Márcio de Ávila Rodrigues


Tabaco, um dos vilões do mundo moderno

Está sendo comemorado hoje o Dia Mundial Sem Tabaco.

Quando adolescente, a minha única experiência com o cigarro era acendê-los para a minha tia Celma.

Só ficavam na boca os segundos necessários para acender; detestava o gosto.

Um dia resolvi experimentar e, minutos depois, descobri que já fumara um terço dele e não mais sentia o tal “gosto ruim”.

Reconheço que fui covarde, medroso: joguei o restante fora e nunca mais coloquei cigarro na boca.

Sei que a medicina ainda não provou a relação, mas o fato é que Tia Celma contraiu o Mal de Alzheimer aos 65 anos e morreu em 2007, 12 anos depois.

Bendita covardia!

Nos anos 70 comecei a freqüentar o Hipódromo Serra Verde e fiz amizade com a família Pimentel de Castro.

Amizade filial, pois eles eram da geração de meus pais.

Cinco deles freqüentavam as corridas de cavalos, todos fumantes.

Na mesma década, um deles, o Joca (João), morreu de enfisema pulmonar.

Ainda me lembro da descrição de sua agonia, da respiração profunda, dolorosa, tentando arrancar do ar o oxigênio que os alvéolos afetados mal conseguiam absorver.

Meu medo do tabaco só aumentou.

 

Poucos anos depois morre o Hugo, de infarto.

Ele já havia passado por um primeiro infarto, mas não conseguiu parar de fumar.

Uns dois anos atrás morreu o Raimundinho, o terceiro Pimentel de Castro.

Ele comparecia à agência de apostas com duas mochilas, cada uma portando um tubo de oxigênio, ligado à narina por uma sonda.

Era enfisema, provocado pelo fumo.

 

Um pouco antes foi-se também o meu amigo jornalista Fernando Carlos de Carvalho, então ocupando o segundo cargo mais importante da redação do extinto Diário da Tarde.

Um ou dois anos antes teve o primeiro aviso: chegou a estar em coma, após um AVC.

Recuperou-se sem seqüelas, mas voltou a fumar, sempre escondido de seu amigo e otorrinolaringologista Adelmar Cadar.

O segundo AVC o levou rápido para o outro mundo (com pouco sofrimento, felizmente).

Com toda esta história, pretendo manter permanentemente minha covardia frente ao tabaco.

Pois o tabagismo é criação do Diabo.



Escrito por Márcio às 21h29
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As noitadas dos jogadores de futebol

Ronaldinho Gaúcho cai de boca na noite de Barcelona

Aconteceu com Ronaldo Fenômeno, Maradona, Adriano e milhares de outros menos estrelados.

A fama e o dinheiro fácil sobem à cabeça de quem tem origem humilde, e muitos chegam ao caminho do consumismo inútil, das festas, bebidas, drogas, orgias sexuais.

Parece que o Ronaldinho Gaúcho também já está nesta trilha desumana.

Seu ex-companheiro de seleção brasileira e do time do Barcelona, o zagueiro Edmilson, abriu o jogo na sua [dele, Edmilson] entrevista de despedida do time catalão, em 23/05/2008: “Ronaldinho tem de mudar a atitude”.

Não entrou em detalhes, mas o repórter de O Estado de São Paulo entrou.

Ouvi uma teoria interessante na análise psicológica de Ronaldo Fenômeno, na época do escândalo com os travestis: a origem humilde e a infância carente transformaram o sucesso profissional no único objetivo; mas este foi alcançado muito rápido, e com 20 e poucos anos ele podia comprar tudo o que sonhava; com os objetivos alcançados precocemente, ele passou a procurar emoções fortes, aventuras.

Tem lógica!

Seguem trechos selecionados da matéria de O Estado de São Paulo, de 24/05/08, assinada por Jamil Chade, sobre a crise de Ronaldinho Gaúcho:

Edmilson, que se projetou no São Paulo, provocou polêmica recentemente ao chamar alguns colegas do Barça de “ovelhas negras”.

Em Barcelona, as noitadas de Ronaldinho Gaúcho se transformaram em lendas urbanas. O fato, segundo um jogador do clube, é que Ronaldinho saiu de controle. E levou junto “metade” do time. Em apenas dois anos, oito jogadores do Barça se divorciaram. “Essa cidade é uma perdição”, afirmou esse atleta, que preferiu manter o nome em sigilo.

 Um dos locais preferidos do astro é a discoteca Sandunguita, a 20 quilômetros de Barcelona.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h47
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A política afirmativa pode ser negativa

“Políticas afirmativas”, uma expressão malandra para valorizar as cotas raciais

Pelo menos por enquanto, a questão das cotas raciais perdeu um pouco de atenção da mídia.

Quando estava mais badalada, seus defensores usavam a expressão “políticas e ações afirmativas” para englobar seus projetos de benefícios para os grupos sociais que classificavam como excluídos: negros, pobres, deficientes.

Este assunto, com certeza, voltará à baila em breve.

E sempre com o reforço da palavra “afirmativas”, que tem um componente psicológico favorável: cria a impressão de uma coisa destinada ao bem, ao positivo.

É uma esperteza dos brasileiros que a utilizam, mas não é original: é a tradução literal de uma expressão em língua inglesa, utilizada com o mesmo significado (e, provavelmente, a mesma intenção).

Mas, no fundo, não passa de uma figura de retórica, pois a legislação brasileira prevê casos em que o afirmativo para um cidadão se torna negativo para outro.

O grande exemplo é a questão das vagas em concursos públicos e vestibulares: como elas possuem uma quantidade pré-definida, o cidadão que a obtém através da legislação de cotas estará tomando a mesma vaga de outra pessoa.

Pesquisas na Mãe Internet me informaram que, nos Estados Unidos, a expressão é associada geralmente a situações em que não há prejuízos para terceiros, como vagas que não estão em disputa, incentivos, benefícios vários.

Como “ação afirmativa” não passa de figura de retórica, um adjetivão, nada impede os seus contrários, os adversários das cotas, de também chamarem a sua política liberal de “ação afirmativa”.

Os defensores da cota argumentarão que suas teses representam uma “ação afirmativa” porque elas criam oportunidades para as raças minoritárias, as vítimas de exploração histórica e preconceito recente.

