Os bancos deveriam informar melhor os crimes à Polícia
O jornal Estado de Minas de 10/01/2007 fez uma reportagem de duas páginas sobre os "Olhos eletrônicos de Belo Horizonte", aquelas câmaras de vigia que estão instaladas em vários locais da capital.
Segundo a reportagem, quando elas identificam uma atividade criminosa, funcionários da BHTrans que trabalham no sistema notificam a Polícia. Se acontece a prisão em flagrante, é gravado um CD com a imagem do crime e enviado para a Polícia, para servir como prova no processo judicial.
Atualmente as agências bancárias fotografam os clientes durante o uso do caixa eletrônico e também fazem filmagens. Mas falta eficiência no uso posterior destas imagens para coibir o crime.
Conheço dois casos de cartões usados por ladrões (um deles durante um seqüestro) em que as vítimas conseguiram ver a foto tirada durante o saque. A informática permite acesso fácil: foi só digitar o número da ocorrência bancária no computador que a imagem apareceu em segundos. Nos dois casos os gerentes só permitiram ver a imagem, não permitiram copiar.
Falta aos bancos criar um protocolo de ação nestes casos. Tomar algumas iniciativas, pois também é vítima deste tipo de atividade e freqüentemente tem que ressarcir os clientes.
Sabe-se que os bancos já produzem alguns "estímulos" para incentivar a Polícia a ser mais eficiente no combate aos crimes que ocorrem no setor. Como isto é, literalmente, um favorecimento, nada se divulga a respeito. Ainda não vi uma matéria jornalística sobre este assunto; provavelmente porque os bancos são grandes anunciantes na mídia.
A primeira iniciativa do sistema bancário seria educativa: informar a todos os delegados que tem como disponibilizar tais provas. Posso garantir que muitos deles, principalmente do interior do Estado, desconhecem a existência destas gravações. Além disso, as delegacias estão atoladas de serviço, num país de criminalidade alta e crescente.
É mais fácil e eficiente (outra iniciativa) o gerente enviar o CD do que o delegado requisitar o material através do burocrático ofício. Basta ao gerente gravar num CD cada ocorrência deste tipo e enviar para a Polícia.
O caminho parece simples: ao receber uma informação oficial de um crime ocorrido no interior de uma agência (por exemplo, um saque com um cartão roubado) o gerente grava fotos e filmes em um veículo de mídia (um CD-R custa, no atacado, menos de meio real) e envia para a delegacia responsável. Se vai ser usado ou não, é um problema de outra esfera.
A prova é a base da punição do evento criminoso. Na esfera superior, o Poder Judiciário, é decisiva. As tecnologias modernas fabricam muito mais provas do que no passado.
A informação sobre a ocorrência de um crime chega facilmente ao gerente bancário. A maioria absoluta destes casos envolve queixa e o chamado Boletim de Ocorrência, que geralmente é apresentado ao banco para acertos na conta corrente espoliada.
O serviço público não é homogêneo, e a eficiência varia, em graus extremos, de um delegado para outro. Os mais eficientes terão mais provas à mão e podem preparar melhor o processo. No fim da linha, a aplicação de penas aumenta, o que é bom para a sociedade.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h31
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Afinal, Geraldo Vandré está louco ou só recluso?
Talvez nem o próprio Chico Buarque tenha representado tão bem o papel de símbolo de reação contra a revolução de 1964 quanto o compositor e cantor Geraldo Vandré.
Enquanto Chico reclamava da Ditadura com sutilezas poéticas, Vandré falava em revolução popular (com outras, e claras, palavras) na música Pra Não Dizer Que Não Falei De Flores, mais conhecida pelo subtítulo de Caminhando.
Era o hit nas vitrolas dos guerrilheiros e nos coros das passeatas estudantis.
Foi preso pelos militares. Certamente sofreu alguma tortura; era uma prática de rotina.
Depois da anistia e do encerramento do ciclo militar, outros personagens-símbolos da reação se destacaram na mídia, na cultura, na política. Vandré se omitiu.
Em 1995 ele reapareceu no meio artístico com a música Fabiana, dedicada à FAB – Força Aérea Brasileira. Como os militares eram considerados seus algozes, o tema da música foi interpretado como um sinal de loucura do veterano guerrilheiro cultural. A conclusão foi generalizada. A boataria popular atribuía a suposta loucura à também suposta tortura.
