Blog do Márcio também tem direito a um período de descanso
Por motivo de pequena cirurgia, não vou atualizar o meu blog por um período de aproximadamente duas semanas. Mas vou preparar bastante material para depois seguir em frente. Abraços a todos.
Escrito por Márcio às 19h28
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Depois da garapa, o açaí é o novo transmissor da Doença de Chagas
Notícia do jornal Estado de Minas de hoje, 28/08/2007, página 12, informa que um surto da terrível Doença de Chagas atacou 36 pessoas no Pará, na região da capital Belém, e que o açaí, uma das frutas da moda, seria o maior culpado.
Normalmente esta doença é transmitida pela picada do barbeiro, um inseto, não o cortador das barbas.
A explicação é que insetos contaminados estão sendo misturados na colheita e na manipulação dos frutos, em forma de suco ou polpa, e fazendo a contaminação quando ingeridos pela vítima.
Em 31 de março de 2005 saiu a notícia de que outras 26 pessoas em Macapá, capital do Amapá, também contraíram a doença após ingestão de açaí.
Segundo especialistas, são incontáveis os casos na região norte do Brasil.
Uma das hipóteses é que os insetos são atraídos pela luz usada costumeiramente no processamento.
Um pouco antes três pessoas morreram depois de ingerir garapa – o velho nome do suco da cana-de-açúcar – contaminada com restos de barbeiros em Santa Catarina, numa lanchonete à beira da rodovia BR 101.
Apesar do menor número de ocorrências, o caso da garapa teve um reflexo comercial maior do que o do açaí, reduzindo drasticamente a sua venda em todo o país.
Ambos são de fácil preparo, por isso mesmo largamente difundidos, mas perigosos e de grande risco.
As regras básicas da higiene, infelizmente, ainda não são aplicadas pela população brasileira, como um todo.
Açaí e garapa são gostosos, mas a prudência aconselha a evitá-los.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h32
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Empresário do Sexo é o dono do prédio que reduziu a área útil da pista de Congonhas
Nos desdobramentos do terrível acidente de 17/07/2007 no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, uma das notícias mais impressionantes foi a descoberta de que um prédio de 11 andares nas proximidades do aeroporto reduziu em 130 metros a faixa de pista utilizável para pouso de aviões.
Considerando que aquela pista não chega à metade do tamanho da do aeroporto do Galeão, a maior do país, a redução é significativa.
Se o avião da TAM tivesse descido 130 metros antes, teria mais chance de frear e reduzir o impacto.
Mas nesta Terra de Cabral, quanto mais se mexe, mais fede!
Pois não é que a mídia descobriu que o dono do prédio (chamado de Oscar’s Hotel) é o homem da noite Oscar Maroni Filho, também dono da Boate Bahamas?
Depois da desgraça, sempre aparece a ação enérgica. A boate foi fechada e o dono preso. A prefeitura já está falando em demolir o prédio do hotel.
Como ainda não foi descoberta (ou pelo menos divulgada) a data da autorização da construção do prédio, na internet já pululam as acusações aos políticos que passaram pela prefeitura.
Marta Suplicy é a mais acusada pela autorização, mas seus antecessores Celso Pitta e Régis de Oliveira também estão apanhando.
Pelo tamanho da estrutura da prefeitura de São Paulo, dificilmente chega ao prefeito a decisão de autorizar a construção de um prédio, ainda mais de apenas 11 andares, uma gota na imensidão paulista.
Em setembro de 2004 ele foi capa da revista IstoÉ Dinheiro, sob o título “O empresário do sexo” (acesse AQUI).
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h44
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As borboletas de ferro da Avenida dos Andradas
A Prefeitura de Beagá inventou de decorar a Avenida dos Andradas, da rua Mem de Sá até a Avenida Silviano Brandão, com uma seqüência de borboletas metálicas como a da foto.
Ficam todas no canteiro central.
É uma escultura simples: um tubo redondo (representando o corpo) e as asas, coloridas.
Achei uma idéia fraca: ficam escondidas, são pouco vistas.

Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 18h48
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Eduardo Giannetti da Fonseca fala da formação cultural brasileira
O economista Eduardo Giannetti da Fonseca agora é estrela do Fantástico, onde ganhou um quadro semanal. Ele é um conhecido economista de Belo Horizonte, agora vivendo em São Paulo.
