Márcio de Ávila Rodrigues


Previsão fatal

Em minhas andanças no turfe, vi muitos erros de treinamento de cavalos de corrida causados por conceitos errados mas, justiça seja feita, não vi muitos casos de crendices ou misticismo.

Uma das exceções aconteceu com cavalo castanho, que chegou ao Serra Verde já no século 21. Tinha feito boa campanha da Gávea, mas já andava meio decadente. Dei tratos à bola, revirei velhas revistas, mas o nome dele caiu nas gretas da memória. Acho que era gaúcho, talvez filho de Ariosto II. Paciência. Se o nome retornar à memória ativa, atualizo o texto, pois a exatidão da informação é importante.

Seu treinador - vamos "esquecer" o nome, pois ainda está trabalhando, em outro hipódromo - me consultou pois o cavalo vinha de freqüentes episódios de epistaxe (hemorragia nasal). "Sangrava mesmo depois de galopes normais", contou. Checados os detalhes, concluí que se tratava de um caso grave, impeditivo para uma atividade atlética.

— Cuidado que esse cavalo corre o risco de morrer em conseqüência desta hemorragia —, adverti.

Pouco tempo depois da conversa, a previsão se confirmou. Terminado o galope, o cavalo foi levado para o pavilhão, onde entrou cambaleante e caiu, morrendo rapidamente. Eu não estava lá naquele dia. Quando apareci, esperava encontrar o treinador decepcionado, mas consciente de que havia acontecido uma coisa previsível. Ao contrário, estava irritado e irônico:

— É Márcio, você tem boca de urubu. Foi só falar que o cavalo podia morrer, e ele morreu. Era um cavalo bom, eu fiquei no prejuízo, o proprietário também...

Cheguei a pensar que fosse brincadeira, mas o tom de voz não deixava dúvidas. Inacreditável! O cavalo tem sintomas de um problema de saúde, um veterinário especializado dá um diagnóstico sombrio e quando o pior acontece este é responsabilizado. A conclusão: o que matou o cavalo foi a previsão, não a doença.

E a consulta havia sido de graça!



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 11h22
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Lula e o estereótipo do operário

Como todas as pesquisas mostram que o índice de leitura do povo brasileiro é baixo, também baixo é o volume de informações necessárias para a grande massa de eleitores escolher o melhor candidato em cada eleição.

Com isto, o eleitor acaba se baseando em estereótipos. É uma forma de preconceito, palavra que carrega um sentido mais pesado, negativo mesmo. O preconceito perdeu o seu conceito original. Não é mais uma idealização inicial de um fato, sujeito a alterações naturais. Só é usado, popularmente, para as idealizações negativas, aquelas que são "politicamente incorretas".

A crise de 2005 do Governo Lula está criando e fazendo crescer um preconceito contra a figura do pobre, do operário, do simples que evolui e chega até a Presidência da República. E criando um novo estereótipo: operário-que-vira-presidente-não-tem-capacidade-para-governar. Um estereótipo que pode virar preconceito contra qualquer outro grande líder político nacional que tenha origem humilde.

Fernando Collor de Mello, o único presidente cassado da história da República brasileira, também virou estereótipo. É o playboy, o aventureiro, que se aproveita de um momento de baixa estima política e/ou da fragilidade do eleitorado para atingir o eleitorado despolitizado com promessas ilusórias e chegar ao Poder. Seu fracasso instalou o preconceito contra o aventureiro político, o que, em tese, é positivo. Mas que pode prejudicar gente série, que por algumas características é atingido pelo estereótipo pelo público, ou vendido como tal pelos inimigos políticos.

A maior vitoriosa é a classe dos políticos tradicionais. Pode até ficar em baixa em alguns momentos nesta gangorra de sonhos e desejos da grande massa eleitora. Mas está sempre presente, de plantão, pronta para usufruir as benesses do Poder.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h00
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Malandragem no trânsito

A malandragem continua e, pior, causando prejuízos a inocentes. Dia desses eu estava parado no sinal, atrás de um fusquinha branco quando notei que a placa dele parecia adulterada. As letras eram GSC, mas o C estava estranho. Fixando mais a vista, concluí que a letra era um O, mas o dono colou alguma coisa na parte direita dela para parecer um C, e pintou a parte adulterada com a cor de fundo da placa (cinza).

Consultando o site do Detran, verifiquei que a placa com as letras GSC e os mesmos números é de um Fiat de Muriaé cujo dono, sem ter nada com o negócio, passou a ter o desprazer de assumir a responsabilidade – incluindo multas - por alguém que ele certamente nem conhece.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h22
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O autor e seus objetivos


Este blog divide meus textos em 4 partes:

Turfe - Vivi intensamente as corridas de cavalos do Hipódromo Serra Verde, de 1970 até meados de 2004. Crônicas, análises, história e lembranças foram registradas no computador e muitas delas aqui estão ou serão publicadas neste blog e também no site do Jockey. Para o blog ficam reservados textos mais curtos, mais leves, para não cansar o leitor.

Crônicas e análises - Assunto: qualquer um.

Dia-a-dia - Comentários, notas, fotos interessantes.

Árvore genealógica - Quando me interessei pelas minhas raízes, descobri que poucos conhecem suas origens familiares, seus ascendentes. Neste espaço deixo um resumo de minha árvore genealógica e também um pedido para quem tiver uma informação nova a respeito, que mande um e-mail para marcio.avila@uol.com.br.


Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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