Um jornalista de um programa de reportagens televisivas conseguiu localizá-lo, uns 10 anos atrás, talvez um pouco mais. O repórter e o cameraman o seguiram por entre os móveis de uma sala mas ele se esquivava, com respostas meio desencontradas às perguntas formuladas. Uma cena patética.
No dia 12 de setembro de 2005 o paraibano Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, o Geraldo Vandré, completou 70 anos. Parece não ter lógica o esquecimento dele pela mídia, considerando o que representou. Mas eu vejo como um ato de respeito pela pessoa.
Creio que só a morte dele vai liberar a imprensa deste respeito, permitir a publicação dos reais motivos de seu precoce ocaso artístico.
Dois links sobre a vida e obra de Geraldo Vandré:
Na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Vandr%C3%A9
Jornalista Vitor Nuzzi: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1721
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h14
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária do Marcos Valério
Quem se lembra de Fernanda Karina Somaggio, aquela secretária do empresário Marcos Valério, que acusou o patrão de envolvimento com o mensalão?
Feliz com a fama nacional, ela anunciou que seria candidata a deputada federal em 2006. Cumpriu a promessa, mas não cativou o público. Conseguiu 2.307 votos, muito pouco, praticamente nada para se eleger em São Paulo.
Foi a 20.ª colocada entre os candidatos do PMDB, que só conseguiu eleger três. O quarto colocado teve 93 mil votos e perdeu a eleição.
Como disse um amigo, "o povo aplaude a traição e repudia o traidor".
No caso de Fernanda Karina não vale o sentido exato, trata-se de uma comparação: se ela traiu quem burlou a lei, tecnicamente ela não é traidora.
Nesta semana, uma tragédia a trouxe de volta para a mídia, com o assassinato de seu pai, terça-feira, dia 20/02/2007.
Três dias depois o jornalista Cláudio Humberto, em sua coluna que é impressa em vários jornais de todo o Brasil, soltou uma bomba, atribuindo o assassinato a uma vingança contra a filha e relacionando o assassino com o PCC.
Leiam o texto de Cláudio Humberto:
"Karina era o alvo
Policiais que investigam a morte do pai da ex-secretária de Marcos Valério, Fernanda Karina Somaggio, revelaram à coluna que o assassino perguntou "onde está sua filha?", antes de atirar com revólver .38 em Usaldo Ramos, 56. O assassinato ocorreu na madrugada de terça, em condomínio fechado perto de Mococa (SP) onde Usaldo vivia com a segunda mulher. Foi ela quem contou o diálogo à polícia. Karina ficou até domingo na casa do pai.
Karina Somaggio, que ficou conhecida pelas denúncias na CPI de caixa 2 do PT, pediu proteção policial e saiu da cidade, após o enterro do pai.
O assassino, Márcio Alves de Sousa, recebeu "indulto de Carnaval" da penitenciária 2 de Lavínia (SP), onde está um dos líderes do PCC.
Márcio e outro indultado se entregaram à polícia em Minas. Duas motos os esperavam fora do condomínio em Mococa, que tem vigilância 24h."
Vamos aguardar os acontecimentos. Se a informação estiver correta, será novo escândalo nacional. Mas isso depende de novas provas, depoimentos, informações de delegados. "Policiais ... contaram à coluna" não me parece um estopim forte o suficiente.
O site-fonte é www.claudiohumberto.com.br. A partir de amanhã, procure pelo botão "Colunas anteriores", e a data de 23/02/2007.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h02
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Santayana desagrada bibliotecários e secretárias
Na edição do Jornal do Brasil de 28/07/2006 o jornalista Mauro Santayana escreveu mais um artigo contra a obrigatoriedade do curso universitário para o jornalista.
Termina o artigo com um comentário que fugiu do tema principal, mas me tocou pois também me impressiona a quantidade de cursos universitários de pouca utilidade para os formandos que existem no Brasil. Pela falta de mercado, pela limitação da escola, pelo baixo nível do aluno.
Foi este o parágrafo citado:
"A proliferação de cursos universitários, para ofícios singelos, como os de bibliotecários e secretárias, faz parte do grande mercado de ilusão dos tempos modernos, e serve ao fundamentalismo mercantil. Milhares e milhares de jovens sacrificam-se e sacrificam seus pais na busca de um diploma que lhes venha conferir modesta estabilidade, e acabam caindo na fossa do desemprego e do desespero."
