Caso da professora do DF que teria segurado criança para que os coleguinhas batessem - reflexos da Escola Base
Pode-se confiar plenamente numa denúncia de agressão, feita (a denúncia) por uma criança de 5 anos?
O caso “Escola Base” é o principal símbolo de erro jornalístico recente.
Segue uma descrição encontrada em um trabalho universitário: No dia 27 de março de 94, Lúcia Eiko Tanoue, mãe do menino Fábio, na época com quatro anos, e Cléa Parente de Carvalho, mãe da menina Carla, também com quatro anos, foram ao 6º DP, no Cambuci, bairro da zona sul de São Paulo, para registrar queixa contra os diretores da Escola de Educação Infantil Base. Segundo elas, Icushiro e Aparecida Shimada, Maurício e Paula Alvarenga, os donos da Escola, organizavam orgias sexuais com a participação das crianças, filmando e fotografando tudo. Lúcia ouviu seu filho dizer que, junto de Carla, foi à casa de um coleguinha da escola, Ronaldo, 4 anos, filho do casal Saulo e Mara Nunes. Contou ter visto filmes de “gente pelada”, que batiam “fotos” e havia cama redonda. Tudo isso aconteceria durante o horário das aulas, e as crianças seriam levadas para fora da escola na Kombi de Maurício.
Qualquer psicólogo possuidor de um mínimo de qualificação técnica dirá que a criança desta idade pode confundir o carinho com a manipulação erótica, ou que é capaz de fantasiar e “inventar” detalhes, principalmente quando sob pressão materna ou medo de punição.
Mas o delegado Edélcio Lemos conseguiu prender seis acusados e municiou a mídia de informações contra eles, mas sempre sem apresentar provas.
Depois de algum tempo verificou-se que tais informações eram inverídicas, mas os acusados tiveram um prejuízo moral irreparável, pois alguns órgãos da mídia expuseram – e com bastante sensacionalismo – as acusações do delegado como se fossem fatos comprovados
O caso Escola Base criou na mídia um cuidado especial com informações repassadas pela polícia (aquelas desacompanhadas de documentos ou testemunhos) ou baseadas exclusivamente em depoimentos de crianças.
No dia 29/10/08 a mídia nacional noticiou que uma professora do Distrito Federal segurou um aluno de apenas cinco anos de idade para que os colegas de sala – todos da mesma faixa etária, portanto – o agredissem.
No dia seguinte, o jornal Estado de Minas publicou uma matéria a respeito, assinada por Diego Amorim, provavelmente um repórter free-lancer ou de outra empresa do grupo Diários e Emissoras Associados, que fez lembrar os antigos narizes-de-cera pelo tom dramático e acusatório.
O primeiro parágrafo (o lide, no jargão jornalístico) dá o tom lacrimoso à matéria:
O menino de 5 anos agredido e humilhado em sala de aula criou aversão à mulher que tinha a missão de educá-lo. Foi a própria professora quem, segundo ele, o segurou para que colegas de turma o batessem no rosto. “Não gosto mais dela. Não quero saber dela nunca mais”, disse o garoto banguela, de olhos verdes, cabelos castanhos e lisos. Na frente dos coleguinhas, ele não derramou uma lágrima. Em casa, caiu no choro ao contar para a mãe o que ocorreu na manhã de terça-feira na Escola Classe 56 de Ceilândia, no Setor O, no Distrito Federal. “Meu coração de mãe dói. A dor é grande. É como se fosse comigo”, desabafou a servidora pública Rejane Vieira Urani, de 36 anos.
É de horrorizar os crédulos e os sensíveis, como aqueles que apoiaram as medidas policiais contra os professores e funcionários da Escola Base.
Mas de preocupar os céticos e os racionais, pois todas as palavras do texto relatam a percepção/versão de uma criança de apenas cinco anos de idade.
Cautela e caldo de galinha, como diria a desaparecida geração de minha avó, não fazem mal a ninguém.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 18h41
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Loterias - ganhadores humildes - conseqüências
Não desejo a sorte grande nas loterias para pessoas simples, humildes, incultas
Já no século 19 a literatura – mais que a História – relata a importância das loterias no imaginário popular.
Talvez a sua única fonte de enriquecimento rápido.
Mas tenho uma posição cruel: não desejo a sorte de grandes prêmios para pessoas simples, humildes, incultas.
Prefiro ficar na contramão dos inconseqüentes que vêem [Dentro de dois meses estou dispensado de digitar este acento circunflexo. Vou economizar dois toques.] aí uma manifestação errática de justiça social, de recompensa terrena.
Administrar muito dinheiro exige equilíbrio, inteligência e, principalmente, conhecimento.
Ganhar uma fortuna e não ter a capacidade de administrá-la só é bom a curto prazo: os luxos e a boa-vida do primeiro momento serão sempre substituídos pelas conseqüências negativas, muitas vezes incontornáveis.
O mais dramático e cruel exemplo foi o assassinato do deficiente físico Renné Senna em 07/01/2007, na cidade de Rio Bonito (RJ).
Dois anos antes, em 2005, ele ganhou R$ 51,8 milhões na loteria.
Segundo a polícia e o promotor, a viúva Adriana Ferreira de Almeida foi a mandante do crime, executado por quatro de seus seguranças, três deles policiais militares.
Mas este caso está longe de ser o formador do meu atípico desejo de excluir as pessoas simples da lista de ganhadores dos grandes prêmios lotéricos.
Na década de 1970, o papel hoje representado pela mega-sena pertencia à loteria esportiva.
Novos milionários apareciam ocasionalmente nas manchetes e o leitorado se derretia em êxtase quando os bem-aquinhoados eram pobres e humildes.
Entendi melhor a realidade quando um programa de grande audiência na época (talvez Fantástico ou Globo Repórter) apresentou uma reportagem extensa e aprofundada sobre a mudança na vida de alguns deles.
Descobri então que o fracasso, a perda da maior parte do prêmio era uma recorrência comum entre aqueles que tinham origem humilde e baixa escolaridade.
Ficou especialmente famoso o “Dudu da Loteca”, que perdeu todos os bens pela ação dos novos amigos e dos novos conselheiros que apareceram.
Havia um ferroviário (Jovino Viriato do Carmo) que era pobre antes da loteria esportiva, ficou riquíssimo, e retornou à pobreza, ou talvez à classe média, depois de algum tempo, muitas assinaturas, muitas procurações e muitas juras de amizade.
Mais recentemente – ou menos antigamente – me lembro de um homem bem humilde, simples, que ganhou um grande prêmio, e disse ao repórter mais ou menos isso: “Tive até que comprar roupa nova para receber pessoas bem vestidas, de terno e gravata, que vieram me procurar”.
Provavelmente alguns dos tais engravatados eram gerentes de banco, mas arrisco a dizer que a maioria era composta por espertalhões.