Ele é neto de Américo René Giannetti, um gaúcho muito ativo, prefeito de Belo Horizonte e o grande industrial da capital mineira na época (anos 30 a 50). Faleceu em 1954, meses antes de completar o seu mandato de prefeito.
Abaixo, destaco um parágrafo de uma longa entrevista do neto Eduardo ao caderno Aliás, de O Estado de São Paulo, edição de 12/08/07, em que fala sobre a mistura de raças no Brasil e a nossa formação cultural:
Vivemos uma cultura cujo centro de gravidade está calcado no “aqui e agora”. A razão histórica disso é que somos resultado da confluência de três outras culturas extremamente imediatistas. Como dizia Sérgio Buarque de Holanda, o colonizador ibérico veio para encontrar o paraíso e não para construí-lo, a exemplo do que aconteceu na América do Norte. Ele trouxe a noção do desfrute imediato e predatório. Por outro lado, nossa formação passa também pelo africano submetido à escravidão, o que deturpa terrivelmente a psicologia temporal. À medida em que não era dono nem de seu próprio corpo, não havia nada que o escravo pudesse fazer para melhorar seu futuro. Por fim, somos fruto da cultura indígena, adaptada a um meio em que se vive um momento de cada vez - é o ambiente da caça e da coleta, onde não há sequer a agricultura organizada, que é um enorme exercício de planejamento e ação inteligente no tempo. O encontro desses vetores só poderia produzir uma nova cultura fundamentada no imediato.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h11
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Um amigável Aviso aos Ladrões

Só numa sociedade em que a violência é rotineira – como a nossa – é possível aparecer uma placa assim (Belo Horizonte, bairro União).
A primeira vez que vi algo parecido foi em São Paulo, década de 80. Numa clínica veterinária da Avenida Rebouças tinha a placa "Só recebemos pagamento em cheque". Era um recado aos ladrões: aqui não tem dinheiro.
Tempos duros!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h35
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Bate-boca: Lula versus Fernando Henrique
Lula e Fernando Henrique Cardoso, que há anos não se bicam, trocaram ofensas, mais uma vez. Eis as frases que eles disseram, segundo matéria de O Estado de São Paulo de 12/08/2007, página J2:
“No governo anterior, empresários do setor sucroalcooleiro eram tratados como marginais” – Lula, presidente, sobre a insensibilidade da era FHC em relação à política do álcool
“De álcool, ele entende mais do que eu” - Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente, respondendo às acusações de Lula
Eu só queria ouvir o Lula pronunciando SUCROALCOOLEIRO...
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h59
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Outro cubano desertor acha que os pugilistas retornaram por vontade própria
Transcrevo abaixo interessante matéria da Folha de São Paulo, edição de hoje (13/08/07), com uma entrevista de um jogador de handebol cubano, que também desertou durante os Jogos Pan-Americanos e não pretende voltar para o seu país. Como eu escrevi aqui neste blog, dias atrás, ele também acha que não haverá represálias aos envolvidos e familiares, mas eles provavelmente deixarão o pugilismo.
Capote nega sofrer pressão
Para jogador de handebol, boxeadores quiseram voltar
Paulo Darcie
O jogador de handebol Rafael Capote, de 19 anos, o primeiro atleta cubano a desertar durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no dia 12 de julho, acredita que os dois boxeadores deportados de volta para Cuba tenham deixado o Brasil por vontade própria. “Se foram, é porque acharam que seria a melhor opção”.
No entanto, Capote ressalta que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara nunca voltarão a subir em um ringue. “O boxe acabou para eles. Vão ter que arrumar outro tipo de trabalho, nunca mais terão os benefícios dados a atletas”.
Em Cuba, esportistas de alto nível têm um mínimo de vantagens materiais, como casa e carro. Mas, apesar das boas condições de vida em comparação à média da população, muitos atletas não consideram as regalias suficientes, pois não há mercado de trabalho e nem ligas profissionais competitivas como no exterior.
Os quatro cubanos que deixaram a delegação cubana no Pan do Rio não foram os primeiros a ter essa idéia: nos jogos de Winnipeg, no Canadá, em 1999, foram 13 os desertores. “Aqui no Brasil posso jogar em um clube, ter meu salário e logo chegar a um bom nível de vida. Minha decisão de sair de Cuba é puramente profissional”, ressalta.
