Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

Há 200 anos Teófilo Otoni já defendia a seleção política pelo voto popular

É uma praxe brasileira homenagear pessoas com nomes de cidades, logradouros e vias.

De um modo geral, pessoas que se destacaram na administração pública, mas há casos de parentes, amigos e até filhos-crianças do autor da iniciativa.

Felizmente Teófilo Otoni, hoje uma cidade de bom porte do interior mineiro, se enquadra no primeiro e mais ético caso: homenageia a um político ilustre, embora esquecido por causa do distanciamento proporcionado pelo tempo, pois militava na única experiência monárquica brasileira (era bem mais velho que o próprio imperador Dom Pedro II).

Ele nasceu e fez política na cidade histórica do Serro, hoje bem menor (em população) do que a que herdou seu nome, mas com um peso histórico bem maior.

Encontrei na internet um ensaio (ou artigo) acadêmico sobre Teófilo e seu maior instrumento de atuação política, o jornal Sentinela do Serro.

Era um ato de heroísmo imprimir um jornal naqueles tempos de tecnologia rudimentar, e a vocação memoriográfica do brasileiro não ajudou os dois autores do ensaio, que não encontraram nenhum exemplar remanescente.

Basearam-se em republicações de seus artigos e trechos, principalmente na “Circular dedicada aos srs. eleitores de senadores pela província de Minas Gerais no quadriênio atual no quadriênio atual e especialmente dirigida aos srs. eleitores de deputados pelo segundo distrito eleitoral da mesma província para a próxima legislatura pelo ex-deputado Teófilo Benedito Ottoni”, editada pelo próprio Teófilo em 1860 (o Sentinela existiu de 1830 a 1832).

O autor assinava, então, Theophilo Benedicto Ottoni. O futuro eliminou letras impronunciáveis embora, de acordo com uma regra mal respeitada da língua portuguesa, nomes próprios não deveriam ser inalteráveis?

Segundo a Wikipedia, Teófilo Benedito Ottoni (Vila do Príncipe, 27 de janeiro de 1807 — Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1869) foi um jornalista, comerciante, político e empresário brasileiro. Descendente de italianos e nascido no Serro, Minas Gerais, foi deputado provincial por Minas Gerais, deputado geral e senador do Império do Brasil de 1864 a 1869.

E a cidade que recebeu o seu nome tem hoje 135 mil habitantes (o Serro tem 22 mil) e começou com uma colonização promovida pela Companhia Mucuri, administrada por Teófilo; ele escolheu para o local o nome de Filadélfia, que em 1878 virou uma cidade com o nome de seu idealizador.

Do texto que encontrei na internet republico uma atualíssima opinião do antigo político sobre a postura adequada do eleitor no processo democrático:

Mas se, contra nossa humilde opinião, a câmara dos deputados se conservar estacionária, nem por isso apelaremos para golpes da nação; mas, pelo contrário, continuaremos a reprovar altamente todos os meios violentos, que podem levar-nos à anarquia e depois ao despotismo militar, que oprime a quase todas as chamadas repúblicas da América ex-espanhola. Ainda assim, pois, recomendaremos obediência aos decretos legais da assembleia geral. Esperaremos pela próxima legislatura, e, fazendo ver aos nossos patrícios a necessidade de atenuar legalmente o demasiado vigor que a constituição dá ao sempre funesto elemento monárquico, apontaremos pelo nome os deputados amigos das reformas constitucionais, para serem reeleitos, e os deputados estacionários ou retrógrados, não para os insultar, mas para que o povo os exclua da representação nacional.

Para acesso ao artigo intitulado “Fragmentos de um periódico perdido: a Sentinela do Serro e o sentido da "republicanização" (1830-1832)”, de autoria de Valdei Lopes de Araújo (professor de Teoria e História da Historiografia na Universidade Federal de Ouro Preto) e do doutorando Weder Ferreira da Silva, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h49
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Boa parte do que ainda é exportado pelo Brasil poderia receber processamento industrial e incrementar nossa economia

Por todo o século 20 se falou que o Brasil estava errado em ter uma política econômica basicamente exportadora de produtos primários e importadora de produtos industrializados.

Ok, a situação melhorou bastante. Mas boa parte do que ainda é exportado poderia receber processamento industrial nas terras brasileiras, em indústrias nacionais, contratando mão de obra também local, além de especializada e melhor remunerada.

