Márcio de Ávila Rodrigues


Preguiça e moleza

Desabafo anti-inércia

Recentemente li uma reportagem sobre um motorista de um Tribunal de Justiça (Rio?) que estudou Direito e agora é juiz.

Quando era motorista, ele só tinha o segundo grau de escolaridade.

Mas também tinha muito tempo livre, pois contou que já ficou quatro horas parado, no carro, esperando juizes para transportar.

Então resolveu fazer o curso de Direito e usava o tempo livre para estudar.

Depois de formado, passou num concurso para oficial de justiça, mas já estava decidido a se tornar juiz.

O tempo livre foi bem aproveitado e ele passou no concurso para a atual e respeitável profissão.

Um desembargador que já havia usado seus serviços de motorista disse que se tratava de um belo exemplo, mas um caso raro, excepcional.

Relaciono a história com os incontáveis casos de pessoas que, a bordo de redes, camas, sofás e mesas de bar vão deixando a vida passar.

Que não conseguem entender que ela é única, que cada uma de suas etapas não permite retorno.

Que só o bicho humano possui o dom da racionalidade, e que por isso é a única espécie que modifica o planeta, para o bem e para o mal.

A inércia na sociedade me choca, me constrange e decepciona. Um perda pessoal e uma perda social.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h29
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Mídia impressa

Ginástica sexual, um tema quente, produz matéria fria no jornal O Globo

Ao redigir o post anterior, sob o título "Jornal Estado de Minas dá destaque a uma pesquisa irrelevante", me lembrei de um velho caso de divulgação de uma matéria fraca num grande jornal, no caso O Globo.

No final da década de 80 eu trabalhava na extinta sucursal mineira do jornal carioca O Globo quando uma jornalista sugeriu para a pauta uma reportagem sobre ginástica sexual, que era ministrada por duas amigas dela.

Ambas foram à redação e explicaram que tinham, no bairro da Serra, uma academia especializada.

Segundo elas, a técnica era exercitar o músculo pubococcígeo, que fica próximo à vagina, para promover uma relação sexual mais intensa e prazerosa.

Alegaram que aprenderam a técnica num curso em São Paulo.

A matéria foi feita e enviada para a matriz, no Rio de Janeiro.

Achei que seria engavetada, mas acabou parando na edição de uma segunda-feira, poucas semanas depois.

Quem não trabalha com jornalismo talvez não saiba, mas a edição da segunda-feira é muito difícil de ser feita.

O motivo é que ela tem que ser produzida e fechada na véspera, o domingo, um dia bem diferente do resto da semana.

Quando falta assunto, os buracos têm que ser preenchidos com as chamadas matérias frias, aquelas que podem ser publicadas a qualquer dia; não têm urgência, são atemporais.

Interessadas no lado comercial da divulgação, as duas continuaram freqüentando a redação e eu descobri que o tal curso que elas tinham feito não era pedagógico, mas apenas prático.

(Um flash de memória: eu apelidei uma delas de Ave-do-Paraíso, por causa das roupas coloridas e espalhafatosas.)

Em resumo: elas aprenderam a técnica na condição de clientes, não de professoras.

Descobri também que o vínculo delas com a atividade da Educação Física era exclusivamente comercial: a propriedade de uma academia.

Não tinham qualquer formação técnica no assunto.

A informação me levou a estabelecer um gancho com o elevado número de academias de ginástica que são administradas por leigos, com risco para a saúde.

De um modo geral, estas academias escondem a informação do cliente.

Anos (15 ou 20) atrás fui a uma academia no bairro de Santa Tereza e perguntei à recepcionista sobre os tais técnicos responsáveis.

A resposta foi mais ou menos esta: "Tem um professor de educação física que dá uma passada aqui quase todos os dias".

Este absurdo bem brasileiro já foi tema de reportagens da mídia, mas ultimamente anda esquecido.

