O pitt-bull mau e a vira-lata falsa
O pitt-bull assassino e a cadela que não salvou o bebê
Num único dia, 23/07/08, dois cães apareceram na mídia, em papéis opostos: vilão e herói.
Só que o herói foi desmistificado: não tinha nada com a história.
A polícia de Santo Antonio do Monte anunciou que a cadelinha Xuxa localizou um bebê abandonado.
Mas um ou dois dias depois a dona da cadelinha, Maria Luzia Campos, de 25 ou 27 anos (de acordo com o jornal), confessou que era a mãe do bebê, e que havia escondido a gravidez da própria família.
Ela se arrependeu quando soube que o bebê seria entregue para adoção.
Já o vilão foi o pitt-bul que atacou o menino Gabriel Alexandre da Silva, de 11 anos, no bairro Fernão Dias, em Belo Horizonte.
A reação do menino foi curiosa: mordeu o cachorro para que ele se soltasse, perdendo até um dente.
Se o cão é o maior amigo do homem, a raça pitt-bull está invertendo o ditado popular e se consagrando como um de seus maiores inimigos.
Ataques a humanos, freqüentemente aos próprios donos (o deste caso pertencia à priminha da vítima), já são mera rotina.
A Prefeitura de Belo Horizonte, como outros executivos municipais do país, já editou uma lei regulamentando o controle da raça.
Aproveitou-se da comoção popular gerada por alguns casos, mas meu raciocínio pessimista diz que vai cair breve no esquecimento.
A memória do brasileiro é curta e sua emoção sempre se adianta à razão.
Ontem à noite (só de exemplo) dois rapazes atravessaram a rua Costa Chiabi, que separa os bairros Cidade Nova e União, em Belo Horizonte (o União fica na divisa com o bairro Fernão Dias), na companhia de um pitt-bull sem focinheira.
Creio que a mídia vai continuar reservando, de forma permanente, um espaço no noticiário policial para os acidentes com os pitt-bull.

Xuxa e Maria Luzia Campos
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h09
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O jornalismo de informações sem autores visíveis
Vazamento de informações, uma constante no jornalismo mineiro
Vazar tem Z e vem de vazio, não de vaso: usa-se quando alguma coisa sai de um lugar fechado, escorre para onde não deveria.
Como as informações ocultas que os vazadores estão repassando para a mídia nesta era de operações policialescas espetaculosas.
Os vazadores fazem o papel do Deep Throat Mark Felt, by Watergate, mas, como são brasileiros, todo mundo sabem quem são.
O senador piauiense Heráclito Fortes foi vítima do vazamento de notícias na Operação Satiagraha, sendo citado na mídia por supostas ligações com o banqueiro Daniel Dantas.
A mídia não citou o nome do vazador, mas o chefe da operação era o delegado Protógenes Queiroz. Donde...
O delegado exagerou nas ações e foi afastado pelo próprio presidente da República, que jura que não fez nada, como antes jurava que de nada sabia sobre outras coisas.
A onda de vazamentos começou depois que o Ministério Público ganhou um reforço de poderes na Constituição Federal de 1988, e seus membros mais vaidosos se associaram à mídia.
A Polícia Federal apareceu na segunda onda de vazamentos e de explosões de ego, principalmente depois que descobriu a técnica das operações espetaculares que ganhavam nomes próprios. Como os bebês.
Quando o vazamento não tem autor conhecido e assumido, basta procurar no organograma do órgão fiscalizador o nome da autoridade responsável pelo caso para localizar o suspeito mais provável.
É determinante considerar que nas estruturas policiais ou judiciárias do Brasil existe uma hierarquia definida, e sempre há alguém que comanda pessoalmente, centraliza as ações e guarda os documentos.
A identidade do vazador é o segredo de Polichinelo, aquele ingênuo personagem infantil que sabia de segredos que não eram segredos, pois todos também sabiam.
Em Belo Horizonte segue em cartaz a Operação Volta Para Pasárgada, estrelada (no papel de vilão) pelo ex-prefeito juiz-forano Alberto Bejani, o único preso ou acusado com provas conhecidas (vídeos, armas, e um dinheirão).
Mas desde que ele foi preso, em 12/06/08, a mídia divulga, quase diariamente, os vazamentos: supostas irregularidades praticadas por conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, por prefeitos, por outros agentes políticos e por empresas de consultoria jurídico-contábil.
E contrariando a lógica do jornalismo, as informações são sempre atribuídas a autores que não possuem cordas vocais: a “Polícia Federal”, a “instituição”, a “corporação”.
Ou cordas vocais inidentificáveis, como “a reportagem apurou”.
A técnica do off, da fonte não identificada, vale para casos esporádicos, jamais para o todo-dia.
O vazador não é identificado, mas Polichinelo sabe...
E quando o caso deixar de ser segredo de justiça, daqui a alguns anos, quem vai se lembrar de comparar os fatos comprovados e os não comprovados com as informações vazadas, cuja veracidade só é afirmada pelas tintas de papel jornal?
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h19
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Humorismo
Charge do Duke Chargista
Publicada no jornal O Tempo, em 29 de maio de 2008

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h37
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Lula, meu véio, te cuida!
Carta informal para o véio Lula
Véio, como tá tu?
