Competência é o destaque da “Operation” Hurricane
Competência e coragem são as características marcantes da Operação Hurricane, que teve como saldo a prisão de 25 pessoas, a maioria gente importante no Poder Judiciário e na contravenção (jogo de bicho). Pelo que se depreende do noticiário, duas pessoas foram as chaves: o Ministro Cezar Peluso, do STF, e o delegado federal Renato Porciúncula.
O ministro pela coragem de orientar e comandar, meses a fio, uma série de investigações que incluíram seguidas escutas telefônicas (inclusive uma dentro do escritório de um advogado que é irmão de ministro do Superior Tribunal de Justiça e outra dentro do gabinete do vice-presidente do Tribunal Regional Federal 2ª Região), invadidos secretamente por policiais autorizados por Peluso. Corajoso e eficiente, pois conseguiu juntar muitas provas.
O delegado pela eficiência de comandar uma operação deste porte. Para efetuar as prisões ele convocou policiais de vários estados, que chegaram às residências dos acusados com a ajuda do GPS, um programa de rastreamento via satélite. Aparentemente a operação conseguiu transcorrer em sigilo, e se alguma coisa vazou, não comprometeu o resultado.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h11
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Astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, o ocaso de uma brilhante carreira

Astrônomos descobriram finalmente um planeta semelhante à Terra. O anúncio foi no dia 24 de abril.
Segundo uma matéria do jornal Estado de Minas, "é o primeiro dos cerca de 200 conhecidos até hoje a possuir ao mesmo tempo uma superfície sólida e líquida e uma temperatura próxima à da Terra". Mas está situado a 20,5 anos-luz, o que o torna inalcançável para a atual tecnologia.
Para falar sobre o assunto, o Bom Dia Brasil, jornal das 7 horas da manhã da TV Globo, levou dia 25 o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão.
Ele é o mais conhecido astrônomo do país, em parte por ter dirigido durante anos o Observatório Nacional, em parte pela presença constante na mídia, sempre disponível para entrevistas. Até recentemente cultivava uma certa pose de artista, mantendo os longos cabelos brancos presos num rabo-de-cavalo.
Entrevistado pelos renatos, O Machado e A Vasconcellos, ele falou com naturalidade, embora muito pouco foi perguntado. Fiquei particularmente impressionado com o tremor constante de sua mão direita, claro sintoma do Mal de Parkinson.
O operador de câmera falhou, pois deveria deixar o limite inferior da imagem na altura do esterno, para não mostrar os tremores durante toda a entrevista. Sua falha propiciou o aparecimento do ruído, termo jornalístico para representar um fator que desvia a atenção do espectador para fora do tema central.
Intrigados com o tremor, os espectadores tendem a se distrair e não se concentrar na entrevista.
É uma pena, pois valorizo muito os profissionais que levam o mundo técnico para a mídia, através de entrevistas, livros, artigos. E Ronaldo Mourão talvez seja o único astrônomo brasileiro que faz isto na atualidade.
Na academia, na universidade, cientistas como ele geralmente são vistos com inveja, são desvalorizados. São chamados de profissionais do marketing, enganadores, pavões, antiéticos.
Errados estão os cientistas que se fecham para o mundo externo.
Sorte e saúde para Ronaldo Rogério de Freitas Mourão.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 22h41
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A questão da redução da idade penal
Nesta semana, a partir de uma votação pouco importante (uma comissão do Senado), voltou à baila a questão da maioridade aos 16 anos por motivos criminais.
E começou com um trajeto parecido com o da questão da proibição de armas: posições apaixonadas de políticos, informações superficiais por parte da imprensa e confusão do grande público.
A disputada votação da comissão vale pouco. Nem o Senado decide, precisa da aprovação da Câmara dos Deputados.
Acho que o público não percebeu que o projeto em votação é restritivo, pois só reduz a maioridade para os crimes hediondos.
Na questão da proibição de armas o que o público estava votando era uma nuance: a legislação passaria da quase-proibição (ainda em vigor) para a proibição quase absoluta, pois também previa exceções.
