Nos restaurantes, antes a gentileza forçada do que a hostilidade
Cuspindo, literalmente, no prato do freguês chato
Meu tio Roberto, falecido em 1994, contou uma vez uma história impressionante.
Começou explicando que tinha por hábito tratar de forma bastante cortês os funcionários de restaurantes e lanchonetes.
É que em sua longa experiência de vida e viagens ele havia descoberto que uma forma comum de vingança de garçons e cozinheiros contra os clientes chatos ou mal-educados era atacar o prato deles, obviamente antes da entrega.
A arma de ataque era (provavelmente, ainda é), de preferência, o cuspe.
Fico a imaginar o esforço do tio para ganhar o coração deles, já que ele era uma pessoa um tanto ou quanto ranzinza (que não me leiam seus descendentes e enteados).
O ramo do alimento pronto é preocupante: o cliente está sempre com a saúde (às vezes, até a vida) nas mãos de desconhecidos, submetidos e sujeitos à responsabilidade deles.
Exemplos? Alguns morreram com a contaminação da garapa com o inseto barbeiro em Santa Catarina, em 2005; muitos mais ainda morrem no Pará com a contaminação do açaí pelo mesmo agente, causador da Doença de Chagas.
Viver em sociedade é correr o risco permanente de perder a vida ou a saúde pelas mãos de irresponsáveis: no trânsito, no restaurante, no hospital.
Não há o que fazer. Como diz o dito popular (sem propaganda religiosa), a saída é rezar e agarrar com Deus.
Os ateus se agarram ao fator sorte.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h45
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Novas regras de marketing: a hipergentileza das garçonetes
Gentileza demais também incomoda
O marketing está substituindo a naturalidade nas relações humanas do cotidiano.
Foi-se o tempo em que os patrões e chefes orientavam seus subordinados sobre a forma de agir e de falar com o público.
Não me entendam mal: não pararam exatamente de orientar; é uma questão de semântica; a palavra orientar foi substituída pela palavra obrigar.
Agora já é comum que os funcionários deles ajam com o público de forma treinada, mecânica.
A cena mais antiga que me lembro aconteceu em meados da década de 1990, quando fui a uma famosa clínica ofalmológica, um hospital de olhos de Belo Horizonte, para me informar sobre cirurgia a laser para miopia.
Enquanto estava na sala de espera, observei que duas recepcionistas conversavam numa mesa com naturalidade, mas em determinado momento uma delas se aproximou de mim apenas para fazer marketing.
Quando chegou perto, mudou a expressão facial para um sorriso treinado, artificial, e me perguntou se estava sendo bem atendido, se queria cafezinho, etc.
Ao retornar ao seu lugar de origem, desfez o sorriso e voltou ao semblante normal.
Durante o exame, não me decidi imediatamente pela realização da cirurgia e me impressionei com a determinação da clínica: fui levado ao chefe do oftalmologista que me atendeu, e ele também insistiu pela realização da cirurgia, e como eu continuasse em dúvida fui encaminhado à sala do próprio dono da clínica, que deu seqüência à tentativa de persuasão.
Eles não tiveram sucesso e, dias depois, conversando com um oftalmologista de confiança, descobri que o aparelho de laser havia sido incorporado àquela clínica apenas três meses antes o que, de certa forma, me transformaria em cobaia.
Mas, voltando à questão do marketing feito por de funcionários, percebo que nos últimos meses ele chegou fortemente aos restaurantes.
No shopping Pátio Savassi eu gosto de comer no restaurante Trovatella, gosto da qualidade da comida, mas confesso que me dá canseira a postura treinada de todos os atendentes.
Freqüentemente cumprimentam as pessoas que estão apenas passando em frente; quando o cliente já está na fila, pelo menos um funcionário vai até ele apenas para cumprimentar, com um sorriso armado; e se a chance aparece, dão um jeitinho de elogiar a comida, dizer que isto ou aquilo está gostoso, etc.
A moda segue se espalhando.
A marca A Granel tem vários restaurantes espalhados, e eu gosto da filial do Minas Shopping.
Sempre foram cheios de sorrisos para os clientes, mas recentemente percebi que algum chefe achou insuficiente: um dia desses percebi que as duas meninas da balança tentavam forçar até uma amizade, uma intimidade com os clientes.
Quando pedi uma Coca-Cola Zero, uma delas comentou que eu havia mudado o gosto, que não era esta a minha preferência.
Acontece que eu não tenho um hábito rígido quanto à bebida durante a alimentação; às vezes não peço nenhuma.
Percebi que o alvo não era, especificamente, o Márcio: o marketing valia para qualquer cliente, era uma regra da casa, uma exigência do patrão.
Prefiro que as pessoas sejam naturais, que não tenham uma postura forçada, treinada, mas reconheço: antes a gentileza forçada do que a grosseria natural.
O atendimento cheio de sorrisos falsos é esquisito, mas é melhor continuar assim, pois a opção anterior, a velha rudeza, é bem pior.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h42
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Golpes dos brasileiros no exterior
Os brasileiros que nos fazem passar vergonha no exterior
Almoço de vez em quando em um restaurante de comida a quilo, situado num shopping center de Belo Horizonte, que não cobra a refeição durante a pesagem e não tem um eficiente controle da saída (as mesas ficam num salão comum a outros estabelecimentos).
Atitude temerária: uma vez vi a comanda abandonada numa mesa vazia, sinal que o freguês já tinha fugido.
Perguntei para a funcionária se este tipo de inadimplência – ou de golpe – era freqüente.
Ela disse que durante a semana era raro, pois os clientes eram geralmente conhecidos; mas nos fins de semana os problemas eram maiores.
O caso me fez lembrar do colunista social Wilson Frade, que durante décadas assinou a coluna “Notas de um repórter”, no jornal Estado de Minas.
Na década de 80 ele contou um caso interessante: em Nova York brasileiros descobriram um restaurante que cobrava quando o cliente entrava, e cabia a este comunicar ao garçom qual o prato adquirido.
Os brasileiros entravam, pagavam o prato mais barato, e lá dentro pediam o mais caro.
Os responsáveis descobriram e, quando um brasileiro entrava, eles carimbavam no braço um sinal qualquer para indicar ao garçom qual o prato adquirido.
Como gado no curral...
Outra história que eu li, na mesma época: um brasileiro observou que, na Suíça, alguns ônibus não faziam a cobrança da passagem diretamente, cabia ao passageiro procurar o condutor ou validar algum tíquete.
Passou a andar sem pagar, até que um dia um suíço foi até ele, cutucou o seu ombro e disse alguma coisa assim: “Senhor, aqui na Suíça nós temos o hábito de pagar pelos serviços que nos são prestados”.
Para os povos que tiveram sucesso, que possuem elevado padrão de vida, a malandragem, a meia-honestidade, o microgolpe não existem.
Quem não é honesto, é ladrão.
A nossa tolerância mantém, ao contrário, o status quo.
Mantém o Terceiro Mundo no Terceiro Mundo.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h10
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A Rede Globo, a Igreja Universal e os demais evangélicos
Como a Globo quer tratar os evangélicos
O colunista Lauro Jardim, da revista Veja, publicou uma nota interessante em 20/06/08 sobre o tratamento que a Rede Globo dá, ou tenta dar, aos evangélicos e à Igreja Universal do Reino de Deus. Leiam:
Há uma recente instrução geral (não escrita) na Globo sobre como tratar os evangélicos, vinda diretamente da família Marinho: adversária é só a Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo - e não todas as igrejas evangélicas. Em sua programação, a emissora deve deixar claro que não discrimina os outros evangélicos. Essa demarcação terá que ficar nítida.