Espero que você não queira me enquadrar nalguma Lei de Segurança Nacional por te chamar de véio, mas agora é moda chamar qualquer um de véio, inclusive os novinhos.
Eu andava com remorso de tanto dar com o pau no seu governo e uns dias (17/07/08) atrás te elogiei num post com o título “Lula agora está até merecendo um elogio”.
Veja só, te chamei até de estadista.
Ainda acho que você fez bem em entrar naquela parada da Operação Satiagraha e acabar com a troca de acusações entre o presidente do STF, o seu ministro da Justiça, um juiz federal e uma associação de procuradores.
Tirou até o mel da boca de um bando de articulistas de jornal que gostam de carregar nas tintas e nos adjetivos.
Afinal, aquela história de prender um banqueiro duas vezes, e soltar duas vezes, em menos de 48 horas, era ridícula pra caraca!
Mas o meu remorso bateu tão forte que provocou um lapso de memória: esqueci que os jornais já tinham publicado que um vazador misterioso (quê quê isso Dr. Protógenes Queiroz?) já tinha emprestado para a mídia a gravação de uma conversa telefônica do seu chefe de gabinete Gilberto Carvalho com o seu compañero Luiz Eduardo Greenhalg.
E agora dizem que até seu filho tinha interesses na história.
Fabinho Lulinha, pára com isso e volte para o videogame!
Vá gastar aquele milhão de dólares que você ganhou de presente da Mamãe Telemar no contrato com a Gamecorp.
Eles entraram com a bufunfa e você, Fabinho, com o que mesmo?
É, véio Lula, parece que você tem uns interesses pessoais nesta história.
Eu até te defendi quando me disseram que você administra o Brasil como se fosse um sindicatão, mas na próxima vou sair de fininho pra tomar um cafezinho.
Cumpadre, aproveita a chance que jamais, como nunca aconteceu na história deste país, um pobre operário teve.
Não misture o público com o privado e deixe um Nome na história.
Quem avisa, amigo é!
Juízo, véio!
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h59
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Teleatendimento de alto nível
TROFÉU ANTA (soletrando...)
Recebi esta por e-mail, via Mauro Queiroz Horta.
O autor original escreveu assim: Recentemente, requisitei nova linha telefônica para a minha empresa. Como o nome da empresa não é muito comum (ENGINE), resolvi soletrar para não haver dúvidas. Dêem uma olhada no resultado e vejam o nível da atendente da Telefônica/SP. É hilário.
Quem leu e não entendeu, favor passar no Hospital Raul Soares para pegar o seu troféu.

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h25
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Testa-de-ferro: sempre punido, e sempre traído II
A Polícia Federal está de olho: técnicos que estão assinando pareceres 'encomendados' serão responsabilizados
O testa-de-ferro é um tipo humano que existe em abundância na sociedade brasileira, atrapalhando a ação dos poderes constituídos.
Ele assume a responsabilidade pelo que outros fizeram, dificultando a punição do verdadeiro (ou do principal) culpado.
Talvez a sua expressão mais absurda seja o menor de 18 anos que se auto-incrimina para inocentar o autor que ultrapassou esta faixa etária, juridicamente responsável.
Safam-se ambos dos crimes, pois a lei brasileira proíbe a prisão dos menores de 18 anos, que é substituída pela metafórica expressão “medida sócio-educativa”.
Como o Estado é um educador incompetente, o testinha-de-ferro tende a se tornar um futuro autor de crimes e, somado ao autor do caso anterior, eleva em duas unidades os números da violência social.
Recentemente, a mídia divulgou vários casos de pessoas, geralmente políticos, que registravam bens em nomes de empregados domésticos ou caseiros.
Apenas usavam o nome deles, não pagavam um centavo sequer, mas os laranjas – uma variação utilizada para o testa-de-ferro inconsciente – ficavam comprometidos perante os órgãos fiscalizadores quando os rastros apareciam.
E os rastros quase sempre aparecem.
Uma forma mais branda, não criminosa, e bastante brasileira, aparece quando alguém quer fugir das responsabilidades, e dos riscos.
Acontece em todas as partes do território nacional, em todos os ramos da economia, em todas as esferas profissionais, através da transferência de responsabilidade da esfera mais alta para a esfera mais baixa.
São exemplos os chefes que atribuem a responsabilidade da assinatura para os subordinados.
Técnicos assinam laudos, pareceres, documentos onde, teoricamente, deveriam estar emitindo a sua opinião pessoal.
Mas, na realidade, receberam “sugestões” de superiores, escreveram coisas que não pretendiam escrever mas se sentiram intimidados em recusar, por medo de um prejuízo profissional. Ou da carta de demissão.
Entre o risco imediato e provável, e o risco distante e possível, a escolha recaiu no mais palpável.
Fiam-se na tradição da impunidade brasileira.
Mas a recente sucessão de operações executadas pela Polícia Federal indica que este grupo de testas-de-ferro, os que fazem coisas meio-erradas para atender interesses dos chefes e patrões, vão precisar rever os seus conceitos.
A maioria destes casos pode até terminar em impunidade, mas o custo da prisão temporária e da exposição na mídia costuma ser irreparável.
Posso sonhar?
Será que um dia nossa sociedade conseguirá atingir o estágio em que as pessoas possam – e queiram – assumir sua exata responsabilidade, separar de forma clara os limites de cada um?