O noticiário da TV e rádio é superficial. Mesmo o repórter bem intencionado não tem tempo para explicar os detalhes a um público extenso e heterogêneo.
O jornal diário tem mais espaço, mas nos títulos e notinhas de primeira página confunde o público. No Estadão de hoje, o título na primeira página foi: "Senado reduz idade para crime hediondo". Só no texto, logo abaixo, é que explica que a posição foi de uma comissão e que o projeto é muito restritivo: "Por 12 votos a 10, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o parecer do relator Demóstenes Torres (DEM-GO) que reduz a maioridade penal para 16 anos, com algumas restrições. Como a de que só valerá para crimes hediondos."
Na televisão, me impressionou a postura radical da senadora cearense Patrícia Saboya, a ex-mulher de Ciro Gomes. Reagiu como se o projeto estivesse perto de virar lei, o que não era o caso. Se escudou no argumento mais comumente usado entre os que lutam contra as punições duras: o da culpa da sociedade. O Globo citou esta frase dela: "O Brasil precisa pôr a mão na consciência e reconhecer que vem falhando com os nossos jovens. Essa é uma resposta enganosa para a sociedade. Outras medidas de combate à violência seriam muito mais eficazes."
É óbvio que o país precisa avançar na formação educacional e moral de sua juventude. Mas não pode deixar de punir os criminosos e afastá-los do convívio social, de defender os cidadãos de bem.
No caso da senadora, também havia um interesse eleitoreiro por trás. Deu um showzinho para a televisão. Segundo o mesmo Globo, ela "deixou a sessão aos prantos".
Me lembro de outro showzinho que ela proporcionou ao dar voz de prisão a um depoente, durante uma CPI, uns dois anos atrás, de forma bem escandalosa. Por causa disso os depoentes da CPI referente ao caso Marcos Valério só compareciam à Câmara depois de conseguir uma liminar que impedia a Câmara dos Deputados de decretar a prisão deles.
Posição oposta à dela manifestou o senador amazonense Jefferson Péres, que é uma espécie de muso do Poder Legislativo, um "guardião da moralidade"
A Folha de São Paulo, também de hoje, destacou a firme posição de Péres: "Repilo veementemente essa história de culpa coletiva, de que o menor virou um monstrinho por culpa da desigualdade social. Quero que menores que cometeram crimes graves e forem avaliados como irrecuperáveis sejam segregados da sociedade", disse Jefferson Peres."
É fundamental separar os conceitos de Criminoso Potencial e Criminoso Real.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h45
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Jogador beija árbitro no Maracanã e leva cartão amarelo
Um caso inusitado no Brasil: no último dia 22 de abril o zagueiro Cléberson, da Cabofriense, fez uma falta e percebeu que ia receber o cartão amarelo. Imediatamente deu um beijo no rosto do árbitro Ubiraci Damásio. Aparentemente tentava evitar a punição, mas não conseguiu. Um fotógrafo do jornal O Globo conseguiu fazer uma boa foto, mas não a encontrei na internet, provavelmente por questões de direito autoral. De brinde, segue esta reprodução da imagem da televisão, de baixa qualidade.

O escritor Ruy Castro publicou dia 25, na Folha de São Paulo, uma pequena crônica sobre o beijo, que transcrevo abaixo:
O beijo no gramado
RIO DE JANEIRO - A cena se repete em todos os jogos de futebol que contam com a bandeirinha Ana Paula Araújo nas quatro linhas. Jogada a moeda para o alto, e a instantes de ser dada a saída, o juiz beija a bandeirinha, o outro bandeirinha beija a bandeirinha e o quarto árbitro também beija a bandeirinha. Ato contínuo, os dois capitães beijam a bandeirinha, o representante da federação igualmente beija a bandeirinha e a torcida terá sorte se os gandulas, o chefe do policiamento e os repórteres de campo também não beijarem a bandeirinha.