Capote evita falar sobre a atuação do governo brasileiro no episódio da volta dos boxeadores para Cuba, mas afirma que não está sendo pressionado de nenhuma maneira para voltar para seu país. “Ninguém me procurou para falar sobre isso.
Sua situação no país ainda não é legal, mas já busca a regularização com o apoio da Cáritas do Brasil, uma instituição de apoio a refugiados. Capote está morando em São Caetano, no ABC paulista, para onde rumou de táxi (uma corrida que custou R$ 600,00) quando deixou a delegação cubana no Rio de Janeiro. Ele vive e treina com jogadores do time da cidade.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h50
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Outro cubano desertor acha que os pugilistas retornaram por vontade própria (continuação)
FAMÍLIA
Quanto às conseqüências de sua decisão de ficar no Brasil, Capote diz não temer represálias a seus familiares em Cuba. “Não tenho medo do que possa acontecer com minha família. Não farão nada contra eles. A decisão é só minha”, afirma o atleta cubano.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h49
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Em blog, atleta dos EUA descreve Rio com paisagem miserável e degradante
Uma matéria já antiga (20/07/07) da Folha Online, que só vi agora. A jogadora norte-americana de vôlei de praia Angie Akers, que participou dos Jogos Pan-Americanos, fez uma descrição terrível do Rio de Janeiro no seu blog. Extraí os seguintes trechos da reportagem:
"A cidade inteira, de tantos milhões de habitantes, só tem favelas. Os rios correm negros. Porcos e outros animais bebem a água suja. É terrível", escreve a atleta em seu diário virtual.
"As coisas aqui são muito loucas!!! Não há o que se preocupar com segurança, porque há 15 mil policiais, agentes do FBI à paisana, agentes secretos etc, em todos os lugares. Esse lugar é o mais pobre que já vi. É muito triste", relata Akers, que faz uma ressalva. "Copacabana, onde jogo, é o lugar mais legal de tudo o que vi."
"É uma dificuldade para encontrar comida boa. Brooke [Hanson, a parceira] e eu quase ficamos em pânico no primeiro jantar e café da manhã, quando procuramos por algo que conseguíssemos comer", escreveu a atleta, que só poupou uma grande churrascaria, que disse ter visitado na noite de quarta-feira. "Foi uma das melhores refeições que fiz na vida."
Talvez ela seja extremamente sensível, mas é triste saber das impressões que os estrangeiros têm do nosso país.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h24
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Muitos escândalos políticos se originaram de vingança pessoal
Transcrevo abaixo interessante artigo do jornalista Nelson Motta, publicado na Folha de São Paulo de hoje (10/08/07), em que relaciona os escândalos políticos – inclusive o de Renan Calheiros – com as vinganças pessoais:
Inimigos íntimos
RIO DE JANEIRO - Nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público, nem a imprensa: foram atos individuais de Pedro Collor, Nicéa Pitta e Roberto Jefferson que trouxeram à luz as tenebrosas transações que levaram ao impeachment de Collor, à condenação de Celso Pitta, ao mensalão e à queda de José Dirceu.
Essas pessoas, movidas por sentimentos pessoais, acabaram prestando inestimáveis serviços ao país. Sem o ódio deles, tudo continuaria como estava. É o que vale: a história não é feita de boas intenções, mas de conseqüências. Traições, humilhações, invejas, rancores, o ser humano é muito sensível a esses sentimentos. Aqui, a vingança não é um prato comido frio, mas fumegante.
Renan Calheiros, por exemplo, foi um dos artífices da vitória de Collor sobre Lula, integrou a linha de frente collorida e só rompeu com elle quando foi preterido em favor de Geraldo Bulhões para o governo de Alagoas. Até então, estava poderoso na cúpula do governo, freqüentava o círculo íntimo presidencial e nunca percebeu nada de errado com o poder de PC Farias e a ética de Collor e da República de Alagoas.
Traído, rompeu com seu líder em nome da decência e da democracia. Derrotado, denunciou a farsa collorida e, sempre um homem de esquerda, foi para a trincheira democrática do PMDB, unindo-se a Sarney e a Jader.