Com o acima exposto concorda o físico Ennio Candotti (quatro vezes presidente da SBPC e o atual vice, também professor da Universidade Federal do Espírito Santo) e assim falou ao caderno Aliás do jornal O Estado de São Paulo, edição de 04/03/2012:

Veja, ainda temos um perfil de exportador de matérias-primas. A China nos manda produtos elaborados e nós mandamos matérias-primas. Ela vem fazendo isso nos últimos cinco, oito anos. Há dez anos, portanto, a China não era exportadora de matérias elaboradas. Ou seja, em uma década, o perfil da economia de um país pode mudar, mas isso exige planejamento, esforço concentrado. Temos uma pauta de exportações em que o valor agregado é ainda muito modesto. O fato de termos poucas patentes reflete isso. Discutíamos isso 30, 20 anos atrás, no início da industrialização da Coreia, e ainda não produzimos um carro nacional. A Índia está fabricando um carro de US$ 2 mil, a China vende automóveis muito baratos. Não saberíamos fazer coisa semelhante? Saberíamos, sim. Talvez o fato de exportarmos grãos e minérios nos dê uma situação cômoda de poder gerar riqueza sem investir muito em inteligência.”.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista realizada por Mônica Manir, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h13
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Aeroporto de Guarulhos agora tem camelôs, e poderes públicos se omitem

Espera-se uma grande movimentação turística no Brasil com a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), e os aeroportos são as portas de entrada.

Mas os grandes aeroportos nacionais não estão bem classificados, nas estatísticas internacionais, em quesitos como organização da entrada de imigrantes, preços de serviços e segurança.

Já fui vítima da deficiência de segurança no Aeroporto Internacional de Guarulhos, São Paulo, mas felizmente o conteúdo da minha mala não agradou o ladrão, que se contentou em estragar o fecho, sujar as roupas com uma mão molhada (dia chuvoso) e levar uma barra de chocolate. Que entupa as veias!

Recentemente os telejornais mostraram as imagens de roubos perpetrados (palavrinha forte) no Aeroporto de Congonhas, também em São Paulo, por descuidistas que aproveitaram as distrações dos descuidados.

E o jornal O Estado de São Paulo, de 29/04/12, apresenta a última novidade da desorganização brasileira: a tolerância a vendedores ambulantes (camelôs) no interior do aeroporto de Guarulhos, que é o maior do país:

 Nos cafés localizados no primeiro andar, entre os embarques nacional e internacional, eles abordam passageiros nas mesas. Sacos com bloquinhos de papel, caneta e chaveiros são colocados ao lado de bandejas com salgados ou sucos, com o preço e a mensagem do vendedor em destaque.

Quanto mais lotado o aeroporto, mais ambulantes aparecem. Os passageiros ficam meio desconfiados, principalmente os gringos, diz uma vendedora de uma lanchonete que pediu para não ser identificada. A oferta confunde turistas estrangeiros que, sem entender a mensagem em português, não sabem se é gratuito ou não.”.

Eles copiaram um comportamento que é rotina em qualquer grande cidade brasileira: quando um semáforo em local de grande movimento fica vermelho, vendedores-corredores colocam um saquinho de balas no espelho retrovisor dos primeiros carros, geralmente ao preço de um real (para facilitar, pois o prazo é curto) e quando a luz está quase esverdeando eles recolhem o dinheiro ou o saquinho.

Pelo menos eles ainda não estão correndo na pista, entre os aviões...

O problema deveria ser fácil de resolver pois a atividade é ilegal, mas a mesma reportagem ressalta a preguiçosa política do toma-que-o-filho-é-teu:

O delegado Ricardo Guanaes Domingues, titular da delegacia do Aeroporto de Cumbica, diz que cabe à prefeitura de Guarulhos coibir a ida dos ambulantes para o aeroporto.

No entanto:

A prefeitura de Guarulhos afirma que o problema é da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).”.

E por um terceiro lado:

A Infraero, por sua vez, afirma que tem se esforçado para retirar os ambulantes de áreas públicas, mas ressalta que não tem competência legal para essa ação, uma vez que a área do aeroporto é pública, não privada.”.

Quais são os problemas do comércio ambulante? A matéria não diz, mas são óbvios: perda de impostos, desorganização social e facilitação de roubos, pois é por brechas como esta que os ladrões se infiltram.

