Márcio de Ávila Rodrigues


No Pan, dirigentes cubanos não conseguiram controlar o e-mail dos atletas

Uma interessante matéria da Folha de São Paulo foi publicada na edição de 30/07/2007, página D-7.

O repórter Sérgio Rangel descobriu que o governo cubano criou regras para o uso do correio eletrônico pelos seus atletas nos Jogos Pan-Americanos. Eles deveriam enviar todas as mensagens para dois únicos endereços eletrônicos (aliás, do americaníssimo Google), que seriam recebidas por três funcionários de um instituto de informática em Cuba e as repassariam para o destino.

Depois o repórter foi para a sala dos computadores e, no espaço de duas horas, acompanhou o uso do e-mail pelos cubanos presentes. Descobriu que nenhum deles obedeceu as ordens.

Eis o texto completo (em vermelho, bem ao gosto de Fidel):

 

Atletas do país ignoram e-mail oficial

DA SUCURSAL DO RIO

 

Os chefes da delegação cubana tentaram controlar, sem sucesso, as trocas de mensagens pela internet dos seus atletas.

Nos prédios da delegação cubana, vários cartazes foram espalhados "ensinando" aos jogadores como o governo pretendia ajudar "a comunicação" dos integrantes da delegação com seus familiares na ilha. Os chefes da missão cubana no Rio pediam aos atletas que enviassem as suas mensagens só para duas direções de e-mail (cubano1@gmail.com e cubano2@gmail.com).

Pelo esquema montado pelos dirigentes, três funcionários de um instituto de informática receberiam as mensagens no país e encaminhariam a representantes do órgão nas cidades dos atletas.

Apesar da tentativa do governo, os atletas praticamente ignoraram o recado. A sala dos computadores era um dos lugares preferidos dos jogadores durante as folgas.

Nas duas horas que a reportagem ficou com os atletas na sala, localizada num dos prédios ocupados pelos cubanos, nenhum deles enviou e-mail para o endereço oficial. Quase todos postavam mensagens para amigos e familiares, que usavam endereços com origem na Espanha ou em países vizinhos.

Embora tenham ignorado a orientação oficial, os atletas se recusavam a comentar o assunto.

"Nunca li este papel e também não uso computadores", afirmou um dos atletas, que acabava de sair da sala. Ele ainda escondeu sua credencial para não ser identificado.

Os cubanos aproveitaram a tarde de ontem para trocar uniformes com voluntários e atletas de outros países. (SÉRGIO RANGEL)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h57
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A politicagem no controle da aviação civil

Há que se ficar atento à participação da política – principalmente da sua irmã torta politicagem – nas atividades de governo que sejam importantes ou arriscadas.

Uma delas é o controle da aviação civil.

Transcrevo abaixo os dois primeiros parágrafos de uma pequena matéria publicada n’O Estado de São Paulo de 23/07/07, página C9, com o título “Sem diretoria técnica, Anac é ineficiente, dizem experts”:

A ineficiência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na questão da crise aérea é agravada, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, pela falta de conhecimento técnico de sua diretoria. “A questão da politização (nas indicações) da Anac é seriíssima. É um setor que precisa de uma diretoria técnica, e a cúpula da agência não entende de transporte aéreo”, afirma o professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Respício do Espírito Santo Júnior, que também preside o Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo.

Para Espírito Santo, a criação da agência, em 2005, aumentou o conflito entre os órgãos que administram o setor aéreo. “A Anac pegou para si algumas funções, mas não comunicou isso aos demais. Há uma competência cruzada, sobretudo entre Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) e Anac.”

Outro indício de participação da politicagem é a suspeita, levantada por jornais sérios, de que a liberação da pista principal de Congonhas antes da realização das obras do grooving para aumentar a aderência dos aviões ao pousar foi uma conseqüência da pressão e do lobbie das empresas de aviação sobre a Infraero. Foi matéria publicada n’O Estado de São Paulo, mas infelizmente baseada em informações de especialistas, mas não em documentos.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h22
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (VII)

 

A Grande Muralha da China é um impressionante conjunto de arquitetura militar, que chegou a ter 6,3 mil km de extensão durante algumas das dinastias responsáveis por sua construção. A obra foi realizada ao longo de 2 mil anos.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h01
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Fórmula 1 tem melhor tecnologia para reduzir derrapagens do que os aeroportos brasileiros

 

Reportagem recente – não me lembro de qual meio de comunicação – mostrou que muitos aeroportos modernos possuem uma “área de escape”, que é uma área à frente do final da pista de pouso para dar mais chance ao piloto de um avião com dificuldade de freiar.

Além do Primeiro Mundo, também já estão presentes nos países com riqueza localizada, como é o caso de algumas nações árabes e do Extremo Oriente.

A tecnologia também evoluiu na criação de pisos que elevam o atrito para reduzir a velocidade da aeronave, incluindo um estranho “concreto ondulante” (também neste caso perdi a fonte da informação, infelizmente).

O automobilismo de competição chegou primeiro a essas aquisições da tecnologia. A Fórmula 1 usa, preferencialmente, pistas mais modernas que possuem “áreas de escape” que seguram os carros desgovernados.

