Agressão durante o tumulto nos aeroportos
Ontem, dia 30/03/2007, talvez o pior dia de confusão nos aeroportos nacionais (o dia da greve dos controladores), o Jornal Nacional da TV Globo mostrou a imagem de uma agressão violenta de um passageiro a uma funcionária de companhia de aviação.
Ele virou o braço e o corpo atrás para dar mais impulso para o soco. O rosto dele ficou visível na filmagem, já a vítima estava meio de costas, meio de lado.
A cena foi tão forte que obriga o jornalismo a investigar. Quem eram eles? Quais as conseqüências? Haverá processo policial/judicial? Ela machucou-se muito ou pouco? A TV comeu mosca e hoje repetiu as imagens com um comentário simples, do tipo "houve até um caso de agressão".
Falha jornalística.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h28
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O Hipódromo Serra Verde está na Wikipedia, a enciclopédia da internet
Eu e meu sobrinho Tiago, acadêmico de ciências da computação da UFMG, criamos na Wikipedia uma página para o Hipódromo Serra Verde. A Wikipedia é a mais bem sucedida enciclopédia virtual da internet. Recebe colaboração de qualquer pessoa e tem um sistema de análises contínuas para dificultar os piratas, hackers e outros tipos de vândalos.
Acesse por este link: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip%C3%B3dromo_Serra_Verde
Abaixo, uma foto do cavalo Xatonaby, extraída da Wikipedia. Ele ganhou 18 corridas no Serra Verde, foi o vice-campeão em número de vitórias de todos os 32 anos de corrida.

Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 17h31
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Os Socorristas Espirituais ajudam a infrentar as dificuldades
Virou moda: videntes que dizem que trabalham de graça. Depois do caso que postei aqui em 06/02/07, encontrei outro folheto de propaganda, distribuído na rua, no trânsito, com a mesma estranha promessa. Da outra vez foi a Irmã Cristina, do Bairro Santa Efigênia; agora são os Socorristas Espirituais, do Bairro Cidade Jardim. Enquanto o outro tinha alguns milhares de erros de português, este só tem um que se destaca: infrentar as dificuldades.
Agora, de graça mesmo, pago pra ver!

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h56
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Unesco defende a campanha Criança Esperança
Em 10/12/2006 eu fiz uns comentários, aqui neste blog, sobre uma boataria que existia na internet sobre um possível uso do dinheiro das doações, pela TV Globo, para fins de dedução no imposto de renda.
Naquela oportunidade contei sobre a forma descoberta por uma pessoa para verificar se era possível: checar o nome do dono da conta que recebia os depósitos com a ajuda do site da Receita Federal. Descobriu que o dinheiro era depositado na conta da Unesco, e não da TV Globo.
Como a boataria teve prosseguimento, a Unesco fez uma nota explicando a situação, que publico abaixo:

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h10
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Helen Mirren, um Oscar para o mimetismo
A Rainha foi o primeiro filme candidato ao Oscar que assisti neste ano. Achei correta a interpretação de Helen Mirren, mas me surpreendi com o favoritismo dela para o Oscar de melhor atriz. Favoritismo confirmado com a indicação.
Foi uma interpretação aparentemente simples, adequada à fleuma inglesa, típica de Elizabeth II. Nada de gritos, expressões faciais dramáticas, transformações físicas extremas e outras características comuns às interpretações que levam a estatueta. Daí a minha surpresa.
O jornalista Daniel Piza, de O Estado de São Paulo, matou a charada na sua coluna de 04/03/2007, página D3. Atribuiu o sucesso ao mimetismo. Eis o seu texto:
"De resto, a premiação não teve grandes novidades: Helen Mirren e Forest Whitaker eram vencedores esperados, dentro da antiga tradição das atuações ‘miméticas’, em que o ator assume como médium a aparência e o jeito de alguém conhecido."
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 20h00
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A banalização do falso seqüestro
Um amigo foi acordado às 6 horas da manhã pela campainha do telefone. Do outro lado, uma voz chorosa, meio infantil:
– Papai, papai, me ajude! Fui seqüestrado.
