Márcio de Ávila Rodrigues


No Brasil não existe racismo: existe classismo

Finalmente encontrei alguém que chegou a um diagnóstico igual ao meu. O jornalista Ali Kamel escreveu que "no Brasil não existe racismo: existe classismo".

Há muitos anos cheguei a esta conclusão. Na absoluta maioria das vezes, o negro é tratado com desprezo quando é pobre, mas é respeitado quando se deu bem na vida. Então, o fator determinante do respeito é a classe, não é a raça.

Ali Kamel critica duramente a política de cotas e defende o investimento no Ensino como fator de inserção social. E cita a si proprio como exemplo: um filho de imigrantes que fugiram da miséria na Síria, teve acesso à educação escolar e virou diretor executivo de jornalismo da TV Globo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 17h15
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A desvalorização dos cursos técnicos

No Brasil, todo passo à frente empurra um passo para atrás.

A valorização – supervalorização – dos cursos superiores está causando uma injusta desvalorização dos cursos técnicos. Hoje os jovens preferem ser engenheiros eletrônicos a técnicos em eletrônica; agrônomos a técnicos agrícolas; engenheiros mecânicos a técnicos em mecânica

Enfermeiros e fisioterapeutas passaram de cargos auxiliares a universitários sem experimentar o nível intermediário, o do técnico.

O Senai ainda oferece cursos técnicos para muitas áreas. Mas a supervalorização do terceiro grau faz com que as melhores cabeças os evitem, procurem diretamente os vestibulares. A opção do curso técnico virou sinônimo de fracasso, como se o interessado estivesse admitindo previamente uma incapacidade de virar um doutor naquela especialidade. Pais e mães relutam em encaminhar o filho/filha para o curso técnico, com medo desta conclusão, do sinônimo, da crítica. O próprio jovem teme ser visto pela galera como um acomodado, fracassado, dono de baixa estima.

Um perfeito exemplo é a eletrônica. A tecnologia avança, mas o mercado da manutenção (assistência técnica) permanece nas mãos dos leigos, dos práticos.

E tome diagnósticos de defeitos da rebimboca da parafuseta...



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h06
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A advogada que comandava assaltos aos clientes

Em julho, um dos fatos que mais me impressionaram foi o caso da advogada Adriana Tellini Pedro que era amante de um bandido e telefonou para ele para sugerir um assalto a um cliente dela que havia recebido uma bolada (cerca de 30 mil reais). Ela descreveu a vítima e indicou até o caminho que ele ia percorrer. E depois reclamou que o amante enviou um comparsa meio devagar, que não chegou a tempo de cometer o crime.

A conversa dela com o amante, pelo celular, foi gravada em julho de 2005, mas só foi levada a público um ano depois, na CPI do Tráfico de Armas.

Estou postando esta história aqui por dois motivos. Primeiro, porque realmente é um caso impressionante. Segundo, porque tenho a esperança de que esta nota se perpetue na estrada virtual da internet e ajude a manter a lembrança deste caso. Como bom brasileiro, não tenho confiança na Justiça, na punição dela.

O caso saiu, entre outros, na Folha de São Paulo de 12/07/2006.

É uma moça bonita, de boa aparência. Que coisa impressionante.

Repito: o nome dela é Adriana Tellini Pedro.



Escrito por Márcio às 22h45
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Fidel posa com roupa da Adidas

E esta agora? Fidel no hospital, posando com um uniforme de ginástica marca Adidas, que não é marca americana (é alemã) mas é um símbolo do capitalismo. Por que não posou com alguma roupa cubana? Um incrível erro de marketing de El Comandante, o grande símbolo atual do comunismo, do anticapitalismo.



Escrito por Márcio às 18h48
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O futuro ministro Nilmário Miranda na campanha do Newtão

Estou abrindo as apostas. Qual será o ministério que Lula dará para Nilmário Miranda em 2007, como pagamento pela campanha e provável eleição de Newton Cardoso para o Senado?

Não acredito num pagamento mais barato que um ministério. Carregar a campanha de um símbolo do anti-petismo, como o Newtão, é uma tarefa pesada para um petista tradicional, para quem sempre foi vinculado às suas áreas mais puristas. As conseqüências já apareceram; a maior é o afastamento do próprio prefeito da Capital.

