Márcio de Ávila Rodrigues


Balões incríveis (VII)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h28
[ ] [ envie esta mensagem ]



Suplentes não eleitos, a nova versão dos senadores biônicos do Brasil

Esta crise envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros, também serviu para trazer à luz a questão dos senadores não-eleitos, aqueles que eram suplentes durante o processo eleitoral e passaram a exercer o cargo com o afastamento do titular para ocupar um cargo executivo.

A atual Constituição brasileira prevê uma singularidade para o cargo: o leitor vota apenas para senador, em um candidato que se inscreve numa chapa com dois suplentes. O eleito automaticamente carrega os dois companheiros.

Com isso, virou praxe que as vagas sejam ocupadas por cidadãos de fora da área política. Geralmente são indicados e escolhidos pelo candidato principal.

Há casos em que os titulares são familiares, amigos ou até empregados. Quando Antônio Carlos Magalhães renunciou para evitar a cassação por ter descoberto os votos secretos do painel eletrônico, sua vaga foi ocupada pelo filho Antônio Carlos Magalhães Júnior.

O mais comum é que o suplente seja um ricaço, que financiou a campanha. Foi exatamente o caso do Wellington Salgado, o suplente do mineiro Hélio Costa.

O carioca Wellington Salgado de Oliveira é um empresário do ramo da educação (Universo, que é a sigla de Universidade Salgado de Oliveira) que financiou o ex-repórter global e assumiu a vaga quando este virou Ministro das Telecomunicações.

Aliás, já está esquecido o escândalo de outubro de 2005, quando o jornal Estado de Minas descobriu que ele deu um falso endereço residencial na cidade mineira de Araguari para justificar a candidatura por Minas Gerais.

Os políticos bons de voto não se interessam em ficar oito anos numa vaga que não representa cargo, só podendo ocupar o cargo em caso de morte ou afastamento do titular.

Em 1977, o presidente Ernesto Geisel fechou o Congresso Nacional e criou a figura do senador biônico, que era o senador indicado por um colégio eleitoral, sem passar pelo voto. A situação foi extinta após o final do Ciclo Militar, mas tem alguma semelhança com a atual situação do suplente sem voto.

Os analistas políticos concluíram que o grupo do Renan Calheiros está usando os suplentes sem voto para as manobras em defesa do presidente do Senado pelo fato de eles não terem preocupação com a opinião dos eleitores, exatamente por não terem sido eleitos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h25
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (VI)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h11
[ ] [ envie esta mensagem ]



Esposas e namoradas estão sempre por trás dos escândalos políticos

Este caso do presidente do Senado Renan Calheiros explodiu a partir de algo que já virou uma marca na política brasileira: o escândalo policial que é deflagrado por um escândalo familiar.

Confirmando a fragilidade das instituições nacionais, tornou-se mais comum um grande escândalo político se iniciar – ou alcançar maiores proporções – quando um membro da família do acusado alcança as manchetes.

Renan Calheiros ficou em maus lençóis quando o Jornal Nacional anunciou – e provou – que eram falsos os documentos que ele apresentou para provar que tinha um rendimento financeiro que justificasse a alta pensão de uma filha de três anos, fruto do relacionamento extraconjugal com uma jornalista.

O escândalo do governo Collor – de quem o próprio Renan chegou a ser o principal aliado – teve como principal fator de agravamento uma entrevista duríssima do irmão do presidente, Pedro Collor.

A morte de Paulo César Farias, o PC, deve à namorada e também assassinada Suzana Marcolino uma parte da publicidade em torno do caso, principalmente depois da divulgação das fitas de áudio em que ela demonstrava pular a cerca com um dentista.

De influência mais direta foi o caso do juiz Nicolau dos Santos Neto, cujo genro foi à imprensa, depois a uma CPI do Congresso Nacional e ainda entregou vídeos às televisões depois que o sogro começou a usar o poder político para pressioná-lo durante o processo de separação da filha.

Mas no quesito crueldade nada disso se compara ao Escândalo dos Anões. O ponto de partida foi o seqüestro e assassinato de uma mulher por um marido poderoso, de fortes ligações no mundo político.

Este marido era o economista José Carlos dos Santos. Em 1993 a mulher dele desapareceu e ele deu queixa de seqüestro. A polícia desconfiou e, ao prendê-lo, descobriu a jóia da coroa: documentos que comprovavam a manipulação do orçamento federal por uma comissão de deputados, episódio que ficou conhecido como o Escândalo dos Anões, por causa da baixa estatura da maioria dos membros da comissão.

Vários deputados foram cassados, inclusive o próprio presidente da Câmara Federal, Ibsen Pinheiro, que recentemente voltou às manchetes com a nebulosa confissão de um jornalista que alegou ter publicado informações inverídicas sobre ele.

O assassino José Carlos dos Santos, pelo contrário, conseguiu ser esquecido pela mídia.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h08
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (V)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h21
[ ] [ envie esta mensagem ]



O público está sempre pedindo bis

A sociedade é capaz de algumas formas de comportamento que só a psicologia explica. Estranhamente, esta explicação é mais adequada a um psicólogo infantil do que ao especialista em adultos.