A avaliação é que a Universal aproveita bem o embate com a Globo para unir todos os evangélicos contra a emissora - e que a Globo nunca conseguiu explicitar de modo patente que a sua guerra é com igreja de Macedo, a qual chama de seita. Na verdade, a Globo nunca se preocupara com isso, que, afinal, parece meio óbvio, e botavam todos no mesmo saco. Resultado: há entre boa parte dos evangélicos o sentimento de que são discriminados pela emissora. Agora, tenta recuperar o tempo e a audiência perdidas.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h51
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Funcionário do TCEMG preso 7 dias por engano
A prisão do inocente é um dano sempre irreparável
Na minha infância tive oportunidade de ler inúmeras versões infanto-juvenis de clássicos da literatura.
Uma das que mais me marcaram foi O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, que narra a história de um rapaz que passou muitos anos na cadeia, em condições sub-humanas, condenado por causa de uma acusação falsa feita por outro rapaz, oriundo de classe social mais favorecida.
O jornal Estado de Minas de 17/06/2008 apresentou uma versão mineira do Conde de Monte Cristo: o servidor do Tribunal de Contas de Minas Gerais Cássio Tadeu de Melo, que ficou uma semana preso na Polícia Federal sob a falsa acusação de participar de fraudes investigadas na Operação Pasárgada.
O motivo da prisão: o secretário de administração de Almenara, Raimundo Nonato Vieira, citou em depoimento anterior a existência de um “Cássio” que teria ligações tanto com o TCE quanto com a PCM Consultoria, acusada de ter participação efetiva na liberação irregular de recursos bloqueados do Fundo de Participação dos Municípios.
Pesquisando uma lista de funcionários do Tribunal, a Polícia Federal encontrou um funcionário que também se chama Cássio, e conseguiu que a Justiça decretasse a prisão dele.
Realmente confirmou-se que havia um Cássio que fez o contato com o secretário de Almenara, mas era funcionário terceirizado, trabalhava na realidade para a empresa Elite Serviços, prestando serviços para o Tribunal.
Impressiona, choca mesmo, a explicação para a prisão do Cássio Montecristo de Melo: o fato de ter o primeiro nome idêntico ao da pessoa que conversou com o secretário almenarense e trabalhar no mesmo local (ele e mais mil e tantas pessoas).
Faltou o respeito a uma regra humanitária e democrática óbvia: não havendo certeza da identidade do acusado, medidas coercitivas como a prisão não podem ser decretadas.
As pessoas estão valendo muito pouco nesta terra!
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h26
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Praça Júlio Mesquita – São Paulo – mendicância
Uma praça que virou uma colônia de mendigos
A praça Júlio Mesquita é um pequeno triangulo na paulistana avenida São João, a 200 metros do cantado cruzamento com a avenida Ipiranga.
Uma área que já foi nobre, hoje é decadente.
Decadência que está expulsando e transferindo a rede hoteleira para os Jardins, para as imediações da avenida Paulista.
Na praça Júlio Mesquita, um dos remanescentes é o velho Hotel América do Sul, de propriedade de um veteraníssimo português.
Em 2007, sem a percepção do alcance da tal decadência, me hospedei no veteraníssimo hotel.
À noite, na pequena praça, do outro lado da rua se apinharam moradores de rua, quase uma centena.
Num alarido constante, numa agitação interminável, eles se amontoaram em volta de um monumento e parte do grupo ficava circulando, em procissão.
Dormi mal, acordei de madrugada e aproveitei para gravar para a posteridade uma imagem fotográfica da inusitada cena.
Aproveitei os recursos da minha câmera analógica, de filme de 36 milímetros, agora antiga, mas ainda não velha – até bem conservada, me orgulho! – e consegui fazer uma razoável imagem, apesar da escuridão da madrugada (que disponibilizo abaixo, depois de escaneada).
Na hora da foto o grupo era bem menor: ou os demais estavam fora do ângulo da câmera, ou atrás do monumento, ou fazendo um tour pela madrugada paulistana...
No dia seguinte, um taxista me contou que o grupo havia sido tema de uma reportagem televisiva recente: os que circulavam por toda a madrugada eram os “vigias”, que asseguravam o sono dos demais, defendendo-os de ataques, de roubos, polícia, punks...
Uma triste e feia cena brasileira.

Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h57
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Direitos autorais - intelectuais brasileiros
Direito Autoral, uma herança problemática
O direito autoral é uma conquista social importante, uma garantia para que o criador cultural tenha uma remuneração que lhe permita dedicar-se com tranqüilidade à produção de uma obra de valor.
Mas após a sua morte, a questão torna-se controversa.
A partir deste ponto, o direito autoral se transforma num bem econômico de propriedade de pessoas que não eram seus efetivos criadores e realizadores (este é o aspecto negativo).
O lado positivo é que a obra é gerada por herdeiros do criador, pessoas com interesse (em tese) de manter a sua integridade.
O caderno Prosa e Verso, do jornal O Globo, edição de 08/03/08, fez uma ótima reportagem sobre os herdeiros dos mais importantes autores brasileiros.
Resumo, abaixo, a situação de cada um deles:
CECÍLIA MEIRELES – Encrencada. A única filha viva (eram três), a atriz Maria Fernanda, não se entende com o sobrinho que administra os interesses dos herdeiros das irmãs. A circulação das obras está prejudicada e há textos inéditos à espera da resolução das querelas. Maria Fernanda, já octogenária, era importante atriz no teatro e participou de muitas novelas da TV Globo.
MANUEL BANDEIRA – Normal. Os direitos estão nas mãos de cinco sobrinhos-netos, que contrataram exatamente o sobrinho-neto de Cecília Meireles para representá-los.
GRACILIANO RAMOS – Normal. Pertence a uma associação de 14 herdeiros, sob a administração de Luiza, a única filha viva do escritor, que conta com a ajuda de um sobrinho.
NELSON RODRIGUES – Complicada. Toda decisão sobre a sua obra precisa passar por, pelo menos, três diferentes consultorias.
JORGE AMADO – Normal. Com o envelhecimento e morte da esposa Zélia Gattai, a obra passou a ser gerenciada pelos dois filhos.
VINICIUS DE MORAES – As cinco filhas criaram a empresa VM Produções para administrar o bem.
LÚCIO CARDOSO – Normal. Deixou quase 20 filhos e os netos de duas irmãs também têm participação.
GUIMARÃES ROSA – Encrencada. As duas filhas possuem 50% dos direitos e a segunda mulher, os outros 50%. Entre eles existe até acusação de que a filha Vilma pegou um diário “emprestado” e não devolveu. Vilma não permite biografias do pai.
MONTEIRO LOBATO – É o caso mais complexo. Há quatro herdeiros que só têm direitos por mais 10 anos. Depois de 10 anos de disputa judicial com a Editora Brasiliense, eles conseguiram passar o contrato para a Editora Globo, que está preparando uma grande reforma gráfica e editorial. Enquanto isso, a família tem aberto uma média de quatro processos judiciais por ano, por uso indevido da obra.
A matéria de O Globo descreve ainda, principalmente nas artes plásticas, casos de desinteresse, de abandono, de excesso de exigências para utilização da obra por terceiros, e também de recusas sistemáticas desta utilização.
A legislação garante direitos aos herdeiros por até 70 anos após a morte do autor.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h59
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Barack Obama e o etanol brasileiro
Barack Obama aceita a presença do etanol brasileiro na economia dos Estados Unidos
Como o mestiço Barack Obama tem aproximadamente 50% de chance de vir a ser o próximo presidente dos Estados Unidos, disponibilizo um trecho do artigo “Obama, um inventor de si mesmo”, de Pedro Doria, publicado no caderno Aliás, de O Estado de São Paulo, 08/06/08, página J-4, que faz referência a algumas idéias dele sobre a América Latina.