Para acesso ao inteiro teor da reportagem, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h06
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O Parlamento de Budapeste (Hungria), prédio majestoso

Informa a Wikipedia que o “Parlamento de Budapeste (em húngaro: Országház) é o local onde se reúne a Assembleia Nacional da Hungria, e um dos edifícios legislativos mais antigos da Europa, que constitui um notável exemplo paisagístico da Hungria e um destino muito popular em Budapeste”. Foi inaugurado em 1904.

A gigantesca construção fica na margem do famoso rio Danúbio, em Peste, que é a parte plana e mais moderna da capital da Hungria. Uma lição de história: Budapeste foi fundada em 1849, por decisão de um governo revolucionário que fundiu três cidades contíguas: Ôbuda, Buda e Peste. Hoje é uma cidade de quase dois milhões de habitantes (quase 20% do total do país).

Fiz a foto abaixo, do Parlamento, em outubro de 2010:



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h41
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Um capiau mineiro bem munheca (humorismo)

Um capiau, muito do pão-duro, recebe a visita de um amigo. A certa altura da conversa o amigo pergunta:

— Se você tivesse seis fazendas, você me dava uma?

— Claro, uai!, respondeu o mineiro.

— Se você tivesse seis automóveis, você me dava um?

— Claro que sim, uai!

— E se você tivesse seis camisas, você me dava uma?

— Não!

— Por que não?

— Uai! Porque eu tenho seis camisas!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h26
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Reestatização da YPF pela presidente Cristina Kirchner é um golpe de marketing político ao velho estilo populista da América Latina

Três décadas atrás fiquei muito assustado com a possibilidade de Ronald Reagan chegar à presidência dos Estados Unidos.

Ele era tido como direitista radical e temi que mudasse demais a estrutura político-ideológica do país, o que parecia um caminho para a guerra nuclear com a União Soviética.

Foi eleito em 1981 e, ao contrário do esperado, acabou sendo importante no abrandamento da guerra fria.

Na mesma época, mais exatamente em 1983, a Itália elegeu um primeiro-ministro socialista (Bettino Craxi) e, na verdade, pouco mudou.

Com estas experiências entendi que o Primeiro Mundo não é suscetível a mudanças personalistas e rápidas de seus princípios gerais, mas nas décadas seguintes aprendi que o mesmo não acontece com a América Latina.

Me impressionam a ingenuidade e a falta de um padrão ideológico do eleitorado latino-americano, capaz de eleger líderes com perfis não apenas diferentes, mas opostos aos antecessores. Ou os sucessores.

Com frequência, os eleitos não se importam em efetuar medidas irresponsáveis, capazes de comprometer as estruturas político-econômicas de cada nação e as relações internacionais futuras.

Prevalece o objetivo de cativar o eleitorado e satisfazer sonhos de perpetuação no Poder.

O último show de marketing populista latino-americano foi a retomada da petroleira YPF pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner (o anúncio foi no recente 16/04/12).

O correspondente no Brasil da revista Newsweek, Mac Margolis, analisou a questão argentina e as conexões latino-americanas em sua coluna dominical publicada n`O Estado de São Paulo, em 22/04/2012.

Sobre o caso YPF, esclareceu: “Hoje seu [de Cristina Kirchner] conselheiro é o jovem acadêmico Axel Kicillof, de 40 anos, [...] Seria por influência de Kicillof, amigo de seu filho Máximo, que a presidente decidiu tomar o controle acionário da petroleira YPF. O governo acusou os donos espanhóis de preterir a prospecção de novos campos de petróleo e gás para privilegiar acionistas. A empresa admite ter remetido pelo menos US$ 3.5 bilhões em dividendos nos últimos cinco anos, contra investimentos de US$ 11 bilhões.

Os espanhóis não negam. Mas alegam que não tiveram opção frente aos malabarismos políticos do governo, que congelou os preços de energia, fez disparar o consumo e minou as receitas da empresa. Outrora exportador de energia, a Argentina importou 15% de suas necessidades energéticas no ano passado.”.

Antes, no primeiro parágrafo (ou lide), explica o porquê do título “A dualidade do kirchnerismo”:

Ora a mercurial presidente argentina encarna a administradora responsável, zelosa da saúde fiscal do país e assessorada por um ministério de medalhões. Ora sobe à sacada para bradar contra os imperialistas e declarar-se aos descamisados, um avatar perfeito de Eva Perón.”.

Adiante, detalha o cardápio governista do casal Kirchner:

Na última década, o casal Kirchner - o estilo de Cristina se confunde com o de seu marido e antecessor, Néstor - passou a mão em um punhado de empresas. Reestatizou a Aerolíneas Argentinas e a companhia de água de Buenos Aires, privatizadas na década de 90. Nacionalizou também os bilionários fundos de pensão privados.