Os críticos da cota argumentarão que suas teses (igualdade de direitos) representam uma “ação afirmativa” porque elas recusam a idéia do paternalismo e incentivam a preferência aos melhores profissionais e estudantes, o que seria melhor para a nação.

O que me parece mais estranho na política de cotas é a questão da idéia da indenização aos explorados. No passado, os brancos exploravam os índios e negros. Os atuais brancos pagariam esta conta, mas eles não conheceram quem criou a dívida; a herança genética é o único elo.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h20
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Mestiços e as raças brasileiras

População negra supera os brancos no Brasil. Supera?

Os jornais de maio deste 2008 destacaram nas manchetes que o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, órgão ligado ao governo federal) anunciou que os negros já estão alcançando os brancos no Brasil, em número de indivíduos.

Não é o que vemos nas ruas.

O que vemos é um grande número de pessoas que não se enquadram na aparência típica do branco europeu, nem na aparência típica do negro africano.

São os mestiços.

Mas os míopes manuais de trabalho do IPEA não reconhecem a existência deles: classifica-os como pardos e os enquadra como uma subcategoria da raça negra.

(A melhor análise crítica desta incongruência foi feita pelo jornalista Ali Kamel, no livro Não somos racistas - uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor.)

À luz da biologia, isto não tem sentido.

Quando dois indivíduos de características diferentes, de raças diferentes, produzem um terceiro indivíduo, este herdará metade da carga genética de cada ascendente: será um mestiço.

Genética não é matemática: algumas características de uma das raças serão transmitidas e outras não, criando diferentes graus de mestiçagem.

Mas isto é um detalhe; e não é o detalhe do qual estou falando.

Se algum pesquisador, por quaisquer motivos, precisar ignorar o mestiço como categoria independente e optar por registrá-lo como parte de uma das outras duas categorias pré-determinadas, terá 50% de motivos para registrá-lo como branco e 50% como negro.

O IPEA e outros órgãos análogos somaram os números e escolheram a segunda opção, o que não tem base científica.

O mestiço não é um negro, é exatamente um MESTIÇO.

Fecho com um post scriptum: por que tanto medo da palavra “mestiço”, a ponto de somente se usar a palavra “pardo” em certos documentos oficiais?

Um politicamente correto que não passa de frescura.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h54
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Ineficiência dos órgãos públicos brasileiros

Depois do arrombamento, colocou a maçaneta...

Quase à meia-noite de uma quarta-feira, 30/04/08, um incêndio destruiu uma casa na cidade de Nepomuceno, sul de Minas, e vitimou as quatro crianças (entre nove e dois anos de idade) que estavam lá, sozinhas.

Os bombeiros chegaram a tempo de salvar as vidas, mas uma delas teve queimaduras em mais de 50% do corpo.

A mãe foi detida embriagada, num show sertanejo.

A conselheira tutelar do município apresentou as provas de sua suposta eficiência: três ocorrências anteriores da mesma família, na mesma casa.

O repórter televisivo perguntou o porquê de ela não ter tomado uma providência antes.

Se defendeu, explicando que enviou o caso para a delegacia de polícia...

... no dia seguinte ao acidente.

Brandiu uma pasta com as três ocorrências anteriores da mesma família como se não tivesse a responsabilidade de resolver o problema.

Eis a diferença do Primeiro para o Terceiro Mundo: no primeiro, o tacão da lei chega na primeira ocorrência.

Se o tacão não funciona na primeira, na segunda ele se dirige contra a autoridade que deveria ter atuado antes e se omitiu.

É uma rotina a preguiça para resolver problemas cotidianos no serviço público, tanto quanto é rotina é suposta tentativa de resolvê-los usando medidas inócuas.

Um caso de morosidade é o anúncio da prefeitura de Belo Horizonte, poucos dias atrás, de que conseguiu da Justiça autorização para arrombar mais de 1.300 casas suspeitas de abrigar o mosquito da dengue, cujos donos estão dificultando a entrada da fiscalização pública.

O detalhe é que há mais de 3.000 casos comprovados de pessoas que contraíram a doença, e um morto.

E a epidemia já estava sendo esperada pelos infectologistas.

 

Um caso de medida inócua:

Um ex-vizinho de rua (mas ainda vizinho de bairro) chegou a ter quase 20 cães num barracão imundo, espalhando seus venenos sanitários pelas casas contíguas.

A prefeitura comprovou a existência da leishmaniose em pelo menos um deles, mas o dono não entregou o bichinho e recusou a entrada de fiscais em casa.

Os fiscais aplicaram várias multas, mas ele não pagava e nem tomava qualquer providência para resolver o problema.

Depois mudou-se para outra rua e transferiu o problema para outros vizinhos.

Pelas imediações apareceram outros casos de leishmaniose: uma clara relação de causa e efeito (esta doença não é transmitida diretamente pelo cão, mas ele é o principal reservatório urbano).

A prefeitura lavou as mãos preenchendo papéis que vão apenas virar lenha.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h59
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Responsabilidade criminal dos índios no Brasil

Punição a índios agressores depende de “laudo antropológico”

No dia 20/05/08 todo o Brasil assistiu às imagens da agressão de índios caiapós ao engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Vieira Souto Rezende.

A agressão aconteceu no final de uma palestra do engenheiro, em que defendeu a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no sudoeste do Pará, e resultou em um corte profundo no braço, com golpe de facão.

Leiam o segundo parágrafo de uma matéria de O Estado de São Paulo, de 22/05/08, explicando a questão da responsabilidade civil e criminal dos agressores:

O assessor de comunicação da PF em Belém, Fernando Sérgio Castro, informou que será feito um laudo antropológico nos índios para medir seu grau de aculturamento. “Se forem aculturados, nada impede que sejam indiciados pelo crime.” O laudo será feito por peritos da PF, com auxílio da Funai.

Se estivéssemos num país adiantado, o caso seria investigado pela polícia, documentado e levado à Justiça, como qualquer outro caso de agressão.

Caberia ao juiz avaliar a situação dos indiciados, principalmente a capacidade de responder pelo crime praticado, e tomar a decisão.

