Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

Uma boa charge do mineiro Duke

Ele é o melhor chargista mineiro de sua geração. Eduardo dos Reis Evangelista, Duke, nasceu em 1973, em Belo Horizonte, MG. É formado em cinema de animação pela Escola de Belas Artes da UFMG. Assina as charges diárias dos jornais O Tempo e Super Notícia. Esta saiu hoje no Super.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 08h57
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Disponível na internet a obra “Memória sobre o Serro Antigo”, de 1928

Encontrei na internet o livro “Memória sobre o Serro Antigo”, de Dario A. F. da Silva, publicado em 1928.

O conteúdo é integral: foi escaneado e editado no programa Word.

Um presente para os historiadores da região central de Minas Gerais, que tantos políticos, intelectuais e cientistas produziu.

Um belo e elogiável trabalho de Danilo Arnaldo Briskievicz, que pacientemente escaneou página por página, editou no Word e postou o livro — agora também virtual — no site do Recanto das Letras, que parece ser (não encontrei um link do tipo ‘Quem Somos’ para confirmar) pertencente ao maior provedor do país, o UOL – Universo On Line.

No final do texto original ele acrescentou um ensaio crítico e esta informação preciosa: Dr. Dario entregou o texto datilografado ou talvez manuscrito para a gráfica. Era um juiz de Direito rigoroso e queria uma obra bem executada. Ele já estava com a saúde debilitada e a julgar pelo prazo impressão - 24 de maio de 1924 até a data da publicação – 1928, a obra foi de difícil realização, em especial, por questões técnicas – as antigas tipografias tinham poucas fontes de tipos e as máquinas eram muito precárias. Os erros tipográficos numa obra desse vulto são sempre muito grandes e constituíram um grave problema para a atualização ortográfica proposta nessa edição.

Não conheço pessoalmente o autor, mas o material de sua autoria que está disponível neste site indica que se trata de uma pessoa de grande atividade, de grande produção intelectual.

O site apresenta o seguinte perfil dele: nascido no Serro-MG, 37 anos, Danilo Arnaldo Briskievicz é formado em Filosofia pela PUC Minas. Pós-graduado em Temas Filosóficos pela UFMG e mestre em Filosofia Social e Política pela mesma universidade. Autor de diversos livros poéticos e históricos além de artigos filosóficos.

Para acessar a página, ou “sub-site”, dele, CliqueAqui.

Ignoro se Briskievicz chegou a negociar a divulgação com os descendentes do autor, mas legalmente não é necessário: de acordo com a lei do direito autoral (Lei nº 9.610, de 19/02/98, artigo 41) o direito da propriedade dura 70 anos, findos os quais a obra passa para o domínio público.

Para acessar “Memória sobre o Serro Antigo”, CliqueAqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h01
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Os mestiços favorecidos pela política de cotas são descendentes dos brancos escravagistas

Um dos mais usados argumentos em defesa da política de cotas raciais é a escravidão negra, oficialmente abolida no Brasil em 13 de maio de 1888.

Seus defensores alegam que a política de cotas é uma forma de “compensação” pelos malefícios, pela exploração do senhor branco sobre o escravo negro.

A exploração foi um fato mas, fazendo um cálculo aproximado do tempo de sucessão de gerações humanas, os negros e brancos de meia idade da atualidade são trinetos dos negros e brancos que existiam neste país um pouco antes da Lei Áurea.

Compensar trinetos por prejuízos causados aos seus trisavôs! Que piada...

Mas a insanidade incluiu todos os descendentes dos ex-escravos, puros ou mestiços, no direito à compensação.

Nesta linha de raciocínio surge uma ambiguidade grotesca: o mestiço é beneficiado pela política de cotas por ser descendente do escravo-vítima, mas ocorre que também é descendente do branco-opressor.

E fechando a mesma linha de raciocínio, a raça dos opressores é premiada por ter agido de forma desumana e criminosa.

É por coisas assim que as sociedades mais práticas e objetivas, mais voltadas para o futuro do que para o passado, são mais desenvolvidas, justas e humanas.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h25
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Golpistas e oportunistas aparecem até em acidentes aéreos

O terrível acidente com o avião da Air France no último dia de maio de 2009 está totalmente esquecido da mídia, até pela falta de informações, já que a caixa preta desceu para as profundezas do mar, com poucas chances de ser recuperada.

Também contribuiu para a falta de notícias a não liberação da lista oficial dos passageiros estrangeiros e dos nomes de alguns brasileiros.