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h17
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Testa-de-ferro: sempre punido, e sempre traído
O doping que encerrou a carreira do treinador testa-de-ferro no turfe paulista
O testa-de-ferro, uma variação do inocente-útil, é sempre um problema para os órgãos disciplinadores em qualquer atividade social.
Eles assumem a responsabilidade pelo que outros fizeram, dificultando a punição do verdadeiro (ou do principal) culpado.
Extraí e extraio minhas experiências de vida do turfe, o esporte das corridas de cavalos, onde vivo e convivo desde os meus 15 anos de idade, cada dia mais longes...
A Comissão de Corridas, o órgão disciplinar dos jóqueis clubes, passa aperto quando tem que punir uma irregularidade assumida por um testa-de-ferro.
Sem poder de polícia, raramente consegue investigar e obter provas irrefutáveis contra o autor oculto.
Mas não pode se omitir pois a impunidade estimula a continuação das irregularidades, então pune apenas o testa-de-ferro.
Minha experiência mais marcante aconteceu em Campinas, creio que no segundo semestre de 1987, no hipódromo desativado uns 15 anos antes, que ainda funciona como centro de treinamento de propriedade do Jockey Club de São Paulo.
O treinador mais faltoso de lá era o Antonio Carlos Ávila, o “Pirata”, que já tinha recebido grandes suspensões por uso de medicamentos proibidos (o tradicional doping).
Os químicos do clube detectaram mais um caso e ele recebeu mais uma suspensão, creio que de um ano.
A praxe era de o treinador suspenso indicar outro para assumir a responsabilidade pela apresentação de seus cavalos – exatamente o testa-de-ferro – e continuar trabalhando de forma indireta.
(Em Campinas, os treinadores suspensos assistiam aos treinos matinais junto à portaria, que tinha visão da pista, e passavam as orientações através de um empregado.)
Recebi a informação de que o “Pirata” convidara o Baltazar, segundo-gerente do treinador João Roldão, para ser o seu testa-de-ferro, mediante uma boa proposta financeira.
Procurei o meu amigo Cícero, enfermeiro-veterinário que morava dentro do hipódromo, e pedi que ele convencesse o Baltazar a recusar a proposta.
— “Pirata” já cometeu irregularidades sérias outras vezes e é bem provável que repita, pois quem vai sofrer as conseqüências será o Baltazar. — argumentei.
O Cícero não conseguiu demover o Baltazar, que assumiu a responsabilidade.
Apenas parte do período se passou e um dos cavalos do “Pirata” apareceu dopado: como ele correu pouco cotado e venceu, deu grande lucro a quem apostou muito dinheiro, confiante no efeito do estimulante.
A Comissão de Corridas foi muito dura: nem Baltazar nem o “Pirata” tiveram autorização para voltar às dependências do Jockey Club de São Paulo após o cumprimento da pena.
Percebi que fiquei isolado em meus sentimentos de pena do Baltazar: outros profissionais que labutavam no centro de treinamento campineiro entenderam que ele teve a oportunidade de evitar o erro, pois conselhos idênticos não lhe faltaram antes de assinar os papéis.
Ele conseguiu emprego numa fazenda e nunca mais tive notícias dele.
A situação do “Pirata” foi muito interessante: ingressou na Justiça contra o clube, mas só conseguiu uma liberação (liminar) que durou pouco; aí se transferiu para os Estados Unidos e nunca ouvi falar de uma irregularidade grave que tenha cometido por lá.
Ele é a prova concreta de que a punição é um fator preventivo: como a legislação de lá é rígida e a punição do infrator é certa, quem é esperto e consciente só anda na linha.
Na época dessa história comentava-se que o uso do testa-de-ferro no turfe paulista era tão comum que a Comissão de Corridas tinha por norma ser mais rigorosa com eles do que com os demais profissionais.
Foi a forma que encontraram para desestimular a prática.
Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 18h57
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Fiscal BHtrans dirige falando ao celular
Agucem a vista para a mão esquerda do motorista. O motorista, ou fiscal, da BHtrans dirige falando ao celular. E procurando algum motorista que dirige falando ao celular, para multá-lo. Eita Brasil!

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h36
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Violência urbana - cemitérios
A violência urbana chega aos cemitérios
Ontem se completou um ano do falecimento de minha tia Celma de Ávila Figueroa (n. 08/10/1929, f. 17/07/2007), vítima da Doença de Alzheimer.
(O certo seria dizer: comemora-se um ano; mas a palavra comemorar ficou tão associada ao conceito de festas e de alegria que o sentido principal de “trazer à memória, fazer recordar, lembrar” anda meio esquecido.)
Ainda acho que o Mal de Alzheimer tem relação com hábitos de vida, pois tia Celma era fumante, sedentária e a comida gordurosa fazia parte do seu dia-a-dia.
Mas a Medicina ainda não se entende quanto à causa, e o médico que a atendeu acredita mais no fator genético.
Deve ser um gene absurdamente recessivo, pois eu só tenho conhecimento de casos isolados em cada família.
O enterro foi marcado para o Cemitério da Saudade, tristemente decadente, prejudicado pelas limitações do poder público municipal como gestor e pela mudança de conceitos, pois hoje se valoriza mais o cemitério de propriedade privada, sem túmulos construídos acima do nível do solo.
