de alguém deixar de ir a médico e substituir o tratamento pelos seus chás. Se adoecer, e até morrer, você é o culpado.

Ele gostava sempre de dar conselhos não pedidos; implicava sempre com a minha calvície e indicou todos os remédios possíveis: interlace, entrelace, implante de fios, vitamina A.

Indicou até a Loção do Vicentinho, um remédio que estava na moda em Minas Gerais nos anos 90 e que hoje caminha para o esquecimento.

O que vai por dentro da cabeça dessas pessoas?

Atribuo primeiramente à vaidade, à sensação de (pretensa) superioridade quando está ensinando, ajudando, aconselhando. Sou melhor do que você!

Outra questão é a falta de percepção do limite que separa as pessoas.

Como terceiro ponto, o fato de a impunidade ser uma regra: raramente abrimos processos judiciais por questões pessoais.

O brasileiro não teme as conseqüências de se imiscuir na vida alheia.

O comerciante (isto é mais comum nas farmácias, através das receitas dos balconistas) tem um interesse financeiro quando aconselha, mas é um ser humano e acaba movido pela vaidade, pelo desrespeito aos limites naturais de sua profissão e pela confiança na impunidade.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h06
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Um borracheiro atrapalhando o trânsito na avenida movimentada

Um borracheiro atrapalhando o trânsito na avenida movimentada

Em qualquer metrópole brasileira perde-se muito tempo no trânsito, juntamente com stress, dinheiro e combustível; só se ganha stress.

Mas não é apenas o excesso de carros que congestiona as ruas: outros culpados são as obras, as carroças, os carros velhos que enguiçam, os carros abandonados, as caçambas.

A cultura brasileira dificulta a resolução do problema: o sentimento de piedade aparece com relação às carroças e os carros velhos; a burocracia dos órgãos fiscalizadores atrapalha a atuação contra as obras e os carros abandonados.

Na avenida dos Andradas, em Belo Horizonte tem um borracheiro que, sozinho, atrapalha o fluxo dos carros junto ao Viaduto José Maria Torres Leal, de acesso ao bairro de Santa Tereza.

Como a avenida é muito larga, o problema só aparece na pior hora: a do rush, quando o tráfego é intenso.

O curioso é que o borracheiro não pode ser punido: a responsabilidade é de seus clientes motoristas.

Na foto abaixo, o carro vermelho está estacionado, esperando o pneu colar, ao lado de um cone que só poderia ser usado por órgão oficial, autorizado pelo Detran.

A pista fica fechada e 30 metros adiante, também à direita, está o início da importante avenida Mem de Sá.



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 19h02
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Belo Horizonte: pacata no passado, violenta no presente

Belo Horizonte já foi uma cidade pacata, sem crimes

Folhear os jornais populares brasileiros é um ato depressivo.

As páginas policiais estampam crimes ao gosto do freguês: são de tipos imagináveis e inimagináveis, de paixão, de tara, de sadismo, de loucura, vingança, disputas; além de inacreditáveis acidentes banais.

Frutos de um país com uma cultura permissiva, que não incentiva o controle social, e assolado pela explosão demográfica.

A violência se concentra nas grandes metrópoles, e Belo Horizonte não consegue fugir à regra, com seus mais de dois milhões de habitantes, mais de três se incluídas as cidades que lhe são – praticamente – contínuas.

Mas o terrível fenômeno é atual, é moderno.

Foi um choque ler os trechos, transcritos abaixo, do livro O Desatino da Rapaziada, de Humberto Werneck (editora Companhia das Letras, 1992), que tem como tema os escritores e jornalistas que fizeram a história recente de Minas Gerais.

Conta Werneck que o jornalista Moacyr Andrade fala assim da luta dos repórteres do jornal Correio Mineiro, que funcionou na capital entre 1927 e 1930, para conseguir notícias: “Nossos repórteres pelejavam para arranjar sensacionalismo noticiando crimes, mas voltavam suados à redação, com atentados insignificantes ao Código, que mal mereciam uma coluna”.

E continua: “Em desespero de causa, os responsáveis pelo Correio Mineiro lançaram mão de recursos pouco ortodoxos (...). ‘Inventamos pitonisas, assombrações e até um faquir indiano, que dissemos estar aqui incógnito, vindo de um mosteiro do Himalaia, confessará Moacyr Andrade.’”.

E continua, ainda com mais impacto: “Um dos editores, Alberto Deodato, sergipano de Maroim, vivia momentos diários de exasperação. ‘Que cidade horrorosa, que não dá crimes!’, bradava a cada manhã. ‘Não dá nada de sensacional! E temos de encher um jornal!

Quando, finalmente, houve um bom crime – um certo sargento Anhambira matara um tenente Humberto no quartel do 1º Batalhão –, o Correio Mineiro explorou a história o quanto pôde, esticando-a ao longo de três meses, relembra Moacyr Andrade, ‘para que o povo não perdesse o seu sabor, assim como se conserva carne no congelador...’

 Se revivessem, Deodato teria saudade da exasperação e Moacyr Andrade, do salutar desespero.



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 14h07
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Fernando Gabeira e a dificuldade cultural do brasileiro para medidas preventivas

Fernando Gabeira diz que brasileiro não tem capacidade de prevenir crises

Após uma derrota honrosa na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, o deputado mineiro (Juiz de Fora) Fernando Gabeira voltou para a trincheira onde pode praticar a sua guerrilha verbal: a imprensa.

Em editorial publicado na Folha de São Paulo de 21/11/2008 ele critica a lentidão do governo (sem citá-lo) em se preparar para a crise econômico que vem aí, trazida pela globalização das quebras dos bancos de financiamento norte-americanos.

Diz que a dificuldade do brasileiro em se prevenir é cultural.