Provavelmente voltará à baila quando alguém se machucar seriamente, dentro de uma academia, sob a orientação de algum prático inescrupuloso.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 12h27
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Mídia impressa

Jornal Estado de Minas dá destaque a uma pesquisa irrelevante

A edição dominical é a mais ambígua que um jornal impresso consegue fazer durante a semana.

Por um lado, é o dia de maior vendagem, fator que exige mais informações úteis ou interessantes para os leitores.

Por outro lado, sua produção é feita no sábado, o segundo dia (só perde para o próprio domingo) de menos atividade profissional em nossa civilização ocidental.

Para preencher a gorda edição dominical, os editores fazem malabarismos para obter notícias interessantes.

Principalmente na virada de ano, quando muitas atividades profissionais quase param.

Mas na sua edição dominical de 23/12/2007, o Estado de Minas, jornal líder nestas plagas, exagerou.

Na última página de seu caderno principal, a assim chamada contracapa, que é importante e de muita visibilidade, saiu uma única matéria com o seguinte título "Avós maternos mais próximos de seus netos".

Uma pequena chamada, ao alto, já dá uma idéia da irrelevância da matéria: "Estudo desenvolvido na Grã-Bretanha e na Bélgica constata que contatos semanais com familiares paternos são até 10% menores do que com parentes pelo lado da mãe".

Até 10 por cento...

Embora os pesquisadores pertençam às universidades de Antuérpia (Bélgica) e Newcastle (Grã-Bretanha), todas as 800 pesquisadas eram avós holandesas.

A maior proximidade das crianças com as mães, e em conseqüência com as mães das mães, é um fato óbvio, antigo e que dispensa divulgação com destaque num jornal de grande tiragem.

Por parte do jornal, surpreende o uso de uma página nobre, num dia também nobre para o faturamento, com material tão irrelevante.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h58
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Rio São Francisco

Uma posição vacilante contra a transposição das águas do Rio São Francisco

Me sinto tentado a tomar uma posição sobre a questão da transposição do Rio São Francisco, mas não consigo.

Isto está se tornando um confronto de extremos: ou se é apaixonadamente contra, ou apaixonadamente a favor.

Como se trata de uma obra de engenharia com forte impacto ambiental, a opinião de técnicos deveria ser o nosso farol.

A mídia freqüentemente entrevista técnicos que garantem que este impacto será enorme e perigoso para toda a região.

O problema é que outros técnicos entrevistados garantem que o projeto só tem aspectos positivos, pois utiliza somente água que vai ser despejada no oceano.

E nós ficamos perdidos no meio do tiroteio.

Mas para não ficar de fora da questão vou adotar uma posição preliminar, com direito a inversões, ouvidas novas informações e opiniões.

Sou provisoriamente contra.

Primeiro motivo: na dúvida, pró-réu. Simplesmente.

Segundo motivo: descrença na capacidade de os órgãos públicos cumprirem à risca os projetos originados das pranchetas dos técnicos.

Terceiro motivo: alterar a natureza é sempre perigoso, sujeito a conseqüências inesperadas. A reversão pode não ser possível, ou pode ser apenas parcial, ou pode sair cara.

Agora posso levantar o peito e dizer que tenho uma posição sobre assunto tão trovejante.

Mas por que me sinto um pouco como o prego no angu?



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h47
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Rio São Francisco

Ancelmo Gois critica Letícia Sabatella: transposição do São Francisco não é uma coisa do bem contra o mal

Hoje o personagem central da polêmica sobre a transposição das águas do rio São Francisco é o bispo de Barra (Bahia), Luiz Flávio Cappio.

Já foi até parar no hospital durante a greve de fome que fez contra a obra.

Outra forte ativista da mesma linha é a atriz Letícia Sabatella (mineira, belo-horizontina).

Apesar de radical, não prejudicou a saúde durante os protestos.

No máximo, teve uma imperceptível desidratação ao chorar quando soube que o Supremo Tribunal Federal garantiu a continuação da obra, paralisada durante uma semana.