Como nos romances regionalistas sobre guerras entre famílias nordestinas, uma outra vingança pessoal -pela traição de Renan ao usineiro e ex-companheiro de lutas João Lyra na eleição para o governo de Alagoas- revelou que ele pagara R$ 1,3 milhão, não contabilizados, para ser sócio, oculto e ilegal, do acusador em uma rádio e um jornal.
Não por acaso, é justamente o medo da vingança de Renan que atrasa a sua expulsão do Senado.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h16
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A fuga dos cubanos para o “mundo melhor”
Estou acompanhando a questão dos cubanos que fugiram durante os Jogos Pan-Americanos com muito interesse mas também muito cuidado, tentando entender todas as nuances. Não quero parecer um comunistófilo, classificando os fujões de dissidentes e revoltados. Nem um comunistófobo, que veria a fuga como mais uma prova do fracasso total do regime, a prova de que os cubanos se sentem prisioneiros.
(Que me perdoem os deuses dos neologismos!)
Em 2005 passei quase duas semanas em Cuba, que atravessei de extremo a outro pelas suas envelhecidas estradas. Teoricamente foi uma viagem turística, mas na prática foi informativa. Queria conhecer a única sociedade comunista que eu poderia observar de perto, por causa da proximidade lingüistica. A partir daí me obriguei a analisar os acontecimentos cubanos com mais cuidado e responsabilidade.
Em tópicos, destaco alguns pensamentos, comentários e questionamentos sobre o tema:
· Quando a fuga do técnico de handebol e dos dois boxeadores foi anunciada, a desinformação era geral. Uma das notícias – não me lembro se foi divulgada por tevê ou jornal – informava que os dois boxeadores já estavam a caminho da Alemanha, depois de terem fugido de ônibus para o Paraguai. Apareceu até o desenho esquemático de uma rota – fantasiosa, como se viu depois. Fidel Castro rapidamente culpou a Alemanha de estar aliciando seus atletas. Publicou-se até a história de que eles já teriam um contrato de trabalho assinado com uma tevê alemã.
· Semanas depois os dois foram encontrados numa praia de Araruama (RJ) e levados para a Polícia. Teoricamente, o ato policial não pode ter sido registrado como prisão, já que a única irregularidade existente era o fato de eles não estarem com o passaporte em mãos.
· Eles não falaram com a mídia. O que se publicou foi informado pela Polícia. Eles teriam dito que foram enganados por um empresário cubano e outro alemão, que teriam prometido emprego na Alemanha, com alto salário. Também teriam dito que estavam arrependidos e queriam voltar para Cuba.
· Em resumo: a imprensa disse o que a Polícia disse que os cubanos disseram. Nas escolas de Comunicação Social se aprende, de forma exageradamente repetitiva, que a mensagem segue o esquema emissor à meio à receptor. Neste caso, havia um excesso de emissores indiretos, afetando a confiabilidade da mensagem.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h40
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A fuga dos cubanos para o “mundo melhor” (parte final)
· A oposição política tratou o caso como deportação, e o comparou com o terrível caso Olga Benário, no governo Vargas. Para quem não se lembra, não viu o filme, nem leu o livro de Fernando Morais: era a mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes, uma alemã de origem judia. Foi deportada por Vargas para a Alemanha nazista, onde foi morta nas câmaras de gás, pelo crime de ser judia e comunista.
· Mas certamente existe uma Verdade, que provavelmente é simples, só que de difícil verificação. Se os pugilistas desejavam asilo político, eles foram traídos pelo governo brasileiro. Mas se estavam realmente arrependidos, a deportação era o caminho correto. Como eles só falaram com policiais brasileiros e representantes do governo cubano, a tal verdade está longe de ser descoberta.
· Não haverá um “feliz retorno” para eles. Como não souberam avaliar as conseqüências da fuga, também não foram capazes de avaliar as conseqüências do retorno. Serão dois párias em sua terra. Particularmente não acredito em perseguição política com o uso da violência. Serão apenas ignorados pela mídia, odiados pelos comunistas autênticos, desprezados pelos anticomunistas.
· Lá como cá, o jovem inexperiente e desinformado paga caro pelas atitudes impensadas.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h39
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O Trem de Prata, outra saudade na história ferroviária brasileira
Não conheci, vagamente ouvi falar, mas pesquisei e descobri que o funeral da malha ferroviária brasileira também enterrou outro importante trem de transporte de passageiros, o Trem de Prata.
