Márcio de Ávila Rodrigues


Depois de anos de abandono em frente à casa do dono, na Rua Dores do Indaiá, bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte, este pobre fusquinha virou uma herança triste para os vizinhos. O dono mudou-se para outra rua do bairro. Mas a ineficiência dos órgãos públicos em tirar cacos véios como este das ruas já tinha se apresentado no mesmo endereço. O dono chegou a ter quase 30 cachorros em sua pequena casa e a vizinhança protocolou inúmeras reclamações de sujeira, barulho e doenças animais transmissíveis. A Prefeitura fingia que agia: os fiscais multavam e iam embora. Cadê a coragem para resolver os problemas?



Escrito por Márcio às 19h07
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UMA FAUNA DE SUBEMPREGADOS

A enorme obra da Linha Verde em Belo Horizonte vai acabar com um dos mais pitorescos e interessantes locais de reunião diária de uma fauna humana que luta pela sobrevivência diária, pelo pão-sem-manteiga do dia-a-dia. São os funcionários do sinal de trânsito da Avenida José Cândido da Silveira, no encontro com a Avenida Cristiano Machado.

Ali comparecem, diariamente, 10, 20 pessoas de todas as idades, como o mesmo objetivo: aproveitar o sinal vermelho para procurar os motoristas e oferecer serviços, fazer propaganda, pedir dinheiro. Em comum, a falta de emprego formal e a busca de pequena retribuição financeira, seja de um patrão, seja das sobras do orçamento de uma classe melhor aquinhoada, a dos donos de automóveis.

O funcionário mais tradicional do ponto é um deficiente físico, paraplégico. Magro, uns 30 anos, se movimenta manuseando as rodas da cadeira. É o único que atrapalha o trânsito, pois está sempre ao lado de algum carro quando o sinal fica verde, obrigando os de trás a passar devagar e com cuidado. Sempre se dirige ao motorista com a mão estendida e a boca retorcida, balbuciando as palavras, mas algum tempo atrás já o vi conversando de forma diferente, natural. (Alguém se habilita a uma investigação?)

Outro que ficou tradicional é um vendedor ambulante especializado em limpadores de pára-brisas e capas para celulares. Carrega sempre uma grade leve - parecida com aquelas para secar roupas em apartamentos - para expor seus produtos. É fixo no ponto e bem conhecido pelos motoristas que passam diariamente por lá.

No grupo dos vendedores a maioria aparece e desaparece, provavelmente trocando de ponto periodicamente. Com mais tempo de "casa" estão um vendedor de paninhos de cozinha e um de artesanato (casinhas de joão-de-barro). Outro grupo móvel é o dos entregadores de papéis de propaganda, geralmente adolescentes.

Naquele ponto nunca faltou o grupo da prancheta, geralmente mulheres jovens ou de meia idade, sempre com um papel que traz um cabeçalho com o nome de alguma entidade assistencial e uma folha cheia de nomes que elas juram ser colaboradores. Outras vezes a lista é uma relação de artigos de urgente necessidade do dono da prancheta. Três ou quatro das moças sempre apareciam com roupas brancas de umbanda.

Tem também os representantes da turma dos limpadores de pára-brisas, essa moda que volta de 10 em 10 anos. Ao contrário da assustadora turma cara-de-marginal da Praça Raul Soares, o grupo da avenida Zé Cândido é composto por crianças na faixa de 10 anos, estrategicamente vigiadas pelos seus pais, responsáveis e outros agentes. O detalhe mais interessante: sempre chegam ao carro por trás, começando a limpeza pelo vidro traseiro. O motorista fica sem tempo de recusar. Uma coreografia bem treinada.

O fluxo desta turma é o mesmo do rush. Aumenta sempre de manhã cedo e depois do almoço, para pegar quem está indo pro trabalho ou escola. Nos outros horários, quase todos desaparecem. Hora extra não é com eles!

A Linha Verde vai acabar com este semáforo e espalhar esta turma que, empurrada pelo desemprego da mão-de-obra não especializada, a cada dia aumenta mais.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 23h29
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DIÁRIO DE UM TURISTA EM CUBA

Cuba é, em todos os sentidos, uma ilha encravada nas três Américas. Único país de regime comunista dentro do continente e um dos poucos no mundo desde a mudança oficial de regime da União Soviética e seus aliados da Cortina de Ferro.

O abandono proporcionado pelos soviéticos, grandes aliados do regime cubano, levou o governo comunista-castrista a investir no turismo para criar empregos e, principalmente, receber moeda forte, dinheiro internacional. Canadenses, mexicanos e europeus (principalmente espanhóis, alemães e italianos) aderiram e vão em massa. Do Brasil, alguns poucos viajantes motivados por congressos e feiras, pouquíssimos para turismo.

Resolvi matar minha curiosidade e conhecer Cuba. A agência de turismo Turazul, de Belo Horizonte, pilotada pela simpática Virgínia, pesquisou e indicou um pacote da Sanchat Tour, empresa paulista que tem convênio com a Cubatur, operadora cubana, uma empresa estatal. Basicamente, o pacote ficou assim: saída de São Paulo para a Cidade do Panamá pela Copa, uma aviação panamenha; conexão para Havana em outro avião da mesma empresa; no dia seguinte à chegada, vôo para Santiago de Cuba, que fica no lado leste; viagem por transporte terrestre por alguns dias retornando para Havana; retorno a São Paulo também com conexão no Panamá.

A curiosidade provocada pelo isolamento físico, ideológico e econômico de Cuba me incentivou a fazer um diário de viagem, que socializo com todos os interessados.

 

Clique aqui para acessá-lo.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 14h47
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

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Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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