Márcio de Ávila Rodrigues


 
 

Só a criatividade provoca a leitura dos spams da internet

A publicidade é a alma do negócio, e a criatividade é a alma da publicidade.

Desviando do caminho das metáforas religiosas, a criatividade é a única chance de sucesso para os spams, as propagandas que os internautas deletam sem abrir, assustados com as histórias sobre os roubos de senhas cometidos por hackers e seus cavalos de Troia.

Mas recebi uma mensagem inteligente, capaz de provocar a atenção do internauta e superar o risco de clicar (mesmo temendo um vírus virtual).

Praticamente uma campanha publicitária: primeiro, veio um e-mail tendo como remetente um singelo e comum prenome feminino (no caso, Larissa). E o assunto: “Essa você tem que saber”.

Apareceu uma mensagem de texto de aparente utilidade pública, sob o titulinho “Cinco informações úteis não divulgadas! Principalmente a QUARTA”.

As três primeiras se referem a cartório eletrônico, auxílio à lista telefônica e documentos roubados; a quarta é de amplo interesse, o direito de o motorista transformar a multa de trânsito em advertência.

A quinta e última foge bastante do tema: dá o link para uma suposta coluna do jornal O Globo sobre uma receita de emagrecimento.

Larissa encerra conclamando o leitor a divulgar a mensagem para os amigos, para “acabar com a indústria da multa”.

Desconfiei da presença discreta, quase disfarçada, do link de uma receita alimentar lançado logo abaixo do tópico mais atraente, e verifiquei qual era o e-mail real da Larissa: depois do arroba aparecia “receita dos famosos”, que seria também o nome da tal coluna.

Confirmado: o serviço de utilidade pública não passava de um despiste para levar o leitor, relaxado, à receita de emagrecimento.

Em ritmo de pesquisa cliquei no link, não sem antes conferir se tinha alguma extensão suspeita (geralmente é o .ru, da Rússia, ou outro país do Leste Europeu).

O site é de um vendedor de produto fitoterápico (à base de ervas); tem alguns logotipos de emissoras de tevê que conduzem, não para a Globo ou a Record, mas para a página de venda.

E não há referência à tal coluna de O Globo.

Contabilizando: usou vários artifícios publicitários mentirosos, típica propaganda enganosa.

Nos dias seguintes recebi outras mensagens idênticas, mas usando outros nomes femininos e sempre com a receitadosfamosos após o arroba. Carlinha foi o mais recente.

Com a repetição, a criatividade desaparece, torna-se inútil; o comerciante usa a troca de nomes para dificultar a localização pelos programas anti-spam, mas irrita o leitor e afugenta o freguês.

Concluo que, ainda assim, a primeira fase da campanha foi planejada com inteligência, mas depois prevaleceu a ambição. E a ética nunca compareceu.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 08h55
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Técnico de futebol, a profissão que mistura altíssimo salário e demissão sumária (II)

O ex-jogador Falcão anunciou, em abril de 2011, que estava deixando o ambicionado cargo de comentarista de futebol da Rede Globo para voltar ao seu ramo de origem: assinou um contrato para ser treinador do Internacional de Porto Alegre.

Paulo Roberto Falcão era sinônimo de sucesso e de integração com o clube e com a torcida: foi seu melhor jogador das últimas décadas, famoso até na Europa, e chegou a ser técnico da seleção brasileira.

A mídia saudou o anúncio como uma possibilidade de realização de um trabalho idealista (e incomum) numa atividade conhecida pela falta de planejamento e pelas demissões sumárias; chegou a acreditar que Falcão estava sendo contratado para trabalhar a médio ou longo prazo, sob proteção e confiança dos dirigentes.

Mas o sistema não admite exceções: foi demitido três meses depois, após uma derrota de 3 a zero para o São Paulo. A curta memória esportiva esqueceu que, naquele curto espaço de tempo ele havia conquistado o título de campeão gaúcho.

Ao contrário da ampla maioria dos companheiros de profissão não saiu calado e reclamou dos diretores do clube; talvez por isso tenha terminado o ano desempregado.

Não devia desgostar de trabalhar na televisão, como sugere o longo tempo que lá esteve; ainda assim anunciou que pretende seguir na carreira de treinador.