Transcrevo os dois primeiros parágrafos do artigo “Nuvens no horizonte”:

Brasília tem o maior PIB per capita do Brasil. Um dos problemas desse índice, o PIB: mascara o que é produção ou consumo. Se os salários do poder aumentam, aumenta o PIB. Mesmo deixando salários de lado, existe uma pergunta antipática na capital: como gastamos o dinheiro?

A crise econômica ainda é apenas uma discreta referência nos discursos. Ninguém se dispõe a pegar o touro a unha. Parece que na nossa cultura é melhor ser atropelado do que se antecipar criativamente.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h51
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A suposta obrigatoriedade de taxas sindicais

O golpe das cobranças sindicais

Uma praga típica de todo fim de ano já começa a aparecer: as cobranças sindicais abusivas.

Qualquer condomínio residencial recebe, nesta época, pelo menos três cartas enviadas por entidades distintas.

No prédio onde moro, a primeira que chegou é a do Sindeac, o Sindicato dos Empregados em Edifícios e serviços em Asseio, Conservação, Higienização, Desinsetização, Portaria, Vigia e dos Cabineiros de Belo Horizonte.

Conseguiram incluir no extensíssimo nome todas as atividades internas de um prédio, para não dar chance de escape ao freguês.

O envelope chegou etiquetado, com a boleta preenchida com o nome e endereço do nosso condomínio.

E, surpresa!: junto veio uma segunda boleta de um concorrente-associado, o Sindicon – Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

Ambos deixaram em branco o retângulo do valor do pagamento, mas não se esqueceram de enviar a tabela completa.

O detalhe decisivo: nosso condomínio não tem empregados.

Em 2004, quando virei síndico, descobri que meus antecessores sempre pagaram as taxas sindicais.

Nenhum teve a iniciativa de solicitar uma opinião de especialista antes de acionar a tecla “Confirma” no caixa eletrônico.

Fico a imaginar a soma total de dinheiro arrecadada irregularmente por tais entidades, aproveitando-se da preguiça cultural do brasileiro.

Cultura que faz o condômino agir como se o condomínio não tivesse dono, por ser de um grupo de pessoas, em alguns casos de muita gente.

Como já faz em relação a órgãos públicos e associações civis.

Preguiça porque a taxa é pequena (no nosso caso, pouco mais de 60 reais para cada sindicato), estimulando o desinteresse pela pesquisa dos direitos e deveres.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h43
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Humorismo

Piada de mineiro: trombada do mineirim com o playboy

Numa estradinha, o mineiro dono de um alambique, entra na traseira de uma BMW novinha em folha. O dono da BMW sai que é uma fera em cima do mineiro, que diz:

 Carma moço tudo se resorve....

 Resolve nada seu *&¨#!*+#$%!!!

 Carma...toma uma aqui da minha fazenda...é da boa que o sinhô vai si acarmá... O cara toma uma.

 Acarmô?

 Acalmei nada!!!

 Então toma mais uma...

E assim foi, depois de uma meia dúzia, o mineiro...:

 Acarmô?

 Sim, agora sim!

 Intão agora nóis vamu sentá aqui i chamá a polícia pra fazê o tar di bafômetro i vê quem tá errado!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h43
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Barack Obama e Lewis Hamilton são mestiços, não são negros

Não aceito este modismo de classificar mestiços como negros

Em minha infância, no curso primário (agora, a primeira metade do primeiro grau) aprendi que as três raças humanas que colonizaram o Brasil geram três tipos de mestiços: mulatos, mamelucos e cafusos.

Posteriormente, a minha formação biológica ensinou que cada novo mamífero, o homo sapiens inclusive – obviamente –, recebe 50% dos gentes de cada progenitor.

Por tudo isso, nenhuma criança produzida por um casal misto será negra, jamais.

Aliás, na ampla maioria das vezes, este casal é formado por um homem negro e uma mulher branca, mas quase nenhum estudioso fala a respeito deste detalhe, por medo de parecer preconceituoso contra a Mulher.

Em tese, a criança mestiça tem uma cor de pele de tonalidade intermediária em relação aos pais, mas certamente pode ficar com esta coloração mais próxima de um deles do que do outro, o que não passa de um detalhe, não invalida o fato de que recebeu 50% dos genes de cada um.

O que eu não aceito é este modismo de classificar mestiços como negros.

Dois exemplos perfeitos estão na ordem do dia: o novo presidente dos Estados Unidos Barack Obama e o novo campeão de Fórmula 1, Lewis Hamilton.

Dois filhos de pai negro puro, e mãe branca pura.

Mas dois negros puros, a julgar pelo que sai publicado e falado na mídia, diariamente.

A discreta mãe de Lewis Hamilton é loura de pele clara, como se vê na foto abaixo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h16
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O sucesso do livro 1808 e o estilo jornalístico de Laurentino Gomes

A linguagem jornalística, segredo do sucesso do livro “1808”

Sou um fã incondicional da linguagem jornalística, do estilo jornalístico de escrever.

É mais democrático e mais educativo, pois atrai o interesse de um número maior de leitores.

O estilo pode ser definido como um texto enxuto, evitando palavras complicadas ou pouco usadas, com as informações básicas oferecidas logo na entrada, parágrafos curtos.

Neste 2008 comemorou-se 200 anos da chegada do rei de Portugal Dom João VI ao Brasil, episódio considerado pelos historiadores como decisivo para a consolidação de nosso país.

Vários livros foram lançados sobre o tema, mas a soma da tiragem de quase todos não alcançou nem a metade de um único, “1808”, de Laurentino Gomes.

A origem jornalística do autor é considerada a causa do sucesso.

Em matéria publicada na Folha de São Paulo, edição de 02/03/2008, a historiadora Francisca Azevedo diz que "a universidade está fazendo uma autocrítica, os historiadores sabem que é importante fazer algo mais palatável, light. Antes era bacana escrever mostrando erudição. Não dá mais pra ser assim".