Uma delas é o pedido de bis por parte do público nos shows musicais.

Nos livros mais antigos percebe-se que era uma forma de o público premiar a bela interpretação. Quando a platéia se extasiava, gritava o bis e o artista voltava e acrescentava um número, de brinde.

Mas o brasileiro é muito educado e generalizou. Agora pede bis para todos os cantores.

Virou praxe. Se o artista vai fazer um show de uma hora, programa 55 minutos, sai rapidinho fingindo que não vai voltar mais, toma uma aguinha e retorna, no meio dos gritos de "mais um", a tradução do bis em português.

Virou lei. Quando o público não pede por “mais um”, é melhor o artista sair pela porta de trás e mudar de profissão.

Uma subversão da lógica.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h11
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (IV)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h37
[ ] [ envie esta mensagem ]



O Capeta penetra na Igreja do Evangelho Quadrangular

Assustador este caso que estourou no último fim de semana, sobre a prisão de um intermediário do assassinato do deputado federal Carlos Willian, que estaria agindo a mando de outro deputado federal por Minas Gerais, Mário de Oliveira, líder da Igreja do Evangelho Quadrangular.

Carlos Willian também fez carreira à sombra da mesma igreja, entrou em dissidência com o líder maior, saiu de lá mas se elegeu deputado assim mesmo.

Segundo a polícia, o crime só não se consumou porque Carlos Willian viajou com o presidente Lula e se afastou da rota traçada para o crime.

“Alemão”, o assassino contratado, fugiu, mas deixou para trás um cartão de memória com gravações da conversa com Odair da Silva, freqüentador da Igreja Quadrangular, que confessou ter feito a contratação a pedido de Celso Braz do Nascimento, chefe de comunicação da igreja,

O preço da vida do deputado era de 150 mil reais.

As igrejas evangélicas já haviam caído no noticiário policial deste ano quando o casal de pastores Estevam Hernandes Filho e Sônia Haddad Moraes Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, foi detido pela polícia americana – e continua preso, uniformizado, na cadeia – por transporte ilegal de dólares.

Sugiro a leitura de meu post  de 14/01/07 (clique no link, que é http://marcio.avila.blog.uol.com.br/arch2007-01-01_2007-01-31.html) onde me refiro a uma entrevista da mãe do ex-piloto desta igreja, que morreu por culpa indireta deles.

A Srª Dulce Carrapatoso conta histórias incríveis, inclusive uma viagem de helicóptero com a função exclusiva de transportar 12 garrafas de água Perrier para a filha do religioso casal.

Voltando ao Mário de Oliveira, me lembro que ele deu muito trabalho ao então governador de Minas Tancredo Neves ao exigir publicamente o cargo de secretário de estado.

Tancredo, velha raposa, conseguiu negar sem perder o apoio político.

De 1983 até hoje Mário de Oliveira só não se elegeu no período 2003-2006.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h29
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (III)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h28
[ ] [ envie esta mensagem ]



Parceria homem-animal está em decadência

O telejornal Hoje, da TV Globo de 02/06/2007, apresentou uma reportagem sobre os jumentos abandonados do Nordeste.

São tantos que acabaram se tornando um problema rodoviário, causando risco para o tráfego e obrigando as polícias rodoviárias estadual e federal a criar brigadas de captura.

Policiais tiveram que aprender a arte do laço e vaqueiros profissionais foram contratados para ajudar e também para ensinar.

Reportagens anteriores mostraram problemas parecidos com os leões de circo.

Vários foram abandonados porque os circos estavam quebrando e a alimentação dos leões custa caro.

Faltou uma reportagem explicando porque os antigos donos simplesmente não os doavam para zoológicos.

A verdade é que a zoologia está em baixa (a palavra mais adequada seria zoofilia, mas o erotismo popular do brasileiro já criou um significado maldoso para ela).

Os animais estão se desvalorizando nos quesitos lazer e trabalho, mas continuam em alta no quesito sentimental (companhia de estimação) e na alimentação.

Automóveis e caminhões já tornaram o trabalho animal obsoleto há décadas, mas ainda havia alguma resistência junto às classes baixas.

Mas o automóvel velho, usado e remendado parece ter invadido o nordeste e a jegada foi abandonada na beira das rodovias.

Outro sintoma dessa mudança de comportamento é a decadência dos esportes eqüestres.

Redescobertos nos anos 80, já voltaram ao ostracismo, sufocados pela realidade da selva de pedra, pela criminalidade que chegou até aos sítios e centros hípicos e também pela tendência moderna de passar a borracha no Velho e adotar o Novo.

Até um animal virtual, o Jogo do Bicho, entrou em decadência, perdendo espaço para jogos que não guardam nenhuma associação com o mundo cotidiano, os números de sorteio aleatório da Caixa Econômica Federal.