Mas o que causou mais celeuma foram os dois exemplos. Diversas entidades de classe que representam bibliotecários e secretárias se enfureceram com a comparação e espalharam "notas oficiais".
Leia o artigo Entulhos autoritários , de Mauro Santayana, através do site da Federação Nacional das Secretárias e Secretários, que o publica juntamente com a defesa da categoria.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h38
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Informações sobre a renovação da Carteira Nacional de Habilitação
O quase-xará Márcio Henrique D’Ávila, autor do Blog do Márcio D’Ávila (acesse aqui), está se especializando em fazer uma extensa bibliografia virtual dos assuntos que ele aborda em seus posts quase diários. No decorrer ou final do texto ele lança links relacionados com o assunto em pauta.
No dia 12/02/2007 ele fez isto com o assunto "Renovação da Carteira Nacional de Habilitação". Falou sobre a exigência do exame de legislação para as próximas renovações (me salvei por alguns meses) e levantou 3 grupos de links: cartilhas; testes simulados; leis e sites.
O acesso direto para a "Renovação da CNH" é http://blog.mhavila.com.br/2007/02/12/renovacao-da-cnh/ .
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h53
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Um pugilista de 2 metros e 13 centímetros
O pugilismo tem agora uma estrela bem diferente. O atual campeão mundial dos pesos-pesados pela Associação Mundial de Boxe é o russo Nicolai Valuev, o "Homem Montanha". Ele é um montanhão: 2 metros e 13 centímetros de altura, 150 quilos.
Valuev tem 33 anos e está prestes a bater um recorde do seu brutal esporte: as 49 vitórias consecutivas do legendário Rocky Marciano, entre 1947 e 1955. Ele já ganhou 46, a última no dia 20 de janeiro, sobre um adversário de pouca expressão.
Existe um golpe publicitário por trás. O empresário do gigante é Don King – aquele afro-americano de cabelos grisalhos e eriçados –, que não o deixa enfrentar os campeões das outras categorias, pois o objetivo é ganhar publicidade com o recorde.
Lembram-se do Popó, aquele pugilista brasileiro que chegou a ser campeão mundial? Muita gente não sabe que ele também não enfrentava os melhores da categoria. Ganhou o titulo por uma associação de menor importância, com também aconteceu com o Adilson Maguila Rodrigues, anos antes. É que o boxe internacional é administrado por associações diferentes, algumas importantes e outras inexpressivas, sediadas em diferentes países.
Na época áurea do pugilismo na tevê brasileira era engraçado ouvir o comentarista técnico da Band, Newton Campos, então presidente da Federação Paulista de Pugilismo. Reutilizando algum slogan perdido no passado, ele só se referia ao boxe como "a nobre arte". Sem comentários.
Na verdade, é um esporte cruel, o único entre os de grande público que institucionaliza e privilegia a violência. O objetivo é que um dos lutadores seja derrotado, ainda que o meio seja um massacre físico.
Criaram-se uma série de técnicas para defender a integridade do lutador, reduzindo o risco de morte: as luvas, o atendimento nos intervalos, a suspensão do combate quando um lutador está sangrando, o direito do árbitro de declarar o nocaute técnico. Mas isso também criou um lado ruim: os lutadores resistem mais e por isso sofrem mais, se lesionam mais. Enquanto isso, a platéia delira...
A redução das lesões e mortes de lutadores ao longo de décadas não lhe retira o status de esporte cruel. Perdeu um pouco de popularidade, mas mantém um público cativo.
Sociólogos e antropólogos certamente dirão que existe uma relação com os instintos básicos humanos. Uma recriação da luta pela vida. Tem lógica.
Não nego que o boxe sempre me atraiu. Assisti à maioria das grandes lutas que foram televisionadas. Meu lado racional é que foi me afastando. Me condicionei a pressionar o botão de canais do controle remoto na hora das lutas. Ou o botão de desligar.
Vejamos a seguinte seqüência histórico-antropológica:
1º - a luta pela vida na disputa entre os homens da caverna;
2º - a recriação delas como esporte mortal no Coliseu e outras arenas romanas;
3º - mais uma recriação dos instintos selvagens, desta vez como um esporte não obrigatoriamente mortal, o pugilismo;
4º - a vitória do racional sobre os instintos com a extinção do pugilismo.