Especialmente ao etanol brasileiro.
[Obama é o mais autêntico dos mestiços, tem um grau de mistura racial difícil de encontrar no nosso país: a mãe (morreu com 52 anos) era branca autêntica e o pai era um legítimo negro queniano que morreu com 46, a exata idade atual do filho. Chamá-lo de negro, como é praxe na mídia, é uma afronta às leis da genética e da racionalidade. Enfim...]
Segue o trecho:
Para um grupo de exilados cubanos em Miami, no último dia 23, Obama relatou que planejava reativar os canais de diplomacia com o governo de Raúl Castro, cogitando até o fim do embargo em troca da liberação de prisioneiros políticos. “Sei que não é o que vocês querem ouvir.” A um grupo de plantadores de milho no interior de seu Estado, disse que como senador poderia até lutar pelo subsídio que os protege, mas isso não adiantaria por muito tempo. “O problema é que o etanol brasileiro é muito mais barato que o nosso”, explicou. “Vocês terão que encontrar opções mais eficientes.”
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h37
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Prefeitura de Belo Horizonte exige mercado distrital auto-sustentável
O Estado é um administrador incompetente! (sobre a decadência dos mercados municipais)
A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte publicou no dia 30 de maio (2008) o edital do concurso que vai definir a nova utilização do espaço onde funcionava o Mercado Distrital de Santa Tereza.
Até o dia 18 de agosto serão recebidas as propostas para o concurso público.
Há uma série de pré-requisitos, como auto-sustentabilidade e respeito à Lei de Uso e Ocupação do Solo.
O resultado será divulgado apenas no dia 12 de dezembro.
Ressalto duas coisas neste concurso: o prazo longo para o resultado e a questão da auto-sustentabilidade.
As datas foram escolhidas, visivelmente, de acordo com o calendário eleitoral: como as eleições serão em outubro, com possibilidade de segundo turno em 15 de novembro, a Prefeitura, espertamente, marcou a divulgação do resultado para uma data bem posterior à definição do nome do novo prefeito, que certamente dará a decisão final.
Mas o aspecto mais interessante é a questão da administração do espaço.
Uns três anos atrás, diretores e conselheiros do Jockey Club de Minas Gerais procuraram o então secretário de Estado de Planejamento, professor Antônio Augusto Anastasia, atual vice-governador, para pedir uma ajuda na solução da grave crise financeira do clube.
Entre as várias sugestões apresentadas pelo heterogêneo grupo, uma delas versava sobre a participação do Estado na administração do Hipódromo Serra Verde, ao que ele replicou: “O Estado é mau administrador”.
Está aí a explicação da falência do modelo administrativo dos mercados municipais da cidade.
Todos passaram por crise graves e só sobreviveram o Mercado Central e o Mercado Novo.
O Poder Público Municipal teve sorte: conseguiu repassar a administração deles para cooperativas de lojistas que, aparentemente, estão gerenciando razoavelmente (no mínimo!), pois eu não me lembro de ter visto na mídia qualquer matéria sobre crises por lá.
Já os três mercados distritais quebraram: Anchieta, Cruzeiro e Santa Tereza.
O do Anchieta funciona precária e pobremente, os outros fecharam.
A Prefeitura decidiu usar o espaço de Santa Tereza para sediar a Guarda Metropolitana, mas foi surpreendida pela reação da população local, que reivindicou a recuperação do mercado distrital.
De olho nas próximas eleições, suspendeu a transferência da Guarda, mas também não aceita a volta do antigo modelo, como prova a exigência de “auto-sustentabilidade” no edital do concurso.
Assume a incompetência administrativa: gerenciar um mercado distrital implica em fiscalizar lojistas, expulsar, selecionar para contratar, acompanhar processos diários de cobranças atrasadas e ações de despejo, negociar alterações e quebras de contrato.
E resistir às pressões políticas para beneficiar os lojistas que pedem a ajuda dos vereadores, deputados, dirigentes partidários...
Uma coisa é certa: com a provável manutenção do atual grupo político, o velho modelo administrativo do Mercado Distrital de Santa Tereza não retorna.
E que algum Inteligente tenha uma idéia bem luminosa, eficiente o suficiente para convencer a banca julgadora, e também eficiente o suficiente para reavivar o Distrital.
Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 20h55
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O produtor rural e a reação à modernidade II
Algumas experiências com o fazendeiro brasileiro e a retração à tecnologia no meio agrário
Em 1986 fiquei uma semana na cidade mineira de Bom Despacho, em um trabalho de campo que fazia parte do meu último período no curso de medicina veterinária.
Foi a grande oportunidade que tive para entender a real postura do fazendeiro – e, por extensão, da classe agrária nacional – em relação à tecnologia, às novas técnicas que deveriam ser aplicadas na produção rural. À ciência, de modo geral.
Nosso ônibus foi direto para uma pequena propriedade rural, dentro da faixa de tamanho mais comum na região: entre 20 e 50 hectares.
O grupo se dirigiu ao curral e o primeiro trabalho prático foi o de diagnosticar, através do simples exame visual do gado, doenças causadas por deficiência de vitaminas e sais minerais.
Saltavam aos olhos vários casos de doenças carenciais.
A seguir nos reunimos com o simpático fazendeiro, homem magro e alto, por volta dos 60 anos de idade.
Perguntamos se ele utilizava sal mineral na alimentação do gado. “Sim”, foi a resposta.
Perguntamos se tinha assistência veterinária. Confirmou e ainda deu o nome: “o Doutor Luiz”.
Quando ele se afastou, o professor Nivaldo, que já tinha sido veterinário de cooperativa de interior, explicou que o “Doutor Luiz” era o vendedor de remédios da cooperativa agropecuária local.
O fazendeiro não mentira: apenas não entendia as “modernices”.
Nivaldo explicou também que era rotina a venda de sal mineral de baixa qualidade, sem valor nutricional.
— O vendedor comumente chega à fazenda e, quando não encontra o fazendeiro, deixa os sacos de sal na varanda da casa, “para acertar depois”. O fazendeiro, cordial e simples, tem vergonha de dizer “não” e acaba comprando. Geralmente são produtos de baixa qualidade, sem os teores de sais e vitaminas que estão escritos no rótulo.
Produção baixa não rende lucro: a catira, nome para a permuta de produtos, era e ainda é a principal forma de negociação na vida rural brasileira.
Naquela semana, algumas excursões tiveram a companhia de um bomdespachense simpático, que ensinava os caminhos pelas estradinhas vicinais.
Quando estendi a conversa, descobri que era um fazendeiro que já conhecia as informações educativas sobre as novas técnicas de produção, mas não praticava nenhuma.
O prazer dele era conviver com os jovens estudantes de veterinária, em sua maioria originários de cidades de todos os cantos de Minas Gerais.
Ainda naquela semana revi um estudante de veterinária que eu conhecera uns dois anos antes, em Belo Horizonte.
Um dos professores explicou que ele havia abandonado o curso, mas exercia a profissão como se habilitado fosse, e que a situação dele era comum.
Havia fracassado como estudante, como candidato a profissional, mas tinha a aceitação do homem do campo de sua região pois falava a linguagem deles.
Outra experiência marcante aconteceu uns dois anos depois, na cooperativa agropecuária de Itabira: enquanto eu esperava por um colega, no setor de venda de produtos, chegou um fazendeiro (uns 50 anos de idade) e pediu ao atendente (rapaz de uns 20 anos) um remédio para mamite de vaca.
O vendedor sugeriu que ele esperasse a chegada do veterinário para uma orientação e enfureceu o fazendeiro: este respondeu que foi criado na fazenda, que o veterinário tinha idade para ser seu filho e, portanto, não aceitaria seus conselhos.