Em matéria da Folha de São Paulo de 05/08/07, página C13, um dos seus empreendedores faz uma análise da experiência:
O empresário de ônibus interestaduais Tarcísio Schettino se diz cético "por experiência". Ele foi um dos sócios do "Trem de Prata", que, de 1994 a 1998, ofereceu um "hotel sobre rodas" com camas de casal, restaurante sob comando de chefs renomados, bar com mesas de granito e sofás. A viagem durava 9 horas e custava US$ 150.
A má administração dos poderes públicos é culpabilizada por ele:
Ele conta que o trem passou a sofrer contínuos atrasos porque a composição era obrigada a ficar parada aguardando a travessia dos trens de carga.
E não acredita mais em um substituto:
Schettino diz também não acreditar mais na viabilidade de trens de passageiros entre Rio de Janeiro e São Paulo porque o relevo encarece muito a construção de trilhos exclusivos para tráfego em alta velocidade e, nos trilhos atuais, a velocidade é limitada.
Reportagem da mesma Folha de São Paulo, mas em 05/02/06, mostra que o Trem de Prata está guardado na estação da Rede Ferroviária Federal em Juiz de Fora, prejudicado pela ação de vândalos e ladrões.
Link para reportagem citada: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u117992.shtml
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h43
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O saudoso Trem Vera Cruz e a decadência do transporte ferroviário
O Vera Cruz foi um dos mais – ou o mais dos mais – luxuosos e confortáveis trens de transporte de passageiros do Brasil. Entre 1950 e 1990 ele ligou Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.
Por duas vezes tive a oportunidade de utilizá-lo. No final da década de 60, quando tinha aproximadamente 12 anos, e em agosto de 1972.
Segundo o site www.estacoesferroviarias.com.br, o Vera Cruz não circulou entre os anos de 1976 e 1980. Tenho arrependimento de não ter voltado a usá-lo na década de 80.
Ainda segundo o mesmo site, era uma viagem de 640 km e cerca de 14 horas. Não me lembro destes números, mas sem dúvida era uma viagem confortável, agradável.
Na década de 70, o Regime Militar anunciou à larga a construção da Ferrovia do Aço, que ligaria Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e São Paulo.
Seria uma obra monumental por causa do problemático relevo que une as cidades. Previsão de túneis e viadutos gigantescos.
Seria...
Segundo a Wikipedia, a famosa enciclopédia virtual, “o único trecho concluído é o que liga Belo Horizonte a Barra Mansa, no Estado do Rio de Janeiro”.
Completa informando que este trecho “foi privatizado em 1997 e hoje faz parte da malha operada pela empresa MRS Logística”. Só transporta carga.
Como bloguei ontem, só sobraram três linhas de transporte ferroviário de passageiros em todo o país. Estamos na contramão do Primeiro Mundo.
Link para a história do Vera Cruz: http://www.estacoesferroviarias.com.br/trens_mg/veracruz.htm
Link para o tópico Ferrovia do Aço na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ferrovia_do_A%C3%A7o

O Vera Cruz na Estação Central de Beagá
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h31
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Brasil tem apenas três linhas de trens para passageiros
Interessante e extensa reportagem publicada na Folha de São Paulo de 05/08/07, páginas C9 e C13, comprova o progressivo abandono da malha ferroviária brasileira. Só existem três linhas de longa distância para passageiros em todo o extenso território nacional, o quinto maior país do planeta Terra. O interessante é que as duas maiores só existem porque a Companhia Vale do Rio Doce, proprietária de ambas, é obrigada a mantê-las em operação, por conta do contrato de privatização.
Destaco os seguintes trechos da reportagem:
Em 1996, eram 4,3 milhões de passageiros por ano. Em 2005, foram só 1,5 milhão.
Das três linhas hoje em funcionamento, as duas mais importantes talvez nem sequer existissem se não houvesse a obrigação contratual, por parte da Companhia Vale do Rio Doce, de mantê-las em operação.
Essa imposição consta do contrato de concessão assinado na privatização da empresa, em 1997, e determina que ela mantenha o transporte de passageiros nas estradas de ferro Vitória a Minas - que liga Vitória a Belo Horizonte - e Carajás - que vai de São Luís (MA) a Carajás (PA).
No entanto, por ser uma mineradora, e não uma empresa de transportes, a Vale deixa claro que não tem interesse em desenvolver novas linhas.
