Comportamento brasileiro: abordando os transeuntes
Interrompendo a ginástica dos outros para fazer propaganda política
Hoje (ou pelo menos no momento em que escrevo: 26/09/2008, 11h45m) eu fiz o meu irregular jogging, ou Cooper, ou training, ou qualquer outro sinônimo de língua inglesa, no canteiro central da Avenida José Cândido da Silveira, a boulevard dos belo-horizontinos.
O corredor à minha frente foi parado por uma mulher um pouco além da meia idade para... propaganda de um candidato a vereador.
À frente cruzei com outro corredor, mais jovem e meio gordinho, necessitado de bastante empenho na ginástica, e me perguntei se ele também seria interrompido.
Fiz o retorno 100 metros à frente e lá estava ele, ouvindo educadamente as promessas da cabo-eleitoral, e acumulando gordurinhas.
São atitudes curiosas (mas comuns no Brasil), tanto do que toma a liberdade de procurar uma pessoa desconhecida quanto do que o ouve.
O primeiro interrompe as atividades de terceiros (neste caso, do segundo) para vender seus interesses pessoais, e o segundo prioriza a gentileza e pára para ouvir os pedidos alheios, ainda que em prejuízo próprio.
É um comportamento que inexiste no chamado Primeiro Mundo: lá a pessoa que é abordada se sente ofendida, invadida ou prejudicada numa situação parecida.
Por aqui o invasor até se ofende quando o grosso, o mal-educado, o ignorante (conclusão dele) se recusa a ouvi-lo, e ainda recebe apoio de boa parte dos espectadores ocasionais.
Para piorar, acho que vou perder leitores que me considerem desumano e ranzinza.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h32
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Os candidatos sem chances mas com muitos planos políticos
Candidatos anunciam planos para um governo que não irão exercer
Gustavo Valadares, candidato à Prefeitura de Belo Horizonte, realizou no dia 03/09/08 uma reunião para o lançamento de seu programa de governo.
Aparentemente, pura perda de tempo, pois qualquer analista de política da capital mineira sabe que o adversário Márcio Lacerda vai ganhar as eleições em primeiro turno, no dia cinco de outubro.
Os assessores de Valadares, que é filho do ex-presidente do Clube Atlético Mineiro Ziza Valadares (que mal acabou de renunciar a este cargo) gastaram tempo formulando um programa político-administrativo que na mesma noite da votação vai para a lata de lixo.
Mas os mesmos “qualquer analista de política da capital” conhecem e compreendem o verdadeiro objetivo: marketing para garantir a reeleição a deputado federal, daqui a dois anos.
Mais difíceis de compreender são os objetivos da candidata Vanessa Portugal, que também anuncia seus projetos para administração da cidade de Belo Horizonte, mas as chances são ainda menores e ela jamais ganhou qualquer eleição.
E seu partido, o PSTU, continua tão insignificante quanto já o era na época de sua constituição.
Para piorar, suas mensagens e idéias socialistas ficam cada vez mais distantes da retórica política contemporânea.
Chega a ser engraçado ouvir candidatos sem eleitorado anunciando projetos e planos para um cargo que não têm chance de obter, nesta eleição e talvez nem nas futuras.
Estou de pleno acordo com a legislação eleitoral em vigor, que distribui o tempo de propaganda gratuita de acordo com a representatividade política, e desobriga as emissoras de rádio e televisão de convidar os microcandidatos de participar de debates.
Muitos são aventureiros, uns poucos são iniciantes com possibilidades futuras, mas todos são, neste momento, inexpressivos na política.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h02
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Eleições municipais de 2008
Um candidato a vereador supostamente original

Este candidato a vereador em Porto Seguro-BA pensou estar sendo original ao registrar o nome “Cosme da Família” para a sua campanha.
Uma idéia no mínimo curiosa, pois todos os seres humanos são “da família”.
Nem os abandonados por pais não identificados se excluem: possuem família biológica, mas não a “família social”.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h36
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Antônio Luciano Pereira Filho, o excêntrico milionário mineiro
Antônio Luciano Pereira Filho, o milionário mineiro que agia como gangster
Falta um bom livro sobre a vida do milionário mineiro Antônio Luciano Pereira Filho, uma das personalidades mais importantes do Estado no século 20.