Desligou imediatamente o telefone e voltou a dormir. No quarto ao lado, suas únicas filhas também dormiam, inocentemente.
É a banalização do falso seqüestro. Como muito bandido já ganhou dinheiro com o golpe, agora a raia miúda, a bandidada mixa, quer imitar. Só que esta turma não tem a habilidade e a estratégia dos golpistas originais. E perderam o fator surpresa.
Breve vai aparecer algum caso de um seqüestrado real que foi executado pelos bandidos porque os familiares não acreditaram na história. O anúncio do seqüestro por telefone vai perder a credibilidade.
Engraçado foi um caso de um repórter televisivo que estava na casa da mãe. No meio da madrugada atendeu o telefone e balbuciou um alô meio sonolento, que não foi bem entendido do outro lado da linha. Era o bandido imitando a voz de um homem em sofrimento e pensando estar falando com a mãe dele.
Repórter de rua, acostumado a pensar e agir rápido, ele respondeu imitando uma voz feminina. Depois de diálogo choroso (do lado de lá) e monossilábico, falsamente assustado e supostamente desesperado (do lado de cá), ainda com voz doce, aconselhou:
– Meu filho, abaixe as calças, aproveite e faça de tudo com o pessoal que está aí com você.
Desligou e foi dormir outra vez.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h58
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A violência mudando comportamentos
A linha 9208 liga a favela Conjunto Santa Maria, na zona sul de Belo Horizonte, ao Taquaril, um conjunto de favelas da zona leste.
Teoricamente, os ônibus que estão esperando a ordem para iniciar a jornada deveriam estar no ponto final.
Não é o que acontece no Conjunto Santa Maria. Com medo de ficar parados no ponto final, alguns motoristas preferem esperar a ordem de saída parados na Avenida Raja Gabaglia, mais de um quilômetro adiante. O fenômeno acontece à noite.
O ponto especial fica em frente a uma repartição pública – o Tribunal de Contas do Estado – cujos vigilantes trabalham armados.
Quanto aos passageiros que ficam esperando nos vários pontos de parada entre o ponto final oficial e o real... bem, azar deles...
Ou, como talvez diria Maria Antonieta, a rainha descabeceada da França, por que não se mudam de lá? A Cidade Jardim, por exemplo, fica até pertinho...
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h43
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A megalomania na América Latina
A América Latina, prima pobre do Primeiro Mundo, de vez em quando tem acessos de megalomania. Dois exemplos marcantes são o Capitólio, em Cuba, e o Teatro Amazonas, em Manaus. Duas construções gigantescas, caras, luxuosas; a primeira em um lugar pobre (Havana) e a segunda construída em Manaus, numa época em que o acesso ao Amazonas era difícil.
O Capitólio de Cuba é uma imitação do Capitólio americano, com um detalhe importante: é ainda maior (92 metros de altura). A construção foi iniciada em 1910 e a inauguração foi feita em 1929 pelo ditador do país à época, Gerardo Machado. Funcionou com palácio do governo até 1959, quando Fidel Castro tomou o poder.
O Teatro Amazonas é outra obra gigantesca, faraônica. Foi inaugurado em 1896, 12 anos depois do início das obras. Um fruto do ciclo da borracha, que enriqueceu os produtores locais; foi o maior símbolo da época de luxúria e extravagância que resultaram da exportação do produto da seringueira. Tem 700 lugares e foi construído com tijolos trazidos da Europa, vidros franceses e mármore italiano. É considerado uma tentativa de réplica da Ópera de Paris.

Teatro Amazonas, Manaus

Capitólio de Cuba, Havana
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h32
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O dia em que a genitália feminina ganhou o nome de Prochaska
Um dos mais engraçados equívocos da TV brasileira aconteceu com a atriz Cristina Prochaska em 1984. Ela estava trabalhando como repórter ao vivo da TV Band no carnaval carioca quando uma putilda resolveu mostrar suas potencialidades mais íntimas para a lente da câmara. O diretor de TV gritou "fecha na Prochaska", mandando o cameraman voltar a imagem rapidamente para a repórter. Só que ele fixou a imagem na prochaska da foliã putilda.