Os três primeiros itens são história; o quarto pode ser a conseqüência futura.

Nicolai Valuev
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 16h15
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Brasil é tolerante à violência
Segue-se apenas uma pequena observação sobre o crescente fenômeno da violência no Brasil.
A desumanidade das prisões e os casos filmados de violência policial sádica levam muitos ao equívoco de acreditar que o Brasil é repressivo quanto ao crime.
Na verdade, o fenômeno da tolerância é muito mais grave, por ser mais abrangente. Imersa numa cultura de caridade cristã, a população reclama da "impunidade" mas não atua - como movimento social - na luta pelas medidas punitivas e preventivas. Sem a pressão popular, o Executivo não se empenha em atividades como o aumento das unidades prisionais e o rígido controle da atividade policial; o Legislativo cria leis brandas; e o Judiciário as executa da forma mais branda que a letra da lei permite.
Levando esta questão para o espectro dos rótulos políticos, eu diria que o nosso sistema consegue estar à esquerda da direita e também à direita da esquerda. É que tanto nos regimes mais à direita (capitalistas puros, ditaduras pessoais ou corporativas, etc) quanto nos mais à esquerda (comunismos, socialismos, etc) não existe a tolerância à violência e ao crime.
O país que mais aplica a pena de morte é a China. São milhares de execuções anuais. Assassinos e traficantes de droga dificilmente escapam.
O símbolo do capitalismo no planeta Terra são os Estados Unidos. Está longe do número de execuções da China, mas continua praticando a mais extrema das formas de punição. E aprisiona por motivos aparentemente simples, o que a mente meio malandra do brasileiro não consegue sequer entender.
O Brasil estaria no meio dos dois? Não, está numa zona indefinida. Não consegue entender que o fenômeno só foi controlado pelas nações que tomaram medidas efetivas para resolvê-lo. Tanto as ações preventivas quanto as punitivas.
Nas entrevistas e debates é notável o destaque dos defensores das medidas preventivas. Os punidores são mais passivos, mais discretos. Temerosos da opinião popular, que por sua vez é oriunda de uma cultura que valoriza a caridade e a tolerância.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h13
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Lula em contato com o povão
Uma piada para seguir o espírito carnavalesco:
A caravana do governo seguia pelo interior do Piauí, em vários carros. Todo mundo disfarçado de povo.
Lá pelas tantas, no meio do poeirão, bate aquela sede, e o vosso presidente manda parar junto da primeira casa no caminho para beber um pouco de água.
Diante do pedido daqueles homens importantes, tudo doutor, a dona do casebre, hospitaleira como todo sertanejo, grita para o menino de uns 9 anos que estava sentado na porta:
"Luiz Inácio! Corre aqui, jegue! Traiz a quartinha e as caneca prus dotô bebê água!"
Lula, todo vaidoso, pergunta:
"Eu vi que a senhora chamou o garoto de Luiz Inácio. Ele tem esse nome em homenagem a alguém?"
E ela, sem nunca imaginar que era o presidente em pessoa que estava ali, responde:
"Não, dotô, na verdade o nome dele é Fernando Henrique, mas é que urtimamente esse minino deu prá bebê, roubá, minti e fazê tanta merda, que nóis apelidô ele anssim"
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h00
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Mais uma mentira do falso engenheiro do Exército
Minha neo-leitora Adriana Santos (me descobriu via Google) enviou um e-mail dizendo que foi colega de trabalho do Rogério Beraldo de Almeida, o tal engenheiro falso que foi preso na estação do metrô de São Paulo que desmoronou. Contei a história dele num post de 23/01/07.
O falsário deu entrevistas para toda a imprensa presente alegando ser engenheiro do Exército. Acabou preso e confirmou que não era engenheiro, apresentando-se à polícia como designer de interiores. Um detalhe interessante que está no meu post, e repito: "Segundo o delegado de plantão do 14º DP, Cléber Picirili Filho, ele foi a quarta pessoa presa por fingir ser outra nos arredores do buraco. Já houve jornalista disfarçado de engenheiro, falso bombeiro e até menor de idade vestido com uniforme do Grupo de Operações Especiais (GOE)."