Mas acho que vai continuar faltando, pois duvido que alguém tenha coragem de entrar a fundo nesta história, pois ele ainda tem dezenas de filhos vivos, e à boca pequena se diz que vários deles herdaram o comportamento paterno no que se refere aos negócios.
Sugiro a leitura de um post anterior (16/09/2008) de minha autoria, que inclui um texto de Roberto Drummond sobre ele, extraído do livro Hilda Furacão.
Recebi o seguinte e-mail de um leitor (deste post) que está atualmente no México e se diz perseguido político por ordem de Antônio Luciano:
Magno Fernandes dos Reis [pacal2007@yahoo.com.mx] [http://pt.netlog.com/fernanadesmagno]
Aproveitei esta madrugada fria de San Cristóbal de las Casas - Chiapas- Mexico para ler seus textos. De repente, encontrei um texto sobre Antonio Luciano Pereira, o homem que mandou os agentes do DOPS me prender em Lagoa da Prata. Um cordial abraço, Dos Altos de Chiapas. Magno Fernandes dos Reis.
25/09/2008 02:55
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h46
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O motorista que exigiu o direito de respeitar a lei de trânsito II
O motorista mineiro que precisou fazer uma placa exigindo o direito de respeitar o limite legal de velocidade (continuação)
No post de ontem citei uma telerreportagem da TV Globo, que flagrou um motorista que colocou na traseira de sua caminhonete uma faixa pedindo respeito ao limite de 80 quilômetros por hora que existe no Anel Rodoviário de Belo Horizonte.
O repórter Diego Bertozzi conseguiu (17/09/2008) entrevistar o motorista, Paulo César Otaviano, que colocou a faixa, em letras grandes, com os dizeres: “Respeite o Anel. 80 km”.
Introduziu a fala do motorista com o texto: “Alguns motoristas andam quase colados, para forçar a ultrapassagem”.
O original Paulo César Otaviano completou:
— Eles buzinam, fazem sinal de farol, às vezes ultrapassam e põem a mão para fora dizendo que eu estou atrapalhando o trânsito, quando na verdade quem está sendo inseguro neste trajeto é o que está correndo mais do que eu.
Triste da nação onde são necessárias atitudes extraordinárias apenas para garantir o direito de cumprir a lei.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h18
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O motorista que precisou exigir o direito de respeitar a lei de trânsito
O motorista mineiro que precisou fazer uma placa exigindo o direito de respeitar o limite legal de velocidade
No dia 17/09/2008 um jornal local da TV Globo flagrou no Anel Rodoviário de Belo Horizonte uma caminhonete que trafegava na faixa da esquerda com uma faixa na traseira que trazia escrito: “Respeite o Anel. 80 km”.
A reportagem conseguiu entrevistar o motorista, que explicou que usa o Anel com freqüência e se sentia incomodado quando outros motoristas exigiam que ele saísse da faixa da esquerda mesmo quando estava próximo do limite de velocidade.
Ele estava certo, estava dentro da lei; os outros queriam trafegar em velocidade acima da permitida.
É o contingente dos que entendem que a lei não é o limite, é apenas uma autorização para a aplicação da multa.
Acionam o farol alto e a buzina, gritam, colam na traseira do carro da frente para assustar e sempre reclamam depois de fazer a ultrapassagem.
Acham que estão certos: escudam-se no artigo da lei que determina que a ultrapassagem só deve ser feita pela esquerda, e ignoram os artigos que lhes são desfavoráveis.
Tudo termina nesta situação irracional: o motorista que coloca uma faixa no carro pedindo que seu direito de respeitar a lei também seja respeitado.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h55
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Comportamento do motorista brasileiro - desrespeito ao Código
O motorista brasileiro desrespeita o Código e ainda culpa o governo
É muito curioso – chega a ser irracional – o comportamento de alguns milhões de motoristas brasileiros com relação às leis do trânsito.
Este expressivo contingente da sociedade ignora conscientemente as tais leis; obedece-as apenas durante as circunstâncias que geram conseqüências punitivas.
Trafegam em alta velocidade e reduzem nos locais dos radares; quando flagrados por radares ocultos ficam furiosos e criticam o governo por “deixar os ladrões soltos e ficar perturbando o cidadão que paga impostos exorbitantes’”.