Um amigo da família nos sugeriu que evitássemos o tradicional velório que vara a madrugada, trancando o local à noite e reabrindo na manhã seguinte para o enterro.
A sugestão surpreendeu, mas a secretaria do cemitério (todos os funcionários atenderam muito bem) informou que já era uma medida comum, e que bastava chamar um vigilante para trancar a porta quando as familiares saíssem.
A segurança pública é a causa da mudança do tradicional costume de velar os mortos incessantemente até a hora do enterro: há registro de muitos assaltos em cemitérios brasileiros.
No velório do lado, pessoas simples velavam o corpo de uma senhora idosa.
Um menino que estava no grupo, de uns sete anos, decidiu dar vazão à curiosidade e foi olhar o corpo de minha tia.
Em sua jovem e santa inocência, contou que seu pai não viera ao enterro da própria mãe por estar preso.
— Ele é ladrão. – Explicou, pensando estar falando apenas sobre a profissão paterna.
Antes das 23 horas fui chamar o vigilante para trancar a porta e ele me informou que já estava preocupado conosco, pois os parentes do Profissão ladrão estavam agitados e bebendo muito.
É a violência urbana chegando à sociedade dos mortos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h09
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Operação Volta para Pasárgada e a mídia mineira
Lula agora está até merecendo um elogio
O presidente Lula agiu como estadista anteontem (15/07/2008) ao reunir o presidente do Superior Tribunal de Justiça Gilmar Mendes e o ministro da Justiça Tarso Genro, pondo panos quentes na queda-de-braço entre eles durante a Operação Satiagraha.
Merece até ser chamado de Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A disputa atingiu as raias do ridículo nos corredores da Justiça: por duas vezes o juiz federal Fausto Martin de Sanctis mandou prender o banqueiro Daniel Dantas; por duas vezes o presidente da mais alta corte (STF), ministro Gilmar Mendes, mandou soltar.
Tudo isso no espaço de 48 horas.
Fora do Poder Judiciário, as duas mais importantes manifestações, ambas contra o ministro do STF, aconteceram no Executivo e no Ministério Público.
Tarso Genro defendeu a atuação da Polícia Federal e fez críticas indiretas, mas muito divulgadas, a Gilmar Mendes.
O Ministério Público, órgão considerado independente dos três poderes tradicionais, reagiu duramente através de uma associação de classe.
No Legislativo e na mídia as manifestações mais incisivas foram contra o ministro e a favor do juiz, mas não foram encampadas por medalhões, grandes líderes ou formadores de opinião.
A reunião convocada por Lula foi uma ducha fria nos manifestantes, instigadores e demais interessados no confronto, que praticamente calaram-se desde então.
O presidente poderia se calar, se omitir, e deixar que as partes se digladiassem, mas teve o mérito de agir e suspender um confronto inútil.
Palmas para quem merece!
Está faltando um Lula na Operação Volta para Pasárgada, que tem o ex-prefeito de Juiz de Fora Alberto Bejani como sua maior estrela.
Com provas até mais contundentes do que as obtidas nos casos de Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, ele continua preso em Contagem.
Vai ser difícil convencer alguma autoridade do Judiciário a fazer o papel de Gilmar Mendes, pois a PF coletou um respeitável conjunto de provas de crime: vídeos com o pagamento de propinas, 1,12 milhão de reais sem origem explicada, ameaças de morte a um falso comprador de fazenda e várias armas sem registro.
Mas, no caso dos demais acusados ou presos, as semanas passam e as acusações chovem nos jornais mineiros, mas as provas não aparecem.
Não me lembro de um caso com tantos off the record, com tantas citações do tipo “segundo fontes da Polícia Federal” ou “de acordo com informações obtidas pelo jornal tal”.
Ou simplesmente “segundo a Polícia Federal”, citação tão genérica que não tem autor real, pois a PF só fala através de uma autoridade de alto escalão, o que não é o caso, ou através de uma nota oficial, o que também não aconteceu até agora.
O delegado da PF Mário Alexandre Veloso aparece freqüentemente como responsável pelo caso, mas não como a fonte das informações.
Se não for ele, quem mais poderia ser?
O uso do off the record não pode ser indiscriminado, tira a credibilidade do jornalista e do jornal.
Chega-se ao ridículo de colocar uma declaração entre aspas sem identificação de autoria, o que já vi mais de uma vez neste caso.
A mídia fala muito, o delegado fala muito, a fonte secreta fala muito e o caso se arrasta, sem a divulgação de fatos ou provas.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h19
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Humorismo
Mulher é bicho azarento
Um homem estava em coma havia algum tempo. Sua esposa ficava à cabeceira dele, dia e noite.
Um dia o homem acorda, faz um sinal para a mulher se aproximar e sussurra-lhe:
— Durante todos estes anos você esteve ao meu lado. Quando me licenciei, você ficou comigo. Quando a minha empresa faliu, só você ficou lá e me apoiou. Quando perdemos a casa, você ficou perto de mim. E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, você nunca me abandonou. Sabe de uma coisa?
Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:
— Diga, meu amor!
— Acho que você me dá azar.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h16
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Uma foto fantástica do Cristo Redentor
Pode até ser uma armação - provavelmente é uma foto tratada pelo Photoshop - mas é intrigante e interessante.