Ayrton Senna foi a última vítima fatal da Fórmula 1, já nos bem idos de 1994.

É uma pena que não seja possível a incorporação imediata de tais avanços na aviação civil, pois as grandes metrópoles engoliram seus aeroportos, reduzindo ou eliminando áreas potenciais de expansão.

E ainda mais difícil para o Brasil, por causa de sua desorganização urbanística e da ineficiência dos Poderes Públicos na tomada de decisões.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h55
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (VI)

O Taj Mahal foi construído pelo imperador Shah Jahan como uma tumba para sua mulher favorita, Mumtaz Mahal, no século XVII. O palácio fica na poluída cidade de Agra e é cercado por jardins ornamentais.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h13
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A pista de Congonhas não chega à metade da pista do Aeroporto de Galeão

Tenho receio que a elevada possibilidade de que um problema mecânico seja considerado a causa do acidente de Congonhas deixe em segundo ou terceiro plano a questão da segurança deste aeroporto.

O foco em problemas mecânicos é o sonho do governo, como demonstrou a atitude antimidiática de Marco Aurélio Garcia, fundamental assessor de Lula e ex-presidente do PT.

Para fugir da responsabilidade e da vinculação pessoal, Lula e os principais dirigentes ligados à aeronáutica estão praticamente escondidos, aparecendo pouco, evitando declarações e desmarcando compromissos públicos.

O jornal O Globo chegou a criar uma coluna para listar os fujões.

Voltando à questão das limitações de Congonhas, me chamou a atenção uma reportagem da Folha de São Paulo de 19/07/07 que incluiu um quadro comparativo do tamanho das principais pistas de pouso do Brasil:

Galeão (Rio de Janeiro): 4.000 metros

Cumbica (Guarulhos): 3.700

Viracopos (Campinas): 3.240

Congonhas: 1.940

Santos Dumont (Rio de Janeiro): 1.323

Acrescento que a pista do Aeroporto de Confins tem 3.000 metros e Pampulha 2.540, segundo dados do site Wikipedia.

A mesma Folha explica que a menor extensão da pista do Santos Dumont é compensada por estar ao nível do mar.

Não me convence. Provavelmente tem menor risco de acidentes por ter menos movimento que Congonhas e também por não estar tão cercado de prédios.

O fato é que os governantes não conseguiram controlar o crescimento urbano no entorno de Congonhas e não é possível expandir suas instalações.

Mas a seqüência de acidentes os obriga a tomar medidas severas, corajosas, objetivas e realísticas para reduzi-los, e de forma drástica.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h45
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Curioso anúncio da Bayer relacionado ao desastre de Congonhas

Na página C-14 da Folha de São Paulo de 19/07/07, dentro de um caderno quase todo dedicado ao terrível desastre do Aeroporto de Congonhas, a Bayer publicou um inesperado anúncio de solidariedade direcionado aos parentes das vítimas. O anúncio saiu na página de anúncios fúnebres.

Não me lembro de ter visto algo parecido. Minha tese é de que se trata de uma espécie de anúncio institucional, vinculando a imagem da empresa a uma situação que envolve doença, portanto o leitor inconscientemente fixa a imagem da Bayer, que é um laboratório farmacológico.

Veja o tal anúncio:



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h08
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Jornal Nacional influencia e também define a discussão das causas do acidente de Congonhas

 

Até o surgimento de algum respeitável relatório técnico, a tendência de momento é o foco na procura das possíveis causas do terrível acidente que matou quase 200 pessoas no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, terça-feira passada, 17/07/2007.

 

No primeiro dia a especulação girou em torno das más condições da pista do aeroporto, principalmente pela falta do grooving, um sistema de aplainamento do asfalto que aumenta o atrito e ajuda na frenagem.

 

No segundo dia apareceram as imagens de uma câmera fixa do aeroporto que comprovavam que o avião estava em velocidade bem acima do adequado, principalmente se comparado com outro aparelho que pousara minutos antes, em idênticas condições de pista.

 

No terceiro dia a mídia descobriu que um dos dois reversos do avião, equipamento que ajuda na desaceleração, estava defeituoso e desligado, abrindo novo foco de discussão sobre a causa.

 

Podem aparecer – ou não – mais dois ou três focos até que um deles se sedimente e passe a ser tratado como a causa principal, orientando a discussão para os fatores a ele relacionados, inclusive um possível culpado, pessoa física ou jurídica.

 

Com relação à opinião pública sobre o evento observa-se, mais uma vez, que o Jornal Nacional, da TV Globo, comanda as discussões tanto na imprensa como nas conversas do povo.

 

O tema mais candente da fala de William Bonner geralmente se torna a manchete dos principais jornais da manhã seguinte.

 

Não sei se alguma informação fundamental chegou primeiro à TV Globo mas, ainda que chegasse momentos depois, a excepcional audiência da líder centralizaria o noticiário.

 

Quanto à real causa do acidente, ainda faltam algumas peças neste quebra-cabeça.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h47
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (V)

A antiga cidade de Petra, um conjunto de construções esculpidas na rocha, é exemplo da habilidade do povo nabateu há 2 mil anos. Eles conseguiram canalizar água por aquedutos de cerâmica, permitindo a vida em região desértica.

