Uma pauta para a imprensa: a decadente cotação de hotéis por “estrelas”
Não me lembro de ter visto nenhuma reportagem recente na mídia sobre a eficiência da classificação dos hotéis – o critério do recebimento de 1 a 5 estrelas. Sem controle, o sistema tende a não se servir mais como critério na escolha dos turistas. Vira decoração de fachada.
Duas décadas atrás, quando foi criado, o sistema de classificação de hotéis por categoria parecia ser coisa séria. No resto do mundo, o turismo cresce, a cada dia se torna mais importante nas economias nacionais. Mas isto exige investimento, organização, eficiência estatal, artigos em falta nesta terra de Cabral. E parece que o nosso critério de “estrelas” virou bagunça.
Este assunto me veio à mente em Manaus, onde me hospedei no Hotel Plaza, que ostenta a classificação de “4 Estrelas – Superior”. É um hotel limpo, mas simples. Apago, tranqüilamente, 2 das estrelas e deleto o “Superior”.
A mídia está devendo boas reportagens sobre o assunto.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h53
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A ilusão do voto ganhador, do voto campeão
No Brasil, dois milhões e meio de eleitores que votaram em Geraldo Alkmim no primeiro turno, votaram em Lula no segundo turno. Só em Minas Gerais meio milhão de pessoas apresentaram esta incrível falta de opinião, de postura.
Obviamente uma análise tipo pente-fino, uma pesquisa aprofundada, vai demonstrar que há muitas causas. Mas me arrisco a identificar a principal delas: a vaidade tola e infantil de acertar a eleição, de ganhar o voto, de vencer a eleição. A opção foi pelo candidato que na reta final cristalizou sua vitória, assegurada pelas pesquisas veiculadas na mídia.
Um pouco de utilização da parte racional do cérebro garante que não existe lógica neste raciocínio. O eleitor, isolado, não ganha nada com a simples coincidência do seu voto no candidato ganhador. Ao contrário, aumenta o cacife do eleito de forma desproporcional ao desejo do eleitorado.
É um comportamento muito irracional.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h56
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Controle aéreo, o apagão do governo Lula
No longo governo Fernando Henrique Cardoso, a crise mais conhecida na infraestrutura foi a de energia elétrica, o apagão. O PT pisou no pescoço do tucanato afirmando – com razão – que o governo deveria tê-la previsto e investido mais no setor.
A primeira falha do governo Lula que merece o nome de crise da infraestrutura é a dos controladores de vôo. A imprensa descobriu, durante a crise, que o Ministério da Aeronáutica paga mal e tem um número de profissionais abaixo do necessário, que são obrigados a assumir uma responsabilidade com o controle de maior número de aviões que a média de países mais adiantados. Talvez por causa do controle militar a insatisfação não se exteriorizava, até a queda do avião da Gol na Amazônia, provocada por um jato particular que ocupava a mesma aerovia.
Como no outro caso, a culpa do governo é óbvia, neste caso do governo Lula.
Uma diferença entre os dois casos: como a crise dos controladores só atinge as classes média e alta, os reflexos para o responsável, o governo federal, deverão ser menores que o apagào, inclusive porque o grande cliente/eleitor do atual governo é a classe baixa, que não utiliza o transporte aéreo. Além disso, o prejuízo só ocorre durante a viagem e não no dia-a-dia, como o uso da energia elétrica.
Ainda não encontrei na mídia impressa uma boa reportagem sobre a atual crise, uma reportagem rica, com depoimentos e dados importantes como salários reais, número de vôos controlados e comparação com padrões de primeiro mundo. Aceito sugestões.
Dois aspectos paralelos que observei neste caso:
- A liberação dos vôos dependia, obviamente, da chegada dos aviões e não do horário previsto de partida. Sendo assim, houve vôos sem atraso, casos de atrasos de poucas horas, outros de muitas horas e até cancelamentos. Num dos aeroportos, um grupo de clientes frustrados tentaram impedir o embarque dos que tiveram sucesso, quando um avião chegou. Entenderam que era uma forma de protesto, mas não passava de uma atitude irracional, infantil, algo próximo da inveja. Descarregavam a raiva no alvo errado, em quem não passava de outra vítima e não tinha nenhuma responsabilidade sobre o ocorrido.
- A reação dos controladores me leva a desconfiar que a tão falada culpa dos pilotos americanos na queda do avião da Gol no Mato Grosso pode não ser verdadeira, no seu todo ou em parte. A informação liberada para a imprensa de que eles teriam desrespeitado ordens dos controladores pode ter sido uma atitude bairrista e desesperada de encobrir um possível erro do pessoal que trabalha sob as ordens do Ministério da Aeronáutica. Se os controladores não tivessem nenhuma culpa, por que tanta revolta e greve? Ou então aproveitaram o momento para tomar uma atitude coletiva, o que é possível, claro. Estou muito curioso quanto a um resultado de investigações sérias sobre o acidente.
Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 18h26
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Lula mudando de classe social
Uma viagem turística à Amazônia suspendeu, temporariamente, as atualizações deste blog. Vamos retomar:
O jornalista e escritor Daniel Piza, editor do caderno de cultura de O Estado de São Paulo, publicou na sua coluna Sinopse de 29/10/2006 uma série de frases e textos extraídos do livro Raízes do Brasil, escrito por Sérgio Buarque de Holanda em 1936. Na obra ele definiu o brasileiro como "homem cordial", mas a maior parte de sua análise é negativa em relação à cultura nacional e ao caráter de seu povo.
Achei especialmente interessante este trecho:
"À medida que subiam na escala social, as camadas populares deixavam de ser portadoras de sua primitiva mentalidade de classe para aderirem à dos antigos grupos dominantes."
Para muitos intelectuais, isto já aconteceu, há anos, com Lula e outros líderes do PT.
Sérgio Buarque é considerado por muitos o maior historiador brasileiro do século 20. É o pai de Chico Buarque.
Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h58
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O autor e seus objetivos
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Este
blog divide meus textos em 4 partes:
Turfe
- Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo
Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises,
história e lembranças foram registradas no computador e
muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e
também no site do
Jockey.
Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves,
para não cansar o leitor.
Crônicas e análises
- Assunto: qualquer um.
Dia-a-dia
- Comentários, notas, fotos interessantes.
Árvore
genealógica - Quando
me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem
suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço
deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um
pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que
mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.
Márcio
de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside
em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.
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