Estacionam em lugar proibido, passeio, fila dupla, garagem e, quando flagrados, criticam o governo.
Fazem conversões proibidas, fecham cruzamentos, fecham os outros motoristas e, nestes casos, como raramente são flagrados, raramente têm a oportunidade de transferir a culpa para o PT, como antes transferiam para o PSDB, e antes para o Itamar e o Collor, que nem partido direito tinham.
O PMDB e a Arena eram os culpados que antecederam Fernando Collor, pois este comportamento é social, portanto antigo; não é pessoal.
A educação do trânsito é útil, mas para outra parcela populacional, mais permeável ao comportamento racional.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h14
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Humorismo
Piada de acidente aéreo
Num vôo comercial, o piloto liga o microfone e começa a falar aos passageiros:
— Bom dia senhores passageiros, neste exato momento estamos a 9 mil metros de altitude, velocidade de cruzeiro de 860 Km/hora e estamos, neste exato momento, sobrevoando a cidade de.................. OHHHHHHH, MEU DEUS!!!
E os passageiros escutam um grito pavoroso, seguido de um barulho infernal:
— NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!!!
Segundos depois o piloto pega o microfone e, rindo sem graça, se desculpa:
— Desculpem-me, esbarrei na bandeja e a xícara de café caiu em cima de mim. Vocês precisam ver como ficou a parte da frente da minha calça!!!
E um dos passageiros grita:
— Aí, não... Você precisa ver como ficou a parte de trás da minha!!!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h24
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Os dois candidatos mais ricos de SP são criminosos
O currículo de um candidato a vereador: empresário do sexo e causador indireto do desastre da TAM Em matéria de página inteira, a de número A10 da edição de 14/09/08, o jornal O Estado de São Paulo analisa a declaração de bens (ao TRE-SP) dos candidatos a vereador na maior cidade brasileira. Para dar razão ao pessimismo popular de que o crime compensa, os dois candidatos mais ricos têm passado criminoso: Oscar Maroni e Vicente Viscome. Maroni, que declarou 76 milhões em bens, é dono da boate Bahamas e esteve preso, acusado de exploração de prostituição. Quando (17/07/2007) caiu o avião da TAM matando todos os passageiros, a mídia descobriu que os pilotos pousavam num trecho menor da pista do Aeroporto de Congonhas por causa do Hotel Oscar, de 11 andares, que fica muito perto. O avião estava com o reverso desativado e não conseguiu frear; como a parte da pista que sobrou era insuficiente, foi parar na rua, com as piores conseqüências possíveis. A mídia concluiu que Oscar só conseguiu construir o prédio do Hotel Oscar naquele local por ter subornado funcionários públicos, mas não conseguiu desvendar a trama. Ele é candidato pelo Partido Trabalhista do Brasil, o PT do B. Viscome, o segundo mais rico, era vereador na década de 90 e foi cassado e preso por liderar a chamada “máfia dos fiscais”, um grupo de fiscais que achacava camelôs na cidade; ficou seis anos na cela. Ironicamente, é mais um aparente representante dos trabalhadores: candidatou-se pelo PTC, o Partido Trabalhista Cristão. Oremos!
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h08
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Declaração de renda ao TRE - candidatos informam errado
Em São Paulo, candidatos mentirosos declaram ter poucos bens
Em matéria de página inteira, a de número A10 da edição de 14/09/08, o jornal O Estado de São Paulo analisa a declaração de bens (ao TRE-SP) dos candidatos a vereador na maior cidade brasileira.
O mais pitoresco está na declaração de pobreza de candidatos que, com certeza, possuem muito mais do que declararam.
Seguem os três primeiros parágrafos da matéria intitulada “Lista dos candidatos mais pobres inclui famosos”:
Famosos que se tornaram candidatos estão entre os mais pobres na disputa eleitoral. O apresentador Sérgio Mallandro (PTB) e o ex-jogador Dinei (PDT), do Corinthians, declararam não possuir bens. Sérgio Mallandro explicou que, apesar da carreira de sucesso, não acumulou riqueza por não ser materialista. Dinheiro não é importante, diz. "Meus valores são outros, a família, os amigos, meu trabalho." A campanha é feita com ajuda de amigos que doam material e emprestam carros. "Faço uma campanha sem dinheiro, mas com propostas", diz, alegando que lutará contra as injustiças sociais.