É um exagero a existência de uma lei especial determinando a participação de um elemento totalmente estranho à esfera policial, como o tal “laudo antropológico”.

E duvido que a ciência da Antropologia tenha possua critérios rígidos, definidos, objetivos e eficientes para definir se alguém é “aculturado” ou “não aculturado”.

Garanto que existem, neste campo, dezenas de teorias, teses e conceitos, muitos deles literalmente opostos entre si.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h05
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Fraudes eleitorais no Brasil

Está demorando a aparecer uma grande fraude na urna eletrônica brasileira

A revista PC World noticiou em 19/05/2008 que o governo da Holanda proibiu o uso de urnas eletrônicas devido ao risco de fraudes (para ler a matéria, clique AQUI).

Sou tão pessimista quanto ao elevado grau de desonestidade do nosso povo que me surpreende a inexistência de casos importantes de fraude eletrônica-eleitoral.

Mas acho um exagero, sem sentido, as freqüentes declarações de dirigentes dos tribunais eleitorais e de alguns nacionalistas-ufanistas garantindo o eterno sucesso do sistema eleitoral brasileiro.

Sou tão pessimista que estou sempre esperando a descoberta de uma grande fraude, de uma reviravolta eleitoral, de um escândalo sem proporções.

Mas administrar um país de dimensões continentais é muito difícil, e por isso não pugno pela volta da cédula eleitoral.

Enquanto o risco da urna eletrônica é de uma megafraude, o risco da urna convencional é de centenas de pequenas fraudes, espalhadas pelos quatro pontos cardeais da Terra de Cabral.

A fraude eletrônica depende não apenas de subornar funcionários e representantes de TREs, mas também de conhecimento avançado de informática, que permita penetrar nos programas sem deixar rastros.

Já a fraude da cédula de papel é coisa simples, cotidiana, que sempre existiu na história republicana brasileira, só variando em intensidade.

Me lembro bem das eleições estaduais de 1986, quando Newton Cardoso foi eleito governador de Minas e eu soube de casos de fraudes, a favor e contra.

Ambas aproveitaram-se do voto facultativo de analfabetos, que forneceram a grande fonte da irregularidade: cédulas em papel, preenchidas incompletamente ou em branco.

Os analfabetos, e também os semi, votaram em massa, entusiasmados com as reportagens que exaltavam a relação entre o voto e o exercício da cidadania.

As fraudes pró-Newton ocorreram nos chamados rincões: o PMDB tinha diretórios espalhados por todo o Estado e os líderes políticos dos pequenos municípios e de vilas aproveitaram os quadrados vazios dos votos dos analfabetos (e dos que votavam em branco por protesto) para marcar o “X” junto ao nome do seu candidato.

Itamar Franco, o principal adversário, concorreu por um partido minúsculo, sem representações nos tais rincões, e não conseguiu se aproveitar dos quadradinhos vazios.

Na capital, aconteceu o contrário: mesários que trabalharam nas eleições me contaram que havia uma mobilização pró-Itamar, o candidato preferido da classe média de Belo Horizonte.

Uma tática era a de induzir os eleitores analfabetos, muitas vezes apontando o quadradinho dele para receber o “X”.

Mesmo depois de fechadas as urnas, já na contagem de votos, o “X” que estava perto do nome de Itamar, mesmo fora do quadradinho, era sempre aceito, mas o mesmo não acontecia quando estava próximo do nome de Newton Cardoso (neste caso, só era computado quando estava nitidamente dentro do quadradinho).

Chegou a haver uma denúncia concreta de um caso interessante, ocorrido no ginásio do Mackenzie (se me lembro bem!), durante a fase de apuração.

Um mesário foi trabalhar de manga comprida, apesar da temperatura já alta de outubro ou novembro, e escondia uma caneta por baixo da manga.

A la Mandrake, preenchia os quadradinhos em branco do candidato de seu interesse (minha memória não alcança o nome) disfarçadamente, tentando esconder a caneta entre os dedos.

A la Mister M, acabou flagrado por causa da manga comprida e da provável falta de habilidade no manuseio da caneta.

Encerro com uma declaração de pessimismo: a questão importante não é se haverá um caso grave de fraude nas urnas eletrônicas brasileiras, mas quando ela ocorrerá.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h06
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Gilberto Gil briga com a Igreja Universal

Gilberto Gil ataca a Igreja Universal do Reino de Deus

O álbum “Quanta”, de 1997, não foi o melhor, nem o de mais sucesso de Gilberto Gil, mas garantiu a ele o mais cobiçado prêmio de música, o Grammy.

Uma faixa que passou despercebida foi Guerra Santa, que ataca a Igreja Universal do Reino de Deus através de uma letra fortemente crítica.

O alvo era a igreja e seu líder máximo bispo Edir Macedo, alusão tornada óbvia pela estrofe “ele chuta a imagem da santa”, pois dois anos antes (12/10/95) o pastor Sérgio Von Helde, da mesma igreja, tratou a pontapés uma imagem de Nossa Senhora em um programa da Rede Record, que pertence à IURD.

Como ministro da Cultura, Gilberto Gil hoje é um político não eleito e deve estar até satisfeito pelo fato de a música não ter feito sucesso.

Mas, para contrariar o ministro e satisfazer a curiosidade dos leitores, transcrevo a letra da “Guerra Santa”:

 

Ele diz que tem, que tem como abrir o portão do céu

ele promete a salvação

ele chuta a imagem da santa, fica louco-pinel

mas não rasga dinheiro, não

 

Ele diz que faz, que faz tudo isso em nome de Deus

como um Papa na inquisição

nem se lembra do horror da noite de São Bartolomeu

não, não lembra de nada não

 

Não lembra de nada, é louco

mas não rasga dinheiro

promete a mansão no paraíso

contanto, que você pague primeiro

que você primeiro pague dinheiro

dê sua doação, e entre no céu

levado pelo bom ladrão

 

Ele pensa que faz do amor sua profissão de fé

só que faz da fé profissão

aliás em matéria de vender paz, amor e axé

ele não está sozinho não

 

Eu até compreendo os salvadores profissionais

sua feira de ilusões

só que o bom barraqueiro que quer vender seu peixe em paz

deixa o outro vender limões

 

Um vende limões, o outro

vende o peixe que quer

o nome de Deus pode ser Oxalá

Jeová, Tupã, Jesus, Maomé

Maomé, Jesus, Tupã, Jeová

Oxalá e tantos mais

sons diferentes, sim, para sonhos iguais



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h49
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O imperialismo brasileiro perante Paraguai e Bolívia

A nova Guerra do Paraguai

A geopolítica recente da América do Sul registra muitos confrontos entre paises até o final da década de 1970.