Adriana garante que ele nunca foi designer de interiores. Respondi para ela que não fiquei surpreso, pois acho natural que este tipo de gente (deve ser alguma espécie de psicótico-megalomaníaco) sempre se apresenta como profissional de alguma área que inspire charme. Designer de interiores não é charmoso?
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h38
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Uma piada de consultório médico
Uma senhora bem velhinha vai ao médico e diz:
- Doutor eu tenho um problema com gases, mas realmente não me aborrece muito. Eles nunca cheiram e sempre são silenciosos. Vou lhe dar um exemplo concreto: eu peidei 20 vezes, pelo menos, desde que entrei em seu consultório. Aposto que você não sabia que eu estava peidando porque eles não cheiram e são silenciosos.
O médico diz:
- Sei, sei, ... Leve estas pílulas, tome 4 vezes ao dia e volte na semana que vem.
Na semana seguinte, a senhora regressa.
- Doutor eu não sei que inferno você me deu, mas agora meus peidos, embora ainda silenciosos, fedem terrivelmente.
O médico diz:
- Bom !!! Agora que curamos sua sinusite, vamos cuidar do seu ouvido!!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h06
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Museu Clube da Esquina, só virtual
O cantor Milton Nascimento imortalizou o Clube da Esquina, seu grupo de amigos e parceiros musicais no Bairro Santa Tereza. Há alguns anos atrás foi feita uma solenidade com a participação da Prefeitura e inaugurada uma placa num pequeno prédio da esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, que seria indicativa do museu. O curioso é que ele é apenas virtual (www.museuclubedaesquina.org.br). Comenta-se na vizinhança que uma pessoa veio do Rio de Janeiro para visitar o museu e só encontrou a placa.

Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h17
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Bandidos preferem bancos nos bairros
Na edição de 08/02/2007 o jornal Estado de Minas publicou uma carta do sr. Décio Mayrinck, de 88 anos, que luta pela instalação de uma agência bancária no bairro Santa Tereza. Ele até já escreveu uma carta ao presidente Lula reivindicando a instalação de uma agência do Banco do Brasil.
Sua alegação parece justa: "Santa Tereza (...) onde mora um sem-número de aposentados e idosos, que precisam se deslocar até o centro da cidade para receber os modestos proventos previdenciários".
Veteraníssimo senhor Décio: o mundo mudou. Hoje, o que parece ser a solução de um problema pode virar um problema ainda maior. Quando esta agência começar a funcionar, senhor Décio, sabe o que vai acontecer? Os bandidos vão acompanhar os velhinhos na saída do banco e, alguns quarteirões depois, vão agredi-los e assaltá-los.
Nas agências do centro já acontece isso. E lá é mais difícil o bote do bandido, por causa do movimento de gente e presença de polícia.
Sinto lhe dizer isto, senhor Décio, mas a situação do Brasil está brava. Sua geração não conviveu com isto, tem dificuldade de se acostumar. Mas esta é a realidade.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h02
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Uma vidente afinada com o marketing
Um costume tipicamente brasileiro é a distribuição de papéis de propaganda nas ruas.
No momento, quem lidera o ranking na capital mineira é uma vidente, a Irmã Cristina. Do bairro de Santa Efigênia ao centro a "vidente, espiritualista, umbandista" montou um exército de distribuição, principalmente nos sinais de trânsito.
O panfleto dela é um quadrado de papel jornal, 10x10cm, que merece uma análise saborosa. Começa com uma chantagem emocional: fingindo-se de defensora da limpeza urbana, tenta garantir que o passante guarde o seu cartão de visita: "Seja educado não jogue fora este anúncio se não lhe interessar, passe para um amigo ou parente. Vamos manter a cidade limpa."
Depois vem a relação dos males que ela garante curar: "amor mal correspondido, vícios em geral, doenças sem explicações, desemprego, casamento em crise, frieza sexual em ambos os sexos, se sua firma ou negócios não vão bem, receber uma dívida, quer vender um imóvel rapidamente. Irmã Cristina traz a pessoa amada em poucos dias."
Aí chega a hora do golpe certeiro no cliente indeciso: "Ela não cobra pelos seus trabalhos, você não precisa falar nada, ela verá e falará tudo." Que espírito humanitário, uma vida em prol da humanidade. Tudo grátis. Talvez queira virar Santa. Não, pensando bem, uma "vidente, espiritualista, umbandista" não poderia querer ser a Santa Irmã Cristina. Deve ser mesmo bondade desinteressada...