N’O Globo de 09/03/2007, a coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos, fez uma curta entrevista com a Cristina Prochaska, que transcrevo abaixo:
De volta ao Brasil depois de quatro anos nos Estados Unidos, a atriz e ex-apresentadora Cristina Prochaska está, involuntariamente, em outra. Abriu uma empresa de catering para cinemas e comerciais, mas, aos 46 anos, quer voltar a trabalhar como atriz. "Todo mundo só se lembra de mim por causa do episódio ’Fecha na Prochaska’", diz ela – e começa a contar um dos maiores clássicos de humor involuntário dos bastidores da TV brasileira.
Cristina Prochaska: Eu era repórter e fazia a cobertura de carnaval da Bandeirantes, em 1984. Era umas quatro da manhã e estava fazendo a transmissão ao vivo do baile do Monte Líbano. O diretor, Eduardo Lafond, mandou, pelo fone, o cameraman "fechar na Prochaska!". O cara, que já tava pra lá de Bagdá, começou a filmar em close a "prochaska" de uma dançarina que rebolava numa mesa, atrás de mim. O Lafond gritava "fecha na Prochaska! Fecha na Prochaska!" e o cara ia botando o zoom na calcinha da mulher.
Gente Boa: Está difícil voltar a atuar?
Prochaska: Tá difícil. Acho uma loucura não estar trabalhando. Agora, para eu pedir um papel num filme, tenho que falar com uma produtora de casting de 22 anos de idade que vem pedir o meu currículo. É demais. Parece que aqui as pessoas só se lembram de mim por causa de "Vale Tudo" e do "Fecha na Prochaska". Esqueceram que eu apresentei o "Fantástico", o "Video Show", que cobri os festivais internacionais de música com o Pedro Bial...
Não sei como apareceu o equívoco desta matéria quando se escreveu que o zoom foi na calcinha. Pelo que se sabe, esta já havia sido arrancada da região pubiana na hora do zoom, como pode ser confirmado no verbete dedicado à atriz na Wikipedia, a enciclopédia mundial da internet:
Quando trabalhava de repórter na TV Bandeirantes, ainda novata, fazia cobertura de um baile de carnaval, em companhia de Otávio Mesquita, hoje apresentador. A certa altura, enquanto entrevistava uma celebridade qualquer, uma mulher, atrás dela, subiu numa mesa e começou a tirar a roupa. A entrevista era focalizada em plano americano, o que permitia ao espectador assistir ao inesperado striptease. Preocupado com o horário, ainda impróprio, o diretor de TV pediu ao operador de câmera: "Fecha na Prochaska!", obviamente se referindo à repórter. O operador, que não conhecia a jornalista, fez um zoom na genitália da stripper, no exato momento em que ela tirava a parte de baixo do biquíni. Em pânico, o diretor berrava pelo ponto eletrônico no ouvido do câmera a mesma frase (Fecha na Prochaska! Fecha na Prochaska!), enquanto a púbis da dançarina era mostrada em close-up para todo o Brasil. Sem entender, o câmera tentava argumentar: "Mais que isso, só dentro!"
O acesso a este texto pode ser feito clicando aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cristina_Prochaska
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h24
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Direitos do Consumidor
Nos últimos anos, talvez uma década, houve um aumento da valorização do consumidor. Apareceram códigos, cartilhas, associações, seções em jornais.
Mas o dia-a-dia mostra que esta luta é constante, duradoura. A cada novo ato de defesa do consumidor se sucede outro desrespeito.
No momento, o caso mais emblemático é o das concessionárias de telecomunicações. Como a quase totalidade das transações se resolve por telefone, sem o contato físico, provas ou testemunhas, os prejuízos ao consumidor são constantes.
As promessas dos vendedores on line fazem lembrar aquela velha batalha entre consumidores e balconistas do comércio. Trocou-se o "pode levar que esta calça não encolhe depois de lavada" pelo "você tem direito a 30 minutos gratuitos pelo nosso plano especial". A calça vira pega-frango e os 30 minutos aparecem na boleta de cobrança.
