Márcio de Ávila Rodrigues


Cartilha do Detran divulga falsa terapia

O meu leitor Antônio Márcio Pires Nogueira me mandou um e-mail impressionado com a história da "terapia da tosse". E descobriu um livreto que ensinava a terapia para os candidatos a motorista.

O tal livreto foi escrito por Altair de Oliveira Dias, dono de uma auto-escola (uma CFC) e vendido em bancas de revistas. Seus leitores decoram uma informação errada e perigosa, tanto no caso de um infarto quanto na prova (do Detran) para motorista. Duas conseqüências possíveis: ou agravam o infarto ou tomam bomba no Detran.

O site da Sociedade Brasileira de Cardiologia, já no final de 2002, alertava para a mentira e informa que o texto falso "cita como referência uma revista não encontrada no medline (n.º 240 do Journal of General Hospital Rochester)".

O Sr. Altair cita como fonte do seu capítulo de Primeiros Socorros a tal revista que a própria Sociedade Brasileira de Cardiologia nega a existência. É um irresponsável, pra dizer o mínimo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h10
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Tossir - ou não tossir - na hora do infarto

Encontrei um interessante site na internet com uma seção especializada em colecionar golpes, fraudes e mentiras da internet. Já tem centenas no arquivo.

Uma das melhores é a história da terapia da tosse contra infarto do miocárdio. Está correndo na internet há 2 ou 3 anos.

O texto diz que, ao se iniciar o infarto, a vítima deve tossir fortemente até conseguir ajuda médica. E alega que a fonte é o Rochester General Hospital de Nova York.

O tal hospital existe mesmo, mas colocou uma mensagem na homepage garantindo que a história é falsa. O boato se espalhou pelo mundo com tanta força que a mensagem ficou fixa na página de abertura do site há anos (agora passou para uma página interna).

Link para a terapia da tosse: http://www.quatrocantos.com/LENDAS/113_infarto.htm

Link para a sessão de mentiras do site www.quatrocantos.com: http://www.quatrocantos.com/LENDAS/INDEX.HTM

Link para a página do Rochester General Hospital confirmando a mentira: http://www.viahealth.org/body_heart.cfm?id=329



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 20h16
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Problemas de freio do Honda Civic

Dias atrás (agosto de 2006) estava descendo o tobogã da Avenida do Contorno quando tive a atenção atraída por esta propaganda na traseira de um ônibus: "Você também já teve sérios problemas de freio com seu Honda Civic? Favor informar: decepcaohonda@ig.com.br". Como nunca ouvi falar de tais problemas, achei a situação curiosa e fotografei às pressas com um Palm, de dentro do meu carro. Fica o registro da curiosidade.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h04
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Contra a nova Rodoviária de Belo Horizonte

Mais uma vez, a Prefeitura de Belo Horizonte está anunciando o breve início das obras da nova rodoviária da capital, projetada para ser uma das últimas estações do metrô, sentido Eldorado.

Além do óbvio interesse político-eleitoreiro, que vai ligar permanentemente o nome do prefeito Pimentel a uma obra marcante (assim como Aécio e Linha Verde), a prefeitura também foi influenciada pela mídia, que tem, freqüentemente, feito reportagens sobre a necessidade da construção de nova rodoviária para a capital. O principal motivo alegado pelos defensores da obra é o congestionamento da atual nos dias de maior movimento, inclusive com prejuízo para o trânsito de veículos nas suas proximidades.

É nestas horas que acho importantes as lições da história e destaco dois casos. Nos anos 70 gastou-se uma fortuna com a construção do Aeroporto de Confins, tendo o congestionamento do Aeroporto da Pampulha como principal argumento. Durante muitos anos Confins ficou subutilizado por causa da distância com o centro da capital e só agora está recuperando algum prestígio, mas à custa da maior e mais cara obra de todo o Estado nos últimos anos, que é a Linha Verde.

Em São Paulo, há 10 ou 15 anos, foi construída a Estação Rodoviária Bresser com a mesma motivação: congestionamento da Estação Tietê. Tornou-se o principal terminal rodoviário para os ônibus que vinham de Minas Gerais. Quatro anos atrás foi fechada. Sua localização é favorável, mas o custo de manutenção não justificou a obra.