Gostei muito do comentário do jornalista Ancelmo Gois em sua coluna n’O Globo de 20/12/07, página 26, que reproduzo:

"Leticia Sabatella, boa gente, deveria refletir um pouco e ver que, a exemplo do bispo Cappio, também há gente honrada do outro lado convencida de que a transposição do Rio São Francisco ameniza as vidas secas de muitos nordestinos. O projeto é polêmico. Mas não é uma coisa do bem contra o mal."



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h45
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Teoria Política

Esquerda versus Direita – Quem sabe o que é exatamente cada uma?

 

Quando um(a) jovem estudante de ciências sociais tenta descobrir o que significam, exatamente, as palavras “esquerda” e “direita” sofre um choque: não existem definições universais.

Encontra versões, encontra teorias de um determinado cientista político, e também encontra teorias diferentes de outros cientistas políticos.

Aproveitando-se destas indefinições, os radicais políticos atribuem um valor pejorativo à tendência oposta e nela lançam todos os que não comungam com as suas também radicais idéias.

Para o direitista, quem não o é, não se assume como tal, é tachado de esquerdista, mesmo se for classificado pela maioria como centrista.

O esquerdista radical age igual: quem não comunga da mesma hóstia vira direitista ou seus supostos variantes, como conservador, elitista, ditatorial.

Recentemente postei neste espaço um texto de Mario Vargas Llosa, que não aceita ser chamado de direitista e explica o porquê.

Destaco que estamos num momento histórico de profundas transformações políticas e redefinições de conceitos.

A propósito, encontrei uma entrevista do deputado Fernando Gabeira, um ex-esquerdista radical, que chegou a tomar armas contra a Revolução de 1964, em que ele analisa a atualidade da esquerda.

Eis o trecho:

 

Jornal do Brasil - E como fica a idéia de esquerda?
Gabeira - Terá de ser renovada. De certa forma, caiu o Muro de Berlim no Brasil. Caiu o mito da classe operária como salvadora que era um dos componentes da mitologia do século passado. Junto dela caiu a idéia de que os fins justificavam os meios e o princípio do centralismo democrático. Entramos em uma nova fase, em que os trabalhadores não têm mais um papel privilegiado na correlação de forças que vai mudar o país. E as transformações talvez não sejam rocambolescas como era programada na esquerda. A esquerda terá de apresentar projetos claros, viáveis e realistas. De certa maneira, a idéia de esquerda e direita vai sempre existir, mas a esquerda não será mais um bem absoluto e a direita deixou de ser o mal absoluto.

 

A entrevista completa está no site do deputado, mas pode ser acessada diretamente clicando AQUI.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h03
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Contra-imigração

Propaganda de TV derrubou os brasileiros que queriam ser norte-americanos

 

A mídia informa que os aviões estão voltando carregados de brasileiros que fracassaram tentando o sucesso nos Estados Unidos.

Parte por culpa da queda do dólar, parte por culpa da crise do mercado imobiliário de lá.

Do grupo afetado pelo segundo caso (crise do mercado imobiliário), parte desistiu porque este era o seu mercado de trabalho, mas outra parte porque tinha investido em aplicações financeiras lastreadas nesta atividade.

O brasilianista Kenneth Maxwell contou, em texto publicado na Folha de São Paulo de 16/08/07, que os investidores foram ludibriados por uma publicidade na televisão.

Leiam o trecho:

A maneira mais desavergonhada de divulgar esse tipo de transação foi uma série de comerciais, veiculados em todas as estações locais de TV norte-americanas, nos quais as pessoas removiam o papel de parede de suas casas e, ao fazê-lo, viam que ele se havia transformado em notas de dólar. Muita gente caiu na trapaça.

Os investidores penhoravam as próprias casas para aplicar em títulos imobiliários!

Os títulos se desvalorizaram e muita gente perdeu a casa.

O link para o texto de Maxwell é: CLIQUE AQUI.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 18h45
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Descaso policial

A influência do fator Preguiça na investigação policial

 

O Jornal Nacional, da TV Globo, de 14/12/07, exibiu um caso policial bem interessante.

Um exemplo de relações íntimas entre mídia e segurança pública.