Para cercear a crítica, a Casa Rosada declarou o papel de jornal artigo de ‘interesse nacional’ e passou a controlar a matéria prima da imprensa. Estatizou a estatística ao esvaziar o Instituto Nacional de Estatística e Censo e ameaçou processar quem divulgasse dados divergentes dos oficiais - leia-se maquiados.”.

Duas semanas depois da medida, a mídia já anuncia a divulgação de pesquisas comprovando o crescimento da popularidade da presidente, confirmando a conhecida suscetibilidade do eleitorado latino-americano a bravatas nacionalistas.

Como a memória popular é curta e seu mandato ainda está no início, outras medidas de impacto ainda virão.

Para acesso ao inteiro teor do artigo de Mac Margolis, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 11h19
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Colar ou pregar propaganda em propriedade alheia está virando coisa normal

Na década de 1980 comprei meu segundo carro: um Fiat 147, usado, fabricado em 1978, modelo popular da fábrica italiana recém-instalada em Betim, na região metropolitana de minha Belo Horizonte.

Algum tempo depois recebi pela caixa de correio uma propaganda com um plano de revisão barato, enviado pela Cobrasa, a maior ou única concessionária da fábrica em Belo Horizonte.

Jovem ainda, pouco vivido, acreditei que era a oportunidade de fazer uma boa revisão no carro, segura e barata (o preço anunciado no prospecto era convidativo).

O carro voltou com um monte de itens cobrados à parte, uma marca de colisão que não existia antes, e uma placa de propaganda da própria concessionária (a lataria foi furada para a colocação de parafusos).

Mandei uma carta de reclamação, de duas páginas, para a Fiat e para a concessionária.

Jamais foram respondidas e a concessionária ainda incluiu meu nome no cadastro para propostas de negócios; posteriormente me telefonaram e, quando informei que não mais negociaria com eles, o vendedor deu um showzinho engana-trouxa: gritou para um suposto alguém ao lado que eu estava prestando uma queixa formal contra, nada mais nada menos, o recepcionista que registrou a entrada do meu carro.

Parece que a Cobrasa não existe mais; já vi este nome ligado a uma empresa de outro ramo.

Focando na questão da plaqueta publicitária que furou minha lataria, observo que casos semelhantes fazem parte do cotidiano do brasileiro.

Me lembrei do velho caso ao encontrar um adesivo de propaganda no interfone de minha casa, com o nome e telefone de um especialista em consertar este tipo de aparelho.

Tentei arrancar a unha e não tive sucesso; concluí que o “especialista” deve ter feito uma bela pesquisa de mercado para conseguir um adesivo difícil de ser arrancado, que gruda com força.

E certamente jamais passou pela cabeça dele, ou de quem mais comete irregularidade assemelhada, pedir autorização para estragar uma propriedade alheia.

Infelizmente é da índole dos brasileiros não aceitar a culpa quando precisam explicar casos como este, e usam subterfúgios como o “prejuízo meramente estético”. Os mais surrealistas são até capazes de acreditar que estejam fazendo um favor ao dono do automóvel, da casa ou de qualquer propriedade usada com a mesma finalidade, pois o “prejudicado” estaria ajudando um ser humano a lutar pelo seu trabalho, pelo seu ganha-pão.

A negação da responsabilidade por um pequeno delito abre o caminho para o delito maior: encontrar subterfúgios, desculpas, ou explicações decorrentes de interpretação pessoal, é sempre fácil. São só palavras.

A continuar assim, a palavra furto pode desaparecer no futuro; o único sinônimo que vai sobrar nos dicionários e no código penal é o roubo, que é um crime óbvio, por causa da mão armada.

Até porque, se este crime for legalizado, a sociedade vai se auto-explodir, pois não haveria mais um futuro viável.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h32
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Mais algumas belas imagens de São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, MG

São Gonçalo do Rio das Pedras é um distrito pertencente ao município do Serro, antiga e histórica cidade da região central de Minas Gerais.

São muitos os nomes usados no passado para definir povoamentos como São Gonçalo: vila, povoado, arraial.

Alguns estão decadentes, outros melhor conservados. Este é o caso de São Gonçalo, situado a 34 quilômetros do Serro e sete de Milho Verde, outro distrito bem conhecido.