Vivemos numa terra perigosa: recentemente houve uma onda de seqüestros de familiares de jogadores de futebol e pagodeiros (aliás, duas outras formas de passar rapidamente da pobreza à riqueza, mas sem a rapidez e o acaso que acompanham as loterias).
Ignorância e criminalidade, dois fatores limitantes para a sociedade.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h47
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Humorismo
Bichas Acampando!!!
Duas bichas 'fashion' foram acampar às margens de um rio.
Elas caminharam alegremente com suas camisas 'Armani', bermudas 'Versace', mochilas 'Victor Hugo' e botinhas 'Calvin Klein', o dia inteiro. Cansadas, resolveram acampar.
Quando terminaram de armar a barraca já era noite, e as meninas estavam EXAUUUSTAAAASSS! (ui!). Resolveram, então, ir para a cama. Então a mais serelepe delas disse:
- Imagine!!! Com um LUUUUXOOOO de céu estrelado desses, você acha mesmo que euzinha vou dormir dentro dessa barraquinha HORROOOROOOSA, minúscula e sem graça.
A outra, preocupada:
-Mas pode ser perigoso. É Melhor ficarmos juntinhas aqui mesmo.
E a corajosa: - FUI !!!
Uma ficou na barraca e a outra foi dormir às margens do rio.
Acontece que durante a noite veio um jacaré enorme, MÓIIINTO grande mesmo, e CRRAAAAUUUU, comeu a coitada da bicha inteira (gastronomicamente falando) numa única mordida, somente deixando fora a cabeça da alegre bicha com seu boné da 'Yves Saint Laurent'.
Na manhã seguinte, a bicha sensata se levanta:
- Bom dia Sol, bom dia flores, bom dia natureza, e... Correu para ver a amiga aventureira. Chegou pertinho do rio e viu o jacaré parado, barrigão prá cima, todo feliz, e só a cabeça da bicha pra fora da boca do animal... Olhou, olhou, e exclamou:- GEEENTEEEEMMM!!!
Agora VC arrasouuuuuuu!!!!
É UM ESCÂNDALO ESSE TEU SACO DE DORMIR DA LACOSTE!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h36
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Medida Provisória (MP) nº 443, do presidente Lula - direito de compra de empresas privadas
Especialista alerta para os riscos da Medida Provisória que dá direitos especiais a bancos estatais
Às vezes, entram em vigor algumas leis que chegam de mansinho, sem muita publicidade, e depois causam impacto por provocar conseqüências de grande alcance, inesperadas.
Outras vezes começam da forma oposta: as expectativas são tão grandes que criam uma euforia que impede a análise fria dos riscos.
Ou criam uma apreensão que impede a mesma análise, como aconteceu com a dura legislação anti-terror de George W. Bush, editada logo após os atentados da Al-Qaeda.
Osama bin Laden continua vivo, os soldados americanos continuam morrendo no Iraque, e Bush está terminando um governo enfraquecido e afogado numa forte crise econômica.
A euforia que escureceu o cérebro e a visão aconteceu na Assembléia Constituinte brasileira de 1988, que criou a expectativa de que o produto daquele parto atribulado ia reconstruir o Brasil.
Eu até me assustei apenas quando li uma análise crítica, onde estava escrito que os constituintes criaram muitas despesas novas, muitos direitos com impacto financeiro, mas não criaram a fonte de financiamento, o que causaria sérios problemas econômicos no futuro.
Não guardei o texto, que certamente não foi o único, mas foi um dos poucos; o tempo provou que ele estava certo e a Constituição está desfigurada de tão modificada nas legislaturas que se sucederam; parte considerável dos direitos adquiridos, principalmente dos funcionários públicos, já caducou.
Estou a pensar se nestes casos também não se enquadraria a Medida Provisória (MP) nº 443, do presidente Lula, que dá ao governo poderes para adquirir empresas privadas.
Está em vigor e foi assunto apenas de notas discretas na mídia.
Vou passar a bola direto para quem entende, a colunista de economia de O Estado de São Paulo, Suely Caldas, em artigo de 26/10/2008:
O que mais preocupa na Medida Provisória (MP) nº 443 - que o ministro Guido Mantega escondeu dos parlamentares em sua visita ao Congresso na terça-feira - é o poder ilimitado, inquestionável e definitivo dado ao governo, por meio do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF), para sair comprando bancos, seguradoras, construtoras, fundos de pensão, etc., sem precisar explicar nada a ninguém.
O presidente Lula poderia ter dado à medida um caráter transitório e excepcional, vinculando-a à duração da crise. Mas no texto da MP nada mencionou, [...]
E tenha desencadeado no mercado financeiro uma desconfiança geral de que há bancos em dificuldades, que o governo não quer revelar.
Mas o mais inexplicável na MP nº 443 é a possibilidade de o BB comprar seguradoras e até fundos de pensão. Por quê? Não são bancos, não têm papel central em irrigar dinheiro e crédito na economia. Por que entraram na dança?
A colunista aproveita para citar casos históricos – recentes – de abusos de políticos com os bancos estatais:
Até o governo Collor, o BB foi fartamente usado por presidentes, senadores e governadores para conceder empréstimos a empresários amigos que não pagavam.
Com os bancos estaduais foi pior. Ali os governadores fizeram a festa - emitiam dinheiro sem limites, custeavam campanhas eleitorais, inventavam fraudes diversas, financiavam amigos e prefeitos aliados.
Extraí apenas trechos selecionados. O texto completo está no site do Estadão, que tem acesso restrito a assinantes, mas certamente vai pipocar na internet nos próximos dias.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 14h29
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Humorismo - Piada de mineirim
Em meados da década de 1980 eu passei vários meses em São Paulo, fazendo estágio no Jockey Club de lá. Até então, eu achava que a expressão mais representativa do falar mineiro, para eles, era o “uai”, mas descobri que era o “trem”. Os paulistas achavam interessante o uso desta palavra em vários significados. Em homenagem a esta antiga descoberta, segue esta piada:
Trem Caipira
Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de Varginha, quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao banheiro. Foi....
Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar.
Nesse momento, chegou um mineiro, compadeceu-se dela e perguntou:
— Purcaus diquê qui a sinhora tá chorano?
— É que eu fui urinar e o trem partiu.....
— Uai, dona! Por caus dissu num precisa chorá não... tenho certeza bissoluta qui a sinhora já nasceu com esse trem partido.....
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h27
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Cuba no caminho do capitalismo
Sardenberg e os caminhos para o capitalismo cubano
Carlos Alberto Sardenberg é um jornalista especializado em economia.
Versátil, é âncora de um programa de variedades na Rádio CBN, faz análises econômicas para o Jornal da Globo e ainda assina uma coluna no jornal O Estado de São Paulo.
