Continuando o assunto Mendicância
No post de ontem eu critiquei as distorções da mendicância, como o lucro maior que algumas atividades profissionais regulares, a pura vigarice (falsa mendicância) e a exploração de menores – crianças – para esta finalidade.
A questão do uso de crianças é a que mais me impressiona, pois o futuro delas é sacrificado. Muitas vezes são impedidas de estudar. Sendo criadas num ambiente distanciado de normas sociais, provavelmente serão adultos marginalizados e infelizes.
Um exemplo bem marcante aconteceu há alguns anos no município de Lagoa da Prata. Uma associação assistencial descobriu que muitas mães impediam as crianças de freqüentar a escola para poder usá-las para obter esmolas. As tentativas de convencimento da importância do estudo foram infrutíferas.
A diretoria da entidade optou por uma solução radical. Negociou com o promotor público, o delegado e o juiz local para a tomada de atitudes mais duras e concretas. Quando identificava uma família (geralmente uma mãe) que impedia a criança de estudar, repassava para o promotor a identificação e localização, possibilitando a abertura de um processo judicial. O passo seguinte era o cumprimento pelo delegado da ordem de obrigar a freqüência escolar.
A história vem de boa fonte: a própria presidente da associação, a Lurdinha, uma querida ex-colega de escola, hoje residente na Grande BH.
Não sei se a situação ainda está igual por lá, mas a mídia já noticiou outros casos semelhantes em outras regiões do país.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h31
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Mendicância é profissão lucrativa no Brasil
A propósito do post sobre mendicância de ontem, resultado de uma brincadeira com fundo de verdade, tive algumas experiências com esta atividade, em minha vida, que me impressionaram.
A primeira aconteceu no meu primeiro emprego, no remoto ano de 1970. Aos 16 anos eu trabalhava 4 horas diárias na extinta Drogaria de Minas. Do meio dia às 2 horas eu substituía a Marília no caixa. Todos os dias um mendigo ia lá trocar a esmola que já havia recebido até aquela hora. Para a firma era ótimo, pois precisava de moedas para troco. Para mim, uma frustração: descobri que ele ganhava muito mais do que eu. E sabíamos que ele trocava mais dinheiro à tardinha, em outro lugar.
Poucos anos depois um escândalo freqüentou as páginas dos jornais da cidade, a prisão de um falso mendigo. Era muito conhecido dos freqüentadores do centro da cidade, pois ficava diariamente nas escadarias da Igreja São José, antes da colocação das grades. Ele tinha um buraco no alto da cabeça que impressionava os passantes. Condoídos, enchiam o chapéu dele de moedas. A polícia descobriu que ele tinha uma boa casa própria, filho na faculdade e que todo dia passava um produto na ferida para dar aquele aspecto assustador.
Mais recentemente, não mais que cinco ou seis anos atrás, eu deixei o carro em uma rua de menor movimento, perpendicular à Avenida Raja Gabaglia. Ao retornar, horas depois, um garoto de sete ou oito anos me pediu dinheiro por ter “tomado conta” do carro. Dei um real. Demorei a sair por algum motivo e acabei percebendo que ele foi até a esquina e entregou o dinheiro para uma mulher que estava escondida. Pela aparência, era a mãe dele. Ambos altos, bem alimentados, até um pouco acima do peso.
Neste dia eu percebi melhor a distorção que a esmola traz. Muita gente tem filho exclusivamente para usar como forma de ganhar dinheiro, se aproveitando do forte espírito cristão e caridoso do brasileiro. Crianças que já nascem sem futuro, destinadas às necessidades momentâneas dos pais.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h35
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Comparando o mendigo/pedinte com o trabalhador
Vocês já pararam para pensar sobre o quanto ganha um mendigo no Brasil? Aquelas pratinhas de 10, 25 centavos, quando somadas produzem um salário mensal digno de um trabalhador qualificado. A propósito disso, recebi um e-mail de alguém que assina “Estagiário Revoltado” e fez uma comparação financeira interessante entre a classe profissional dos mendigos e a dos estagiários:
“Um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (30 segundos no vermelho e trinta no verde).
Então, a cada minuto, um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$0,10, o que numa hora dará: 60 x 0,10 = R$6,00. Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado: 25 x 8 x 6 = R$ 1.200,00.
Será que isso é uma conta maluca? Bom, 6 reais por hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 centavos e sim 20, 50 e às vezes até 1 real. Mas, tudo bem, se ele faturar a metade, 3 reais por hora, terá R$600,00 no final do mês. Que é o salário de um estagiário com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.
