Márcio de Ávila Rodrigues


A situação das estradas e as eleições

Vou dar uma dica grátis para o PSDB: pode explorar a calamitosa situação das estradas brasileiras na campanha eleitoral que vai ganhar mais votos. Talvez mais que a exploração da crise do mensalão.

Claro que o PT vai responder dizendo que o problema já existia no governo FHC e o Lula até melhorou. Mas não vai colar. Muita gente que usa as estradas vai se lembrar e saber quem fala a verdade.

Neste caso, o problema do PT é a falta de coragem de usar o mesmo expediente do governo neoliberal anterior, que foi a privatização. Medo de ser taxado de imitador, apesar de já ter recebido esta acusação muitas vezes, principalmente na gestão econômica. Preferiram gastar o dinheiro com os programas sociais, principalmente a questão dos assentamentos, fome-zero e bolsa-família. Na falta de uma solução bem representativa do petismo para a questão das rodovias, a opção foi abandonar a questão. Foi a política do avestruz, que esconde a cabeça na areia quando enfrenta um problema.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 18h56
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Culto à personalidade Lula

Estava eu a ouvir um rádio (ligado em uma rádio, sei lá qual) e entra a fala de algum sindicalista, ou simplesmente representante classista, que tasca o pau no governo, dizendo que os aposentados foram traídos na emissão de uma Medida Provisória que prejudicava os velhinhos em alguma coisa. Hora nenhuma citou o nome do Lula.

Não me lembro do restante do assunto, mas comecei a matutar sobre a questão do culto à personalidade. Na época do Fernando Henrique, do Itamar, Collor, Sarney etc, quando alguém criticava o governo em público, geralmente citava com firmeza o nome do presidente. Agora, o mais comum é criticar o governo, mas deixar o nome do Lula de fora. Por que?

Tenho meus palpites. No fundo, é um medo de parecer preconceituoso, de ser antipático à classe dos pobres, à classe original de Luís Inácio Lula da Silva. Criou-se um culto à figura do pobre que tem sucesso na vida após muito esforço. O herói popular. O símbolo do ideal da ascensão pelo trabalho.

É visível a existência de um medo cultural de ser contrário ao herói, ao ídolo, ao símbolo. Um medo que só tem sido enfrentado pelos políticos profissionais (quando a própria sobrevivência fala mais alto) e pelos desesperados, quando prejudicados pelo "deus" em interesses fundamentais.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 19h34
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Pelé vistoriado nos aeroportos

A colunista da Folha de São Paulo Mônica Bergamo publicou uma entrevista com Pelé no último domingo (04/06/2006) que destacou trechos que serão publicados em uma autobiografia. Meu chamou a atenção a informação de que ele tem dificuldades na alfândega brasileira:

"Tenho passado pelos aeroportos de todo o mundo sem mostrar o passaporte. As pessoas sabem quem eu sou e me deixam seguir. Ninguém examina minha bagagem", diz. "No Brasil, às vezes o pessoal da alfândega abre as minhas malas e remexe todo o conteúdo. No resto do mundo sou tratado de uma forma; no meu país, de outra."

Quem diz é ele, mas tem lógica. Nosso país é estranho. As pessoas são displicentes em algumas coisas, mas às vezes rígidas demais em outras. É uma cultura desuniforme, indefinida. Como faltam princípios gerais claros, o brasileiro se preocupa demais com "o que vão dizer". Provavelmente o funcionário da alfândega, ao ver o Pelé, fique mais preocupado com a possibilidade de que algum colega ou chefe diga que ele se encantou com a fama do "homi" e não fez a sua obrigação. Na dúvida, rigor nele.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 19h00
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W. Nunes, um jóquei bom, mas...

Waldomiro Nunes de Oliveira, o W. Nunes, principal jóquei do turfe mineiro nos últimos 20 anos, está no hipódromo de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, onde chegou a ser o principal jóquei. Mas agora sua carreira foi interrompida por uma suspensão de três meses, por falta de empenho, a tradicional "puxada". A decisão já foi comunicada ao Jockey Club Brasileiro, que também proibiu a entrada dele na Gávea até o dia 26 de agosto.

Nunes tem uma bela carreira sob o aspecto técnico. Tanto que chegou em Campos com mais de 40 anos e logo se destacou. No Serra Verde ganhou muitas corridas e estatísticas. Com habilidade e tocada segura, fazia a diferença nos páreos difíceis, mas sob o aspecto disciplinar ele muitas vezes falhou. Não era agressivo ou brigão com os comissários de corrida, mas não respeitava o regulamentos e "defendia" as corridas de forma ilegal, prejudicando os adversários sempre que possível. Deve ter sido um dos jóqueis que mais sofreram suspensão ou multa nos hipódromos onde passou.

No Hipódromo da Gávea ganhou poucas corridas e nunca demonstrou a qualidade apresentada no Serra Verde. Suas atitudes também não ajudavam. Um fato interessante, que demonstra bem o seu comportamento, aconteceu no dia 18 de abril de 1997. Ele foi ao Rio montar Lescapatório, que era preparado no Serra Verde e pertencia ao Stud Don Kirinus, do proprietário mineiro mais conhecido pelo apelido de "Nô". Nos metros finais corria na frente e foi alcançado pelo cavalo Park Ridge, montado por J. Ricardo. Ele deixou seu cavalo abrir para atrapalhar o do Ricardo e ainda ganhou por diferença mínima, sem que o público percebesse a manobra pela filmagem normal. Conseguir derrotar o mais famoso jóquei do país numa chegada difícil já é um feito inesquecível. Mas ele não resistiu e "gozou" o grande Ricardo durante a repesagem. Em resposta, este virou-se para o Nunes e disse: "Eu não ia reclamar, mas já que você está me gozando, vou te dar o troco e desclassificar o seu cavalo." Fez a reclamação, a Comissão de Corridas viu o filme, desclassificou e ainda suspendeu o Nunes. E ninguém reclamou, pois a televisão passou a imagem feita por uma câmara frontal e foi visível o Lescapatório sendo levado para fora até encostar no adversário.

Juízo, seu Nunes!



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 18h06
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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