Em 2003 Lula criou até ministérios esquisitos para abrigar alguns dos derrotados do partido, mas vários analistas garantem que no próximo e eventual mandato ele não fará isto; que já disse várias vezes aos mais próximos que governará menos com o partido, mais com os aliados políticos, independente da origem. Nilmário Miranda será exceção, desde que proporcione a eleição de um aliado de peso para o Senado.



Escrito por Márcio às 18h10
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Seguro-preguiça, seguro-vagabundagem

Às vezes eu almoço num restaurante de comida-a-quilo no bairro Cidade Nova, Belo Horizonte. Um dia, observei que praticamente toda a equipe de atendimento da clientela tinha sido trocada. Na conversa que tive com o proprietário, ele me contou os motivos. Me chamou a atenção um problema que ele afirmou ser freqüente: muita gente trabalha apenas com o objetivo de adquirir o direito de ganhar sem trabalhar. Só fica no emprego o tempo suficiente para, ao se demitir, receber o seguro-desemprego. Uma incrível distorção: usa um recurso criado para reduzir o impacto do desemprego como garantia para fugir da vida de trabalhador regular.

Ele me disse que, por várias vezes, recebeu o pedido de demissão do funcionário no exato dia em que este completou os seis meses de registro em carteira profissional, prazo mínimo para ter direito ao benefício. E muitas vezes nem se tratava de mau funcionário; no máximo um acomodado, sem ambição profissional.

O que passa na cabeça de quem toma tal atitude? Usando experiência de vida e imaginação, posso pensar em falta de objetivos de vida; em dificuldades de relacionamento e ambientação com colegas; incapacidade de aceitar naturalmente a autoridade, a chefia; e também no velho espírito da malandragem brasileira que valoriza o esperto que ganha salário sem trabalhar.

Certamente não é um problema exclusivamente brasileiro, ou do Terceiro Mundo. Em 1999 passei uma semana na Espanha, com um amigo que estava residindo lá havia menos de um ano. Ele estava impressionado com o alto índice de desemprego, que lhe parecia um problema econômico. Em 2002 eu o visitei novamente, em Barcelona. Já convivendo no dia-a-dia com os espanhóis (dias depois teria uma filha catalã) já tinha outra conclusão para o fenômeno: respeitável parcela dos desempregados mantinha-se voluntariamente neste categoria, felizes com o seguro-desemprego. O valor era abaixo do salário de mercado, mas suficiente para se viver; afinal lá é Primeiro Mundo.

Qual é o futuro desta parcela da população brasileira, de quem pensa e age assim? Que lições passam para os filhos, para as gerações que os sucederem? São as pessoas que passam pela vida, que não a vivem. São um peso para a sociedade e, sob o aspecto humano, um involuntário peso para si próprias. Falta uma noção da vida como um todo, uma mistura de ignorância com imaturidade. Um dia vai faltar o dinheiro para a doença, para a casa própria, para o alimento. Vícios e outras distorções se instalam mais facilmente nestes cérebros, carreando graves conseqüências.

Enquanto isso, eles vão esperando a próxima Copa do Mundo para experimentar novas euforias e ilusões.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 17h21
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O jogador puxa-saco

Depois de fazer o primeiro gol do São Paulo, o jogador Leandro fugiu dos abraços dos companheiros e atravessou o campo para dar um abraço desinteressado no técnico Muricy Ramalho. A cena aconteceu na noite de 2 de agosto de 2006, no jogo entre São Paulo e o Chivas, do México, pela semifinal da Taça Libertadores da América.

Leandro não é titular; é um reserva que geralmente entra no decorrer da partida. Como outros, está tentando ganhar um lugar definitivo no time, usando recursos psicológicos, não técnicos.

A atitude dele se chama puxa-saquismo. E a cada dia é mais freqüente no futebol. E muitas vezes exaltada como o nobre reconhecimento aos companheiros de clube.

E ninguém tem coragem de dizer claramente o que é, o que significa. É um simples ato de puxa-saquismo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h12
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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