A demissão dos técnicos a cada pressão maior da torcida é tão rotineira que eles, normalmente pessoas de personalidade forte, reagem tranquilos, sabedores de que o sistema é ainda mais forte que seu temperamento.

O técnico Givanildo, por exemplo, virou um freguês constante de três clubes: Sport Club Recife (inacreditáveis seis vezes), Santa Cruz de Recife (quatro vezes) e América mineiro (três vezes). Basta conferir na Wikipedia, não é chute.

A efemeridade dos técnicos é tão natural e predominante que motivou a ira do comentarista Antero Greco contra aqueles que anunciam projetos reformuladores quando iniciam carreira em um novo clube. Assim ele abriu a sua coluna de 04/09/2011 n’O Estado de São Paulo:

Tem muito lero-lero no futebol. Parece que, sem uma conversa mole, ele perde a essência. A maior é quando chega técnico novo e se fala em projeto, tentativa de tornar solene ato corriqueiro de troca de comando. Dá urticária ouvir esse papo furado, que não passa de teatro mambembe, pois nenhum dos personagens acredita no que se diz. Com exceções, e bota exceção nisso!, a maioria dos ‘professores’ estaciona um tempo no clube e leva um pé nos fundilhos tão logo acumule fileira de maus resultados. É convidado a cantar em outra freguesia, onde invariavelmente será apresentado como ‘o cara’, até cair ali adiante. E a roda-viva segue a girar indefinidamente.

Citou, com uma criatividade que merece a transcrição, a tripla demissão daquela semana na Série A, a principal do futebol brasileiro:

O Atlético-PR perdeu Renato Gaúcho, o Cruzeiro mandou Joel Santana levantar o Fundo de Garantia e o Bahia disse ‘obrigado por tudo, passar bem’ para René Simões.

Para acesso ao artigo, CliqueAqui.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 14h44
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Técnico de futebol, a profissão que mistura altíssimo salário e demissão sumária

Haverá, no Brasil, algum emprego tão radicalmente contraditório quanto o de técnico de futebol?

Tão bem remunerado e também tão instável?

Ainda em novembro de 2011 Caio Júnior foi o 20º técnico a ser demitido no campeonato brasileiro. E a mídia ainda destacou que em 2010 foi pior: 22.

Poucas atividades representam tão bem a velha dificuldade brasileira de fazer projetos a médio ou longo prazo, pois chegar à terceira temporada (anual) em times das duas primeiras divisões é uma exceção — tão excepcional! — que vira o centro da notícia.

Distorção inimaginável em culturas mais bem sedimentadas; para japoneses, símbolos da estabilidade profissional e, portanto, exemplo ideal para comparações, parece o exotismo do exotismo.

O real motor do sistema é a paixão popular: não pode acelerar demais nem reduzir a ponto de deixar de gerar lucros.

E o técnico é o amortecedor, é o indicado para assumir a culpa do fracasso, é o bode expiatório.

Em civilizações menos emotivas e mais racionais o papel é de quem o contrata, o escolhe: os dirigentes esportivos...

...que, no Brasil, não aceitam a perda do poder, e usam todas as estratégias para transferir a culpa para o time (técnico e jogadores).

Alguns jogadores também são culpabilizados e sacrificados em momentos de fracasso e pressão dos torcedores, mas é o treinador quem geralmente faz este papel.

A passionalização é tão grande que são comuns as pressões até sobre os técnicos dos times que estão liderando torneios, que deveriam estar sendo aplaudidos.

Tite, o técnico do Corinthians em 2011 (campeonato brasileiro) teve a “cabeça” pedida após alguns resultados indesejáveis — mesmo quando estava na disputa da liderança. Foi mantido e acabou campeão.

Qualquer profissão tem as suas características próprias, seu ambiente específico; é um sistema.

E o sistema da profissão de técnico de futebol brasileiro é conhecido: poucas possibilidades de se fazer um trabalho a médio ou longo prazo, demissão quase sempre com menos de um ano de atividade. Sempre sob críticas ferozes da mídia, dos torcedores e dos grupos de oposição na política interna dos clubes.

Mas com salário altíssimo, única opção para atrair profissionais qualificados, previamente conhecedores de que só o receberão por pouco tempo.

Numa atividade com tamanho índice de passionalização as crises são inevitáveis, tornam-se rotina.