Os beijos são na face, lógico, e significam apenas votos de boa sorte. Mas Ana Paula Araújo é uma mulher bonita, e o uniforme de bandeirinha lhe cai muito bem. Antes dela, milhares de bandeirinhas do sexo masculino, feios e de pernas finas e arqueadas, também já precisaram de votos de boa sorte e nunca foram beijados pelo árbitro ou por ninguém.
Domingo último, no Maracanã, aos 4 minutos do segundo tempo de Botafogo x Cabofriense, Cléberson, beque do time de Cabo Frio, chuteira 44 e quase dois metros de altura, foi se defender da marcação de uma falta pelo juiz Ubiraci Damásio. Para tanto, aplicou um beijo no rosto do árbitro. A televisão mostrou. Num primeiro momento, Sua Senhoria, tomada de surpresa, pareceu afagar a careca do zagueiro. De repente, deu-se conta de sua autoridade civil. Exclamou: "Você não pode me beijar!", e aplicou-lhe o cartão amarelo.
Que todos queiram beijar a bela bandeirinha, é normal. Mas que um beijo, por mais inocente, tenha surgido naquela zona do gramado onde o pau canta e a virilidade campeia pareceu-me um momento de humanização do futebol. Pena que o juiz não tenha entendido assim. Em minha opinião, ao se ver beijado, ele deveria ter retribuído o beijo e oferecido a outra face.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h48
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Estou fazendo campanha pela redução da natalidade
Encontrei mais um interessante artigo do médico Dráuzio Varella, um grande batalhador brasileiro pela causa do controle da natalidade, através do planejamento familiar. Foi uma edição de sua coluna na Folha de São Paulo, publicada em 05/02/2005. Ele analisa dados estatísticos do IBGE para defender as suas teses, pra lá de corretas. Destaco os seguintes trechos (rigorosamente transcritos do texto dele):
- Um terço das 58 milhões de mulheres em idade fértil não tem acesso à contracepção.
- As mães com nível universitário têm em média 1,4 filho, enquanto as analfabetas têm 4,4.
- Mulheres que vivem em domicílios com renda per capita acima de cinco salários-mínimos têm em média 1,1 filho (menos do que na Dinamarca), enquanto nas casas em que a renda é de até um quarto do salário-mínimo esse número aumenta para 4,6 (como na Namíbia).
- A proporção de bebês nascidos de mães com menos de 20 anos ultrapassa os 25% nos Estados mais pobres.
- Formou-se no Brasil uma aliança esdrúxula contra o planejamento familiar, capaz de agregar militares, comunistas e a Igreja Católica. Os militares, então no poder, eram contra por acreditarem piamente que precisávamos de mais brasileiros para ocupar a Amazônia e o Centro-Oeste; os comunistas, pelas mesmas palavras de ordem defendidas até hoje por um dos líderes do MST: façam filhos, eles conhecerão o socialismo! E a Igreja Católica, pelas mesmas razões que a levam a cometer o crime de condenar o uso de preservativo na prevenção à Aids.
- Na Copa do México, em 1970, contávamos 90 milhões em ação; hoje somos 180 milhões.
- (...) covardia de nossos políticos diante da oposição da cúpula da Igreja Católica e da esquerda antiquada (...)
- Está mais do que na hora de ignorarmos os irresponsáveis que se opõem ao acesso dos mais humildes ao planejamento familiar.
- Que futuro terá essa multidão de crianças concebidas por pais que não têm condições de educá-las?
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h22
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Ambição patológica entre os presos da Hurricane Operation
Jamais vou conseguir entender o pensamento, a lógica, a ambição dos peixes graúdos da Operação Furacão, principalmente dos desembargadores e juízes. Como é possível que uma pessoa que ganha altíssimo salário se exponha a perder tudo desta forma? Ainda mais considerando que o cargo dá um padrão alto de vida e a garantia de que este padrão seja vitalício
O que vai representar mais riqueza para alguém já naturalmente rico? Manterá o mesmo padrão de vida, a mesma classe social.
Vaidade e sensação de impunidade são os sentimentos básicos, no meu conceito. A vaidade atrai o desejo de ter sempre mais. A sensação de impunidade dá a garantia de fazer qualquer coisa, sem risco, para satisfazer a vaidade.