Um paulista não identificado teve o cartão de crédito clonado, mas conseguiu provar a inocência e se livrou das dívidas.

Depois chegou ao criminoso com facilidade: bastou perguntar aos comerciantes lesados qual foi o endereço de entrega das mercadorias compradas através do cartão clonado.

Levou a informação a duas delegacias, que nada fizeram.

Aí procurou a TV Globo, que pediu a outra delegacia que apurasse o caso.

Os policiais, acompanhados da equipe de reportagem, chegaram ao endereço – uma vila com vários barracões – e perguntaram a uma moradora qual dos vizinhos recebeu os produtos.

E o crime estava facilmente desvendado.

O caso mostrou que a preguiça da Polícia é uma das causas da falta de apuração dos crimes e, em conseqüência, da impunidade que assola esta Terra de Cabral.

O azar do Meliante é que a telemídia precisa diariamente de uma boa história com imagem para atrair o público.

Às vezes a opção é estimular o nascimento da história; no caso, convencendo a Polícia a desvendar um crime na companhia de uma equipe de reportagem.

O azar deste Meliante é uma gota se comparado à sorte de um número infinito de colegas, que se beneficiam do fator Preguiça.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h06
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Imparcialidade jornalística

O tratamento imparcial é necessário na mídia

Antes de alcançar a maioridade, no final dos 17 anos, eu já tinha uma coluna de turfe, assinada, no desaparecido Jornal de Minas.

Meses antes eu me desentendera com um funcionário do Jockey Club de Minas Gerais, José Adilson Vieira, de quem guardava mágoa após ter sido dispensado de um emprego no clube.

Externei a mágoa me referindo a ele como "elemento" na minha coluna, aproveitando um momento em que ele sonegou informações.

Os meus superiores no jornal ignoraram, mas o jornalista Ilídio Costa, editor de esportes especializados de um concorrente, o Diário de Minas, me orientou a não misturar o trabalho com a parte pessoal.

Me lembrei deste caso durante uma entrevista do repórter Clayton Conservani com o piloto Cacá Bueno, quando este chegou aos boxes após ser tirado da última corrida do campeonato brasileiro de Stock-Car.

Seu carro foi atingido pelo adversário Fábio Carreira.

Cacá Bueno – que, aliás, é bicampeão brasileiro da categoria – começou reclamando do adversário de forma educada, mas depois se excedeu e disse mais ou menos isto:

— O pior é que temos que conviver com tipos como este pondo em risco a saúde e a vida da gente.

É verdade que o Cacá não é jornalista, mas é filho de um (Galvão Bueno) e deveria – afinal, já tem 31 anos – cuidar melhor de sua imagem na televisão.

Pouco depois foi corrida uma prova da mesma categoria, que resultou na morte do piloto Rafael Sperafico, fato que dominou o noticiário jornalístico e a grosseria do Cacá foi ignorada.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 21h28
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Geografia

Superpopulação: BH despenca no ranking das capitais brasileiras     (mas isto é bom...)

Os mineiros estão acostumados a se referir a Belo Horizonte como a terceira maior cidade do país (em população).

Mas vão ter que desacostumar.

Nos anos 90, Salvador já tinha ultrapassado a capital mineira,

... que agora caiu para o sexto lugar, ultrapassada também por Brasília e Fortaleza.

Os dados procedem da fonte mais segura, o relatório final da Contagem da População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

Na contramão dos ufanistas, acho isto ótimo.

Tradicionalmente no Brasil, o crescimento populacional é maior nas classes D e E, gerando novos pobres que vão penar pela estrada de uma vida dura, com deficiência na educação, saúde, alimentação...

E gerando elevação nos índices de violência.

Eis o novo ranking dos municípios com mais de um milhão de habitantes:

São Paulo:

10,80 milhões

Rio de Janeiro:

6,10

Salvador:

2,80

Brasília:

2,45

Fortaleza:

2,43

Belo Horizonte:

2,41

Curitiba:

1,70

Manaus:

1,60

Recife:

1,50

Porto Alegre:

1,42

Belém:

1,40

Goiânia:

1,24

Guarulhos:

1,23

Campinas:

1,03

A população total do país já atinge 184 milhões de pessoas.