O sistema criou um protocolo perfeito para administrar crises e interesses: o técnico é contratado por altíssimo salário, depois é demitido ao primeiro sinal de crise e quase sempre sai sem reclamar dos dirigentes... mas com o bolso recheado.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 09h00
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Mendigo cria Fundo para comprar cerveja

Tirei esta foto em San Francisco (California, EUA) em 1998: o mendigo criou um marketing alcoólico ao estampar a rústica placa com os dizeres: "Honesty is best. Budweiser's fund". Traduzindo: a latinha para recolhimento de esmolas seria depositada nalgum bar das redondezas para comprar cerveja (Budweiser é a mais conhecida dos EUA na atualidade). Tentou atingir o bolso dos passantes que misturam piedade com baixa consciência social.

 



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 08h07
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Especialista elogia a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas pede uma atualização

Um dos atos mais festejados e elogiados do governo Fernando Henrique Cardoso é a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal, oficialmente Lei Complementar nº 101), que entrou em vigor no ano 2000.

Analistas atribuem o seu sucesso à fartura de punições: seus artigos preveem penas efetivas e diferenciadas para uma série de irregularidades realizadas com dinheiro público.

Colunista de economia d’O Estado de São Paulo, Suely Caldas conta a história, a gênese da LRF:

Em 1998, quando pensou em criar uma lei para controlar gastos e punir abusos na gestão pública, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou dois tarimbados funcionários de carreira, velhos conhecedores das malandragens com o uso político do dinheiro público. Dois anos depois os economistas Martus Tavares e José Roberto Afonso deram vida à Lei de Responsabilidade Fiscal - uma bem-sucedida legislação de ação preventiva e focada em coibir endividamentos excessivos e desequilíbrios fiscais decorrentes de gastanças irresponsáveis de presidentes, governadores e prefeitos, quase sempre em favor de seus partidos políticos, campanhas eleitorais e amigos leais. Martus e Afonso mapearam todos os vícios e velhacarias políticas, as brechas que levavam o dinheiro para o ralo - e os puseram na lei.”.

Mas a criatividade brasileira não dá tréguas...

Na sequência, a especialista cita três novas formas de malandragens que se destacaram após a elaboração da LRF: convênios com ONGs, tráfico de influência e distribuição heterogênea de verbas públicas.

Sobre a primeira, escreveu: “Convênios com ONGs de fachada, criadas para receber dinheiro público, têm sido a malandragem mais comum, depois que a Lei Fiscal entrou em vigor. O ex-governador Anthony Garotinho deu a partida e canalizou dinheiro da população fluminense para ONGs amigas. Atrás dele vieram outros. Os ministros do ex-presidente Lula descobriram o filão e foram em frente.”.

E sobre a má distribuição de verbas públicas: “O último [ministro acusado de irregularidades] concentrou em seu Estado, Pernambuco, 90% das verbas de prevenção de desastres naturais e deixou sem tostão furado Estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, cruelmente castigados pelas enchentes em 2011 e neste início de 2012.”.

Encerra pregando a edição de uma nova versão da LRF para tirar o governo Dilma Rousseff das notícias que parecem mais policiais do que políticas:

Se verdadeira é a intenção da presidente de dar um basta à corrupção e seguir seu mandato construindo, o caminho que realmente funciona é criar uma segunda e atualizada versão da Lei Fiscal, de efeito preventivo e capaz de barrar o malfeito na origem. A corrupção espalha na população descrença nos governantes e desesperança em relação ao futuro. O País precisa de leis que o protejam e ajudem a recuperar a esperança.”.

Para acessar o inteiro teor do artigo, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 11h09
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Os manifestantes brasileiros acham que incomodar a população ajuda na defesa de seus interesses

Um fenômeno estranho que não perde força no Brasil é a manifestação pública externa, usada com a finalidade de expor para a sociedade um problema específico de um grupo.

O estranho do fenômeno é que, no caso brasileiro, existe uma regra não escrita, mas sempre seguida: a manifestação somente será respeitada pelas autoridades se criar impacto, seja social ou midiático.

E a forma de impacto mais usada é a interrupção do tráfego de automóveis nalguma importante via pública de uma grande cidade, causando prejuízos a muitas pessoas sem vínculo com a questão.