Felizmente para a sociedade, estas pessoas não estão no mesmo compasso da modernização tecnológica. No passado não muito distante seria a palavra de um contra o outro. Hoje as comunicações permitem a gravação de conversas e a informática permite o fácil acesso a registros bancários.
Voltando à questão da vaidade, ela foi fator essencial na punição aos dois casos emblemáticos da corrupção nas mais altas esferas. O juiz Nicolau dos Santos Neto, o Nicolalau, estava tão desesperado para expor a sua vaidade com a compra de um apartamento milionário em Miami que permitiu que o genro gravasse com filmadora comum um tour pelo apê enquanto ele descrevia a fortuna envolvida. O video acabou no Jornal Nacional.
O outro caso foi o do deputado Sérgio Naya. Em reunião numa câmara de vereadores do sul de Minas ele falou abertamente que era capaz de falsificar a assinatura do governador para emitir decretos de seu interesse. Ele não se importou com a presença de outra câmara, a de filmagem, pois se sentia acima da lei. Quando o prédio que ele estava construindo caiu, matando alguns moradores, o cinegrafista se lembrou da gravação e foi procurar comprador. O video também acabou no Jornal Nacional.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h57
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17 mil candidatos a 134 empregos públicos
Amanhã, dia 22 de abril de 2007, será realizado um concurso público para preenchimento de 134 vagas no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. As vagas pertencem a 8 cargos distintos, sendo sete de nível superior. Pesquisando nos editais que estão disponíveis no site do tribunal ( www.tce.mg.gov.br), selecionei alguns dados interessantes:
- Foram 16.929 inscritos, o que dá uma média geral de 126 candidatos por vaga
- 13 candidatos ao importantíssimo cargo de Procurador conseguiram isenção da taxa de inscrição por falta de condições financeiras
- 124 candidatos ao mesmo cargo tiveram seus pedidos de isenção recusados, sendo que 115 sequer enviaram os documentos exigidos para comprovar a falta de condições financeiras
- 700 candidatos aos demais cargos conseguiram isenção da mesma taxa
- 1831 candidatos aos demais cargos tiveram seus pedidos de isenção recusados, sendo que aproximadamente 90% deles sequer enviou os documentos exigidos para comprovar a falta de condições financeiras
- 116 pessoas que "pensavam ser candidatos" enviaram os documentos pedindo a isenção à entidade realizadora do concurso (Fundação Carlos Chagas, de São Paulo) mas sequer estavam inscritos. Provavelmente não leram no edital, ou não conseguiram entender, que havia um prazo especial para os interessados na isenção
Aproveito para fazer algumas perguntas e comentários livres, não encadeados:
- Como é possível que 137 pessoas se candidatem à função de representar o Tribunal de Contas (o cargo é Procurador do Ministério Público Especial) junto ao Poder Judiciário e aleguem não ter condição financeira de pagar a taxa de inscrição? Devem ser profissionais fracassados, não parece? O salário base é de 21 mil reais e brevemente um dos aprovados vai virar Conselheiro do tribunal, e depois chegará à presidência, pois o sistema é de rodízio.
- E os 115 que sequer enviaram os documentos? Se algum deles for aprovado, estará apto a discutir e cumprir prazos processuais que vencem diariamente nas centenas ou milhares de processos que passarão por suas mãos?
- E os mais de 1600 candidatos aos outros sete cargos que também se inscreveram para o pedido de isenção de taxa e também não enviaram documento nenhum? Como esperam cumprir uma atividade profissional cotidiana num órgão técnico se não conseguem fazer o mínimo, que é documentar um pedido de acordo com as exigências de um edital público (na minha opinião, redigido de forma clara)?
- O que me parece ter sido o fator causador deste equívoco coletivo foi o fato de ter sido aberto um período de inscrição apenas para os candidatos à isenção de taxa. Somente após o fechamento deste período é que foram abertas as inscrições para o concurso. Provavelmente a maior parte dos equivocados não entendeu e pensava estar se inscrevendo para o concurso, não para a isenção. Por isso, não enviaram os documentos.