Dinei contou que, depois que parou de jogar, enfrentou dificuldades, mas teve a ajuda dos amigos para superá-las. O piloto Linneu Linardi (PTB), campeão de stock car, e o cantor Nahim (PR), que tem trajetória de sucesso musical, também se disseram despossuídos financeiramente. Cantor e compositor reconhecido no universo gospel, Marcelo Aguiar (PSC) declarou cotas de uma produtora musical no valor de R$ 1 mil e saldos bancários de R$ 20.
O cantor Luiz Carlos do Raça Negra (PMDB), grupo de pagode que já vendeu mais de 33 milhões de discos, disse ter apenas R$ 2 mil em participações societárias. A mulher do ex-boxeador Adilson Maguila, Irani Pinheiro, que concorre pelo PTB, declarou patrimônio de módicos R$ 5 mil. Outro músico candidato, Caju (PT), da dupla pernambucana Caju & Castanha, anotou R$ 15,5 mil de patrimônio.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h40
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Aborto de fetos ou embriões com anencefalia ou outros defeitos graves II
Filósofo australiano acha que a vida do feto não é sagrada
O filósofo australiano Peter Singer não tem vergonha de defender uma posição favorável à interrupção da gravidez de um feto com graves deficiências. Segundo uma matéria da jornalista Mônica Manir, de O Estado de São Paulo (31/08/08, página J5), “em Saarbrücken, por exemplo, Singer foi saudado por um coro de assobios e vaias quando tentava explicar em uma palestra porque defendia que pais de recém-nascidos com graves deficiências devem poder decidir, com o médico, se o bebê deve viver ou morrer”.
Na mesma matéria destaco os seguintes trechos:
Existem diferentes graus de lesão cerebral e a criança anencéfala pode até viver, mas na verdade não desenvolverá características humanas. Nessa linha de raciocínio, um animal também é um ser vivo. Se aqueles que são contra o aborto entendem que a vida de um animal não é sagrada, por que acreditam que a de um feto anencéfalo o seria?
Acho que não é uma questão de discutir quando a vida humana começa, mas quando ela ganha suas principais características, como racionalidade, autoconsciência, consciência, autonomia, prazer, dor, que lhe dão valor e tornam errado finalizá-la. Estou seguro de que a vida começa na concepção, mas não acho que a opção pelo aborto seja algo errado.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h58
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Aborto de fetos ou embriões com anencefalia ou outros defeitos graves
A emergente questão ética dos embriões e fetos com defeitos graves
A evolução tecnológica da medicina, permitindo o diagnóstico de graves doenças de embriões e fetos durante a gestação, já criou sérios problemas éticos para a sociedade.
É justo, para a mãe e para o embrião/feto, dar seqüência a uma gravidez que vai resultar numa vida desumana, anti-humana, inumana?
Os “sérios problemas” existem porque há empecilhos religiosos e legais que dificultam a solução da questão.
A minha posição é definida: não acho justo dar seqüência a uma gravidez que vai resultar num organismo incapaz de viver como ser humano.
O que é um ser humano? Um homo sapiens que tenha consciência, raciocínio, inteligência, percepção do mundo; a parte racional que o faz diferente dos animais.
Se eu fosse um filósofo importante, a frase anterior seria suficiente para insuflar os inimigos ou críticos: eu seria classificado como um assassino de pessoas defeituosas, um eugenista demente.
Sendo desimportante, posso iniciar o comentário daquela forma sem grandes preâmbulos defensivos.
Simplesmente, não aceito que o SIM e o NÃO sejam as únicas respostas para a questão (se a gestação pode ser interrompida voluntariamente).
Os legisladores são escolhidos exatamente para este trabalho, identificar as situações particulares, definir a decisão adequada a cada um deles.
Uma delas é a questão do momento: até qual instante da gestação a interrupção será permitida.
Outra decisão é a de estabelecer qual será a deformação embrionária/fetal que permitirá à mãe a interrupção.
Um ser humano anencéfalo, sem cérebro – que é a grande discussão deste momento – não é um ser humano de fato.