Depois que se acalmou voltou a pedir uma sugestão do jovem vendedor “desde que não fosse o Pentabiótico, que corta o leite da vaca”.
O vendedor indicou Agrovet, um antibiótico do mesmo grupo, possuidor dos mesmos defeitos, e o fazendeiro saiu satisfeito.
Esta dificuldade de modernização dos produtores rurais sempre levou as pessoas (que têm a função profissional de orientá-los) a usar de todos os recursos da imaginação para conseguir melhores resultados.
Bem próximo de Belo Horizonte, na região da cidade de Prudente de Morais, a Emater (continuo me referindo aos anos 1980) usou da seguinte experiência: convenceu um pequeno produtor a utilizar exclusivamente as técnicas moderna (daquela época).
A Emater assumiu a responsabilidade do acompanhamento técnico permanente e forneceu algum material e equipamentos.
O curioso objetivo: a fazendinha tinha a função de se transformar numa vitrine para os vizinhos, que teriam a oportunidade de observar os resultados superiores de um produtor que eles conheciam desde a infância e trabalhava com as terras da mesma região, do mesmo clima.
Uma forma de convencimento através da constante visualização de melhores resultados, e de maior lucro.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h39
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O produtor rural e a reação à modernidade
O fazendeiro brasileiro tem ojeriza à tecnologia
Quando a possibilidade de Lula se tornar presidente do Brasil, em 2002, se tornou concreta, fiquei preocupado com a expansão dos movimentos dos sem-terra, principalmente da organização MST, que não era a única, mas estava bem mais forte que as demais.
A reforma agrária, como política pública, não me convencia.
Havia chegado a esta convicção em 1986, quando fiquei uma semana na cidade mineira de Bom Despacho, em um trabalho de campo que fazia parte do meu último período no curso de medicina veterinária.
Nas andanças com a minha turma cristalizei um conceito do qual já desconfiava: o homem do campo no Brasil, em sua maioria, ostenta uma postura de desconfiança, muitas vezes até de confronto, em relação à tecnologia na área da agropecuária.
Os produtores (são milhares de pequenos fazendeiros na região) se mostraram simpáticos; percebi que eles ouviam os ensinamentos com toda a atenção, mas não os aplicavam.
Esta experiência foi decisiva para definir o meu conceito sobre a dificuldade de assimilação da modernidade pela classe agrária nacional, e a vivência posterior só o reforçou.
O conjunto, o espectro desta atitude sócio-cultural começa pela ignorância pura e simples, passa pelo comodismo, pelo tradicionalismo, pela dúvida da eficiência da modernidade, e tem na autoconfiança hostil e agressiva a sua face mais radical.
Mas os avanços tecnológicos, em todas as atividades humanas, são inexoráveis, inevitáveis, obrigatórios.
É inútil lutar contra eles: o sonho idílico da vida agradável e frugal do passado é uma opção inútil, tão bonita quanto realmente inútil.
Os elementos culturais do brasileiro, no campo da psicologia, são muito fortes, e não consigo vislumbrar uma mudança desta atitude apenas por via do diálogo, do convencimento (pelo menos a curto ou médio prazo).
Sem acesso à técnica, à tecnologia, às inovações, esta grande massa de produtores rurais, pequenos fazendeiros, arrendatários, capatazes e outras variações de classe está destinada a lutar apenas pelo pão-de-cada-dia, pela subsistência.
A produção de importância econômica, destinada ao comércio e à exportação, continuará nas mãos de quem já se apossou dela: o capitalista de médio e grande porte.
São os que, não apenas aceitam e utilizam a tecnologia, mas até incentivam a sua criação e desenvolvimento.
É uma visão extremamente pessimista, uma conclusão cruel, mas no curto prazo da evolução sócio-histórica não consigo acreditar na reforma cultural da classe agrária brasileira.
E também não acredito na coexistência natural dos dois mundos: de um lado a sociedade que desfruta dos avanços da tecnologia; paralelamente, a persistência de uma sociedade que interrompe a passagem do tempo e mantém, eternamente, hábitos e costumes que evocam simplicidade, lirismo, bucolismo, natureza, humanismo, justiça.
São muitos adjetivos bonitos, mas todos dependentes do substantivo, como ensina qualquer regra básica da lingüística.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h58
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A violência no futebol
A violência no futebol é indiscriminada e atinge até os dirigentes
O ex-presidente do Conselho Deliberativo do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, depois de um período de isolamento voltou à linha-de-frente da política interna do centenário time de futebol de Belo Horizonte.
Em entrevista a um programa de televisão, criticou duramente a administração do atual presidente, Ziza Valadares.
Aparentemente, já superou o problema que foi o motivo oficial do seu afastamento, em 01/08/2006: a agressividade dos torcedores.
Pouco antes Kalil havia se machucado nas escadarias do Mineirão ao tentar segurar o filho, que queria brigar com um torcedor que estava criticando - ou insultando – o pai Alexandre.
Certamente não foi um dos mais graves confrontos de torcedores com dirigentes ou jogadores, mas foi mais um exemplo desta perigosa situação em que o torcedor assume o lado punidor, faz papel de carrasco.
Apenas naquele ano o Atlético já havia passado por dois casos importantes de agressividade de torcedores, ambos direcionados contra jogadores.
No primeiro, um grupo de torcedores cercou o jogador Marcinho nos corredores do centro de treinamento e lhe deu um arrocho: a cena foi gravada por uma TV e impressionou bastante, pois um dos torcedores tinha uma tremenda pinta de marginal e um físico muito mais avantajado que o atleta.
O atual presidente Ziza, então diretor de futebol, prometeu que o incidente não se repetiria, mas uns dois meses depois aconteceu novamente e pra sorte dele a TV não conseguiu imagens fortes.
O confronto desse tipo que mais me impressionou aconteceu no ano de 2000, quando um grupo de torcedores invadiu o campo do Corinthians, num treino.
O atacante Edilson, o "Capetinha", fortemente arrochado, teve que deixar o clube.
A expressão “antigamente não era assim” soa ingenuamente saudosista, mas a minha memória garante: nos anos 70 e 80 realmente não era assim.
Os mais velhos nos contam que, nas décadas anteriores, também não.
O que leva a uma conclusão largamente citada, conhecida e analisada: vivemos novos tempos, em que a sociedade se degradou e a violência explodiu, tornou-se corriqueira.
Mas qualquer sociedade só cresce se tiver organização; o caos e a anarquia só são úteis para os vigaristas, marginais e assemelhados.
Não é razoável que administradores se afastem por pressão de baderneiros e marginais: para o bem da evolução social, o correto é o inverso.
A sociedade brasileira precisa se conscientizar de que a impunidade precisa ser combatida A FERRO E FOGO.
Em todos os espaços sociais.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h52
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O video com a corrupção do prefeito Alberto Bejani, de Juiz de Fora
A descoberta acidental do vídeo contra o prefeito de Juiz de Fora
O mais esdrúxulo dos detalhes da Operação Pasárgada, realizada no dia 9 de abril, foi a descoberta de vídeos gravados em oito DVDs que estavam em poder do prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani.
No vídeo de 2006, ele aparece recebendo propina do empresário Francisco Carapinha, dono da Viação Norte, atuante no transporte coletivo da cidade.
A ironia do destino: a grande prova de corrupção foi encontrada com o próprio Bejani (no gabinete da prefeitura), durante a batida policial.
Ele tinha a convicção da impunidade, lhe faltava o medo da Justiça: mantinha em seu poder a prova do seu crime, que podia – e devia – ter destruído.
Comprou a corda e a deixou à disposição do carrasco.