- Equívoco ou burrice, impressiona a quantidade de casos. O edital segue um padrão clássico de redação, não dá margem a engano de quem tem uma razoável escolaridade. E este concurso exige, no mínimo, o segundo grau para um dos cargos e o universitário para os outros sete.
- É mais uma comprovação do baixo nível de qualidade da escola brasileira. As pessoas, em muitos casos, conseguem o diploma mas não adquirem o conhecimento. Nem a capacidade reflexiva. O diploma acaba se tornando até pior para elas, pois almejam cargos que não vão conseguir, buscam horizontes que não vão atingir. Perdem tempo, dinheiro e os sonhos.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h51
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Repórter de elite troca a TV Globo pela internet
Uma notícia que surpreendeu no meio jornalístico foi a saída de Luiz Carlos Azenha da TV Globo, onde era um dos principais repórteres. Mais curioso ainda foi o fato de ele trocar a TV por uma página na internet vinculada ao Portal Globo. Leiam a matéria da Folha de São Paulo a respeito (14/04/07, página E-10):
Profissional de televisão há 26 anos, o jornalista Luiz Carlos Azenha, 48, está trocando a poderosa TV Globo por um humilde site na internet, o "Vi o Mundo", que produz sozinho. Ex-correspondente em Nova York (durante 16 anos, três deles pela Globo) e até recentemente repórter do "Jornal Nacional", Azenha se diz cansado do jornalismo que se faz na televisão e quer experimentar novos formatos na internet.
"Para mim, o formato de matéria curtinha está esgotado. Quero buscar outra forma de fazer TV pela internet", afirma.
Azenha tinha contrato com a Globo até o ano que vem. A emissora, que tem a política de não rescindir contratos, abriu uma exceção. O acordo foi desfeito, sem multa, mas Azenha teve que se comprometer, por escrito, a se dedicar a estudos (oficialmente, essa foi a razão de seu desligamento), a não se empregar na concorrência até 28 de fevereiro de 2008 e a dar prioridade à Globo para contratá-lo a partir dessa data.
O jornalista vai de fato estudar. Voltará à faculdade de história e cursará edição na internet. Mas, profissionalmente, se dedicará a seu site, de "notícias que os outros não dão". "Em breve, o site vai estrear em nova versão. Quem acessá-lo poderá postar vídeo, áudio e foto. Quem tem uma câmera e um computador como eu pode fazer uma TV na internet. Vou comandar investigações jornalísticas com internautas", diz.
Acesse a página do Azenha pelo link http://viomundo.globo.com/
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h26
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Viva o controle da natalidade
O médico Dráuzio Varella é um dos mais importantes batalhadores nacionais pelo controle da natalidade. Como eu também comungo com as mesmas idéias, transcrevo abaixo o último parágrafo da coluna semanal dele na Folha de São Paulo, publicada em 14/04/2007 com o título "Tal qual avestruzes":
"E nós, no Brasil, que éramos 90 milhões em 1970 e hoje passamos dos 180, nós que fechamos os olhos para o fato de que 73% dos nascimentos acontecem nas classes D e E, até quando insistiremos na perversidade de negar aos mais pobres acesso aos métodos anticoncepcionais? Até quando adotaremos essa postura de avestruzes que colocará em risco o futuro de nossos filhos?"
Sábias palavras!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h16
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Paulo Medina, um suspeito nos tribunais superiores
Abaixo, alguns trechos extraídos da reportagem "Investigação da PF inclui ministro do STJ", publicada na Folha de São Paulo de 14 de abril de 2007:
Paulo Medina, 64, é ministro do STJ desde 2001. Antes, foi vereador em Rochedo de Minas (MG), sua cidade natal, entre 1961 e 1965, desembargador do Tribunal de Justiça de Minas após 1991 e presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros entre 1995 e 1997.