A queda da maioria das ditaduras militares-populistas criou uma paz provisória nas décadas de 80 e 90.

O presidente venezuelano Hugo Chávez foi o fator desencadeador de tensões e hostilidades nos últimos anos.

Curiosamente, o Brasil, governado por políticos originários da esquerda, está sendo tratado como espoliador e imperialista, principalmente pela Bolívia e Paraguai.

A Bolívia utilizou até o exército para fazer chantagem e invadir propriedades da Petrobras e da EBX, empresa privada capitaneada pelo empresário Eike Batista.

O Paraguai botou as manguinhas de fora na campanha eleitoral de 2007, quando todos os candidatos importantes prometeram obrigar o governo brasileiro a pagar bem mais caro pela energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu.

O presidente eleito, o ex-bispo católico Fernando Lugo, já iniciou as negociações por via diplomática, já que não pode seguir o exemplo do aimara Evo Morales e invadir Itaipu, cujas instalações principais estão situadas em território brasileiro.

Aparentemente, o presidente não pretende assumir uma posição radical, ao contrário do governador eleito do departamento (Estado) de San Pedro, José Ledesma, que prometeu ser “implacável” com os agricultores brasileiros na sua região.

Um dia antes ele participou de uma marcha na qual camponeses queimaram a bandeira do Brasil.

Segundo matéria de 17/05/08 de O Estado de São Paulo, “cerca de 100 mil brasileiros se dedicam à agropecuária no Paraguai”.

Outro dado importante, que fecha a mesma matéria: “Os brasiguaios [brasileiros que trabalham e residem no Paraguai] são responsáveis pela produção de 98% da soja exportada pelo Paraguai - atividade que representa 30% do PIB do país.”

Ledesma declarou que “é injusto que um brasileiro tenha 50 mil hectares de terra e muitos paraguaios não tenham um pedaço de terra”.

É óbvio que é injusto, mas esta não é a questão mais importante.

A pergunta-chave é: o produtor paraguaio tem como substituir estes brasileiros e manter a mesma produtividade, gerando igual número de empregos e equivalente valor de arrecadação de impostos?

E o Tesouro Público tem caixa para indenizar os brasileiros que geraram impostos e empregos com autorização, e até incentivo, dos governantes paraguaios anteriores?

É a mesma situação da Bolívia: há um clima de revolta popular contra os estrangeiros brasileiros da Petrobrás, mas a tecnologia local jamais demonstrou capacidade técnica de extrair, transportar e comercializar o gás natural.

Os populares dos dois países sonham com a expulsão do estrangeiro explorador e com a capacitação tecnológica dos conterrâneos, mas os decênios se sucedem e os empreendedores bolivianos e paraguaios só conseguem resultados pífios.

Defendo a opção pelo lado prático, pela situação mais realista, pelos resultados mais concretos: a nação deve escolher o caminho que produza mais renda para seus cidadãos.

Ainda que seja o de facilitar o acesso ao estrangeiro possuidor de capital e tecnologia.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h15
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Superpopulação nos metrôs

Metrô de São Paulo vai contratar Empurrador de Passageiro

O jornal Agora São Paulo é um periódico diário pertencente ao grupo Folha de São Paulo, sucessor do antigo Notícias Populares, mas menos exagerado.

Gosta de notícias pequenas, curiosas e pouco analíticas.

A edição de 16/05/08 (o site na internet só publica a edição do dia) saiu com uma matéria interessante: o Metrô de São Paulo vai contratar funcionários com a função de empurrar passageiros e seus pertences para dentro do trem, para diminuir o tempo de espera em cada estação.

Entrevistados, representantes do Metrô alegaram que isto é comum em outros países e que os funcionários “empurradores” vão trabalhar com luvas.

Por coincidência, três dias depois eu recebi um vídeo que mostra um flagrante do “empurramento de passageiros” em um trem da China.

Os passageiros eram empurrados, esprimidos, empacotados, sufocados.

Encontrei um link de acesso para o tal vídeo: http://www.fugly.com/videos/11268/trains-in-china.html



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h55
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O travesti que deixou o Fenômeno de fora

Uma pena talentosa a serviço da ironia meio-fina

O coitado do Ronaldinho Fenômeno caiu mesmo na boca da mídia.

E do povão: é o alvo número 1 das piadas e gozações.

O talentoso jornalista de O Globo Ancelmo Góis aproveitou para criticar o comportamento de um abusadinho usando uma criativa alusão ao campeão do futebol, e agora campeão de escândalo.

Eis a notinha que ele publicou em sua coluna de 19/05/08: O pessoal de um prédio comercial na Rua Evandro Lins e Silva, na Barra, no Rio, peleja para se concentrar no trabalho. É que, no edifício em frente, na altura do nº 840, um morador sempre recebe a visita de uma travesti que, acredite, anda pela varanda... pelada, com seu, digamos, fenômeno de fora!

Aproveitando o ensejo, me ocorreu que existe uma contradição na história do nosso (meu, não!) amigo Ronaldinho, que não recebeu maiores investigações da mídia: ele disse que dispensou os travecos assim que entraram no Motel Papillon.

Já o/a André/Andréia, um dos bissexuados de vida fácil, garantiu que o grupo passou cinco horas junto com o campeão, numa demorada orgia de sexo e drogas.

Não faltou um empenho da mídia em checar o horário de entrada e saída do grupo no motel, apesar da óbvia falta de interesse publicitário dos proprietários do ninho de amor?

Outra coisa: é no mínimo estranho o fato de os dois travecos mais aparecidos (Andréia e Carla) procurarem espontaneamente a delegacia de polícia, uma semana depois, para garantir a inocência de Ronaldo e assumirem a responsabilidade pelo crime de extorsão e falsa declaração.