Ainda assim, quando ele consegue uma moeda de R$ 1,00 (o que não é raro), ele pode descansar tranqüilo debaixo de uma árvore por mais 9 viradas do sinal de trânsito sem nenhum chefe pra encher por causa disto. Mas isto é teoria, vamos ao mundo real. De posse destes dados fui entrevistar uma mulher que pede esmolas, e que sempre vejo trocar seus rendimentos na Panetiere (padaria em frente ao CEFET). Então lhe perguntei quanto ela faturava por dia. Imaginem o que ela respondeu? É isso mesmo, de 35 a 40 reais em média, o que dá: (25 dias por mês) x 35 = 875 ou 25 x 40 = 1000, então na média R$ 937,50 e ela disse que não mendiga 8 horas por dia.
Moral da História: É melhor ser mendigo do que estagiário, e pelo visto, ser estagiário é pior que ser mendigo. Se esforce como mendigo e ganhe mais do que um estagiário. Estude a vida toda e peça esmolas; é mais fácil e melhor que arrumar emprego.
Assinado: Estagiário Revoltado
PS: Você tem R$ 0,10 para me dar?”
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h55
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Dª Mariza Lula da Silva beija a mão do Papa... errada
Esta é tão incrível que ainda tenho dúvidas. Tem sido publicada em sites de gozação, mas tudo indica que é verdadeira. Dona Mariza Lula da Silva foi cumprimentar o Papa Bento XVI e cobriu a mão dele com a própria e acabou beijando qual? A própria mão. Sensacional!


Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h16
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Cláudio Humberto, remanescente e ícone de um jornalismo ultrapassado
Não é comum a trajetória do jornalista Cláudio Humberto na imprensa brasileira. Começou na província, em Alagoas, e conseguiu se aproximar dos políticos, principalmente da poderosa família Collor de Melo. Praticava um jornalismo que, infelizmente, ainda se pratica por lá: parcial, atrelado aos poderosos, trocando anúncios publicitários por notícias/notas favoráveis a quem assinava os cheques ou pelo simples cala-boca, suspendendo campanhas de difamação ou interrompendo as críticas.
Certamente até por aqui existe este jornalismo marrom, mas há lugares em que ele predomina.
Deu uma guinada de sorte com a eleição do chefe do clã, Fernando Collor de Melo, para a presidência da república. Foi guindado à posição de porta-voz. Implantou um estilo próprio, na época conhecido como “bate e volta”: respondia pessoalmente, em nome do governo, aos ataques de políticos e jornalistas, praticamente no mesmo tom da crítica. Talvez tenha sido o porta-voz presidencial mais conhecido e controverso das últimas décadas.
Parecia que ia cair no ostracismo com o inédito impeachment do poderoso chefão. Mas criou uma coluna de pequenas notas de cunho político, conseguiu veículo; após alguns anos fixou mercado, espalhando a sua coluna por jornais de todo o território nacional, vendido via agências noticiosas.
Um público suficiente para produzir retorno financeiro se agradou do seu estilo virulento, crítico, duro, agressivo; continuamente afirmando detalhes e fatos desconhecidos, originários de episódios conhecidos. Segue um estilo maniqueísta: todos são culpados e sempre têm um motivo mais sórdido ainda por trás.
Somente o li algumas vezes, por curiosidade profissional. Uma única vez lhe dei atenção: quando divulgou que o pai da Fernanda Karina Somaggio (aquela secretária que denunciou o empresário Marcos Valério) foi assassinado por encomenda. Citou até detalhes da execução e das conversas dos criminosos, relacionadas à filha. Meses passados, jamais surgiu uma linha sobre esta história na imprensa séria. Se tivesse um fundo de verdade seria certamente investigado, seria apenas mais um escândalo policialesco. Minha atenção parece ter sido inútil, equivocada.
Agora surge a primeira prova de seu comportamento antiético e calunioso. No dia sete de julho de 2006 ele publicou uma nota contra o empresário Latif Abud, ex-sócio de Zuleido Veras, o grande alvo da Operação Navalha. O corrupto Zuleido ligou, no mesmo dia, para agradecer, e logo em seguida ligou para a sua sócia (dele, Zuleido) Maria de Fátima Palmeira e afirmou que “a nota tá dentro daquilo que a gente acertou”. Falta apenas descobrir o que Cláudio Humberto recebeu em troca da mentira de dizer que o Tribunal de Contas da União pretendia vetar a entrada de Abud no prédio. Os dois ex-sócios disputavam um contrato de uma obra em Brasília que estava sendo fiscalizada.