Ele já foi alvo de queixa-crime no STF, sob acusação de assédio sexual de uma assessora, filha do também ministro do STJ Antônio de Pádua Ribeiro, hoje corregedor-nacional de Justiça -cargo do Conselho Nacional de Justiça. O caso foi arquivado por falta de provas.
Em 15 de agosto de 2006, Medina liberou o funcionamento de máquinas caça-níqueis. A pedido de empresas que exploram jogos, ele restabeleceu liminar do desembargador Alvim que tinha sido cassada pelo próprio TRF-2.
Duas semanas após a decisão de Medina, o Ministério Público Federal pediu ao STF que abrisse inquérito para apurar o caso.
O jornal O Estado de Minas de 18/04/2007 acrescentou que, no dia 1º de agosto de 2006, exatamente 14 dias antes de Medina liberar o funcionamento dos caça-níqueis, o irmão dele, advogado Virgílio de Oliveira Medina, acertou uma propina de um milhão de reais em troca desta liminar, em conversa com o advogado Sérgio Lúzio Marques de Araújo. Ambos fazem parte dos 25 presos e a gravação da conversa está de posse das autoridades competentes. Posteriormente esta liminar foi cassada pela ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Sem comentários.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h50
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Nem todo crime provém da exclusão social: existem psicopatas
O psicanalista Renato Mezan escreveu um artigo na Folha de São Paulo de 21/05/2006 analisando os ataques do PCC à luz de algumas idéias da psicanálise. Criticou a velha mania nacional de ser tolerante com o criminoso por atribuir seus atos à miséria e à pobreza. Destaco este trecho:
"nem todo crime provém da exclusão social: existem psicopatas, e os motivos deles para delinqüir nada têm a ver com fome ou com miséria."
Ouro trecho interessante foi uma citação do deputado federal Aldo Rebelo, comunista e ex-presidente da Câmara Federal. A esquerda brasileira tem um discurso de defesa de todos os desfavorecidos, mesmo os criminosos, atribuindo os seus deslizes ao capitalismo selvagem. Neste caso, a opinião dele foi mais dura:
"...o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), a quem não se pode acusar de indiferença pelos direitos humanos, manifestou clara posição a respeito: é preciso que a esquerda repense sua aversão à idéia de que crime e pobreza nem sempre estão associados, que reconheça que os direitos humanos da vítima é que foram agredidos pelo crime e que, portanto, cabe (sempre dentro dos limites legais) um tratamento mais rigoroso para certos réus."
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h55
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Cidade Ozanan, um quase-bairro esquecido em Belo Horizonte
Quem passa pelo Bairro Ipiranga, zona leste de Belo Horizonte, e acidentalmente cai na Rua Ozanan fica bastante surpreendido. A rua tem uma sucessão de pequenas e humildes casas, de arquitetura igual. A pintura é diferente, mas prevalecem as cores discretas: rosa, branco, amarelo, creme. Nenhuma está em ruínas, mas boa parte está em mau estado de conservação.
Como a rua não é acesso importante para nada, está esquecida. Não me lembro de nenhuma reportagem da mídia sobre ela.
No passado, a Cidade Ozanan era um local para a velhice desamparada. Ainda está em funcionamento o Asilo de Idosos, com seu antigo prédio em bom estado, pelo menos na aparência externa.

Rua Ozanan

Asilo de Idosos da Cidade Ozanan
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 15h38
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Paternidade irresponsável
Uma diferença clara da cultura primeiro-mundista com a terceiro-mundista é a questão da paternidade/maternidade responsável.
No Primeiro Mundo pode-se ter quantos filhos quiser, mas é obrigatória a assistência e manutenção de cada um deles. Por isso as famílias atualmente são pequenas.
No Terceiro Mundo a sociedade não controla, vigia e cobra esta assistência. Daí prosperam frases como "Se a situação ficar difícil, Deus cria" ou "Onde comem cinco, comem seis".
Também impressionam os casos de machismo exacerbado, configurados na vaidade extremada. Uma vez assisti a uma reportagem sobre um sertanejo com três famílias distintas. Três esposas vivas e mais de 30 filhos. Faltou uma entrevista com alguém que destacasse os prejuízos humanos, morais e sociais de tal ato.