Na sequência de três fotos a seguir, a primeira é a rua da subida para a praça da igreja matriz, com o calçamento de pedras:

São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, MG

A segunda é principal igreja local, dedicada ao santo Gonçalo (construída em 1787, ampliada em 1864 e reconstruída em 1934):

Igreja matriz de São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, MG

E a terceira é a aprazível e tranquila praça da igreja:

Praça da igreja mariz de São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro, MG



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h48
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Pequenas vergonhas que ainda persistem em nossa cultura pós-escravagista

Três décadas atrás, bem no início de minha vida profissional, saí em grupo com alguns colegas para um almoço ou jantar.

Após servir a primeira porção, o garçom deixou a comida na mesa; quando precisei, me levantei e eu mesmo me servi.

Uma colega me repreendeu – envergonhada – dizendo que aquele era um trabalho do garçom, como se eu estivesse transgredindo alguma regra obrigatória de etiqueta.

Nunca me convenci de que fosse eu o errado, e hoje debito o caso ao rol de pequenas vergonhas que ainda persistem em nossa cultura pós-escravagista.

Traços antigos de comportamento que, por mais que pareçam distantes no tempo, não conseguimos suprimir, às vezes nem mesmo perceber.

E são muitos os persistentes desvios comportamentais semelhantes, como o receio de parecer mesquinho por contar o troco miúdo.

Outro é o ato de abandonar os carrinhos de supermercado em qualquer lugar do estacionamento, muitas vezes até atrapalhando outro automóvel, mas com a plena convicção de que este é um trabalho de funcionários subalternos – alguma versão remanescente de antigos escravos ou criados.

E há quem diga que fez “de propósito, para obrigar este povo que não faz nada, que fica em pé à toa, fingindo que está vigiando o estacionamento, a trabalhar”.

Outra minivergonha – e com reflexos na própria higiene da sociedade – é levar sacos plásticos para recolher dejetos de cachorros que saem de coleira a passear.

De quando em vez a televisão faz alguma reportagem específica sobre pessoas exemplares, aquelas que agem de acordo com as normas corretas.

Sobressai o mérito de estimular a população a reproduzir o gesto, mas uma parte destes estimulados tende, posteriormente, a desistir do comportamento por medo do ridículo ao se perceberem a exceção das exceções.

E, num sistema de bate-volta, todos estes erros trazem consequências posteriores: aumento de custos, sujeira, desorganização, desentendimentos pessoais.

Pequenos atos às vezes refletem grandes atos; no fundo, tal comportamento tem a mesma arquitetura sociológica da postura pública do cidadão brasileiro.

Falta na sociedade uma consciência do comportamento político correto, o que abre o caminho para a classe de administradores públicos na má gestão dos grandes problemas nacionais.

Este complexo deixa dúvidas de que o Brasil seja realmente o país do futuro, como precipitadamente analisam cientistas sociais estrangeiros, com aval dos brasileiros com tendência para o ufanismo infantilóide.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h35
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Tiranos e Tiranetes, um mergulho no fracasso das ditaduras latino-americanas

Sempre me impressiono quando descubro algum admirador da ditadura militar brasileira (1964-85).

Faz parte de um grupo que certamente não lê – ou não sabe interpretar – livros e jornais, pois corrupção, atraso tecnológico e descontrole econômico-financeiro tornaram-se os temas do noticiário cotidiano quando a censura foi suspensa.

Os velhos admiradores do regime alegam, como justificativa de suas ideias, a corrupção política contemporânea; nessa hora reinterpretam o passado, acionam um filtro repleto de furos adequados aos seus interesses e suas ilusões.

Parecem não saber que toda tirania termina em privilégios absurdos aos “amigos da Corte”, repressão desumana aos inimigos e no binômio uso/abuso das massas populares ingênuas.

Por este tema caminhou a análise do jornalista e escritor Carlos Taquari, que “decidiu mergulhar no assunto e estudou a longa fila de caudilhos, oligarcas, generais e oportunistas que infelicitaram o continente”. (matéria de O Estado de São Paulo, edição de 01/04/2012, página A-14).

E segue a matéria:

Das lições que trouxe, a primeira foi que "nenhum desses regimes, fosse de esquerda ou de direita, melhorou a vida do povo". A segunda foi que a comparação entre as anistias de vários países "não leva em conta que os autoritarismos foram parecidos, mas as democracias que vieram depois seguiram caminhos bem diferentes".