Os telefonemas foram gravados pela Polícia Federal. Cláudio Humberto confirmou a O Globo (matéria de 23/05/2007) que Zuleido foi sua fonte e usou uma defesa infantil: “Não houve desmentido”. Só o fato de confirmar que um inimigo do criticado é a fonte de uma informação secreta procedente de um órgão federal que está investigando a ambos já seria um procedimento jornalístico absurdo.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h37
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As etapas da
corrupção de Zuleido, Vedoin e assemelhados
O jornalista Ricardo Noblat, em sua coluna publicada no
jornal O Globo de 21/05/2007, descreveu as etapas de envolvimento dos corruptos
ligados a empreiteiras com o Poder Público. Eis a descrição literal:
"Para vencer licitações, Vedoin e Zuleido pagavam
propinas a servidores, governantes e políticos em geral.
- Pagavam pela apresentação de emendas ao Orçamento da
Unão que garantissem a execução das obras licitadas.
- Pagavam pela aprovação das emendas no Congresso.
- Pagavam pela liberação do dinheiro.
- E, por fim, pagavam pela concessão de créditos
suplementares destinados a encarecer as obras."
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h40
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O futuro das gravações eletrônicas como prova de crime
Esta série de operações policiais de grande porte, as duas mais recentes comandadas por ministros do STF (Hurricane) e STJ (Navalha) e executadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal, certamente – e infelizmente – produzirão aspectos didáticos para os criminosos e contraventores de colarinho branco.
Como a comunicação telefônica foi a base para a obtenção de provas e para as prisões, elas vão praticamente desaparecer como mecanismo de atuação desta profissão tipicamente brasileira.
O grampo telefônico chegou a ser mais temido no passado.
As velhas raposas mineiras Alkmim e Tancredo já eram famosas por fugir de conversas via ondas espaciais ou via cabos desde os tempos pré-revolucionários (a revolução de 1964 que o Stanislau Ponte Preta ironicamente batizou de A Redentora).
A certeza da impunidade e as facilidades do telefone celular até aumentaram as conversas que não poderiam ser ouvidas pelos órgãos punitivos.
Mas os casos que caíram na mídia antes desta seqüência de Operações Com Algum Nome Imponente foram muito discretos para assustar Vedoins, Zuleidos e seus predecessores de peito altaneiro e crista alta.
A punibilidade, palavra pouco conhecida nesta terra de alta criminalidade em qualquer nível social, agradece a publicidade dos últimos casos.
Mas, seguindo a minha postura pessimista quanto à índole brasileira, creio que ela também renderá novas informações úteis aos criminosos de colarinho branco.
Agora os corruptores e corruptos sabem que até a linguagem cifrada, os códigos e as metáforas não são suficientes para descaracterizar o crime.
Só o fato de usá-las é uma prova da má intenção, pelo menos perante a opinião pública.
Fugirão do aparelho telefônico como o diabo da cruz.
Vai dar mais trabalho negociar em lugares fechados, mas vão preferir se adaptar do que mudar de ramo, do ramo do dinheiro fácil e volumoso.
Esta série de operações só teve este resultado impressionante porque as gravações foram feitas ao longo de meses e anos, foram razoavelmente secretas e tiveram o respaldo das mais altas autoridades do Judiciário.
Mérito para o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza; para o delegado Paulo Lacerda, diretor-geral da Polícia Federal; e para os ministros Cezar Peluso (STF) e Eliana Calmon (STJ), que respaldaram as investigações e não usaram a “gaveta”, a tradicional forma brasileira de atrapalhar os procedimentos contra os poderosos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h49
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Maranhão é a bola da vez
O estado do Maranhão tomou – esperamos que de forma temporária – o lugar de Alagoas no ranking nacional da corrupção política, através da Operação Navalha, a operação da vez, a operação da hora da Polícia Federal. E lá a corrupção aprendeu algumas lições de democracia: atingiu igualmente a situação, a oposição e até a dissidência da situação.
A situação atingida foi representada pelo próprio governador, Jackson Lago, do PDT. O procurador-geral chegou a pedir sua prisão junto ao Superior Tribunal de Justiça. Creio que seria o primeiro caso na história da república brasileira. Não foi concedida, mas dois sobrinhos dele ocuparam a cela.
A oposição atingida também teve um alto representante, o ministro de Minas e Energia Silas Rondeau. Ele é um técnico indicado para o alto cargo pelo ex-presidente da república José Sarney. Em outras palavras, é um representante do próprio Sarney no governo federal.
A família Sarney é adversária política de Jackson Lago, que derrotou Roseana, a filha do poderoso chefão José, na última eleição estadual. No segundo dia do noticiário, antes que o nome do ministro Silas Rondeau fosse citado como suspeito, muito se especulou sobre uma participação secreta do governo federal nas acusações, que seriam dirigidas contra Lago, para ajudar a política dos Sarney. Mas agora o próprio governo foi atingido.
O representante da dissidência é o ex-governador José Reinaldo Tavares. Foi praticamente colocado no cargo pela família Sarney, mas brigou com eles e apoiou Jackson Lago na última eleição. É o figurão mais importante que foi preso.