A reportagem tentou interpretar o sucesso do livro; selecionei e transcrevo abaixo alguns trechos interessantes:

O subtítulo do livro "1808", do jornalista Laurentino Gomes, sobre os 200 anos da chegada da família real portuguesa diz o seguinte: "Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil". Sensacionalista? Sim, um tanto. Mas há que se concordar que a formulação não contém nenhuma inverdade histórica.

A obra tornou-se o maior fenômeno editorial recente do mercado brasileiro, com 250 mil cópias vendidas de setembro até agora por aqui.

Apesar do subtítulo, o livro não se prende a futricas palacianas. Tampouco é apelativo no tom da narrativa. Trata-se de uma grande reportagem, a partir de bibliografia historiográfica já conhecida, escrita com linguagem fácil para atingir leitores de diferentes níveis de familiaridade com o tema.

Por que, então, insistir num subtítulo propagandístico assim? "Se eu pusesse: "1808 -°Novas Dimensões" como fazem os historiadores, o livro não venderia nada", diz Gomes.

A biografia "D. Pedro 1º - Um Herói Sem Nenhum Caráter", de Isabel Lustosa, vendeu 11,5 mil cópias. "D. Pedro 2º - Ser ou Não Ser", de José Murilo de Carvalho, 28 mil. E, ainda, pela busca por narrativas da viagem imperial ricas em detalhes, como "Império à Deriva", do australiano Patrick Wilcken, que vendeu mais de 14 mil exemplares.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 21h14
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Funcionários públicos têm medo de subir nos morros

As favelas se isolam: paramédicos se negam a atender paciente no Morro do Papagaio

Observar o comportamento geral da sociedade brasileira é sempre um exercício interessante.

Padrões gerais se repetem ao longo do tempo amplo, pois são condicionados pela cultura; padrões específicos mudam radicalmente, pois são condicionados pelos modismos, pelas novidades.

No passado nem tão distante o atendimento aos acidentados nas vias públicas era precário, e muitas vezes o atraso e a incompetência é que matavam a vítima.

Hoje há até disputa por paciente entre órgãos públicos diferentes, como Bombeiros, Estado e município.

Inclusive para buscar doentes em casa, o que mesmo nos países mais desenvolvidos só acontece em casos especiais.

E tudo isso apesar do elevado percentual de viagens perdidas por causa das chamadas falsas, dos trotes que divertem mentes doentias ou infantis.

Em relação ao passado, o saldo resulta positivo, mas o avanço do novo serviço criou também situações incomuns, como o caso que aconteceu no dia 09/11/08, em Belo Horizonte, quando o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamado para atender um idoso (88 anos) que estava passando mal.

O problema é que ele estava numa grande favela, por alguns considerada a maior da capital mineira; o Samu pediu a colaboração da Polícia e o caso virou confronto entre os dois órgãos.

Para melhor entendimento, segue um trecho da matéria publicada em 11/11/08 no jornal Estado de Minas: ...Gabriel, que sofre de problemas pulmonares. Pediu socorro a uma equipe do Samu, que para atendê-lo foi ao Aglomerado do Morro do Papagaio, no Bairro Santa Lúcia, na região centro-sul da capital. No entanto, a equipe se sentiu intimidada por criminosos e chamou a PM. A polícia, por sua vez, pegou o aposentado e o levou para o Hospital Odilon Behrens, onde Gabriel foi medicado, e acusou o Samu de omissão de socorro. Os profissionais de saúde negam a acusação e afirmam que a polícia não cumpriu o acordo feito de entregar o paciente à equipe.

Outro trecho importante para o entendimento do caso: Eles o levaram direto para o hospital e acusaram os profissionais do Samu por crime de omissão de socorro, fazendo com que eles passassem quatro horas na delegacia. Eles foram salvar vidas e foram detidos”, diz Maria do Carmo [secretária-adjunta de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte].

E mais um: A gerente do Samu de BH, Carolina Trancoso, diz que a situação afetou toda a equipe. “Uma das técnicas de enfermagem chegou a passar mal na delegacia.”

A repórter se esqueceu apenas de satisfazer a curiosidade do leitor sobre o destino de seu Gabriel, dizendo apenas que “foi medicado”, mas ele apareceu bem na fotografia.

O assunto gerou uma página, com fartos depoimentos divergentes: moradores e policiais garantiam que a favela é segura, mas outras fontes descreveram casos anteriores de ameaças e constrangimentos a paramédicos e oficiais de justiça.

O fato é que qualquer profissional tem direito ao trabalho seguro: se este caso se transformar num processo judicial, espero que caia nas mãos de um juiz humanista, não sob a caneta de algum teórico que se fecha numa redoma, perdendo a percepção do mundo real.

Para os pobres salvadores de vida, um dilema cruel: se atendem, correm risco por ir a um local perigoso; se recusam, são acusados e processados.

E segue girando o ciclo vicioso do Terceiro Mundo:

Os pobres se isolam em favelas ?

A o Poder Público não tem coragem de assumir o controle firme no local, como o faz nas áreas urbanizadas ?

A cria-se um poder local, quase sempre amparado por atividades criminosas ?

A o Poder Público, temeroso da impopularidade que sempre resulta do confronto, se afasta quase completamente ?

A a população fica à mercê do submundo do crime ?

A a falta de acesso à educação, saúde e infra-estrutura mantém o atraso social dos moradores. ?



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h50
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Francisco Teixeira da Costa Filho, o Xoxó, morre aos 72

Xoxó, jornalista e amigo que vai embora

Entre 1973 e 74 fui repórter de esportes especializados do Jornal de Minas, de Belo Horizonte.

Expressão pouco usada atualmente, esportes especializados significa qualquer esporte, excluindo futebol.

A popularidade avassaladora do preferido dos brasileiros fez com que os jornais, desde os anos 30 ou 40, montassem uma grande editoria para ele e uma sessão pequena, geralmente uma única página, para cobrir os demais.