Merece atenção o texto de uma coluna sua, meio antiga, publicada no Estadão de 25/02/2008, da qual extraí os seguintes trechos:
Cuba vai cair no capitalismo, como ocorreu com todos os regimes socialistas do século 20, à exceção de dois, o da própria ilha e o da Coréia do Norte. Ambos, aliás, têm um curioso ponto em comum, o comunismo hereditário. Fidel tenta transmitir o poder a seu irmão, Raúl. O presidente Kim Jong-il herdou o governo de seu pai.
A história recente mostra que há, no essencial, três tipos de transição do socialismo para o capitalismo global. O primeiro modelo é o chinês. Também o mais antigo. Dez anos antes da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1979, Deng Xiaoping iniciava as reformas econômicas. No Vietnã, a "doi moi" - a renovação - começou em 1986, contemporânea da perestroika russa, mas à moda chinesa.
O segundo modelo é o da Europa do Leste: Polônia, República Checa, entre outros. A virada é completa, com a introdução simultânea do capitalismo e da democracia política - aliás requisito para a entrada na União Européia. Não há caça às bruxas contra os quadros do velho regime, mas estes precisam se reagrupar, formar novos partidos e assim voltar à disputa política. Não raro, ganham eleições para governar no novo sistema. Vão bem esses países, sobretudo os que já conseguiram sua integração à União Européia.
O terceiro e pior modelo é o da falecida União Soviética. O pessoal do partido ficou com as maiores estatais privatizadas e as melhores oportunidades de negócios, tudo a preço de banana roubada. E também manteve o poder político no novo regime, chamado de democrático, com eleições nacionais, mas sem imprensa livre e sem liberdade partidária. O melhor exemplo disso é o presidente Vladimir Putin, ex-chefe da polícia secreta soviética. Como notaram observadores: os russos estragaram o socialismo e agora estão estragando o capitalismo. Acontece da mesma forma em algumas ex-repúblicas soviéticas.
Para acesso ao texto integral, CliqueAqui.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h09
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O investimento em educação não prescinde do investimento em Segurança Pública
A construção de presídios deveria ser, sim, uma das prioridades nacionais
Discordo, flagrante e radicalmente, daqueles que, numa discussão sobre as soluções dos problemas sociais, supervalorizam a questão da educação em detrimento da questão da criminalidade.
A causa é superdimensionada, o efeito é subdimensionado.
Muitos fogem da discussão sobre a punição, outros preferem discursar longamente sobre as penas alternativas, sobre a reeducação social, e até sobre os ideais católicos de perdão e tolerância.
Cabe ao estudioso de ciências sociais a análise das ilações; ao gestor político cabe executar com firmeza tanto a política de educação pública quanto a de segurança e justiça.
A propósito, transcrevo a opinião semelhante do jornalista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, extraídas de seu blog:
O fato [refere-se ao caso do seqüestro e assassinato da menina Eloá, em Santo André], no seu escandaloso simbolismo, deveria levar o governo federal e os governos estaduais a uma tomada clara de posição — e, para tanto, existe até uma certa Secretaria Nacional de Segurança. A construção de presídios deveria ser, sim, uma das prioridades nacionais, num amplo acordo do governo federal com os governos estaduais — junto com o treinamento e a contratação de mão-de-obra específica. Há 50 mil assassinatos por ano no Brasil. Trata-se de uma guerra.
Mas como fazê-lo se o presidente Lula não perde a chance de dizer que prefere construir escolas a construir cadeias, como se fossem coisas permutáveis, como se pudéssemos trocar umas pelas outras? Uma vergonha!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h55
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Márcio Lacerda versus Leonardo Quintão em BH
Uma charge política, mas quase de turfe

A charge acima, publicada no jornal Estado de Minas, está até um pouco atrasada, pois as pesquisas liberadas ontem pelos institutos mais respeitados já indicam que o candidato Márcio Lacerda ultrapassou Leonardo Quintão na corrida para a prefeitura de Belo Horizonte.
Ela se refere a uma pesquisa do Instituto EM-Data, que não conheço, mas pelo nome parece ser um departamento de pesquisas do próprio jornal.
As eleições da capital mineira são as mais instáveis do país, pois o candidato favorito jamais tinha participado de qualquer eleição para cargo público anteriormente, e o adversário cresceu porque o grande eleitorado desconhecia que se tratava de um líder religioso (evangélico) que chegou à política exclusivamente por causa do apoio do seu grupo de fiéis.
Como o chargista usou o turfe (corridas de cavalos) como pano de fundo, eu não poderia deixar passar a oportunidade.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 11h58
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O político brasileiro e a educação pública
O administrador público prega a importância da educação, mas na prática...
Estou longe de ser um especialista em mitologia grega, mas acho que eles não inventaram nenhum deus para proteger a educação pública.
Os motivos são os mesmos dos políticos modernos: sem educação, é mais fácil manipular o povão.
Na velhíssima Grécia, este nem votava: a propalada democracia grega era reservada aos homens que tinham posses, uma absoluta minoria.
Hoje o povão vota, mas vota mal, pois faltam informações, conhecimentos; faltou o bom uso do banco da escola.
A escola pública, única fonte de informações educacionais desta parcela da população, é um fracasso no Brasil.
Mais do que públicas, elas são do governo, dependentes da política.
E a verdade é que todos os políticos, no fundo, têm medo do fator educação.
O mau político, por razões óbvias.
Já o político mais comprometido com as funções administrativas, não ligado a atos criminosos, o tal do “político tradicional” (na falta de uma conceituação mais adequada) prega a educação e até faz alguma coisa por ela...
... mas no fundo do consciente tem um receio: afinal, foi eleito por aquele status quo, dentro das regras de jogo vigentes; se o eleitorado se transforma, se muda seus conceitos, ele pode perder o Poder.
E educação – como se sabe – é um fator complexo, está longe de se resumir a uma simples remessa de verbas; melhorar a educação não é proporcional ao aumento do orçamento.
Sem uma política de fiscalização, capacitação e cobrança de resultados aos professores, o conhecimento não é repassado.
E ela está vinculada aos problemas sociais: a escola pública é, hoje, uma fonte de violência; o incentivo ao conhecimento tem que ocorrer, paralelamente, às ações policiais.
Segundo a pesquisadora Sandra Maria Gasparini, 77,3% dos professores de 26 escolas de ensino fundamental de Belo Horizonte já foram agredidos por alunos, e 63,8% já foram agredidos por pais de alunos (matéria publicada no jornal Estado de Minas, edição de 15/10/2008).
Portanto, o enfrentamento real do problema exige a remoção de dois grandes obstáculos: a inércia burocrática dos servidores do ensino e o clima de violência que cerca as escolas públicas.
Dois vespeiros; e diz o velho ditado que macaco velho (no sentido de esperto) não mete a mão em cumbuca.