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h19
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A lei seca II
Bebuns vão ter que multiplicar o valor da propina para se safar
A mídia está devendo uma boa reportagem sobre a tramitação da radical lei de tolerância zero para o álcool no trânsito.
Mas é nítido o dedo do esperto Lula, que já mostrou que conhece bem o valor de leis de alto impacto como fator de marketing político.
Ele já tinha tentado uma jogada semelhante no plebiscito pela proibição do uso de armas no país.
O Partido dos Trabalhadores também entende de marketing: durante os debates prévios ao plebiscito, assumiu a defesa da proibição absoluta e as primeiras pesquisas indicavam fácil vitória.
Mas os debates permitiram ao público entender que a sociedade brasileira é complexa, e que entre a exigência legal de não usar armas e a sua obediência integral vai uma grande distância.
Ao perceber a complexidade, a maioria da população mudou de opinião e impediu a proibição.
Os jornais já estão anunciando uma acentuada redução dos acidentes automobilísticos associados ao álcool.
Quem dera esta tendência tivesse ares de definitiva!
Vou representar o advogado do diabo e levantar alguns problemas:
* Quando passar a fase de farta exposição na mídia, quem bebe vai preferir o risco de cair numa blitz ocasional do que o risco de deixar o carro estacionado na rua, ao alcance do ladrão.
** Equipamentos falham e, com a passagem do tempo, sempre desregulam.
*** Especialistas já estão temendo problemas com bombons de licor e produtos diluídos em álcool sem conhecimento do público, como os anti-sépticos bucais.
**** A questão da corrupção no nosso país é muito grave e a lei rígida, infelizmente, também funciona como estímulo para o agente policial liberar o infrator após uma gratificação proporcional à infração.
Sobre esta última questão, lembro-me que nos anos 1980 estava em vigor uma lei que exigia que todos os carros com mais de 10 anos de uso fizessem vistoria anual nos Detrans.
Os donos de carros velhos e maltratados sempre levavam a propina do vistoriador, fato tão rotineiro que este já a considerava uma extensão do salário.
A verdade é que a atual legislação não é tão ruim como dizem: a falha maior está na aplicação da lei, pela lerdeza dos juízes, pela aceitação de recursos absurdos ou meramente protelatórios, pela insuficiência de celas e prisões, etc e outros etc.
E no alto índice de indisciplina social dos irresponsáveis cidadãos brasileiros.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h10
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A lei seca I
Operação Caça-Bebum: a mídia de mãos dadas com a polícia
Quando a mídia noticiou em 19/06/2008, com surpreendente discrição, quase nos rodapés, que o presidente Lula promulgou a proibição total do uso de bebidas alcoólicas para motoristas, pensei em escrever sobre o assunto imediatamente.
Havia percebido que era uma medida radical, e que traria fortes impactos.
Não peguei logo a pena – quero dizer, o teclado – para escrever e uma semana depois o assunto explodiu, virou manchete da mídia.
A Polícia Rodoviária e as emissoras de televisão se aliaram: em várias partes do país as blitze foram realizadas com dois equipamentos básicos, os bafômetros e as câmeras do telejornalismo.
Quando o ponteiro do bafômetro saltava alto, acrescia-se um equipamento até então inédito neste tipo de crime: um par de algemas.
Era a oportunidade de os policiais rodoviários se igualarem aos policiais federais na disputa pelos holofotes.
Só não conseguiram imitar a técnica de dar nomes criativos às operações de caçada aos bebuns.
Como as operações são praticamente iguais, a única alternativa possível é a numeração.
Por exemplo: Caça-Bebum I, Caça-Bebum II, Caça-Bebum III, Caça-Bebum IV, Caça-Bebum V.
Se usassem a técnica criada pelo agora aposentado Bill Gates, poderiam (por exemplo) denominar duas pequenas operações entre a segunda e a terceira maiores de Caça-Bebum 2.1 e Caça-Bebum 2.2.
Pois a verdade é que o Diabo costuma ser tão feio quanto pintam: o interesse de alguns órgãos de segurança em zelar pela aplicação da nova lei é proporcional ao interesse da mídia pelo assunto.
O alvo aparente é o Zé Bebeu, o objetivo real é aparecer numa rede de televisão, de preferência no Jornal Nacional, fazendo pose de poderoso.
De quebra, escudando nos ideais de moralismo e eficiência.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h27
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A unificação ortográfica da língua portuguesa
Finalmente vão aparecer as mudanças da língua portuguesa
Finalmente o parlamento português aprovou as mudanças na língua portuguesa, programadas com o objetivo de unificar o uso desta língua nos principais países a adotam.
Um detalhe importante: a adaptação às mudanças será progressiva, isto é, durante um longo período tanto a ortografia anterior quanto as modificações serão aceitas como corretas.
Sem mais delongas, repasso a informação através da seleção de trechos extraídos da matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, de 17/05/2008:
Portugal aceita unificação ortográfica
Portugal aprovou ontem o acordo que unifica a ortografia em todos os países de língua portuguesa. Segundo decisão do parlamento português, as mudanças deverão entram em vigor dentro de seis anos.