São Paulo continua sendo o estado mais populoso, agora com 39,8 milhões de habitantes, seguido por Minas Gerais (19,2) e Rio de Janeiro (15,4).

Na lista de cima, só aparecem duas cidades que não são capitais, ambas paulistas (Guarulhos e Campinas).

Até 20 ou 30 anos atrás, a capital paulista e as cidades da sua região metropolitana eram a Meca da migração interna, principalmente dos nordestinos vítimas da seca.

Embora continue disparada no ranking, apareceram outras Mecas dos migrantes, principalmente Brasília, Salvador e Fortaleza, as que mais cresceram desde então.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h28
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Ensino Superior

Como anda a situação da Universo, a universidade do Wellington “Cabelo” Salgado?

 

Segundo notícia já meio velha, publicada na Folha Online de 23/10/2007, a Faculdade Estácio de Sá – carioca, com filial em Belo Horizonte – foi condenada a indenizar um ex-aluno porque o curso de mestrado que ele fez não estava reconhecido pelo Ministério da Educação.

A Estácio de Sá é aquela mesma que em 2001 aprovou no seu vestibular o padeiro semi-analfabeto Severino da Silva, contratado pelo Fantástico, da TV Globo, para prestar a prova chutando apenas as alternativas A e B em todas as questões.

A propósito, cabe a pergunta: Como anda a situação da Universo, a Universidade Salgado de Oliveira, que também tem uma filial em Belo Horizonte, mas por várias vezes já circularam notícias sobre a sua situação irregular?

Em 2005 a filial da Bahia foi fechada pela Justiça (liminar expedida em 25/08/2005 pelo juiz Eduardo Carqueija, da 14ª Vara da Justiça Federal) por causa da falta de autorização para atuar naquele estado.

Na época foi noticiado que a filial mineira não poderia diplomar seus alunos, mas o tempo passou e o caso está sendo esquecido.

Mas o dono da instituição, ao contrário, conseguiu muito destaque na mídia em sua defesa inflamada a favor do perdão ao presidente do senado, Renan Calheiros.

Paralelamente, o senador Wellington Salgado de Oliveira segue usando seu prestígio junto ao governo federal para garantir a sobrevivência de sua querida Universo, superando e enfrentando percalços como este.

Segue, abaixo, o conteúdo da matéria da Folha Online, citada:

 

STJ condena Estácio de Sá por oferecer curso sem reconhecimento na Capes

da Folha Online

 

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) condenou a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá a pagar indenização a um ex-aluno de um curso de mestrado não-reconhecido pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

O químico Ary Caldas Pinheiro concluiu um mestrado em Ciência com ênfase em Gestão Ambiental na unidade da Estácio de Sá no Rio de Janeiro. De acordo com o STJ, ele foi aprovado com "mérito e louvor". Ao término do curso, descobriu que o título de mestre emitido pela entidade não havia sido reconhecido pelo Capes e não tinha validade nacional. Com isso, acionou a Justiça.

O processo tramita na Justiça desde novembro de 2004. O parecer favorável ao aluno feito pelos integrantes da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça foi unânime. Ela prevê indenização por danos morais no valor de 35% sobre o salário básico de Pinheiro, inclusive benefícios como o 13º salário e férias, até a data em que ele completar 70 anos de idade ou até que a Estácio de Sá consiga emitir o título de mestre.

De acordo com a assessoria de imprensa do STJ, em sua defesa, a Estácio de Sá alegou que, ao oferecer o curso de mestrado, procedeu de forma regular, pois é universidade e possui autonomia para criação de cursos de educação superior, inclusive o de mestrado. O reconhecimento dos cursos, ainda segundo a Estácio, ocorre posteriormente.