Quem já ouviu falar de travesti-prostituto/prostituta entrando espontaneamente em uma delegacia?

Acho que, depois do escândalo, eles finalmente conseguiram os 50 mil reais que haviam exigido, sem sucesso, do campeão naquela noite fenomenal.

Provavelmente, com ágio.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h47
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Tráfego de automóveis no Brasil caminha para o inferno

Maio é o mês do alarmismo sobre o caos no trânsito

Parece que a mídia decidiu transformar o maio de 2008 no mês do alarmismo sobre o caos no trânsito das grandes cidades brasileiras, principalmente São Paulo.

A TV Globo fez uma série de reportagens sobre o tráfego e suas conseqüências: stress, perda de tempo, prejuízos econômicos.

Os jornais encamparam a agenda e também fizeram várias reportagens.

Até os mineiros estão ajudando a alarmar os paulistas. Assim escreveu o jornal O Estado de São Paulo, de 19/05/2008, dentro de matéria intitulada “Em cinco anos, lentidão em SP será contínua”: Pesquisa realizada na cidade de São Paulo pela Fundação Dom Cabral, de Minas, entre 2004 e 2007, mostra que o período de lentidão da manhã e do horário do almoço tem se prolongado, em média, 15% ao ano e, em 2013, os picos deverão estar bem próximos, em um congestionamento praticamente contínuo.

As assim chamadas “causas gerais” são mais do que conhecidas: aumento contínuo da frota automobilística, excesso de carros velhos ou defeituosos, falta de respeito às leis do tráfego, distribuição desordenada da população urbana, e mais uma ou outra.

Todos são aspectos importantes, mas deixo uma análise global para especialistas, o que não me impede de matutar sobre algumas situações, como o aumento desproporcional da produção automobilística.

Quando o Plano Real reestabilizou a economia brasileira, houve uma revoada (melhor dizendo, seria uma grande pousada!) de fabricantes de veículos automotores, mudando radicalmente o quadro existente.

Quando eu era menino, carro brasileiro ou era Volkswagen, ou era Chevrolet, ou era Ford.

A Fiat apareceu nos anos 70, precedida por negociações demoradas, disputas de governos estaduais e muito acompanhamento jornalístico.

Nos anos 90 chegaram tantas que só quem é do ramo sabe de cor o nome de todas as fábricas existentes na Terra de Cabral.

Não achei uma lista completa na internet, mas pelo site da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) seriam: DaimlerChrysler, Fiat, Ford, General Motors (Chevrolet), Honda, Karmann-Ghia, Peugeot Citroen, Renault, Toyota e Volkswagen.

Em matéria publicada na revista “Problemas Brasileiros”, edição 356, de 2003, o repórter Alberto Mawakdiye escreve que “o país conta, hoje, com nada menos do que 25 empresas e 51 fábricas, com capacidade de produção instalada de 3,2 milhões de veículos por ano”. Os números incluem todas as montadoras de veículos automotivos.

Nos países capitalistas de fato, o aumento da produção implica na conseqüente redução do preço de venda. É a lei da oferta e da procura.

Nesta terra estranha, o preço geralmente não cai e o consumidor é atraído por facilidades de pagamento, que redundam até em aumento do preço real, pela via dos juros diretos ou embutidos.

A superprodução transborda e o caos se instalada, e depois se expande...



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h48
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Geninho, Rebeca Gusmão e Felipe Massa

Três comentários esportivos, sobre atletas de massa

 

GENINHO (técnico de futebol) – massa gordurosa

O Clube Atlético Mineiro foi o vice-campeão de futebol em Minas Gerais, só perdeu para o Cruzeiro, time mais rico e de melhor plantel.

Logo depois foi desclassificado da Copa Brasil, mas de forma honrosa: já em fase adiantada do torneio, empatou com o Botafogo e perdeu o jogo seguinte.

Se fosse uma empresa, o gerente continuaria prestigiado, pois os resultados eram previsíveis, ainda que tenha ocorrido a temida derrota.

Mas, como é futebol, a diretoria foi vaiada, os jogadores foram execrados e o técnico demitido.

A demissão de um técnico de futebol é sempre um evento que foge à lógica profissional, que não guarda relação com as relações normais entre patrão e empresa.

O técnico programa a sua vida para trabalhar pouco tempo em cada clube; para ganhar muito dinheiro durante um período e ficar outra parte do ano sem trabalhar; para mudar constantemente de cidade, de estado, e até de país.

O que para outros profissionais é um sério problema, que acarreta mudanças radicais no dia-a-dia, para o técnico é tão rotineiro que raras vezes se vê exposições públicas de revolta contra os dirigentes que o demitiram.

Pelo contrário, geralmente saem até agradecendo a oportunidade e elogiando torcedores, dirigentes, jogadores.

Uma atipicidade, uma situação ilógica.

Geninho – Eugênio Machado Souto – é hoje um peso-pesado de fato (deve ter passado há muito dos 100 quilos) mas já foi jogador de futebol: goleiro.

 

 REBECA GUSMÃO – massa muscular

A nadadora Rebeca Gusmão, dona de volumosa massa muscular, começou a semana emergindo com uma absolvição de doping para, dias depois, afogar em uma suspensão de dois anos.

O público fica confuso: punições diferentes para um mesmo caso só são bem entendidas pelos especialistas, por quem é do ramo.

Mas tudo que tem relação com o Judiciário, mesmo na instância esportiva, funciona assim mesmo: cada processo é um caso à parte, que tramita de forma independente.

Foi o que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor: a absolvição em um processo levou seus defensores e brandirem a sentença como prova da inocência geral, o que não era verdade.

Tenho simpatia pela pessoa Rebeca Gusmão, mas não tenho dúvida que ela é culpada, que ela tomou anabolizantes durante anos.

A mulher não alcança aquela massa muscular que ela possui só com ginástica e vitamina natural.

Tenha simpatia pela garra, pelo esforço supremo de lutar por um objetivo, ainda que sacrificando uma característica tão cara para a mulher, que é a beleza física, o corpo de sereia.

Na década de 70 fui editor de esportes especializados do desaparecido Jornal de Minas e acompanhei muitas competições de natação.