Em resumo, a educação está no discurso de todos os políticos, mas na ação eficiente de poucos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h15
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Eleições - fenômeno Leonardo Quintão - Belo Horizonte - teorias
Desinformação e cheiro de revanchismo na inesperada popularidade do candidato alternativo à prefeitura de Belo Horizonte
É muito irracional o amplo favoritismo (iniciou o segundo turno com 18% de vantagem nas pesquisas eleitorais) do candidato Leonardo Quintão à prefeitura de Belo Horizonte.
Permite até um jogo: a procura dos fatores que criaram situação tão inusitada, inesperada.
Vou entrar no jogo e levantar hipóteses:
1ª) O eleitorado identifica o neofavorito como o fator de renovação (ele tem 33 anos), embora a real novidade na política seja o candidato mais velho (62 anos). O mais novo já cumpriu outros mandatos legislativos e a família tem forte atuação política, ao contrário do adversário.
2ª) Um revanchismo infantil e irracional, que pode ser representado assim: “Eles se juntam para impor um candidato, mas vou dar uma volta neles e apoiar outro”. Em resumo: um grito de independência; uma reação simplista ao fato de Márcio Lacerda ter sido lançado por um acordo entre o governador e o prefeito.
3ª) Empatia com Leonardo Quintão que, escolado nas pregações evangélicas da igreja Projeto de Salvação e da Igreja Batista da Lagoinha adotou um tom amigável, interiorano, sotaque acaipirado.
4ª) Sensibilidade aos seus apelos e pedidos de ajuda, uma reação típica da cultura católica, que supervaloriza a concessão e a tolerância (em contraposição à visão analista e objetiva do europeu ou norte-americano).
5ª) Desconhecimento da origem do candidato, que é sectária e religiosa, e que tem como base eleitoral os fiéis de sua corrente evangélica. Espertamente, ele evitou o assunto na propaganda obrigatória, confundindo aqueles desinformados que preferem candidatos não sectários.
6ª) A percepção equivocada de que ele seria um situacionista alternativo, que daria seqüência à administração atual. Quintão provocou esta idéia durante a primeira fase da campanha e os conselheiros – por isso, demitidos – do favorito não contestaram, seguros de que ele não tinha chances.
Tudo isso se enquadra na falta de educação, na falta de informações, na falta de um ideário básico de comportamento e costumes sociais que redundem em comportamento coletivo razoavelmente homogêneo.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h08
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Nomes de gente e seus problemas
O homônimo honesto é a maior vítima do homônimo des...
Dia desses (outubro de 2008) eu usei (utilizar é mais bonito, mas os gramáticos e lexicógrafos não aprovam) os serviços de um taxista de nome, no mínimo, incomum: Elviro.
Como tinha uma fisionomia simpática, puxei o nome dele como assunto de conversa.
Explicou que tinha sido uma homenagem do pai à mãe, avó do bebê, agora sessentão.
Pisando em ovos sobre a memória paterna, comentou que os pais não deviam agir assim, tanto que ele escolheu nomes simples e comuns para as três filhas e para o filho.
Aproveitou para criticar a profusão de nomes de origem inglesa entre os brasileiros.
Na seqüência do assunto “nomes estranhos”, contou que conheceu uma Ambrosina, que acabou se casando com um homem de nome Ambrósio.
Aproveitei para relatar uma experiência parecida, e igualmente curiosa: trabalhei com um professor de Letras que se chamava Neuso.
A esposa dele se chamava Neusa.
Elviro (o simpático taxista) e Márcio (este cronista-blogueiro) concordaram com a tese de que a incrível coincidência pode ter facilitado a aproximação dos dois casais, permitindo uma relaxada e bem humorada conversa inicial que atalhou os caminhos para um relacionamento que virou casamento.
Nossa conversa resvalou para uma conseqüência bem diferente da escolha dos nomes dos recém-nascidos brasileiros: os problemas dos homônimos.
Nomes simples e comuns não causam traumas e gozações, mas podem criar problemas maiores quando alguém que os possui atrasa pagamentos, cria dívidas ou faz coisa bem pior.
Um dos grandes amigos e benfeitores da minha família, já falecido, chamava-se José Lourenço; teve que recorrer à Justiça para acrescentar o sobrenome Ogando e se livrar do aborrecimento de provar que era apenas o xará de algum inadimplente.
Tive um colega de trabalho que me relatou que havia contratado advogado para alterar o seu nome (Carlos Alberto dos Santos) para evitar as mesmas conseqüências.
Jamais conseguiu o intento, mas com o passar dos anos entendi qual era o xará que estava se tornando uma fonte de problemas para os homônimos: ele mesmo.
Resvalou para uma vida profissional irregular, principalmente dívidas que não pagava.
Eu cheguei a fazer uma promessa que me transformava em autor e objeto: a amizade acabaria no dia em que ele me pedisse um aval para alguma transação financeira.
Felizmente isto não aconteceu e, mas tarde, ele perdeu o controle sobre a própria vida: dinheiro, casamento e trabalho ruíram, foram substituídos pela Amiga Cachaça e o coração desistiu de bater inutilmente quando tinha mais ou menos uns 48 anos.
A freqüência do seu nome, que tanto prejudicou homônimos, pode até me ajudar se algum parente próximo se sentir ofendido com a divulgação da história, pois também vai dificultar a identificação.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h55
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Enologia - Apreciadores de bons vinhos - Drauzio Varella
Enquanto cresce o número de enólogos, também cresce o complexo dos leigos em vinhos
Tornei-me um bebedor ocasional de vinhos após ser bombardeado por inúmeros conselhos médicos, publicados na mídia, sugerindo a ingestão de uma taça por dia.
Testei algumas marcas mais baratas – genéricas? – e acabei me fixando na Mioranza.
Em 2005 visitei a vinícola Concha Y Toro, no Chile; uma monitora nos ensinou a técnica de apreciar os vinhos mais caros, mas meu cérebro não conseguiu absorver os ensinamentos.
No meu paladar, o modesto Mioranza continua equivalente aos de 50, 80, 100 reais. Ou bem mais.
E eu fico com cara de tacho quando convidado a cheirar ou experimentar um bom vinho.
— É bom! – concordo sempre.
Mas arrumei um companheiro de respeito: o médico Drauzio Varella em sua coluna na Folha de São Paulo, de 19/07/2008, página E12, escreveu o texto abaixo:
De vinho eu gosto, mas tomo pouco, porque pesa no estômago. Além disso, meu paladar primitivo não permite reconhecer notas de baunilha ou sabores trufados; não tenho idéia do que seja uma trava sutil de tanino, nem o aroma de cassis pisado, nem o frescor de framboesas do campo. Em meu embotamento olfato-gustativo, faço coro com os que admitem apenas três comentários diante de um copo de vinho: é bom, é ruim, e Bebe E Não Enche O Saco.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h45
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Lei Seca no trânsito - Drauzio Varella
Drauzio Varella, uma posição a favor da Lei Seca no trânsito
Vou citar um texto que parece velho neste mundo de informações rápidas, mas o assunto continua pertinente, apesar de ter passado o rebuliço inicial.