Recentemente elogiei o ministro do STF Cezar Peluso pela coragem de liderar a Operação Hurricane e decretar a prisão de juízes e desembargadores. O mesmo elogio vai para a ministra Eliana Calmon, quer liderou a Operação Navalha e decretou mais de 40 prisões.
Seguindo a técnica da operação anterior, vocês não acham que esta operação deveria se chamar Razor Operation?
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h52
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Por causa da incompetência do Poder Público, pena criminal mais longa pode gerar colapso
No final de março deste ano o presidente Lula sancionou a lei que aumenta a pena para os criminosos condenados por crimes hediondos.
Como qualquer brasileiro normal sabe, nosso problema tem mais relação com a execução da pena do que com a condenação. O sistema carcerário é o ponto fraco.
Selecionei os seguintes tópicos de uma matéria publicada na edição de 18/03/2007 no jornal O Estado de São Paulo sobre o assunto. Ela saiu duas semanas depois que a mudança da lei foi aprovada pelo Senado e duas semanas antes da sanção do presidente da República. Como este não alterou o projeto aprovado, a matéria continua válida. E recente.
· Hoje, as prisões brasileiras já comportam 103 mil presos (35%) acima de sua capacidade.
· Cerca de um terço dos 401 mil presos do País cometeu crimes hediondos (assassinatos, seqüestros, estupros e tráfico de drogas).
· A nova lei permite que esses criminosos peçam relaxamento do regime fechado para o semi-aberto depois de cumprirem dois quintos (40%) da pena, e não mais um sexto (16%).
· Segundo Kuehne [diretor do Departamento Penitenciário Nacional], por causa da demora na tramitação dos processos, os beneficiados cumprem de 40% a 50% da pena, e devem passar a cumprir entre 60% e 70%. Portanto, deverão ficar pelo menos um terço do tempo a mais na prisão.
· Se a polícia fosse mais eficaz, o déficit de vagas dobraria: há mais de 100 mil mandados de prisão não cumpridos no País, estima o criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil.
· A superlotação também só não é maior graças ao baixíssimo índice de resolução de crimes no Brasil, inferior a 10%; nos Estados Unidos, ele se aproxima de 50%.
· A superlotação e o descontrole nos presídios têm relação direta com as ações do crime organizado, liderado, em São Paulo, pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
· 'Político no Brasil não se interessa por esgoto nem por presídio, mas isso tem que mudar, porque são coisas necessárias', adverte o italiano Giovanni Quaglia, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC).
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h18
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Band procura vacina contra Alzheimer
O repórter Sérgio Costa, da TV Band, fez uma matéria sobre o Mal de Alzheimer para o Jornal da Band, no mês passado. No final, cometeu um grande pecado: anunciou que a vacina para acabar com a doença já existe.
Ele se esqueceu de uma informação básica: vacinas são feitas para destruir micróbios, e jamais apareceu um indicativo sério de que esta doença seja causada por vírus ou outros microorganismos. Ao contrário, tudo indica que seja um processo degenerativo do sistema nervoso. A futura cura estará nos genes, não nas vacinas.
Outro erro que se repete na mídia desde os anos 80 é a vacina contra Aids. Um erro mais sutil, pois neste caso o vírus é a causa. Cansei de assistir ao Jornal Nacional desde aquela época e ver um dos apresentadores anunciar que a vacina já estava descoberta e seria comercializada em breve.
Sabia que a notícia estava errada, pois o HIV é mutagênico, isto é, está sempre mudando as características básicas que são detectadas pelas vacinas. Como acontece – de forma aproximada – com a gripe humana e também com uma doença que já matou muitos cavalos, a Anemia Infecciosa Eqüina. Esta última guarda muita semelhança com a Aids, pois também causa imunodeficiência.
Categoria: Mídia
Escrito por Márcio às 18h03
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A criticada burocracia sobrevive porque gera lucro
Segundo o Aurélio, burocracia “é a administração da coisa pública por funcionário (...) sujeito a hierarquia e regulamento rígidos, e a uma rotina inflexível”. Muito bonito. Mas na acepção número dois é uma “complicação ou morosidade no desempenho do serviço administrativo”. Mais típico.
Todas as gerações brasileiras – quem viaja muito através da literatura nacional facilmente comprova – reclamam da burocracia, das dificuldades e do tempo dispendido para acionar o serviço público.
Preguiça do funcionário público? É uma causa indiscutível. Desorganização? Também. Outra é a desconfiança generalizada provocada por excesso de fraudes nesta Terra de Cabral, que faz com que os administradores públicos peçam cada vez mais documentos, comprovantes, assinaturas e reconhecimentos de firma.
Mas também existe um motivo mais sórdido por trás: mais lucro. Cobra-se pelo que deveria ser gratuito, pelo que deveria estar implícito em uma taxa anterior, pelo trabalho de procurar algo que está à mão. Muitas vezes a coisa é tão surreal que há que se dourar a pílula: o que poderia ser entregue em prazo curto só é entregue em prazo mais alongado para justificar o custo.
Para verificar se uma pessoa tem registro de nascimento em um determinado cartório é necessário pagar a taxa de três reais e quatorze centavos e esperar alguns dias pela resposta. A mesma taxa é necessária para conferir se há registro de um determinado imóvel naquele cartório. A resposta leva, em geral, uma semana. Com o atual grau de informatização da sociedade, e também dos cartórios, a resposta poderia ser imediata. Mas aí ficaria difícil justificar a cobrança.
E os registro de venda de imóveis? A legislação atual exige um registro duplo: o primeiro no cartório de notas e o segundo no cartório específico, de imóveis. É uma atividade tão importante que deveria ser centralizada em um único grupo de cartórios, não se justifica a participação de um cartório generalista, como o cartório de notas. Mas seria até razoável se este cobrasse uma taxa mais discreta, uma taxa digna de um registro, de uma guarda de documento. Mas cobra de acordo com o valor do imóvel, na mesma faixa de preço do cartório especializado.
O terceiro exemplo é a taxa de desarquivamento de processos no Tribunal de Justiça. Custa mais de 23 reais para transportar o processo – uma pasta de papéis – do arquivo para a secretaria da vara. Dependendo da cidade, pode estar na sala do lado. E envolve preenchimento de guias, filas de bancos, prazos de cumprimento.
Garanto que qualquer despachante conhece uma centena de exemplos a mais.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h26
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O uso do espelho na América Latina: a questão dos aeroportos
No dia 17 de março deste ano o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, anunciou a desmilitarização do controle do tráfego aéreo no país.
Como aqui, foi conseqüência de uma série de problemas como atrasos de embarque e greve de uma categoria profissional importante. Aqui, de controladores; lá, de pilotos.
Como aqui, os problemas começaram com desastres aéreos. Aqui, o do avião da Gol (30/09/2006). Lá houve dois graves desastres aéreos nos últimos 10 anos, com mais de 250 mortos. Mas o impacto psicológico de lá foi no cinema, através do filme Força Aérea S.A., denunciando a ineficiência do sistema de controle do tráfego aéreo.
Aqui a Infraero divide com a Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – a administração dos aeroportos e do tráfego aéreo. O decreto de Kirchner criou a Anac deles (Administração Nacional de Aviação Civil) para fazer o trabalho que hoje é de responsabilidade da Aeronáutica.
Como aqui, a militarização tem uma origem corporativa, já que decidida por um governo militar, ditatorial. A de lá data de 1966. Em ambos, virou emprego para militares.
Como aqui, o controle é militar mas a absoluta maioria dos passageiros e das aeronaves é civil e de caráter comercial.
Lá a desmilitarização é, pelo menos, oficial. O decreto está assinado. A implantação dá mais trabalho, envolve contratação e treinamento de pessoal, compra e aluguel de radares, investimento em equipamentos e instalações.
Aqui a desmilitarização foi anunciada à imprensa de forma não oficial, como resultado de um acordo com grevistas. Mas já foi cancelada, pois houve quebra de hierarquia militar, problema grave num país com farto histórico de intervenções militares sobre a vida civil.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h30
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Bolão vira point no Bairro Santa Tereza
Dou muito valor aos empresários que chegam ao sucesso, em qualquer ramo de atividade. Ramo legal, obviamente. O resultado se multiplica em vários fatores importantes na vida social: empregos, impostos, um produto de qualidade. E servem de modelo, de espelho, para outros.
Um exemplo é o Bolão. É um restaurante na Praça Duque de Caxias, Bairro Santa Tereza, Belo Horizonte. Já passou por algumas variações de nome: Rocha’s Bar, Bar do Bolão, Restaurante do Bolão, Espaguete do Bolão. Mas a simples palavra Bolão já é marca conhecida por boa parte da capital mineira.
Quem comanda é o José Maria. Começou com um boteco, mas o sucesso trouxe lucro e ele foi expandindo pelas laterais. Hoje ocupa metade do quarteirão, mais um lote na rua lateral (Mármore) e ainda tem uma filial nesta mesma rua.
Fez a fama com massas, principalmente macarronada. Uma vez eu estava num restaurante da Cidade Nova e pedi a descrição de um determinado prato do cardápio. A resposta do garçom foi interessante: "é igual ao Rochedão", um dos pratos do Bolão. Há quem crie, há quem imite.
O primeiro fator do sucesso é, lógico, o produto principal do empreendimento. No caso do Bolão é a comida. Não apenas o espaguete.
O segundo fator é o administrativo. O sucesso é a prova da eficiência.
Uma coisa interessante que observei. No caixa do Restaurante do Bolão (no prédio da Rua Mármore funciona com comida a quilo) o funcionário sempre mostra o ticket com a soma para o freguês antes do pagamento. É uma rotina, acontece todas as vezes. Percebe-se que é uma regra, uma obrigação do funcionário.
É a transparência. Infelizmente, o mais comum neste país é que o funcionário do caixa faça a conta numa posição em que o cliente não vê os números. Depois ele informa o valor a ser pago. Geralmente o cliente fica com vergonha de exigir a conferência e sai meio desconfiado.

Restaurante do Bolão
Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 17h56
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Intelectuais de renome na luta contra a política de cotas
A criação de cotas garantindo vagas escolares e empregos para os chamados excluídos (negros, índios, deficientes, etc) começou favorável para o lado dos defensores da política de paternalismo. Um a zero para eles. Envergonhado, com medo de parecer desumano, quem pensava diferente se omitiu.
Quem deu o pontapé inicial para empatar o jogo foi o jornalista Ali Kamel. Em artigos e até num livro ele criticou a política de cotas que, na opinião dele, poderia até incentivar o racismo.
Na esteira dele acaba de ser lançado pela Editora Record o livro Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, com 34 textos abertamente contrários aos dois projetos que tramitam no Congresso legalizando a política de cotas.
Fiquei impressionado com o nível dos articulistas. Entre os 34 autores estão o geneticista Sérgio Pena, o economista Carlos Lessa, a antropóloga Eunice Durham, o poeta Ferreira Gullar, o historiador José Murilo de Carvalho, o sociólogo Simon Schwartzman e o jornalista Luiz Nassif. O prefácio é do cientista político Bolívar Lamounier.
Mais informações podem ser encontradas na matéria "Intelectuais fazem livro contra política de cotas", de O Estado de São Paulo de 06/05/07. Clique AQUI para acessá-la.
O Estadão também selecionou estas frases de alguns dos autores:
- "Criar cotas raciais é simples e barato. Mas não resolve" – Simon Schwartzman, sociólogo
- "O 13 de Maio deveria ser comemorado como festa popular" – Demétrio Magnoli, geógrafo
- "Os projetos serão inócuos no que se refere às desigualdades" – Bolívar Lamounier, cientista político
- "Estou ao lado dos que se pensam como brasileiros e não como negros ou brancos" – Yvonne Maggie, antropóloga
- "A afirmação de que o Brasil é o país mais racista do mundo é patética" – César Benjamin, economista
"Essa lei reflete uma opinião pública que perdeu a confiança no futuro" – Bernardo Sorj, sociólogo
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h19
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As agruras das grandes redes de TV brasileiras
Desde que a Globo se apoderou da liderança na televisão brasileira, virou uma diversão coletiva a descoberta de qual seria a rede que poderia vir a disputar esta liderança.
A primeira a receber as apostas foi o SBT, do Sílvio Santos. Esteve bem firme no segundo lugar, mas jamais chegou a assustar a Globo, com exceção de alguns horários. Mas – com o perdão do trocadilho – o que vale é a comparação global.
Agora este espaço vai sendo ocupado pela Rede Record.
A queda do SBT foi conseqüência daquele episódio tosco que foi a falsa entrevista de dois supostos criminosos (encapuzados) que se passaram por membros do PCC. Eram atores e a falsa entrevista foi veiculada no programa Domingo Legal, do apresentador Gugu Liberato, em 07/09/2003. Na entrevista eles fizeram ameaças ao vice-prefeito de São Paulo Hélio Bicudo e a três apresentadores de TVs concorrentes: José Luiz Datena (Rede Bandeirantes), Marcelo Rezende (RedeTV!) e Oscar Roberto Godói (Rede Record). Exatamente as redes que poderiam tomar a vice-liderança do SBT.
Gugu perdeu prestígio e audiência. Faustão voltou a reinar, com destaque, aos domingos.
O episódio tem até verbete na Wikipedia, a enciclopédia mundial da internet. Acesse AQUI.
A mesma Wikipedia tem um verbete (acesse AQUI) para o episódio que marcou o pior momento da Rede Record. No dia 12 de outubro de 1995 o pastor Sérgio Von Helde, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), aplicou vários chutes numa imagem de Nossa Senhora de Aparecida, que é considerada pelos católicos como a padroeira do Brasil. A cena foi transmitida pela Rede Record, que pertence àquela igreja. Também causou protestos por toda a sociedade e perda de prestígio. Só agora foi esquecido.
A Globo também já passou por maus momentos, mas ficaram mais distantes no passado. O primeiro foi a cobertura deficiente do comício pelas Diretas Já na Praça da Sé, em São Paulo, e o segundo foi a suposta manipulação da eleição de 1982 para governador do Rio de Janeiro, vencida por Leonel Brizola, autor das denúncias.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h03
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Cadeia de Comando, um bom livro mal traduzido
O último livro que li foi “Cadeia de Comando”, de Seymour M. Hersh. Foi publicado em 2004 nos EUA sob o título “Chain of Command”, e no Brasil pela Ediouro, mesmo ano.
Hersh é um famoso e veterano (70 anos) jornalista investigativo, especializado em guerras e militarismo. Trabalha para a revista The New Yorker.
A obra fez muito sucesso nos EUA e Europa. Usando uma cadeia de informantes militares e civis, Hersh disseca os movimentos militares e diplomáticos do seu país pós 2001, aqueles relacionados às guerras contra Afeganistão e Iraque.
Não é uma leitura fácil. Para o leitor brasileiro é dificultada pela profusão de siglas, órgãos e comissões da burocracia norte-americana.
É pouquíssimo documentado. A base são as fontes testemunhais, freqüentemente ocultas, anônimas.
O tom é jornalístico. Deixa subentendida uma visão crítica, negativa para o governo Bush, mas não faz macroanálises, de fundo sociológico ou histórico.
O mais atingido é o então secretário de defesa, Donald Rumsfeld. O autor cita freqüentes confrontos dele com a cúpula militar. Ele é apresentado como autoritário, arrogante e hostil aos generais, brigadeiros e almirantes. Cercou-se de assessores civis e de militares reformados que tomavam decisões até mais importantes do que o Pentágono, que é o comando militar do país.
Coincidência ou não, Rumsfeld deixou o governo Bush no mandato seguinte.
Hersh discute muito a questão dos direitos humanos. O primeiro dos oito capítulos do livro seria um dos últimos numa ordem cronológica: as torturas aos prisioneiros nas prisões de Guantanamo (Cuba) e Abu Ghraib (Iraque). Fala também dos embates entre as correntes militares pró e contra o assassinato de supostos rebeldes e terroristas. Que parece ter sido feito em quantidade muito maior que o divulgado.
Mas o livro foi um fracasso no Brasil, não por causa das dificuldades de compreensão da realidade americana, mas pela tradução da editora Ediouro. Aparentemente encalhou, pois acabou vendido em promoções até de R$ 9,90. Inclusive o meu.
Aparentemente, a equipe responsável pela tradução não tinha domínio sobre o assunto e, por isso, não teve coragem de escolher as palavras e expressões mais adequadas ao contexto e também ao leitor brasileiro. Usou mais o dicionário de sinônimos que o dicionário histórico.
Parece que a pressão também atrapalhou, já que a edição brasileira data do mesmo ano da edição original. Apressado como cru.
Assinaram a tradução: Áurea Akemi Arata, Marina Petroff Garcia e Andréia Moroni.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h24
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O julgador que sabe sentenciar, mas não sabe avaliar
O jornal da TV Globo de hoje apresentou uma gravação telefônica com o desembargador Carreira Alvim, a estrela entre os corruptos que foram presos no dia 13 de abril por venda de sentença judicial a favor dos bingos.
Na conversa, ele diz textualmente: “me pegar por corrupção eles não vão pegar nunca”. Pela expressão, provavelmente definia a si próprio como corrupto, sem remorsos.
O interessante é que, em gravação exibida anteriormente, ele suspeitava estar sendo investigado pela Polícia Federal.
A sensação de impunidade era o sentimento predominante. A desconfiança da investigação não o impedir de dizer palavras comprometedoras ao telefone.
É o sentimento de ser poderoso, de estar acima da lei, inalcançável. A síndrome de “Sua Excelência”.
O tratamento, respeitoso, distante, temeroso e reverencial, por parte de todos em volta, no dia-a-dia, afetou a capacidade de julgamento da realidade de quem tinha a função de julgar réus.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h30
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Mangabeira Unger: o feroz crítico de Lula que virou a casaca
O filósofo e cientista político Roberto Mangabeira Unger escreveu em 2005 (Folha de São Paulo, 15/11/2005) um dos mais contundentes e assustadores artigos contra o governo Lula, a quem chamou de corrupto. Pediu, sem meias palavras, o impeachment. Agora ele foi indicado ministro da recém-criada Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo. Pasta criada especialmente para ele pelo antes agredido Lula.
Transcrevo, abaixo, o artigo "Pôr fim ao governo Lula".
É o maior caso de vira-casaca que me lembro de ter presenciado nos últimos anos.
Este foi o impressionante artigo:
"Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.
Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.