A direção da universidade foi procurada para comentar o assunto mas não foi localizada.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h21
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Desrespeito ao consumidor

Problemas de teleatendimento já existiam na velha Telemig

 

 

As reclamações contra as companhias telefônicas são as líderes absolutas de reclamações do público, tanto nas estatísticas dos Procons quanto nas páginas de defesa do consumidor, presentes na maioria dos jornais.

A queixa mais comum é a demorada enrolação do atendimento telefônico ao consumidor quando se tenta cancelar a conta.

Este stress me fez lembrar de um antigo caso que aconteceu comigo, uns quinze anos atrás, bem antes da privatização.

Ao receber a conta da Telemig, verifiquei que ela registrava bem mais que uma dúzia de chamadas interurbanas, todas de menos de um minuto, destinadas a apenas um ou dois números diferentes.

Reservei a hora do almoço, fui ao centro de Beagá e procurei o atendimento na sede da empresa, na esquina das ruas Tamoios e Rio de Janeiro. Peguei a senha, abri alguma leitura ante a perspectiva de longa espera, e esperei a minha vez.

Depois do olhar de desconfiança seguido pela insinuação de que eu realmente telefonei e me esqueci – seqüência constante nos eternos casos de reclamação de consumidor – ela concluiu que o sistema registrava, e cobrava, todas as chamadas não atendidas.

Creditou os enganos na minha conta e me recomendou: “Quando isto voltar a acontecer, você deve ligar posteriormente para a Telemig e solicitar a não inclusão das chamadas não atendidas na conta”.

Semanas depois fiz algumas chamadas interurbanas que não foram atendidas. Depois telefonei para a Telemig e segui a orientação, mas percebi que do outro lado a (ou “o”) atendente parecia não estar entendendo nada.

Não me lembro se vieram na conta, acho até que não vieram. É detalhe, ao contrário da questão do mau atendimento.

Este desrespeito não começou hoje, e vai continuar gerações adiante.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h03
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Hugo Chávez e a barriga jornalística

Mídia divulga pesquisa falsa no referendo venezuelano

 

 

Em jornalismo, a palavra barriga tem um significado que não é ligado ao corpo humano. É uma gíria usada para representar uma notícia totalmente errada.

A grande barriga da mídia internacional no dia 3 de dezembro foi a divulgação da suposta vitória de Hugo Chávez no referendo sobre uma série de leis que ele tentava implantar no país.

O jornal O Estado de São Paulo amanheceu com o anúncio do triunfo do “sim”, que era o projeto chavista, através do título “Referendo aumenta poderes de Chávez”.

Horas antes, de madrugada, já havia sido anunciada oficialmente a vitória do “não”.

A Folha de São Paulo saiu com este título: “Boca-de-urna dá vitória a Chávez em referendo”.

Tevês e rádios também anunciaram a previsão da tal boca-de-urna.

Na edição da Folha de 09/12/2007, o jornalista Mário Magalhães, atual ombudsman, dá uma informação muito interessante: a tal pesquisa, atribuída ao Instituto Datanálisis, era falsa, não existia.

Era uma cascata de fontes governamentais.



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 18h20
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Política latino-americana

As pequenas derrotas de Hugo Chávez

 

 

Moisés Naím é um economista venezuelano, com doutorado no Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT. Vive nos Estados Unidos e atualmente é o editor-chefe da revista Foreign Policy. O caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, publicou em 02/12/2007 uma entrevista dele sobre a borbulhante situação venezuelana. No final, a repórter Flávia Tavares pergunta se Chávez “estaria perdendo o controle de suas relações”. Naím aproveita para resumir uma série de pequenas derrotas do presidente – várias delas envolvendo o Brasil – que reproduzo, literalmente, abaixo:

 

·         o rei [da Espanha] mandou que ele se calasse

·         fracassou na intenção de mediar as conversas com as Farc

·         fracassou sua intenção de entrar no Mercosul

·         a Petrobras anunciou que se retirava do projeto de gás mais importante que tinha com a Venezuela

·         prometeu um oleoduto e um gasoduto que ligasse a Venezuela à Patagônia e também fracassou

·         foi à Opep para tentar que a organização incorporasse algumas de suas idéias à sua declaração oficial e foi rechaçado pelos outros países-membros

·         e agora ele insulta o presidente da Colômbia. Tudo isso aconteceu nas últimas duas ou três semanas.