Naquela época, só as adolescentes eram campeãs: as mais velhas abandonavam a natação de competição em torno dos 18 anos, a maioria por medo de ficarem muito musculosas, masculinizadas.

Rebeca mudou o corpo e superou a questão estética, mas está sendo derrotada pela conseqüência disciplinar.

 

FELIPE MASSA – massa no nome

Os atletas da Fórmula 1 são como os jóqueis: precisam de pouca massa, pouco volume e pouco peso para não sacrificar os motores e as pernas dos cavalos.

A única massa que Felipe tem está no nome.

Profissionalmente atravessa um bom momento, após a vitória no Grande Prêmio da Turquia, aliás, pelo terceiro ano consecutivo.

Todos os analistas escreveram que foi bom para ele o terceiro lugar do líder Raikkonen, o que reduziu em quatro pontos a diferença que os separa no campeonato.

Mas um importante dirigente da Ferrari foi à imprensa e demonstrou insatisfação: alegou que se ele tivesse dificultado a ultrapassagem de Lewis Hamilton, Raikkonen teria chance de chegar em segundo lugar, o que seria melhor para a equipe, embora pior para Massa.

A Fórmula 1 é um big negócio: os pilotos que não seguem os grandes interesses comerciais em jogo não conseguem os melhores contratos.

Têm que ajudar o escolhido da equipe mesmo com o sacrifício pessoal, não podem falar de defeitos do carro, dos pneus, do combustível.

Têm que assumir erros que não cometeram, ou apenas ouvir as críticas internas e externas, sem se defender.

O próprio Felipe Massa já perdeu um lugar na equipe Sauber quando recusou a ordem do chefe da equipe para deixar um companheiro ultrapassar.

O espírito latino também atrapalhou Rubinho Barrichello na Ferrari, que em várias entrevistas falou mais do que o esperado e ficou mal-visto na mais famosa equipe da categoria, apesar das nove vitórias.

Se Felipe Massa não aceitar as regras do negócio e baixar a cabeça, ainda vai ser tosquiado.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h25
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Patrões, empregados e a vida em risco nos confrontos

Para fugir do processo administrativo, o funcionário mata o chefe

Achei chocante o caso do assassinato do secretário-adjunto do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demaes) de Ponte Nova, Domingos Sávio Martins, e da esposa, Zilma Silva de Souza Martins, cujos corpos foram encontrados em 06/05/2008 na Lagoa Passa Cinco.

Os assassinos foram quatro funcionários do órgão, que estavam sob inquérito administrativo no Demaes, onde Domingos era o segundo mais importante no comando.

O delegado Milton da Cunha Castro Júnior prendeu os acusados Washington Félix dos Santos, Fabiano Pires Gonçalves, Bruno Garcia (o “Pica-pau”) e um quarto que não teve o nome revelado.

Choca-me como a vida vale pouco, como é tênue a linha entre crime e emprego, como pessoas que trabalham regularmente são capazes de cometer um crime terrível apenas para manter uma determinada situação profissional.

Um ou dois anos atrás, na região sul do país, uma moça que era a primeira suplente em um concurso público pagou a um pistoleiro para matar qualquer aprovado em posição melhor, para que ela pudesse ficar com a vaga.

O pistoleiro matou uma inocente e a mandante herdou a vaga até a elucidação do caso.

Em nosso país, a punição e a exoneração de empregados são atos de risco.

Percebi-o de forma clara quando fui diretor do Jockey Club de Minas Gerais, saudosa época em que as corridas de cavalos proporcionavam lazer e trabalho em Belo Horizonte.

O bom funcionamento do esporte exigia mão-de-ferro da diretoria no controle de empregados do clube e profissionais de turfe (treinadores, jóqueis, cavalariços).

Mas a origem social modesta de quase todos eles e a baixa escolarização geravam reações perigosas, quando acuados.

Foi a minha escola.

Não chegou a acontecer nenhum caso parecido com os citados, mas percebi claramente a reação de desespero e de ódio nos casos mais dramáticos.

Mesmo em situações de rotina, as advertências, punições e multas produziam reação desproporcional, muitos decibéis acima da relevância do fato causador.

Por tudo isso, percebo que, muitas vezes, a tolerância com os maus funcionários é muito maior em atividades sem fins lucrativos, como o serviço público, associações, ONGs, etc.

Entidades que, na cultura brasileira, não têm dono!

Que não merecem (ainda segundo o sentimento popular) o risco de vida gerado pelas medidas administrativas mais duras contra os empregados e funcionários.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h38
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Cuba e as reformas políticas

Cuba, mudanças discretas ou concretas?

Os analistas de política internacional seguem se pelando para entender o alcance das reformas implementadas em Cuba pelo novo presidente Raúl Castro.

Uma coisa é clara: mudou a filosofia publicitária.

Na Era Fidel, a política publicitária era gritar aos quatro microfones que “não arredamos um centímetro de nossa linha de atuação”.

Juras de amor à tradição comunista-socialista.

As mudanças sócio-econômicas eram sempre disfarçadas com denominações amenas, metafóricas, eufemísticas: Período Especial; incentivo à iniciativa individual; ajustes salariais a conjunturas internacionais temporárias.

Inverteu-se a técnica: o sucessor e irmão mais novo Raúl Castro já fez vários anúncios de reformas de pouca envergadura.

Enumere-mo-las (aproveitemos as mesóclises enquanto há quem delas se lembre):

à Baixou medidas descentralizando os processos decisórios na agricultura e dando maior autonomia aos produtores privados.

à Desde fevereiro foi liberada a compra, pela população cubana, de produtos cujo consumo era antes proibido, como celulares e DVDs.

à Raúl anunciou que todas as penas de morte do país foram comutadas para sentenças a partir de 30 anos de prisão, com a exceção de três detidos acusados de terrorismo. Ressaltou, porém, que isso não significa a abolição da pena capital.

à Qualquer cidadão cubano já pode se hospedar em qualquer hotel do país. Parece estranho, mas antes os hotéis melhores eram reservados a estrangeiros ou a cubanos que recebiam a hospedagem como prêmio por eficiência no trabalho.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h01
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O potencial de Dilma Rousseff como presidenciável

Dilma Rousseff, a mãe do PAC

No último domingo foi comemorado o dia das mães.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, casou recentemente a filha única e é apresentada publicamente pelo chefe Lula como a “Mãe do PAC”.