Em sua coluna na Folha de São Paulo, de 19/07/2008, página E12, o médico Drauzio Varella defende a tal lei de tolerância zero com relação ao álcool ingerido pelos motoristas.
(Pessoalmente, sou menos radical: acho que o legislador poderia encontrar limites que permitissem pequenas quantidades, que não alteram os reflexos dos motoristas. Mas compreendo que existem várias dificuldades técnicas.)
O texto é ótimo, abrange vários aspectos, e merece ser lido. Para acessá-lo, CliqueAqui.
Um dos tópicos que ele aborda é a diferença natural da reação ao álcool entre diferentes indivíduos; destaco o bem-escrito texto abaixo:
Quantos, depois de duas cervejas, choram, abraçam os companheiros de mesa e fazem declarações de amizade inquebrantável? Está certo permitir que esses, fisiologicamente mais sensíveis à ação do álcool, saiam por aí colocando em perigo a vida alheia?
Como seria a lei, então? Deveria avaliar as aptidões metabólicas e os reflexos de cada um para selecionar quem estaria apto a dirigir alcoolizado? O Detran colocaria um adesivo em cada carro estabelecendo os limites de consumo de álcool para aquele motorista? Ou viria carimbado na carteira de habilitação?
Também destaco o fecho do artigo:
Não é função do Estado proteger o cidadão contra o mal que ele faz a si mesmo. Quer beber até cair na sarjeta? Pode. Quer se jogar pela janela? Quem vai impedir?
Mas é dever inalienável do Estado protegê-lo contra o mal que terceiros possam causar a ele.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h10
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Presidente da Bolívia Evo Morales é um índio que já viveu do plantio de coca
Não se pode esquecer que Evo Morales é um índio que já viveu do plantio de coca, atividade criminosa
Algo que para os puristas parece bonito, a eleição de um representante da maioria racial para governar uma nação, não resiste às análises racionais e lógicas.
Não se pode fugir da globalização, da inserção de cada país no mundo em que vivemos.
Foi o que aconteceu com a pobre Bolívia, na eleição de Evo Morales, um legítimo índio da etnia quéchua.
Mas a maior fonte de trabalho e economia dos indígenas bolivianos era o plantio de coca.
Grande – talvez a maior – parte da produção era transformada numa droga que produz vício e doenças, a cocaína.
Evo Morales era um líder indígena plantador de coca; por mais que tenha evoluído, não há indícios de que tenha se transformado num estadista, num político com visão global.
Na edição de 14/09/08 de O Estado de São Paulo, página A15, a repórter Ruth Costas entrevistou Gonzálo Chávez, analista político da Universidade Católica Boliviana, aproveitando a questão da expulsão dos embaixadores dos Estados Unidos na Venezuela e na Bolívia.
Terminou assim a matéria:
No caso de Evo, a aversão aos EUA também está ligada à sua história pessoal. Evo surgiu como líder sindical dos plantadores de coca da região do Chapare – e os EUA por muitos anos pressionaram para o governo boliviano erradicar tal cultivo como parte de sua luta contra as drogas. “Hoje não há dúvida de que o apelo do discurso anti-EUA na Bolívia tem causas muito mais emocionais que racionais”, diz Gonzálo Chávez.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 13h38
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Bolívia - Evo Morales – mudança autoritária da Constituição - reações
Evo Morales muda a Constituição boliviana na calada da noite e agora aparecem as conseqüências
Em 25/11/2007 o presidente boliviano Evo Morales conseguiu impor aos deputados uma série de mudanças constitucionais de seu interesse, mas que não foram devidamente discutidas e aceitas pelos adversários.
A nova Carta foi assinada dentro de um quartel, sem a presença dos deputados da oposição, enquanto do lado de fora manifestantes protestavam e os confrontos com a polícia deixaram mortos e feridos.
A História prova que mudanças importantes feitas na legislação de uma nação só se consolidam quando representam, realmente, o desejo e a aceitação popular.
Quando realizadas de forma sorrateira, disfarçada, ligadas a interesses pessoais, sempre vão gerar, a curto ou médio prazo, uma reação forte e contrária.
O fato de terem sido aprovadas por deputados eleitos é suficiente para legalizar, mas não para legitimar.
Em setembro de 2008, líderes provinciais (o equivalente aos estaduais, no Brasil) se rebelaram e forçaram Morales ao recuo.
No dia 13/09/08 ele declarou: “Estamos autorizados pelos movimentos sociais a revisar o projeto de autonomia que está na Constituição Política do Estado”.
O recuo vai enfraquecer seu governo e dar força aos oposicionistas.
Comprovou o conhecido despreparo político: impôs medidas autoritárias, mas não conseguiu avaliar, com clareza, as conseqüências.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h14
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Candidato a prefeito de BH quer construir várias estações rodoviárias
Candidato a prefeito de Belo Horizonte quer multiplicar a Rodoviária
Por mais de uma vez já usei este espaço virtual para criticar a decisão da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte de construir uma nova Estação Rodoviária para a cidade, afastada do centro.
Argumentei que a superlotação da atual e os prejuízos ao tráfego da região só ocorrem em poucas datas, o que não justifica a transferência, que vai dificultar o acesso aos muitos interessados.
Argumentei que a cidade de São Paulo, muito maior, construiu a Estação Bresser para desafogar a Estação Tietê e depois de anos abandonou a primeira, arcando com um grande prejuízo e voltando a concentrar na Tietê a maior parte do transporte rodoviário de passageiros.
Argumentei que o objetivo do prefeito e de seu grupo era fazer uma obra grande, que pudesse ser vista com freqüência pelo público, com a finalidade de marcar a sua administração; os benefícios para a cidade foram relegados a segundo plano.
No próximo dia 26 de outubro será realizado o segundo turno das eleições municipais na capital mineira com dois candidatos: o oficial do atual prefeito e o adversário, que disfarça o fato de ser um oposicionista garantindo continuidade nas obras em andamento.
Mas já declarou uma exceção: é contra a nova Rodoviária.
Só que a proposta alternativa do concorrente Leonardo Quintão é muito pior: substituir a atual por três outras estações, localizadas em pontos mais afastados do centro.
Em resumo: ambos ainda querem tirá-la do centro da cidade, que é o local ideal de uma estação rodoviária.
Agora estão expostas na mesa duas propostas: uma é ruim, a outra é pior.
E ambas caras, muito dinheiro dos cofres públicos municipais.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h08
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Considerações sobre as eleições e a política II
Os políticos fracassados e a obsessão do retorno às tribunas
João Rodrigues dos Santos, personagem do post anterior, era um assíduo freqüentador da Praça Sete (Belo Horizonte), tradicional ponto de encontro de aposentados e políticos que se aglomeravam em frente às cafés-lanchonetes Pérola (fechado no final da década de 1990) e Nice.