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h00
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (IV)

 

O Coliseu é o símbolo da Roma antiga. O anfiteatro, inaugurado no ano 80 pelo imperador Titus, recebeu o nome da estátua de Nero, Colossus. Foi usado para os combates de gladiadores e espetáculos populares.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h55
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Depois do gerundismo, a nova moda da Turma do Telemarketing

— Vamos estar transferindo a sua ligação para o setor de cobranças!

Com a privatização do sistema de telefonia pelo governo FHC, difundiu-se no Brasil o sistema do teleatendimento, mais conhecido como telemarketing, que também englobou a categoria de televendas.

Como já havia percebido o grande compositor Noel Rosa, a palavra de origem inglesa sempre tem preferência.

Curiosamente, o uso do gerundismo, do “vamos estar transferindo”, se expandiu junto com o telemarketing e tornou-se um modismo nesta categoria profissional.

A explicação mais corriqueira é a de que a técnica do telemarketing foi copiada de manuais norte-americanos e até as expressões nele contidas foram traduzidas.

O uso do gerúndio é mais comum e mais natural – correto, portanto – na língua inglesa.

As falas dos telemarketistas eram tão ridículas que foram criticadas de norte a sul, obrigando as empresas a alterar as expressões-padrão, ditas mecanicamente pelos jovens que trabalham nesta profissão tão desgastante.

Mal o gerundismo foi abandonado e já percebo uma nova mania do telemarketing: o uso da forma de tratamento Senhor/Senhora em uma situação diferente da fala cotidiana, do coloquialismo.

— Senhora, vamos estar transferindo a sua ligação para o setor de cobranças!

A nova forma de tratamento está conseguindo o que nem o gerundismo conseguiu: difundir-se rapidamente entre balconistas, recepcionistas, telefonistas e cargos análogos.

Teoricamente uma expressão que infunde mais respeito e atenção, acaba por criar uma relação artificial no diálogo entre estranhos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h51
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (III)

Chichen Itzá é a mais visitada cidade maia, que funcionou como centro político e econômico. Suas edificações estão preservadas, sendo a pirâmide de Kukulcán a mais significativa. A fundação ocorreu entre 435 e 455.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h14
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (II)

 

Machu Picchu, a cidade perdida dos incas, está localizada a 2.491m de altitude, o que fez com que fosse desconhecida até 1911. Estima-se que as estruturas foram construídas por volta de 1460.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h03
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PT paulista se diz dono do dinheiro do PAC

Reportagem da Folha de São Paulo de 08/07/2007 demonstra que o governo federal privilegia as prefeituras do PT na distribuição das verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Apesar de obviamente errada e antiética, a preferência pelos aliados na distribuição de verbas é uma velha tradição brasileira, realizada por todos os partidos em todos os momentos da história.

O que mais me impressionou na matéria foram os dois parágrafos que transcrevo abaixo:

A distribuição dos recursos vai ao encontro da última resolução do Diretório Estadual do PT, do dia 23 de junho passado, que acusa o governador do Estado de tentar se apropriar dos investimentos do PAC.

"O PT deve se apropriar dessa conquista [o PAC] que é de um governo petista e interferir diretamente no processo de destinação dos recursos às ações do governo federal em São Paulo e não permitir que Serra faça gentileza com o chapéu alheio", diz trecho.

A referência ao governador tucano José Serra é decorrente do lançamento do Programa em São Paulo, que foi feito em conjunto com o presidente Lula, em cerimônia realizada dia 26 de junho no Palácio dos Bandeirantes, que é a sede do governo estadual.

O teor do documento petista me assombrou: em documento oficial, o Diretório Estadual do PT em São Paulo afirma e assina que o partido é o dono da verba do PAC – uma parcela do Tesouro Nacional – e que deve eliminar até a simples participação de próceres não-petistas de sua distribuição e uso político.

Preciso comentar mais?



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h54
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Apresentando as Sete Novas Maravilhas do Mundo (I)

Em posts anteriores manifestei minhas dúvidas quanto à validade da escolha das Sete Novas Maravilhas do Mundo através de uma mobilização popular, de não-técnicos.

Tais análises não invalidam, de forma alguma, a importância de cada um dos sete escolhidos, e nem a dos 14 não escolhidos.

Seguindo esta linha, vou apresentar, diariamente, aos meus leitores, os monumentos escolhidos.

Para abrir a série, o nosso Corcovado.

Uma rápida descrição: A estátua do Cristo Redentor, a 709 m do nível do mar, oferece uma das mais belas vistas dos morros e baías do Rio de Janeiro. O monumento religioso foi inaugurado em 1931, após cinco anos de obras.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h12
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Sem-teto invasores tentam assumir o papel de vítimas da sociedade

Na madrugada do dia 28 de abril deste 2007 cerca de 80 famílias sem-teto invadiram o prédio denominado “Maison Pratique”, situado na Rua Corinto, número 217, no Bairro Serra.

Trata-se de um dos inúmeros prédios que tiveram suas obras paralisadas com a falência da Construtora Encol, há cerca de 15 anos.