Essa "viagem" por dezenas de ditaduras desembocou no livro Tiranos e Tiranetes (Ed. Civilização Brasileira). É um desfile de abusos, crueldades e doses de grotesco que "pode ser lido como tragédia ou comédia".

O repórter Gabriel Manzano perguntou: “E quais lições aprendeu?

E Carlos Taquari respondeu: “Uma delas foi que nenhum desses regimes melhorou a vida do povo. Todas deixaram pobreza, analfabetismo e atraso. A Venezuela detém o recorde de tempo sob controle de caudilhos, mais de um século. A Argentina destacou-se pelo enorme número de mortos na repressão, o Chile viveu uma violência traumática, Cuba atravessou 50 anos com um só governante. E tem gente que apoia os modelos autoritários.”.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h00
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O suposto direito sagrado de doutrinar outras pessoas é uma incoerência da prática religiosa

Um dos mais incoerentes atos de manifestação religiosa é o suposto direito à doutrinação, à persuasão, à influenciação.

Um suposto direito de exigir informações sobre credo e práticas do interlocutor, de cobrar posições, de criticar e de fazer pregações não solicitadas – mesmo quando formalmente recusadas.

É incoerente nas religiões derivadas do cristianismo, pois a Bíblia prega o comportamento humanitário.

Mas o livro base da religião mais difundida do planeta também é usado pelo doutrinador como motivo e justificativa; ignora, ou finge ignorar, que ele foi escrito a várias mãos, em épocas distintas, e alguns trechos permitem uma interpretação dúbia, adaptável a interesses distintos.

O fenômeno da doutrinação compulsória também ocorre entre católicos tradicionais (as beatas são um adequado exemplo), mas é mais frequente em algumas igrejas que não seguem as ordens do Vaticano, como as evangélicas e as neopentecostais.

— Você tem fé? — É a primeira pergunta, a sondagem inicial do fanático influenciador.

Depois, invariavelmente, segue perguntando pela opção religiosa, pela frequência a cultos e chega até à vida pessoal da vítima.

Nem sempre é um ato puramente espontâneo, pessoal; sabemos que alguns mentores religiosos – pastores, no caso das seitas evangélicas – pressionam seus liderados a difundir ideias religiosas junto a outras pessoas, ainda que a contragosto destas.

Lapidam uma atitude de resignação de seus comandados para encarar a reação negativa dos ouvintes; ensinam que é necessário compreender as ovelhas negras.

Ou fazem pior do que isso: vendem a incompreensão do doutrinado como uma vitória para o pregador, um ponto extra no balanço da vida que pode facilitar a passagem para os Céus.

É a inversão da lógica, um caso em que a falta de educação ou respeito é reclassificada como se virtude fosse.

Pesquisei a motivação de tal comportamento num caso isolado, anos atrás: no meio da conversa com um conhecido eu disse, de forma diplomática, que sabia que ele insistia em assuntos religiosos – mesmo em situações puramente profissionais – por orientação religiosa.

Confirmou, visivelmente orgulhoso:

— Meu pastor ensinou que, se a gente não espalhar a palavra de Deus, será cobrado por isso mais à frente...

Não foi capaz de perceber a incoerência: o respeito ao próximo não estava valendo para assuntos religiosos, cujos preceitos destacam o valor do respeito.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h26
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A despedida do velocíssimo Desejado Thunder, um cavalo campeão

A foto abaixo é da chegada vitoriosa do cavalo Desejado Thunder no Grande Prêmio Jockey Club de São Paulo, que ele venceu no dia 15 de abril de 2012. A prova foi corrida no quilômetro, grama, Hipódromo da Gávea (Rio de Janeiro), reafirmando seu título informal de melhor velocista do país. Mas após a corrida ele apresentou uma discreta fratura num osso pequeno (sesamóideo), suficiente para encerrar uma carreira vitoriosa (15 vitórias em 21 apresentações). Agora ele vai pra vida mansa, vida de reprodutor.

O grande velocista foi montado pelo campeão das rédeas, Jorge Ricardo, o segundo maior ganhador de corridas na história do turfe mundial. Um herói brasileiro.

Desejado Thunder se despede vitoriosamente



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 11h01
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O para-choque da Kombi é o joelho do motorista (eta carro problemático!)

O telejornalístico Bom Dia Minas, de 10/11/2011, anunciou que “uma Kombi pegou fogo e parou o trânsito da Avenida Nossa Senhora do Carmo”, em Belo Horizonte, o que causou um “engarrafamento que reflete desde o centro da cidade”.