É a mesma lógica — guardadas as proporções — dos terroristas muçulmanos que não se importam em matar outros muçulmanos nos atentados, sob o argumento de que estas vítimas estão ajudando a Causa, ainda que em troca da vida.

Os manifestantes brasileiros aparecem na tevê e nos jornais, e imaginam estar pressionando fortemente as autoridades.

Conseguem, no máximo, medidas paliativas.

Não entendem que as reclamações e pressões feitas diretamente sobre os políticos e administradores públicos, principalmente quando realizadas por grandes grupos ou associações formais, são mais eficientes, mais democráticas e mais racionais.

E menos arriscadas, menos confrontativas.

Os confrontos aparecem quando a polícia chega e se sente ameaçada; e muitas vezes reprime com violência.

Confrontos também acontecem com a parcela da população que se sente prejudicada pelo ato, como aconteceu em Porto Alegre no dia 25/02/2011: um funcionário do Banco Central, Ricardo Neis, de 47 anos, atropelou um grupo de ciclistas, o que resultou em 10 feridos, sendo oito com lesões (segundo matéria do provedor Terra).

Ele alegou ter sido agredido e ameaçado por alguns deles (a mídia apresentou entrevistas de testemunhas que confirmaram a agressividade dos ciclistas).

Segundo o filósofo José de Souza Martins, no artigo com o criativo título de Um páreo de cavalos chucros, publicado n’O Estado de S.Paulo, edição de 06/03/2011, “os ciclistas são militantes do movimento internacional Massa Crítica, que em muitos países procura despertar as consciências para a alternativa da bicicleta no transporte urbano. Querem humanizar o trânsito, arrancando os seres humanos de sua insalubre passividade física no deslocamento espacial. É um movimento de jovens”.

O sociólogo preferiu não confirmar a agressividade dos manifestantes, mas sinalizou neste sentido: “Os ciclistas têm contra si o fato de que não notificaram a autoridade competente quanto à demonstração que fariam para que recebessem a devida proteção e para que os demais usuários da via pública, com urgências diversas das suas e motivações próprias, não fossem eventualmente prejudicados.”.

Depois elevou as críticas: “É verdade que não raro os movimentos de rua se apresentam como arrogante forma de peitar os circunstantes e os democraticamente indiferentes.”.

José de Souza Martins usou aquele caso como gancho para o tema central de seu texto, que foi a irracional disputa do espaço urbano por pedestres, ciclistas, motoqueiros e motoristas.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, CliqueAqui).

O autor apontou a sua mira para os confrontos entre os vários tipos de transeuntes; a manifestação pública, centro de minha abordagem, era apenas parte da análise dele.

O fechamento de rua, como parte de um ato de manifestação, já virou moda; é cotidiano, bem frequente, por isso a mídia nacional só noticia os de maior impacto, como os que prejudicam o tráfego nas grandes avenidas de São Paulo.

E nas mídias locais é assunto de todo dia, Brasil afora.

Perde a sociedade, com piora da qualidade de vida e elevação do já alto teor de stress.



Categoria: Histórico de crônicas e análises
Escrito por Márcio às 14h33
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Berlusconi foi uma concessão da evoluída Itália à liderança política exótica, folclórica

Líderes políticos exóticos são comuns nos países do chamado Terceiro Mundo, mas exceção em países evoluídos.

A moderna Itália fez sua concessão ao exotismo através de Silvio Berlusconi, que encerrou (por renúncia) seu terceiro mandato não consecutivo de Primeiro Ministro em 12 de novembro de 2011.

Protagonizou escândalos sexuais, gafes de etiqueta e comentários preconceituosos, mas ficou firme no poder até que a Itália começou a sofrer reflexos da crise econômica europeia.

Teve críticos duríssimos, como o filósofo italiano Paolo Flores d’Arcais (ex-professor da Universidade de Roma La Sapienza e hoje diretor da revista MicroMega), entrevistado pelo repórter Christian Carvalho Cruz no caderno Aliás, de O Estado de São Paulo, edição de 20/02/2011.

O ataque mais contundente apareceu na resposta à seguinte pergunta: “Pesquisas mostram Berlusconi com 30% de aprovação. Quem são esses 30%?“.