O fato é que congestionamento em determinados momentos, como final e início de férias escolares e feriados prolongados, é inevitável e não justifica o gasto de uma fortuna para a construção de um elefante branco, de acesso difícil durante 365 dias por ano.

Será que as lições da história serão lembradas?



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h14
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Derrubado o voto secreto, falta abrir mais o voto aberto

Ontem, dia cinco de setembro de 2006, a Câmara Federal aprovou o fim do voto secreto em Plenário. Ainda não foi a decisão definitiva (detalhe que não foi devidamente evidenciado nas manchetes televisivas e jornalísticas, confundindo o grande público), mas é um belo passo. Foi por pressão da opinião pública, eu preferia que fosse um ato espontâneo dos senhores deputados. Ainda assim, é um belo passo.

Uma coisa que o grande público não sabe: mesmo as votações abertas nas câmaras de representantes do povo, as câmaras legislativas das três esferas de poder, são geralmente confusas e estranhas. Muitas vezes, mais escondem do que expõem os votantes e suas intenções. Raramente há aquela situação ideal: o votante se apresenta, diz sim ou não de forma clara e direta, e seu voto é computado nas atas.

Anos atrás, assisti a uma sessão da Assembléia Legislativa de Minas para acompanhar a votação de um projeto de lei de interesse dos servidores de minha repartição (a cada dia fica mais esquecido este sinônimo de órgão público). O então presidente da mesa assim se pronunciou quando apresentou o nosso projeto: "Projeto de lei número tal, de autoria tal, os deputados que estão a favor se mantenham sentados, aprovado." Se um lingüista fosse fazer a pontuação do enunciado a partir das pausas, ele provavelmente faria uma frase única. O "aprovado", a conclusão, o desfecho de todo o processo, saiu tão colado à palavra anterior que não mereceria do lingüista uma frase própria e independente. Até o toque da barra do espaço que deveria preceder o aprovado fica difícil de ser usado na digitação, pois a sílaba da palavra anterior se fundiu ao apr... que saiu da boca do presidente da mesa.

Os neófitos em votações legislativas ao meu lado se entreolharam, surpresos. "Acabou mesmo? Foi aprovado?". Só acreditaram depois do aceno de cabeça dos não neófitos. Perguntavam: "É assim mesmo, depois de meses de trabalho que começam pelos estudos do projeto, passando pela redação, análise da comissão de justiça e disputa de um lugar na pauta, tudo termina em segundos?" "É."

Os inevitáveis puxa-sacos certamente terão argumentos defendendo a praxis. Afinal, existe um tempo de tramitação do projeto, discussões em uma ou mais comissões, divulgação da pauta com alguns dias de antecedência. Além disso, são muitos os votantes, dezenas na ALEMG e centenas na Câmara Federal, e as pautas são sempre cheias (quantos votos de congratulações...). Mas é fundamental se manter em mente que os políticos eleitos são representantes do povo, devem mostrar o seu trabalho, têm que prestar contas.

Quando um político, ao se defender das críticas por ter votado contra as suas convicções, dizer que se confundiu, não duvidem!



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 15h50
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A vaidade feminina contra o frio

Características tipicamente femininas como a vaidade e o sex appeal são tão arraigadas à natureza delas que não deveriam impressionar, mas às vezes o exagero choca. Dia desses, na pista de caminhadas da Avenida dos Andradas, vi uma dupla de moças bem situadas neste quesito. A da direita: uns 20 anos de idade, meio passada de quilogramas (digamos: gordinha!); óculos escuros, boné, calça colante e a blusa de lã com as mangas amarradas na cintura; no tórax, apenas a parte de cima do maiô, atualmente mais conhecida como top, vermelho vivo, realçando os seios. A companheira: magrinha, uns 30 e poucos anos disfarçados também por óculos escuros e boné; e o mesmo uniforme para completar: calça colante, blusa de frio na cintura e no peito apenas o top de cor viva (verde, eu acho). E aquele olhar de fingimento, de não estou nem aí pro que estão pensando. E o ventinho frio fustigando levemente os caminhadores da manhã...

Que falta fez uma daquelas câmaras fotográficas ocultas.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h38
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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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