Joãozinho da UDN já tinha sido candidato a vereador e deputado em todas as eleições desde a década de 70, e a cada pleito conseguia menos votos.
Uma vez tomei um cafezinho com ele, quando me apresentou ao radialista Nelson Carvalho, apresentador do programa De Olho na Cidade e ex-deputado estadual.
Longe – evidentemente – dos ouvidos do radialista, João o citou como exemplo de ex-parlamentar que tentava, inutilmente, voltar para a política.
Garantiu que Carvalho já tinha perdido muito tempo e dinheiro candidatando-se seguidamente.
Como estava criticando a obsessão do outro, imaginei que ele próprio já havia desistido da política, mas no primeiro pleito que se sucedeu João Rodrigues dos Santos tentou novamente.
Reafirmou a velha metáfora de que política é como a cachaça, vicia.
Foi uma tentativa melancólica, da qual não encontrei registro na internet, pois creio que não conseguiu mais do que duas ou três centenas de votos.
Joãozinho já morreu, o nome Nelson Carvalho não apareceu nesta eleição, mas por este caminho ainda segue trilhando outro radialista ex-deputado, Wellington Balbino de Castro.
Um pouco mais afortunado, cumpriu dois mandatos completos (1987 a 1995), mas só conseguiu 227 votos parcos votos no último dia 05 de outubro de 2008, na eleição para a Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Seu eleitorado desce ladeira abaixo: 2.776 votos para deputado estadual em 1998, 2.911 no ano de 2002, 404 votos para vereador em 2004 e agora, duas centenas.
Em 1992, já deputado, candidatou-se a prefeito da capital; mesmo “ajudado” por uma reportagem de capa da extinta revista Veja Minas, de 11/05/1992, nada conseguiu.
Naquela matéria foi chamado de “uma das figuras exóticas da Assembléia Legislativa de Minas”; o repórter Fernando Godinho garantiu, ainda, que “em um programa policial que tinha no rádio, batia nos entrevistados”.
Pela seqüência de tentativas frustradas de voltar às tribunas, mais um do time dos obcecados pelo retorno à política.

A capa da revista Veja Minas, de 1992.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h46
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Considerações sobre as eleições e a política I
Joãozinho da UDN e a obsessão pelas eleições políticas
Nos idos de 1980 tive a oportunidade de conhecer um homem de personalidade interessante, singular: João Rodrigues dos Santos.
Teve o grande mérito de subir na vida vindo de baixo: negro, pobre, filho de uma lavadeira, nascido e criado na pequena cidade de Minas Novas-MG.
Inteligente e expansivo, estudou e fez amigos; procurou apoio na política.
Na década de 50, já em Belo Horizonte, chegou a ser tema de uma reportagem, quando tinha o apelido de Joãozinho da UDN, o seu partido político, a base dos laços que lhe conseguiram uma vaga no serviço público.
Estudou Direito e Filosofia na universidade e foi professor (foi também sócio ou diretor) de um cursinho; ficou tão conhecido que se animou a tentar uma vaga de vereador.
Em época de bipartidarismo, candidatou-se pelo MDB mas não foi eleito, apesar de um número avantajado de votos.
Continuou tentando, obsessivamente, um cargo eletivo (também concorria a deputado estadual), mas seu eleitorado foi minguando e as últimas votações foram discretas.
Tinha vida intensa: também era cantor de ópera, trabalhou num escritório de advocacia e soubemos de vários casos de ajuda humanitária em que se envolveu.
Quando anunciou a aposentadoria, mal entrado nos 50 anos de idade, seus colegas e conhecidos vaticinaram uma vida ativa e útil, dedicada à advocacia, à leitura, aos estudos.
Mas não avaliamos corretamente os fantasmas do passado de João Rodrigues dos Santos: a infância pobre e os preconceitos raciais e sexuais, já que ele era homossexual (evitava falar a respeito, mas não escondia).
Dois ou três anos após a aposentadoria revelou a ex-colegas que estava tentando dar uma reviravolta positiva, reduzindo as bebidas, alimentação pouco saudável e reorganizando a questão afetiva.
Mas o coração, que já tinha sofrido um infarto antes dos 50 anos, voltou a sentir os efeitos do descontrole e falhou, em definitivo, pouco antes de Joãozinho da UDN chegar aos 60 anos (sete ou oito anos atrás).
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h55
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Considerações sobre as eleições municipais de Belo Horizonte III
Os candidatos sem-voto, figuras folclóricas da política brasileira
No dia 27/07/2008 o cidadão Armando Dias Teixeira foi empossado como vereador no município de Queimada Nova, Piauí, embora tivesse terminado a eleição com ZERO votos.
Nem ele votou nele, mas foi empossado.
Uma falha indesculpável da legislação, e dos legisladores.
Mas candidatos que terminam a eleição sem votos está longe de ser novidade na terra-à-vista cabralina.
Na recentíssima eleição para o legislativo municipal da capital mineira, apenas um candidato igualou o número de votos de Armando, mas certamente jamais será empossado, pois a concorrência por aqui é bem maior.
Na lista do TRE-MG ele aparece como suplente, está apto a assumir o cargo de representante do povo.
Dois outros candidatos tiveram, pelo menos, a dignidade de votar em si próprios –um voto; ou talvez nem isso tiveram, pois é possível que tenham optado por um concorrente enquanto recebiam o apoio de algum fã incondicional.
Quatro candidatos obtiveram o estupendo número de dois votos e outros cinco tiveram um pouco mais, mas nem chegaram às duas casas numéricas.
O que leva alguém a se candidatar a um cargo público sem qualquer apoio expressivo, a ponto de obter resultado tão pífio?
Sem qualquer apoio de estudo científico conhecido, só posso especular.
Uma causa conhecida é a legislação, que garante ao funcionário público o afastamento remunerado para se dedicar à campanha.
O afastamento se transforma numa alternativa para um período de férias extraordinário e remunerado, ou para cuidar de outros interesses pessoais ou profissionais.
Em suma: uma fraude com o contratador que, aliás, é o eleitor.
Outro grupo representativo entre os malissimamente votados é o dos fora-de-órbita, distribuídos entre loucos, pirados, maluquinhos, surrealistas e sonhadores.
No horário eleitoral televisivo divertem os eleitores com fantasias de super-herói, de Papai Noel, ou cantando, ou criando bordões.
Nos meus profundos e abalizados estudos sobre o importante grupo social dos candidatos sem-voto, caçadores-de-férias-extraordinárias e amalucados dominam, soberanos, a classe.
Os primeiros ainda contam com o guarda-chuva da lei, mas os componentes do outro grupo expõem a fragilidade dos pequenos partidos políticos, incapazes de elaborar uma seleção de candidatos de forma séria e responsável.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h32
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Considerações sobre as eleições municipais de Belo Horizonte II
A ignorância das massas se manifesta na eleição municipal da capital mineira
A palavra ignorância tem um valor pesado, depreciativo, até mesmo ofensivo, mas apenas por uma questão de uso: o sentido original é o de desconhecimento, de desinformação.