Em agosto de 2006 o Flamengo Futebol Clube foi sacudido com o anúncio da morte de um filho e um irmão do jogador Paulinho. Depois de muita tristeza, descobriu-se que era alarme falso.
Pior do que isso, descobriu-se que o boato era uma conseqüência dos problemas familiares dele, que tinha cinco filhos de cinco mulheres diferentes. Aproveitou-se da situação e fugiu dos treinos. Parece que foi punido ou multado pela diretoria do clube.
Presume-se que, como titular do Flamengo, Paulinho tenha atualmente condições de sustentar as cinco crianças. Mas o ser humano não se desenvolve, não vira cidadão apenas com a garantia financeira.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h11
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Piada para afastar o pessimismo
Conforme prometido, aqui vai uma piada para afastar o pessimismo:
A família tradicional, à mesa do jantar, comia tranqüila quando, de repente, a filha de 10 anos comenta:
- Tenho uma má notícia... Não sou mais virgem!
E começa a chorar, visivelmente alterada, com as mãos no rosto e um ar de vergonha. Silêncio sepulcral. De repente, começam as acusações mútuas:
- Isto é por você ser como é! (marido dirigindo-se à mulher). Por se vestir como uma puta barata e se arreganhar para o primeiro imbecil que chega aqui em casa. Claro, com este exemplo que a menina vê todo dia.
- E você (pai apontando para a outra filha de 15 anos), que fica se agarrando no sofá e lambendo aquele palhaço do teu namorado que tem jeito de viado. Tudo na frente da menina!
A mãe não agüenta mais e revida, gritando: - E quem é o idiota que gasta metade do salário com as putas e se despede delas na porta de casa? Pensa que eu e as meninas somos cegas? E além disso, que exemplo você pode dar se, desde que assinou esta maldita TV a cabo, passa todos os finais de semana assistindo a filmes pornô de quinta categoria e depois se acaba em punhetas, com direito a todos os tipos de gemidos e grunidos?
Desconsolada e à beira de um colapso, a mãe, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trêmula, pega ternamente na mão da filhinha e pergunta baixinho:
- Como foi que isso aconteceu, minha filha?
E, entre soluços, a menina responde:
- A professora me tirou do presépio! A Virgem agora é a Vanessa, eu vou fazer a ovelhinha...
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h00
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Um exercício de pessimismo
Quando vejo uma criança fico triste, pois trago comigo a certeza convicta de que ela, na vida adulta, vai encontrar um país ainda mais violento que este perigoso Brasil do presente.
Estou convicto porque ...
... a tecnologia avança rapidamente e vai continuar eliminando as vagas de trabalhos braçais, mecânicos ou perigosos, aqueles que não exigem conhecimento especializado;
... a nossa sociedade, por causa da nossa cultura, não tem capacidade de tomar medidas enérgicas, profundas e objetivas para enfrentar o fenômeno da violência;
... as classes pobres e afastadas das atividades que demandam informação e conhecimento continuam a reproduzir crianças que também não se integram à sociedade mais tecnificada, e que dependerão do trabalho que exige nível de formação básico, o que está se tornando cada vez mais escasso.
Matematicamente – e metaforicamente – falando: persistência do fator causador + incapacidade de reação + agravamento da situação dos principais atingidos = piora do problema.
Amanhã tenho que descobrir um tema positivo para o blog pois o ser humano não aguenta pessimismo e notícia ruim por dias seguidos. Não posso me dar ao luxo de disperdiçar leitor.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h36
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A inexpressividade da Força Nacional de Segurança Pública
Interessante como certas notícias (ou assuntos) são muito exploradas pela mídia em um momento e completamente esquecidas no seguinte. Ou como se cria um suspense com alguma promessa, e depois o seu cumprimento não é acompanhado.