·         Junto com isso, Raul Baduel, o general que era seu ministro da defesa, que lhe salvou a vida e era um de seus grandes aliados, está hoje contra ele publicamente. Então, Chávez tem muitas razões para se preocupar.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h35
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Golpe

Um caso de falsa mendicância

 

Há poucos dias recebi um e-mail do meu amigo carioca Leopoldo Cury. Não havia palavras, só uma seqüência de fotografias. Alguém fotografou um pedinte que circulava entre os carros de cadeiras de rodas que, em determinado momento, chegou até um bom carro, levantou-se, guardou a cadeira no porta-malas do automóvel, assumiu o volante normalmente (como qualquer motorista apto) e foi embora.

Vejam a seqüência:

 

 

 

 

 

 

 

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h39
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Globo Rural

É fácil identificar o mel falsificado

No dia 30/09/07 o programa Globo Rural fez uma ótima reportagem sobre a falsificação de mel.

Um dos méritos da matéria foi ensinar um teste fácil para identificar o produto falsificado.

Outro foi mostrar que não é difícil localizar os falsificadores, basta um pouco de empenho da Polícia.

Melhor usar o verbo no condicional (bastaria), pois a Polícia tem agido pouco e a população tem consumido muito xarope produzido em más condições de higiene pensando que é puro mel de abelha.

A reportagem comprou um pote de mel falsificado em São Paulo, com rótulo falso, como o número de registro (o SIF, concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), mas com o número de telefone de contato verdadeiro.

Fingindo-se de comprador, o  repórter conseguiu chegar ao falsário, na cidade de São Lourenço, sul de Minas.

E visitou o depósito do produto, uma garagem bem vagabunda na casa dele, na periferia daquela bela estância hidromineral.

Com uma câmera oculta, gravou as negociações e a presença de embalagens dos produtos utilizados, em meio à sujeira.

Vendo a gravação, o chefe regional do serviço de inspeção federal, Pedro Junqueira, reconheceu o falsificador na hora: José Esaú dos Santos, que já esteve preso pelo mesmo motivo.

A prova foi parar na Polícia, que então compareceu ao local, recolheu os produtos (incluindo o equipamento para a impressão gráfica do rótulo) e indiciou o criminoso, que aguarda o julgamento em liberdade.

O rótulo falso usava a marca “Mel do Sertão”, citava a origem na cidade supostamente mineira de Sertãozinho (na verdade é paulista) e usava o SIF número 1787, que pertence a um laticínio, dado facilmente encontrado na internet.

Na mesma reportagem, a bióloga Lídia Barreto, da Universidade de Taubaté, ensinou a receita para se descobrir a fraude.

"Vou fazer um teste de iodo para a verificação da presença de amido. Vou misturar o mel, 50% do volume de água e três gotinhas de iodo. Aí é só agitar um pouquinho e comparar a cor. Se a cor não mudou, é mel de verdade."

Pode-se usar a tintura de iodo a 2%, encontrada em qualquer farmácia.

O iodo reage à presença do amido, existente nos xaropes.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h02
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Impunidade

Onaireves Moura, a propensão para o crime e a cultura da impunidade

 

Poucos dias atrás (23/11/07) a imprensa noticiou que a Polícia Federal invadiu a sede da Federação Paranaense de Futebol e encontrou 92 mil reais escondidos no fundo falso de um cofre.

A irregularidade foi atribuída a Onaireves Moura, ainda influente na entidade da qual havia sido destituído em junho, após ocupar a presidência por 22 anos.

A TV, e um ou outro jornal que li, somente se referiram aos crimes recentes do picaretão, mas minha memória me garantia que se tratava de um ex-deputado federal cassado por corrupção e que fora destaque na mídia, na época.

Me lembrava até da curiosidade que se deu em relação ao seu nome, Onaireves, que significa Severiano, só que ao contrário.