A inteligência e o raciocínio são os grandes atributos do ser humano, criadores da sociedade desenvolvida; trouxeram conhecimento e tecnologia.
Por isso, as demonstrações coletivas de ignorância e desconhecimento sempre me impressionam, tanto quanto me decepcionam.
As eleições municipais de Belo Horizonte se concentraram, no final, nos candidatos Márcio Lacerda e Leonardo Quintão, pouco conhecidos do grande público.
As características básicas do primeiro foram expostas na campanha: técnico e político de bastidores, fruto de uma aliança de dois adversários aparentes, agora publicamente aliados, o governador Aécio e o prefeito Pimentel.
O segundo também se enquadra na metáfora do fruto, mas o fruto do marketing, que por sua vez é uma técnica de encantar a platéia, ainda que com subterfúgios, disfarces; escondendo cicatrizes.
Quem será o seu marqueteiro? É um mago, um gênio. Dissecou o mercado.
Quintão chegou à política por vias sectárias: auxiliar do pai Sebastião Quintão na igreja evangélica Projeto de Salvação, em 2006 foi erigido pelos votos dos seguidores ao cargo de deputado federal.
Candidatou-se à prefeitura da capital mineira e aprovou um elaborado plano de marketing, que se revelou genial.
Jogou para debaixo do tapete, durante toda a campanha, a origem religiosa protestante: o máximo que se permitia eram curtas expressões de agradecimento a Deus no final de algumas falas, que não denunciavam a origem.
Embora oriundo do Distrito Federal, mais exatamente da cidade-satélite de Taguatinga, adotou um estudado e treinado tom de mineiro interiorano: fala mansa, pé de ouvido, riso discreto, alegria contida, expressões levemente acabocladas. O simpático da conversa cotovelo no pau-de-cerca.
Ciente da popularidade de Aécio e Pimentel, destacou obras deles, como a grande reforma da Avenida Antônio Carlos, na propaganda televisiva e garantiu a continuidade com o apoio do governador de quem, se não chega a ser adversário, jamais foi aliado.
Usou e abusou de recursos psicológicos, subjetivos, que não deveriam existir numa campanha política: apelando para a base sentimental do telespectador/ouvinte, pedia um voto de confiança, um apoio para as suas idéias, para o seu trabalho.
Conseguiu criar uma sinonímia entre os opostos vocábulos renovação e continuidade.
O próprio prefeito Pimentel, logo após o primeiro turno das eleições, disse (cuidadosamente) que o eleitorado não compreendeu as relações político-partidárias de Quintão e Aécio.
Mas, se confrontado com o fato de ser, tecnicamente, da oposição, o candidato certamente vai negar, alegando que o seu partido PMDB é aliado do PT no nível maior, o federal.
Cabe ao candidato Márcio Lacerda escolher um marqueteiro que seja tão inteligente quanto o do concorrente, que consiga transmitir para o eleitorado a informação e o conhecimento que não se materializaram na primeira fase da campanha.
Triste da nação que escolhe seus líderes e administradores através do sentimento, das emoções; da empatia e pela simpatia.
Pela ignorância.
P.S.: O pai Sebastião Quintão, a matriz do projeto político, candidatou-se à reeleição como prefeito da industrializada cidade de Ipatinga e foi derrotado. Ironia: nem haverá segundo turno.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h38
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Considerações sobre as eleições municipais de Belo Horizonte I
Falso situacionista põe em risco a estranha aliança PT-PSDB em Belo Horizonte
A união do governador Aécio Neves com o prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel para apoiar um candidato único, Márcio Lacerda, foi um dos mais importantes fatos da política nacional recente.
As disputas entre FHC e Lula foram tão renhidas que as alianças entre os partidos deles só existiam no nível paroquial, nem chegavam perto da elite política.
Como Aécio tem uma tradição hereditária de político aglutinador, caiu em Fernando Pimentel o prejuízo maior: a pecha de líder do “racha” do Partido dos Trabalhadores, e de coveiro de sua ideologia esquerdista.
Em conta-gotas, deixaram escapar para a mídia que se uniriam para entregar a prefeitura da capital mineira a um técnico discreto, que não conhecia o sentido prático da palavra eleitorado.
Para tanto, o grupo de Pimentel teve que afastar da disputa o ex-prefeito Patrus Ananias, o que traria um ônus maior se a aventura viesse a naufragar.
Mas, ainda assim, parecia uma aventura de baixo risco: havia muito tempo em que um governador e o prefeito da capital não gozavam, simultaneamente, de tanta popularidade nas Minas Gerais.
Afastado Patrus Ananias, nenhum outro concorrente de peso assumiria o risco, o que se comprovou.
Quando a candidatura se materializou, apostei na vitória em primeiro turno, tal a força da aliança.
A disparada de Jô Moraes nas primeiras pesquisas só enganou aos que não entendem a lógica político-eleitoral: as massas citam os nomes mais conhecidos, ou os que foram lançados mais cedo, mas não garantem a fidelidade.
Quando o eleitorado entendesse que Márcio Lacerda representava a união Aécio-Pimentel, pousaria em massa nos ombros dele, o que se confirmou nas pesquisas do último mês, com exceção da última.
O apareceu fator inesperado: um jovem esperto conseguiu parecer situacionista na propaganda televisiva e levou a disputa para segundo turno, além de perder por pequena diferença.
Resta saber se os padrinhos do ainda favorito vão se arriscar em direção ao ônus político de esclarecer ao público que Leonardo Quintão é oposição a eles.
Se a opção for pelo esclarecimento e confronto, o risco maior cai no colo de Aécio caso Márcio Lacerda perca, pois o adversário Quintão ganha o poder de pressionar o governo estadual nas obras em parceria.
Sobrevivi no agradável meio turfístico (as corridas de cavalos) porque jamais fui um apostador nato: se eu perco a primeira aposta, prefiro nem arriscar a segunda.
Por isso, não aposto mais na vitória do xará Lacerda.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h14
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A boa piada tem que ter um final inesperado
Empregada pedindo aumento
— Madame, estou precisando de um aumento.
A senhora muito chateada pergunta:
— Maria, porque você acha que merece um aumento? Você só está aqui há 3 meses.
— Madame, há três razões porque eu acho que mereço um aumento: Em primeiro lugar eu passo as roupas melhor do que a senhora.
— Quem foi que disse isso?
— Foi o patrão quem disse. Em segundo lugar eu cozinho melhor do que a senhora.
— Que absurdo, quem disse isso?
— Foi o patrão quem disse. Em terceiro lugar eu sou melhor na cama que a senhora.
— Filha da P.....! Desgraçada! Foi meu marido quem disse isso também?
— Não madame, foi o motorista...