A própria existência dos vídeos abre nova discussão: quem fez (ou encomendou) a gravação?
A primeira hipótese recai na vítima, mas neste caso não existe uma vítima clara, todos os participantes da reunião estavam cometendo atos ilícitos.
A segunda hipótese recai no Poder Público, que tem função investigativa, mas é um ator improvável neste caso, pois tem a obrigação de iniciar um processo a partir da obtenção de provas, e nada foi divulgado sobre a reunião ocorrida há dois anos.
Ademais, como o encontro aconteceu no escritório do Carapinha, a polícia precisaria invadi-lo para fazer a instalação, o que é possível, mas bem mais complicado.
A única hipótese viável, surpreendentemente, é que os Carapinha (pai e filhos) instalaram a câmera que incriminava o prefeito (o agente corrompido), mas que também os auto-incriminava (pois eram os agentes corruptores).
A reunião aconteceu no escritório deles, na presença deles, provavelmente em horário pré-combinado, o que facilita o trabalho de filmagem.
Parece irracional, mas não sobra outra hipótese viável, o que nos obriga a fazer um exercício de imaginação para entender.
Para encurtar caminho, imagino que o Carapinha-mor tenha convencido seus filhos a aceitarem a realização da filmagem com um argumento final:
— Se a imagem e o som ficarem bons, entrego uma cópia ao Bejani que fica em nossas mãos, mantendo as concessões e concedendo tarifas elevadas e altamente lucrativas. Se ele argumentar que não nos teme, pois o vídeo também nos incrimina, digo que o risco maior é dele, que vive da política e da imagem pública.
Durante dois anos a chantagem deu certo, mas a sanha do Bejani era insaciável e ele se meteu na história da compra de sentença judicial para obter liberação de dinheiro retido do Fundo de Participação dos Municípios e a polícia foi ao seu encalço: de quebra, achou 1,12 mil reais em dinheiro vivo, ainda sem comprovação de origem, e várias armas de fogo sem registro.
E coletou oito disquinhos de DVD que depois se revelaram a jóia da Coroa quando o policial apertou o botão play do player de DVD.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h07
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A corrupção e o transporte público
Transporte público, fonte de propina política
Anteontem, 12/06/2008, ativou-se mais uma ação de impacto da Polícia Federal, a Operação Volta para Pasárgada, prendendo 14 pessoas.
Um replay da Operação Pasárgada, dois meses antes, que levou à prisão temporária 50 suspeitos.
Na primeira, o assunto exclusivo era a compra de sentenças judiciais, emitidas pelos juízes federais Weliton Militão e Ângela Catão, para debloquear (irregularmente) dinheiro retido e originado do Fundo de Participação dos Municípios.
(A juíza Ângela Catão assim respondeu, em conversa gravada pela Polícia Federal, ao agente pagador da sentença comprada, o gerente da Caixa Econômica Federal Francisco Sampaio, quando este contou que ela ia ganhar de presente um carrão Vectra Elite: “Vou ficar chique”.)
Os policiais encontraram até um vídeo em que aparece o prefeito de Juiz de Fora Alberto Bejani, em 2006, recebendo dinheiro dos donos da Viação Norte, logo depois que ele autorizou um substancial aumento de tarifas.
O guloso prefeito exigiu todo o lucro do primeiro mês referente ao aumento das tarifas, pagas pela população.
Considerando a elevada presença das classes D e E no transporte coletivo, Bejani provou que governa para beneficiar os pobres: tornou o bolso deles mais leve.
Desde que assumiu a prefeitura da cidade, em 2005, ele autorizou três reajustes no preço das passagens de ônibus da cidade. Em 2005, quando o primeiro vídeo foi gravado, a tarifa subiu de R$ 1,20 para R$ 1,30. Em 2006, a passagem passou a custar R$ 1,55. No ano passado, novo reajuste: para R$ 1,75.
Pelo menos quatro reuniões foram gravadas e o advogado do prefeito, Marcelo Leonardo, ainda se saiu com essa: alegou que se tratava de uma encenação para prejudicar um inimigo político.
Indiretamente, ainda chamou o cliente de falsificador e falso ator.
Talvez as mais tradicionais e usuais fontes de desvio de dinheiro público sejam as obras (públicas) e as tarifas de transporte (público também).
Um dos professores de Bejani foi a ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, que usava a conta bancária de um assessor para receber as propinas.
Escolheu um assessor pouco confiável (secretário particular João Carlos Camargo), que depois contou a história ao público e à Justiça.
Ela foi processada e em 2006, 14 anos depois, foi absolvida.
A palavra do assessor e a coincidência do aumento das tarifas pleiteadas, na mesma época do depósito em conta, não foram considerados suficientes pela formalista Justiça brasileira.
Em 1993 eu fui várias vezes a São Paulo e observei que a tarifa de ônibus era muito mais cara do que a de qualquer outra cidade que eu conhecia.
O prefeito Paulo Maluf tomara posse naquele ano e na campanha, salvo engano, havia criticado o custo do transporte público.
Anos depois, quando a Justiça caiu em cima do Malufão, descobriu-se o elevado volume de dinheiro que ele recebeu de empresários do ramo.
Alberto Bejani não é homem de muitos estudos, mas neste assunto foi um aluno aplicado!
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h22
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Uma piada para suprir a falta de assunto
Espermograma
Um velhinho tinha que fazer espermograma. Foi à farmácia e comprou um potinho.
Chegando em casa, foi ao banheiro e tentou com a mão direita, tentou com a esquerda e até com as duas, e nada!
Então, chamou sua mulher.
Ela tentou com a mão direita, tentou com a esquerda, com as duas e até com a boca, mas também não conseguiu.
Não vendo outra opção, ela chamou a vizinha.
Esta, querendo ajudar, mesmo bastante constrangida, tentou com a direita, com a esquerda, com as duas mãos, e muito sem graça, pediu licença e tentou com a boca, mas não obteve sucesso!
A vizinha, não se dando por vencida, chamou a filha de 18 anos, uma menina encantadora.
E mais uma vez repetiram-se as tentativas... uma mão, outra, as duas, com a boca, mas... não conseguiu...
O velhinho triste, cabeça baixa, voltou à farmácia e devolveu o potinho dizendo:
– Dá pro senhor me ver outro potinho, porque lá em casa, ninguém conseguiu abrir este!
Mente poluída a sua, hein? !?
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h37
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A importância do controle de natalidade
Drauzio Varella pede controle familiar urgente
Vou dispensar a apresentação do médico Drauzio Varella, grande freqüentador da mídia e já citado neste blog em outras oportunidades.
Sou fã dos textos e das posições dele, verdadeiro Cavaleiro Andante em cruzada pelo controle da natalidade.
Destaco trechos de uma entrevista que ele concedeu à jornalista Sonia Racy, de O Estado de São Paulo, edição de 02/12/2007, página D-15:
As mulheres analfabetas têm em média 4,4 filhos. Na penitenciária feminina a coisa mais difícil é encontrar uma moça de 25 anos que não tenha três ou quatro. Aos 30 anos, algumas chegam a sete ou oito.
De cada 100 crianças, no Brasil, só 11% são das classes A e B. Praticamente a metade, 47%, são da classe E, com renda per capita abaixo de R$ 75 por mês.
Existe violência maior do que condenar os mais pobres a se encherem de filhos, que não conseguirão sustentar?
Acabamos com a poliomielite, o sarampo. Tornamos raras doenças que matavam milhares.
O programa de vacinação do Brasil é o maior programa de vacinação gratuita mundial. O da aids é elogiado no mundo inteiro. E esses programas dão certo porque são para todos os brasileiros. Pois, se forem só para os pobres, estão fadados ao fracasso.