Na hora da reclamação, o comerciante garante que a lavadeira é quem errou. Já a atendente de telemarketing diz que deve ter sido um equívoco do vendedor/vendedora, pois aquele plano não prevê os tais minutos grátis. E vai comunicar à supervisão, para as devidas providências. "A tele-qualquer-coisa agradece a sua preferência. Tenha um bom dia!".
Dois casos recentes, acontecidos com parentes meus, ilustram bem o pouco-caso com o consumidor. Um deles aconteceu com a Unimed. Na boleta (os dicionários ainda não conhecem esta palavra) apareceram três cobranças de uma consulta. Mesmo médico, mesma hora, mesmo minuto. Antes que alguém estranhe: o plano chama-se Unipart; o cliente paga uma parte do valor da consulta.
Obviamente alguém repetiu duas vezes o mesmo comando. O sistema não detectou. Apresentada a reclamação via teleatendimento, a funcionária informou que seria aberto um processo administrativo. Quanto tempo? "Até 30 dias", respondeu. "Mas o senhor tem que pagar a conta assim mesmo e não pode se atrasar, senão serão cobrados juros. Anote o número do processo para verificar o resultado depois e receber a devolução."
Inconformado, mandou um e-mail. A resposta textual: "Conforme retorno da gestão financeira, a análise do processo já foi concluída. O boleto com o valor incorreto poderá ser pago normalmente, pois não há como refaturá-lo. O crédito será concedido para a competência de Abr/2007." Faltavam três semanas para a data de pagamento do boleto, mas a empresa se recusa a enviar outro, mesmo reconhecendo o erro.
O segundo caso envolve o Bradesco. O cliente tem uma conta só para recebimento de aposentadoria. O banco a dividiu em conta-corrente e conta-poupança. Meses atrás, criou um limite de crédito automático que não foi solicitado pelo correntista. Um belo dia apareceram duas cobranças na conta, somando quase 40 reais.
Pra encurtar a história: enrolado na primeira agência procurada, na segunda agência o cliente foi informado que não havia deixado uma reserva para o pagamento de taxas e caiu no tal empréstimo automático. Ficou devendo um real. Os 40 reais eram as taxas pelo uso do crédito não solicitado.
Na verdade, o tal real existia na subconta "conta-corrente", mas o programa, espertamente, não o utilizou, embora o número da conta fosse o mesmo.
Eta Brasil!
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h11
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Quem se habilita a comprar uma casa esquisita?

No dia 03 de maio de 2006 eu postei neste blog (procure na parte de baixo desta página em ver mensagens anteriores) a foto de uma estranha casa no bairro União. Ela é toda esculpida, externamente, com temas místicos, religiosos e demoníacos.
Há alguns meses foi colocada à venda. Provavelmente não apareceram interessados e agora o dono pôs outra faixa: "Vende-se este lote". Desistiu de vender como casa, agora quer vender como lote, mais barato.
É a consequência de se ter alguma propriedade que foge do trivial, do comum. Para vender é complicado. Ser criativo pode dar prejuízo.

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h02
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Londres ou Rio de Janeiro, qual é mais perigosa?
O muito espirituoso colunista de O Globo Ancelmo Gois usou de fina ironia para comparar a violência de Londres com a nossa através de sua coluna de hoje. Eis a nota:
"Londres é um perigo
A criminalidade no sul de Londres está tão feia que as autoridades espalharam nos postes uns cartazes assim: ‘Ladrões querem roubar o seu ipod’.
My God! Deve ser terrível viver numa cidade assim."
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h07
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Preconceito no esporte
A prática esportiva é geralmente associada à saude mental e, por conseqüência, à cabeça boa, aos sentimentos de solidariedade.
Mas também tem suas recaídas. Na semana passada Rodrigo Pessoa, o cavaleiro número 1 do hipismo nacional (e, talvez, do mundo, por causa da medalha de ouro nas Olimpíadas de 2004) anunciou que não participará dos Jogos Pan-Americanos.
Entre os motivos apareceu um de caráter preconceituoso: ele está sendo criticado por cavaleiros do Brasil pelo fato de atuar e viver na Europa.
Caso interessante é o do ex-tenista Fernando Meligeni. No ano passado, quando indicado para técnico (cargo que chamam de capitão) do time que representou o Brasil na Taça Davis - uma espécie de Copa do Mundo deste esporte - a fofoca e as críticas comeram soltas, já que ele é argentino.