Para fechar, destaco duas questões que estão no centro da polêmica:
1a) O momento que se inicia a vida. É importante para os estudiosos, mas os legisladores não deveriam participar das discussões filosófico-religiosas, deveriam tão somente escolher o momento adequado para a autorização legal/judicial.
2a) Parte da confusão que está ocorrendo na mente da população é conseqüência da confusão entre embrião e feto, principalmente na questão do uso de embriões para pesquisas científicas. As pessoas sem formação técnica na área biológica, quando ouvem falar em embrião, imaginam a imagem do feto, um ser com semelhança humana. A mídia não tem conseguido ser eficiente para explicar que o embrião é um conjunto de células sem aspecto humano, sem órgãos, sem qualquer forma que o aproxime de um homo sapiens real e definido.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h23
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Antônio Luciano Pereira Filho, o excêntrico milionário mineiro
Antônio Luciano Pereira Filho, o milionário mineiro que se especializou em deflorar virgens
Seguramente, o empresário Antônio Luciano Pereira Filho foi uma das figuras humanas mais faladas, citadas, conhecidas e analisadas em Minas Gerais, no século XX.
Morreu em 18/06/90, aos 76 anos, de causas naturais.
Também foi médico (só exerceu na juventude) e político (chegou a deputado federal).
Mas a absoluta maioria das citações, falações, comentários e análises se situam no campo das curiosidades, do “folclore”.
A sociedade fica, mas as pessoas se substituem, por isso Antônio Luciano vai ficando no passado.
Além da lembrança dos que vão nos deixando, ele aparece em um ou outro livro, sempre de passagem (ninguém se atreveu a aprofundar a análise).
Uma destas passagens aparece no livro Hilda Furacão, de Roberto Drummond, páginas 91 e 92 (Editora Siciliano, 16ª edição, 1998 – obra original de 1991).
Transcrevo o trecho:
Como eu já disse, Aramel, o Belo, morava no apartamento 702 do Hotel Financial: na época, eram hóspedes lá, fixos ou ocasionais, muitos políticos, deputados e senadores, como o já citado Benedito Valadares, e, a acreditar em Pina Manique, a irreverente colunista do semanário Binômio, nenhum deles pagava nada – era uma cortesia do dono do Hotel Financial, considerado, aliás, o homem mais rico do Brasil, mais rico até que o famoso Conde Matarazzo; era dono da metade de Belo Horizonte e possuía o hotel, uma usina de açúcar, oito fazendas, milhares de cabeças de gado, os cinemas da cidade, à exceção de dois, e até um avião que nas noites de insônia pilotava nos céus de Belo Horizonte, dando vôos rasantes nas casas das amantes que chegaram a ser 365 numa determinada fase da vida de quem queria ser não apenas o homem mais rico do Brasil, mas também o gavião número um do Brasil; e todas as amantes eram belas, todas jovens, todas pobres, pois o cheiro da pobreza era seu afrodisíaco, mais eficiente do que as injeções ou os preparados importados do Japão. Médico que nunca exerceu a profissão, a não ser para consumo próprio, tomava, com os estimulantes sexuais, remédios e drogas para 27 doenças imaginárias que, como hipocondríaco número um, ele cultivava; às amantes se referia assim:
— São as minhas coelhinhas!
E onde está a história do título, a especialização (e tara...) em colecionar o título de deflorador de virgens?
Roberto Drummond não diz, mas é um segredo de Polichinelo: nas décadas de 70 a 90 este assunto era rotineiro nas rodas de conversa da mineirada (nas décadas anteriores certamente também era, mas eu não era adulto então, não testemunhei).
As feministas vão arrancar os cabelos (que arranquem os próprios, pois dos meus sobraram poucos), mas eram as mães que reservavam a primeira relação sexual das filhas adolescentes para Antônio Luciano, em troca de farta recompensa.
Em 1999 a TV Globo realizou uma minissérie, uma mininovela, baseada no livro Hilda Furacão, mas não teve coragem de manter o nome original de Antônio Luciano, que foi mudado para Tonico Mendes e interpretado por Stênio Garcia, fisicamente parecido.
O medo era, certamente, de processo judicial, mas Antônio Luciano produzia medo físico, pois agia como gangster, sempre armado e com seguranças.