Novos tempos!



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h22
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (II)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 16h51
[ ] [ envie esta mensagem ]



Campanha na internet – Ayrton Senna vs. Schumacher

Circula na internet uma campanha com a finalidade de angariar votos para Ayrton Senna numa enquete que pretende escolher o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. A corrente de e-mails informa o link do jornal italiano Corriere Della Sera, realizador da pesquisa de opinião pública.

Não é a primeira campanha deste tipo. Meses atrás um gaiato brasileiro descobriu uma campanha idêntica feita por um jornal argentino, pesquisando o melhor jogador de futebol. A corrente brasileira, no fundo, era mais para derrubar o favoritíssimo Maradona do que para favorecer Pelé, que somente quem tem no mínimo 55 anos de idade realmente conheceu.

A argumentação dos defensores do voto no Ayrton não me convence: “Não é pelo cara (se bem q ele mereceria), mas para que o resto do mundo lembre daquela bandeira VERDE e AMARELA sendo agitada pelas pistas nas manhãs de domingo. Vai dar Senna !!!! Depende de nós!!! É a nossa vez de retribuir as alegrias que ele nos deu durante as manhãs de domingo. Que orgulho que ele nos passava de ser brasileiros!, então. Vamos lá pessoal! Divulguem para que todos possam votar.”.

Apela para o sentimentalismo, atingindo a maioria das pessoas. Meu racionalismo perde longe.

O amigo Luca, no alto de seu racionalismo, vai na contramão: “Pois, eu os convido a fazer justamente o contrário. Votem no Schumacher! Acho ridículo esse ufanismo injustificado (se é que algum tenha justificativa). Ora, como posso eleger como melhor piloto do mundo de todos os tempos, uma cara que  - apesar de reconhecidamente ser um piloto habilidoso, ter conquistado três títulos mundiais, ter quebrado inúmeros recordes - pôs fim à própria vida por imprudência, por não aceitar os limites do seu carro e a superioridade de Schumacher no momento. Morte que interrompeu, talvez uma carreira mais vitoriosa. Já Michael Schumacher, conquistou 7 títulos mundiais, mais do que o dobro do que o concorrente, quebrou vários outros recordes e se tornou o maior vencedor da categoria. É claro que o alemão teve uma carreira muita mais longa, pois foi prudente o suficiente para conhecer os seus limites e os de seu carro. Schumacher não era tão arrojado quanto Senna, diriam as ‘viúvas’ do brasileiro. Pode até ser que não, mas definitivamente, era mais preciso, frio, estrategista. Qualidades diferentes, mas que - em uma competição em que milésimos de segundo e minúcias nos ajustes fazem grande diferença - talvez sejam mais relevantes do que a impetuosidade, o arrojo, a vontade de superação, o patriotismo,  indiscutíveis em Ayrton Senna. Schumacher colocou o pé no freio. Parou quando sentiu que não conseguiria ser mais o melhor. É uma lenda viva. Ayrton não. Pisou no acelerador, cruzou os limites, atravessou a pista e virou um Deus... morto. Meu voto é para o terreno alemão. Para Senna, minha homenagem de honra ao mérito (in memorian).”

Pessoalmente, se fosse votar, não sei em quem votaria. Acompanho a Fórmula 1 desde os anos Fittipaldi, mas não entendo o suficiente para ter convicção nesta escolha.

Prefiro aproveitar a chance para acompanhar o Luca no elogio da inutilidade do ufanismo, do nacionalismo barato, da xenofobia; na inutilidade do patriotismo que confunde pátria com patriotada.

Reconhecer que alguém pode ser melhor do que você é racionalismo, objetividade, humildade. Querer ser sempre o melhor de todos, em qualquer circunstância, é deformação psíquica.

No início dos anos 70 fui redator de esportes especializados num jornal local, hoje extinto. Na época, até se justificaria um sentimento de inferioridade do brasileiro no esporte, com exceção do futebol. De lá para cá o vôlei explodiu, apareceram o Guga, o João do Pulo, alguns nadadores, os grandes pilotos, e até cavalos de corrida de altíssimo nível.

O brasileiro já chegou ao Primeiro Mundo no esporte. Falta chegar na política, na economia, no índice de desenvolvimento humano.

Para quem quiser votar, o link é http://www.corriere.it/appsSondaggi/pages/corriere/d_96.jsp



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h35
[ ] [ envie esta mensagem ]



Balões incríveis (I)



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h50
[ ] [ envie esta mensagem ]



Novidade na hotelaria de Belo Horizonte

Matéria do jornal Hoje Em Dia de 17/06/07 destaca uma série de hotéis que estão projetados para os próximos anos na capital mineira.

A maioria é da rede Accor, que usa marcas diferentes – as bandeiras ­ – de acordo com a destinação: Fórmula 1 (o mais simples), Ibis, Novotel e Mercure.

A política do grupo é um estilo moderno, com maior distanciamento do cliente: alojamentos iguais e preço fixo sem descontos

De presente, a ausência de cortesias tradicionais, como o café da manhã e a guarda de malas.