E Paolo d’Arcais atirou forte, pesado: “Os mafiosos, os corruptos, os sonegadores de impostos, os racistas, os amigos dos mafiosos, os amigos dos corruptos e os amigos dos sonegadores de impostos. E ainda muitos outros que se condicionam pelo controle quase totalitário que Berlusconi exerce na TV. Noventa por cento dos italianos não leem jornal. Portanto, nem sequer sabem das coisas que estamos discutindo aqui. Sabem apenas que "Berlusconi é perseguido porque gosta de mulheres". É essa Itália que elegeu Berlusconi mais de uma vez. E com ajuda de uma centro-esquerda que tem os dirigentes mais estúpidos que já vimos: culturalmente submissos, politicamente tímidos e até corruptos, embora em proporção infinitamente menor do que os políticos berlusconianos.

O entrevistado fez uma terrível lista dos problemas que afetavam a Itália naquele início de 2011: “a crise econômica, os desembarques dos clandestinos tunisianos na costa, o gigantesco desemprego dos jovens, o aumento da desigualdade, o colapso da escola pública e da pesquisa científica, a força crescente da máfia, a ruína do patrimônio artístico e ambiental. Nosso setor industrial mostra sinais graves de crise. Aquela que há um século é a mais importante empresa italiana, a Fiat, está se tornando filial da Chrysler”.

Extraio, ainda, uma análise sobre a influência da Igreja Católica:

OESP - Qual o peso do catolicismo na vida dos italianos? Os ventos conservadores que ajudaram a eleger Berlusconi eram ecos vindos do Vaticano de Bento XVI?

Paolo d’Arcais — A Igreja tem pouco peso para os italianos hoje. Nem os católicos praticantes seguem os ditames do papa, nem na política nem na moral sexual. Mas a Igreja tem um enorme poder no establishment político, financeiro, cultural, econômico, escolar e, por sua vez, ajuda a parte mais atrasada desse establishment. O papa fez alusões genéricas e quase imperceptíveis em relação a Berlusconi. Não o criticou. A Igreja continua a apoiá-lo, porque em troca obtém as leis que lhe vêm a calhar. Afinal, de cada 1.000 que os italianos pagam em impostos, 8 vão para as religiões - na prática, quase tudo para a Igreja. Bispos nomeiam os professores de religião nas escolas públicas. Mesmo as atividades econômicas indiretamente ligadas à Igreja gozam de grandes isenções fiscais, grande parte do sistema hospitalar é controlada pelo poder clerical, também fortíssimo no sistema bancário.

Para acesso ao inteiro teor da entrevista, cliqueaqui.

E abaixo estampo uma foto que correu mundo: Berlusconi aparentemente maravilhado com o corpo da nadadora Federica Pellegrini, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008).

Um especialista em fotografias certamente dirá que uma imagem bidimensional não permite a certeza de que Berlusconi estivesse realmente olhando para a moça e não para algum foco próximo mas, com o passado dele, quem acredita?

Berlusconi comendo Federica Pellegrini com o olhar



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 10h10
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Palestra sobre alcoolismo às 4 da manhã (humorismo)

Um homem com andar meio cambaleante é parado pela polícia às quatro da manhã e é perguntado para onde está indo.

— Estou a caminho para ouvir uma palestra sobre os efeitos do álcool e das drogas no corpo humano. Os danos causados pela esbórnia e a farra na degradação da vida amorosa conjugal.  Seus impactos negativos sobre o sistema nervoso central e periférico advindos dessa vida desregrada e sem Deus no coração. Dos malefícios aos órgãos internos e também externos devastados pela ingestão desenfreada de fumo, álcool e drogas ilícitas....

O policial pergunta:

— Fala sério? E quem vai dar uma palestra desta abrangência e relevância científica nesta hora da madrugada?

E ele responde:

— Minha esposa...



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 13h59
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Jared Diamond, especialista-mor, avalia que Brasil dá mau exemplo na preservação de suas florestas tropicais

O biogeógrafo americano Jared Diamond talvez seja o mais conhecido ecologista do planeta, e um grande apologista dos perigos da falta de preservação dos recursos naturais.

Em longa entrevista concedida ao caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, edição de 22/01/2011, o jornalista levantou a seguinte questão: “Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra.”.

Diamond respondeu: “O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana.”.

E lembrou que a catástrofe – ele usa mais a expressão colapso – pode ser evitada: “Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política.”.