Deixou muitas histórias de atos de truculência e de violência contra adversários e concorrentes, o que gerou algumas citações no livro de Roberto Drummond.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h53
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Inclusão social

Na reserva indígena da tribo Pataxó, no município de Santa Cruz Cabrália, limite com Porto Seguro, Estado da Bahia, a Índia Iracema aceita cartão Visa, Mastercard, Diners, ou qualquer outra modernidade.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h02
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Carlos Lessa e a geografia do Rio de Janeiro
Carlos Lessa faz interessantes observações econômicas e geográficas sobre o Rio de Janeiro
O economista Carlos Lessa presidiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Social durante a maior parte do governo Lula, mas cansou e deixou o governo.
Atualmente é um petista meio desgarrado, mas não chega a ser oposicionista.
É um estudioso do Rio de Janeiro, autor de O Rio de Todos os Brasis, Editora Record.
Em entrevista ao Estado de São Paulo (28/10/2007), Lessa, professor emérito da UFRJ, destaca uma das características que tornam o Rio um cenário único no mundo: a linearidade. “É uma metrópole organizada em linhas. Isto dificulta acessos e concentra pessoas de diferentes camadas sociais em um único bairro”.
Foi uma matéria tão interessante que destaco os seguintes trechos:
A legislação brasileira desguarneceu os municípios e os Estados. A Constituição de 1988 estabeleceu que havia uma participação proporcional dos Estados e municípios nas receitas de impostos. Mas o governo federal, desde a gestão Collor, criou a categoria ‘contribuição’ e conseguiu no STF a determinação de que contribuição não é imposto. Por isso, por exemplo, a CPMF não dá um tostão para governadores e prefeitos. As administrações municipais e estaduais vivem a pão e água.
O Rio de Janeiro tem uma característica que o torna muito diferente. A maioria das grandes cidades é ortogonal. Isto quer dizer que há um caminho mais curto para ir de um ponto a outro, mas, se esse caminho for interrompido, há trajetos alternativos. O Rio é linear. Os bairros do Rio estão entre a montanha e o mar, entre uma cadeia de montanha e outra ou são nascidos a partir de estações ferroviárias. Então, a cidade é toda organizada em linhas: você chega a um bairro C, partindo de um bairro A, somente passando pelo bairro intermediário B. O Túnel Rebouças, que é a principal ligação entre a zona norte e a zona sul, foi interrompido [em 2007] e o caos se instalou.
Uma conseqüência dessa linearidade é a concentração, em um só bairro, de todos os estratos sociais. É muito ruim morar longe do local de trabalho. Quem gastaria três horas de deslocamento para trabalhar prefere morar numa encosta a ter de passar por isso. Quanto mais rico for o asfalto, maior é a atração de pessoas para morar nos arredores. Um exemplo claro é a Rocinha, maior favela do Rio, que fica ao lado de São Conrado, metro quadrado mais caro da cidade.
São os problemas de configuração urbana e de infra-estrutura que dão origem às favelas. Se, historicamente, tivéssemos investido em metrô de superfície, morar no subúrbio do Rio seria muito confortável para o trabalhador. Mais ou menos 3 milhões de pessoas gastariam apenas 40 minutos para chegar ao local de trabalho e todos prefeririam morar em uma casa no subúrbio a morar no morro. Ocorre que o quilômetro construído no Rio é caríssimo, porque o subsolo é constituído de granito ou de lodo. Os dois tipos de subsolo tornam as obras de metrô subterrâneo caríssimas. O metrô de superfície é mais barato. E a cidade tem um canal de tráfego para esse tipo de transporte praticamente pronto, que atravessa todos os subúrbios.
Como a cidade tem mais de 6 milhões de habitantes e não dá para se começar do zero, uma das soluções que me entusiasmam é transformar as favelas em bairros populares. O projeto Favela-Bairro se inspira nessa visão e fez uma urbanização nas favelas magnífica. Quase todas têm hoje água, esgoto, escola e postos de saúde. O lado ruim é que essas melhorias atraem especulação imobiliária e o povo dos municípios periféricos está se mudando para as favelas. Como numa réplica do que acontece no asfalto, as favelas estão se verticalizando. Isso vai causar um problema de saúde pública sério, porque, com prédios nessas vielas, o sol, essencial para uma vida saudável, não entra nas comunidades.