No caso dos estrangeiros, a empresa seguiu as leis francesas; no caso dos brasileiros, alguns nomes ficaram ocultos por solicitação dos familiares, temerosos do aparecimento de golpistas e aproveitadores.

A matéria intitulada “Temor de golpe trava lista de vítimas”, publicada n’Estadão de 04/06/2009, elucidou a questão:

O advogado Marco Túlio Moreno Marques, que perdeu os pais no acidente da Air France, revelou ontem que muitos familiares que estão no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, não queriam a divulgação dos nomes dos parentes que morreram no acidente, com medo da ação de golpistas. "Todos se lembram que, na época do acidente da Gol, oportunistas usaram nomes das pessoas mortas para fazer compras e abrir financiamentos. Os familiares das vítimas tiveram sérias dificuldades no momento do inventário por causa das dívidas contraídas pelos falsários", afirmou o advogado.

N’O Globo de mesma data fiquei impressionado com a triste história de Georg Martiner, que apesar do nome alemão é um brasileiro que foi abandonado nas ruas aos dois anos de idade e acabou adotado e criado por um casal italiano.

Virou designer gráfico e morava em Viena, capital da Áustria.

Uma semana antes completou 25 anos e ganhou de presente, dos pais adotivos, uma viagem para conhecer, de fato, sua terra natal.

Uma vítima da imponderabilidade do destino.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h00
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Ambulantes estocam caixa de pera em bueiro

— Olha o rapa!

Na minha infância a polícia já corria atrás dos camelôs, que se avisavam gritando esta frase, hoje demodê.

Nos anos 1980 a população cresceu demais, e a crise financeira jogou uma enorme massa de jovens sem qualificação profissional no informalíssimo mercado dos vendedores ambulantes.

Além de gerenciar a disputa por pontos e a repressão oficial, eles ganharam um problema prático: onde estocar a mercadoria nos movimentadíssimos centros urbanos das grandes cidades?

Alguns anos atrás flagrei ambulantes guardando caixas de pera dentro de um bueiro, no centro de Belo Horizonte.

Eu já não comprava quase nada deles; de alimentos, absolutamente nada.

Coitados dos que comeram aquelas peras, ou qualquer outro alimento comprado assim.

O jornal O Globo de 29/01/10 noticiou que ambulantes deixam kombis com mercadorias estacionadas em lugares nobres do Rio de Janeiro, como a Avenida Vieira Souto, que anos atrás tinha a fama de ter o mais caro metro quadrado residencial do Brasil.

Segundo a reportagem, “uma equipe do GLOBO percorreu a região na sexta-feira à tarde e contou mais de 30 depósitos sobre rodas”.

Escaneei a foto abaixo de uma fila de kombis-depósito em seu novo endereço, depois de expulsas da Vieira Souto: uma rua transversal bem perto, ainda em Ipanema.

A desorganização social não serve a ninguém: o consumidor adquire produtos de baixa qualidade ou nocivos à saúde, e na disputa por pontos de venda na rua, os vitoriosos são os jovens mais brutos, agressivos e desumanos.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h21
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Filmes de sucesso em Salvador - com tradução pro baianês

Uma Linda Mulher à Uma Quenga Aprumada

O Poderoso Chefão à O Coroné Arretado

O Exorcista à Arreda, Capeta!

Os Sete Samurais à Os Jagunço di Zóio Rasgado

Godzila à Calangão

Perfume de Mulher à Cherim de Cabocla

Tora, Tora, Tora! à Ôxente, Ôxente, Ôxente!

Mamãe Faz Cem Anos à Mainha Nun Morre Mais

Guerra nas  Estrelas à Arranca-Rabo no Céu

Um Peixe Chamado Wanda à Um Lambari Cum Nome di Muié

A Noviça Rebelde à A Biata Increnquêra

O Corcunda de Notre Dame à O Monstrim da Igreja Grandi

O Fim dos Dias à Nóis Tâmo é Lascado

Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita à Um Cabra Pai D'égua di Quem Ninguém Discunfia

Os Filhos do Silêncio à Os Mininu du Mudim

A Pantera Cor-de-Rosa à O Leão Viado



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h08
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Fernando Collor, o único presidente brasileiro democraticamente deposto

No dia 11 de setembro (que data!) de 1992 eu me apresentei à capital brasileira, em plena campanha pelo impeachment do corruptíssimo presidente Fernando Collor de Mello e fotografei o Congresso Nacional cheio de faixas de manifestantes.

O escândalo protagonizado pelo seu tesoureiro particular, P.C.Farias, já havia chegado à mídia. Na foto, aparecem duas faixas que ficaram ilegíveis na reprodução, mas garanto que trazem as frases “Consciência não se compra - Fora Collor - Partido Socialista Brasileiro” e “Impeachment já! Juventude Nacional do PSDB”.

Infelizmente ele retornou como senador. O povo é mesmo ingênuo.

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 21h49
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Tecnologias revolucionárias, ou um exercício de futurologia

Gosto muito de futurologia. De tentar adivinhar como será o futuro.

Nesta linha, seleciono os seguintes trechos (só os dois primeiros parágrafos são sequenciais) do texto do colunista de tecnologia de O Estado de São Paulo, Ethevaldo Siqueira, publicado em 24/01/10:

Seis tecnologias emergentes podem fazer uma verdadeira revolução na universidade, na pesquisa científica e na economia de muitos países nos próximos cinco anos. São elas: computação móvel, conteúdo aberto (open content), livros eletrônicos (e-books ou e-readers), realidade aumentada, computação baseada em gestos e, por fim, a análise de dados visuais.

Essas conclusões estão na sétima publicação anual do Horizon Report, de 2010, relatório de tendências que descreve o trabalho entre o Consórcio New Media (NMC, na sigla em inglês) e a Educause Learning Initiative (ELI), com a contribuição de mais de 400 líderes nos campos de indústria, negócios, tecnologia e educação, ao longo dos últimos sete anos.

As duas maiores tendências tecnológicas no curto prazo, ou seja, nos próximos 12 meses, são: 1) computação móvel e 2) conteúdo aberto.

A computação móvel é entendida como o uso de dispositivos pessoais de computação com capacidade de conexão à rede de que os estudantes já dispõem. Esses dispositivos vão de smartphones a netbooks [...]

O mundo caminha para a ampliação do número de conteúdos abertos. Em visita à Universidade da Califórnia em Berkeley há poucos dias, vi em diversos monitores, a repetição de aulas da universidade, livremente oferecida a quem quiser aprender, estudar remotamente ou atualizar-se. Isso significa que todo o conteúdo das aulas de Berkeley está disponível na internet, em IPTV, para acesso gratuito, a qualquer pessoa, dentro e fora da universidade.

Exatamente hoje o criativo super-empreendedor Steve Jobs anunciou a invenção do iPad, que seria um meio termo entre um notebook e um smartphone. “Ele é ideal para navegar na internet, mandar e-mail, dividir fotos, ver vídeos, jogar jogos, ler e-books”, afirmou Jobs.

Se pegar, se der certo como o Mac e o iPhone, as pratas da casa da Apple, será um avanço no item 1 (computação móvel) e no 3 (livros eletrônicos) da matéria de Ethevaldo Siqueira.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h10
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Consultoria sobre discos voadores na Bíblia

A foto abaixo está circulando na internet.

A mesma placa oferece três serviços bem diferentes. O primeiro é o conserto de malas e bolsas, atividade comum.

Logo abaixo, oferta de um estúdio para ensaios e gravações de bandas. Ficou esquisito na mesma placa e mesmo endereço, mas ainda passa.

Abaixo dos dois, na mesma placa: Consultoria sobre discos voadores na Bíblia.

É mole ou quer mais?



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 22h40
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A rua Niquelina, em Belo Horizonte, já fez parte da estrada para o Rio de Janeiro

O arquiteto-construtor de Belo Horizonte, Aarão Reis, projetou a então futura capital de Minas para uma população que, na expectativa dele, não ultrapassaria os 200 mil habitantes e toda a sua área urbana caberia dentro de uma avenida ovalada, que ainda hoje se chama avenida do Contorno.

Um século depois a população é de 2,2 milhões, sem contar os quase um milhão das cidades vizinhas, algumas ligadas por áreas urbanas contínuas.

Mas não é justo criticar o engenheiro-arquiteto: adivinhar e prever o futuro é uma impossibilidade lógica.

A estrada para a velha capital, Rio de Janeiro, atualmente parte da zona sul, pela avenida Nossa Senhora do Carmo ou pela avenida Raja Gabaglia.

Mas no início do século 20 saía mais a sudeste, a partir da rua Niquelina.

Meu pai Eugênio Soares Rodrigues nasceu em Belo Horizonte há 87 anos (1922) pelas mãos de uma parteira – como quase todos os seus contemporâneos – em uma casa alugada na rua Rio Preto número 334 (atual rua Célio de Castro), no bairro da Floresta.

Ele conta que, “antigamente”, a rua Niquelina começava na avenida do Contorno e terminava na rua Tenente Anastácio de Moura, ou seja, tinha só 300 metros.

Dali para a frente se transformava na estrada para o Rio de Janeiro, passando primeiro pela Serra do Curral e pela vizinha Nova Lima.

Ele não chegou a trafegar por ela, mas sabia que era péssima e esburacada, inadequada até para os poucos e antiquados automóveis e caminhões das primeiras décadas daquele século.

Algumas casas tombadas e quase caídas da rua Niquelina, provavelmente do tempo em que fazia parte da estrada Belo Horizonte-Rio de Janeiro



Categoria: Belo Horizonte
Escrito por Márcio às 22h47
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Inveja é uma droga – e a vingança é doce (humorismo)

O sujeito foi cortar o cabelo no barbeiro que freqüentava havia mais de vinte anos.

– Rapaz, tô feliz d+! Vou pra Itália amanhã.

– Itália? – perguntou o barbeiro – com tanto lugar bom pra ir, tu vais logo pra Itália?

– É, e vou pela Alitalia.

– Não acreditoooooo... a pior companhia de aviação do mundo!! Vai pra que cidade, hein?

– Roma.

– Que porcaria, pô! Cidadezinha feia, merréca! E vai se hospedar aonde mesmo?

– No Hilton.

– Quê ...., nãooo! Aquilo é o maior pardieiro! E tu vais ver o Papa?

– Claro!

– Programinha de Índio, hein! Milhões de pessoas se acotovelando só pra Ver o papa. "Calé"...?!?!?!

O sujeito saiu do barbeiro, injuriadérrimo. No dia seguinte viajou e curtiu a viagem, que foi ótima. Logo que voltou, fez questão de voltar à barbearia.

– E aí como foi a viagem? – perguntou o barbeiro.

– Rapaz, você não sabe o que me aconteceu!!! Eu tava lá no Vaticano, tentando ver o papa. Logo que ele chegou à sacada, olhou pra multidão e desceu. Saiu de lá e começou a andar na minha direção. Foi se aproximando de mim cada vez mais. Me olhando fixamente...

Quando o Papa chegou bem pertinho de mim, ele falou um troço no meu ouvido. Só pra mim, cara! Me arrepiei todo!!!

– E o que o Papa falou pra você?

– Cabelinho mal cortado, hein, cara? Que PORCARIA de barbeiro é esse teu....?!?!?!?!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h36
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A psicóloga e a lição de Psicologia

Um homem entra num restaurante e vê uma mulher muito bonita sozinha numa mesa. Ele se aproxima e pergunta:

— Estou vendo você sozinha nessa mesa. Posso sentar-me e fazer-lhe companhia?

Escandalizada a mulher berra:

— Seu mal-educado!!! Transar comigo? Você acha que eu sou o quê?

O restaurante todo ouviu. O rapaz, não sabendo onde pôr a cara, tenta consertar:

— Eu só queria lhe fazer companhia, mais nada.

— E você insiste!!! Atrevido!!!

O rapaz sai de fininho, e vai sentar-se no outro canto do restaurante, cabisbaixo. Depois de alguns minutos, a mulher se levanta e vai até a mesa dele e diz baixinho:

— Me desculpe pela forma como eu o tratei... É que sou psicóloga e estou estudando as reações das pessoas em situações inusitadas...

Mas ele se levanta e berra:

— MIL REAIS??? VOCÊ ESTÁ LOUCA!!! NENHUMA PUTA VALE ISSO!!!



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h03
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A "tolerância zero" de Nova York foi o naufrágio dos hiper-humanistas

A cultura social do Primeiro Mundo, das sociedades que obtiveram mais sucesso e desenvolvimento, nunca descuidou das atividades punitivas e fiscalizadoras.

Na mão inversa, o espírito de tolerância aos atos criminosos ou delituosos é uma característica comum aos países de Terceiro Mundo, notadamente aos latino-americanos, nossos velhos conhecidos e vizinhos.

Uma conclusão simplista até diria que a fiscalização é uma causa básica do sucesso social. E a tolerância, do fracasso.

Driblando as simplificações, o fato é que o povo brasileiro tem um grande sentimento de piedade pelos sentenciados, e geralmente se refugia na tese da Educação como a instituição que resolverá – ou resolveria – o problema.

A educação é realmente essencial, mas – afirmo eu – só para as mentes que ainda estão em formação.

Fiscalização, repressão e punição ainda são as opções concretas para evitar ou para combater o ato criminoso.

Talvez o episódio contemporâneo que melhor o demonstrou tenha sido o programa Tolerância Zero, instituído por Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York entre 1994 a 2002.

Na década de 70 a famosa cidade tinha muitos problemas: sujeira, criminalidade, mendicância.

Inspirou até o filme Desejo de Matar (1974), em que Charles Bronson fazia um papel de um cidadão comum que se torna vingador dos crimes contra a sua família, realizados por criminosos também comuns.

A grande bilheteria provocou quatro continuações, sinal que os problemas de sua cidade mais importante eram um ”peso” para os norte-americanos, e também sinal que o tratamento duro e revanchista aos criminosos fazia parte do subconsciente coletivo dos ianques.

Giuliani adotou em seu governo uma atitude radical: instruiu e obrigou a polícia a deter e encaminhar para as prisões (ou cortes judiciais) todos os cidadãos flagrados em delitos, mesmo os menores como urinar em local público.

Calou a boca tanto dos céticos quanto dos adversários ao reduzir a criminalidade na gigantesca cidade a níveis irrisórios.

Repressão se tornou sinônimo de eficiência e os métodos mais tolerantes caíram, definitivamente, no descrédito por lá.

O sucesso da política de Tolerância Zero é uma constatação, não uma preconização para outros lugares, até porque no Primeiro Mundo os outros atores sociais fazem a sua parte: nos EUA, o Estado constrói e administra o número de penitenciárias necessário e o Poder Judiciário julga com rapidez e eficiência.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 21h21
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O método antiviolência de Nova York vai fracassar no Rio de Janeiro

Manchete do site de notícias do provedor UOL, de 03/12/2009, às 22h30: “Cabral quer ex-prefeito de NY como consultor de segurança do Rio”.

Apesar do uso do verbo “querer”, o site informa que Rudolph Giuliani está contratado pelo governador Sérgio Cabral Filho.

(Refrescando a memória: prefeito da dita “capital do mundo” entre 1994 a 2002, o ítalo-americano ficou famoso especialmente pela política de "tolerância zero", que consistiu na repressão policial a qualquer crime ou delito, ainda que insignificante para os padrões brasileiros.)

Talvez seja mais fácil para o governador do estado do Rio pagar em barras de ouro, porque o contrato vai sair caro.

E o retorno vai ser pequeno, mas não é necessário ser analista político para descobrir que o objetivo real (e oculto) será alcançado: marketing.

— Tentamos tudo, contratamos o melhor, se a violência continua é porque não tem jeito de acabar com ela.

Esta frase ainda não foi dita, mas está guardada por Cabral para ser usada em caso de necessidade.

A expectativa de fracasso tem lógica: a tolerância zero, base do método Giuliani, é inaplicável no Brasil.

Primeiro ponto: nos Estados Unidos a polícia é municipal; o prefeito tem poderes para definir a segurança pública.

Um subponto: lá não existe o ambíguo instituto da estabilidade de emprego do servidor público; e incompetência é um requisito suficiente para a demissão do policial.

Segundo ponto: lá se investe pesado em prisões e penitenciárias; a polícia pode prender qualquer delituoso, pois sempre haverá “hospedagem” suficiente.

Terceiro ponto: o Judiciário é rápido e eficiente; dependendo do caso, o delituoso é encaminhado para a Corte logo após a detenção.

O primeiro ponto está sob o controle de Cabral, pois pela Constituição brasileira o governador controla as polícias civil e militar, mas obter eficiência delas é uma dificuldade histórica.

O governador não vai dizer, mas o investimento pesado em prisões e penitenciárias – o segundo ponto – está fora de cogitação: o grosso do dinheiro público, em sua gestão, vai ser carreado para as obras da Copa do Mundo e Olimpíadas.

Quanto ao terceiro ponto, xi!!!...

Ingênuos diriam que Giuliani não se prestaria a fazer um projeto com grandes perspectivas de fracasso.

Estão enganados, pois ele vai se prestar: já fez o seu nome, não vai se responsabilizar pela execução de sua consultoria, e business é business.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h55
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Lanche anal?

A Ana – alguma Ana – resolveu abrir uma lanchonete. Egocêntrica, escolheu o próprio nome para a fachada.

Contratou alguém para fazer a placa, mas se concentrou apenas no interior da lanchonete e esqueceu de conferir o trabalho do plaqueiro.

Pra piorar, o plaqueiro não sabia o significado da palavra cacófato. Tentando valorizar a patroa, escreveu o nome dela em maiúsculas, assim como o L, primeira letra da palavra lanches.

Descuidou do espaço entre as palavras e criou a inesperada ANAL em destaque. E a Ana virou a precursora do lanche anal.

E ficou uma cacofonia obscena, grosseira e escatológica. E também um pouco fedorenta.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 23h24
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Este blog divide meus textos em 4 partes:

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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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