Como aconteceu com a maioria destes empreendimentos, as obras continuaram paradas durante anos para que os proprietários que haviam comprado os apartamentos em construção conseguissem resolver as muitas pendências jurídicas, principalmente a organização de um grupo que pudesse terminar as obras.

Como a legislação brasileira é confusa e a capacidade de organização social do nosso povo em pequenos grupos é baixa, em todos os casos se passaram anos, poucos ou muitos.

Segundo a matéria do jornal Hoje em Dia de 06/07/2007, página 15, “no dia 28 de abril, o local, que é murado, tinha cadeado no portão e um vigia durante o dia – pago pelos proprietários –, foi invadido de madrugada”.

No dia 1º de maio a Justiça concedeu liminar para a desocupação. A Polícia Militar marcou o cumprimento apenas para o dia 24 do mesmo mês, mas antes disso o Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão para julgar um recurso dos sem-casa, o que ainda não aconteceu, segundo a matéria.

O que no Primeiro Mundo é crime comum, nesta Terra de Cabral está virando um interminável jogo manifestações sócio-políticas, com a participação da Prefeitura e da Assembléia Legislativa e proposta de pagamento de Bolsa-Habitação para os invasores.

As declarações estampadas na reportagem também seguem na linha de, através de um filtro deformador, transformar o ato criminoso em ato de defesa de oprimidos. Em curiosa jogada de marketing a invasora Cristiane Silva Lima se apresentou como coordenadora do grupo “Sem-Teto João de Barro” e declarou: “não queremos prejudicar ninguém. Invadimos o prédio para chamar a atenção da sociedade com relação ao problema”.

Ressalta, no caso, a confusão entre o social e o pessoal, entre o particular e o público. O prédio é particular, pertence a pessoas de classe média que usaram uma parte substancial do dinheiro auferido no trabalho diário para adquirir um apartamento. No sistema democrático e representativo, a função de resolver os problemas sociais cabe aos políticos e autoridades eleitos constitucionalmente para esta função.

Se fosse legalizada uma situação como esta, a organização da vida de um cidadão comum passaria a depender da sorte: se as propriedades dele fossem invadidas, teria que aceitar a situação e reconstruir a vida, se possível; se for um sortudo, terá uma vida melhor e mais segura.

Seria como estar ou não na frente de um carro que vem na contramão, logo depois da curva, em uma estrada que permite alta velocidade. A dependência do acaso determina o ocaso.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h49
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Belo editorial de Eliane Cantanhêde sobre a imunidade parlamentar

Hoje o post é para uma dica de leitura: um editorial da Folha de São Paulo, edição de 08/07/07, sobre a questão da imunidade parlamentar. Como não é grande, transcrevo abaixo:

 

ELIANE CANTANHÊDE

 

Sono dos justos e dos injustos

BRASÍLIA - Levantamento da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) revelou o resultado das 130 ações protocoladas no Supremo Tribunal Federal desde 1988 contra autoridades do país: nenhum. "Imunidade parlamentar", pela qual políticos com mandato só podem ser julgados pelo Supremo, é igual a impunidade.

O resultado foi divulgado um ou dois dias depois da decisão do ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo, libertando duas dezenas de capturados na Operação Furacão da PF, inclusive notórios bicheiros que mandam no Rio há décadas.

Fiquem ou não bravas Suas Excelências, as duas coisas reforçam o nosso velho sentimento de que a Justiça no país não é exatamente para fazer justiça. Na prática, a polícia nos Estados prende e arrebenta... os pobres. E a Justiça justifica e alivia... os ricos e poderosos.

Maluf freqüenta salões e plenários, apesar dos cheques, depósitos e decisões nos EUA, e Luiz Estevão tem time de futebol depois de inocentado por um dos juízes Mazloum, pego justamente por vender sentenças judiciais. Seria de rir, não fosse de chorar.

Agora, esse drible do ex-governador do DF Joaquim Roriz, que renunciou rapidinho ao mandato no Senado para voltar nas próximas eleições, enquanto o seu suplente, Gim não sei do quê, nem assumiu a cadeira de senador e já sentou na de réu. E a gincana do processo de Renan Calheiros, do Conselho de Ética para o plenário, do plenário para o Supremo e dali para o vazio.

Se o sujeito pode se candidatar mesmo com folha corrida; se renuncia para voltar como se nada tivesse acontecido; se escolhe a seu bel-prazer um suplente que tem dinheiro, mas não voto; se pode empurrar processos de lá pra cá... há alguma coisa errada aí. E no final, se falharem todas essas instâncias e jeitinhos, tem uma que não falha jamais: é só levar o caso ao Supremo.

E dormir o sono dos justos.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h43
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Grande imprensa internacional critica a eleição das Novas Sete Maravilhas do Mundo

O jornal espanhol El Mundo fez, na edição de hoje, um duro editorial contra a escolha das Novas Sete Maravilhas do Mundo, o que definiu como 'farsa em escala global'. Destaco, abaixo, alguns trechos do editorial:

"A explicação é bem simples: a eleição se deu por votos através da Internet e de telefones celulares. O Brasil tem 188 milhões de habitantes, por isso existia um potencial de votantes muito maior que a Espanha ou a Grécia (que concorria com a Acrópole)."

"O que (o organizador Bernard) Weber fez não foi divulgar estas grandes maravilhas artísticas do mundo, e sim tirar proveito delas do ponto de vista econômico. O que é incrível é que prefeituras e instituições públicas em todo o mundo tenham se prestado a participar desta farsa global."

O tradicional jornal francês Le Figaro também seguiu no mesmo tom, como se vê a seguir:

"A organizadora new7wonders reivindica 100 milhões de votos. 100 milhões de votantes? Certamente não: o 'direito' estava limitado a um voto por endereço eletrônico, nada impedia de utilizar vários endereços por pessoa e multiplicar da mesma forma os votos por mensagens de celular para 'rechear as urnas' virtuais".

"Ninguém achava que a Grande Muralha ficaria ausente. Em comparação, as autoridades do Camboja (13 milhões de habitantes) antecipavam a ausência entre os finalistas do principal sítio arqueológico do país, o templo de Angkor."

No parágrafo acima, o Le Figaro quis dizer que a Grande Muralha seria escolhida por causa da maior população da China, em contraposição à relativamente pequena população do Camboja. Abaixo, outros interessantes textos do diário francês:

"A nova lista se firmará? Dificilmente. A África e a América do Norte estão ausentes. Também porque a América Latina votou por si e contra os 'gringos', a Estátua da Liberdade de Nova York não teve chance".

"A pré-seleção dos monumentos foi surreal, com campanhas histéricas sendo lançadas na Jordânia, no Brasil e mesmo na Bavária."

O comentário mais forte com relação ao Brasil foi chamar a campanha pelo Cristo Redentor de “histérica”.

Os trechos acima foram extraídos da matéria “Eleição das sete maravilhas foi 'farsa em escala global', diz jornal”, que pode ser acessada AQUI.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h20
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Balões incríveis (XII)

(Último da série)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h00
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Fundação elege Cristo Redentor como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo

 

Ajudado pelo ufanismo nacionalista brasileiro, o Cristo Redentor conseguiu ser um dos sete mais votados na lista elaborada pela fundação suiça New7Wonders como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo.

A classe política festejou a indicação com participação intensa numa cerimônia religiosa realizada hoje em comemoração.

O concurso recebeu votações pela internet e por mensagens telefônicas.

A Unesco, órgão da ONU que se dedica ao patrimônio mundial e foi citado inicialmente como apoiador da fundação New7Wonders negou-se, oficialmente (segundo matéria de hoje da Folha Online) a participar do evento.

Além do Cristo, foram eleitas como novas maravilhas do mundo:

  • a Grande Muralha da China
  • monumento de Petra, na Jordânia
  • a cidade inca de Machu Picchu, no Peru
  • a pirâmide de Chichén Itzá, no México
  • Coliseu de Roma, na Itália
  • e o Taj Mahal, na Índia



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h36
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Macaco Simão e Renan Calheiros

José Simão – que antigamente assinava Macaco Simão – é um dos melhores redatores de humorismo da imprensa nacional. Na sua coluna da Folha de São Paulo, edição de 06/07/07, extraí os dois parágrafos abaixo, se divertindo com as últimas trapalhadas do Senado e a tentativa de Renan Calheiros de jogar na imprensa a sua (dele) responsabilidade na falsa venda de gado com lucro muito acima do mercado. Haja boi:

E os escandalheiros? E a RES PÚBLICA do Brasil? O Renan Vacalheiros disse que tudo isso é um complô. É que a empreiteira complô ele. É um complado. Gautuno, a impleitela complou ele. Rarará!

E diz que é vítima da imprensa. Claro, ele é vítima de uma jornalista. Rarará! E o Joaquim Bezerroriz renunciou. Ou, como diz o chargista Brum: botou o rabo entre as pernas! Rarará! Agora o negócio é tocá gado!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h36
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A lista de candidatos a Novas Sete Maravilhas do Mundo

Depois de jogar bastante água fria nesta fervura, cito abaixo os 21 candidatos às Novas Sete Maravilhas do Mundo, em eleição eletrônica e popular promovida pela New7Wonders:

 

1 - Acrópole de Atenas, na Grécia

2 - Alhambra, em Espanha

3 - Ruínas de Angkor, no Camboja

4 - Basílica de Santa Sofia, na Turquia

5 - Castelo de Neuschwanstein, na Alemanha

6 - Pirâmide de Chichén Itzá, no México

7 - Coliseu de Roma, em Itália

8 - Cristo Redentor, no Brasil

9 - Estátua da Liberdade, nos Estados Unidos da América

10 - Estátuas da Ilha de Páscoa, no Chile

11 - Grande Muralha da China, na China

12 - Kremlin e a Praça Vermelha, na Rússia

13 - Machu Picchu, no Peru

14 - Ópera de Sidney, na Austrália

15 - Petra, na Jordânia

16 - Pirâmides de Gizé, no Egipto

17 - Stonehenge, no Reino Unido

18 - Taj Mahal, na Índia

19 - Templo de Kiyomizu, no Japão

20 - Tombouctou, no Mali

21 - Torre Eiffel, em França



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h53
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O pouco valor do voto popular na escolha das Novas Sete Maravilhas do Mundo

Termina hoje, daqui a pouquinho, a nebulosa - ou propositalmente mal informada - eleição do Cristo Redentor para a categoria de Novas Sete Maravilhas do Mundo.

Como sempre, já apareceram os espertalhões.

Por todo o Rio de Janeiro foram espalhados cartazes e faixas pedindo votos para o Cristo no site www.votecristo.com.br.

O tal site não cita quais são os seus proprietários, mas tem vários apoiadores oficiais como a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Embratur e a Associação Comercial do Rio.

Permite o voto pela internet, pelo celular (mensagem de texto gratuita), mas também fornece os números de ligação telefônica para fins de voto, um de São Paulo e outro do Rio.

Neste caso, tem a honestidade de informar que as chamadas serão cobradas, inclusive sob a forma de interurbano, se for o caso.

Neste caso, a campanha proporcionará lucro para as empresas de telefonia fixa, mas o site não cita um possível – e óbvio – patrocínio delas.

Segundo o texto, a escolha está sendo feita por uma fundação suíça, que teria apoio da Unesco, órgão da ONU.

Mas a própria Unesco já criticou oficialmente a eleição através da porta-voz Sue Williams, em entrevista à BBC, onde disse: "O New7Wonders é mais direcionado para motivos comerciais do que para conservação de um patrimônio".

Tenho curiosidade – e muitas dúvidas – sobre a garantia da chegada à tal fundação na Suíça de tais votos sob o controle de um site de proprietário não identificado.

E também dúvidas sobre o valor objetivo da votação popular, considerando que cada país ou região do globo tende a votar no seu monumento-candidato.

Inclusive para obter ganhos da indústria do turismo.

Ademais, duvido que 99% dos votantes conheça mais do que 2 ou 3 dos candidatos.

Particularmente, além do Cristo só conheço a Estátua da Liberdade, a Torre Eiffel e o Coliseu.

Não me considero capacitado a emitir um voto justo.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h50
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Balões incríveis (XI)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h00
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Distrito Federal sobe alguns pontos no ranking nacional da corrupção

O senador Joaquim Roriz, representante do Distrito Federal, renunciou ontem ao seu mandato para evitar o processo interno que provavelmente levaria à sua cassação. Com isso, ele agora pode se candidatar a outros cargos nas próximas eleições, inclusive o próprio cargo de senador.

Roriz tem vida pública controvertida e por várias vezes foi acusado de irregularidades. A mais recente foi a partilha com um aliado de um cheque de 2,2 milhões de reais, emitido pelo empresário Nenê Constantino, dono da Gol. Como eles não possuem negócios em comum, a especulação geral é que se trata de dinheiro de corrupção.

O telefonema que eles trocaram sobre a partilha foi gravado, com autorização judicial. O Senado recebeu a gravação e enviou o caso para o Conselho de Ética. Horas depois Roriz renunciou.

O companheiro de partilha telefônica e partilha financeira é Tarcísio Franklin de Moura, duas vezes presidente de um banco público, o Banco de Brasília (BRB), um banco público. No dia 14 de junho, ainda neste cargo, foi preso pelo Polícia Civil após a descoberta de um golpe: segundo o Ministério Público ele teria roubado R$ 50 milhões através do uso de mais de mil cartões corporativos, num golpe que envolveu 19 autores.

Sugiro a leitura da reportagem ONG bandida (clique AQUI), publicada na edição de 20/06/07 da revista Isto É sobre este último caso.

Imediatamente após a renúncia, os aliados tentaram articular uma jogada suspeita para beneficiá-lo. Procuraram os dois suplentes para que também renunciassem, o que provocaria novas eleições, com a participação do próprio Roriz como candidato. Mas o primeiro suplente Gim Argello desapareceu misteriosamente e não assinou. Agora ele tem o prazo de 90 dias para assumir o cargo.

Segundo o site Folha Online, Gim é “acusado de causar um prejuízo de R$ 1,7 milhão à Câmara Legislativa do Distrito Federal, entre outras pendências com a Justiça”. Em 2002 ele foi acusado de receber 300 lotes como propina.

Com isso, os políticos de Brasília se candidatam à disputa do segundo lugar do ranking nacional da corrupção, ainda liderado por Alagoas. É da capital federal o único senador já cassado por corrupção, Luiz Estevão. E o próprio governador atual, José Roberto Arruda, já renunciou ao Senado para evitar a cassação.

Outro brasiliense pioneiro em alguma situação ligada à corrupção foi Pedro Passos Filho, o primeiro deputado deste país preso pela polícia, por crime de corrupção, durante o exercício de seu mandato. Ele é deputado distrital, categoria que só existe no Distrito Federal.

Ele foi um dos 48 presos da Operação Gautama, e ficou na cadeia de 17 a 22 de maio deste ano.

Ele sequer era político até conhecer melhor o padrinho Joaquim Roriz. Em matéria publicada n’O Estado de São Paulo de 27/05/07, “em 1995, a CPI da Grilagem, aberta na Câmara Legislativa, acusou a família do deputado Pedro Passos Filho (PMDB) de liderar a máfia de falsificação de títulos de propriedade”. Ainda segundo a mesma reportagem, “enquanto se defendia das acusações, Passos teria sido convencido pelo então governador do DF, Joaquim Roriz, a entrar para a vida política”. Bela aquisição.

Segundo este e outros jornais, Pedro Passos era considerado quase um filho adotivo de Roriz, tão profunda a ligação. Agora vão ter mais tempo livre para curtir o amor e os belos sentimentos.

O papai tem 70 anos e nasceu em Luziânia, Goiás. O filho tem 43 e é mineiro de Araxá.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h45
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Escrito por Márcio às 18h35
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Por que os bairros mais humildes se urbanizam de forma tão desorganizada?

 

No livro “São Paulo 360 graus”, página 31, o arquiteto e urbanista Renato Cymbalista descreve as duas formas de urbanização que ocorreram em São Paulo: a organizada e a desordenada. Sua descrição vale para todos os processos de urbanização do Brasil.

A organizada: “Além desses loteamentos acolherem a elite da cidade, consolidaram no imaginário da população a idéia, que permanece até os dias de hoje, do que seria um ‘bairro bom’: aquele onde se sucedem, mais ou menos nessa ordem, o plano urbanístico, o arruamento, o provimento de infra-estrutura (redes de água, iluminação e gás), calçamento, construção de espaços públicos, venda de lotes e, finalmente, a edificação privada, quase sempre de residências unifamiliares.”

A desordenada: “em primeiro lugar, chegam as pessoas, comprando lotes irregulares ou ocupando as franjas não comercializadas da cidade. A ocupação dos lotes se dá basicamente por meio da autoconstrução: nas horas de folga, feriados e fins de semana, os moradores da periferia estendem por anos a construção progressiva de suas moradias, recorrendo a serviços especializados apenas quando estritamente necessário e, por vezes, convocando a solidariedade dos amigos e vizinhos para executar as etapas que exigem esforço mais concentrado. A famosa feijoada ou o churrasco na laje é oferecida em retribuição ao apoio coletivo recebido dos colegas para a concretagem de uma laje autoconstruída.”

E segue o autor, se detendo mais na construção da casa do que na organização urbanística: “Uma vez garantido o abrigo mínimo para a sobrevivência mais básica, a batalha do morador da periferia bifurca-se. Do ponto de vista do espaço privado, os trabalhos de consolidação, expansão, adaptação da moradia à realidade da família que vai mudando prolonga-se por anos, muitas vezes pela vida toda. Mais um quarto para separar pais de filhos, um puxadinho nos fundos para alugar, complementando a renda da família sobre a laje mais um andar para o filho que casa, ou cada vez mais freqüente, a venda de uma laje para conhecido ou desconhecido, que constrói a sua casa, muitas vezes coberta por outra laje que é também vendida. A construção da moradia absorve a poupança de vidas inteiras, as famílias freqüentemente têm contas permanentes com as lojas de material de construção, verdadeiros bancos de financiamento para a moradia de baixa renda.”

Este texto foi publicado no livro São Paulo 360º, de dupla autoria. O outro autor é o fotógrafo Helmut Batista, que fez quase todas as fotos com a técnica de 360 graus, usando um equipamento que gira e faz uma única imagem a partir de um círculo completo. Até o formato do livro segue a técnica: é compridinho e baixo. Foi publicado em 2005 pela Editora PanaView Produções Ltda.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h31
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Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h00
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Os erros de registro civil nos cartórios e a chegada da informática

O escritor e jornalista Millôr Fernandes passou a infância e a adolescência assinando “Milton Fernandes”. Aos 17 anos descobriu que o escrivão escreveu o “t” como se fosse um “l” seguido por um pequeno traço que parecia um acento circunflexo depositado sobre a letra seguinte. O homem dos livrões empoeirados de capa preta dura também não terminou a perninha do “n”, que virou um “r”.

Descobriu também que foi registrado no dia 27 de maio de 1924, embora tivesse nascido em 16 de agosto de 1923.

Minha mãe passou boa parte da vida assinando o nome como “Geni”. Já adulta, professora de escola pública em Belo Horizonte, recebeu uma certidão de nascimento do Serro, terra natal, como o nome “Genny”.

Precisou da ajuda de um funcionário público também serrano para superar a velha burocracia nacional, mudar a assinatura e receber o salário.

Erro de cartório também é velho problema nacional e qualquer família tem vários casos parecidos. Mas a informática já chegou aos cartórios e doravante um “t” será sempre um “t”, jamais um suposto “l” com um suposto traço que contaminou um suposto “o”.

Gostaria de saber como a informática e seus escravos computadores vão resolver o problema dos índios xavantes, que não recebem nome antes dos dois ou três anos. Todo menino é chamado de Menino (watebremi ñi tsi) e toda menina é Menina (ba’õtõre ñi tsi). Os índios associam o nome à evolução da pessoa, à “força vital útil à comunidade”.

Ao longo da vida útil os xavantes podem passar por até oito nomes distintos. Geralmente morrem como nasceram: sem nome.

A informação é do livro “Nomes e Amigos – da Prática Xavante a uma Reflexão sobre os Jês”, de Aracy Lopes da Silva, e foi extraída da revista Língua Portuguesa, número 1, ano 2005.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h51
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Escrito por Márcio às 18h56
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Dora Kramer fala dos senadores “sem voto e sem compromisso” - 1ª parte

Ainda na linha do último post, transcrevo abaixo a coluna da jornalista política Dora Kramer, publicada n’O Estado de São Paulo de 21/06/07, sobre a questão dos senadores que foram eleitos como suplentes, muitas vezes com pouca divulgação do nome e currículo deles para o público, e acabaram exercendo boa parte do mandato. O mote do artigo é o representante de Minas Gerais, Wellington Salgado. Quando Dora Kramer escreveu o texto, ele ainda era o relator do processo do Conselho de Ética do Senado contra o próprio presidente da casa, Renan Calheiros.

 

Fui obrigado a dividir o artigo em duas partes, pois cada post tem um limite de caracteres estabelecido pelo programa.

 

          Sem voto e sem compromisso

 

Dora Kramer

O relator substituto de Epitácio Cafeteira no caso do Conselho de Ética do Senado que examina as denúncias contra o senador Renan Calheiros, Wellington Salgado, é um homem ousado

Ele se tem na conta de destemido e, nessa condição, declarou que não deve satisfações à opinião pública do País que lhe paga o salário e as benesses herdadas, junto com as prerrogativas de imunidade e poder, do titular do mandato e hoje ministro das Comunicações, Hélio Costa

Disse isso para sustentar a decisão de avalizar o relatório do antecessor, já devidamente desmoralizado pelos fatos. A fim de parecer isento em relação ao réu, pontuou o fato de que não tem “voto em Alagoas

Nem em Alagoas nem em lugar algum, pois Wellington Salgado chegou ao Senado por obra e graça de uma regra deformada pela qual o eleitor escolhe um senador e automaticamente confere mandato potencial a três, dois dos quais sujeitos ocultos da eleição

Wellington Salgado integra a bancada dos sem-votos hoje formada por uma dúzia de senadores biônicos que, por não terem chegado à Casa por delegação direta do eleitor, no exercício do mandato se sentem muito confortáveis quando é preciso virar as costas à sociedade para preservar o interesse do compadrio interno. Não estão submetidos ao escrutínio da opinião pública para sobreviver na carreira

A atuação estridente de Salgado - trata-se de um homem ousado, como sabemos - põe a questão dos suplentes de senadores de novo na ordem (ou na desordem) do dia

O sistema em vigor é o seguinte: cada senador tem dois suplentes escolhidos para integrar a chapa sem concorrer a votos. No caso do impedimento do titular - que pode se dar por morte, doença, renúncia, cassação ou por acordo de cessão de uma parte do mandato em ressarcimento a ajuda financeira ou apoio político recebidos durante a campanha -, o suplente assume pelo tempo ditado pelas circunstâncias, um dia, um ano, quatro ou o restante do mandato de oito anos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h44
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Dora Kramer fala dos senadores “sem voto e sem compromisso” - 2ª parte

 

Antigamente, não funcionava assim. Os suplentes também eram votados e assumiam na vacância sem ferir a natureza da representação por delegação de voto popular.

 

Um exemplo: Fernando Henrique Cardoso tornou-se senador em 1983 ao assumir a vaga de Franco Montoro, eleito governador de São Paulo no ano anterior, porque foi o segundo mais votado na chapa do PMDB.

 

A regra atual, além de agredir o princípio do voto direto, não confere legitimidade a parte do colegiado e dá margem a situações condenáveis, como a do acordo feito anos atrás pelo então senador Saturnino Braga para dar ao hoje ministro do Trabalho, Carlos Luppi, metade do mandato.

 

Ele se propunha, no acerto, a renunciar. A transação foi descoberta, denunciada por Luppi quando viu que Saturnino não honraria (se é que se aplica ao termo) o combinado, mas, como estava tudo dentro da norma, a apresentação de desculpas públicas por parte daquele se que se propôs a “rachar” o mandato encerrou o episódio.

 

São vários e conhecidos os casos de senadores cujos suplentes são seus pais, filhos, irmãos, cunhados, esposas ou funcionários. Houve, tempos atrás, um que levou ao Senado o mestre de obras responsável pela reforma de sua casa.

 

Muito comum também é a entrega do posto a financiadores de campanha. Enquadra-se nessa categoria Wellington Salgado, que já teve oportunidade de explicar os motivos de sua escolha por parte de Hélio Costa.

 

Foram duas: “Uma é a minha presença no Triângulo Mineiro, onde tenho faculdade e um time de basquete. A outra é o apoio financeiro, claro.”

 

Portanto, explica-se a segurança exibida por Wellington Salgado quanto à posse legítima de uma vaga no Senado, visto que, conforme informou, pagou por ela.

 

Enquanto isso, a proposta do senador Jefferson Peres para que se mude a regra, dando caráter temporário à substituição e instituindo nova eleição em caso de vacância definitiva, dorme o sono dos injustos na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.



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Escrito por Márcio às 18h41
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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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