O caso serviu de exemplo para introdução e argumentação, é um entre incontáveis outros pois a Kombi é um automóvel frequentemente envolvido em acidentes, por mau uso como também pela fragilidade do modelo.

Tem a fama de sofrer, com frequência, incêndios espontâneos, o que não parece simples boato: o site www.flashbackers.com.br atribuiu o problema a um passa-fio existente na parede entre os compartimentos de motor e de passageiros, por onde passava o grosso cabo que leva corrente elétrica para o motor de partida.

Sua arquitetura o torna perigoso em caso de batida frontal pois a frente se resume a uma chapa de lataria, o que gerou uma antiga brincadeira: o para-choque da Kombi é o joelho do motorista. O que inclui o joelho do eventual passageiro do banco da frente.

Ademais, encontrar alguma Kombi parada em qualquer cidade brasileira, com defeito mecânico, atrapalhando o tráfego, é coisa de rotina.

Aqui a explicação é geralmente outra: o elevado percentual de veículos velhos e mal cuidados.

O caso mais típico que conheci foi o do veterano seu Zé da Kombi, que sobrevivia na década de 1990 fornecendo serragem para os cavalos do Hipódromo Serra Verde (que faliu – o hipódromo e não Seu Zé, que já era um falido natural – e deu lugar para a atual Cidade Administrativa, sede do governo mineiro).

Seu Zé circulava com o seu cacareco pelos bairros do distrito de Venda Nova, comprando ou ganhando raspas das serrarias que ensacava e entregava no Jockey a preço que parecia insuficiente para o seu sustento – pelo menos era o que indicava o estado precário de sua Kombi.

Por onde trafegava certamente punha em risco pedestres e os demais carros, mas estava sob o olhar complacente dos moradores e autoridades, apiedados com o esforço dele (e de qualquer trabalhador braçal) pela sobrevivência.

O mesmo site citado (flashbackers) conta a história e analisa as características da Kombi, claramente um modelo antigo que já deveria ter saído das linhas de produção, mas que ainda é popular e é fácil de entender o porquê.

Por possuir um grande espaço interno, inteiramente coberto, que protege o interior de chuva e dificulta o acesso de mercadorias aos ladrões, é uma ótima opção para pessoas mais simples fazerem pequenos serviços.

Mas o grupo socioeconômico que tem Seu Zé como membro certamente ganha pouco e não sabe administrar finanças pessoais, e a manutenção de um veículo automotor se torna uma dificuldade, em muitos casos uma impossibilidade.

E a experiência de vida me ensinou que tais veículos são, com elevada e assustadora frequência, dirigidos por motoristas ruins, um risco em potencial para o tráfego e para os pedestres.

E o viciosíssimo ciclo se fecha: os motoristas/proprietários ganham mal e não investem na manutenção do equipamento nem na melhoria de sua própria qualidade de vida, realimentando o círculo.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 10h12
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Cientista renomado atribui à mentalidade militar o acidente da Antártica/Antártida

Já está em curso o processo de esquecimento do acidente da Antártida (uma explosão seguida de incêndio que destruiu, no dia 25/02/2012, boa parte das instalações da Estação Antártica Comandante Ferraz, uma base científico-militar que o governo brasileiro mantém naquele continente).

É inevitável: a tradução inglesa para “notícias” (news) é mais realista que a versão brasileira, pois a mídia vive das novidades e a memória popular a segue, cordeirinha...

Mas o esquecimento não é bom conselheiro: quando lutar contra as causas perde prioridade, o problema permanece, com suas mazelas e o risco da repetição.

Achei insuficiente a explicação (ou desculpa) usada pelos responsáveis locais como causa do acidente: falta de investimentos do governo.

Adaptar-se a um orçamento real é tarefa de qualquer administrador, público ou privado; o descuido na segurança sugere erro, incompetência, acomodação.

Para relembrar o acidente e lutar contra o perigoso esquecimento, trago trechos de uma entrevista de Ennio Candotti (físico formado na USP, quatro vezes presidente da SBPC e o atual vice, professor da Universidade Federal do Espírito Santo) ao caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, edição de 04/03/2012.