Os principais nós estruturais do Rio são o transporte público e a recuperação da Baía da Guanabara. A cidade nasceu ali, mas se virou de costas para a baía. Não a ocupa de maneira inteligente, não incentiva esportes náuticos, não cria percursos turísticos para as ilhas. Esse programa de recuperação da Baía da Guanabara tem 25 anos e não se completa, porque o sistema de esgotos do Rio é muito antigo. As estações de tratamento foram feitas, mas a coleta do esgoto é precária e ainda desemboca ali. Além disso, o velho porto praticamente não tem utilidade. O Rio tem que ocupar esse porto e fazer como outras grandes metrópoles: torná-lo um lugar bonito. Buenos Aires, Nova York, Londres e Barcelona fizeram isso. Nós não fazemos, porque esta é uma responsabilidade do governo federal, que não libera verbas. Se os terrenos ao redor do porto fossem privatizados, cerca de 200 mil famílias poderiam morar ali. A cidade é cheia de ótimos espaços não utilizados.
Os problemas da cidade eram muito piores no passado. O Rio foi capital do Império e era infestado de enfermidades: cólera, febre amarela, varíola e etc. Na época de dom João VI, a cidade tinha 60 mil habitantes. No fim do século 19, tinha 1 milhão. Nessa passagem, se acumularam problemas dantescos. Foi o presidente Rodrigues Alves quem modernizou o Rio de Janeiro. A história de modernização do Rio é feita de grandes investimentos federais, no início do século 20. Nas décadas de 60, 70 e 80, houve uma industrialização forte e foram feitas obras de infra-estrutura, como a ponte Rio-Niterói e o aeroporto do Galeão. Onde se errou historicamente foi no transporte coletivo, com a opção pelo rodoviário.
A mesma matéria cita que Lessa está escrevendo um livro sobre Minas Gerais. Estou no aguardo.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h47
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O ex-deputado Jorge Orlando Flores Carone não foi cassado
Uma errata bloguística: o ex-deputado Jorge Orlando Flores Carone não foi cassado em Minas Gerais
No dia 30/07/2008 faleceu em Belo Horizonte o ex-deputado estadual Jorge Orlando Flores Carone, aos 58 anos, vítima de diabetes.
Em 1974 estreei o meu título de eleitor e ajudei a elegê-lo.
Em 06/08/2008 redigi um texto para este blog falando sobre a minha decepção com este voto, mas a memória me traiu: acreditava que ele havia sido cassado por acusações de corrupção e por ter usado o diferencial de um carro da Assembléia Legislativa do Estado para participar de uma corrida automobilística em Brasília.
Mas um raio de dúvida surgiu e, no mesmo texto, comentei que estava encontrando dificuldade para confirmar o fato.
No dia 18/08/2008 recebi uma mensagem eletrônica (respeitosa e educada, destaque-se) do filho dele, Thiago, defendendo o pai e explicando que ele não havia sido cassado, atribuindo o processo e as acusações a uma perseguição da mídia.
Revendo informações do site oficial da Assembléia, confirmei que a proposta de cassação realmente não foi aprovada.
Assim sendo, já retirei do conteúdo permanente deste blog o post citado.
Reservo-me – claro – o direito de algum dia pesquisar na biblioteca da ALEMG esta passagem curiosa da política mineira.
Nalgum dia indeterminado do futuro, já que o blog não é uma atividade profissional, remunerada.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h02
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Mohammed D’Ali, o esquartejador da jovem inglesa
Tutty Vasques, humorista do sizudo Estadão de São Paulo
Uma das poucas concessões que o sizudíssimo jornalão O Estado de São Paulo faz à linguagem leve é a coluna de Tutty Vasques, publicada na página 2 do caderno dominical Alias.
O criativo título é Ambulatório da Notícia, com o subtítulo Unidade de tratamento para quem sai mal na foto.
Na edição de 10 de agosto de 2008 ele escreveu esta nota: Que família é essa? Esquartejador da jovem inglesa assassinada em Goiânia, Mohammed D’Ali tem um irmão chamado Bruce Lee. Precisa [sic] ouvir o que o pai desses rapazes tem a dizer a respeito.