A terceira linha regular em funcionamento é a Serra Verde, que liga Curitiba a Paranaguá (PR), mas ela é explorada principalmente com fins turísticos e transporta só 130 mil passageiros por ano, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
Dados das 3 únicas linhas de passageiros existentes:
· Estrada de Ferro Vitória a Minas – liga Belo Horizonte a Vitória – trajeto de 905 quilômetros - 1.137.020 passageiros em 2006
· Estrada de Ferro Carajás – liga São Luís a Carajás – trajeto de 892 quilômetros – 372.312 passageiros em 2006
· Estrada de Ferro Serra Verde – liga Curitiba a Paranaguá – trajeto de 110 quilômetros – 130 mil passageiros em 2006
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h33
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Proposta de uma Constituinte quase imune aos corporativismos
Fábio Konder Comparato é um dos juristas mais respeitados do país. Em longa entrevista ao caderno Aliás, de O Estado de São Paulo, edição de 29/07/07, página J4, ele apresentou uma proposta concreta e interessante de Assembléia Constituinte para reformar a Constituição Brasileira de forma mais isenta que as últimas tentativas.
Transcrevo o trecho citado:
A última proposta que apresentei ao conselho federal da OAB foi a de introduzir na Constituição um instituto da revisão geral da própria Constituição. Mas essa revisão não pode ser feita pelo Congresso Nacional. Ela tem de ser feita por uma assembléia, eleita pelo povo, cujos integrantes seriam inelegíveis para qualquer cargo público por oito anos. O Congresso Nacional não pode ser o órgão de mudança da Constituição, porque ele decide em causa própria. O juiz não pode decidir em causa própria, o legislador não pode legislar em causa própria. Só que, aqui no Brasil, tudo isso é considerado normal.
Link para a entrevista: http://www.estado.com.br/suplementos/ali/2007/07/29/ali-1.93.19.20070729.10.1.xml
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h28
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“Eu não sabia” – agora o desconhecido é o caos aéreo
Luís Inácio LULALÁ da Silva entrou na fase de brincar de gato-e-rato com o eleitorado nacional.
Depois de se esconder alguns dias, aparecendo apenas em alguns dos eventos que tinham sua presença prevista e permitindo apenas que a imprensa gravasse os seus discursos de longe, sem entrevistas ao vivo, ele deu ontem declarações mais contundentes.
E deu motivos para os humoristas continuarem a usar um bordão que está virando marca registrada dele: “Eu não sabia de nada”.
Segundo o jornal Estado de Minas de hoje, ele “admitiu durante reunião do conselho político que o governo não tinha conhecimento da gravidade dos problemas no setor aéreo”.
Acima da manchete principal, o diário relaciona crises anteriores das quais ele também “não sabia”: mensalão, caso Vavá, dossiê dos aloprados, Palocci e a quebra de sigilo. O pobre do caseiro que foi acusado de receber dinheiro da oposição finalmente foi relembrado.
Trouxe de volta outra marca que se aderiu a ele nos últimos anos, a metáfora. Saindo do futebol e entrando na medicina, Lula comparou a situação a “uma metástase de que o paciente não sabia”.
E partiu para a metáfora zoológica: “cachorro que tem muitos donos morre de fome e ninguém cuida”. A imprensa achou que era uma crítica direta ao ex-ministro Waldir Pires, mas acho que ele incluiu Anac, controladores, companhias aéreas.
Já estou na expectativa das colunas de humorismo do gozador de plantão da Folha de São Paulo, José Simão...
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h59
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A morte do comandante Rolim e a queda de qualidade da TAM
Começou a circular na internet um texto fartamente ilustrado, uma espécie de reportagem sem autor, relacionando inúmeros acidentes e incidentes ocorridos com aviões da TAM.
É uma matéria tendenciosa, com muitas conclusões forçadas e detalhes não divulgados.
Mas muitos fatos narrados se encaixam com lembranças que ainda estavam guardadas em áreas mais remotas de nossa memória, ainda que somente de forma nebulosa, sem detalhes.
A TAM é uma empresa construída por um único homem, um único líder, o Comandante Amaro Rolim.
Não sei se ele fundou a então chamada Transportes Aéreos Marília S.A., ou a adquiriu quando era uma pequena empresa aérea do interior de São Paulo, mas o fato é que ela só virou uma gigantesca empresa pelas mãos dele.