Apesar dos protestos de intelectuais e políticos promovidos nas últimas semanas, apenas 3 dos 230 parlamentares votaram contra. A principal crítica ao acordo, levantada pelo partido Centro Democrático Social (CDS), é que ele representa uma concessão aos “interesses brasileiros”. “A língua portuguesa é o maior patrimônio que Portugal tem no mundo”, afirmou o deputado Mota Soares.
Segundo o acordo - assinado em Lisboa em 1990 e já ratificado pelo Brasil e outros dois países de língua portuguesa -, a norma escrita em Portugal terá 1,42% das suas palavras modificadas. No Brasil apenas 0,43% das palavras mudam.
Para os portugueses, caem as letras não pronunciadas, como o “c” em “acto” e “director”, o “p” em “Egipto” e “óptimo”, o acento que distingue o pretérito perfeito do presente (em Portugal escreve-se “levámos”, no passado, e “levamos”, no presente). A utilização do hífen também será uniformizada.
Apesar do acordo, continuará a haver diferenças no português dos dois lados do Atlântico. Os portugueses vão continuar a escrever “António” e “género” com acento agudo, enquanto no Brasil fica o circunflexo. Também vão manter o “c” em “facto”, porque “fato” em Portugal é roupa - e tiram o “p” que não pronunciam na palavra “recepção”.
Mesmo assim, Molina [Sérgio Molina, editor e tradutor da Editora 34] lembra que o “maior abismo” entre o português do Brasil e o de Portugal não é a ortografia, mas “a gíria, o fraseado, o léxico”. “Não vamos vender traduções de literatura inglesa para os portugueses, por exemplo”, avalia.
Mas Gonçalves [Paulo Gonçalves, porta-voz da Porto Editora] chama a atenção para a resistência dos dois maiores países africanos de língua portuguesa às mudanças: “Há sinais evidentes de que por parte de Moçambique e Angola o acordo ortográfico não vai ser bem acolhido pelas autoridades.”
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h57
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Deputados na mira da Polícia Federal
Élio Gaspari garante que vão aparecer mais deputados comprometidos nas operações nome-bonito
Na sua coluna da Folha de São Paulo de 06/07/08, republicada em jornais de quase todos os estados brasileiros, o jornalista Élio Gaspari afirma que vão aparecer mais gravações envolvendo deputados nas operações da Polícia Federal. Fala também sobre a tentativa desesperada dos políticos em esconder os dados de computador. Eis o trecho:
É enorme o nervosismo na Câmara dos Deputados. Há 200 administrações municipais sendo investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Já foram encontradas dezenas de conexões com parlamentares. Pelo ronco da manada e pela estridência com que ela reclama, pode-se estar diante de roubalheiras capazes de transformar o episódio dos Anões do Orçamento em crônica de trombadinhas. Em 1994, deputados julgaram deputados, agora, policiais caçam delinqüentes. Antes, havia depoimentos, agora, há gravações.
Já há maganos que desistiram de proteger os discos de seus computadores com senhas e softwares que criptografam documentos. Como não há programa invulnerável, abandonaram o disco da máquina e usam sempre um disco externo, portátil, que pode ser guardado longe do computador. Pode-se buscar a paz de espírito com um pendrive de 2 Gigabytes, no qual cabem todas as emendas ao Orçamento, ou um iPod de 160, capaz de armazenar uma prateleira de livros com 1,5 km de extensão.
Esse recurso não protege o sigilo de mensagens eletrônicas. Serve apenas para impedir que levem o disco do computador do interessado.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h08
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Detran, corrupção, automóveis
A velha parceria dos Detrans com a corrupção
O transporte — público ou privado, de gente ou de mercadorias — não consegue fluir sem um controle efetivo.
Sem o controle da autoridade constituída.
E a tecnologia avança, progressiva e irreversivelmente, multiplicando as opções e o número de veículos.
Para equiparar, o Poder Público eleva seus recursos: mais leis, mais taxas, mais fiscais.
O que eleva os riscos e caminhos da corrupção.
Minha primeira experiência com o transporte próprio logo me escancarou as portas da corrupção.
Em torno de 1978, comprei meu primeiro carro, um Chevette ano 1974, branco.
Só que ele fora emplacado em Betim e precisava de uma certidão de “nada consta” para a transferência.
O vendedor, todo obsequioso e solícito, me prometeu providenciar a certidão depois da venda e entregá-la ao meu irmão, então funcionário do Bradesco.
Mas, depois de receber o dinheiro, esqueceu a promessa.
Quanto tive a certeza de que a promessa tinha ido pro lixo, fui a Betim e fiz a solicitação no guichê do Detran local.
— Por favor, vá ao despachante Tal e peça os documentos através dele. — foi a resposta.
(Provavelmente o “por favor” é uma gentileza de minha memória, pois a atitude era de desprezo ao público.)
— Por favor, você poderia providenciar a certidão sem o despachante? Vim de Belo Horizonte só para isso e falta pouco tempo para o final do expediente bancário. — solicitei.
A reação ficou gravada na minha memória: o funcionário se levantou e saiu, deixando a saleta vazia e eu perplexo, do outro lado do guichê envidraçado.
Não me sobrou nenhuma alternativa senão procurar, correndo, o Despachante Tal.
Mas o Sr. Tal – até simpático, me recordo bem – estava ocupado e só poderia me atender se eu, pessoalmente, datilografasse o formulário.