De segunda a sexta-feira, todas as tardes eu comparecia à Diretoria de Esportes de Minas Gerais, um prédio da avenida Olegário Maciel que distribuía, em suas salas, as federações de vôlei, basquete, futebol de salão, natação, atletismo, halterofilismo e até a elitista bocha.

Geralmente meu horário coincidia com o do repórter do Diário da Tarde, meu amigo Xoxó, 18 anos mais velho, um senhor para mim, que sequer havia chegado aos 20 anos.

Quatro ou cinco anos depois passei a fazer assessoria de imprensa para o Jockey Club de Minas Gerais, e tinha no Diário da Tarde o nosso maior divulgador, através do chefe de esportes, Fernando Carlos de Carvalho, turfista de coração e várias vezes diretor do clube.

Eu pegava uma das máquinas de escrever Remington ou Olivetti e escrevia muito texto, novamente ao lado do Xoxó, do Túlio Berti (que era meu maior amigo), Naeme Mansur e outros companheiros.

Nos anos 90, depois da desastrada administração do Seu João Pitimba, que quase destruiu o turfe, voltei a pedir espaço para divulgação no Diário da Tarde; embora Fernando Carvalho já tivesse falecido, encontrei a porta aberta de nossa única tribuna.

Mais uma vez na mesa do lado, o Xoxó me ajudou a usar o pioneiro programa de computador para edição de textos jornalísticos da empresa, ainda pouco amigável e baseado no sistema operacional DOS.

Conversando com ele, descobri que se aproximou do jornalismo muito jovem, pois era sobrinho de Geraldo e Camilo Teixeira da Costa, que chegaram, nesta ordem, ao comando maior do jornal Estado de Minas, o principal do grupo.

O tio Geraldo morreu no final dos anos 60, depois de levar um tiro de um guardador de carros ciumento; Camilo ainda vive, mas está afastado do trabalho há quase 20 anos, vítima do Mal de Alzheimer.

Abro hoje o Estado de Minas e encontro o anúncio da missa de sétimo dia pelo falecimento do Xoxó.

Ao invés de preencher o espaço com elogios e despedidas, transcrevo um texto de seu colega Rogério Perez (10/11/2008), agora no concorrente Hoje em Dia:

Xoxó merecia mais do esporte

O esporte amador e especializado de Belo Horizonte e de Minas, também brasileiro e internacional, poderiam ter homenageado um de seus mais importantes seguidores e divulgadores. Mas, como a memória nos esportes e na vida é fraca e não se avalia mesmo os que trabalharam e deram todo seu talento, apoio e respeito às disputas, aos atletas, aos craques e cartolas, bastou a presença dos parentes, da família, das irmãs, dos amigos e companheiros de Xoxó, repórter, redator, correspondente, rádio-escuta e um profissional da maior qualidade. Grande, Xoxó...

Francisco Teixeira da Costa Filho, o Xoxó, de 72 anos, era um homem dos esportes e um campeão do halterofilismo, das lutas e dedicou sua vida dando notícias e difundindo os chamados esportes especializados na mídia. Ele morreu há cinco dias em seu apartamento, no Bairro Floresta, de complicações circulatórias, como seu pai e irmão, e foi enterrado neste sábado à tarde, depois de entraves burocráticos injustificáveis, no Cemitério Parque da Colina, no jazigo da família, junto com o irmão Manoel Teixeira da Costa, professor universitário da Escola de Ouro Preto, diante de jornalistas, esportistas, parentes, da família e dos amigos, que ele sabia cultivar e preservar.

Campeão de levantamento de peso, ele acabou se tornando jornalista na «Última Hora», edição mineira, onde cobria fatos policiais e esportes, depois dedicou sua carreira aos Diários Associados, levado pelos repórteres Felipe Hanriot Drumond (1929-1979) e Washington Melo, hoje da diretoria do SJPMG. Paralelamente, era funcionário dos Correios em Belo Horizonte, onde se aposentou depois de exercer diversas funções na estatal. Mineiro, nascido em Sete Lagoas, onde começou, na juventude, sua carreira internacional no esporte dos halteres e arremessos, foi campeão de diversas categorias e disputas estaduais, nacionais e internacionais.

Quando deixou de competir, passou a ser dirigente e árbitro de categoria internacional do halterofilismo e esportes afins. Representou o Brasil em campeonatos sul-americanos e mundiais (foi delegado brasileiro em cinco edições mundiais e também juiz de disputas importantes) sempre com destaque. Também torcia, e muito, no futebol mineiro, pelo Bela Vista, clube rival do Democrata em «Seven Lakes», e o Cruzeiro de BH, clubes que acompanhava e defendia sem grandes excessos e fanatismos. Mesmo com atividades várias, Xoxó era também um gourmet, como se diz atualmente, e apreciava bons pratos, receitas que não ousava fazer, bebidas variadas, bons vinhos e curtia a noite junto com a turma da imprensa mineira nos anos dourados e duros desde a década de 50 até o ano passado. Um glutão e um homem da noite como os de sua geração...

No jornalismo, Xoxó começou nos anos 50, como repórter da «Última Hora», de Samuel Wainer, da capital federal, na sucursal de BH, e foi para o extinto Diário da Tarde, em meados dos anos 50, onde trabalhou até se aposentar e depois de o jornal acabar, em 2007. Poliglota - falava cinco línguas e escrevia sem dificuldades em sete -, trabalhou, antes de ser repórter e cobrir esportes especializados e clubes, como tradutor e redator de noticiário de rádios e das agências internacionais da Europa e restante do mundo. Na função de jornalista dos esportes especializados - todos os olímpicos e outros, além do futebol -, função que exerceu até 2007, Xoxó era de uma precisão e correção que surpreendiam até dirigentes, técnicos e companheiros de profissão. Foi também dirigente sindical no Sindicato de Jornalistas e da Casa do Jornalista, também na Associação Mineira de Imprensa - AMI -, levado pelo editor Fábio Doyle e por Fernando Carvalho e Achilles Reis. O apelido, ele ganhou ainda menino, da avó, e era conhecido também como «Pedro Cláudio», o que ele nunca conseguiu explicar, e só soube de seu verdadeiro nome na escola, quando a professora fez a primeira chamada na sala de aula. Grande, Xoxó...