Foi discreto e cavalheiresco quanto à participação do Brasil na degradação do meio ambiente; no resumo que abriu a reportagem, os editores da matéria relatam que ele “avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido ‘uma inspiração para o mundo’, mas também um ‘mau exemplo’ na preservação de suas florestas tropicais”.

Para acessar o inteiro teor da entrevista, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h49
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“É desonesto ignorar a presença ainda tão forte dos produtos e atitudes dos EUA, e confundir uma fase crítica com um fracasso estrutural” (Daniel Piza)

Não sei quando começou o antiamericanismo, esse sentimento de antipatia aos Estados Unidos da América que é forte no Brasil e parece existir em todo o planeta.

Mas o percebo desde que ingressei no mundo dos adultos.

E nunca o digeri bem quando surgiu nalguma comparação com o Brasil: nossos problemas certamente são diferentes, e ainda maiores que os deles.

Em bate-papo já tive até a oportunidade de usar uma lógica bem simplista, rasteira mesmo: argumentei que os EUA estão certamente abaixo de algumas nações – como os países escandinavos – em qualidade global de vida, mas o Brasil não pode almejar chegar ao estágio ideal sem passar pelo intermediário.

Precisa ser um Estados Unidos antes de ser uma Suécia.

Na última semana de 2011 eu preparei – para posterior publicação no meu blog – um texto do jornalista Daniel Piza sobre o assunto; no penúltimo dia do ano o autor morreu repentina e precocemente, aos 41 anos.

Não apenas pela pertinência, como também por homenagem, transcrevo abaixo o artigo intitulado “Declínio americano?”, publicado n’O Estado de São Paulo de 28/08/2011 (excluí tão somente o segundo parágrafo para reduzir o post e por entender que fugiu um pouco do tema básico).

A crise econômica dos EUA, afundados em dívidas que há muito se sabe que um dia eles teriam dificuldades para rolar, faz muita gente apontar um declínio breve do ‘império’ e, em consequência, a tentar adivinhar de quem será este século 21, já que o anterior foi americano. Muitos apontam a China – ou a Ásia em geral – e alguns como o presidente Lula, cuja bravata patriótica soava e soa tão parecida com a do regime militar, chegaram a dizer que seria ‘o século brasileiro’. No entanto, observando culturas como a brasileira, me pergunto se a influência americana sequer começou a ceder. Assim como vai demorar para os EUA serem ultrapassados no PIB e no IDH por um mesmo país (a China pode ultrapassar no PIB até 2050, dizem, mas vai precisar de muito mais para fazê-lo no IDH), a força sedutora do ‘american way’ também vai se estender bastante.

[...]

No campo do consumo do chamado ‘entretenimento’, então, nem é preciso listar muitos fatos. A TV por assinatura multiplicou os seriados e programas americanos, seguidos fielmente no mundo todo; Hollywood continua a dar as cartas nas bilheterias globais, com sua usina de celebridades que povoam sites e revistas; cantoras como Beyoncé e rappers como Jay Z dominam os videoclips em TV e You Tube; filmes de HQ em cartaz como Capitão América e Lanterna Verde insinuam a velha ideologia do heroísmo que livra Nova York e outras cidades de vilões com tonalidades nazistas ou comunistas ou terroristas; e até para rirmos das manias americanas, de sua mentalidade consumista, precisamos de um americano como Woody Allen. E o que dizer do admirável mundo novo da tecnologia? Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg estão muito acima da manada forasteira – e que eu saiba a internet fala inglês, não chinês.

Talvez alguém argumente que a cultura americana não perdeu influência em termos de quantidade, de comportamentos massificados, mas em termos de qualidade, de modelos refinados. Por um bom tempo, bebendo na fonte europeia, a cultura americana buscou padrões cada vez mais elevados e produziu escritores como Henry James, Scott Fitzgerald, Saul Bellow (irrelevante que tenha nascido no Canadá); importou cientistas como Einstein e cineastas como Hitchcock; produziu movimentos na pintura, como o expressionismo abstrato, e na música, como o jazz, o bebop e o rock, que mudaram o mundo a fundo; também gerou pensadores, metafísicos ou pragmáticos (de Peirce a Rorty), e espalhou fundações e museus indispensáveis. Nomes e instituições já não surgem como antigamente nos EUA. Mas alguém me diga: e onde surgem?