Em 1967, em um plantão de 12 horas do pronto-socorro de pediatria, no Hospital das Clínicas, morriam de 2 a 3 crianças.
Hoje, quando uma pessoa morre na fila do pronto-socorro, sai no jornal. No passado, morte na fila era regra.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h08
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Duas experiências sobre o valor das punições aos delitos
Punição fraca é incentivo ao crime, aos delitos
A experiência de vida me ensinou que a firmeza (de quem detém o poder) na punição das infrações cometidas pelos que lhe são subordinados é um fator de redução de atos irregulares.
Tendo a certeza de que o chicote do mais forte não vai falhar, o candidato a delituoso se reprime.
Na situação inversa, quem não teme o chicote, quem sabe que o pulso do mais forte é fraco, pesa os prós e os contras e, freqüentemente, opta pelo ato ilegal, delituoso, irregular.
Ainda assim permanecem os índices relacionados aos casos inevitáveis, patológicos; não há como resolver todos os problemas (óbvio!).
Por alguns anos fui comissário de corridas no Hipódromo Serra Verde, em Belo Horizonte: um cargo na diretoria da entidade com a função de organizar e administrar as corridas, com o poder de punir os infratores com penas internas, como multas e suspensões.
Tive duas experiências marcantes sobre a influência da tolerância no aumento de atos irregulares, no incentivo à infração, na gênese da ilegalidade.
A primeira ocorreu com um aprendiz de jóquei, o Ubiratan Meireles, menino ainda, entre 15 e 17 anos.
Durante uma discussão com outro garoto e também aprendiz (ambos já trabalhavam e montavam regularmente, mas ainda estavam na categoria oficial de “aprendiz”) ele o agrediu com chicotadas.
Foram convocados pela Comissão de Corridas, que optou pela pena de advertência, entendendo que eram jovens, estavam aprendendo, e que aceitariam bem o aconselhamento, orientação, pedidos verbais de paciência e respeito ao próximo.
Pouco tempo depois o Bira teve um desentendimento com um treinador de cavalos, o Vicente Soares Ribeiro, com idade para ser seu pai, e também o agrediu com chicotadas.
Percebi, claramente, que o raciocínio dele foi mais ou menos o seguinte: “eles não me puniram na primeira vez, só me xingaram, agora é só eu me fazer de vítima que vão apenas me advertir novamente”.
Os comissários de corrida eram turfistas ou donos de cavalos; pessoas que freqüentavam o mesmo meio, o que também ajudou na interpretação equivocada do jovem.
Só que, desta vez, a Comissão de Corridas percebeu que o limite era o chicote – no sentido figurado – do mais forte: ele levou uns dois meses de suspensão, com entrada proibida nas cocheiras.
Convivi com o Bira por vários anos após este fato e ele jamais voltou a causar qualquer problema semelhante; pelo contrário, era disciplinado e simpático.
Waldomiro Nunes de Oliveira, o W. Nunes, foi o melhor jóquei do turfe mineiro desde meados da década de 1980, mas também foi um campeão em indisciplina.
A irregularidade mais comum e mais grave era atrapalhar os adversários no percurso, o que gera reclamações e desclassificações, sempre traumáticas para a atividade, com reação negativa do público.
Uma vez ele levou uma suspensão grande, salvo engano de duas reuniões (como as corridas eram quinzenais, isto representava ficar um mês afastado da principal atividade) e me procurou (eu presidia a comissão), tentando salvar a pele.
Fez mil promessas e juras de recuperação e de um futuro sereno.
Logo na segunda reunião de que participou após o cumprimento da pena, fez alguma bobagem e foi novamente suspenso.
Me procurou novamente e se travou um diálogo mais ou menos assim:
— Márcio, nós conversamos, pedi desculpas, você prometeu mais tolerância comigo, e na primeira chance sou suspenso...
— Nunes, entenda da seguinte forma: estou sempre à sua disposição para conversarmos, trocar idéias, explicações e informações. Mas a Comissão de Corridas tem a seguinte regra de trabalho: a cada irregularidade, haverá uma punição. Só há um jeito de você evitar a suspensão: não prejudicar os concorrentes.
(Infelizmente, hoje o W. Nunes está paraplégico, pois foi atirado contra a cerca durante uma corrida de cavalos na cidade de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio, em 2006.)
Após a conversa ele não virou nenhum anjo, mas procurava se conter, pois sabia que a conseqüência sempre vinha, jamais faltava.
Passou a reduzir o ímpeto, a contê-lo em parte, pois tinha a consciência da conseqüência.
O resultado foi de lucro para as corridas de cavalos (que geravam menos reclamações dos apostadores), para os diretores (menos punições, menos pressão dos mesmos apostadores) e, principalmente, para o próprio autor das irregularidades.
A punição não tem por função extinguir a irregularidade, mas indiscutivelmente reduz a freqüência, o que garante a sua utilidade e importância.
Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 20h17
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A punição e a prevenção do crime
O medo da Justiça previne o crime
Um episódio ocorrido ontem (09/06/08), no jogo de futebol entre o Atlético Paranaense e o Goiás, em Curitiba, tornou-se ótimo exemplo para uma análise da questão da punição ao infrator, em qualquer atividade social.
O que, num texto sociológico, redundaria no título “O Instituto da Punibilidade”.
Há apenas dois ou três anos, os órgãos disciplinares do futebol brasileiro decidiram radicalizar: passaram a punir, de forma dura, qualquer ato de hostilidade dos torcedores contra o espetáculo em si, como atirar objetos em campo. Qualquer objeto.
As medidas usadas são: multa ao time, perda de mando de campo ou aplicar a pena de jogar uma ou mais vezes com portões fechados, sem torcedores nas arquibancadas.
O que, no início, parecia ser uma medida que não daria certo num país tolerante e permissivo, funcionou (pois foi aplicado sistematicamente) e passou a ser temido pelos torcedores.
Voltando ao caso: no jogo de ontem, um torcedor atirou no gramado um copo de plástico e o árbitro o pegou, mostrou para todo o estádio e o entregou para o representante da entidade organizadora, a CBF.
A reação dos torcedores foi inovadora, atípica, inesperada até: apontaram o rapaz que teria sido o atirador do copo para permitir a ação da polícia e da segurança.
Um ato de denúncia, de deduragem, um comportamento incomum para o brasileiro, principalmente em se tratando de torcedor de futebol.
A Segurança foi até ele e o retirou do estádio, debaixo de vaias generalizadas e gritos de “burro, burro!”.
E ainda o agrediram com violentos tapas na cabeça enquanto ele passava pelos corredores, escoltado pelos seguranças.
Até então, a hostilidade contra os adversários era percebida pelo torcedor-autor como um direito e uma forma natural de intimidação, de ajudar o time, e também de expandir a agressividade sem sofrer maiores conseqüências.
Quando a punição se tornou sistemática, o torcedor passou a temer as conseqüências e assumiu uma atitude de vigilância, de defesa dos interesses do clube, dirigindo a hostilidade para os causadores de prejuízos.
Entendo que a necessidade de organização social não permite que o velho dilema “educação x punição” dificulte a reação das autoridades constituídas contra os atos anti-sociais.
É necessário continuar o investimento na educação, mas sem prejuízo da reação contra estes atos, sejam eles delitos, crimes, desrespeitos, maus hábitos.
A impunidade incentiva a realização de delitos, a punição os inibe: a conta é simples.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h50
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Os remédios mais vendidos no Brasil
Os remédios mais vendidos no Brasil
Segundo matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo de 01/06/08, o remédio mais vendido no país e o Dorflex, um analgésico. Seus seguidores na lista são Cialis e Viagra, estimulantes sexuais masculinos. Completam a lista dos cinco mais vendidos outros dois analgésicos.