A modernidade aparece em seus conceitos mais relacionados ao cosmopolitismo e às megalópoles do século 20: em relação ao cliente, mais frieza (atrás do sorriso do atendente) e distanciamento, permitindo negociações rápidas.

O pacote vem fechado, não dá margem a opções pessoais: ou o cliente aceita, ou recusa.

A técnica é adequada aos tempos de internet, pois permite a negociação virtual, seguindo menus simples e de fácil acesso.

Uma tendência que apareceu antes na aviação comercial e rapidamente dominou os céus do Brasil, iniciada pela Gol e copiada – com adaptações, para disfarçar – pela líder TAM, as novas donas do mercado com a autodestruição de Varig e Vasp.

Aliás, os saguões dos hotéis Accor estão abarrotados de frias máquinas que lêem notas e moedas de dinheiro Real e liberam barras de cereais e outros alimentos empacotados.

São os garçons dos novos tempos.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h58
[ ] [ envie esta mensagem ]



Quem está vazando a participação do irmão do Lula?

Paulo Lacerda, o diretor-geral da Polícia Federal, em uma entrevista ao Caderno Brasília do jornal Hoje Em Dia de 17/06/07, esclareceu a origem do vazamento da participação do Vavá, irmão do presidente Lula na Operação Xeque-Mate, que combateu a chamada "Máfia dos Caça-Níqueis". Vavá teve conversas telefônicas gravadas, nas quais pediu R$ 2 mil para fazer lobby e intermediação para os contraventores.

Sem citar o nome, ele atribuiu o caso a um advogado. Afirmou que "temos até como provar".

Mais adiante, explica que "Para evitar o cerceamento de defesa dos acusados o Judiciário tem autorizado os advogados a terem acesso imediato a todas as informações que estão na investigação. Aí são passadas cópias das peças. Ora, são 30 ou 40 profissionais que recebem isso."

Com tantas dezenas de pessoas com acesso à documentação, não tem sentido ficar fazendo teoria da conspiração quanto a vazamento da Polícia Federal. Principalmente porque o pobre do Vavá não deve ser cliente de nenhum dos advogados que receberam o DVD com a gravação, pois nem indiciado foi.

Esta história me faz lembrar – uma associação livre, pois o caso não é exatamente igual – a operação do Tancredo Neves, no dia em que deveria estar tomando posse como presidente do Brasil. A cirurgia foi feita num hospital público de Brasília, por um cirurgião que exercia o cargo de diretor do hospital.

Dependente dos políticos, ele não teve coragem de limitar a entrada de pessoas à sala de cirurgia. Entre 35 e 40 pessoas entraram lá dentro enquanto ele operava. Na mesa cirúrgica, o presidente da república com 74 anos de idade e o abdome exposto.

Alguns, posteriormente identificados, eram dublês de políticos e médicos. Deram dupla carteirada na portaria do bloco cirúrgico. "Sabe com quem está falando?". Ou então: "sou médico, vim ajudar na cirurgia".

O abscesso foi drenado mas as infecções mataram, uns dois meses depois, o único presidente eleito e não empossado do país.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h24
[ ] [ envie esta mensagem ]



Brasilianista Maxwell fala sobre a propina no Brasil

Nos Estados Unidos e Europa existem muitos brazilianists, cientistas sociais especializados neste estranho país chamado Brasil. Um dos mais famosos é o historiador britânico Kenneth Maxwell, também articulista da Folha de São Paulo. Na sua coluna de 31/05/2007 ele escreveu um artigo sobre a propina, que transcrevo abaixo:

 

Propinas: passado e presente

 

NO BRASIL, a propina tem uma história venerável. As lucrativas e íntimas interconexões entre o abuso de poder governamental, as quantias substanciais propiciadas pelos contratos e os empresários que recebem do Estado esses contratos não é novidade nenhuma.

 

Nas Minas Gerais da era colonial, propinas generosas eram formalmente incorporadas ao custo dos contratos concedidos pelo governo. O governador da Província e os funcionários do Judiciário recebiam adicionais aos seus salários oficiais conhecidos como "propinas", o que explica a origem do uso dessa palavra para descrever tal forma de pagamento no Brasil.

 

Em 1780, por exemplo, o governador de Minas Gerais recebeu, além do seu salário oficial, adicionais de cerca de 50% em forma de propinas, consideradas legais e que constavam das contas oficiais do governo. Os magistrados e outros funcionários locais recebiam suplementos salariais semelhantes, se bem que menos generosos.

 

 As propinas vinham de empreiteiros que haviam recebido contratos para arrecadar em nome do governo a maior parte das receitas do Estado. De fato, o Estado havia privatizado a função básica de recolher impostos muito antes da década do neoliberalismo.