Quando ele morreu, no início da década de 90, em um acidente de helicóptero, apareceu uma situação que tradicionalmente é mais problemática no Terceiro Mundo do que nas civilizações mais bem estruturadas: a sucessão familiar.
Arrisco a dividir este problema em três alternativas: os casos em que um ou mais familiares conseguem dar seqüência ao trabalho do líder morto ou aposentado; os casos de quebra da empresa por incompetência dos sucessores; e os casos de administração profissionalizada, sem os idealismos do líder-dono e mais próximos do Capitalismo Selvagem.
A TV Globo é, até agora, o exemplo do primeiro caso. Oxalá continue (e que os seus inúmeros inimigos não me leiam...).
A Sharp é o exemplo extremo: com a morte de Mathias Machline também em desastre de helicóptero, os filhos (José Maurício só pensava em música e Carlos Alberto só em cavalos de corrida) não tiveram capacidade técnica e a empresa faliu.
A TAM me parece o terceiro caso. Os herdeiros do Comandante Rolim entregaram a empresa para administradores profissionais, que foram – até agora – capazes de manter a contabilidade em azul, mas colocam o lucro como objetivo único e não têm pelo nome da empresa o mesmo zelo que teria o dono.
A chave do entendimento deste conceito está na questão do reverso, equipamento que os técnicos da TAM desligaram, preferindo o risco de perder a eficiência do freio do que deixar o avião um ou dois dias parado, no conserto, sem carregar passageiros.
Esta postura já tinha aparecido muitos meses antes, quando descobriu-se que um dos episódios do caos aéreo foi causado pela venda de excesso de passagens pela TAM, em número maior do que assentos disponíveis.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h07
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A morte do comandante Rolim e a queda de qualidade da TAM (cont.)
Em off, longe dos gravadores dos repórteres, funcionários da TAM têm contado que trabalham em escalas cansativas que não são registradas em documentos; que cumprem ordens de fazer marketing recebendo os passageiros pessoalmente quando deveriam estar checando os equipamentos; que o piloto que aborta duas vezes uma viagem entra na fila de demissão e na terceira vez a tal demissão é consumada.
Não me lembro de nada disso enquanto Rolim Amaro vivia.
Quem manda hoje na TAM são executivos profissionais, a família ocupa o Conselho Consultivo.
O proprietário sabe que acidentes podem destruir o nome da empresa que ele lutou toda a vida para construir; o executivo sabe que não passa de um empregado que pode ser demitido a qualquer momento e por isso não tem o mesmo tipo de apego. Só quer resultados imediatos.
Voltando à questão do reverso: tudo indica que realmente os manuais da Airbus falavam que o avião pode voar algum tempo sem o equipamento, mas uma política empresarial que zelasse pelo bom nome da TAM e pela idéia de prudência, diria: ou paramos o avião para conserto ou o deixamos fora da rota que inclua aeroportos de maior risco, mas jamais voaremos com o reverso desativado.
Agora é tarde.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h06
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Polícia convida os ladrões a dar um chego na Delegacia
Coisa de uma semana atrás. Um jovem casal entra numa loja de Juiz de Fora e o rapaz rouba um notebook sem ser notado.
Uma câmara de segurança grava a cena. A imagem chega à TV comercial e todo o público vê o roubo no noticiário jornalístico.
Identificados, os dois ladrões são “convidados” a comparecer à delegacia. Só a ladra-comparsa apareceu.
O noticiário da TV Globo de hoje informa que o ladrão foi “convidado a comparecer à delegacia em nova data a ser marcada” e, se não o fizer, será posteriormente “conduzido”.
A TV tem o cuidado de usar metáforas e eufemismos, evitando acusações diretas. Os nomes não são citados. Nem parece que está se referindo a um ladrão.
Até se entende o cuidado da imprensa – é um órgão de comunicação – mas não a frouxidão da polícia.
É pela sucessão de atitudes similares que se dá a gênese do elevado índice de criminalidade neste país.
Ladrão é ladrão e um notebook custa caro.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h41
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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Outros
sites
Jockey Club MG - nova página
Tiago - Meu webmaster favorito
Uma superpágina de informática
Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
Blog do Paulo Afonso
Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
UOL - O melhor conteúdo

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