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h23
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A política e a guerra de dossiês
A política é um ninho de cobras. Bem venenosas.
É, tá difícil para a Política se livrar do preconceituoso conceito de atividade destinada aos interesses pessoais.
A última crise petista é a sucessão de casos envolvendo a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff.
Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, entre outros motivos, pela ilusão popular de que o Partido dos Trabalhadores era um partido ético e moderno.
A ex-guerrilheira que jamais ocupou um cargo político-eletivo vinha tendo o seu nome preparado pelo presidente como opção sucessória.
Mas o fogo amigo do PT apareceu quando um assessor dela, José Aparecido Nunes Pires, secretário de Controle Interno da Casa Civil, enviou uma cópia de um dossiê contra o ex-presidente FHC ao senador tucano Álvaro Dias.
Os bombeiros particulares da ministra tentaram vender a história de que o dossiê não passava de parte de um inocente banco de dados elaborado pela secretária-executiva da pasta, Erenice Guerra, e por Maria de la Soledad Castrillo, a Marisol (diretora de Recursos Logísticos da Casa Civil).
E que, por ser um simples banquinho (cheio de despesas que poderiam ser consideradas exóticas se houvesse um simples recibo comprobatório, que não apareceram), não era do conhecimento da chefe.
“Ela de nada sabia”, repetiu-se o refrão da defesa de Lula no episódio capitaneado pelo corruptíssimo Roberto Jefferson.
Só que o escândalo seguinte bateu direto no queixo da ministra.
A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) Denise Abreu acusou Dilma de ter forçado a agência a “avalizar” a venda da Varig para três brasileiros sem condições financeiras para tanto.
Três laranjas. Laranjões.
Os verdadeiros donos do dinheiro eram estrangeiros, o que é proibido por lei.
Detalhes importantes: Denise já foi assessora do ex-ministro José Dirceu (depois deputado cassado) na mesma Casa Civil e foi levada por ele à diretoria da ANAC.
Na crise aérea, a agência foi acusada de responsável pelos atrasos de vôo e também pela liberação irregular do Aeroporto de Congonhas, uma das causas do acidente aéreo que depois matou 199 pessoas.
Dos cinco diretores, ela ficou em situação pior, pois foi acusada de ter enviado para a Justiça um documento sem valor (no caso referente a Congonhas).
Em risco de ser acusada até de múltiplo homicídio, Denise centrou o contra-ataque na ministra.
Já havia perdido o cargo na ANAC após negociações comandadas pelo ministro da defesa Nelson Jobim, já que os diretores da agência não podem ser demitidos.
Mas o fato é que os dois ataques a Dilma partiram de pessoas do círculo estreito de confiança de José Dirceu.
Todos os nomes pertencem a petistas da gema, militantes partidários.
Na velha disputa de poder, o falso “novo político” continua pisando na goela dos supostos aliados, mirando com o fogo amigo os companheiros de trincheira.
Utilizam como munição: declarações em off, dossiês verdadeiros ou forjados, documentos suspeitos.
E a política continua sendo comparada a um ninho de cobras.
Indivíduos semelhantes e emaranhados.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h56
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Frases
Frases que marcaram
Esta seleção de “frases da semana” foi feita pela editoria do caderno Aliás, que sai todo domingo n’O Estado de São Paulo. Está meio atrasada (é de 27/05/2008) mas algumas ainda estão tão atuais que decidi publicar neste espaço:
'Solidariedade tem limite'
José de Alencar, vice-presidente da República, ao insinuar que o Brasil tem sido muito “generoso” com os vizinhos da América do Sul
'Agradeço a Deus por não ter sido eleito naquela época'
Ciro Gomes, deputado do PSB-CE, em sabatina da Folha de S. Paulo, confessa que não estava preparado para o cargo de presidente da República em 2002
'Vou ficar chique'
Ângela Catão, juíza, pega em flagrante em um grampo telefônico da Operação Pasárgada. Ela se animou ao ser presenteada com um carro pelo gerente da Caixa Econômica Federal, Francisco Sampaio
'Gómez havia perdido energia e consciência revolucionária'
Fidel Castro, líder cubano, ao explicar por que o ministro de Educação Luis Ignácio Gómez foi destituído. Essa foi a primeira mudança no gabinete de Raúl Castro desde que ele assumiu o poder da ilha em fevereiro
'Esqueçamos o imundo ‘Tropa de Elite’, herdeiro de um Urso de Ouro vergonhoso'
Jean-Michel Frodon, diretor da Cahiers du Cinema, em um balanço do Festival de Berlim na edição de abril da revista
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h01
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Modernidade versus preservação II
Leitor do jornal Hoje em Dia alerta para os riscos da mineração ao patrimônio histórico de Conceição do Mato Dentro
Transcrevo, na íntegra, a carta que o cidadão Dalton Andrade, de Sete Lagoas, publicou no Hoje em Dia, edição de 01/06/2008, alertando para os riscos da chegada da mineradora MMX a Conceição do Mato Dentro:
Impressionante o que está para acontecer com Conceição do Mato Dentro, a capital do ecoturismo do Estado. Duas gigantes da mineração (MMX e Vale do Rio Doce) disputam espaço para a exploração de suas riquezas. Conceição capitaneia o Médio Espinhaço, reina ali com um imenso território. Com apenas 18 mil habitantes, tem plenas condições de auto-sustentabilidade, de levar em frente o projeto turístico e ser uma das mais atrativas cidades do país. Nada pode ser mais nocivo àquele ambiente rochoso que uma mineradora. Serão quatro mil funcionários da MMX para fazer tremer a cidade colonial. Enquanto Minas Gerais tenta fugir do estigma minerador, Conceição, em pleno XXI, quer enchê-la de peões, dragas, degradação e descontroles de todo o tipo. Um mineroduto de 523 km até o Porto Açu, no Rio de Janeiro, passando por milhares de propriedades, mostram a força insana do empreendimento. A previsão da atividade é de 35 anos, podendo ser abreviada por melhorias tecnológicas, ou abandonada de acordo com o preço das comodities. Onde está nessa hora o Projeto da Estrada Real? A MMX apareceu sorrateiramente, não deu satisfações à comunidade, abrindo estradas e furando o solo em diversas partes. Nas cidades menores em volta, onde sua ação já começou, como São Sebastião do Bom Sucesso, Alvorada de Minas e D. Joaquim, as ruas foram invadidas pelas máquinas, resultando em casas e igrejas abaladas. O mineroduto utilizará as águas do Rio Peixe, ameaçando o abastecimento de toda a área rural, que já sofre com as estiagens. Apesar da imensa relevância ambiental e científica da região, com espécies e paisagens tombadas pela Unesco, a Prefeitura e a Justiça local se curvam ao capital e ao infernal canto da sereia ferrífera.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h59
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Modernidade versus preservação
Serro, Conceição do Mato Dentro e região: dilema entre a defesa do patrimônio histórico e o dinheiro das mineradoras
As ruínas do Império Romano ficaram abandonadas durante um milênio e meio, enquanto Roma se reconstruía ao lado, mais modestamente, menos ambiciosamente.
Não foram destruídas, não foram aproveitadas, não foram recuperadas; apenas abandonadas.
Pesquisas históricas e arqueologia só foram realmente levadas a sério nos séculos 18 e 19, inclusive (e, talvez, principalmente) nas campanhas bélicas de Napoleão Bonaparte.
Só no século 20, com a evolução dos transportes e das comunicações, é que o turismo virou indústria e a recuperação das construções históricas passou a gerar dinheiro e trabalho.
Embora meu lado materno seja originário do Serro, só vim a conhecer esta cidade em 1998, aliás minha única visita.