Sem direito a desconto na taxa dele, que já estava acrescida às taxas públicas.
Tinha consciência de estar no controle, de ter o monopólio.
Pelo menos, compensou me dando uma carona de carro até o banco.
Não precisei usar todos os neurônios para entender que o lucro dele era repartido com os funcionários do Detran.
Neste ponto, encerro o quesito “memórias e recordações”.
Naquela época, todo carro que com mais de 10 anos de uso tinha que ser vistoriado anualmente nos Detrans brasileiros.
Uma prática internacional, para estimular a correta manutenção dos carros velhos e coibir acidentes.
No Brasil, virou uma nova fonte de corrupção: todos sabiam que alguns cruzeiros (para quem já esqueceu, foi o antecessor do real) garantiam o “de acordo” do vistoriador.
A bela teoria, morta na prática, não funcionou e a medida foi extinta.
Quantos milhares de pessoas morrem todo ano por conta de carros mal-conservados?
Mais recentemente, o governo decidiu aumentar a burocracia e a exigência de documentos para a transferência de veículos.
Passou a exigir prazo de 30 dias a partir da venda, reconhecimento de firma (por cartório) da assinatura do vendedor e vistoria obrigatória.
Retorno às memórias, agora às recentíssimas.
Troquei de carro e precisei fazer a transferência.
Me sugeriram pagar um despachante, mas achei desnecessário depois de pensar: “de qualquer maneira terei que comparecer pessoalmente à vistoria, então faço tudo sozinho e economizo a taxa dele.”
Pensei como europeu, não como brasileiro...
Trocando informações com outras pessoas lá na fila do Detran, descobri que, quem paga uma determinada taxa a um despachante, ganha uma espécie de vistoria virtual: o carro não vai, mas o documento recebe a assinatura do vistoriador.
Que, como o homem de três décadas atrás em Betim, rateava a diferença.
Ou se muda a cultura, ou esta terra não dá certo.
E meu consciente pessimista diz que é difícil mudar a cultura.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h49
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Os interesses das redes Globo e Record no Morro da Providência-RJ
A Globo e a Record ‘editaram’ o noticiário sobre o morro da Providência
Foi até cômico acompanhar no noticiário das redes Globo e Record na segunda quinzena deste junho, deste 2008, referente ao assassinato de três jovens no morro da Providência, Rio de Janeiro, que foram entregues por soldados do Exército a traficantes.
Para entender o jogo de interesses das duas redes de mídia, torna-se necessário relembrar fatos.
* O Exército estava no morro com a única função de proteger as obras do projeto Cimento Social.
** No dia 14/06/08 uma equipe de 11 militares, sob o comando do tenente Ghidetti, deteve três jovens moradores do morro da Providência e os entregou a traficantes do morro da Mineira, que os torturaram e mataram com 46 tiros.
*** A juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, determinou a saída do Exército do local no dia 19.
**** No dia 24 o juiz Fábio Ulhoa suspendeu o projeto, alegando que “a obra tem cunho eleitoral e beneficia o senador e pré-candidato do Rio Marcelo Crivella (PRB)”.
E sobre a guerra da mídia?
A arma usada foi a edição jornalística, através da seleção do material levado ao ar, principalmente nos programas matinais (Bom Dia Brasil e Fala Brasil), que têm mais tempo disponível.
A Globo deu mais tempo de vídeo às entrevistas com pessoas que falavam sobre a ética política, sobre o uso eleitoreiro das obras.
A Record apelou para o lado sentimental do telespectador, apresentando várias entrevistas que destacavam o prejuízo aos moradores que esperavam reformas em suas casas, e prejuízo aos trabalhadores das obras, que estariam deixando de trabalhar...
Ninguém mentiu, a edição foi a forma de abordagem usada para influenciar o telespectador.
Ambas editaram o material tendo por alvo a campanha eleitoral do senador Marcelo Crivella à prefeitura do Rio: a Globo (adversária da Record e da Igreja Universal do Reino de Deus), tentando prejudicá-lo); e a Record (que pertence, ainda que indiretamente, ao tio dele, Edir Macedo), defendendo seus interesses.
Comentários (meus) finais:
è Assim que o caso estourou, órgãos de segurança municiaram a mídia com informações – sem provas – de que os três mortos eram também traficantes. Provavelmente eram mesmo; se não fossem, não seriam objeto de cobiça dos traficantes do morro da Mineira. Mas faltou empenho da mídia em pesquisar a vida deles. Afinal, isto faz parte da notícia e independe do fato de ter havido participação criminosa de alguns soldados.
è No dia 30 de junho a Justiça Federal aceitou a denúncia contra os 11 militares. É a praxe correta, cabe à Justiça apurar o caso para depois julgar. Uma parte do público confunde algumas palavras (como denúncia, acusação e indiciamento), com o conceito de culpa, mas a desinformação não pode prejudicar a atuação regular dos poderes constituídos. A minha expectativa é que somente o tenente seja punido. É difícil de acreditar que todos os seus soldados tenham apoiado, democraticamente, a decisão de entregar os três rapazes. A disciplina militar é muito rígida. Certamente eles receberam a ordem e a cumpriram. Todos jovens, provavelmente recrutas, certamente de origem humilde: como poderiam negar uma ordem de transportar e entregar três rapazes, considerados criminosos, em outro lugar? O mais provável é que todos, ou quase todos, os 10 soldados sejam absolvidos, o que ainda vai gerar acusações públicas à Justiça por corporativismo e por estimular a impunidade.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h04
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O maltratado patrimônio histórico da Rua Niquelina
O Bairro de Santa Efigênia e seu patrimônio histórico
A Avenida do Contorno, de Belo Horizonte, foi projetada para ser o limite da cidade, em todas as direções.