Como é nítida a intenção dele em torná-la uma presidenciável, a oposição está aproveitando a história do Dossiê FHC para tentar ligá-la a um ato ético e ilegal, para sabotar seu nome junto ao eleitorado.

Faz parte do jogo político.

O mais curioso a respeito dela: já li em comentários de respeitáveis analistas que a ministra é uma pessoa autoritária, dura e de trato difícil.

Nos últimos dias, a mídia descobriu que um assessor dela, José Aparecido Nunes Pires, secretário de Controle Interno da Casa Civil, enviou uma cópia do dossiê contra o ex-presidente FHC ao senador tucano Álvaro Dias.

Confirmou o que se falava há semanas: saiu da Casa Civil, território da Dilma, o tal dossiê que ela sempre jurou desconhecer.

Mas o que levou o secretário José Aparecido, um conhecido militante petista (um quadro, como se diz na tradição da política de esquerda) a enviar o material para os adversários políticos?

Uma das hipóteses é vingança: teria sido destratado ou humilhado pela prepotente chefa.

Outra hipótese é a disputa política paroquial: ele foi nomeado pelo antecessor de Dilma, José Dirceu, e tentou queimar a chefa para dar um pouco de ar ao naufragado ex-chefe.

Uma terceira hipótese é o açodamento: mandou uma cópia para a oposição como quem diz “temos munição contra vocês, fiquem quietos”.

Sei que política jamais seguiu regras fixas, mas o gênio de Dilma Rousseff não é adequado para a sonhada presidência, cargo que exige capacidade de engolir sapos.

Collor também é autoritário, conseguiu eleger-se, e deu no que deu...

Particularmente, não acredito que uma pessoa com certos atributos (como hostilidade, autoritarismo, petulância e prepotência) exerça com sucesso um cargo que, além da qualificação técnica, exija sentimentos humanitários.

Especialmente a presidência da república de um país de Terceiro Mundo, com um elevado número de pessoas carentes em dinheiro, emprego, saúde, educação e outros bens essenciais.



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Escrito por Márcio às 19h27
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A sobreatuação do Ministério Público

Quando o Promotor de Justiça resolve aparecer na mídia mais do que o criminoso...

O Caso Isabella Nardoni é mais uma afirmação da participação dos promotores de Justiça do Ministério Público como atores basilares na resolução de crimes – ou supostos crimes – de forte impacto junto à opinião pública.

Até a promulgação da Constituição Federal de 1988 os delegados de polícia eram, praticamente, os únicos atores que representavam o Poder Público durante a fase de investigação.

Mas os brasileiros já sabiam, principalmente por influência dos filmes e seriados hollywoodianos, que nos Estados Unidos os promotores sempre tiveram um destaque maior.

Sabiam, ainda, pela mesma fonte, que o Prosecutor, o equivalente ao nosso promotor de Justiça, é escolhido por voto popular e muitos aproveitaram o sucesso na carreira para chegar à política tradicional, como foi o recente caso do governador de Nova York que renunciou recentemente por envolvimento com redes de prostituição.

Vemos, nos filmes, que eles são praticamente chefes dos policiais, acompanhando e coordenando as investigações.

Tudo isto certamente influenciou os constituintes, que aumentaram sobremaneira o poder do Ministério Público.

Para o bem, e para o mal: ansiosos pela luz dos holofotes e pela fama rápida, muitos exageram nas aparições e distorcem casos.

O grande exemplo deste lado negativo é o procurador da república Luiz Francisco de Souza, o corcundinha que fez muitas acusações aos políticos do PSDB.

(Juro que escrevi a palavra corcundinha para facilitar a identificação. Por favor, não acionem a legislação protecionista aos deficientes físicos.)

Depois ficou comprovado que ele agia para beneficiar o Partido dos Trabalhadores, seu grande amor.

Como o delegado Edélcio Lemos, responsável pelos criminosos equívocos do Caso Escola Base, Luiz Francisco foi relegado a serviços burocráticos e não é escalado para trabalhos importantes.

Mas o Estado Grande-Mãe não deixou minguarem seus altos salários.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h23
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Morre Artur da Távola

Morre um grande jornalista e político ético

Sinto um vazio sempre que morre uma pessoa pública que esteja associada, exclusivamente, a aspectos sociais positivos.

Foi o caso do jornalista e ex-senador Paulo Alberto Monteiro de Barros, que usava o pseudônimo de Artur da Távola.

Morreu há pouco, no Rio de Janeiro, aos 72 anos, vítima de problemas cardíacos.

Nosso mundo, e especificamente a nossa sociedade brasileira, possui tanta gente ruim que o desaparecimento de alguém como ele sempre representa uma perda sensível e preocupante.

Foi jornalista atuante e também escritor (vários livros).

Começou a vida pública em 1960, mas foi cassado pela Revolução de 1964 e refugiou-se na Bolívia e Chile por quatro anos.

Na década de 1980 elegeu-se deputado federal pelo PSDB e liderou a bancada tucana na Assembléia Constituinte, em 1988.

Foi senador de 1995 a 2003 e liderou o mesmo PSDB durante parte do governo Fernando Henrique Cardoso.

No dia quatro de janeiro ele deixou esta última mensagem em seu blog:

"Embora enfermo desde agosto de 2007, com risco de vida, nas breves oportunidades em que não esteve internado, o titular deste blog nele não mais pôde escrever. Ele ficou aberto sujeito à interferência de internautas que se comprazem em entrar em domínios alheios.

Embora não mais internado em hospital, prossigo em tratamento doméstico e assim será por algum tempo. Nessas circunstâncias, peço desculpas a quem o procure. Ele está momentaneamente congelado por seu titular. Espero voltar na plenitude de minhas possibilidades dentro de dois ou três meses. E conto com sua compreensão."



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h05
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A polícia e a mídia

Doutora Fantasma, a delegada do Caso Isabella Nardoni

A platéia midiática (leitores, ouvintes e telespectadores) se acostumou, por décadas e décadas, a ter o delegado de polícia como ator fundamental no noticiário policial.