 

Os contratos que envolviam arrecadar impostos de importação e de exportação para o território da Província e tributos sobre a produção, uso de estradas e venda de produtos costumavam ser concedidos aos mais importantes empresários locais. O sistema gerava muitos abusos, e reformá-lo era virtualmente impossível. De fato, quando, em 1784, um oficial da contabilidade recomenda a reforma tributária, dizendo que esse método de contratação era prejudicial para o Estado, o governador e o chefe de Judiciário foram ambos totalmente contra qualquer mudança, apesar de serem inimigos e de discordarem sobre tudo. O que fica claro é que gente demais no interior do sistema lucrava com a maneira pela qual ele operava, embora o povo, evidentemente, não se beneficiasse. O povo se via forçado a pagar impostos pelos coletores, que desejavam extrair o máximo lucro de seus contratos com as autoridades.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h48
[ ] [ envie esta mensagem ]



Brasilianista Maxwell fala sobre a propina no Brasil (trecho final)

Eis o final do artigo de Kenneth Maxwell, que teve que ser dividido pois ultrapassou o limite de caracteres determinado pelo provedor UOL:

 

Quanto mais impostos eles arrecadassem para além do montante prometido ao governo, mais dinheiro sobrava para eles. Foi Joaquim José da Silva Xavier que definiu a situação da melhor maneira: "Os governadores... cada três anos vinham... e todos iam cheios de dinheiro, que traziam uma machina de creados, e que cada um delles ia à proporção cheio".

 

Tiradentes estava falando, é claro, sobre governadores e criados vindos de Lisboa, e não sobre aqueles que hoje vivem em Brasília.

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h47
[ ] [ envie esta mensagem ]



Chapeuzinho Vermelho e a mídia brasileira

Esta está rodando a internet. Alguém bolou como a mídia brasileira trataria da notícia da história de Chapeuzinho Vermelho, o conto-de-fadas infantil conhecido por todos. Achei bem criativa.

JORNAL NACIONAL: (William Bonner): Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem.. (Fátima Bernardes): ... mas a atuação de um lenhador evitou uma tragédia.

FANTÁSTICO: (Glória Maria): Que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo . Não é mesmo, querida?

CIDADE ALERTA: (Datena) Onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? A menina ia para a casa da avozinha a pé ! Não tem transporte público! E foi devorada viva! Põe na tela! Tem um "link" para a floresta, diretor?

REVISTA CLÁUDIA: Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho.

REVISTA NOVA: Dez maneiras de levar um lobo à loucura.

REVISTA MARIE-CLAIRE: Na cama com o lobo.

O ESTADO DE S. PAULO: Fontes confirmam que Lobo que devorou Chapeuzinho seria filiado ao PT .

VEJA: Exclusivo! Ações do Lobo eram patrocinadas pelo governo Lula e o PT.

Páginas Amarelas da VEJA: "Está claro que houve tentativa de quebra de sigilo bancário da Chapéu por parte de Dilma e Tasso Genro. Eles têm que cair." - Arthur Virgílio.

ESTADO DE MINAS: Chapeuzinho come o lobo enquanto o lenhador vai prá floresta com a vovó.

ZERO HORA: Avó de Chapeuzinho nasceu no RS.

AGORA: Sangue e tragédia na casa da vovó!

CARAS: Chapeuzinho fala a CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida. Hoje sou outra pessoa"

PLAYBOY: Veja o que só o lobo viu!

ISTOÉ: Gravações revelam que lobo foi assessor de influente político de Brasília.

G MAGAZINE: Lenhador mata o lobo e mostra o pau!

O FUXICO: A toca do Lobo era na mata atrás da casa do Marcos Valério.

JORNAL DO PT: Lula não sabe de nada!



Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 19h55
[ ] [ envie esta mensagem ]



Carros abandonados nas ruas de Belo Horizonte

Continuo impressionado com este fato comum em todo o Brasil: pessoas abandonam carros velhos na rua e os órgãos da administração pública não tomam providências.

Este velho Brasília está abandonado há meses na Avenida Petrolina, bairro Sagrada Família. Até as rodas já desapareceram.

Consultando no site do Detran-MG, verifiquei que foi fabricado em 1978 e tem 2 multas de 2005 por excesso de velocidade.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h16
[ ] [ envie esta mensagem ]



Carro moderno polui 99% menos que carro antigo

Uma interessante matéria publicada n’O Estado de São Paulo de 03/06/07, página B12, garante que os carros a gasolina fabricados até 1980 emitiam 33 gramas de gás carbônico por quilômetro rodado, enquanto os carros novos emitem 0,33 grama, ou 100 vezes menos.

Os números me impressionaram e não tenho porque duvidar da matéria. Como é uma informação interessante, transcrevo o texto, com exceção de dois parágrafos, que me pareceram dispensáveis:

"Com mais de 20 anos, ele polui 100 vezes mais [título]

Carro velho normalmente é sinônimo de poluição atmosférica, acidentes e problemas de trânsito, afirmam autoridades dessas áreas. Modelos acima de 20 anos emitem 100 vezes mais monóxido de carbono (CO), uma substância tóxica, do que um automóvel novo.