A explosão demográfica, fenômeno global, já tornou a parte externa à avenida muito maior e mais populosa do que a interna.
Santa Efigênia é um bom bairro na parte interna do oval da Contorno, é a principal região hospitalar, tem bons prédios, ruas amplas.
A partir da Rua Niquelina se expandiu para fora da Contorno, mantendo o nome mas perdendo bastante em qualidade.
Meu pai, no alto de seus 85 anos, conta que a Rua Niquelina já foi até parte da estrada para a capital brasileira, Rio de Janeiro, mas ainda não encontrei qualquer descrição desta fase.
Seu primeiro quarteirão ainda conserva algumas casas antigas, acredito que anteriores a 1940.
A primeira, da esquina, foi restaurada, mas as demais estão semi-abandonadas há muito tempo.
A questão da conservação do patrimônio histórico de propriedade de particulares é um problema nacional, que envolve muita burocracia, dificuldades, prejuízos.
Seguem, abaixo, duas fotos do início da Rua Niquelina.


Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 22h59
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Alcoolismo - tabagismo - Drauzio Varella
Drauzio Varella analisa o aumento do alcoolismo na sociedade
O caderno Mais, de O Estado de São Paulo, de 29/06/08, anuncia na capa que “o médico Drauzio Varella dá seu aval à lei que fecha o cerco contra motoristas que bebem”.
Habitualmente leio tudo que ele (Drauzio) escreve e diz, acho-o uma reserva moral que sabe aliar o profundo conhecimento científico ao espírito prático.
Aparentemente, a repórter Mônica Manir e seu editor (provável responsável pelo trecho da capa) exageram no comentário sobre o “aval à lei”, pois no único comentário a respeito ele apenas apoiou genericamente o dever do Estado de agir na questão do alcoolismo ao volante, como se depreende da metade final do lide (o jargão jornalístico para o primeiro parágrafo):
Do 15º andar do prédio onde clinica, Drauzio Varella sobrevoa o assunto. Começa aprovando a lei. “É perigoso dirigir alcoolizado? Pode-se fazer mal a terceiros? Então o Estado tem de agir com energia.”
Varella preferiu levar o assunto para a bebida e o cigarro, os males sociais contra os quais ele pratica sua cruzada particular.
Destaco este interessante trecho, onde analisa e elucida o aumento do alcoolismo na sociedade:
Em todos os dias desta semana as blitze da lei seca prenderam motoristas que ingeriram álcool. Bebe-se mais hoje do que antes?
Acho que sim, e por várias razões. Primeiro porque o número de jovens é bem maior. Em segundo lugar, o poder aquisitivo aumentou. Na minha geração, a gente saía e bebia também, mas não tínhamos dinheiro nem carro. Voltávamos a pé ou de ônibus. Hoje muitos jovens recebem mesada, que dá perfeitamente para tomar dez chopes. Em terceiro lugar, as mulheres mal bebiam, havia uma repressão social forte. Quando saíamos em grupo, nós tomávamos chope e elas, refrigerante. Com a emancipação feminina, criou-se o caminho. E tem a publicidade... Isso de dizerem que quem é contra a publicidade de bebida alcoólica é contra a liberdade de informação é uma vergonha. Se olhar as propagandas de bebidas alcoólicas, especialmente as de cerveja, verá que usam a mesma estratégia que os fabricantes de cigarros utilizaram durante décadas: publicidade voltada para adolescentes; na verdade, para as mulheres adolescentes, porque aí você dobra o mercado. Não foi assim com o cigarro? Anunciavam cigarros teoricamente mais suaves, que na verdade faziam mais mal do que os outros. Com isso conseguiram aumentar muito o consumo.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h21
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Humorismo - uma piada blogolóide
Jesus tá te olhando...
Um ladrão entra pelo quintal de uma casa e começa, em silêncio, a arrombar a porta dos fundos....
De repente escuta uma voz sussurrando:
– Jesus tá te olhando!
O ladrão se assusta, olha para os lados (na penumbra), mas não vê nada.
Segue tentando arrombar a porta e escuta novamente a voz:
– Jesus tá te olhando!
Meio incrédulo, mas com a certeza de ter escutado a frase, olha novamente ao seu redor e nada.
Quando reinicia sua “tarefa”, ouve novamente a voz: Jesus tá te olhando!
Desta vez, ele percebe de onde vem a voz e acende a lanterna, iluminando um canto da área de serviço.
Nisso, ele vê um papagaio na gaiola e já aliviado, pergunta:
– Ah... é você o Jesus? – E o papagaio responde:
– Não. Eu sou o Judas.
– E quem é o louco filho da p... que bota o nome de Judas em um papagaio?
– O mesmo que botou o nome de Jesus no Pitbull !!!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h24
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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