Descobri, agradavelmente, que a cidade estava com seu patrimônio histórico bem conservado, bonita mesmo.
Mas, recentemente, fui alertado para a chegada da mineradora MMX à cidade, trazendo o risco de novos problemas: uma massa popular sem raízes locais e interesse no patrimônio histórico; piora da segurança pública; danos ao ambiente; e riscos para os velhos casarões.
Na seção de cartas do jornal Hoje em Dia, de 01/06/2008, um leitor alerta para as conseqüências da chegada da mineradora a Conceição do Mato Dentro, outra cidade histórica (origem do meu avô materno), e informa que sua ação já começou nas pequenas cidades da região, como São Sebastião do Bom Sucesso (na verdade, um distrito de Conceição do Mato Dentro), Alvorada de Minas e Dom Joaquim.
Não sou preservacionista radical ou ambientalista radical; quem me lê ou me conhece sabe que pugno (bela palavra!) pela modernização responsável.
A chave da questão está na palavra “responsável”: não acredito na capacidade do Poder Público de modernizar e preservar simultaneamente.
Pior: entre o idealismo do “preservar” e o lucro rápido do “modernizar”, o segundo ganha sempre o coração e o bolso dos nossos administradores.
As exceções existem, mas são elas que garantem a existência da regra.

Serro - Vista da rua principal (antiga rua da Cavalhada) até a Igreja Santa Rita
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h17
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Crime político na rota do patrimônio histórico de Mariana-MG
O assassinato do ex-prefeito que não defendia o patrimônio histórico de Mariana
No dia 15/05/2008, o ex-prefeito de Mariana João Ramos Filho, de 78 anos, foi assassinado em uma estrada do município.
Ele era candidato a um quarto mandato não consecutivo e considerado o favorito para as eleições de outubro próximo.
A polícia suspeitou de crime político e centrou as investigações nos adversários locais.
Duas semanas depois, o empresário Francisco de Assis Carneiro, o “Chico da Farmácia”, foi preso, acusado do crime.
Denúncias anônimas informaram que, próximo ao dia fatídico, dois ou quatro suspeitos se hospedaram secretamente num hotel de sua propriedade; no depoimento ele confirmou que permitira que “dois amigos” por lá passassem, sem registro.
Chico da Farmácia era pré-candidato declarado ao cargo de prefeito, mas a candidatura de João Ramos era um obstáculo quase intransponível para qualquer concorrente.
O atual prefeito Celso Cota (presidente da Associação Mineira dos Municípios) luta pela eleição de seu vice e chegou a ser acusado por familiares do falecido de ser o mandante da execução.
Se não houver reviravoltas, ainda será o grande beneficiado.
Aproveito o gancho para analisar alguns aspectos da defesa do patrimônio histórico, que foi alvo de sérias controvérsias nos mandatos anteriores de João Ramos Filho.
Em 1991 ou 92 eu fiz um trabalho jornalístico para o curso de Comunicação Social da Fafich (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG) em dupla com o colega Paulo Leonardo Carvalho, hoje subeditor de turismo do Hoje em Dia.
Com a participação da arquiteta Mônica, então fazendo mestrado na Fafich, escolhemos a questão das disputas entre tradicionalistas e modernizadores pelo patrimônio público de Mariana, oficialmente a primeira capital mineira (embora Minas Gerais não fosse exatamente um Estado naquela época).
(Mônica, me desculpe por ter esquecido seu sobrenome alemão, mas o nosso filme de trabalho escolar está na porcaria do videocassete que não quer funcionar, só sabe cuspir fita!)
João Ramos tinha causado muita celeuma no seu segundo mandato, quando construiu um ginásio poliesportivo moderno em meio à área histórica.
Especialistas por nós entrevistados informaram que, em Mariana, era muito forte a corrente que desprezava a preservação do patrimônio público, e João Ramos Filho alinhava com eles.
A tese deles (dos especialistas): a presença de empresas mineradoras na cidade e região garantia trabalho e residência para pessoas sem raízes locais, absolutamente desinteressadas na parte histórica.
Mas também era verdade que, mesmo entre os moradores tradicionais, a reação contra a modernização de João Ramos era tímida, e que a grita partiu da mídia.
Preservação histórica parece uma coisa bonita e idéia unânime, mas só na aparência: muita gente que passa por culta e moderna, na hora de colocar em prática estes conceitos age de forma bem diferente, oposta até.
O famoso sociólogo Roberto Damatta explicou, pessoalmente, esta questão para a Mônica: as pessoas têm uma ideologia para consumo interno (a “casa”) e outra para o público externo (a “rua”).
Defendem o belo idealismo da preservação do patrimônio histórico, mas podem assumir uma postura até inversa se isso entrar em choque com seus interesses, principalmente com o seu patrimônio pessoal.

Mariana: Catedral e rua Direita
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h22
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Charge
Uma charge antenada com o assunto do momento: os índios que não querem apito, querem autonomia

Autor: Lute (www.lutechargista.com.br), publicada no jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte-MG, edição de 01/06/2008.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h47
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O capitalismo selvagem ataca no Banco do Brasil
Até tu, Banco do Brasil?
O Banco do Brasil é uma entidade pública, o mais tradicional dos nossos bancos, mas, como é brasileiro, também incorpora o tal espírito malandro do povo.
Encontrei a malandragem nos caixas eletrônicos: em algumas telas com a opção de pagamentos, o botão que aparece em primeiro lugar, com mais destaque, é o que faz a transação financeira através de financiamento, de empréstimo.
Muito mais lucrativo para o banco – que, destaque-se, é estatal, é público – do que o pagamento com o dinheiro que já está depositado.
Em outras telas, talvez para disfarçar, a opção de débito em conta aparece de forma correta, na frente, antes do botão com a sugestão de financiamento.
Não seria uma malandragem para pegar os distraídos, os velhinhos, os incautos, os ignorantes?
O banco ganha um dinheiro a mais, dinheiro que não vai para o bolso de quem criou o truque, mas que se enquadra nos ideais do “capitalismo selvagem”.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h40
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Dia Mundial Sem Tabaco
Dráuzio Varella fala do mecanismo diabólico do cigarro
(Ontem foi o Dia Mundial Sem Tabaco.)
Não entendo por que tanto médico fuma!
Em 1980, quando eu estudei patologia geral no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, os professores tiraram da baciona de formol um pulmão humano normal, e um outro de fumante.
A diferença entre os dois era óbvia. O tabaco altera todo o órgão: cor, aparência, fisiologia.
Recentemente perguntei ao meu sobrinho André, que começa a cursar odontologia, se já havia sido apresentado aos dois pulmões do ICB, ao que ele respondeu afirmativamente.
O médico da mídia Dráuzio Varella já se confessou um ex-fumante, com permanente medo da volta do vício.
Assim ele fecha o artigo “Mecanismo diabólico”, que publicou na Folha de São Paulo de 24/05/08:
A farmacologia não conhece droga que cause tamanha dependência química.
A nicotina não vicia por causar sensações inacessíveis aos mortais que enfrentam o cotidiano de cara limpa. Inundar o cérebro com ela não faz você experimentar a alegria do álcool, a onipotência da cocaína, o relaxamento da maconha ou as visões do LSD. Não existe barato nem viagem. Você fuma apenas para aplacar as crises de abstinência que a própria droga provoca a cada trinta minutos.
O único prazer de quem fuma é sentir a paz de volta ao corpo suplicante, até que a próxima crise bata à porta para enlouquecê-lo. Parece invenção de Satanás.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h20
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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Outros
sites
Jockey Club MG - nova página
Tiago - Meu webmaster favorito
Uma superpágina de informática
Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
Blog do Paulo Afonso
Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
UOL - O melhor conteúdo

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