Este Caso Isabella Nardoni foge ao padrão: o lugar do delegado é ocupado pelo promotor Francisco Cembranelli.

A mídia informa que a participação policial é de responsabilidade da delegada Renata Pontes, de quem ainda não vi o rosto, nem ouvi a voz.

Sua atitude não seria uma conseqüência do Caso Escola Base, o mais famoso erro policial dos anos 1990?

Justifico a suspeita: apesar de ter passado à história como erro jornalístico, a causa de tudo foi a atitude do delegado Edélcio Lemos.

Era ele quem fornecia para a mídia as informações e detalhes sobre o encontro de provas e indícios, que mais tarde se revelaram inexistentes, ou alterados, ou incorretamente interpretados.

Ele não foi demitido, mas sua carreira ficou definitivamente comprometida.

A culpa da mídia foi ter repassado as informações dos primeiros dias como se fossem verdadeiras, culpa agravada pela posição condenadora de alguns jornalistas.

Se foi uma lição para os jornalistas, também o foi para os delegados.

Uma lição que pode explicar o distanciamento da mídia que está ocorrendo com a  delegada Renata.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 23h20
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Um outdoor criativo, na campanha contra o álcool nas estradas



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h09
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Sátira

A versão satírica do Hino do Clube Atlético Mineiro

Este post só vale para quem conhece o Hino do Clube Atlético Mineiro, provavelmente só os meus leitores de Belo Horizonte.

Está circulando na Internet uma criativa versão satírica do hino, com a mesma melodia e uma música que satiriza os eternos problemas financeiros do clube, mercê de óbvios erros administrativos.

Pode parecer que sou cruzeirense, mas na verdade sou um atleticano de baixos índices de paixão.

Acho o futebol bonito como espetáculo, mas que não merece tamanho envolvimento emocional dos brasileiros por causa dos péssimos exemplos que transmite, da administração à prática esportiva.

Como a criatividade humana me apaixona muito mais, publico o tal hino:

Nós somos do Clube que deve dinheiro,

chegamos na série A com muita dor,

Suamos pra conseguir essas vitórias;

Clube que deve dinheiro,

Galo pobre sonhador.

Vencer, vencer, vencer,

Este foi o nosso ideal.

Queimamos o filme de Minas,

Fracassando no esporte nacional!

Cair, subir, cair,

A série B foi tudo que deu pra vencer!!

Clube que deve dinheiro,

Vai caindo até morrer.

 

6 anos sem nenhum mineiro,

Que pro Cruzeiro é o rural.

Nós somos campeões da série B,

Comemoramos como se fosse um mundial.

Cair, subir, cair,

2008 vamos voltar pra série B!!!

Clube que deve dinheiro,

2009 é a série C!!!

 

Clube que deve dinheiro,

Só consegue a série B!!!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h35
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As mulheres do Ronaldo Fenômeno

As gatas do Ronaldo Fenômeno

Logo após o escândalo do jogador Ronaldo com os três travestis na Barra da Tijuca, o jornal Extra levantou a possibilidade de ele perder o contrato milionário de publicidade com a Nike.

Mas a operadora de telefonia TIM foi mais rápida e rompeu o contrato de 5 milhões anuais, segundo o jornalista Ancelmo Góes, de O Globo.

Para estimular a inveja de meus leitores, presenteio a todos com as mais importantes mulheres da vida do nosso Fenômeno, modelo de macho:

Susana Werner:

 

Daniela Cicarelli:

 

Raica:

 

Andréia (a travecaço que arrumou a confa):

 

Carla (a outra trava):

 

Roam as unhas!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h50
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Descortesia urbana II

Os motoristas de ônibus descarregam as frustrações nos passageiros

Não é preciso ser sociólogo, psicólogo ou especialista em qualquer outra “–logia” da área de ciências humanas para perceber que a atitude hostil do motorista de ônibus com o passageiro é uma manifestação de revolta.

Revolta com o próprio fracasso, com a vida difícil, as frustrações, o baixo salário.

Revolta extravasada nas freadas bruscas, acelerações repentinas, arrancadas precipitadas; também extravasada no tratamento hostil.

Devemos entender a situação, compreender a relação de causa e efeito, mas nem por isso aceitá-la.

Por razões culturais o brasileiro tende à tolerância: teme perder o caminho do céu se tomar alguma atitude contra o “pobre coitado, que já ganha tão pouco, que deve ter tantos problemas na vida...”.

Quantas vezes ouvi alguém dizer que não reclama de mau atendimento (não só no transporte coletivo) pois teme que o patrão demita o atendente.

Não concordo com esta atitude omissa nem com as ilações sociológicas: pertencer a uma classe social desfavorecida não justifica uma atitude anti-humana (criminosa, hostil ou apenas desrespeitosa).

A reação dura e firme é o caminho: reclamar aos órgãos fiscalizadores, inclusive imprensa, ou mesmo tomar medidas judiciais.

No mínimo, haverá intimidação, percepção de que os atos incorretos estão sujeitos a conseqüências reais.

Abaixo a frouxidão e a omissão!



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h23
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Descortesia urbana

O desrespeito dos motoristas de ônibus

Apesar da onipresença na mídia de temas ligados à solidariedade aos deficientes e assemelhados, só vejo aumentar o desrespeito dos motoristas de ônibus aos seus passageiros.

Virou mera rotina a notícia de queda de idosos dentro dos coletivos belo-horizontinos.

Como o excesso de idade provoca falta de resistência, as conseqüências são lesões, contusões, fraturas.

Já ouvi falar de vários casos da temida fratura de fêmur por quedas dentro de ônibus.

Por um lado, o aumento do número de representantes da terceira idade na população em geral se associa à concessão da tarifa gratuita, elevando a presença desta faixa no transporte coletivo.

Por outro lado, apesar da campanha sobre a gentileza urbana presente no Jornal do Ônibus (um cartaz sempre pregado nos nossos coletivos), o motorista geralmente parece tratar o passageiro como inimigo.

Principalmente o idoso, como se este não fosse o futuro dele, motorista (muitos já com a cabeleira esbranquiçada...).

Fecho com uma pergunta que seria mais adequada a um velhinho saudosista: aonde vamos parar?



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h03
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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