Sim, também sonho com um mundo mais multipolar, o que significaria uma América menos hegemônica, e, sim, também me canso dessa cultura americana de arte enlatada e mente dicotômica, que com seus apelos emotivos e ‘power points’ afasta muitas pessoas de outros conteúdos e formas de pensamento e estética. Não nego que algumas coisas estejam mudando e que isso seja bom, que os tempos de colonialismo bélico possam estar passando. Mas acho desonesto ignorar a presença ainda tão forte dos produtos e atitudes dos EUA, tantas vezes imitados até por quem diz odiá-los, e confundir uma fase crítica com um fracasso estrutural. Talvez o fato de o século 21 não vir a ter um ‘dono’ seja a melhor notícia, mas, por ora, um deles ainda serão os EUA por um bom tempo. Como diria Mark Twain, os boatos sobre o declínio americano são exagerados.

Para acesso ao inteiro teor do texto, publicado no seu blog (mantido pelo jornal), cliqueaqui. Provavelmente o blog ficará permanentemente no portal do jornal já que Daniel Piza era o seu editor de cultura.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 08h22
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Xô, cavalo! Cuidado com o cavalo mordedor

O cavalo da foto é Talking Heads, 5 anos, corredor do Hipódromo da Gávea, RJ. O não-cavalo é Gustavo Rodrigues de Magalhães, preocupado com o tamanho dos dentes do equino. Xô, cavalo!



Categoria: Histórico de turfe
Escrito por Márcio às 14h51
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Há quem tenha a cara de pau de criticar os políticos enquanto comete irregularidades

A jornalista Delis Ortiz, depois de duas décadas como principal repórter da TV Globo em Brasília, agora é correspondente em Buenos Aires.

Apareceu um pouco diferente, engordou um tiquinho atraindo minha curiosidade (que sempre se expande através do Google).

Está com 48 anos, duas filhas e dois netos, o que explica a mudança. O tempo é tirano.

E encontrei um texto dela que se encaixa perfeitamente num tema que me é caro: a incrível capacidade que muitos brasileiros possuem em pregar o oposto do que praticam.

Ou por falsidade, ou por incapacidade de autoanálise.

(Também encontrei na internet um comentário de uma antiga colega de trabalho, contando que não pretende voltar a viver no Brasil, por ser um país “muito corrupto”. Deve estar nos Estados Unidos. É uma figura inesquecível, ríamos muito de suas loucuras. Jamais se dedicou ao trabalho ou a fazer o bem para os outros.)

Selecionei os trechos a seguir, que resumem bem o texto de Delis:

Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um táxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor.

[...]

O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos... Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional.

[...]

— Os economistas comentam — tagarelava ele — que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira.

Tão observador, será que ainda se lembrava em quem tinha votado para deputado ou senador na última eleição? Fiz a pergunta e, depois de algum silêncio, a resposta foi não. Pena.

[...]

Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Fiz mais um teste com o “probo” cidadão: paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado. 

— Veja como são as coisas, seu moço — emendei. O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal!

O brasileiro esperto quis interromper, mas era minha vez de falar.

— O senhor acha mesmo que ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles?.”.

Para acesso ao inteiro teor do artigo, publicado na revista Ultimato, edição de março/abril de 2009, cliqueaqui.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h07
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Luís Fernando Veríssimo, desumano, não quer saber do furúnculo da tia Elvira

O humorista Luís Fernando Veríssimo é famoso por sua timidez e discrição; talvez por isso se irrite com a moderna contaminação dos vícios sociais.

Pela sua coluna dominical d’O Estado de São Paulo se queixou do cigarro do vizinho e das conversas pelo celular, em público e voz alta.

Tão revoltado que não quer saber nada sobre o furúnculo da tia Elvira: se dói, se solta pus, nem onde está localizado (será que é ali?).

Tia Elvira que se dane...

E assim ele fechou a crônica de 28/08/2011:

Fumar em lugar fechado está sendo proibido em todo o mundo para evitar a contaminação do vizinho, que pega fumaça e seus males de segunda mão. Acho que deve-se pensar em obrigar quem tem telefone celular a também ir usá-lo na rua. O objetivo seria nos proteger da contaminação pela vida alheia. Não precisamos saber do furúnculo da tia Elvira. E agora, com os pods e pads que fazem de tudo e informam tudo, há uma nova praga. Gente que no cinema, no meio do filme, liga o troço.