Mais exatamente, ele é filho de um brasileiro e uma argentina; nasceu abaixo do Rio da Prata, lá foi criado alguns anos e depois veio para o Brasil. É meio argentino, meio brasileiro. Mezzo a mezzo.
Por isso ele sofre duplo preconceito: é um estrangeiro na Argentina, pois viveu a maior parte de sua vida no Brasil e o pai é brasileiro; é estrangeiro no Brasil pois nasceu na Argentina, terra de sua mãe.
Certamente estas questões não envolvem xenofobia pura; muitas vezes são usadas para tentar justificar meras disputas profissionais. O que parece acontecer nos casos acima.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h51
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A gata é meio sega
(parece que não enxerga bem...)

Fotografei esta faixa há duas semanas na Rua Dona Cecília, bairro da Serra. Uma "gata meio sega"!!! Deve ter sido escrita por alguém meio analfaburro.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h14
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Um antigo caso de impunidade com conseqüências dramáticas
Quando os microfones se abrem para os populares indignados com mais algum crime neste país, imediatamente aparecem os slogans contra a impunidade. Mas ela vem, muitas vezes, vestida de caridade cristã, com sentimentos do tipo "vamos perdoar" ou "todos merecem uma segunda chance".
Dos casos que aconteceram próximos de mim, o que mais me impressionou data de 1985, aproximadamente. Eu era estudante de veterinária e toda a turma foi a uma fazenda pertencente à escola, no município de Igarapé. Fomos levados aos tanques de piscicultura, onde um funcionário bem apresentado, e bem falante, deu explicações.
Interessado, o colega Hélio lá retornou dias depois com o sogro, pequeno produtor rural. Procuraram o mesmo funcionário, que reagiu de forma diferente. Não quis dar informações, foi agressivo e grosseiro.
Voltei a vê-lo mais algumas vezes, na própria escola, em Belo Horizonte. Ele sempre circulava com uma moto potente e vestia-se com roupa de couro preta, bem ao estilo do filme O Selvagem da Motocicleta.
Meses depois ele foi encontrado morto, n’alguma estradinha rural da Grande Belo Horizonte. Foi uma morte violenta: tortura, execução e queima do corpo. Os jornais levantaram a ficha dele: traficante de drogas e condenado a uma longa pena por assassinato. Eu soube (não sei se através dos mesmos jornais) que ele tinha assassinado, por encomenda, um rapaz que seria filho de um diretor da Casa da Borracha, tradicional casa comercial já desaparecida. Este seria o motivo da condenação, poucos anos antes.
Dias depois os jornais publicaram novas descobertas. Ele havia sido executado por um grupo de traficantes composto por policiais civis. Foi o grande escândalo do noticiário policial daqueles dias. O jornal Diário da Tarde publicou na primeira página uma foto que ele tirou na entrada da escola de veterinária. Uma péssima publicidade.
O passo seguinte foi entender a ligação dele com a escola. Descobrimos que, após o cumprimento de poucos anos de cadeia (ele sequer tinha chegado aos 30 anos quando morreu) a Justiça resolveu criar condições para abrandar a pena. Como ele era técnico agrícola (curso de segundo grau) foi feito um acordo com a diretoria da Escola de Veterinária da UFMG, que se responsabilizou. O assassino ganhou um emprego na fazenda da escola.
Sobrou espírito cristão, faltou responsabilidade. Circulava entre os alunos, que de nada sabiam.
A freqüente presença dele na escola foi logo entendida. Era o grande fornecedor de drogas para alunos e funcionários e tinha clientela em outras escolas do campus.
O que passou pela cabeça dos diretores? Que assassino frio e ainda jovem é capaz de mudar a vida totalmente, depois de cumprir uma pena pequena? É algo desejável, mas improvável.
Casos como este acontecem em todo o território brasileiro. Com iguais conseqüências.
Pena que eu não guardei recortes de jornal sobre o caso. Fica a memória.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h10
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Dreamgirls – Em Busca de um Sonho
Assisti ao filme Dreamgirls – Em Busca de um Sonho pouco antes da disputa do Oscar. Foi até acidental: ia assistir ao Cartas de Iwo Jima mas cheguei atrasado.
Sabia apenas que o filme tinha alguma relação com o grupo de cantoras The Supremes, nada mais.
Não sou contemporâneo deste grupo. Quando saí da adolescência e comecei a me interessar por música, a identificar intérpretes, ele já havia sido extinto e a cantora principal, Diana Ross, ao contrário, estava no auge do sucesso. Eu gostava muito de sua voz melosa e romântica e não cheguei a ler nada sobre a história do grupo.
O filme me impressionou pela dureza dos comentários e das descrições de personagens. Como o pouco que eu havia lido antes – aquela resenha de uma dúzia de palavras dos jornais – falava em biografia do grupo, ele me soou como uma acusação direta a personagens reais. E personagens vivos.
Fui pedir socorro à Mãe Protetora dos Necessitados de Informações Rápidas, a rede mundial de computadores. Li algumas boas matérias e destaco – e indico para os interessados – a resenha do site www.cinemaemcena.com.br, do crítico Pablo Vilaça.
Em resumo, a história do filme é extremamente parecida com a história do grupo. É uma biografia mal disfarçada pois a personagem principal Deena representa a Diana (vejam a semelhança dos nomes). A personagem Effie, com dois efes, representa a cantora Florence Ballard, cujo primeiro nome também começa com um efe. O personagem Taylor Curtis Jr. é uma versão descarada do famoso produtor musical Berry Gordy Jr, dono da Motown Records. Oralmente, os dois nomes soam parecidos, não parece?
Ainda trilhando o enredo, Effie era a cantora principal quando as três eram adolescentes. Tinha voz forte, bem característica da cantora negra americana. Depois de adultas, o produtor decidiu que ela se tornaria apenas uma voz de acompanhamento e o grupo adotaria o estilo romântico, com a bela Deena de vocalista principal. Ela permaneceu no grupo algum tempo mas despejou a frustração nas drogas e depois saiu, caindo na pobreza. Voltou em grande estilo no final, para o happy end. Na vida real aconteceu tudo isto com Florence Ballard, mas o final foi unhappy: ela morreu aos 32 anos, sem deixar o inferno terrestre. A saúde destruída pelo vício.
Dizem que contar o final de um filme é um crime que merece pena de morte. Como eu não faço parte de nenhum sindicato de críticos de cinema, tenho direito a uma segunda chance.
O tom acusatório e crítico é nítido. Taylor Curtis Jr. não é um personagem bem construído. Às vezes parece um batalhador (no bom sentido), mas na maior parte da história é alguém que só quer tirar vantagem, um empresário explorador. Como esta última imagem é mais marcante, a acusação acaba caindo sobre a cabeça do personagem real que o inspirou, Berry Gordy Jr. Mas o mais interessante é que este absorveu bem a questão: os estúdios DreamWorks e Paramount publicaram uma nota jurando que não havia relação entre ambos e ele aceitou publicamente as explicações e até elogiou o filme.
Também é nítida a intenção do roteiro de apresentar Effie como a talentosa injustiçada e Deena como a cantora inexpressiva que é impulsionada pela mídia. Há uma cena em que isto é dito claramente por um personagem, destacando a superioridade de Effie como cantora. Achei injusta esta comparação. Todos os estilos de música são respeitáveis. Na vida real Florence Ballard era uma cantora de voz poderosa, grave, típica de música soul, basicamente negra. Diana Ross é uma cantora de voz melosa, de pouca potência, característica de baladas, um estilo mais dominante no branco americano. Em determinado momento o empresário e a maioria do grupo optou pelo estilo balada para trabalhar, preterindo o estilo soul de Florence. Respeito o direito de escolha.
Esta foi – opinião minha – a parte fraca do filme, juntamente com as estranhas cenas em que o texto do diálogo eram cantados. Ficaram perdidas no meio do enredo.
O acesso direto à boa crítica de Pablo Vilaça é: http://www.cinemaemcena.com.br/frm_Criticas_Detalhe.aspx?cod_filme=4145&tipo=criticas&ID=8865
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h16
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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