Segundo o engenheiro Carlos Eduardo Komatsu, gerente do Departamento de Tecnologia do Ar da Cetesb, carros a gasolina fabricados antes de 1980 emitiam 33 gramas de CO por quilômetro rodado, isso quando ainda eram novos. Com o tempo de uso e a falta de manutenção, o índice é ainda mais elevado. Hoje, os carros novos emitem 0,33 grama para fazer o mesmo percurso.

'A introdução de tecnologias como os catalisadores ajudou a reduzir as emissões', diz Komatsu. Os veículos, principalmente os mais velhos, 'são os grandes vilões da qualidade do ar', afirma. Os efeitos do CO nas pessoas normalmente são dor de cabeça e náuseas, mas a concentração elevada da substância pode até levar à morte.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) credita grande parte dos problemas do trânsito de São Paulo, que concentra a maior frota de veículos do País, aos carros velhos. Em média são retirados das ruas diariamente 460 veículos parados por problemas mecânicos, quase sempre por falta de manutenção. O órgão também informa que 48% dos acidentes na cidade são causados por falhas mecânicas."



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h13
[ ] [ envie esta mensagem ]



Mario Vargas Llosa analisa a mídia do espetáculo (3ª e última parte)

Como eu selecionei muitos trechos do artigo de Mario Vargas Llosa sobre a mídia, publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/06/2007, tive que abrir duas continuações, pois os blogs do UOL têm limitação de espaço por mensagem. Seguem, abaixo, mais alguns trechos:

·         Não são as idéias, a conduta, as façanhas intelectuais e científicas, sociais ou culturais que fazem com que um indivíduo se destaque, ganhe o respeito e a admiração de seus contemporâneos e se transforme num modelo para os jovens. Quem se destaca são as pessoas mais aptas a ocupar as primeiras páginas da informação, seja pelos gols que marcam, pelos milhões que gastam em festas faraônicas ou pelos escândalos que protagonizam.

·         a liberdade não desaparece só quando os governos despóticos a reprimem ou censuram. Outra maneira de acabar com ela é esvaziá-la de substância, desnaturalizá-la, escondendo-se atrás dela para justificar atropelos e tráficos indignos contra os direitos civis.

·         Ao mesmo tempo, a liberdade permitiu que essa reorientação do jornalismo em direção à meta primordial de divertir leitores, ouvintes e telespectadores fosse avançando em proporções cancerosas, estimulada pela competência que os mercados exigem. Se há um público ávido por esse alimento, os meios lhe dão.

·         Há, é claro, quem diga que ocorre justamente o contrário: o mexerico, o esnobismo, a frivolidade e o escândalo agarraram-se ao grande público por culpa dos meios, o que sem dúvida também é certo, pois uma e outra coisa não se excluem, complementam-se.

·         Qualquer tentativa de frear legalmente o sensacionalismo jornalístico equivaleria a estabelecer um sistema de censura, e isso teria conseqüências trágicas para o funcionamento da democracia.

·         nós, cidadãos dos países livres e privilegiados do planeta, estamos condenados a continuar recebendo as tetas e bundas dos famosos, e suas velhacarias gongóricas, como nosso alimento de cada dia.

 

 

No site do Estadão este artigo é exclusivo para assinantes, mas ele está disponível no site do blogueiro Ricardo Noblat. Para acessá-lo, clique AQUI.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h54
[ ] [ envie esta mensagem ]



Mario Vargas Llosa analisa a mídia do espetáculo (continuação)

Como eu selecionei muitos trechos do artigo de Mario Vargas Llosa sobre a mídia, publicado no jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/06/2007, tive que abrir uma continuação pois os blogs do UOL têm limitação de espaço por mensagem. Seguem, abaixo, mais alguns trechos:

·         Não me refiro apenas à imprensa marrom, que não leio. Mas essa imprensa, desgraçadamente, contamina há tempos com seu miasma a chamada imprensa séria, a ponto de as fronteiras entre uma e outra resultarem cada vez mais porosas. Para não perder ouvintes e leitores, a imprensa séria se vê forçada a dar conta dos escândalos e mexericos da imprensa marrom, contribuindo assim para a degradação dos níveis culturais e éticos da informação.

·         Por outro lado, a imprensa séria não se atreve a condenar abertamente as práticas repulsivas e imorais do jornalismo sujo, pois teme - não sem razão - que qualquer iniciativa que se tome para freá-las vá contra a liberdade de imprensa e o direito de crítica.

·         A esse disparate chegamos: uma das mais importantes conquistas da civilização, a liberdade de expressão e crítica, serve de álibi e garante a imunidade do libelo, da violação da privacidade, da calúnia, do falso testemunho, da insídia e das demais especialidades do sensacionalismo jornalístico.

·         Por outro lado, os juízes muitas vezes hesitam em punir esse tipo de delito, pois temem criar precedentes que sirvam para reduzir as liberdades públicas e a liberdade informativa.