A próxima etapa é minar a concorrência: "Irmã Cristina pede por favor para não confundi-la com outras que dizem trabalhar na mesma profissão. Seus trabalhos são totalmente rápidos, garantidos e sigilosos."
Depois ela lança seu arsenal de trabalho: "Dependendo dos seus problemas, Irmã Cristina também lhe ajudará com banhos, rezas, talismã, patoás, velas, simpatias e garrafadas." Artilharia pesada.
O parágrafo ainda é o mesmo, e seis linhas depois de escrever que "não cobra pelos seus trabalhos", apresenta o orçamento: "Ligue agora mesmo e marque sua consulta pelas Cartas, Búzios e Tarô – R$ 10,00". Memória curta!
Longa vida para a inteligência nacional.

Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h46
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Carros abandonados em Santa Tereza

Os dois carros da foto, embora um pouco distanciados, são do mesmo dono, que mora em frente ao majestoso Ford Galaxie, na rua Quimberlita, bairro Santa Tereza. Fazem parte da mania brasileira de abandonar os carros na rua, quando não servem mais. Também faz parte dos nossos costumes o desinteresse da Prefeitura em providenciar a retirada. Dizem os vizinhos que o proprietário tem uns 9 carros aposentados (os outros estão em garagens). Eta Brasil!
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h12
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
O cagaço do jogador Adriano
O jogador Adriano foi convocado pelo Dunga, mas a verdade é que ele atravessa seu pior momento, ficando preferencialmente na reserva do seu clube.
(Abrindo um parêntese: que coisa mais estranha esta badalação da seleção poucos meses após a Copa, o único evento realmente importante da categoria. Faltando três anos e meio para a próxima, só serve mesmo para uma falsa preparação do grupo de atletas. E para valorizar alguns jogadores comuns. Mas chamemos o parêntese de fechamento para voltar ao tema escolhido.)
Pois o Adriano foi tentar a carreira na Europa antes do sucesso. Acabou convocado por Parreira para a Copa das Confederações em 2005. Superou a desconfiança da torcida completamente, a ponto de ganhar a posição de titular derrubando o Robinho, mas na Copa não jogou nada. Mas acho que o caso dele foi diferente dos demais. No início de 2006 ele se chocou com um zagueiro no campeonato italiano e caiu desmaiado. Depois disso nunca mais jogou bem. Não pode ser apenas coincidência. Mais provavelmente, a culpa foi do medo que resultou daquela experiência.
O desmaio parece uma aproximação com a morte, principalmente para um atleta jovem e forte. Antes deste encontro com o medo, ele era um homem confiante. Criado na pobreza, em torno dos 20 anos já ganhava um bom salário e dois ou três anos depois já tinha alto padrão de vida na Europa, cercado por puxa-sacos e marias-chuteiras, que ele podia escolher ou desdenhar.
É natural, é humano, que depois de algo assim ele não tenha coragem de se atirar em direção a uma bola, no alto, pois pode se chocar com uma cabeça ou um cotovelo, como acontecera naquele dia terrível. Ele pode até saltar e procurar a bola com a testa, afinal é um atleta e tem o corpo ágil, mas o subconsciente dá uma pequena travada e a bola passa ilesa.
E o Adriano foi apenas uma sombra na Copa que prometia o Hexa.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h31
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Astrologia, muita imaginação e pouca ciência
Em 1973 eu era um muito jovem repórter de esportes especializados no extinto Jornal de Minas, de Belo Horizonte, instalado na avenida Francisco Sales, na Floresta, entre a rua Aquiles Lobo e a linha de trem.
Esportes especializados era a expressão usada para representar o conjunto dos esportes, com exceção do futebol. Havia, então, um abismo entre a popularidade do futebol e dos demais esportes; dai a aglomeração destes em uma única página sob o titulo de "especializados".
Com menos de 20 anos de idade eu era repórter, redator, titulador, copidesque e editor da página inteira. Pior era a situação do responsável pelo caderno de cultura, João Antônio Alvim Gomes, hoje um advogado ligado ao Instituto Cultural Newton Paiva. Ele recebia algum material já pronto, mas tinha que finalizar várias páginas por dia. Sozinho.