— ...QUANTO VOCÊ QUER DE AUMENTO MESMO???
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h16
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A aliança do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) com a classe empresarial
A sinceridade ideológica dos comunistas modernos
Em 1989 caiu o Muro de Berlim, evento considerado hoje como o marco da derrocada do sistema comunista de sociedade e de governo.
Dois anos depois, um levante militar comunista/conservador foi sufocado em Moscou e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas se desfez, dando origem a uma série de países independentes, que rapidamente abandonaram as teorias marxistas.
O principal partido comunista em terras cabralinas, o PCB, seguidor declarado da liderança soviética, teve plena noção do contexto e mudou o nome e toda a sua base teórica, sob a liderança de Roberto Freire.
O concorrente nacional, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) recusou-se a mudar, basicamente por dois motivos: seguia a linha chinesa (a China só viria a mudar a política interna nos anos seguintes) e ainda estava sob o controle do velho líder João Amazonas.
Ele morreu em 2002, aos 90 anos, mas, pelo menos em tese, o Partido Comunista do Brasil continuou sendo um partido comunista.
Na década de 90 o grande líder do PCdoB em Minas Gerais era Sérgio Miranda, que em várias eleições foi o candidato único a deputado enquanto Jô Moraes era candidata única à Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Ele acabou deixando o partido, por desentendimentos, e ela ficou com a herança.
Ambos são candidatos agora à prefeitura de Belo Horizonte, mas Jô Moraes tem um eleitor de peso, o vice-presidente da República, o rico empresário José Alencar Gomes da Silva, dono de extensa carreira à frente da FIEMG, portanto líder do top da classe empresarial.
Alguma coisa está errada: comunistas e anticomunistas de mãos dadas?
Ou José Alencar enlouqueceu... (o que não é verdade, no entendimento de qualquer acompanhador do noticiário político).
Ou o comunismo de Jô Moraes não é, mais, autêntico.
O PCdoB virou griffe.
E virou um disfarce para um grupo que faz política em troca de cargos públicos para os seus membros (como, dizem, que está agindo hoje o velho MR-8).
E virou um disfarce para enganar uma massa contestadora, que ainda acredita no comunismo e vota nos líderes-aparentes.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 13h44
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O mágico Mister M e a Justiça brasileira
Mister M, o mágico que explicava os truques, deixou a TV Globo apertada na Justiça brasileira
Um dos momentos mais marcantes do programa dominical Fantástico, da TV Globo, aconteceu em 1999, com o mágico Mister M.
Um mascarado não identificado, durante uma seqüência de domingos, desvendava os seus truques para o público, quebrando a forte tradição de segredo em sua profissão.
Depois de algum tempo ele tirou a máscara e se apresentou: Mister M era, na verdade, o artista norte-americano Val Valentino, que por sua vez era o cidadão norte-americano Leonard Monatono.
A classe ilusionística se apavorou no Brasil, acreditando que a explicação dos truques prejudicaria a profissão, como se uma parcela representativa do público os visse como sobrenaturais.
Anunciaram até que entrariam na Justiça contra a TV Globo, o que realmente fizeram.
Para mover este processo, um grupo de mágicos nacionais criou uma entidade no Rio Grande do Sul, a Associação dos Mágicos Vítimas do Programa Fantástico.
Chegaram a ganhar em primeira instância, mas a segunda instância (Tribunal de Justiça-RS) derrubou a sentença, agora com aval do Superior Tribunal de Justiça.
(A primeira instância da Justiça brasileira continua fazendo trapalhadas, os juízes que tomam as decisões absurdas não são punidos, e os órgãos classistas seguem defendendo a independência dos primeiros. Eita Brasil!)
Discutir na Justiça se um artista tem ou não tem o direito de explicar os seus truques é um absurdo.
Institucionalizar o direito de enganar o público, também é absurdo.
Conceder uma indenização apenas porque houve prejuízo para alguém, é outro absurdo.
Prejuízos ocorrem a todo momento, em todo negócio; só são indenizáveis em situações bem mais sérias do que a explicação de um truque de ilusionismo para fins de diversão popular.
A notícia completa está no site do STJ, que pode ser acessada ClicandoAqui.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h40
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Legislativo fraco, Executivo e Judiciário fazem leis
O Legislativo abdica de sua função de legislar
Uma questão bem simplista: dos três poderes tradicionais da República, qual necessita de mais competência de seus constituintes?
Para uma pergunta simplista, uma resposta também simplista: o Legislativo.
O Executivo precisa de organização técnica e administrativa para executar as leis; o Judiciário precisa de competência técnica para julgar a infindável sucessão de infrações, mas é o Legislativo que cria todo o arcabouço legal que norteia os demais e a organização social.
Certamente nas sociedades avançadas esta questão também seria supérflua: a todos os poderes são necessários competência, organização e aptidão técnica para governar a sociedade.
No caso do Brasil, é inútil discutir se o Legislativa deveria ter o mesmo grau de capacidade dos demais, ou se deveria ter mais.
Pois a verdade é que tem menos, muito menos!
Conclusão exemplificada nos incontáveis casos de vereadores analfabetos reais, analfabetos funcionais ou que possuem falsos atestados de conclusão dos mais primários níveis de escolarização.
Exemplificada nos casos de deputados que apresentam projetos de leis inconstitucionais, repetitivas, inúteis, mal redigidas, incoerentes, subjetivas, inaplicáveis.
Exemplificada nos casos de políticos eleitos não pela sua aptidão à causa pública, mas pela sua participação em causas escusas, em interesses à margem da lei.
Com um dos pés, ou ambos, no mundo do crime.
Sem falar no erro consciente de redação de projetos de lei, assinados e protocolados com a única função de fazer média com o eleitorado ou com a audiência, pois o autor sabe que, lá na frente, serão derrubados por flagrante inconstitucionalidade.
O assunto me veio à mente durante uma entrevista de Lúcia Hippolito, cientista política ligada profissionalmente à mídia (Rádio CBN), que no dia 06/07/08 afirmou que o Legislativo tem abdicado de legislar.
O Executivo interfere na função legisladora através das medidas provisórias, e o Judiciário através de interpretações das leis vigentes.
Lúcia citou, especificamente, a atuação dos tribunais eleitorais, que estão legislando, mas de forma indireta.
Em 2004 uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral eliminou 8.528 cargos de vereadores, após longas discussões para criar uma interpretação única de uma lei que deveria ter sido promulgada de forma clara, limpa, objetiva.
Os parlamentares já apresentaram incontáveis projetos tentando restaurar tais empregos.
O processo eleitoral é a salvaguarda da democracia, garantia da evolução civilizatória do mundo moderno, mas no Terceiro Mundo exerce, simultaneamente, o papel de vilão, alçando para o papel de legislador alguém cujo cabedal de conhecimentos se restringe, apenas, à capacidade de conseguir o voto do eleitor incauto e inculto.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h40
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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