Pela internet, confirmei não apenas este delito, mas que a impunidade é uma triste tradição brasileira.

A seqüência de irregularidades dele é tão natural que o juiz Valdemar Capeletti, do TRF-4ª Região, escreveu que ele revelou “personalidade voltada para o delito”.

Mais uma vez o Severiano Invertido foi preso e deve ficar recolhido, gradeado, até fevereiro de 2008.

Veja o resumo de sua vida criminosa (extraído do site BemParaná):

·         Em 1993, o então deputado federal Onaireves Moura teve seu mandato cassado, por falta de decoro parlamentar, acusado de ter coordenado a compra de deputados pelo PSD - partido que presidia na ocasião -, com o objetivo de aumentar o tempo da legenda no horário político gratuito.

·         Em 1998 Moura foi destituído da presidência da Federação por ordem da Justiça, por falta de pagamento de IPTU. Na época, os débitos somavam R$ 1,2 milhão. Um interventor foi nomeado para administrar a entidade, mas Moura voltou depois de algumas semanas.

·         Em 2000, Moura foi preso pelo crime de sonegação fiscal. Como responsável pela FPF, ele deixou de recolher aos cofres do INSS, entre dezembro de 1995 e junho de 1997, cerca de R$ 525 mil. A Justiça Federal de Curitiba o condenou a quatro anos e dois meses de prisão. Mas ele foi libertado após um mês na prisão, conseguindo provar que havia irregularidades no processo.

·         Em 2000, o juiz Valdemar Capeletti, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, negou um dos pedidos de habeas-corpus. O juiz afirmou que Moura preferiu priorizar a construção do Estádio Pinheirão a proceder ao recolhimento, incorrendo nesse crime por 19 vezes e “revelando personalidade voltada para o delito”.

·         Em 2005, Moura foi acusado pelo árbitro José Francisco de Oliveira, o Cidão, de participar de um esquema de corrupção na arbitragem do futebol paranaense. A denúncia faz parte do “Caso Bruxo 2”. O responsável pelo inquérito indiciou Moura, mas o caso acabou arquivado.

·         Em março de 2006, Moura foi preso pela Polícia Federal a pedido do Ministério Público Federal (MPF) em Ponta Grossa, sob a acusação de sonegação de tributos federais, falsidade ideológica e formação de quadrilha. Segundo o MPF, ele era sócio majoritário de duas empresas que exploravam bingos em Ponta Grossa e cometeu crimes com o apoio de outras seis pessoas.

·         Em junho de 2007, Moura foi suspenso por seis anos pelo STJD, acusado de desviar recursos da FPF.

A julgar por esta retrospectiva, é de se esperar que dentro de três anos ele alcance o noticiário com outra irregularidade, daqui a seis anos com outro, e assim vai, até se aposentar.

Provavelmente com dinheiro desviado do INSS.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h35
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Blog do Márcio volta a pleno vapor

Cadeira de Rodas vs. Automóveis

Pleno vapor – êta expressão antiga, lembrando os tempos do barco a vapor, da locomotiva idem.

Depois das férias, vou começar com uma foto tirada da câmera de um Palm, de baixa resolução.

A cena é até comum, mas sempre me impressiona.

No canteiro central da avenida José Cândido da Silveira um pedinte circula entre os carros que estão parados no sinal vermelho, pilotando uma cadeira de rodas.

Suponho que seja um deficiente físico já que, estatisticamente falando, o percentual dos verdadeiros deficientes seja superior ao dos falsários.

Além da controversa questão do estímulo à mendicância que a esmola proporciona, entra aí a questão do risco de vida no trânsito.

E o risco é muito maior em locais como o cruzamento da avenida Amazonas com a Contorno, onde tem deficiente em cadeira de rodas todos os dias.

Carros que estão um pouco atrás não percebem o pedinte.

Em um país adiantado, primeiro-mundista, o pedinte seria retirado mas, em troca, teria uma assistência social garantida.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 11h42
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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