Foi o caso da tal Força Nacional de Segurança Pública. Pelo nome parecia alguma coisa grandiosa, um equivalente ao Exército Nacional. Lula a ofereceu para ajudar o Estado de São Paulo na crise do PCC, em maio de 2006. O governador Cláudio Lembo recusou, alegando que ela era inexpressiva. Próceres do PT aproveitaram para apresentar a coligação PFL-PSDB como irresponsável e politiqueira, por causa da recusa..
Em janeiro a tal Força foi enviada para o Estado do Rio. Foi a segunda convocação, desde a criação por lei, em 2004. A primeira vez foi no Mato Grosso, mas o noticiário foi pequeno.
Ao começar a trabalhar no Rio ficou clara a sua limitação, pois só podia atuar na estrada, na fronteira do Estado. Quando ficou notória a sua inexpressividade no combate ao crime real, a mídia se desinteressou do assunto.
De lá pra cá não li, vi ou ouvi sequer uma notícia sobre a tal Força. Chequei na internet e descobri que continuará atuando até o final dos Jogos Panamericanos. Mas foi de tal forma esquecida que deixa no ar uma série de dúvidas. Qual a sua importância real no combate ao crime? Como foram alojados os seus membros, quase todos vindos de outros estados? Quais foram os resultados obtidos até agora? E o custo?
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h06
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A inveja profissional por trás da crise dos controladores de vôo
Ainda não vi uma boa reportagem sobre o que eu considero a gênese da revolta dos controladores de vôo: a convivência íntima de duas classes profissionais de mesma função, mas com grandes diferenças na evolução da carreira, inclusive salarial.
São 2.200 militares e 500 civis.
Segundo informações – unânimes, até onde vi e li – da mídia, os civis ganhavam mais, mas trabalhavam sob hierarquia militar e rejeitavam algumas práticas referentes a horários, turnos e regime de trabalho. Os militares dividiam o serviço com os civis, mas ganhando menos.
O absurdo acidente fatal com o avião da Gol foi o estopim. A primeira ação foi uma operação tartaruga, ou operação padrão, atribuída à iniciativa dos controladores civis. A falta de uma reação do governo estimulou a greve de sexta-feira, dia 30/3/2007. Tecnicamente foi um motim, pois uma filmagem com câmara escondida (um celular de grevista) só mostrou militares fardados.
Misturar categorias inteiras de profissionais é um erro primário de psicologia, de recursos humanos. Misturar apenas indivíduos de carreiras diferentes já gera desconforto dentro de uma atividade profissional, mas geralmente a conseqüência é apenas fofoca e inveja. Mas categorias inteiras, idênticas na função e diferentes na carreira, não conseguem coexistir. É um fermento de revolta.
"Por que eu sou obrigado a dobrar o turno se sou civil?", pensa um. "Por que o fulano da mesa do lado ganha melhor do que eu se faz o mesmo serviço?", pensa o outro.
Perguntas que eu gostaria de ver respondidas:
— Quando começou a contratação de civis?
— Houve tentativas anteriores de unificar ou separar, definitivamente, as duas classes?
— Como era a convivência entre ambas?
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h00
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Estados dependem de autorização da União até para comprar fuzis
O assunto do momento é a questão do apagão aéreo, mas ao ler uma matéria de 07/01/2007 de O Estado de São Paulo, sob o título "Vícios do sistema impedem o combate eficiente" me impressionei com a estranha rede de confusões administrativas e legais da questão da segurança pública no país. As polícias militar e civil são estaduais, mas para administrá-las os estados dependem de verbas federais, como também de autorizações específicas.
Destaco o último parágrafo da matéria:
"Sem o governo federal, os Estados ficam a ver navios. Muitos equipamentos só podem ser importados pela União, como aparelhos de interceptação telefônica. Ela ainda detém as verbas dos Fundos de Segurança e Penitenciário e é quem pode pedir a colaboração de outros países para obter informações sobre crime organizado e lavagem de dinheiro. Sem a União, até desarmados os Estados ficariam, pois quem lhes concede autorização para usar armas como fuzis é o Exército."
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h52
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
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Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
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Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
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genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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