Agora o comentário é da editoria do Blog do Márcio: este caso envergonhou o Brasil, sujou o nosso nome no exterior, mas não pode ser esquecido (lembrar é prevenir...). Infelizmente, Vasques tem razão na observação: grandes desvios de personalidade freqüentemente têm raízes familiares.
O texto do Tutty Vasques saiu até sério, ele se esqueceu do humor.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 21h49
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Entrevistas - fidelidade - mídia - reportagem
A mídia e a velha prática de fazer sensacionalismo com jogos de palavras
Uma estranha e velha prática dos órgãos de imprensa – atuais órgãos da mídia – é a de perguntar ao entrevistado se ele reconhece que o pior cenário é possível e só destacar o SIM na reportagem.
Algo como: O senhor reconhece a possibilidade de os marcianos invadirem o planeta Terra? Sim, tudo é possível. E sai a manchete: Fulano prevê invasão marciana ao nosso planeta.
Título da manchete da página 3 do jornal Estado de Minas, edição de 03/09/08: General admite escuta ilegal.
Texto (primeiros parágrafos):
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, negou ontem, em depoimento à CPI dos Grampos da Câmara, que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), como instituição, tenha feito grampo ilegal da conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). “Não, certamente não. A Abin, como instituição, não faz e não fez essas coisas”, afirmou o ministro do GSI. A conversa grampeada entre Gilmar e Demóstenes, confirmada por ambos, foi revelada pela revista Veja neste final de semana, que atribuiu a ação à Abin.
O general Jorge Félix, porém, não desconsiderou a participação de agentes da agência nesse grampo sem o conhecimento da cúpula. “Não descarto nenhuma hipótese, nem mesmo essa. Os servidores da Abin são humanos, sujeitos a erros”, afirmou ele, para quem essa hipótese tem “grau de probabilidade baixo”. O ministro da GSI disse que a escuta ilegal contra autoridades pode ter sido feita por uma pessoa que não é funcionário público.
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Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 23h16
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Nepotismo, Legislativo, Ministério Público, Jarbas Soares Jr
Procurador geral de Justiça de MG ameaça os políticos que praticam nepotismo
Quando tomei conhecimento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo o nepotismo no serviço público, não tive a percepção da abrangência da medida.
Em parte, porque nós, brasileiros, nos acostumamos a situações aéticas, ainda que legais, e nosso subconsciente nos leva à convivência, à resignação, ao hábito.
Em outra parte, porque o nosso racional nos ensina a esperar que as mudanças sociais radicais oriundas das leis venham do Legislativo, e não do Judiciário.
Afinal, a divisão clássica dos três poderes já está ficando antiga: foi consolidada por Montesquieu em 1748, através do livro O Espírito das Leis.
Mas o fato é que o Legislativo brasileiro é o mais incompetente dos nossos poderes, e grande parte das novas leis só entra em vigor, in totum, depois que o STF julgue algum caso que lhe dê a chance de criar a interpretação definitiva.
Ou depois que o Executivo discipline as novas leis, por via de portarias e outros instrumentos.
O fato é que o mecanismo inconsciente de adaptação ao comportamento político brasileiro me impediu de perceber, no primeiro instante, o alcance da decisão do STF.
Só no segundo instante percebi que estava diante de um fato de grande impacto, futuro gerador de tensões, de acusações, de investigações, processos, condenações.
O procurador-geral mineiro Jarbas Soares Júnior entrou na questão no dia 26/08/2008, através de uma recomendação assinada e de entrevistas na mídia, exigindo a eliminação do nepotismo, nos termos da súmula do STF.
Aproveitou o tema do momento para passar por Paladino, mas tinha uma segunda intenção: quebrar a resistência nepotista da classe política e, com isso, reduzir os casos irregulares e a conseqüente sobrecarga do MP, palco das denúncias, acusações, investigações e processos.
Mas cometeu uma pequena imprudência: pediu que os cidadãos o ajudem a fiscalizar a prática da lei.
Não levou em consideração que choverão acusações falsas de nepotismo, motivadas por ciúmes, antipatia pessoal, perseguição política.
Para piorar, 2008 é um ano eleitoral.
Jarbas Soares Junior deveria frisar que a “ajuda cidadã” está condicionada à apresentação de provas ou, no mínimo, de documentos com fortes indícios.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h05
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