Afirmo que a aproximação do fim de seu mandato não é motivo para deixar de declarar o impedimento do presidente, dados a gravidade dos crimes de responsabilidade que ele cometeu e o perigo de que a repetição desses crimes contamine a eleição vindoura. Quem diz que só aos eleitores cabe julgar não compreende as premissas do presidencialismo e não leva a Constituição a sério.
Afirmo que descumpririam seu juramento constitucional e demonstrariam deslealdade para com a República os mandatários que, em nome de lealdade ao presidente, deixassem de exigir seu impedimento. No regime republicano a lealdade às leis se sobrepõe à lealdade aos homens.
Afirmo que o governo Lula fraudou a vontade dos brasileiros ao radicalizar o projeto que foi eleito para substituir, ameaçando a democracia com o veneno do cinismo. Ao transformar o Brasil no país continental em desenvolvimento que menos cresce, esse projeto impôs mediocridade aos que querem pujança.
Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou.
Afirmo que a oposição praticada pelo PSDB é impostura. Acumpliciados nos mesmos crimes e aderentes ao mesmo projeto, o PT e o PSDB são hoje as duas cabeças do mesmo monstro que sufoca o Brasil. As duas cabeças precisam ser esmagadas juntas.
Afirmo que as bases sociais do governo Lula são os rentistas, a quem se transferem os recursos pilhados do trabalho e da produção, e os desesperados, de quem se aproveitam, cruelmente, a subjugação econômica e a desinformação política. E que seu inimigo principal são as classes médias, de cuja capacidade para esclarecer a massa popular depende, mais do que nunca, o futuro da República.
Afirmo que a repetição perseverante dessas verdades em todo o país acabará por acender, nos corações dos brasileiros, uma chama que reduzirá a cinzas um sistema que hoje se julga intocável e perpétuo.
Afirmo que, nesse 15 de novembro, o dever de todos os cidadãos é negar o direito de presidir as comemorações da proclamação da República aos que corromperam e esvaziaram as instituições republicanas.".

Lula e Unger, já de braços dados na campanha de 2006
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h57
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Serviço Público compra produtos de baixa qualidade por licitação
No último dia de abril deste 2007 a Controladoria Geral da União divulgou a descoberta de fraudes em 12 estados relativas a contratos com órgãos federais.
Foram muitos os casos de superfaturamento de preços.
Em 1993, o Poder Legislativo nacional tentou regulamentar e moralizar a compra de bens e serviços pelos órgãos de governo através da edição de uma lei ampla, detalhista, abrangente e também mais rigorosa e punitiva. Foi a lei n.º 8.666, a Lei das Licitações.
A iniciativa é louvável, mas tão tradicional nesta terra quanto superfaturar é o ato de driblar as novas exigências, leis e regulamentos. Vale para os dois lados: o administrador público, que licita, e o fornecedor, que também licita.
Um dos desvios deste caso é a apresentação de uma proposta ganhadora, com os melhores preços, mas com um produto inferior. O licitante ganha a venda e o contratante ganha o pior produto, um abacaxi para resolver. Vai sofrer as conseqüências.
Em tese, pode desclassificar o produto de qualidade inferior, mas como vai comprovar a tal falta de qualidade? Só a palavra não vale. Laudos de funcionários subordinados ao administrador público são questionáveis.
E quando a licitação envolve dezenas de itens de pequeno valor?
Como exemplos tomo os materiais de escritório. A partir da vigência da lei o administrador público passou a receber tudo quanto é tipo de porcaria, de material ruim.
Tornou-se comum abrir uma caixa de disquetes e o primeiro que é colocado no drive ser recusado pelo computador. O segundo também. Às vezes, o terceiro também. Lixo.
E o estranho é que são de marcas conhecidas, como Helios Carbex, Nipponic, Faber-Castell, etc.
A hipótese mais provável é que alguns fabricantes passaram a produzir lotes exclusivamente destinados às licitações (que alcançam, na soma, grandes volumes), mas como tecnologia mais barata – e inferior – à sua produção-padrão. Ou nas fábricas próprias, usando material obsoleto, ou importando dos chineses mais incompetentes.
Arriscam, conscientemente, o nome da marca na busca de mais lucro. Os consumidores... que se danem.
Cartuchos de impressoras seguem na mesma linha. Impressoras ainda no início da vida útil são encostadas depois de alguns acidentes.
Longe de mim fazer campanha contra a Lei n.º 8.666. Pelo contrário, sem ela seria pior. Só que de forma diferente.
Nada no Brasil se resolve pelo caminho da lei. Ela apenas ajuda a disciplinar, a facilitar o aspecto repressivo incorporado pela Polícia, Justiça e também pelas punições internas, via processos administrativos.
O dilema nesta terra não é entre problema e solução. É entre redução maior ou menor de um problema.
O relatório sobre Minas Gerais (103 páginas) pode ser acessado por AQUI.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h22
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
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Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
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Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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