Outra atividade marcante da vida de Xoxó foi de correspondente internacional, pela facilidade de falar e escrever em diversos idiomas. Foi durante muitos anos correspondente em Belo Horizonte e na Região Sudeste da UPI - United Press Internacional - dos EUA, como repórter e fotógrafo, competindo com seu companheiro de trabalho no DT, Túlio Berti, da AP - Associeted Press -, também norte-americana. Era conhecido e admirado no meio dos colecionadores por ter hobbys de livros, lembranças e objetos, além de fascículos e fotos da II Grande Guerra e outras carnificinas mundiais. Também era um fotógrafo amador respeitado em BH, Minas e em mostras nacionais e internacionais, colecionava câmeras e fotos famosas ou não. E mantinha um grande acervo de música clássica - que sabia de cor e cantava, e bem, com voz de barítono - e popular, em especial de compositores e cantores brasileiros e americanos, de jazz e música romântica. Por anos, morou e conviveu com centenas de estudantes e profissionais que vinham do interior para fazer cursos ou buscar trabalho em Belo Horizonte, na Rua São Paulo, perto do Mercado Central de BH.

Xoxó deixa as irmãs Rhéa Sylvia Teixeira da Costa Tofani, Maria Cândida Teixeira de Sales e Evangelina Teixeira da Costa Guimarães e sobrinhos, além de outros parentes e centenas de amigos na imprensa, nos esportes e na sociedade de Belo Horizonte e de Sete Lagoas. Xoxó merecia mais das confederações, federações, clubes e entidades esportivas de BH, de Minas e do Brasil, mas mereceu um texto primoroso do companheiro de noitadas e amigo, o também cronista esportivo Arnaldo Vianna, que definiu bem seu caráter e sua história de mineiro reservado, mas de grandes virtudes e amizades. Um grande jornalista e um cidadão completo. Viva, o nosso Xoxó...



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h27
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Assembléia Legislativa mineira triplica cartórios em Belo Horizonte

Deputados mineiros querem aumentar a praga dos cartórios

O jornal Estado de Minas de hoje (13/11/08) noticia que a Assembléia Legislativa mineira derrubou, na noite de 11/11/2008, três vetos do governador Aécio Neves a projetos de lei aprovados pelo Legislativo.

A reportagem especula que foi uma derrota do governador e insinua que a atitude foi uma chantagem para dobrar o valor das emendas orçamentárias, habitualmente usadas para satisfazer interesses políticos dos deputados.

Um dos vetos englobou oito “pontos” (estranha expressão usada no texto) de uma lei que dá nova organização ao Judiciário mineiro.

Um dos tais “pontos” representa uma derrota para o povo – mais do que para o governador – pois permite a ampliação do número de cartórios de imóveis de Belo Horizonte: de sete para 16.

Os cartórios têm, obviamente, seu lado positivo: ajudam na organização social, pois criam um registro superior de bens e de relações interpessoais.

Chegam a ser um sinal de modernidade: nas pesquisas de minha árvore genealógica verifiquei que a ineficiência dos registros civis e de imóveis produzia sérias conseqüências no passado, através de disputas terríveis na divisão de bens de herança.

Quando não se matavam, as pessoas de um século atrás criavam artifícios para resolver ou prevenir o problema, como os corriqueiros casamentos entre primos.

Os avanços nas leis ligadas à herança e nos registros públicos transferiram para a área social a questão da divisão dos bens, que antes era uma questão familiar.

Mas as mudanças deram grande status aos cartórios, envolvendo muito dinheiro e carreando a inevitável cobiça da classe política.

Infelizmente, nossa sociedade ainda não conseguiu definir uma estrutura homogênea para eles, e continuam em pauta questões como a forma de escolha do “dono do cartório” e da contratação dos empregados.

Outro problema é que as taxas cartoriais são tabeladas, e os lobbies para conseguir valores altos são mais eficientes que os lobbies de grupos de consumidores, que tentam abaixar tais valores.

Por questões familiares, estive em vários cartórios recentemente; em alguns havia fila, mas pequenas, não justificando um aumento do número deles.

E esta quase triplificação só vai elevar os custos do setor com o aumento de instalações e empregados, justificando novos pedidos de elevação de taxas.

Parece que o pior já está começando a acontecer.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h27
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Como ocorre a gênese da ocupação dos buracos de viadutos por miseráveis

Morar debaixo de viaduto – uma forma de desrespeito ao direito de propriedade

Na minha infância e juventude, comprar imóveis era uma forma comum de investir dinheiro.

Meu pai aproveitou para comprar um lote num bairro quase da periferia de Belo Horizonte, o bairro da Graça, e o deixou lá, esquecido durante anos, sem se preocupar com cerca, com limpeza, com passeio.

Quando eu cursava o antigo ginasial, entre 12 e 15 anos de idade, fui a pé do Colégio Estadual Sagrada Família até a rua São Marcos visitar o nosso lote, coberto por um mato alto.

Entrei por uma trilha e fui cercado por índios armados: eram crianças e adolescentes que fizeram arcos e flechas para brincar de guerra, inspirados nos filmes de faroestes que passavam, às pencas, na televisão e no cinema.

Fui rendido mas não fui escalpelado; não tive coragem de voltar lá.

Posteriormente meu pai perdeu o emprego e vendeu o lote para fazer dinheiro; poucos anos depois o bairro cresceu e o terreno se supervalorizou.

Iniciei a vida adulta ouvindo a orientação materna de comprar terreno para guardar dinheiro, mas a explosão demográfica jogou a idéia por terra.

Já nos anos 1980 meu amigo Marcelo Costa Coelho comprou seu lote de terreno (a título de investimento) no bairro São João Batista, região de Venda Nova, mas um dia teve o dissabor de encontrá-lo invadido, inclusive com uma casa rústica.

Teve que recorrer ao delegado Dr. Jaime Guimarães, que estava de olho em uma futura carreira política (seria vereador) e mandou seus homens convidarem o invasor a fazer uma retirada rapidíssima.

Desiludido quanto à idéia de manter o lote fechado, esperando uma valorização, Marcelo preferiu construir lá a sua casa.

Outra forma bem antiga de invasão é ocupar espaços embaixo de viadutos, áreas públicas.

Minha experiência de vida na estranha sociedade brasileira me ensinou que existe uma seqüência rotineira na “construção” de uma residência sob um viaduto:

1º) O sem-terra encontra um local, de preferência num dia chuvoso, se cobre e passa a noite;

2º) Com papelão e madeira monta um arremedo de casinha e faz dela o seu endereço fixo;

3º) Consegue tijolos e improvisa um barracão;

4º) Um dia, algum governante decide que precisa melhorar a aparência do local e providencia junto ao Judiciário a expulsão do invasor;

5º) Depois de algum tempo aparece outro sem-terra e o ciclo recomeça.

Me impressiona sempre essa burocracia brasileira, a necessidade de se abrir um processo judicial para retirar um invasor de terra pública, o que, por lei, não permitiria disputas, pois não há dúvidas quanto ao direito real de propriedade.

Também me impressiona a tolerância e a caridade populares, que acabam inibindo a ação policial: um ou dois anos atrás a mídia noticiou que uma moradora de um barraco sob um viaduto da avenida Cristiano Machado tinha centenas de cestas básicas estocadas, por ela recebida de doações (e, aparentemente, nem sabia o que fazer com tantas).

Não sou advogado, mas acredito que no chamado Terceiro Mundo os órgãos policiais têm poderes para retirar o invasor a qualquer momento, à força se necessário, sem necessidade de mandado judicial, pois o delito é flagrante.

Será que, aqui, a lei não permite, ou a ineficiência predomina?

Aproveitando o ensejo, estampo abaixo uma foto que tirei em 03/11/2008 no viaduto que liga a avenida dos Andradas com a rua Paraisópolis, bairro de Santa Tereza (Belo Horizonte-MG), onde um sem-terra está passando para o estágio 3 da invasão, fazendo a parte de alvenaria de seu barraco.

Sei que, para os humanistas, vai parecer que este texto está incompleto, que deveria abordar a inclusão social dos miseráveis que chegam a esta degradante situação, mas se todos os comentários tivessem a companhia obrigatória de análises completas o ato de escrever se tornaria impraticável.

O fato é que a omissão ao deixá-los sob os viadutos, é ruim para todos, principalmente para eles mesmos.

A foto saiu meio pequena, mas vamos explicar o cenário: no centro, o muro da “casa”, em tijolos; à esquerda a areia para a obra e o lixo que ele atira lá, diariamente.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h59
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Barack Obama, um universitário preparado, não um um favorecido por sistema de cotas

Educação – e não a raça – é o diferencial de Barack Obama

Reportagens na mídia têm mostrado a satisfação de grupos ligados à preservação das tradições da raça negra com a vitória de Barack Obama, novo presidente dos EUA.

Mas nunca se deve esquecer que o fator que definiu a sua vitória não foi a origem racial, e sim a escolar.

Se ele não tivesse o currículo escolar que tem, não chegaria aonde chegou.

Na cultura norte-americana não há lugar para idealismos infantis, não há favorecimentos para alguém apenas porque seus antepassados foram injustiçados.

Entre as citadas reportagens, a mídia entrevistou quilombolas, que são descendentes de escravos fugitivos que formavam aldeias exclusivas.

Na expectativa de receberem favorecimentos governamentais pelas injustiças cometidas contra seus antepassados, formam associações.

No Primeiro Mundo, o diferencial do afro-descendente está no presente, e não no passado: a valorização é proporcional à absorção das informações ligadas à evolução social, como a ciência, a tecnologia, a educação formal e avançada.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h37
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A lei seca e a posição contrária de José Arthur Giannotti

Um filósofo contra a Lei Seca, aquela do Bafômetro Imóvel

O filósofo José Arthur Giannotti escreveu um artigo duro contra a lei de tolerância zero de álcool para os motoristas brasileiros, publicado na Folha de São Paulo, de 06/07/08, no meio da grita.

Teve posição contrária à de Drauzio Varella, mas pesou a origem de filósofo, como certamente pesou no posicionamento do outro a origem médica.

Segue, abaixo, o texto completo, para que fique eternamente à disposição dos interessados, como tudo que cai na Grande Rede:

A lei seca e a secura do Estado

Rigor excessivo contra motoristas que ingerem álcool oculta um Estado fraco e põe em risco o próprio respeito à norma

José Arthur Giannotti (colunista da folha)

É dever moral evitar acidentes causados pelo exagero no consumo de bebida alcoólica. É dever do Estado coibir o desatino de pessoas alcoolizadas dirigirem seus veículos; cabe-lhe puni-las segundo o rigor da lei. Como, porém, se determina esse rigor para torná-lo efetivo?

Bebidas alcoólicas tradicionalmente fazem parte de nosso cardápio. No Mediterrâneo, o vinho, o trigo e a azeitona compuseram a base da alimentação que permitiu o desenvolvimento do Ocidente.

Na França costuma-se dizer que uma refeição sem vinho é como um dia sem sol. E os cardiologistas aconselham que se tome um copo de vinho tinto diariamente para evitar doenças coronárias.

O problema, portanto, não é o álcool, mas o exagero e o vício. Aliás, como a comida e o sexo. O caso do álcool é mais pungente, pois seu consumo desmesurado, além de causar danos a quem bebe, freqüentemente e cada vez mais atinge pessoas inocentes, que nada têm a ver com os exageros e os vícios alheios. Isso porque nos tornamos cada vez mais dependentes do automóvel como meio de transporte.

Situação esdrúxula

E o caso das grandes metrópoles, em particular o de São Paulo, mostra como medidas urgentes devem ser tomadas.

De um lado, diminuindo o peso do transporte individual; de outro, coibindo o exagero do consumo do álcool. Ora, toda a questão reside na medida desse exagero.

Segundo a Folha de domingo passado, os EUA e o Reino Unido admitem oito decigramas de álcool por litro de sangue, a França, cinco, e o Brasil, dois, junto com Noruega e Suécia. Essa medida equivale a proibir que a pessoa dirija depois de beber um copo de cerveja ou de vinho.

Punição à maioria

Chegamos a uma situação esdrúxula: em vez de o Estado determinar a medida da segurança, simplesmente se isenta dessa medida e pune aquele que bebe moderadamente, ciente de seus limites e de suas obrigações sociais.

Em resumo, pune a maioria para evitar que desregrados causem malefícios. Na Noruega e na Suécia, a tolerância zero tem lá suas razões de ser.

No Brasil, esse exagero simplesmente repete o espetáculo de violência de um Estado fraco, que encena uma força desproporcional a seus recursos simplesmente para atemorizar.

Isso equivale a legislar para que a lei não pegue, obviamente depois de saciar a boa consciência dos bem pensantes.

Como de costume, os brasileiros enfrentam um problema desfraldando a bandeira do rigor da lei para deixar tudo como está, menos o respeito pela lei, o qual se degrada a cada dia.

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JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e coordenador da área de filosofia do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve na seção "Autores", do Mais! .



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h15
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Reciclagem: Marketing, ecologia, a questão do plástico

Reciclagem III: Alguns fazem a coleta seletiva, mas depois alguém chega e mistura tudo

 

Devagarinho, as campanhas pró-ecologia foram aumentando, ganhando charme e até um certo status.

Políticos e administradores públicos aproveitaram a deixa e conseguiram acesso à mídia através algum projeto do ramo.

Mas, infelizmente, o alvo primário era a publicidade; a execução do projeto era secundária.

Evidentemente, alguns destes projetos eram e são sérios, mas não se pode esquecer que seus executantes são pagos para isso.

Entre os que tinham a publicidade como alvo primário, houve um órgão público que adquiriu lixeiras para seleção de material e mandou a turma da faxina aprender um pouco de reciclagem e manuseio do lixo lá na SLU, a Superintendência de Limpeza Urbana do município de Belo Horizonte.

Mas os funcionários mais atentos da “repartição” (o desusado sinônimo de órgão público) começaram a observar que, na hora de recolher o lixo, as faxineiras juntavam tudo em grandes sacos plásticos.

Com o passar do tempo outros administradores ocuparam a chefia do setor responsável, mas o “separa e depois mistura” virou rotina.

Ou é omissão, ou receio de ganhar a fama inversa: a de coveiro de um belo projeto ecológico.

É um país engraçado.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h53
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Reciclagem: Marketing, ecologia, a questão do plástico

Reciclagem II: O plástico descartado mata animais e até gente

 

Recebi, recentemente, um arquivo em PowerPoint, via e-mail, carregado de fotos impressionantes sobre as conseqüências do descarte de sacos plásticos na natureza.

Muitas fotos eram de animais ingerindo este material, ou aparentemente mortos, sufocados por eles.

O fato é que a indústria aprendeu a produzir plástico para embalagem usando uma quantidade infinitesimal de petróleo, e o custo ficou irrisório.

Mas é um material muito perigoso.

Na clínica veterinária, é uma ocorrência cotidiana, principalmente na criação de gado bovino, pois esta espécie é pouco inteligente e pouco seletiva.

Um professor da Escola de Veterinária da UFMG contou para os seus alunos, eu incluído (meados dos anos 1980), que uma indústria descartou uma grande quantidade de sacos plásticos num córrego, que foram ingeridos por um lote de gado que bebia água, correnteza abaixo.

Um grupo de veterinários foi chamado para operar (rumenotomia, a abertura cirúrgica do principal estômago bovino) todos, pois era preferível atender algum que não havia ingerido do que correr o risco da morte provável.

Na mesma época acompanhei a cirurgia de uma égua de corrida, no Jockey Club de São Paulo, que estava com uma obstrução no intestino.

O laboratório descobriu que a causa era uma pedra formada por pedaços de plástico, provavelmente originários do saco de ração.

A bela égua castanha Alfa Mark, grande e forte, filha do tordilho peruano Reichmark, resistiu à difícil operação mas morreu no dia seguinte.

O mesmo destino teve um dos melhores cavalos de corrida que já cuidei, Ramiro.

Ele estava no Rio de Janeiro e teve que ser operado às pressas, por causa de uma cólica intestinal.

Também era uma obstrução causada por uma pedra (não recebi o laudo final, mas provavelmente formada por plástico) e também só sobreviveu algumas horas.

A impermeabilidade do plástico é valorizada por sua utilidade, mas o uso pode ser macabro: é um equipamento de tortura e morte quando usado para cobrir a cabeça da vítima.

Ainda não li uma boa reportagem sobre as opções de reciclagem do plástico, mas sei que, financeiramente, não é compensadora para uso em larga escala.

Mas é tão perigoso que já deveriam existir programas de coleta em separado, permitindo um descarte para local definido pelas prefeituras municipais.

Ramiro, o belo cavalo que morreu por causa de plástico mal descartado



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h48
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Reciclagem: Marketing, ecologia, a questão do plástico

Reciclagem I: Cai o preço dos papéis velhos

Recentemente vi uma reportagem televisiva que mostrava alguém incentivando a separação de lixo para reciclagem.

— Faça a seleção, pois perto de sua casa tem um ponto de coleta seletiva. – garantiu.

Reciclar é bonito, é ecologicamente correto, mas a verdade é que o Poder Público brasileiro ainda não demonstrou capacidade de efetivar o sistema, de completar o ciclo.

No bairro Cidade Nova a prefeitura instalou quatro tambores para descarte em separado de vidro, papel, plástico e metal, facilitando o trabalho dos catadores, único destino aparente.

É o único caso que conheço em Belo Horizonte; é melhor do que nada, mas é quase nada.

Mas o constante aumento da parcela populacional de pobres e desempregados que se dedicam à cata de lixo está desvalorizando este material, pois a indústria da reciclagem não acompanha este crescimento.

Minha família sempre separa papel para o Mário, um catador que passa diariamente por Santa Tereza, puxando pachorrentamente seu carrinho de madeira, parando, cumprimento e conversando com os moradores.

Agora ele está dispensando jornais velhos e papel em geral, explicando que “eles estão pagando muito pouquinho, não vale a pena”.

São as distorções da sociedade brasileira: a oferta dos catadores ultrapassa a procura dos recicláveis, derrubando o preço.

Na estrada de Fortaleza para Sobral, oito anos atrás, fiquei tão impressionado com a quantidade de sacos plásticos que estavam ao lado da pista que fotografei a cena da janela do ônibus



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 14h45
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Leonardo Quintão, candidato da oposição e da situação, simultaneamente

Partidos políticos: fontes de incoerência, infidelidade, falta de estrutura e até de ideologia

A total falta de tradição e de fidelidade programática dos partidos políticos brasileiros não faz bem à nossa claudicante democracia.

Aproveitam-se disso os políticos e fazem alianças com qualquer grupo ou partido, sem o risco de ostentar incoerência perante o eleitor.

É bem representativo o caso do candidato derrotado à prefeitura de Belo Horizonte, o peemedebista Leonardo Quintão.

Foi eleito deputado federal em 2006 por uma coligação oficial (estadual) entre o PMDB (seu partido) e o PT.

No plano federal, o PT é o partido governista e o PMDB seu grande aliado oficial.

Mas nas eleições municipais deste ano a coligação não se repetiu, o PT não lançou candidato próprio e preferiu montar uma aliança encabeçada por um membro do PSB, Márcio Lacerda.

O PSDB também não lançou candidato e apoiou Lacerda de forma ostensiva, embora não registrada nos documentos-padrão do Tribunal Regional Eleitoral.

Leonardo Quintão era, portanto: oposicionista a nível local, situacionista no estadual e federal.

Parte amigo, parte inimigo.

Espertamente, usou a ambigüidade a seu favor no primeiro turno: afirmava ser um apoiador das principais obras da cidade e garantia que teria apoio dos governos federal e estadual para a continuidade delas.

Enquanto isso, trabalhava a indispensável parte psicológica, ganhando a simpatia dos eleitores pela aparência, pelas palavras, pela empatia.

E tomou centenas de milhares de votos originalmente destinados ao real candidato situacionista.

O volumoso eleitorado não-esclarecido votou na oposição quando desejava votar na situação.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h02
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Tenório Cavalcanti, neto - prefeito de São Lourenço - concurso público suspenso pelo Tribunal de Contas

Neto do legendário Homem da Capa Preta deixa a Prefeitura de São Lourenço-MG com rastros de irregularidades

Uma das figuras mais interessantes e midiáticas da política e do jornalismo brasileiro no século 20 foi o ex-deputado Tenório Cavalcanti, do Rio de Janeiro.

Ele comandou o jornal Luta Democrática e exerceu a política como um trator descontrolado, abusando da violência verbal contra os inimigos nas páginas de seu jornal.

Mas também abusou da violência física: andava sempre armado, com capangas, pronto para intimidar os adversários a qualquer disputa ­– e ele disputava tudo.

Em momentos distintos foi considerado o responsável pela execução de dois delegados de polícia que pagaram com a vida a incumbência de controlá-lo.

Foi marcante a história de que carregava permanentemente uma metralhadora – carinhosamente apelidada de Lurdinha – num grande bolso de sua inseparável capa preta.

Virou personagem de cinema: O Homem da Capa Preta, com José Wilker, de 1986.

Morreu em 1987, mas o seu neto Natalício Tenório Cavalcanti Freitas Lima tenta seguir as pegadas do avô e conseguiu se eleger, há quatro anos, prefeito da simpática cidade turística de São Lourenço, no sul de Minas.

Parece que não administrou bem, pois acabou perdendo a reeleição, em outubro.

Nesta semana, seu nome voltou à mídia por um motivo nada abonador: o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais suspendeu três concursos públicos encomendados por ele (que até dezembro continua instalado na principal cadeira da prefeitura).

Um concurso para servidor da prefeitura, os outros para a Servtur (Serviço Autônomo de Turismo) e para a Fumdec (Fundação Municipal de Cultura), entidades municipais cujos dirigentes são indicados pelo mesmo prefeito.

Os motivos foram vários, mas alguns deles se repetiram nos três casos: faltam a citação de data, horário, local de realização e duração das avaliações.

O mais incrível: os editais não estavam assinados. Isso mesmo: sem assinatura!

O Tribunal considerou irregular a exigência de experiência mínima de 24 meses para todos os cargos de nível fundamental, inclusive o de gari.

Entendeu, ainda, que os órgãos não apresentaram a comprovação de suficiência orçamentária e financeira para que o concurso fosse realizado.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h12
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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