Se ainda fosse para saber como está o índice Bovespa. Mas não, geralmente é para saber da tia Elvira.”.



Categoria: Histórico dia a dia
Escrito por Márcio às 09h23
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O povo brasileiro usa o direito do abutre a se nutrir da carniça das tragédias sociais

Um dos comportamentos sociais brasileiros que mais me deprimem é o saque, realizado por grupos não organizados da população, que se apropriam de produtos que parecem não possuir um proprietário claro.

O tipo mais comum é a espoliação da carga de caminhões acidentados, antes que a polícia ou o dono da mercadoria chegue.

Se o produto é perecível, a alegação, a explicação-desculpa, é que ele se perderá mesmo; quando não é o caso, os autores diluem a culpa alegando que foi um ato coletivo, e que apenas fizeram “o que todo mundo está fazendo”.

Não tem dono mesmo” ou “vamos pegar antes que outros peguem” são outras desculpas, os disfarces para o roubo perpetrado por ladrões não profissionais, não assumidos.

No artigo O direito do abutre, publicado no caderno Aliás, do jornal O Estado de São Paulo, edição de 22/01/2011, o sociólogo José de Souza Martins não amacia as palavras:

A rapina de cargas de veículos acidentados é outra modalidade de sebaça, multidões repentinas carregando o que podem. Não se trata de ladrões profissionais. Trata-se de algo pior: da prontidão de pessoas comuns, que nunca sairiam de casa para assaltar alguém, mas o fazem simplesmente porque a oportunidade se apresenta.”.

Outra ilegalidade comum no Brasil é o desvio de doações destinadas às vítimas das grandes tragédias, como as inundações sazonais de todo início de ano.

A desculpa inventada pelos ladrões — usada para se autoenganarem — é assemelhada: enquanto não estiver oficialmente entregue ao flagelado o produto está sem dono.

Martins ainda inclui no grupo “o saque do que restava das casas das vítimas, com gente até se oferecendo como voluntária para ajudar apenas para ter a oportunidade de saquear” e “os oportunistas que oferecem água à venda por preços multiplicados e casas para alugar pelo dobro do preço de mercado”.

E vê raízes tanto históricas quanto primitivas:

Essa prática tem entre nós raízes culturais profundas. Herdamos da Europa medieval o direito à sebaça, ao saque dos bens dos vencidos. Na história social e política brasileira temos vários episódios e ocorrências desse tipo nas chamadas lutas de famílias. O caso mais emblemático, ocorrido em Dianópolis, no norte do antigo Estado de Goiás, virou enredo de obra clássica da literatura, O Tronco, de Bernardo Élis. Também no cangaço, a sebaça se propunha como um direito do vencedor sobre o vencido.”.

E assim fecha o pessimista ensaio, motivado pelos eventos posteriores à grande tragédia de janeiro de 2011, que foi a inundação da região serrana do Rio de Janeiro:

Em outras sociedades, essas formas primitivas de direito foram banidas e superadas pelas revoluções sociais e políticas. Aqui, historicamente as coisas foram diversas. A superficialidade das mudanças sociais sempre facilitou a agregação do direito velho ao direito novo, traço profundo da nossa cultura política da conciliação. Os saques e a especulação econômica contra as vítimas sobreviventes do desastre ambiental na região serrana do Rio de Janeiro nos mostra a vitalidade entre nós do direito do abutre a se nutrir da carniça das tragédias sociais.”.

Para acessar o inteiro teor do artigo, cliqueaqui.



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Escrito por Márcio às 10h38
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Cavalo e cavaleiro - no caso, jóquei - em disputa pelo poder

Quem domina, o grande ou o pequeno? Parece que, neste caso, o controle está nas mãos do jóquei Vágner Borges, jovem revelação das corridas do Hipódromo da Gávea. A potranca Super Tóta, de três anos, reage contra as rédeas controladas por quem tem pouco mais do que 10% do seu peso. Mas vai ceder.

Jóquei Vágner Borges na Gávea



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Escrito por Márcio às 10h29
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Márcio de Ávila Rodrigues é médico-veterinário e jornalista. Reside em Belo Horizonte-MG, Brasil, onde nasceu na década de 50.




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