Durante algum tempo a coluna de horóscopos já vinha pronta. Era assinada por Madame Natascha, na verdade um pseudônimo do seu criador e autor, o fotografo Carlos Alberto Franco.
Careca, meio baixo, quase uns 50 anos, meio gordinho, ele também era o chefe do departamento fotográfico, cujos comandados se resumiam ao Alencar e ao Zezinho. Morava em Santa Tereza, bairro com larga tradição em bares e noitadas, com duas casas – sobrados – de serestas e danças na praça Duque de Caxias. Carlos Alberto era boêmio e certamente devia se divertir bastante durante a redação dos horóscopos. Faleceu antes da chegada dos anos 80.
Por mais de uma vez leitores telefonaram para o jornal tentando marcar uma consulta com a Madame. A resposta era padrão: a nobre senhora enviou o material por correio e não podia ser incomodada.
Depois de algum tempo, a Madame original se cansou do brinquedo e aumentou a responsabilidade do Alvim. Sexta-feira era o pior dia, pois ele tinha que fechar as edições de sábado e domingo. Para ajudar o amigo, me travesti de astrólogo e virei horoscopista da edição dominical.
A única exigência era evitar previsões forte e assustadoras, que pudessem transformar algum crédulo em vitima. Fora isto, o texto era o que a imaginação de um cético alcançasse.
Ao reler o livro "3x30 - Os bastidores da imprensa brasileira'' encontrei um relato semelhante nas memórias de um dos três autores, José Maria Mayrink. Em 1963 ele era redator da revista Aconteceu, ligada a um jornal muito mais importante, O Globo, no Rio de Janeiro. Na página 174 ele assim escreveu:
"Eu armava também o horóscopo, tirado de minha imaginação, sem nenhuma base científica – ciência, aliás, em que jamais acreditei. Ignorava os astros e fazia previsões a partir de um quadro familiar e concreto – os signos das amigas de Maria José, nessa altura minha noiva, em Belo Horizonte. Podia não ser honesto, mas era muito divertido. Uma mocinha de Vitória, no Espírito Santo, escreveu à revista, para dizer que nenhum horóscopo antes tinha dado tão certo na vida dela."
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h52
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
Recado aos ladrões no Leblon
É muito interessante esta notícia publicado em O Globo de 02/02/2007, página 15, da qual extraí os trechos abaixo:
Deixar o carro na rua com as portas destrancadas e com um recado para os assaltantes foi o último recurso encontrado pelo músico Alexandre (que pediu para não ter o sobrenome divulgado), de 37 anos, para evitar que o veículo fosse arrombado no Leblon, como noticiou Ancelmo Gois em sua coluna no Globo, anteontem. Em oito dias, o Corsa preto foi alvo de bandidos cinco vezes: quatro na Rua Rainha Guilhermina, onde a nomorada do músico mora, e uma na Rua Cupertino Durão.
Há uma semana, Alexandre coloca o recado do lado de fora da janela do veículo, num cartão plastificado. Desde então, não teve mais prejuízo. Alguns pedestres param para ler a mensagem. Outros abrem a porta para verificar se realmente está destrancada – e está. Alexandre constatou que trancas não impedem a ação de ladrões.
...
— Não quero tirar onda com os bandidos, só espero que eles não amassem mais as portas do meu carro e, se possível, me deixem em paz.
...
No texto, o músico diz: "Senhor ladrão, este veículo não possui CD player nem quaisquer outros itens de valor, razão pela qual o mesmo se encontra com as portas DESTRANCADAS (...) se possível, NÃO AMASSE AS PORTAS NA TENTATIVA DE ENTRAR NO CARRO. Verifique se há algum item no interior que seja do seu agrado (acho que não) e DEIXE A PORTA ENCOSTADA AO SAIR".
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h47
[
] [
envie
esta mensagem ]
|
|

|
|
|
O autor e seus objetivos
|
Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
|
Outros
sites
Jockey Club MG - nova página
Tiago - Meu webmaster favorito
Uma superpágina de informática
Blog do Márcio d'Ávila - o assunto é informática
Geneaminas - O site com a árvore genealógica de minha família e de outras
Blog do Paulo Afonso
Blog só de Turfe - Roberto Fonseca
Blog jornalístico do Cefas Alves Meira
UOL - O melhor conteúdo

|
Contador
de acessos:
|