Perguntado pela repórter Mônica Manir sobre a relação entre a carência de recursos financeiros e os acidentes de Alcântara (2003), Instituto Butantan (também incêndio, 2010) e na base na Antártida, respondeu:

Eu não associaria diretamente esses acidentes à falta de recursos. Acompanhei o que ocorreu em Alcântara e as razões eram muito mais estruturais e relacionadas ao modo como se organizavam os cuidados com a segurança, por exemplo. A explosão poderia ter acontecido mesmo se houvesse muitos recursos à disposição. No caso da Antártida, havia também regras de segurança específicas, que podem não ter sido devidamente obedecidas, ou a manutenção dos equipamentos pode não ter sido feita.”.

Candotti não tentou agradar a classe dos militares; pelo contrário, atribuiu a eles uma tendência para cometer erros administrativos e estratégicos:

Nas Forças Armadas, nenhum grito ultrapassa as continências. Além disso, um militar, entre investir em ciência e investir em mais corvetas, ele investe em mais corvetas. Entre a base da Antártida e comprar dois novos navios de proteção das fronteiras, compra os dois navios. A atividade de pesquisa é uma atividade nobre, mas não é considerada essencial.”.

A repórter também perguntou: “Mas a base recebeu muitas críticas por sua estrutura em módulos próximos, em que os geradores dividiam quase o mesmo espaço com laboratórios, biblioteca, alojamentos. Não faltou investimento em modernização?”. E acrescentou: “A próxima base brasileira na Antártida será desenhada por civis, e não mais construída como se fosse uma instalação militar.”.

Candotti respondeu:

É isso mesmo. Se os militares querem a colaboração com os cientistas, essa colaboração não é apenas como usuários da infraestrutura. Precisamos desenhar essa infraestrutura juntos, precisamos desenhar os veículos espaciais juntos, precisamos pensar de comum acordo os projetos. Isso vale para os navios oceanográficos também. De vez em quando acontecem esses lamentáveis incidentes e todo mundo acorda. Agora, a atividade científica é perigosa e suscetível a isso. É perigosa com muitos recursos, imagine com recursos escassos.”.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista realizada por Mônica Manir, cliqueaqui.



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Escrito por Márcio às 15h12
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Representantes dos militares mineiros no Poder Legislativo entram em confrontos pessoais

Uma greve de policiais militares em Minas Gerais, no ano de 1997, alavancou a ideia de eleger representantes permanentes na área política, e no ano seguinte foram facilmente eleitos dois líderes daquele movimento: o Cabo Júlio conseguiu uma cadeira na Câmara Federal e o Sargento Rodrigues obteve o mandato de deputado estadual.

Antes deles, só me lembro de um militar local sucessivamente eleito através do voto de classe, o falecido coronel José Geraldo de Oliveira, auxiliado pela fama de ser considerado um dos líderes regionais da revolução de 1964.

O Sargento Rodrigues, dono de um perfil discreto, politico de bastidores, se reelegeu sucessivamente, mas o mesmo não aconteceu com o Cabo Júlio, que desceu na escala e atualmente é vereador da capital.

E desde o início da carreira acrescentou controvérsias ao currículo: uma consulta simples na internet relembra casos como uma acusação de corrupção (Escândalo dos Sanguessugas – ele era um dos deputados acusados de emendas individuais ao Orçamento da União para facilitar a compra de ambulâncias superfaturadas) e problemas de saúde mal explicados, como desmaios em público (no caso mais falado, em 07/02/2010, ele foi encontrado desacordado na rua e, segundo a mídia da época, “fontes ligadas ao político afirmam que ele está em tratamento e tomando antidepressivos”).

No caso mais recente, o jornal Hoje em Dia de 23/04/12 noticia que ele foi condenado pela Justiça mineira a indenizar o deputado estadual Sargento Rodrigues (PMDB) em “R$ 20 mil por danos morais, além de R$ 230 por danos materiais. O motivo seria ofensas publicadas contra o deputado no blog do vereador Cabo Júlio (PDT), em 2010”.

A reportagem detalha, a seguir: “Em suas alegações, o Sargento Rodrigues afirmou que as ofensas estariam relacionadas à disputa eleitoral para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 2010, quando ambos concorriam a uma vaga na casa. Ainda segundo o parlamentar, Cabo Júlio publicou as notícias ofensivas ao deputado ‘para disputar os votos dos servidores da área de segurança pública estadual’.”.

O cabo chamou o sargento de “palhaço, ladrão, idiota, enganador”.

Acontecimentos como este confronto só prejudicam o combalido exercício do importante recurso democrático que é a participação de representantes de classes profissionais na esfera político-legislativa.

Para acesso à matéria do Hoje em Dia sobre a condenação judicial, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h35
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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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