·         A cultura de nosso tempo propicia e ampara tudo o que entretém e diverte, em todos os domínios da vida social. Por isso, as campanhas políticas e disputas eleitorais são cada vez menos um confronto de idéias e programas e cada vez mais eventos publicitários, espetáculos nos quais os candidatos e partidos, em vez de persuadir, tratam de seduzir e excitar, apelando, como os jornalistas marrons, às paixões rasas ou aos instintos mais primitivos, aos impulsos irracionais do cidadão, mais que a sua inteligência e sua razão.

 

 

No site do Estadão este artigo é exclusivo para assinantes, mas ele está disponível no site do blogueiro Ricardo Noblat. Para acessá-lo, clique AQUI.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h48
[ ] [ envie esta mensagem ]



Mario Vargas Llosa diz que a mídia privilegia o espetáculo e não o fato

O peruano Mario Vargas Llosa e o colombiano Gabriel García Márquez são os mais importantes literatos da América Latina. Talvez sejam os seus dois maiores intelectuais

Enquanto o colombiano privilegia a ficção, Llosa é mais antenado com a realidade, tanto nos seus costumeiros artigos publicados na imprensa internacional quanto na própria literatura ficcional.

É um homem do mundo, que vai até onde estão os grandes acontecimentos da história contemporânea para buscar material para a sua prosa. Márquez – que recentemente completou 80 anos – é um intelectual de gabinete, reservado e discreto

O jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/06/2007, publicou um belo artigo de Llosa analisando os atuais rumos da mídia (que já foi chamada de imprensa quando dominava o meio impresso) internacional. Para ele, ela privilegia a notícia de espetáculo e deixou em segundo plano o que já foi primeiro, a informação.

Extraí (o fiz literalmente, usando o neo-recurso do selecionar/copiar/colar) os seguintes trechos:

·         Em algum momento, na segunda metade do século 20, o jornalismo das sociedades abertas do Ocidente começou a relegar discretamente a segundo plano aquelas que haviam sido suas funções principais - informar, opinar e criticar - para privilegiar outra que até então fora secundária: divertir.

·         A que vem esta reflexão? É que há cinco dias não consigo deixar de deparar-me, em cada jornal que abro ou programa noticioso que ouço ou vejo, com o corpo nu da sra. Cecilia Bolocco de Menem.

·         os peitos e o traseiro da sra. Menem ofuscaram tudo, das matanças no Iraque e no Líbano ao fechamento da Rádio Caracas Televisão pelo governo de Hugo Chávez e ao triunfo de Nicolas Sarkozy nas eleições francesas.

 

No site do Estadão este artigo é exclusivo para assinantes, mas ele está disponível no site do blogueiro Ricardo Noblat. Para acessá-lo, clique AQUI.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h31
[ ] [ envie esta mensagem ]



Saidinha de banco, uma modalidade de assalto em crescente

O jornal Estado de Minas de 05/06/07 noticiou o assalto e tiro a uma mulher (identificada como E.C.M.B., de 38 anos) no Bairro Paraíso, em Belo Horizonte.

Dois homens em uma moto roubaram sua bolsa com cinco mil reais e ainda lhe deram um tiro no ombro.

A polícia suspeita ser mais um caso de um tipo de assalto cada vez mais comum na capital mineira: o Saidinha de Banco.

Neste caso, um olheiro identifica dentro da agência um cliente que está sacando um valor alto e passa a ficha para os comparsas via celular.

Um taxista meu vizinho há poucos meses pegou um passageiro e algumas centenas de metros depois foi abordado por um motoqueiro armado.

Ao fazer o gesto de procurar dinheiro para dar para o assaltante, este recusou e indicou a bolsa do passageiro, que tinha acabado de sacar um grande valor do banco.

É o mundo do crime usando as novas tecnologias (moto e celular) para se modernizar e diversificar.

Ou falta interesse da equipe de segurança bancária em investigar os suspeitos de serem olheiros, ou estes são artistas mesmo.

Mas o destaque maior naquela página 26 do Estado de Minas foi para o seqüestro de uma família inteira do gerente Evaldo José de Souza, do Banco Itaú, em Caeté, na Grande Belo Horizonte, que resultou num roubo de 590 mil reais.

O faroeste mudou de sede.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h33
[ ] [ envie esta mensagem ]



Um hábito brasileiro: festas com som ensurdecedor

Ainda que eu seja de uma geração intermediária, ainda me lembro de algumas festas da antiga. Os convidados em salões amplos, bem vestidos, três ou quatro músicos num pequeno palco tocando música suave, bem ao estilo das big bands americanas, a la Glenn Miller ou Tommy Dorsey.

As pessoas ou dançavam ou conversavam nas mesas, comportadas. Dança bem tradicional, ritmo igual para todos: um casal, um braço na cintura, o outro braço aberto tipo asa, mãos dadas com a parceira (ou parceiro).

Festa hoje é outra coisa. Desapareceram os padrões de comportamento. Conversas, postura e dança não seguem normas rígidas, principalmente depois que os não-conhecidos se apresentaram e o álcool desceu ao estômago e subiu ao cérebro. Permanece o cuidado com o vestuário nas festas tradicionais (aniversário, bodas, o 15 anos da menina-moça).

Mas o som ambiente agora é estupidamente amplificado, inaudível e ensurdecedor. A música “de periferia” virou padrão: é um derivado dos pagodes de samba, com palavras grosseiras para dar um ar de contestação. Talvez só a classe A não tenha aderido a este padrão; até a B, que se acredita A, gosta de barulho.

O musicão barulhento virou padrão. Uma adesão acrítica aos costumes.

Visto pelo lado racional, não faz sentido. Em tese, e pela tradição, festa é o lugar de estreitamento de laços de relacionamento, de amizade, parentesco e romance. Como um casal pode se conhecer melhor numa festa moderna? Mal se ouvem!



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h53
[ ] [ envie esta mensagem ]



A desconhecida Praça Moacyr Ferreira

Quantos moradores dos bairros União, Cidade Nova e região conhecem a Praça Moacyr Ferreira?

Pois ela existe. Mas é apenas uma passagem de carros por trás de um posto de gasolina. Um caminho asfaltado de 20 ou 30 metros, que serve de acesso para a Avenida José Cândido da Silveira.

O interessante é que a lei municipal n.º 8.482, de 15/01/2003, está mais correta, pois chama o logradouro de ELP, que quer dizer Espaço Livre de Uso Público. Mas a placa não segue a lei do próprio órgão que é responsável por ela e usa a denominação "praça".

Segundo o site www.carvalhosilveira.com.br, de uma agência de turismo do bairro, Moacyr era o sogro do próprio José Cândido da Silveira. A família Silveira era a dona do terreno que compreende parte - ou o todo - dos bairros Cidade Nova e Bairro da Graça.

O ato faz parte da velha mania brasileira de homenagear pessoas - geralmente falecidos - com o nome de algum logradouro público.

Para parentes e amigos, dá a sensação de permanência do homenageado.

Um exercício de surrealismo.

[A expressiva Praça Moacyr Ferreira]

[A placa da Prefeitura de Belo Horizonte]



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 22h17
[ ] [ envie esta mensagem ]



Fechando — temporariamente — o assunto Mendicância

O meu estoque pessoal de casos de falsa mendicância e de exploração de crianças para esta finalidade se esgotou.

Acrescento apenas que, nos anos 80, o jornal O Globo denunciou a alta freqüência de casos de aluguel de crianças. Mendigos pediam esmolas carregando-as como se fossem filhos. Estimulavam a piedade popular e ajudavam duplamente as mães das crianças: tinham com quem deixar os filhos enquanto trabalhavam e ainda recebiam por isso.

Sei que aluguel e empréstimo de crianças para mendigos ainda é coisa freqüente, mas a mídia está desinteressada deste assunto.

(Usei quatro vezes a palavra crianças desde o início do texto. De acordo com a técnica jornalística, é um erro. Como o blog ainda é uma mídia à procura de linguagem própria, vou dar seguimento às idéias.)

A primeira questão que se apresenta nestes casos é a educacional. Impedir a criança carente de estudar é retirar a única chance que ela tem de conseguir um futuro digno. Educação não é tudo, mas é um requisito básico. É obrigação social e obrigação dos pais.

A segunda questão é legal, é a paternidade/maternidade responsável. Cuidar dos filhos é uma obrigação de quem os colocou no mundo. Os órgãos governamentais fiscalizam esta obrigação no Primeiro Mundo, mas são tolerantes no Terceiro. Toda a América Latina é tolerante nestes casos.

A falsa mendicância também é vista com tolerância por estes lados. O brasileiro se diverte com a esperteza deles; o americano e o europeu se revoltariam na mesma situação, pediriam a intervenção da polícia e da Justiça.

Contaram-me, uma vez, uma história que representa bem esta diferença de mentalidade. Em Lisboa, um menino se aproximou de um grupo de brasileiros e pediu esmola. Um dos brasileiros sugeriu a ele: “aquele grupo ali em frente é de americanos, eles têm muito mais dinheiro, peça a eles”. A resposta do gajo: “Os americanos não dão ajuda pra gente, os brasileiros é que dão”.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h29
[ ] [ envie esta mensagem ]



[ ver mensagens anteriores ]
 

O autor e seus objetivos


Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

Crônicas e análises - Assunto: qualquer um.

Dia-a-dia - Comentários, notas, fotos interessantes.

Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




Categorias

Histórico de crônicas e análises

Histórico de turfe

Histórico dia a dia

Belo Horizonte

Mídia

Árvore Genealógica

Diário de um turista em Cuba

Todas as mensagens



Outros sites

 Jockey Club MG - nova página
 Tiago - Meu webmaster favorito
 Uma superpágina de informática
 Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
 Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
 Blog do Paulo Afonso
 Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
 Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
 UOL - O melhor conteúdo





Contador de acessos: